City of stars

3 Just like a movie star


Notas iniciais
Oieeeee meus amores! ♡ Sejam bem-vindos ao Capítulo 3! Nem preciso dizer o quanto eu estava ansiosa para postar esse momento para vocês, né? Preparei um capítulo recheado de momentos divertidos, muita cumplicidade entre garotas e aquele clima de romance com uma pitada de alívio cômico que a gente ama! Antes de começarem a leitura, aquele pedido especial de sempre: deixem seus comentários! Me contem qual foi a parte favorita de vocês, o que acharam das interações e dos surtos da Alice e da Renée. A opinião e o carinho de vocês são o combustível que faz a minha inspiração voar longe para eu voltar correndo com o Capítulo 4! Então já sabem: terminou de ler, deixa aquele comentário lindo para me fazer sorrir! Boa leitura e aproveitem bastante! Beijos gigantes! ✨🍿🎬✨

Capítulo 3: Just like a movie star

A claridade suave do início da manhã de domingo mal havia atravessado as frestas da cortina gasta do quarto quando um estalo ensurdecedor, seguido por uma chuva de confetes prateados e gritos agudos, fez Bella despencar do estado de torpor para um estado de sobressalto absoluto. Ela se sentou na cama em um pulo, o coração disparado contra as costelas e os cabelos castanhos completamente desalinhados ao redor do rosto. Antes que pudesse processar o que estava acontecendo ou tatear em busca de um alarme inexistente, a figura hiperativa de Alice saltou sobre o colchão, segurando uma buzina de festa de plástico rosa, enquanto Renée entrava no pequeno quarto equilibrando uma bandeja de papelão repleta de rosquinhas confeitadas e duas xícaras fumegantes de café.

— Você passou! A minha garota passou na primeira fase da Netflix ! — cantarolava Alice em um tom estridente e eufórico, segurando os ombros de Bella e chacoalhando-a com entusiasmo desmedido, os olhos brilhando por trás das mechas curtas e repicadas do seu cabelo preto.

— Alie, devagar, eu acabei de acordar! — protestou Bella, cobrindo os olhos com o antebraço e soltando um riso abafado diante da energia avassaladora que tomara conta do cômodo. — De onde você surgiu às oito da manhã de um domingo? E, por favor, parem com a comemoração antecipada. Foi apenas a primeira etapa de um teste de seleção gigantesco. Havia literalmente centenas de garotas incrivelmente lindas e preparadas naquela fila. Eu ainda tenho um caminho enorme e quase impossível pela frente.

— Ah, cale a boca com esse seu pessimismo irritante e pé no chão, Isabella Marie Swan! — bradou Alice, cruzando os braços e fingindo uma indignação teatral enquanto se ajoelhava ao lado dela na cama. — Você foi aprovada na primeira fase entre milhares de aspirantes! Isso por si só já exige uma celebração de alto nível. Renée e eu já decretamos: hoje é o 'Domingo das Garotas' e você não tem direito a nenhum veto executivo!

Renée depositou a bandeja sobre a mesa de cabeceira e abraçou a filha com força, beijando o topo de sua cabeça com ternura imensa.

— A baixinha está coberta de razão, minha estrelinha — disse Renée com a voz embargada pelo orgulho materno. — Você trabalha tanto, se desdobra em mil bicos e cuida de mim o tempo todo. Hoje você vai apenas relaxar e deixar a gente mimar você.

Sem dar a Bella qualquer margem para argumentação, as duas transformaram a pequena sala de estar em um verdadeiro centro de estética e cinema artesanal. Minutos depois, Bella encontrava-se acomodada no sofá surrado, usando um roupão felpudo e com uma espessa camada de máscara facial argilosa de cor verde-musgo espalhada pelo rosto, enquanto duas rodelas de pepino teimavam em escorregar de suas pálpebras toda vez que ela tentava rir. Ao seu lado, Alice ajustava a televisão, onde o leitor de DVD rodava uma cópia clássica de Bonequinha de Luxo, enquanto uma tigela gigantesca de pipoca besuntada em manteiga derretida passava de mão em mão.

— Se esse treco verde secar mais um pouco, eu não vou conseguir nem abrir a boca para comer a pipoca... — resmungou Bella com a voz travada pela rigidez da máscara secante, tateando o ar até encontrar a tigela no colo de Alice.

