Ciranda
4 Filler I - Debutante.
Notas iniciais
Oi amores...Aqui está o Filler que havia dito.
Decidi fazer.
A betagem foi por parte da minha linda Fran ♥ Obrigado amor...
Espero que vc's gostem.
LEIAM AS NOTAS FINAIS. ♥
Decidi fazer.
A betagem foi por parte da minha linda Fran ♥ Obrigado amor...
Espero que vc's gostem.
LEIAM AS NOTAS FINAIS. ♥
~~Masashi Pov’s~~Eu estava novamente diante daquele tumulo, encarando a foto de minha mãe, sorrindo, pregada na lápide.Coloquei o buquê de rosas amarelas sobre o mármore decorativo. Sentei-me sobre o tumulo e novamente pus-me a encarar a foto da lápide.- Mãe... Hoje é aniversário do Hizaki. Você deve estar feliz não é? — Sorri para a foto enquanto uma grossa lagrima escapava de meus olhos. Estou atualmente com vinte e cinco anos e me comporto como um bebê chorão toda vez que me aproximo dessa lápide.Nessas horas eu queria ser como Hizaki e esquecer as coisas com a mesma facilidade que aquele cabeça de vento. Pois apenas uma semana após a morte de nossa mãe aquele imbecil já estava de sorrisos e brincadeiras com seus amigos igualmente babacas.
E eu, continuo a chorar, mesmo depois de quase dois anos sem ela. Com o sofrimento eu me fechei, sou incapaz de contar para alguém como eu me sinto, o quanto meu coração dói. Só expresso o que sinto aqui, na presença dela.Ver os sorrisinhos constantes de meu irmão me irrita, talvez seja minha inveja, por não conseguir superar.Olhava para aquela foto sentindo toda a culpa do mundo. Desde a morte de minha mãe eu havia esfriado com Hizaki.Esfriado a ponto de tratá-lo tão mal, que não sei como ele ainda pode estar ao meu lado. Nada parece afetar aquele idiota. Tenho certeza que minha mãe socaria minha cara se pudesse.Ri de meu pensamento. - Saionara, Oka-sama. — Sorri mais uma vez, me levantando, fazendo uma reverência diante do túmulo e dando as costas ao mesmo.Caminhei em direção a saída do cemitério. Já passava da hora do almoço, eu não trabalhava aos sábados, por isso vivia dentro daquele lugar tão triste.Eu não queria voltar para casa, ver o sorriso despreocupado de meu irmão. Como ele pode sorrir enquanto meu mundo desaba na minha cabeça?Acho que com o tempo, apenas comecei a inventar motivos pra descontar minha raiva do mundo em alguém. Azar o seu Hizaki, por ser tão fraco, e por me dar um mínimo motivo que seja.♦♦♦Cheguei em casa notando todo o movimento. Pela conversa alta e risadas escandalosas, Kai estava em casa.Kai é o irmão mais novo de minha mãe, e puxa saco nato de Hizaki. Chega a ser irritante.Adentrei a casa despreocupadamente como sempre.- Boa tarde Masashi. — Meu tio sorriu em minha direção.Cumprimentei-o com um aceno de cabeça, me preparando para rumar para meu quarto e terminar meus trabalhos atrasados.- Masashi, posso falar com você? — Inferno. Parei diante aos degraus, girando nos calcanhares e o encarando.- Diga. — Soou grosseiro mais ele já me conhecia.- Hoje é aniversário de Hizaki... — Olhou para meu irmão que desviou os olhos quando o olhei.- Sim, e o que tem isso? — Disse denotando minha impaciência e pressa de cair fora.- Como assim o que tem? É o aniversário de 15 anos, temos que fazer uma festa. — A palavra festa fez com que uma terrível onda de ira se apossasse de meu corpo. - Festa? — Perguntei com ironia enquanto meus olhos se cerravam indignados sobre ele. — Minha mãe nem morreu direito e vocês já querem festejar? — Meu tio suspirou passando a mão pelo rosto, provavelmente contendo o ímpeto de me xingar.- Masashi, já vai para quase dois anos. — Disse me deixando ainda mais nervoso.- POIS PARA MIM PARECE QUE FOI ONTEM. — Gritei o fazendo dar um passo para trás e Hizaki pular no mesmo lugar, me olhando assustado em seguida.Verdade. Agora me lembrei. Eu nunca alterei minha voz antes. Um incômodo silêncio se fez presente, e eu desviei meu olhar para a grande janela de vidro.- Eu entendo Masashi...- ENTENDE MERDA NENHUMA... SE ENTEDESSE NÃO ARMARIA UMA SITUAÇÃO DESTAS. — Droga, o que está acontecendo comigo?- Masashi fique calmo...- Eu não vou ficar calmo Kai. Ela era minha mãe, se ela ser sua irmã não fazia diferença pra você, pra mim faz muita diferença esse desrespeito de vocês.- Não estamos desrespeitando a memória de sua mãe Masashi, entenda já se faz dois anos.- Isso foi o suficiente pra você esquecê-la? — Minha pergunta fez seus olhos expandirem e fixarem sobre mim, o deixando sem palavras. — Claro, a pessoa que nem mesmo estava presente quando ela morreu, não deve dar à mínima. — Terminei a frase de modo arrogante, e nem mesmo percebi quando ele chegou tão perto, a ponto de sua palma atingir minha face em cheio, sem eu ter chance pra desviar.Continuei com o rosto virado, enquanto sentia meu coração acelerar e meus olhos se arregalavam pela surpresa.Pareço ter mexido em uma ferida que ainda não cicatrizou.- Se quer ser tratado como um moleque, eu o tratarei como um. — Percebi a raiva em sua voz, era quase uma vitória tirar Kai do sério, uma façanha que apenas eu consegui.Virei meu rosto de encontro ao seu o encarando com descaso.- Esse era o sonho de sua mãe. Você tem vinte e cinco anos Masashi, pare de agir feito um moleque. — Dizia meu tio seriamente enquanto eu desviei meus olhos para o chão, com a face avermelhada e as mãos em punho.
