Notas iniciais
Imploro que não me matem (novamente) e boa leitura!

Depois de um dia inteiro jogando vídeo game, Tenma e Taiyou se cansaram e acabaram desligando. Estavam sentados no chão da sala, preparando-se psicologicamente para levantar. Tenma decidiu falar alguma coisa.

-Taiyou... Não vamos ter problemas por termos entrado aqui.

-Na teoria. Mas, ninguém vai saber. Ninguém vem aqui há muito tempo.

-Por quê?

-Dizem que essa parte do hospital é mal-assombrada. Uns dez anos atrás uma pessoa morreu aqui e depois disso todos os que vinham pra cá morreram também. É só uma lenda, eu acho. Afinal eu venho aqui há anos e continuo vivo.

-Que interessante. Mas se fosse assim as enfermeiras, médicos e afins viriam aqui também, certo?

-Se não há pacientes aqui, por que os médicos estariam aqui?

Tenma colocou sua mão no queixo, como se estivesse pensando.

-Bem colocado.

O moreno olhou no relógio para ver que horas eram.

-Taiyou! Já são sete e meia! Logo é o horário da janta, se não estivermos lá, vamos nos dar mal!

-É verdade! Tenma, qual é o número do seu quarto?

-Hmmm... 4527.

-Ta brincando!

-To não. Por quê?

-O número do meu é 4529. É basicamente do lado do seu. A gente se vê mais tarde.

Os dois se levantaram e Taiyou estendeu a mão para Tenma.

-Foi um prazer te conhecer, Matsukaze Tenma.

Tenma apertou a mão de Taiyou e sentiu o mesmo que sentira antes. Aquela sensação... O que ela significava?

-Foi um prazer te conhecer também, Amemiya Taiyou. Mas, por que estamos nos despedindo agora se vamos pro mesmo lugar?

Taiyou riu.

-Eu vou ter que tirar sangue agora para fazer uns exames de rotina, Tenma. Até mais tarde, eu acho que tenho um baralho no meu quarto. Quer jogar comigo?

-Claro!

Taiyou e Tenma saíram da sala e Tenma seguiu para seu quarto lentamente. Ele demorou um pouco para chegar, mas era impressionante que ele conseguisse andar até lá. Ele se deitou e olhou para sua mão. “Adeus, Matsukaze” Aquela voz invadiu sua cabeça novamente.

De quem era essa voz? Por que Tenma se importava tanto com aquilo?

Tenma encarou sua mão. Lembrou-se de Taiyou a segurando. Aquilo o lembrava de alguma coisa. Alguém. Mas quem já era uma memória nebulosa na cabeça de Tenma. A única coisa que se lembrava era da sensação da mão da pessoa e daquela frase. “Adeus, Matsukaze”.

“Acho que não vale a pena ficar pensando nisso. Afinal, se essas memórias forem mesmo retornar, eu não preciso ficar tentando lembrar”. Ele ouviu a porta se abrir e olhou para ver quem era. Haley, a enfermeira que trabalhava durante a noite. Tenma odiava aquela mulher, ele a achava tão... Tão... Tão! Ela tinha cabelos vermelhos e olhos negros.

-Boa noite, Matsukaze. – Disse com um tom frio.

-Boa noite.

Haley estava carregando uma bandeja. Ela – sem dizer mais nada – caminhou até Tenma e deixou a bandeja em cima da mesa em que Tenma iria comer. Ela deixou o quarto. Tenma se levantou e sentou-se à mesa. Ele encarou a comida. Todos sabem dos rumores sobre comida de hospital, mas o que nem todos sabem é que não são rumores, é a verdade.

-Itadakimasu... – Disse Tenma sem qualquer empolgação, o prato do dia era sopa. Cheia de legumes e mais algumas coisas saudáveis. A única coisa que aquela sopa não tinha era sal. Tenma chegou à conclusão de que o hospital economizava muito no sal, pois usava no máximo um grão para temperar cada prato.

Ele tentou comer a sopa normalmente, mas é claro que comeu devagar e quase arremessando a sopa longe. Quando terminou de comer, ele vou a deitar-se em sua cama. As luzes estavam acesas e ele estava olhando através da janela de seu quarto. As estrelas brilhavam e a lua também. A noite estava linda e Tenma queria ficar observando o céu para sempre, mas de repente foi interrompido por batidas leves na porta.

-Entre. – Sussurrou.

A porta se abriu e quem passou por ela foi Taiyou. Ele encostou a porta sem fazer muito barulho e caminhou até a cama de Tenma.

-Oi.

-Oi, Taiyou. Trouxe o baralho?

-Trouxe sim. – Ele mostrou uma caixinha de cartas para Tenma. – Quer jogar o que?

-Sabe jogar pôquer?

-Sei. Mas vamos apostar o que?

-Hmmm... Já sei! O vencedor pode jogar mais no vídeo game. Tipo assim, se você vencer no final, você pode jogar o quanto quiser. O que acha?

-Acho justo. Mas vou avisando que eu sou bom nesse jogo, prepare-se amanhã vai ficar muito tempo sem jogar.

