Classic Is Outdated
3 Love Verses
Notas iniciais

Assim que cheguei em casa, sentei-me no sofá e parei uns instantes para analisar o que acabara de acontecer. Josh. Seus olhos castanhos claros contornados com um pouco de lápis e seus cabelos negros não saíam de minha mente. Um rapaz que, por mais que parecesse valentão, sua humildade estava estampada em sua face. Simplesmente não acreditava que ele convidou-me para ir à sua casa para me ajudar com a guitarra e conhecer sua banda afinal, mal nos conhecíamos e ele aparentava não receber qualquer um em sua casa. Talvez ele tenha sentido o mesmo que eu quando reparei em sua simplicidade.
Resolvi sentar-me numa escrivaninha que ficava no escritório de meu pai para fazer meus deveres passados pelos professores. Parei para observar o ambiente de relance e percebi que haviam muitos livros e muito velhos, por sinal. Fiquei imaginando se meu pai teria lido todos aqueles livros gigantescos que preenchiam as enormes estantes, com certeza ele já viveu inúmeras histórias dentro de cada um. Todos esses pensamentos que tive me deram uma ideia de escrever minha primeira música.
Corri para meu quarto e rapidamente peguei uma folha para começar. Passei a tarde toda que me restava escrevendo e quando terminei já eram 7 da noite, hora que eu e meus pais costumamos jantar, porém, não os escutei chegando em casa, o que era estranho.
Nesse mesmo momento o meu celular toca com uma chamada de minha mãe. Atendo e ela me diz que teve um jantar da empresa e que meu pai estava junto com ela e que chegariam tarde. Sendo assim, perguntei se poderia dormir na casa de meu avô e ela concordou.
Peguei a folha em que minha “música” estava escrita e segui rumo à porta, já que eu tinha tudo que precisaria na casa do vovô para passar a noite lá. Comecei a caminhar, e quando estava a três quarteirões da casa de meu avô, ouço um barulho vindo da garagem de uma casa próxima. Parei para olhar e não acreditei no que vi: Josh estava sentado no chão, tocando seu violão com um caderno e um lápis ao seu lado, provavelmente estava compondo algo. Usava uma bermuda jeans, camiseta preta com estampa de uma caveira medonha e chinelos. Ele estava bem à vontade. Atravessei a rua e aproximei-me dele e disse, assustando-o:
– Também está compondo?
– Ah, oi! Estou sim. Gosto de compor à luz da lua, ela me inspira.
– Posso ver o que você escreveu? — perguntei receosa.
– P-pode, mas não está terminada e nem tão boa assim.
Peguei o caderno e vi que tinham apenas três versos que definitivamente foram escritos por uma pessoa cegamente apaixonada.
– Uau. Você realmente deve estar bem apaixonado — disse após ler.
– Estava. Esses versos foram escritos há três anos, quando conheci a primeira pessoa que realmente me apaixonei. Hoje eu resolvi tentar termina-la, e como pode ver, está um fracasso porque não sei sobre o que mais escrever. — Josh admitiu.
– Sabe, quem não te conhece, nunca imaginaria que você seria capaz de escrever coisas desse tipo. Porque você tem uma imagem tão distinta da romântica — confessei.
Ele deu uma risada e respondeu:
– Ei! Eu consigo ser romântico, é só que eu não ligo tanto assim para o amor. Prefiro escrever sobre assuntos mais interessantes.
– Entendo – disse com sinceridade.
– Mas o que você estava fazendo caminhando por aqui? — perguntou curioso.
– Eu estava indo para casa do meu avô... que a essa hora já deve estar preocupado comigo. — Tinha esquecido completamente o porquê que eu tinha parado em frente à casa de Josh.
– Então acho melhor você ir, já está ficando tarde. — respondeu.
– Tchau, então – despedi-me, atravessando a rua seguindo meu rumo.
– AGORA VOCÊ JÁ SABE ONDE EU MORO! — Josh gritou do outro lado.
Olhei para trás, sorrindo, e ele estava sorrindo também. Continuei a andar até chegar à casa de meu avô. Toquei a campainha e a porta logo se abriu com o meu avô me abraçando forte, como se tivesse acontecido algo comigo.
– Nina, onde você estava? Por que demorou? — perguntou preocupado.
– Mil desculpas, vovô. Eu me atrasei um pouco na hora de sair. — menti meio arrependida de ter falado com Josh.
– Eu te desculpo, mas não faça isso novamente, sabe que eu sou velho e não posso passar por esses sustos — deu uma risadinha.
– Eu sei. Prometo que não farei — respondi.
Entramos na casa que eu conhecia na palma das minhas mãos e que me fazia tão bem estar lá. Com as paredes beges, o grande piano de calda no centro, perto das escadas que seguia os quartos.
Fui em direção à cozinha, onde havia um prato em uma pequena mesa no centro e a direita os eletrodomésticos do local. Sentei-me diante da mesa e tomei a sopa que meu avô havia preparado para mim enquanto ele se sentava ao meu lado e apenas me observava.
– Escrevi uma música hoje, ou pelo menos tentei. — comecei
– Que maravilha! E ela já tem ritmo? Eu posso ouvir? — perguntou esperançoso.
– Ainda não. Só tem as letras mesmo.
– Então acho que já temos o que fazer esta noite, não? — disse animado.
– Pensando bem, eu estou muito exausta para fazer isso hoje, mas se o senhor quiser dar uma olhada na letra e tentar formar uma melodia tá tudo bem pra mim. — respondi da forma mais sincera possível.
– Eu entendo. É melhor você ir descansar, então. – respondeu compreensivo.
Assenti com a cabeça e subi as escadas em direção ao meu quarto, que estava exatamente como sempre foi, desde quando era pequena: com cortinas brancas, paredes cor de rosa e uma mobília bem infantil, mas era assim que eu gostava.
Deitei-me na cama, fiquei olhando para o teto, pensando nos versos de Josh e o que aconteceu para ele ter mudado tanto a ponto de não querer falar mais de amor. Era tudo muito curioso.
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