- Como queria que eu reagisse se ela acabou de morrer e vocês já pensam em festejar? — Meu olhar de desaprovação recaiu sobre meu tio.- Estou cumprindo uma promessa que fiz a ela Masashi. Você não faria o mesmo? — Sim, claro que eu sabia que esse era o sonho dela, então por que eu me recusava tanto a aceitar. Sem ter uma razão para isso, encarei meu irmão, notando que ele me olhava assustado. Hizaki era mesmo um gatinho medroso, sempre foi assim, chorão, covarde e mimado. Tudo culpa minha.Seus olhos estavam fixos aos meus, ele devia estar confuso, com medo e solitário, apesar de estar rodeado de pessoas o tempo todo. Continuei a olhá-lo, sentindo meu sangue ferver de ódio quando quase dei um passo à frente para abraçá-lo.- Que seja. — Depois de encará-lo por longos minutos, desviei o olhar saindo de encontro às escadas.- Masashi. — Meu tio novamente me chamou com voz calma, fazendo-me estancar diante das escadas.- Diga.- Sua mãe me fez mais um pedido, mais este depende de você. — Virei-me para meu tio o olhando desconfiado, esperando que continuasse. — Será que esta noite, você poderia dançar a valsa com seu irmão?Nem mesmo sou capaz de imaginar qual foi à cara que fiz quando ouvi esse absurdo.- Está brincando, não está? — Continuei a olhá-lo com as mãos nos bolsos do sobretudo, e meus olhos cerrados sobre ele.- Por quê? Parece? — Agressão e ironia em um só dia? Acho que eu era o único capaz de fazer Kai agir assim.- Não. — Minha voz soou seca, fria, assim como eu sentia meu coração no momento. Fiz menção de virar-me novamente mais ele foi mais rápido.- Acredita que sua mãe pode nos ver de onde está Masashi? Por que se puder, ela deve estar extremamente decepcionada com você. — Ah, agora ele também decidiu apelar. Sorri minimamente, virando-me de frente para ele.Meu sorriso sumiu quando em um curto momento, Hizaki atravessou a sala correndo, vindo em direção às escadas.Meus olhos pousaram-se sobre ele no segundo em que nossos ombros se cruzaram, e eu pude notar claramente suas lagrimas.- Viu o que fez? — Meu tio parecia furioso.- Não. Viu o que VOCÊ fez? — Foi tudo o que deu tempo de dizer antes de eu ouvir a porta se chocar contra o batente.Após o ato, eu e meu tio permanecemos a nos encarar em silêncio.- Não devia ser tão duro com seu irmão. Ele sofre tanto ou mais que você, não o culpe por tentar superar. — Disse meu tio calmamente. — Com ou sem seu consentimento eu vou fazer essa festa. Só pense em tudo que sua mãe fez pra você sem lhe pedir nada, essa foi à única coisa que ela lhe pediu. Se achar justo, o Hizaki estará pronto as nove.Deu-me as costas e eu permaneci calado, vendo-o sair de minha casa e bater a porta com demasiada força.Suspirei, me sentando ao pé da escada.Ah mãe... Você realmente é imprevisível não é? Passei as mãos por meus cabelos deixando a mente devagar.Não sei por quanto tempo permaneci sentado ali, pensando em coisas aleatórias, mais me cansei de não fazer nada. Decidi subir e tirar essa história de festa a limpo. Queria ver até onde meu irmãozinho tinha superado a morte de minha mãe.Subi os degraus com pressa e em segundos minha mão já circuncidava a maçaneta da porta de seu quarto. Girei a mesma adentrando o cômodo de maneira brusca.Eu estava pronto pra gritar e fazer um escarcéu dos infernos, mais meu corpo travou diante da cena que vi.Soltei a porta de forma calma, dando passos oscilantes em direção a cama. Parei diante do corpo pequeno de meu irmão, encolhido sobre a mesma.Deixei meus olhos correrem pelo rosto de aparência triste e cansada. Lá estavam os vestígios das lagrimas que o vi derramar.Seu rosto avermelhado ainda apresentava os rastros secos das lagrimas. Afastei um pouco seus cabelos, que cobriam parte de seu rosto para poder enxergá-lo melhor.Seu rosto na ausência do costumeiro sorriso doce tinha uma aparência totalmente tristonha. Até cheguei a pensar que talvez ele estivesse escondendo sua dor atrás de um sorriso.Mais não, não era isso. Hizaki era mimado, essas lágrimas provavelmente são por que me neguei a fazer algo que ele queira. Cerrei meus punhos ainda o olhando.Não vai funcionar Hizaki.Imediatamente dei as costas ao corpo que dormia pesadamente sobre a cama e fui para meu quarto. Onde passei o resto dia pensando, e então decidi aceitar o desejo de minha mãe.