Circus
15 Desejo
Notas iniciais
Eles chegaram a uma praça da cidade. Não havia muitas pessoas por lá. A maioria dos habitantes estava fora da cidade, pois iria acontecer um show de alguma banda famosa numa cidade nos arredores e, pelo visto, a entrada não custava nada.
A quantidade de pessoas no dia anterior eram as pessoas comprando coisas que levariam para o show. Na praça, havia um pequeno lago, alguns bancos e muitas árvores. Quando eu digo muitas, eu quero dizer muitas mesmo. Tipo em todo o canto.
Taiyou sentou-se no banco. Tenma ficou de pé, ao lado do outro garoto.
-Tenma, não vai se sentar?
-Ah... Claro. – Tenma se sentou ao lado de Taiyou.
-Sabe... Pode parecer uma idiotice, mas esse é o melhor aniversário que eu já tive. Eu finalmente tenho alguém pra caminhar comigo. Antes, minha avó ia, mas agora ela não pode mais. Minha mãe está sempre fora e meu pai... Bem você sabe.
Tenma assentiu com a cabeça.
-Taiyou...
-Sim?
O moreno hesitou. Por algum tempo ficou calado até que resolveu perguntar sobre o que o estava incomodando tanto.
-Eu... Eu vou dizer algo que vai ser egoísta, posso?
-Pode.
-O que eu faço?
Taiyou olhou para ele.
-Como assim?
-Quando você... Morrer? O que eu faço?
-Continua a viver. Você se deu bem até me conhecer.
Tenma olhou para o céu. Algumas nuvens estavam se reunindo sobre a cidade. Provavelmente choveria bastante e não demoraria muito. Chuva... Isso o lembrava de algum acontecimento... Um acontecimento importante.
-É! Mas agora eu já te conheci! Já tenho um amigo como você... Eu nunca tive um amigo assim, você é legal, tem gostos legais, ta sempre do meu lado – nem que seja pra me irritar –... Enfim, você é você. E se você morrer Taiyou, o que eu faço?
-Correção... Quando. Tenma, nós dois sabemos que eu vou morrer dentro dos próximos cinco anos. Obrigado pelos elogios, por mais que eu tenha certeza de que eu vou me arrepender por falar isso... Você também é tudo isso. E se você não sabe o que fazer... Eu acho que você deve fazer o que achar melhor, a minha morte não deve ser algo tão insuperável a esse ponto de que você não saberia o que fazer.
-É, seu idiota! É sim! Você... É a única pessoa que eu tenho agora! A única e se... Quando eu te perder, não vou ter nada sobrando.
Taiyou arregalou os olhos e corou um pouco. Para disfarçar, ele colocou a mão no bolso e pegou seu celular.
-Tenma, você disse que queria um emprego... Eu vou ligar pra minha avó.
-Tudo bem.
Taiyou discou alguns números no celular e começou a esperar. Tenma se levantou e foi até o lago. “Por quê? Por que eu disse isso pra ele?” Pensou, olhando para o próprio reflexo. Depois prestou atenção na conversa de Taiyou.
-... OK. Arigatou, obaa-san. Tchau.
Tenma foi até Taiyou.
-Como foi?
-Te consegui um emprego. Ela disse que estava precisando. 500 dólares. Você vai trabalhar de caixa. Pode ser?
-Claro.
-Tenma, vamos embora antes que comece a chover?
Tenma concordou com a cabeça e eles começaram a caminhar para fora da praça, mas antes que pudessem chegar ao apartamento de Tenma, começou a chover e muito forte.
Quando conseguiram finalmente chegar ao apartamento de Tenma, estavam encharcados e com frio. As roupas coladas no corpo e o cabelo pingando. E para piorar a situação, a luz tinha acabado. Pois é... Isso trouxe à Tenma algumas lembranças novas. Escuro, o quarto dele, alguém... Um beijo e só.
