Circus

16 Desejos se tornam reais


Notas iniciais
OK... Não tem como adiar mais, por isso eu tive que escrever qual era o pedido...

De repente Tenma sentiu alguma coisa tocando seus lábios. Era alguma coisa quente... Ele abriu os olhos e percebeu o que era, ou melhor, quem era. Era Taiyou. O beijando. “Esse era o desejo dele? Me beijar? Que pessoa desejaria alguma coisa assim?” Pensou.

E depois começou a ponderar o que deveria fazer. Cortar o beijo? Não, seria muita grosseria e não era isso que queria. Corresponder? Assim de repente? O que Taiyou pensaria dele? Ficar imóvel, igual a um idiota sem saber o que fazer? Parecia uma boa ideia! Ele escolheu essa opção. E, antes que imaginem muito, ele pensou tudo isso durante um selinho de dez segundos.

Taiyou se separou de Tenma e abaixou a cabeça, extremamente vermelho.

-B-bem... Meu desejo... Se realizou. Vamos dormir agora...

-Você não espera realmente que eu vá simplesmente dormir depois disso, certo?

-Honestamente, não. Então, eu vou dormir na sala. Saio antes que você perceba amanhã de manhã e não precisa falar mais comigo...

-Taiyou, faça isso e eu te persigo pelo resto da vida! Eu não vou deixar você me abandonar. Lembra a história de você ser a única pessoa que eu tenho. Eu falei sério e ainda está valendo. Mas agora eu quero que você me explique a situação.

-Tudo bem... Eu explico. – Taiyou respirou fundo. – O meu desejo era poder te tocar de um jeito mais... Íntimo. Não veja isso pelo lado malicioso, eu te beijei... Meu desejo está realizado e como consequência você me odeia. Mas... Mas... – Tenma o estava olhando de um jeito estranho. – O que foi?

-Não seja idiota. Não ache ódio onde não tem ódio. Eu antigamente tinha uma melhor amiga, nunca a odiaria se ela me beijasse. Eu não a corresponderia, mas odiar é diferente... Por que eu odiaria você, que é quase meu irmão?

-Porque eu sou um garoto...

-Por favor, Taiyou! Eu... Depois falamos de mim, da minha opinião da história toda, eu quero saber por que desejou isso.

-Porque... Eu... Gosto de você. Tipo... Muito mesmo, mais que amigo ou mesmo irmão... Eu... Euamovocê. – Ele disse a última frase rápido e baixo demais.

-Repita. Não entendi.

-Eu... Eu... A-a-amo... Batata frita! É uma delícia!

Tenma o encarou.

-Taiyou, você não disse isso. Você não se constrangeria em dizer que ama batata frita! E não devia amar, é fritura faz mal pro coração.

-Tenma, meu coração vai acabar parando cedo ou cedo... Então deixa eu ser feliz! Enfim, eu disse que... A-a-amo... Tipo... Amo mesmo... Amo... V-v-v-você.

-Então, fora a parte da batata frita, do constrangimento e da declaração versão gaga, você disse “eu amo você”?

-Sim...

-E por que você me ama? Tem tanta gente melhor nesse mundo, por que eu?

-Porque é você... – Tenma o olhou, meio que pedindo por mais informações. – A pessoa que consegue me entender. O meu melhor amigo. A única pessoa que nunca me tratou de um jeito diferente só porque eu tenho uma doença. Tenma, eu... Não tenho motivos maiores para amar você. Você é você.

-Desde quando?

-Desde que... Desde sempre eu acho. Daquele momento em que eu te contei sobre a minha morte e ao invés de ficar com pena de mim você me repreendeu por aceitar a morte facilmente. Eu sempre admirei você de um jeito diferente desde então. Eu sei que é muito chato isso. Pensar em todos os momentos que eu estive com você... Naqueles momentos em que você estava sem roupa... Você deve estar pensando o que passava pela minha cabeça. Não tinha nada demais, Tenma. Eu sabia que você me enxergava somente como um amigo e, mesmo amando você, eu nunca, nunca teria pensamentos errados nesse tipo de momento. Eu sinto muito por isso, Tenma. Por favor, me desculpe.

-Taiyou... Eu não quero que você se desculpe. Eu quero te dizer uma coisa. Não uma... Duas. A primeira é: tem outra pessoa. Eu acho que eu era apaixonado por ele... E então aconteceu o acidente com a escada. Eu fiz alguma coisa chata pra ele. Eu lembro disso. Lembro da sensação que a mão dele me passava, de sua voz dizendo pra mim “Adeus, Matsukaze”, eu lembro que ele me beijou... Bem eu acho que foi ele, mas como só dele que eu esqueci, então com certeza foi ele. Eu costumava ouvi-lo falar isso toda noite, costumava me lembrar da mão dele ao apertar a sua...