♦♦♦Nove horas é o escambau. Já se passava das nove e meia e nada da cinderela descer as escadas.Não sei onde eu estava com a cabeça quando aceitei fazer isso. Parei diante do espelho preso à parede, ajeitando a gola do sobretudo preto que eu trajava.Algo me diz que vou me arrepender.Ouvi o barulho de passos na escada e dirigi meu olhar para o topo desta, me esforçando ao máximo pra não abrir a boca quando vi meu irmão.Desgraçado. Como consegue ser tão absurdamente lindo a ponto de me tirar do eixo? Descia os degraus calmamente e cabisbaixo. Sem nem mesmo notar que eu o esperava.Não pôde manter a atenção fixa nos pés muito tempo, pois logo ele percebeu com demasiado espanto que eu o aguardava.- Ma-Masashi? — Gaguejou meu nome, completamente confuso. Apenas dirigi meu olhar a ele de maneira reprovadora, estendendo-lhe o braço. Odeio ficar esperando.Fiquei um tempo a esperar, pois o idiota me media de cima a baixo sem se quer sair do lugar.- Quanto tempo pretende demorar? — Disse mal humorado o encarando seriamente. A situação já me irritava sem que ele precisasse fazer nada, mais ele sempre fazia questão de piorar.Saiu do que parecia ser um transe e desceu os degraus que faltavam, enlaçando o braço no meu. Suspirei aborrecido, seguindo em direção a porta. Quanto mais rápido eu for, mais rápido voltarei.- Masashi... — Sua voz saiu num sussurro e ele mantinha a cabeça baixa, apenas o olhei, o aguardando falar. — Gomen. — Meus olhos se estreitaram sobre ele por alguns segundos mais logo os desviei, sem dizer uma única palavra. Eu realmente estava surpreso.♦♦♦Essa droga de festa parecia nunca chegar ao fim. A mais de 2 horas que eu estava jogado em uma mesa num canto mais afastado daquele salão, enchendo a cara de vinho e uísque.Ao contrário do que pensei aquele aborrecimento parecia não ter fim. Para todos os lados que eu olhava via as pessoas sorrindo.Amigos de minha mãe, sorrindo e se divertindo, como se ela não houvesse existido, como se a falta dela não afetasse ninguém.Olhei para Hizaki, que permanecia parado, sorrindo graciosamente para o senhor e senhora Ishikawa, velhos amigos de minha mãe, e pais de Yuki, que permanecia sentado ao meu lado.- Masashi, ao menos finja ser adulto. — A voz de Yuki me repreendeu, o que rendeu-lhe um olhar mortal de minha parte.- É de minha mãe que estamos falando. — Disse de maneira grosseira. Yuki apenas levou a taça de vinho aos lábios, da maneira mais graciosa possível. Ele era assim, quieto, observador, ponderado, elegante e extremamente perigoso para quem o achava inofensivo.Percebi os olhos de Yuki pregados em alguém a alguns metros a nossa frente. Não pude deixar de sorrir debochado.- Você anda muito interessado nesse garoto. — Disse mais tranqüilo, vendo-o virar a face para mim.- Está enganado. Apenas ouvi falar que aquela criança está apaixonada por Kamijo. — Novamente os olhos de Yuki caíram sobre o pequeno Teru, amigo de meu irmão.- Espero que ele saiba que essa ilusão é sem futuro. — Sorri.- Assim como você também deveria perceber que negar a si mesmo a evidente paixão pelo irmão é algo inútil. — A seriedade e tranqüilidade de Yuki a dizer as palavras sem ao menos me olhar, fez com que meu sorriso sumisse. - Dessa vez é você quem está enganado. — Disse de maneira séria, fitando o copo preso em meus dedos.- E quando foi que estive enganado á seu respeito alguma vez?Calei-me. Yuki era meu melhor amigo desde sempre, ele me conhecia melhor do que eu mesmo e sabia o que eu sentia apenas por me olhar.- Que você sinta algo por ele, isso eu posso entender, Hizaki é lindo. Mais o que não consigo entender, é por que você tenta negar. E por que o maltrata tanto. — Yuki era o único a quem eu contava sobre o que fazia a meu irmão, o único que sabia do inferno que fiz de sua vida em dois anos.- Como acha que minha mãe se sentiria sabendo que eu a traí dessa maneira?
