Circus

20 Adeus, Tenma


Notas iniciais
Uma coisa: Pra mim, sexta a noite é fim de semana (sim, eu apelo pra aumentar meu fim de semana)....
Eu odeio esse capítulo, mas ele é um dos meus preferidos... Leia e entenderá o que quero dizer.

Dois anos depois, Tenma havia se formado na escola, ao mesmo tempo em que Taiyou terminara suas aulas particulares. Na realidade, deveria faltar um ano para Tenma se formar, mas ele era um ótimo aluno, por isso pulou um dos anos.

Todo esse tempo ele esteve trabalhando na loja da avó de Taiyou. Ele era o melhor vendedor... Mesmo não sendo um vendedor. Taiyou e Tenma estavam morando juntos, mas sempre iam visitar a avó de Taiyou e a Aki. Tenma adorava ir visitar a Aki, pois seu filho (agora com três anos) era muito bonzinho e adorava brincar com Tenma.

Tenma estava com vinte anos. Na verdade, quase vinte e um. E Taiyou acabara de fazer dezoito anos. Eles estavam felizes. Todos eram uma família feliz. Tenma não escondeu de Aki o que sentia pelo Taiyou, e ela aceitou muito bem a história.

No último Natal, Tenma e Taiyou tiveram uma ideia interessante e que deu muito certo. Eles fizeram a ceia de Natal no apartamento deles e chamaram Aki, Ichinose, Fuyuki e a avó de Taiyou. Eles se deram tão bem que pareciam uma família. Foi isso que Tenma pensou na época... Eles pareciam uma família. Demorou até demais para que ele percebesse que eles eram uma família.

Como já foi dito, nada dura para sempre. Isso também não durou, o momento do circo não durou e tudo passava tão rapidamente, que não parecia passar. Mas passava.

Tenma estava deitado em sua cama, no meio da madrugada. Umas quatro da manhã. Ele e Taiyou tinham dormido tarde, pois estavam jogando vídeo game. Bem isso depois de brincar da brincadeira favorita deles. Qual será?

Tenma ouviu um barulho. Tum Tum. Era só o coração de Taiyou. Mas, tinha alguma coisa errada.

-Taiyou, você está bem?

-Tenma...

O ruivo olhou para ele. Antes estava de costas, mas agora seu rosto era visível. Ele estava chorando.

-Taiyou! O que aconteceu? – Disse Tenma acendendo a luz.

-Dói...

Taiyou sentou-se na cama, levou uma das mãos ao peito e apertou a pele.

-Ah... Não! Taiyou, agora não... Hoje não...

-Tenma... Eu te amo.

Tenma se sentou na cama e abraçou Taiyou. O coração dele... Batia de um jeito descompassado. Era isso que estava errado. Batia, não batia e batia novamente.

-Eu sei, seu idiota! Não aja assim, não vai acontecer!

-Tenma diga que me ama também!

Bateu, não bateu, bateu novamente.

-Não! Se eu fizer isso seria como dizer adeus.

Tenma pegou o celular e discou 911, pediu uma ambulância falando que o amigo estava passando muito, muito mal.

-Melhor você dizer adeus, que eu morrer sem ouvir você me dizendo isso, Tenma!

-Fica quieto! Como consegue falar tanto?!

Bateu, não bateu, bateu novamente.

-Tenma, por favor, diga! Diga que me ama! Eu imploro.

-Taiyou... Eu te amo.

-Que bom. Vamos ao circo mais tarde?

Tenma balançou a cabeça num sinal positivo.

Taiyou sorriu e sussurrou algo no ouvido de Tenma. O moreno levou seu ouvido ao peito do outro. Bateu, não bateu, bateu novamente. Isso se repetiu exatamente seis vezes e então... Bateu, não bateu, não bateu... Não bateu e continuou sem bater. Tenma arregalou os olhos. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto. “Não... Pode... Ser...” Pensou em estado de choque. Ele se afastou um pouco e segurou Taiyou pelos ombros. O pescoço dele caiu para trás. O coração de Taiyou não batia, ele não respirava. “Taiyou...”. Agora não só uma, como várias lágrimas escorreram dos olhos de Tenma.

Taiyou morreu.

Daquele momento em diante, Tenma não tinha muitas lembranças exatas. Os paramédicos, perguntas, a ligação para a avó de Taiyou... A decisão de enterrá-lo no Japão (há quem diga o contrário, mas a avó de Taiyou era muito rica, podia pagar isso e ela voltaria para o Japão também, já que o único motivo de estar ali era Taiyou). As horas se passando e ele vendo seu melhor amigo... A pessoa que amava... Sendo tirado dele daquele jeito tão cruel.