Tenma pegou duas toalhas e deu graças a Deus por estar de dia. Tenma retirou as roupas molhadas e se secou, enquanto isso Taiyou estava procurando alguma roupa seca dentro de sua bolsa.
-Taiyou... Você não deveria tirar essas roupas molhadas de você? Vai ficar doente.
-Bem pensado.
Taiyou tirou as roupas e as jogou no banheiro de Tenma, assim como o outro havia feito. Tenma vestiu uma calça moletom e um agasalho e Taiyou uma roupa igual a que ele estava antes.
Eles foram até a sala e sentaram-se no sofá. Não muito depois a luz acendeu e eles comemoraram. Jogaram algumas horas do jogo de zumbis, fazendo intervalos para comida, é claro. E depois de anoitecer (por volta das onze da noite), Taiyou encarou Tenma de repente e deu um sorriso maligno. Se levantou e colocou um filme do DVD.
-Taiyou... Você não faria isso!
-Claro que eu faria isso, Tenma!
Voltou a sentar-se ao lado de Tenma e esticou seu braço.
-Pode abraçá-lo se quiser. – Continuou.
Tenma fez um “Humpf” e virou o rosto, mas alguns minutos do começo do filme – que era o filme de palhaços – depois ele já estava agarrado ao braço de Taiyou, que, a propósito, realmente sabia como irritar Tenma. Quando o filme acabou, Tenma ainda estava agarrando o braço de Taiyou. Com mais força que da última vez. “POR QUE PALHAÇOS?! Um dia desses, eu mato o Taiyou!”.
-Não se preocupe, Tenma... Já acabou.
-Não me diga que já acabou! Por que você não vai lá e tira o CD de dentro do DVD?
-Porque você está agarrando meu braço. – Tenma soltou o braço de Taiyou e esse foi até o DVD e guardou o CD. – Vai querer que eu durma com você de novo?
-Não precisa! Eu consigo dormir sozinho.
-Aliás, Tenma, esse filme nem é tão assustador! Qual é? Ta mais pra comédia.
-Quieto! Acabou, não é?
Tenma se levantou e foi até seu quarto. Deitou-se na cama e fechou os olhos. Ele começou a sentir que alguém o estava observando e sentiu alguém respirando logo ao lado de sua cama. Quando abriu os olhos, não tinha ninguém.
-Taiyou! Ainda está acordado?
-Sim. – Falou Taiyou da sala.
Taiyou apareceu na porta do quarto, usando apenas a roupa de baixo.
-V-você... Quer dormir aqui?
Taiyou deitou-se na cama e sorriu.
-Sabia! Você não aguenta mesmo, hein, Tenma?
-Ah! Cale a boca.
Taiyou se cobriu e olhou para Tenma. O moreno disse:
-Taiyou, o que você pediu?
-Como assim?
-Na hora que apagou as velinhas. O que foi que você pediu?
-Não se realizou. A ironia do meu pedido é que ele nunca vai se realizar e estou ciente disso e por isso você nunca vai saber.
Tenma fez uma cara emburrada.
-Quer dizer que você não vai me contar?
-Eu poderia mostrar, mas...
-Me mostre!
-Não acho que seja uma boa ideia, eu posso conviver com o fato de que meu desejo é surreal demais para ser realizado, mas não sei se posso conviver com o fato de que você saiba qual é o meu desejo.
-Me mostre ou nunca mais falo com você!
“Não vai ser diferente depois que eu mostrar” Pensou Taiyou, com tristeza.
-Tudo bem, eu mostro se você ficar de olhos fechados.
-Como eu vou ver?
-Você vai... Acredite... Mas fique de olhos fechados por enquanto.
Tenma fechou os olhos e ouviu Taiyou respirar fundo e depois prender a respiração. “Qual será o desejo dele?”.
Notas finais
Não foi lá um bom momento para terminar o capítulo (eu acho), mas acho que não tinha outro.
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