- A palavra traição se aplica a fato de você ter se apaixonado por seu irmão?- Sim.- Pois bem. Como acha que ela se sentiria sabendo que todo esforço dela pra vocês dois serem felizes está sendo destruído por suas mãos? — Não pude deixar de me surpreender com suas palavras, e imediatamente o olhei. — Você poderia evitar Masashi, mais por não saber controlar você toma todas as atitudes erradas e acaba sofrendo e fazendo com que seu irmão também sofra.Suspirei e voltei meus olhos para Hizaki. Este sorria alegremente para vários garotos de sua idade, que lhe cumprimentavam pelo aniversário.- Masashi. — Meu tio apareceu a meu lado.- Sim. — Olhei-o atentamente.- Já é hora da valsa.- E? — Disse com descaso voltando a beber.- Vai dançar com ele ou não? — Meu tio também já parecia cansado de rodeios.- Eu já havia dito que não.- Yuki, você como filho da mais velha família de amigos de Lilian, poderia dançar com Hizaki? — Me surpreendi com o pedido de meu tio.- Desculpe Kai-san. Mais minha família já me encarregou de outro papel para essa valsa. E além do mais, creio que eu não seja mais indicado do que um professor de dança. — Me olhou após recusar educadamente.O que Yuki quis dizer com professor de dança é, na época que minha mãe era viva, ela tinha se dedicado integralmente a escola de artes da família, a que ela ficou responsável após a morte de meus avôs.Tio Kai nunca se interessou muito por artes, mais até que eu pudesse ajudá-la, ele permaneceu ao seu lado. Sempre estive no meio desse mundo, aos dez anos entrei para as aulas de dança de salão. Hoje já sou professor. E com a morte de minha mãe o responsável pela escola.Claro que também conto com toda ajuda e apoio dos pais do Yuki, que sempre estiveram ao lado de minha mãe, pois Yuki estudou violino em nossa escola desde os sete anos, e foi nesta época que o conheci.Minha mãe sabia um pouco de tudo, dança, música, teatro. Eu a adorava. Sempre quis ser como ela. Confesso que nos anos que passei ao seu lado aprendi muito, e a única arte a qual não me adaptei por completo, foi o teatro.Hizaki não tem de fato o sangue de nossa família, mais nunca conheci alguém que me lembrasse tanto o tio Kai. Nunca se deu bem com arte, lembro-me das vezes que mamãe tentou ensinar-lhe piano, quem acabava aprendendo em seu lugar era Teru.Mais houve uma arte em que Hizaki superou todos. Ele era simplesmente meu melhor aluno de dança. O melhor bailarino de toda escola. Mais depois da morte de nossa mãe ele simplesmente desistiu.Sem me falar nada. Sem me dar uma única razão ou explicação. Simplesmente... Desistiu.- E então Masashi? — Meu tio me tirou de meus devaneios, e eu nem ao menos havia me dado conta de meus olhos fixos em Hizaki, que me olhava de volta, um tanto confuso.- Esse era mesmo o sonho de minha mãe? — Perguntei sem desviar os olhos de Hizaki.- Por que acha que ela os colocou justo nas aulas de dança? Ela sonhava com isso desde que era moça. — A expressão de meu tio ficou triste de imediato, me fazendo crer que havia uma parte da história que se esqueceram de me contar.- E por que ela sonhava com algo tão idiota? Não parece ser o tipo de sonho que minha mãe teria. - Você se acha um irritante sabe tudo Masashi. Mais a muito de Lilian que apenas eu conheço. Se um dia você quiser realmente conhecer sua mãe, terei prazer em dizer-lhe a pessoa maravilhosa que ela era. Por hora apenas responda, vai dançar ou não?Continuei a olhá-lo em silêncio. Ainda não consigo chegar a uma conclusão do por que minha mãe sonharia com algo tão pequeno. Mais até que eu não pudesse entender, decidi atender a esse pedido.Levantei-me da cadeira que ocupava e Yuki imitou meu movimento.- Bom, já que você aceitou vou ocupar minha posição. — Disse Yuki fazendo uma reverência educada a meu tio e seguindo para trás da cortina vermelha que cobria o palco do salão.- O que tem naquele palco? — Perguntei encarando as cortinas fechadas.- A orquestra de sua escola. Vão tocar uma valsa escolhida por sua mãe para essa ocasião, muitos membros que estão ali foram treinados por ela. Inclusive seu amigo e o amigo de Hizaki, que serão os dois solistas. — Explicou meu tio.Apenas segui até Hizaki. Quando me aproximei dele senti-o se encolher no próprio corpo. Senti uma pontada no peito. Não consegui decifrar se foi raiva, ou culpa, afinal, eu o deixei assim.Parei a sua frente, no meio do salão. As pessoas já se aglomeravam a nossa volta, deixando um grande espaço no interior da roda para que dançássemos. Os olhos de Hizaki se ergueram até os meus, e eu não pude decifrar sua expressão.Por mais que fingisse estar feliz, ele parecia tão triste quanto eu. Nos olhamos em silêncio por algum tempo, enquanto meu tio fazia as apresentações. Não dissemos uma única palavra, mais eu parecia entender o que ele sentia naquele momento.Pude ver seu corpo tremer, os olhos cheios d'água, e a forma delicada com que comprimia os lábios, como se fosse chorar.Que sensação é essa? Por que meu coração está batendo como se fosse me abandonar? Por que está me olhando dessa forma Hizaki?E assim as luzes do salão se apagaram por completo, e quando o refletor pousou seu brilho em nós, continuamos a nos olhar.Estendi minha mão para ele, e ele pousou sua mão sobre a minha com delicadeza. As cortinas do palco se abriram e ambos nos voltamos para o mesmo.Uma incrível surpresa se apoderou de mim, e o aperto instantâneo de Hizaki em minha mão me fez crer que ele também havia se surpreendido.