Circus
8 Esquecimento
Notas iniciais
1- se tiver algum erro ortográfico ou algum ponto final, de interrogação ou qualquer outro faltando, eu sinto muito. Pra escrever eu preciso estar com sono (por algum motivo aumenta minha criatividade) e então alguns erros passam...
2- NÃO ME MATEM! Porém, tenho duas palavras: HELLO, TAIYOU! Exatamente...
No dia do aniversário de Tsurugi, Tenma ainda estava deitado na cama de hospital. “Tsurugi... Tsurugi...” De repente essa palavra deixou de ter um sentido para ele. Qualquer coisa relacionada à Tsurugi começou a desaparecer lentamente da mente de Tenma. O clube de futebol da Raimon, suas memórias de Tsurugi e o mais importante seu amor por futebol.
Quando não existia mais nada disso na mente de Tenma, esse abriu os olhos lentamente. Sentiu algo realmente muito incômodo em sua garganta e viu que se tratava do aparelho que o manteve vivo. Retirou lentamente o tubo de sua garganta, coisa que disparou um alarme. Várias enfermeiras se reuniram no quarto esperando o pior.
Uma delas se aproximou do garoto e disse:
-Você... Acordou.
Tenma tossiu um pouco e tentou falar.
-Não fale! – Interrompeu a enfermeira. – Esse tubo passou quase quatro anos em sua garganta. Não vai ser bom se você falar.
Elas retiraram o respirador da sala depois que constataram que Tenma realmente não precisava mais. Depois de alguns cuidados com a garganta de Tenma, elas ligaram para Aki, mas ela disse que não poderia visitar Tenma, porque o filho estava com febre.
A enfermeira começou a conversar com Tenma.
-Como se sente?
-Vivo. Me sinto estranhamente vivo.
-Se lembra do que aconteceu?
-Eu estava observando um campo de futebol. Não me lembro do por que. Me distraí e caí da escada. Isso lá no Japão.
-Como sabia que não estava no Japão?
-Eu estava consciente.
A enfermeira pareceu surpreender-se.
-Interessante. Então, vamos ver o quanto você se lembra do passado. Quantos anos você tem?
-Quinze.
-Não. Tem dezoito, Tenma. Fez aniversário há três semanas.
-Sério?
-Sim. Se lembra de estudar na Raimon?
-Sim! É claro que lembro. Eu adorava meus amigos Aoi, Shinsuke e... Ah, tinha mais um.
-Lembra-se do clube de futebol?
-Sim. A Raimon tinha um.
-É. Você era o capitão.
-Eu? Há! Eu nem gosto tanto de futebol.
-Ta brincando, Tenma? A Aki sempre me disse que você era obcecado por futebol.
Tenma fez uma expressão confusa.
-Eu não me lembro disso. Não é como se eu lembrasse de todo meu passado, enfermeira. Tem algo faltando.
-Eu já vi casos disso acontecer. Seu cérebro pode estar bloqueando coisas tristes, por isso você não se lembra. Não force sua memória, Tenma. Pode ser que ela volte. Se recupere que em breve você começará a fisioterapia.
-Pra que?
-Tenma, Tenma... Quase quatro anos sem se mexer. Como acha que estão seus músculos?
Tenma abaixou a cabeça. E deitou-se em sua cama.
Ele encarou sua mão e sentiu que tinha algo faltando. Alguém faltando. “Adeus, Matsukaze” Uma voz rouca ecoou em sua cabeça. Será que ele estava ficando louco?
Oito meses depois, Tenma já estava indo bem na fisioterapia e estava andando. Não conseguia fazer mais que caminhar por dez minutos, mas aquilo era um grande avanço.
Tenma estava descansando um pouco na ala dos jovens doentes. Não havia mais ninguém lá. Acho que é porque não há muitos jovens doentes por aí. Bem, havia um garoto ruivo de olhos azuis lá. Ele encarava uma árvore a sua frente.
Ele estava sentado na grama, assim como Tenma, mas um pouco distante. O espaço era tipo um jardim, que ficava do lado de fora do hospital. O jovem parecia um pouco mais novo que Tenma.
-Ei! Garoto! – Chamou Tenma.
O outro o olhou, se levantou e começou a se aproximar.
-Oi. – Disse tímido.
-Oi! Eu sou Matsukaze Tenma. Pode me chamar de Tenma.
-Eu sou Amemiya Taiyou. Pode me chamar de Taiyou. Eu nunca vi você por aqui, Tenma.
-É a primeira vez que eu venho aqui.
-Sério? Quantos anos você tem? – Ele soou interessado.
-Sério. É que eu fiquei quatro anos em coma e tive que fazer muita fisioterapia pra poder andar e vir aqui. Mesmo assim não consigo andar muito ainda. Eu tenho quinze... Não! Me desculpe, tenho dezoito. Como acabei de acordar ainda confundo. E você?
Taiyou sorriu.
-Entendo. Eu tenho quinze. Quatros anos em coma? Isso é impressionante. Como conseguiu isso?
-Caí de uma escada. Nada interessante, eu sei. Mas era uma escada enorme e eu bati a cabeça com tudo no chão no final da queda. Ainda consegui quebrar um braço, uma perna, alguns dedos e algumas costelas.
-Como alguém consegue transformar uma queda de uma escada em algo tão trágico?
-Sendo eu... E você, Taiyou, o que está fazendo aqui?
-Eu? Eu estou sempre aqui. Eu tenho uma doença desde criança no coração.
-Ah. Desculpe ter perguntado.
-Que é isso! Não tem problema não. Sabe, quase nunca tem alguém aqui. Esse lugar é um tédio. Quer jogar alguma coisa comigo?
-O que?
-Sei lá. Qualquer coisa. Nem que seja Banco Imobiliário. Mas eu acho mais legal jogar vídeo game.
-Tem vídeo game nesse lugar?
-Até onde os pacientes sabem, não. Mas eu venho nesse hospital há... – Ele começou a contar com os dedos. – Doze anos. Sei mais que algumas enfermeiras até.
Taiyou esticou a mão para ajudar Tenma a se levantar. O moreno segurou a mão dele e seu coração falhou uma batida. Não era exatamente o que faltava. Quem faltava. Mas aquela sensação era parecida. Naquele momento preferiu ignorar. Mas ele se esquecera de algo importante e queria se lembrar. E mesmo não lembrando, sabia que Taiyou trazia uma sensação parecida a ele.
Taiyou guiou Tenma até uma sala com uma enorme televisão e vídeo games. Além de ter um DVD e uma grande quantidade de filmes para assistir.
-Quer fazer o que, Tenma?
-Você conhece o lugar há mais tempo. O que você sugere?
-Eu? God of War. É isso que eu sugiro.
-Nunca ouvi ideia melhor.
Os dois começaram a jogar e assim passaram o dia.
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