— Deixe de ser dramática! Isso vai fechar seus poros e dar um brilho de diva de cinema para a sua pele — rebateu Alice, jogando uma pipoca para o alto e pegando-a com a boca com precisão habilidosa, fazendo Renée dar uma risada gostosa ao fundo enquanto passava creme hidratante nas próprias mãos. — Agora fique quieta e preste atenção na Audrey Hepburn, porque é exatamente esse nível de elegância que nós vamos construir para o seu futuro tapete vermelho.

A tarde correu leve e repleta de risadas descontraídas, um contraste abençoado e raro para a rotina exaustiva que Bella vinha enfrentando nas últimas semanas. Contudo, precisamente às quatro da tarde, quando a personagem Holly Golightly corria pelas ruas de Nova York na tela da TV numa chuva torrencial atrás do gato, a vibração prolongada do celular de Bella sobre a mesa de centro fez o som abafado do aparelho cortar a conversa das três.

Bella esticou o braço com cuidado para não derrubar as rodelas de pepino, limpando o excesso de creme dos dedos em um guardanapo antes de encarar o visor. Um número desconhecido brilhava na tela. Franzo a testa, ela atendeu e levou o telefone ao ouvido.

— Alô? — disse Bella, hesitante.

Bella? — a voz grave, aveludada e inconfundível de Edward soou do outro lado da linha, trazendo consigo uma calidez imediata que fez o estômago de Bella dar uma reviravolta involuntária. — Espero não estar atrapalhando o seu domingo... Aqui é o Edward.

Bella congelou por um segundo, sentindo as bochechas esquentarem sob a camada seca de argila verde, e ajeitou a postura no sofá sob o olhar atento e curioso de Alice, que imediatamente pausou o filme e apurou os ouvidos.

— Ah... oi, Edward! Não, você não está atrapalhando nada — respondeu ela, tentando manter o tom de voz calmo e casual, embora seu coração tivesse acelerado o ritmo. — Só estou em um... dia de spa bem peculiar com a minha mãe e a minha amiga.

Do outro lado da linha, Edward soltou uma risada baixa e contida, cujo som ressoou no ouvido de Bella como um sussurro reconfortante.

Fico feliz em saber disso — disse ele com suavidade. — Bom... eu estou ligando porque cumpri a minha promessa de procurar você. Eu gostaria muito de levar você para sair hoje à noite, se você estiver livre, é claro.

— Hoje à noite? — repetiu Bella, e ao ouvir a frase, Alice deu um pulo silencioso do sofá, levando as mãos à boca e fazendo gestos frenéticos para que ela aceitasse imediatamente. — E para onde nós iríamos?

Tem um pequeno cinema retrô independente aqui perto da área central que faz exibições especiais em películas originais de 35mm — explicou Edward, a voz transbordando um entusiasmo genuíno que contaminou Bella. — Hoje eles vão passar Juventude Transviada, com o James Dean. Eu pensei que talvez você gostasse da ideia de fugir um pouco do circuito comercial... O que me diz?

Um sorriso espontâneo e radiante abriu-se no rosto de Bella ao perceber o cuidado e o bom gosto da escolha dele.

— Juventude Transviada…Eu adoro esse filme — admitted ela com sinceridade. — Adoraria ir com você, Edward.

Excelente! — respondeu ele, visivelmente satisfeito. — Posso buscar você às dezoito horas? Se você me passar o seu endereço, eu estarei aí pontualmente.

— Combinado. Eu vou te mandar a localização por mensagem — disse Bella antes de se despedir. — Até mais tarde, Edward.

Até mais tarde, Bella.

Assim que Bella encerrou a chamada e baixou o aparelho, um segundo de silêncio absoluto tomou conta da sala, quebrado abruptamente pelo grito estridente e histérico de Alice, que se atirou sobre Bella, agarrando seus braços.

— MEU DEUS! Quem é Edward?! De onde surgiu esse homem cult e por que você não me contou nada?! — disparou Alice, sacudindo a amiga com violência enquanto Renée assistia a tudo com os olhos arregalados e um sorriso cúmplice.

— Alice, calma! — riu Bella, tentando se esquivar das mãos inquietas da amiga. — É o rapaz que eu conheci na sexta à noite no evento de gala... Ele toca piano divinamente, alie…parece um anjo tocando! Ele me ajudou quando eu tive crise de ansiedade e acabou me reencontrando ontem no clube. Ele me convidou para ir ao cinema retrô assistir Juventude Transviada…

— Cinema retrô? James Dean em 35mm? — Alice colocou a mão no peito, fingindo emoção profunda. — Ok, ele tem pontos extras pelo bom gosto e pela classe. Mas agora chega de conversa! São quatro e meia da tarde e nós temos um milagre estético para operar em menos de uma hora e meia! Para o banho, Isabella, agora mesmo!