- Tio Kai... — Sussurrou Hizaki com os olhos fixos em meu tio, que era o regente da orquestra.- Estranho. Achei que Kai odiasse arte clássica. — Eu disse sem ao menos perceber e Hizaki apenas maneou a cabeça.Olhei para o lado direito de meu tio, vendo Yuki com o violino já posicionado sobre o ombro esquerdo, e com a mesma expressão séria de sempre. Atrás de Kai estavam todos os 50 músicos que compunham a orquestra de Harmony, nossa escola. Outra coisa que me surpreendeu bastante e que pelo que eu podia notar havia surpreendido Yuki também, era o garoto parado ao lado esquerdo de meu tio.O garoto que devia ter seus 14 anos e era um dos melhores amigos de Hizaki, não estudava em nossa escola, mais este segurava uma flauta transversal, o que me deixou intrigado, visto que tínhamos flautistas em nossa orquestra, mais todos usando flautas doces.- Não sabia que seu amigo tocava. — Disse sério apenas para que Hizaki me ouvisse.- Toca. Mamãe lhe ensinou. — Disse me deixando ainda mais surpreso.Todos sobre o palco nos fizeram uma reverência. Hizaki e eu as retribuímos, eu arqueando o corpo de forma elegante e passando o braço livre parar diante de minha barriga, e Hizaki dobrando os joelhos delicadamente e abaixando a cabeça levemente.Viramo-nos de frente um para o outro, repetimos a reverência um para o outro e eu lhe estendi a mão. Ele se aproximou de mim, repousando a mão esquerda em meu ombro direito, novamente nossos olhares se cruzaram silenciosos, e ao começo dos sons dos violinos, viramos os rostos, ele para direita, e eu para a esquerda.A música escolhida provavelmente por minha mãe fez os olhos de Hizaki marejarem, The Phantom of the opera. Eu sabia que essa dança já estava gravada em sua mente desde seus oito anos, assim como estava gravada na minha.Logo o violino de Yuki roubou a cena, dando o início ao seu solo com entusiasmo, o som de seu violino cortava os quatro cantos daquele salão, impondo a musica forte. O que deu um perfeito contraste quando a flauta de Teru começou a ditar suas notas com leveza.Era como se você pudesse sentir a essência de cada um expressas em suas notas. As cordas de Yuki denotavam toda sua força e imposição e os sopros de Teru toda sua delicadeza e fragilidade. Pessoas totalmente diferentes que entravam em harmonia diante das notas.Eu rodopiava pelo salão na companhia bem treina de meu irmão. Hizaki sentia a musica de olhos fechados, enquanto sem erros, era conduzido por meus passos.Seus olhos abriram-se apenas quando eu o suspendia ou quando ele rodopiava para longe dos meus braços, e logo eu o trazia de volta.Essa dança foi criação de minha mãe, e talvez tenha sido para apenas esta ocasião. As costas de Hizaki colaram em meu peito, uma de minhas mãos pousou em sua cintura, ao passo que a outra se mantinha esticada, segurando seus dedos delicados entre os meus.Deslizamos com leveza pelo salão, seguindo a musica a passos similares. Eu e Hizaki parecíamos conectados quando dançávamos.A graciosidade de meu irmão se estendia a cada gesto exposto na dança. Por que parou Hizaki? Você teria se dado muito bem nessa vida. Era isso o que sempre me perguntava.Notei um leve sorriso se apoderar dos lábios de Hizaki quando Teru e Yuki começaram a tocar juntos. As notas pareciam brigar, criando uma melodia única.Mais alguns passos e encerraríamos aquela dança, a música já chegava a seu final e nossos passos também.Olhei atentamente para Hizaki. A Valsa inglesa não é uma dança ao qual se tenha muito contato visual, mais ao final desta não teria como escapar. Enfim o encerramento da musica, e eu e Hizaki estávamos parados diante um do outro, minha mão esquerda acariciando sua face, e sua mão direita imitando o meu ato.Fixei meus olhos no seu rosto ofegante. Lindo. Como sempre. Então, desfizemos o contato visual e fizemos reverências aos convidados, que nos aplaudiam e aplaudiam também a orquestra.E dando as mãos, nos viramos para orquestra, repetindo a reverência. Yuki observava o pequeno flautista que mandou um beijo para Hizaki.Meu amigo devia estar tão surpreso quanto eu.- Parabéns pela dança Hiza-chan. — Disse Teru o abraçando.- Obrigado. — Retribuiu o carinho.- Você dançou bem Masashi. — Disse Yuki com o violino ainda em mãos.- Obrigado. Você continua tocando muito bem. — Sorri apertando sua mão.- Omedetou Hime-san¹. — Disse fazendo uma reverência elegante a Hizaki, que corou retribuindo. Logo se voltou para Teru, parado ao lado de meu irmão. — Foi um prazer tocar com você.