Depois de dezenove horas, tudo isso tinha acontecido. O corpo de Taiyou já partira. Em três dias eles fariam um funeral no Japão (no estilo americano mesmo) e enterrariam Taiyou. A avó de Taiyou pegaria um avião no dia seguinte e agora tudo o que Tenma tinha era... Bem, nada.

Ele estava sentado na cama, olhando para o cofre. Agora o cofre estava vazio. Tenma colocara todo seu dinheiro numa conta bancária.

A cama não tinha lençóis, Tenma tirara tudo e por isso só havia o colchão. No banheiro não tinha toalhas, shampoos ou sabonetes. Na sala todos os jogos e filmes estavam empacotados. Tudo que Tenma pudesse mover e que Taiyou já tivesse tocado não estava mais ali.

Tenma olhou para o criado mudo e viu a única coisa que não tivera coragem de guardar em uma caixa: uma foto. Ele e Taiyou se beijando.

Tenma decidiu ir para o Japão também, já tinha a passagem e todo o resto pronto. Ele passou para um adeus mesmo. Ele fez as malas e ficou olhando por mais um tempo aquela foto. Ele não sabia o que fazer com ela. Era doloroso demais olhá-la, mas...

Ele suspirou e pegou a foto. Era uma lembrança dele. Uma lembrança de Taiyou.

Tenma passou aquela noite num hotel, ele não iria conseguir dormir na mesma cama em que dormia com Taiyou. No dia seguinte pegou um avião para o Japão.

Ele moraria no mesmo lugar que morara antes, dentro de alguns meses tentaria entrar numa faculdade e viver. Assim como Taiyou disse para ele fazer, mas... Mas, era difícil. Imaginar uma vida sem Taiyou.

Tenma não pegou o mesmo avião da avó de Taiyou, ele pegou um que saía antes. Várias horas depois chegou de avião em Tóquio e depois pegou um ônibus até Inazuma.

Aquela cidade... Trazia tantas lembranças. Muitas delas seriam boas, mas Tenma não estava achando nada bom. Ele foi até onde morava antigamente. Mas afinal, o que havia acontecido ali? O que havia acontecido com ele? O que, ou melhor, quem tinha causado tudo aquilo? Não importava, Taiyou estava morto e Tenma sozinho, nada mudaria aquilo.

Viu que Sasuke estava na casinha de cachorro, tantos anos e nenhuma vez ele se lembrara do pobre cão.

O cachorro idoso foi até Tenma, contente. Tenma afagou a cabeça do cão e disse infeliz:

-Tadaima, Sasuke.

Entrou na casa. Mais sensações. Parecia que ele ia se lembrar de alguma coisa, mas na verdade não se lembrava de nada e ficava frustrado. Subiu até seu quarto, colocou suas malas ao lado da cama e deitou-se nela. Nada havia mudado, afinal Aki foi embora e não voltou mais. Ele pegou a foto.

Aquilo era tão triste... Ver uma foto de um bom momento. Mesmo sabendo que iria acontecer, mesmo sabendo disso... Tenma não conseguia aceitar, queria Taiyou vivo acima de tudo, mas sabia que nunca o teria novamente.

Depois da chegada de Tenma, ele ao menos saiu de casa. Permaneceu os dois dias que antecederiam ao funeral no quarto. Só saía para ir ao banheiro, comer e coisas extremamente necessárias, como banho.

O funeral foi marcado para as nove da manhã. Se fosse qualquer outro evento e se Taiyou estivesse com ele, Tenma sabia que dormiria demais e se atrasaria, mas... Naquela noite ele dormiu por uma hora e nem foi uma hora seguida.

Ele não sabia o que vestir para um funeral, mas não queria vestir algo muito formal, Taiyou não gostava de Tenma com terno, pois dizia que era muita roupa para tirar depois. Ele vestiu uma calça jeans, sapatos e uma camisa preta. Ao abotoar os botões lembrou-se de Taiyou.

Ele fazia isso no começo. Abotoava e desabotoava os botões para Tenma, se bem que mesmo depois que o moreno reaprendeu a fazer isso, Taiyou ainda fazia questão de desabotoar a camisa dele toda noite.

“Tudo me lembra dele... Aquele idiota! Acha que pode morrer... Ele não pode morrer! É bom que não volte pra me assombrar. Eu morreria de saudades se visse o fantasma dele.” Pensou. Tenma estava tentando ser um pouco alegre, como sempre, mas... Sem Taiyou, de que serviria a alegria?

