Circus
19 Sempre com você
Notas iniciais
Taiyou acordou. Estava com frio e não tinha certeza do que ocorrera na noite passada, parecia tudo um sonho tão vívido que ele realmente achou que fosse um sonho... Ou talvez uma alucinação.
Ele se sentou e sentiu alguma dor ao fazer isso e foi nesse momento que percebeu que tudo havia realmente acontecido, afinal, seu cérebro podia tentar enganá-lo, mas nada como a dor para avisá-lo de que fora real.
Ele olhou para o lado e viu Tenma dormindo, ele estava em sono profundo. “Que frio” Pensou e olhou para si. Estava sem roupas, é claro que sentiria frio. Procurou alguma coisa que indicasse a hora e se lembrou que deixara o relógio que Tenma lhe dera de presente no criado mudo.
Ele pegou o relógio. 13:00. “Droga! O Tenma vai se atrasar!”.
-Tenma! Tenma! – Disse balançando o amigo. – Acorda, cara!
Tenma abriu os olhos.
-Ah... Pra que essa nudez toda?
-Tenma... Concentra! Você tem que ir trabalhar!
Tenma sentou-se na cama e esfregou um dos olhos.
-AH! É mesmo! Taiyou, você sabe onde fica a floricultura da sua avó?
-É claro que eu sei, seu idiota. Agora levanta daí.
Os dois tomaram banho e se vestiram em menos de quinze minutos. Mais o tempo do café da manhã e da pequena discussão sobre portas trancadas, eles acabaram saindo de casa uma e meia. A floricultura ficava a quinze minutos da casa de Tenma, a pé.
Quando chegaram lá, Tenma percebeu que não era algo muito grande, apenas um pequeno negócio. Adequado para uma senhora de idade, como a avó de Taiyou. Estava decorado com várias flores, mas não só japonesas, vários tipos. Talvez falassem japonesas pelo estilo oriental da loja.
Tenma viu a placa com o nome da loja. Nihon no Hana (Flores japonesas, Nihon lê-se Nippon ou Nipon... Enfim... Japonês é uma língua interessante, não é?). Assim que Taiyou entrou na loja uma senhora saiu do balcão e foi até ele. Era uma senhora bem velha e baixa. Seus olhos eram azuis e seu cabelo grisalho. Vestia um quimono japonês.
-Taiyou! Você finalmente veio visitar sua avó? – Disse abraçando Taiyou.
-Oi, obaa-san.
A senhora olhou para Tenma e disse:
-Então... Você é o tal Tenma, certo? – Tenma concordou com a cabeça. – Fiquei sabendo que você é muito bom com o Taiyou. Obrigada por isso, mas não sei se sabe... Meu neto sente muito mais do que amizade por você, então não o magoe!
Taiyou baixou a cabeça, envergonhado. E Tenma sorriu.
-Não precisa se preocupar. Eu com toda a certeza nunca magoaria a pessoa que eu amo.
-E essa pessoa é o Taiyou, rapaz?
-Sim.
-Ora... Então sejamos uma família feliz. Venha vou te ensinar a lidar com a máquina. Seu serviço é simples, somar as contas, receber o dinheiro, conferir o dinheiro, guardar o dinheiro e no fim do dia contar o dinheiro.
A senhora se aproximou de uma máquina em cima do balcão e passou a dizer como ela funcionava.
-Entendi.
-Se algum cliente perguntar de alguma flor em especial, você pode usar o catálogo. – Ela deu um livro cheio de fotos de flores, colocadas em ordem alfabética. – Se a flor estiver aqui, nós temos e então você usa nosso computador – Ela mostrou um computador ao lado da máquina registradora. – para ver se temos alguma muda no momento. Se o cliente pedir para ver alguma flor, você mostra a ele o catálogo. Não é necessário entender de plantas, as informações estão no catálogo, mas estão em japonês. Você sabe alguma coisa de japonês?
-Morei quase minha vida toda no Japão.
-Melhor ainda. Mas, não precisa se preocupar, nós temos mais duas vendedoras, que devem chegar a qualquer minuto aqui. Se fizer alguma venda, anote, pois parte do dinheiro do que você vendeu vai pra você. E, como hoje é seu primeiro dia, eu vou deixar Taiyou ficar com você aqui, mas só se você me responder uma pergunta pessoal.
-Qual seria a pergunta?
-Uma só não. Algumas. Nome completo? Idade? País de origem? Onde conheceu o Taiyou? Você é virgem? Taiyou é virgem (não vou ficar brava se disser não)? Onde estão seus pais? Estuda? Você e Taiyou estão namorando? O que você sente realmente pelo Taiyou?
Taiyou corou violentamente com o interrogatório de sua avó, mas ele já sabia que seria assim. Tenma respirou fundo.
-As respostas são, respectivamente, Matsukaze Tenma, dezoito, Japão, no hospital, não mais, não mais, meus pais estão no Japão, vou voltar a estudar quando começar o período letivo, sim e eu amo o Taiyou.
-Muito bom... Taiyou me contou que você caiu de uma escada e ficou quatro anos em coma. Agora a pergunta de ouro, você disse “não mais” a respeito tanto de você quanto de Taiyou. Isso quer dizer que aconteceu algo entre vocês recentemente?
-Sim.
-Muito bem, vamos ao trabalho!
Quatro horas depois...
-Tenma a loja vai fechar. Você já acabou de fechar o caixa? – Perguntou Taiyou.
-Já.
Os dois saíram da loja e se despediram da avó de Taiyou. Apesar de meio direta, ela era uma pessoa muito boa, e Tenma gostara muito dela e ela também gostara de Tenma.
Eles foram ao circo como haviam combinado. Taiyou insistiu que se sentassem na fileira da frente e Tenma não conseguiu negar, mas na hora do show dos palhaços se arrependeu, pois um deles chegou bem perto. Perto demais.
Tenma segurou a mão de Taiyou.
-Relaxa, Tenma. São só palhaços. Eles são engraçados, cara!
-I-isso... É o que eles querem que a gente pense.
Depois do show (de horrores para Tenma) eles compraram um refrigerante e ficaram do lado de fora da tenda para ver as pessoas que estavam entrando para o show seguinte.
-Até que o dia hoje foi muito bom, não é, Taiyou? – Perguntou Tenma.
-Ah, sim. Foi muito bom mesmo.
-Tirando os palhaços...
Tenma segurou a mão de Taiyou. Ele queria que aquele momento durasse para sempre, queria estar sempre lá, segurando a mão de Taiyou, olhando para os coitados que estavam entrando no circo para conhecer aqueles palhaços demoníacos.
Mas nada dura para sempre. E tudo sempre acaba, apesar de nunca acabar de verdade. Soa confuso, eu sei, mas apesar de não acabar, aquilo ali acabaria. Aquele momento. E Tenma não queria que acabasse, queria viver aquele momento para sempre e sempre... Mas, não podia... Tenma queria estar para sempre com Taiyou, mas sabia que seria impossível.
Talvez seja por isso que uns gostam e outros odeiam reviver as boas lembranças. Você se lembra delas, mas sabe que não pode voltar a vivê-las.
Notas finais
Até o próximo >.<'
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