- I-Igualmente. — Gaguejou me fazendo sorrir.♦♦♦O resto da festa decorreu de forma tediosa, sorriso e cumprimentos para todos os lados, até que aconteceu algo que me irritou profundamente.Um antigo professor de nossa escola resolveu aparecer. O que eu sabia era que ele estava em outro país. Poderia ter continuado por lá.Miyavi era o nome dele. Foi professor de Hizaki há alguns anos atrás, antes de eu assumir as aulas. Eu não gostava dele. Odiava o modo como ele olhava para Hizaki.O que realmente me deixou puto foi ele tirar Hizaki para dançar. A dança era o que mais me irritava, já que suas mãos percorriam partes do corpo de Hizaki que nem mesmo eu jamais havia tocado. Isso me irritava profundamente.- Se está com ciúmes você deveria reagir, e não ficar fuzilando o cidadão com o olhar. — A voz de Yuki novamente soou séria.- Você devia aprender a calar a boca. — Rosnei.- E você a ser homem. — No fundo a tranqüilidade de Yuki era o que mais me irritava.Levantei-me seguindo para a saída do salão. Pra mim chega dessa palhaçada.Acendi meu cigarro enquanto caminhava para meu carro. Realmente, isso não vai ficar assim. Eu estava mais chateado do que de costume, meu sangue fervia, minha vontade era voltar para aquele salão, quebrar a cara daquele infeliz e arrastar Hizaki para casa pelos cabelos.Adentrei meu carro batendo a porta com força. Lembrando-me da cena daquelas mãos percorrendo o corpo de Hizaki, não pude me controlar e deferi um soco contra o volante.Minha raiva não passou, coloquei meus braços sobre o mesmo, escondendo o rosto nestes. Tentei me acalmar, mais tudo aconteceu para me irritar. O descaso desses idiotas com minha mãe, aquela dança indecente de Hizaki, tudo estava me tirando do sério.Fiquei onde estava por alguns minutos, até ouvir duas leves batidas no vidro fechado de meu carro. Levantei o rosto e olhei para fora vendo Yuki de pé ao lado de fora, também com um cigarro preso nos lábios.Abaixei o vidro e continuei sentado, enquanto ele escorava as costas ao meu lado, no rumo da porta.O silêncio tomou conta por alguns minutos, eu encarava algum ponto no painel de meu carro e Yuki encarava as estrelas, com as mãos enterradas nos bolsos.- Masashi. — Finalmente a voz grave e controlada quebrou o silencio.- Hum. — Respondi sem interesse. Ele continuava a olhar as estrelas.- Qual é a verdadeira razão de toda essa sua revolta? É mesmo por causa de sua mãe? Ou é por que você tem medo de assumir o que sente?
As palavras ponderadas de Yuki me fizeram refletir, e eu finalmente comecei a notar que não havia razão.- Por que a pergunta?- Eu te conheço desde que tínhamos oito anos. Você era forte, mais nunca foi indiferente, frio ou agressivo. Confesso que sua mudança súbita me assustou um pouco. Eu nunca sei o que você está sentindo.- Está falando isso por causa do Hizaki?- Não. Estou falando isso por você. Seu irmão superou, é você quem está se matando a cada dia.- Isso não é da sua conta Yuki.- Eu sei que não. Não vou me meter nisso. A vida é sua, o irmão é seu, e o sofrimento também é seu. Mais como seu amigo sinto-me na obrigação de te alertar. — Deu uma pausa desencostando-se do carro e jogando o cigarro no chão apagando-o com os pés. — Descontar seu ódio da vida na pessoa que você ama só te fará sofrer mais.- Eu não amo Hizaki. — Neguei virando meu rosto.- Eu acredito. Mais e você? — Virou-se para mim. — Você acredita nessas suas palavras? — Continuei a olhá-lo em silêncio, logo virando o rosto para frente e suspirando pesadamente, fazendo com que Yuki sorrisse soprado.- Imaginei. — Deu um passo para trás se distanciando do veículo. — Oyasumi... Sashi-san. — Deu ênfase no apelido pelo qual apenas Hizaki me chamava. Meu coração deu um nó com minhas lembranças.Por alguma razão a raiva de não conseguir negar o que sentia, aumentou. Agora eu estava muito mais perigoso. Estressado, com ódio e de quebra, mordido de ciúmes.♦♦♦Mais um tapa que desta vez o jogou contra o balcão na pia, onde tentou se apoiar. Mesmo depois de ouvir tudo o que Yuki disse eu não conseguia me controlar.Aproximei-me dele e agarrei seus cabelos o olhando em fúria. Meus ciúmes estavam tomando conta de meu sangue, estava cego pela raiva.- Como você pode sorrir daquele jeito? — Perguntei inconformado.Ele não dizia uma única palavra em sua defesa, apenas me olhava. Meus olhos se cruzaram com os seus, eu permanecia sério. O sangue escorria de seu nariz, graças à violência que eu aplicava a ele.Aquele silêncio, o fato de ele NÃO reagir a nada que eu fizesse me deixava ainda mais possesso.- POR QUE RÁIOS VOCÊ AINDA NÃO CONTOU A KAI TUDO QUE FAÇO COM VOCÊ DESDE QUE ELA MORREU? — O chacoalhei fazendo com que ele fechasse os olhos por um instante.- Você devia tentar superar. — Disse olhando em meus olhos, que flamejaram ao som de suas palavras. Sem me conter acertei-lhe outra bofetada.