O que se seguiu nas horas seguintes foi um verdadeiro furacão comandado por Alice Cullen. Enquanto Bella lavava o rosto e tomava um banho rápido, Alice invadiu o pequeno armário do quarto, revirando cabides e gavetas com uma velocidade impressionante até soltar um exultante "Achei!".

Quando Bella saiu do banheiro enrolada na toalha e secando os cabelos com uma flanela, encontrou Alice segurando com reverência um vestido suspenso no cabide. Era uma peça especial que Bella havia guardado no fundo do armário para ocasiões raríssimas: um vestido em tom azul-cobalto profundo, com decote trançado em estilo frente única que deixava os ombros e o colo delicadamente expostos. A cintura ajustada por uma faixa de tecido plissado abria-se em uma saia fluida de chiffon leve com camadas em babados sutis, que caía elegantemente até a altura dos joelhos.

— Alice... esse vestido não é formal demais para ir ao cinema? — questionou Bella, tocando o tecido suave com receio.

— Não é um cinema qualquer, é uma noite especial, com um rapaz refinado que toca piano e gosta de filmes Cult… — decretou Alice com firmeza profissional, empurrando Bella para a cadeira em frente à penteadeira. — Você vai usar este vestido azul, sim! Ele realça a cor da sua pele, destaca seus olhos e deixa você absolutamente estonteante sem parecer que se esforçou demais.

Com mãos ágeis e precisas, Alice secou os cabelos castanhos de Bella, criando ondas largas e naturais que caíam com leveza sobre suas costas. A maquiagem foi mantida simples, porém impecável: uma pele iluminada, cílios bem definidos e um tom suave de rosa nos lábios que realçava seu sorriso natural.

Exatamente às dezoito horas em ponto, o som curto e polido da campainha ecoou pelo apartamento. O coração de Bella deu um salto no peito, e ela deu os últimos retoques antes de terminar de se ajeitar no quarto.

— Eu abro! — voluntariou-se Renée, caminhando apressadamente até a entrada com Alice logo em seu encalço.

Quando Renée abriu a porta de madeira, Edward Masen estava parado no corredor. Trajava uma jaqueta de couro preta de corte clássico sobre uma camisa social cinza e calças escuras alinhadas. Seus cabelos acobreados estavam levemente desalinhados pelo vento da noite, e ele segurava com delicadeza um deslumbrante e vibrante buquê de gérberas rosas.

Ao ver duas mulheres encarando-o na porta, o jovem pigarreou de leve, sentindo um rubor tímido subir por seu pescoço e colorir as pontas de suas orelhas.

— Boa noite... Eu sou o Edward — disse ele com extrema cortesia e uma postura visivelmente tímida, ajustando o buquê entre as mãos. — Prazer em conhecê-la, senhora Swan.

No mesmo instante, Renée arregalou os olhos, levou a mão ao peito e soltou uma gargalhada dramática e bem-humorada.

— Senhora Swan?! Ai, meu Deus, não me chame assim, garoto! Eu sou separada do pai da Bella há anos, graças a Deus! — exclamou Renée na lata, fazendo Alice cobrir a boca para conter um riso. Renée mediu Edward de cima a baixo com um olhar divertido e escancarado, sem fazer a menor cerimônia. — E olha, com todo o respeito... que gato que você é, hein? A Bella tem um excelente gosto! Pode me chamar só de Renée, por favor…ou sogrinha…

A franqueza desconcertante e sem filtros de Renée desarmou Edward instantaneamente. A timidez inicial deu lugar a uma risada franca, verdadeira e calorosa, que iluminou todo o seu rosto e exibiu um sorriso torto e extremamente charmoso.

— Prometo lembrar disso, Renée — respondeu Edward, ainda rindo baixinho e balançando a cabeça.

— E eu sou a Alice! A melhor amiga, estilista pessoal e consultora oficial da Bella — apresentou-se Alice com um sorriso radiante, estendendo a mão para cumprimentá-lo. — É um prazer conhecer você, Edward !