Tenma riu e eles começaram a jogar. Ficaram horas jogando, muitas horas e já passava da meia noite e continuavam jogando. Não que o jogo fosse o melhor do mundo, a questão era que estavam empatados e se continuassem assim não teriam como concluir a aposta.

Eles estavam jogando na cama de Tenma, esse estava deitado e Taiyou estava sentado com as pernas cruzadas em cima da cama. Ele se ajoelhou e colocou suas cartas na mesa.

Ele vencera. E Tenma insistiu mais uma jogada. Eles jogaram mais uma vez. Tenma venceu, mas não houve desempate. Taiyou estava caindo de sono. Tão literalmente que caiu na cama de Tenma e dormiu.

Tenma arregalou os olhos, pois achou que o amigo tivesse passado mal ou algo assim, mas logo percebeu que ele estava apenas dormindo. Uma cama de hospital não é exatamente confortável, muito menos com duas pessoas deitadas nela, mas Tenma não iria acordar Taiyou. Ele se sentou na cama e cobriu Taiyou com o cobertor e depois ajeitou sua cabeça no travesseiro.

Tenma se deitou e virou-se para o lado contrário de Taiyou. Ele dormiu também.

Acordou no meio da noite sendo abraçado por Taiyou. Inicialmente ele não soube o que fazer e ficou em estado de choque. Depois se deu conta de que Taiyou estava dormindo e não tinha plena consciência de seus atos.

Tenma se virou para ele delicadamente e viu que Taiyou estava dormindo profundamente.

-Mãe... Dói. Meu peito dói.

Tenma surpreendeu-se. Taiyou estava falando sozinho, provavelmente revivendo alguma lembrança. Tenma levou sua mão até o ombro de Taiyou e o sacudiu levemente.

-Taiyou... Taiyou...

Taiyou abriu seus olhos e surpreendeu-se com o fato de Tenma estar deitado com ele. Tenma estava olhando para ele e então ele percebeu que estava abraçando Tenma. Tirou seu braço rapidamente do garoto e abaixou a cabeça, corado.

-Me desculpe... – Disse.

-Não tem por que se desculpar, Taiyou. Quando estamos dormindo nós não controlamos nosso corpo. Pelo menos não conscientemente. Mas, me diga, com o que estava sonhando?

-Estava sonhando com... – Ele parou um segundo e tentou se lembrar. – Ah! Com o dia em que eu senti meu peito doer pela primeira vez. Eu tinha três anos.

-Taiyou... O que você tem?

Taiyou ficou em silêncio. Tenma provavelmente tocara num assunto delicado, mas ele queria mesmo saber.

-Eu tenho câncer no coração.

-Hein? Isso existe?

-Sim, apesar de ser bem raro. Eu sou um cara de sorte. É inoperável.

Ao ouvir a palavra “inoperável” Tenma entendeu que Taiyou morreria e era só questão de tempo.

-Não podem fazer... Sei lá... Um transplante?

-Era a ideia, mas... Eu não posso ser passado na frente na lista e o transplante só poderia ser realizado depois da minha morte. Não há sentido nenhum nisso.

Taiyou sorriu levemente. Tenma queria dar um soco na cara dele. Como podia estar sorrindo? Como podia aceitar sua morte tão facilmente?!

-Como você pode aceitar morrer tão facilmente, Taiyou?! – Disse Tenma, irritado.

-No começo, eu realmente não aceitava isso, mas... Agora eu acho que não há outro jeito. Mas pelo menos eu conheci você, Tenma.

-O que eu tenho a ver com isso?

-É que... Eu passei minha vida no hospital e você... É o mais próximo que eu tenho de um amigo.

Tenma sentiu-se feliz por ouvir aquilo, mas ainda estava abalado por saber que Taiyou sem dúvidas iria morrer e logo.

-Quanto tempo?

-Uns cinco anos. Mas nunca se sabe.

Cinco anos?! Cinco anos? Meu Deus, aquele garoto ia viver tão pouco. E ainda ficava feliz por ter feito um... “Quase amigo”. Ele era tão... Diferente. De quem? Tenma estava tentando achar em sua mente quem fora a pessoa que deixou uma marca tão grande em seu coração que nem se esquecendo dela, Tenma poderia parar de senti-la.

-Taiyou, você deve estar morrendo de sono. Por que não vai- – Tenma percebeu que Taiyou voltara a dormir enquanto ele pensava – novamente – em suas memórias perdidas.

“Adeus, Matsukaze” Até quando aquela voz iria soar em sua cabeça? Até quando ele não se lembraria daquele garoto? Até quando Tenma não teria memórias de Tsurugi?

Notas finais
Antes de começar, eu gostaria de pedir que ninguém lesse isso antes de ler o capítulo (eu sei que são notas finais, então isso é meio implícito, mas vai saber e se alguém tiver essa mania?)
Heeeey! Bastante gente (Misty_love) tem me ameaçado de morte por causa do Taiyou... Bem, viu! Ele merece ser feliz por um tempinho (é só isso que ele tem, mesmo)...