-Entendo. – Taiyou estava triste ouvindo aquilo. Triste era pouco, ele sentia como se uma flecha cheia de sal e ácido estivesse atravessando o seu coração. – Eu... Imaginei que haveria alguém. Você disse ele?

-Sim. A voz é masculina. Não zombe de mim por estar apaixonado por um homem!

-Tenma, se eu zombasse seria irônico, não acha?

-E tem uma segunda coisa que eu quero te falar. Não que eu tenha deixado de amar essa pessoa. Mas... Desde que te conheci, ele tem começado a ir embora. Não, não estou me esquecendo. A questão é que, sua voz começou a ocupar o lugar da voz dele. A sensação que eu tinha quando apertava sua mão desapareceu e apareceu uma nova. Muito boa também. Meus pensamentos, que antes eram direcionados a descobrir quem ele era, começaram a ser direcionados em coisas mais idiotamente importantes pra mim. “Será que o Taiyou está bem hoje?”, “Como será que será o dia de hoje? Espero que eu possa ver o Taiyou!” ou até mesmo “Caramba! Eu quero muito falar com o Taiyou” e isso mesmo quando não havia motivos aparentes. Uma das coisas que eu pensei quando eu cheguei no meu apartamento foi “Agora estou mais longe do Taiyou que nunca...”.

Lembra-se da flecha com sal e ácido no peito de Taiyou? Ela começou a virar felicidade pura. Taiyou sabia que aquilo não queria dizer um “eu te amo” ou um “eu te correspondo” ou mesmo alguma coisa parecida, mas...

-E o que você quer dizer com tudo isso?

-Não é óbvio? Eu quero dizer que... – Tenma colocou a mão no queixo de Taiyou e o puxou para si. – Eu sinto o mesmo. Taiyou, eu... Amo você também.

E então Tenma o beijou. Não estava certo de que queria ter feito aquilo naquele momento, porque a partir dali, Taiyou não era mais seu melhor amigo. Era isso e um pouco mais. Tenma se separou de Taiyou quando o ar faltou. Ele estava... Em dúvida. Porque ele queria fazer aquilo novamente e talvez mais, mas não tinha certeza de que estava pronto.

Ele olhou para o rosto de Taiyou. Seus olhos expressavam felicidade, estava ofegante, o coração acelerado (o que era irônico para um coração que estava destinado a parar) e o rosto vermelho. Ele era lindo mesmo. Com aqueles cabelos ruivos caindo sobre o rosto e todo aquele constrangimento.

-Sabe, Taiyou, eu me esqueci de dizer uma coisa... Você é legal, tem gostos legais, ta sempre do meu lado – nem que seja pra me irritar – e... É muito lindo também.

Taiyou baixou a cabeça novamente.

-Mantenho o que eu disse você também é tudo isso.

-Não baixe a cabeça, Taiyou! Eu quero poder olhar pra você. Taiyou, eu quero... Eu quero ficar olhando você pra sempre.

-Só olhando?

-É... Porque o resto do que eu quero fazer você não me deixaria fazer.

-Seu pervertido! –Taiyou ergueu a cabeça. – Quer brincar comigo, é? Bem, se você aceitar... Ir ao circo comigo, pode brincar o quanto quiser.

-Circo? Tipo, com palhaços e tudo o mais?

-Exatamente!

-E em troca eu posso brincar com você?

-É.

-Danem-se os palhaços. Se chegarem perto de mim eu soco eles! Mas... Isso parece uma troca muito justa. Será que tudo bem? A Olivia-san disse...

-Que depois que eu saísse de lá eu podia.

-Ela disse talvez.

-Eu confio nesse talvez.

-Certeza?

-Sim.

Taiyou piscou os olhos várias vezes para confirmar que aquela era mesmo a realidade. Sim. Era. Ele não podia estar mais feliz, talvez pudesse, afinal, algum tempo atrás dissera que o mundo acabaria se ele amasse Tenma.

Notas finais
E novamente... Não foi um bom momento pra encerrar o capítulo... Até porque eu tenho prolongado um lemon há... sei lá... 14 capítulos? Bem, é lógico que depois disso eu não conseguirei mais fugir do lemon e por isso no próximo capítulo ele vai acontecer...
Era só isso... Até o próximo!