Saiu de casa e foi ao cemitério. Viu uma das salas para funerais. Lá estava a idosa baixinha, avó de Taiyou e ao lado dela um caixão com o corpo do garoto, seus olhos estavam fechados, é claro. Mas sua boca não perdera o traço do sorriso que dera no momento em que morrera.

-Tenma-kun... Que bom que chegou na hora, uma vez pra variar.

A senhora estava chorando.

-Eu... Sinto muito... Pela sua perda.

-Mas não é só minha, certo? É sua também. Você deve estar sofrendo muito agora, você o viu morrer. Foi quem ouviu as últimas palavras dele. Você era a pessoa que ele amava e eu acredito que ele era a pessoa que você amava.

-É verdade.

-Quais foram? As últimas palavras dele?

Tenma abaixou a cabeça, pensativo. Diria a ela quais foram realmente as últimas palavras de Taiyou? Não, magoaria demais a si mesmo... Aquelas palavras mexiam com sua alma, as verdadeiras últimas palavras de Taiyou.

-“Que bom. Vamos ao circo mais tarde?”. Foram essas...

-“Que bom”?

Tenma corou.

-Eu disse que eu o amava e foi isso que ele disse. Depois... O coração dele parou.

A avó de Taiyou estava chorando. Ela estava chorando desde o momento em que Tenma chegara, mas o garoto não percebeu isso.

Tenma começou a chorar também. Não chorar escandalosamente, algumas lágrimas escorriam pelo seu rosto e ele não conseguia para-las. Olhando para Taiyou, sem respirar, num caixão... Era muito triste.

“Acorde... Por favor, diga que é só uma brincadeira! Diga que é só uma pegadinha... Acorde, Taiyou! Por favor...” Gritava mentalmente, mas Taiyou não acordou. Ele viu dois homens fecharem o caixão e o levarem para o cemitério.

Viu o caixão ser descido num buraco e depois... Jogou uma flor lá. Alguns minutos depois, o caixão estava debaixo do concreto. O cemitério era um daqueles com grama e pequenas lápides de concreto no chão, mas ainda estava em construção, por isso, por enquanto, só havia o concreto.

Estava sol, naquele momento. Muito sol, por isso a avó de Taiyou disse que iria embora. Se ela ficasse muito por lá, seria a próxima a ser enterrada. Tenma não quis ir junto. Ele ficou olhando para o chão sem saber o que dizer.

Ele estava pensando no por que mentira para a avó de Taiyou. Aquelas não foram as últimas palavras do garoto, mas as que ele dissera foram tão... Tristes que ele não queria se lembrar. Mas, elas ressoavam sem parar em sua mente. Não paravam em qualquer minuto.

As horas se passaram e de repente percebeu que o sol estava se pondo. O cemitério iria fechar logo, mas ele não estava pronto para se desapegar. Para deixar Taiyou ir embora...

Respirou fundo.

-Até logo, Taiyou. – Disse olhando para o chão. – Espere um pouco e nós iremos ao circo juntos novamente, ta? Assim que der tempo a gente vai, já sabe meu número, é só me ligar.

Uma última lágrima caiu dos olhos dele e ele saiu correndo daquele lugar, passou correndo por todos os lugares. E de repente parou, a escada, o campo de futebol... Ele os estava encarando novamente.

-Foi aqui onde tudo começou. Do momento em que eu caí... Não posso dizer que só sofri, eu fui muito feliz. Não me arrependo de ter caído, mas talvez... Seja aqui onde tudo deve acabar.

Ele deu um passo onde só havia ar. Como da outra vez há seis anos. Ele começou a cair e dessa vez sabia que se caísse não sobreviveria. Talvez fosse isso o que ele desejasse no momento, Taiyou ficaria tão bravo com ele se ele se matasse, mas... Ouvir a voz de Taiyou novamente, ver a cara de bravo dele. De envergonhado, feliz e outras... Ah, se houvesse um por cento de chance de Tenma ter um novo vislumbre dessas coisas ele aceitaria a morte.

Talvez seja por esse motivo que ele se jogou da escada novamente. Mas, não deve acabar assim. Taiyou está morto, mas não quer dizer que ele iria gostar de levar Tenma com ele.

Tenma... Quando você vai perceber que as coisas nunca saem como você planeja? Nem mesmo suicídio você pode cometer.

Ele ainda podia ouvi-las muito bem. As palavras de Taiyou.

“Adeus, Tenma”.

Notas finais
Então, era só... Nos próximos capítulos a fic vai começar a tomar um rumo final... Na verdade isso meio que começa nesse capítulo mesmo. Eu posto de novo amanhã, mas não sei se vou poder postar durante a semana (primeira semana de prova O.O morrendo de medo, mas tudo bem).
Até o próximo!