Classe dos Guerreiros - A Sexta Geração
21 Salvação...?
Notas iniciais

– Quem é Osíris? – perguntou Drica abraçando Derek, que não parava de chorar. Cassandra abriu a boca para responder quando um gato angorá, branco como um pedaço de nuvem apareceu se ronronando e se esfregando em Derek.
– Esse é Osíris. – disse finalmente Cassandra, se referindo ao gato. – Fomos procurá-lo, e quase não encontramos não é? – ela falou para o gato que se sentou. – Bola de pelos...
– Um gato branco?! – falou Carter, com certa raiva. – Arriscamos nossas vidas e Mel até... – ele parou um instante. – Para encontrar os Animais e vocês foram atrás de um gatinho branco? – o moreno parecia incrédulo.
– Se minha cor não o agrada, posso mudá-la se preferir. – todos olharam para o gato, que estranhamente era quem havia falado e como se uma rajada de vento passasse por ele,seus pelos se tornaram cinza. – Ou se quiser posso ser mais esguio. – e com outro “vento” seus pelos ficaram curtos. Carter caiu sentado no chão enquanto todos olhavam boquiabertos para Osíris, que deu uma leve risada.
– Volte ao normal seu exibido. – intrometeu-se Marin. – E pare de falar com toda essa classe, você não é da realeza. – e o gato voltou à forma original. – Vamos logo com isso... Temos mais um funeral para cuidar...
– Como quiser. – respondeu o felino educadamente.
~*~
Os pilares ficavam um pouco atrás da Casa Principal, quase dentro da floresta e os aprendizes de Marin se perguntavam como nunca tinham reparado naquele lugar.
Os pilares eram estruturas altas e largas feitas de mármore e com gravuras os adornando completamente que mostravam histórias vividas por cada membro da Primeira Geração em seu respectivo pilar, junto com uma imagem do Guerreiro ao qual pertencia, e no centro destes um círculo, também de mármore, com o símbolo de Solaris e Lune.
Damon voou para o topo de um pilar com a imagem de uma mulher com cabelos longos, Apolo para o com a imagem de um homem barbado e Luna para o com a imagem de uma mulher com um rabo de cavalo no cabelo. Todos ficaram de pé nas patas traseiras e com as asas abertas para manterem o equilíbrio.
Nenhum dos Guerreiros se aproximou muito, Derek tinha entrado na mansão e por mais impressionante que fosse ser a magia que aconteceria ali, ninguém estava em condições de assistir realmente.
– É com você. – disse Cassandra, que carregava Osíris o colocando no chão.
– Não se preocupe. – falou um pouco presunçoso. O gato foi andando calmamente até ficar em cima do símbolo de Solaris e Lune.
Os Animais pareciam estar esperando pelo comando de Osíris.
O gato ficou de pé nas patas traseiras, inclinou a cabeça para cima, fechou os olhos e miou alto. Os Animais repetiram o gesto.
Os pilares começaram a brilhar e magia começou a se acumular entre eles, acima da cabeça de Osíris, brilhante e poderosa como nenhuma outra que os aprendizes já tinham visto e quando esta parecia pronta para ser lançada para o alto, o gato bateu com as patas da frente no chão e a grande esfera desceu para o solo.
Um grande tremor fez com que os aprendizes caíssem no chão, sobrando apenas Marin e Cassandra de pé. A grama pareceu ser feita de vidro, ou de qualquer outra substância capaz de refletir a luz do Sol e atrair nosso olhar, mas somente por um momento, logo tudo voltou ao normal.
Marin flexionou os joelhos, pôs a mão no chão e esperou alguns segundos.
– O Fluxo está normal, foi restaurado. – anunciou ela e todos respiraram aliviados.
– O que vai acontecer com os Animais agora? – perguntou Hunter enquanto estes desciam dos pilares.
– Vão ficar por aqui, devem achar um lugar em que possam se acomodar. – falou dando de ombros.
Em seguida todos entraram na Casa Principal, incluindo Osíris.
Ao contrário dos outros, que logo foram se limpar ou simplesmente descansar, Marin foi para o quarto de Li, já que era ela quem aprontava o corpo para ser sepultado. Antes de chegar à porta do quarto, ela parou. Seth estava sentado ao lado da porta junto com Derek, e era evidente que ambos estavam chorando.
Marin sentou ao lado de Derek, de modo que o garoto ficou entre os dois mestres. A mulher de cabelos brancos puxou o garoto pelo ombro e o abraçou. Derek chorou no ombro dela como teria chorado no ombro da mãe que nunca teve, e por cima da cabeça do menino, ela sorriu para Seth, um sorriso leve que queria apenas dizer que ela estaria ali para o que fosse preciso, assim como sempre foi.
Seth sorriu de volta, com lembranças antigas vindo à sua mente.
~*~
No dia seguinte, pouco depois do amanhecer, todos já estavam com suas roupas de gala no Salão do Genus para mais um sepultamento, sem ter se passado nem um mês desde o de Charles.
Melanie estava incrivelmente serena com as vestes brancas, suas espadas estavam uma em cada mão e seus pés descalços davam um ar de naturalidade.
Seth se aproximou de Melanie segurando Derek pelos ombros.
– Quer dizer alguma coisa? – perguntou para o garoto. Derek somente balançou a cabeça negativamente. O garoto estava tentando não começar a chorar novamente e sabia que se dissesse alguma coisa, não conseguiria. – Tudo bem... – o mestre respirou fundo. – Melanie foi uma filha pra mim... Foi minha primeira aprendiza. Fico triste por haverem poucas pessoas aqui, mas ela era órfã... Nós fomos a família dela. Para Derek ela foi uma irmã mais velha e sempre tentou ser o melhor que podia para todos. – e se afastou um pouco ainda com seu aprendiz.
Hunter se aproximou com uma margarida.
– Fui escolhido pra falar por todos da Sexta Geração... – ele fez uma pausa e olhou para Melanie com um olhar doce. – Mel foi muito especial... Acho que para todos nós, vamos sentir muito a falta dela... – fez outra pausa. — Acho que ainda não consegui entender que nunca mais vou vê-la sorrir quando chegar aqui na Casa. – colocou a margarida em cima da barriga dela.
– Em honra de Melanie, da Classe Giebra. – finalizou Cassandra fazendo o corpo de Melanie flutuar e se juntar à mesma linha em que estava o corpo de Regina. Melanie era a segunda morta da Sexta Geração.
– Vamos? – perguntou Marin para a amiga enquanto todos começavam a sair do Salão.
– Vou ficar mais um pouco. – respondeu Cassandra em frente ao corpo flutuante de Melanie.
– Tudo bem.
Do lado de fora, Damon estava com Seth e Derek enquanto os outros se dispersavam pelo jardim, todos sentindo o choque da morte de sua amiga. A única vez em que tinham sentido aquilo foi quando Regina morreu, era horrível passar por isso novamente.
Mas Marin estava otimista, acreditando que agora estavam livres de qualquer perigo.
Estamos salvos, pensou.
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