- Se você não existisse... — Apertei seu pescoço com força, o fazendo praticamente deitar sobre o balcão largo. -... Eu teria mais tempo com minha mãe, sem você pra atrapalhar. — Menti. Na realidade, o que queria dizer é: "- Se você não existisse... Eu não me sentiria tão miserável por amar meu próprio irmão."Acho que minhas palavras o magoaram profundamente, Hizaki quase nunca chorava diante de mim, por mais machucado ou triste que estivesse. Mais suas lagrimas rolaram quando terminei a frase.- Você continua chorão. Mais suas lágrimas não me comovem mais. — Mentira. Eu estava espremendo meu coração, e minha vontade de abraçá-lo naquele momento.- Eu sei. — A frase saiu quase que sussurrada, e meu coração novamente se retraiu me levando o ar.Você não sabe de nada seu idiota.- Essa sua maneira de encarar tudo numa boa, e fingir que nada aconteceu me irrita. — Apertei os dedos novamente em seu pescoço o suficiente para sufocá-lo. — Vou lhe dar algo que você não poderá apagar da sua mente, você não poderá fingir que nada aconteceu e não poderá sorrir quando acabar. — Deus, o que estou fazendo? Seus olhos se arregalaram.Enquanto uma de minhas mãos apertava seu pescoço, mantendo a parte superior de seu corpo deitada sobre o balcão, a outra se dirigiu até a dobra de seu joelho, puxando uma de suas pernas até minha cintura.Eu terei mesmo coragem de fazer isso?Senti o corpo pequeno estremecer. Ele parecia saber no que eu estava pensando.- Eu vou marcar seu corpo, mais principalmente, eu vou marcar sua alma Hizaki. Eu vou te sujar, assim como você sujou a memória de minha mãe essa noite. — As palavras saiam calmas, embora cheias de ódio. O quanto mais eu pretendia usar minha mãe como desculpa... O que eu realmente queria, era tê-lo para mim, mesmo que a força.Ele parecia aterrorizado, apavorado. Pareceu tão fora do eixo que tudo que falou foi:- Mãe... — Junto à pesada lágrima que abandonou seus olhos.Senti-me tão miserável, que a minha raiva me possuiu ainda mais. A mão sobre a parte inferior de seu joelho deslizou por sua coxa, sob a fina camada da meia arrastão. Se eu ainda tinha algum juízo, ele sumiu agora.Enquanto ele ainda parecia desnorteado por meus toques, eu levei meus dedos até sua coxa, rasgando a meia em um puxão e rasgando sua roupa intima em seguida.O ato violento o fez levar ambas as mãos até minha mão que apertava seu pescoço, pressionou a mesma na tentativa de me fazer soltá-lo. O olhei, e seus olhos estavam fixos em mim. Suas cavidades exalavam o medo. O pavor que eu estava causando.No entanto, embora suas mãos estivessem sobre a minha e seu corpo tremesse violentamente, ele não se mexia, nem se quer me empurrava.Após ver o rosto de traços infantis, marcado por minhas agressões e pela maquiagem borrada devido as lagrimas, eu afrouxei o aperto em seu pescoço, soltando-o completamente. Levei agora ambas as mãos a suas coxas, separando suas pernas e me posicionando entre elas.- Não vai gritar Hizaki? Você não é tão inocente a ponto de não saber o que estou prestes a fazer. — Disse em tom debochado, no fundo torcendo para que ele reagisse e me impedisse de fazer esta atrocidade.Mais não, ele não fez nada. Entreabriu os lábios muitas vezes mais não pronunciou uma única palavra e os olhos apavorados ainda recaiam sobre mim.- Tanto faz. — Disse irritado devido ao seu silêncio, à medida que já havia retirado o meu membro ereto de dentro das calças.Diga algo seu idiota... Ao menos grite. Eu queria ter controle, não queria feri-lo dessa forma, mais eu não conseguia evitar o desejo que sentia.Diante do constante silêncio, me empurrei sem preparação para dentro de seu corpo, praticamente o rasgando. Sua entrada contraiu e seus lábios se entreabriam a medida que seu corpo se contorcia desesperado sobre o balcão.Forcei-me contra seu corpo de maneira violenta, invadindo seu corpo sem dó, o machucando e fazendo com que seus sentidos se desvalessem.Cravei meus dígitos em sua cintura, sobre o cetim do vestido enquanto ele apertava as bordas do balcão entre os dedos, na tentativa de diminuir a dor que ameaçava o levar a um estado de inconsciência.Seu corpo era totalmente conduzido por mim, no ritmo do meu louco vai e vem.Ele não me pedia pra parar, ele não gritava, ele nem se quer chorava. Apenas olhava para o teto branco. Será que finalmente consegui levar sua sanidade? Por mais que eu estivesse com nojo de mim e me sentindo o ser mais repugnante do mundo, eu não conseguia esconder meu prazer.Os gemidos roucos escapavam de meus lábios cada vez que eu adentrava seu corpo quente e ele tentava me expulsar.Entorpecido pelo meu prazer, acabei abrindo meus olhos para ele, observando sua expressão de dor ao passo que as lágrimas já haviam secado em seu rosto. Desprezível. Não. Imperdoável, era essa a proporção do ato que estava fazendo com ele.Inclinei parte do meu corpo sobre ele, levando uma de minhas mãos ao seu cabelo.Puxei-os fazendo-o olhar-me. Seu