— O prazer é todo meu, Alice — disse Edward gentilmente.

Nesse instante, o som leve de passos vindo do corredor interno fez a atenção de todos se voltar para dentro. Bella caminhava até a sala, ajustando uma das tiras da bolsa tiracolo sobre o ombro.

Assim que os olhos verdes de Edward encontraram Bella, o riso em seu rosto estancou de imediato. A respiração dele travou na garganta e sua boca abriu-se levemente em um estado de choque e puro arrebatamento. Ele a observou em silêncio, completamente imóvel por alguns segundos, absorvendo a visão deslumbrante da garota diante de si: o tecido azul-cobalto abraçando suas curvas com perfeição, os ombros nus iluminados pela luz quente da sala, as ondas castanhas caindo suavemente sobre o colo e a timidez encantadora com que ela o encarava.

— Meu Deus... — a palavra escapou dos lábios de Edward em um sussurro abafado e involuntário, fazendo um rubor suave e quente surgir nas bochechas de Bella. Ele deu dois passos à frente, esquecendo completamente a presença de Renée e Alice, e estendeu o buquê de gérberas rosas em sua direção. — Bella... você está maravilhosa. Absolutamente estonteante. Eu... eu estou sem palavras.

— Obrigada, Edward... — respondeu ela com a voz doce e um sorriso tímido, pegando o buquê e aspirando o aroma suave das flores, encantada com a escolha da cor. — Elas são lindas, muito obrigada. E você também está impecável.

— Juízo no cinema, pequena garfanhota ! — interveio Alice da cozinha, acenando com entusiasmo exagerado enquanto piscava cumplicemente para Bella por trás das costas de Edward.

— Se divirtam-se bastante! — despediu-se Renée, ainda ostentando um sorriso provocativo enquanto acenava da porta.

Edward sorriu de volta para as duas e, com um gesto extremamente cavalheiresco, estendeu o braço para que Bella o acompanhasse.

— Vamos? O filme começa em breve — disse ele com suavidade.

— Vamos — concordou Bella com os olhos brilhando.

Ao saírem para a calçada, a brisa fresca do início da noite em Los Angeles fez a saia fluida do vestido azul de Bella esvoaçar suavemente ao redor de suas pernas. Estacionado no meio-fio sob a luz dos postes de iluminação urbana, um reluzente Volvo prata XC60 repousava impecável. Edward caminhou até a porta do passageiro, abrindo-a com destreza e esperando que ela se acomodasse confortavelmente antes de fechar a porta e dar a volta para assumir o volante.

Dentro do veículo, o aroma agradável de couro conservado e perfume amadeirado envolvia o ambiente, e o som suave de uma estação de jazz independente tocava no rádio em volume baixo. Assim que Edward ligou o motor e o carro deslizou suavemente pelas ruas movimentadas da cidade, ele olhou de lado para Bella com um sorriso de canto acolhedor.

— Pronto para uma noite no cinema clássico, senhorita Swan? — perguntou ele com cumplicidade.

Bella ajeitou-se no banco de couro, olhando para a figura charmosa dele ao volante e sentindo uma onda de expectativa doce e inexplicável aquecer seu peito.

— Com você? Prontíssima, senhor Masen — respondeu ela com uma risada leve, enquanto o carro os levava em direção às luzes cintilantes da noite de Los Angeles.

O cinema retrô ficava localizado em uma rua charmosa e arborizada de Pasadena, com uma fachada vintage iluminada por lâmpadas neon amarelas que evocavam a era de ouro de Hollywood. Assim que Edward estacionou o Volvo prata, ele desceu rapidamente para abrir a porta para Bella, estendendo a mão para ajudá-la a sair com cuidado para não pisar no tecido fluido do vestido azul.

A fila para a bilheteria não estava grande, mas a energia do lugar era encantadora. Enquanto aguardavam a sua vez, Bella e Edward começaram a conversar de forma leve e espontânea.

— Eu preciso confessar uma coisa — disse Edward, inclinando-se um pouco na direção dela com um sorriso divertido. — Eu já assisti a Juventude Transviada umas dez vezes, mas toda vez que vejo o James Dean em cena, continuo achando que ele foi um dos atores mais magnéticos que já pisaram em um set.

— Ele tinha uma intensidade natural, né? — concordou Bella, arrumando uma mecha de cabelo atrás da orelha enquanto o encarava. — Ele não precisava forçar a barra para demonstrar dor ou revolta. Estava tudo nos olhos dele. Como estudante de atuação, é o tipo de trabalho que me deixa fascinada e um pouco intimidada ao mesmo tempo.

— Intimidada? Você? — brincou Edward, erguendo uma sobrancelha com desdém brincalhão. — Duvido muito. Eu vi a sua determinação ontem à noite no evento. Tenho certeza de que você é brilhante no que faz.

O elogio sincero fez as bochechas de Bella esquentarem. Antes que pudesse responder, chegou a vez deles no balcão. Edward comprou os ingressos e fez questão de pegar um balde gigantesco de pipoca amanteigada e dois refrigerantes grandes.

Ao caminharem pelo corredor acarpetado em direção à sala de exibição, a pipoca já estava sendo devorada antes mesmo de passarem pela porta.

— Edward, a gente nem sentou ainda e já comemos metade do balde! — riu Bella, pegando mais uma punhado de pipoca.

— A culpa é da manteiga, é irresistível — justificou ele, rindo junto e abrindo a porta acolchoada da sala.

Ao entrarem no auditório aconchegante, ambos estancaram por um segundo e olharam ao redor. A sala estava razoavelmente cheia, mas o público era composto quase que exclusivamente por casais de idosos simpáticos que aproveitavam a sessão de domingo. Bella e Edward eram, literalmente, os únicos jovens no recinto.

Eles se olharam de lado e precisaram morder os lábios para conter as gargalhadas discretas, caminhando em silêncio rápido até as poltronas centrais da penúltima fileira.

— Acho que nós somos a cota jovem do clube da terceira idade hoje — sussurrou Edward bem perto do ouvido dela, fazendo a respiração de Bella falhar por um instante com o calor da voz dele.

— Eii! Respeite nossos amigos veteranos de cinema — sussurrou Bella de volta, rindo baixinho contra o ombro dele.

Aos poucos, as luzes se apagaram e a projeção em película 35mm começou a rodar na grande tela, emitindo aquele zumbido nostálgico do projetor ao fundo. Durante a primeira hora de filme, eles dividiam o balde de pipoca, cochichando comentários sobre a direção de arte, a iluminação dramática e a performance marcante de Natalie Wood e James Dean. A química entre os dois parecia crescer a cada minuto, tornando a proximidade física quase palpável.

Na cena mais emblemática do filme ,o confronto tenso entre os personagens na área do Observatório Griffith, o clima entre Edward e Bella mudou sutilmente. Edward apoiou o braço no encosto da poltrona de Bella, aproximando-se lentamente. Bella virou o rosto para encará-lo no escuro da sala. O olhar dele desceu por um segundo para os lábios dela, e o ar entre eles pareceu subitamente denso.

Edward inclinando-se devagar, encurtando a distância milímetro a milímetro. Bella fechou os olhos devagar, sentindo a respiração morna dele contra sua pele, o coração batendo descontrolado no peito...

CLACK!

Um estalo alto ecoou da cabine de projeção, seguido por um ruído de fita queimando. De repente, a imagem na tela travou, derreteu em um clarão alaranjado e as luzes do teto do cinema se acenderam com força total.

Os dois se afitaram sob a luz forte, com os rostos a centímetros de distância e os olhos arregalados de surpresa. Diante do desfecho cômico da cena, Bella não aguentou e soltou uma gargalhada gostosa, cobrindo o rosto com as mãos. Edward soltou o ar de uma vez, rindo junto com ela e balançando a cabeça em negação com o azar do momento.

Do outro lado da sala, um velhinho na primeira fileira levantou a bengala e resmungou:

Ah, de novo essa fita de 1955 engasgando!

O projetista anunciou pelo alto-falante que levara alguns minutos para consertar o rolo, mas Edward olhou para Bella com um brilho divertido nos olhos e se inclinou:

— O que acha de sairmos daqui e vermos a cena do filme ao vivo? — propôs ele em um tom conspiratório.

— Como assim? — perguntou ela, curiosa.

— O Observatório Griffith fica a quinze minutos daqui. É o meu lugar favorito em toda Los Angeles. O que me diz?

— Eu me digo que é uma ideia excelente — respondeu Bella sem hesitar.

Minutos depois, o Volvo prata subia as curvas sinuosas das colinas do Griffith Park. A vista da cidade iluminada à noite se desdobrava lá embaixo como um oceano de luzes cintilantes. Quando estacionaram e caminharam em direção à imponente arquitetura branca do observatório, a brisa da noite fez o vestido azul de Bella esvoaçar elegantemente.

Edward mostrou a ela os melhores ângulos da sacada, apontando para o letreiro de Hollywood iluminado ao longe e contando histórias sobre a construção do local. Eles caminharam pelos jardins, rindo e conversando como se se conhecessem há anos.

Porém, a “sorte” de Edward parecia ter tirado a noite para testá-lo.

A primeira tentativa de beijo aconteceu perto das muretas do terraço. Edward segurou delicadamente a mão de Bella, puxando-a para perto enquanto olhavam para a cidade. Quando ele se inclinou na direção dela, um grupo barulhento de turistas passou correndo com palitos de selfie, esbarrando sem querer no ombro de Edward e pedindo desculpas em alto tom.

A segunda tentativa ocorreu sob o arco da entrada principal. Edward ajeitou uma mecha de cabelo de Bella, olhando fundo nos olhos dela e aproximando o rosto. Exatamente no momento em que seus lábios estavam prestes a se tocar, o alarme de segurança de uma das portas de emergência disparou com um apito ensurdecedor, fazendo os dois darem um pulo de susto e caírem na gargalhada.

— Eu acho que o universo está conspirando abertamente contra mim hoje — comentou Edward, rindo de si mesmo enquanto caminhava ao lado dela em direção ao Planetário.

— Ou talvez o universo só goste de um bom drama com alívio cômico — provocou Bella, dando um ombro nele com provocação afetuosa.

Ao entrarem na área do Planetário, a última sessão da noite já havia terminado, mas as portas da sala de projeção celeste continuavam abertas para visitação silenciosa. O ambiente estava na penumbra, iluminado apenas pelas projeções sutis de estrelas e galáxias no teto domado. As poltronas reclináveis estavam completamente vazias e o silêncio ali era absoluto e acolhedor.

Eles se sentaram em duas poltronas lado a lado, reclinando-as para observar a imensidão de luzes simuladas no teto.

— É lindo, não é? — murmurou Edward, com a voz baixa e tranquila. — Toda vez que o mundo lá fora parece barulhento ou caótico demais, eu venho aqui. Faz a gente lembrar o quão pequenos somos... e o quão preciosos são os momentos simples.

Bella virou a cabeça na poltrona para olhá-lo. A luz azulada das estrelas projetadas refletia nos traços marcantes do rosto dele, destacando o tom acobreado dos cabelos e a profundidade dos olhos verdes.

Edward percebeu o olhar dela e virou-se também. Ele abriu a boca para falar algo, provavelmente tentando mais uma investida cautelosa, mas Bella decidiu que não esperaria por mais nenhum imprevisto do destino.

Sem dar tempo para que nenhum alarme, turista ou falha técnica atrapalhasse, Bella ergueu o corpo, inclinou-se sobre o braço da poltrona dele, segurou suavemente a gola da jaqueta de couro de Edward e o puxou para si, selando seus lábios nos dele.

O beijo começou suave e doce, mas rapidamente se aprofundou com uma intensidade contida. Edward correspondeu instantaneamente, levando uma das mãos à nuca de Bella e a outra à sua cintura, trazendo-a para ainda mais perto. O sabor de pipoca amanteigada e o perfume amadeirado dele se misturaram, criando uma sensação avassaladora que fez o estômago de Bella dar voltas.

Quando finalmente se separaram devagar, sem fôlego e com os rostos a poucos milímetros de distância, Edward abriu os olhos devagar, exibindo um sorriso radiante e vitorioso que iluminou todo o seu rosto.

— Nossa... eu tentei fazer isso a noite toda... — confessou ele com uma risada baixa e desacreditada.

Bella soltou um riso provocante, alisando a lapela da jaqueta dele com a ponta dos dedos.

— É, eu percebi... Mas o seu timing é terrível, então eu resolvi facilitar as coisas para você — debochou ela carinhosamente.

Edward soltou uma gargalhada gostosa que ecoou suavemente pela sala do planetário. Ele negou com a cabeça, com o olhar brilhando de paixão e admiração.

— Ah, é assim? Então deixa eu recuperar o tempo perdido...

Antes que Bella pudesse responder, Edward a puxou firme pela cintura, selando seus lábios novamente em um beijo ainda mais longo, profundo e apaixonado, sob o teto estrelado do observatório.