peito subia e descia num ritmo frenético, seu corpo todo tremia a cada toque meu. Desviei meus olhos dos seus, não agüentando mais ver a expressão dolorida e então puxei ainda mais seus cabelos inclinando sua cabeça para trás.Minha língua percorreu as marcas arroxeadas de meus dedos em seu pescoço. Beijei sua pele enquanto a mão em seus cabelos afrouxou o aperto, depositando na região um breve carinho. Eu estava amolecendo.O vi fechar os olhos e suspirar. Acho que ao menos um mínimo prazer ele estava sentindo.Continuei a beijar seu pescoço, meu corpo se movimentava agora mais calmamente, dando-lhe a chance de se acostumar com meu volume o preenchendo.Meus beijos subiram por seu maxilar, indo de encontro ao lóbulo de sua orelha, onde mordi sedutoramente. Suas unhas cravaram-se em meus braços, aquele prazer estava me dominando.Minha bochecha deslizou sobre a sua até que nossos olhos estivessem completamente conectados. O que estou fazendo droga? Que vontade louca é esta de beijá-lo?Inconscientemente, aproximei os lábios dos seus. Mais antes que os tocasse, ele virou o rosto bruscamente, me ignorando por completo.É assim que uma pessoa rejeitada se sente? Sai de dentro de dele o puxando com força por um dos braços. Lancei-lhe novamente no balcão dessa vez de bruços.E sem mais nenhuma palavra o invadi novamente. Incrível como o prazer pareceu muito maior e insuportável que da primeira vez.Arranhou o mármore gelado entre seus dedos, mordendo os lábios com violência para suprimir a dor. Mais não gritou, nem uma única vez.Eu ia e vinha de encontro a seu corpo com força. Sentia algo quente que provavelmente era seu sangue escorrer por meu falo rígido.Minhas mãos apertavam sua cintura com firmeza, inclinei o corpo sobre o seu, puxando seus cabelos para que ele arqueasse o corpo para trás.Assim ele o fez, apoiando-se sobre as mãos. Soltei seus cabelos levando a mão ao decote de seu vestido, onde o puxei com demasiada força, rasgando o tecido fino.Percorri seu peito descoberto com minhas mãos frias, cravando os dentes em seus ombros.Novamente a falta de reação e o silêncio. Seu corpo entregue aos meus comandos e ao meu prazer. Aquela loucura e possessão tomando conta de minha mente. Não me reconhecia como humano, pois neste momento eu parecia um animal.Oka-sama... Se estiver vendo isso... Onegai... Feche seus olhos.Suas forças sumiram de vez e ele deixou que seu corpo caísse pesadamente sobre o mármore, ouvindo apenas o barulho choco de sua testa sobre o mesmo.Em uma última e prazerosa investida me desfiz dentro dele. O sujando completamente como havia dito.Sai de seu corpo, afastando-me dele, completamente machucado. As lágrimas voltaram aos seus olhos ao passo que continuou com parte do corpo deitado sobre o balcão. Então ele ainda tinha lágrimas?Aposto que você nunca irá me perdoar Hizaki. Se for esperto, se distanciará de mim.Pensava enquanto abotoava minhas calças e o observava puxar o ar desesperadamente entre os soluços.Saí da cozinha, o deixando sozinho, horrorizado e morto. Morto na alma.Por mais que eu tivesse em mente que seria seguro para ele a distancia de mim, em meu íntimo, eu rezava, rezava em silêncio, implorando para que houvesse perdão para a atrocidade que acabara de cometer.♦♦♦Revirei em meus lençóis a noite toda. A imagem assustada e a expressão dolorida de Hizaki não saiam de minha mente. Vencido pelo cansaço e insônia, eu me levantei. Estava preocupado com Hizaki, mais ele provavelmente devia ter-se enfiado na casa de Teru. Talvez nem quisesse mais me ver. Desci as escadas lentamente, contando os passos. Adentrei a cozinha, desanimado, as luzes estavam apagadas e apenas a luz da lua cheia iluminava o cômodo pelas janelas de vidro. Caminhei até o interruptor acendendo a luz desanimadamente. Deus, o que eu tinha feito? Dei um pulo no lugar ao visualizar a figura de Hizaki encolhida no chão. Aquela imagem era aterrorizante, sua roupa estava rasgada, seus cabelos bagunçados, o chão à sua volta estava manchado de sangue. E o pior de tudo, seus olhos, tristes e cheios de dor. Uma dor causada por mim, eu sou um desgraçado. Não pude me mexer, não ousei nem ao menos me aproximar, tudo o que fui capaz de fazer, foi ficar parado diante daquela cena. Vacilante, ele se levantou do chão, sua expressão se contorceu em dor ao se pôr em pé. Continuei imóvel o vendo se aproximar de mim. Muitas coisas se passaram por minha cabeça, eu esperava que ele me xingasse, que perdesse o controle ao menos uma vez na vida... Mas não foi isso o que aconteceu. Continuou a se aproximar, seu caminhar não era elegante como de costume, era fraco e desajeitado. Prendi a respiração quando ele parou à minha frente. Ele iria se atrever a me afrontar me olhando nos olhos daquele jeito? Suas mãos trêmulas e suadas tocaram meu rosto, senti meu coração acelerar com aquele mínimo toque. Em pensar que nós já fomos tão ligados um dia.Entreabriu os lábios, mais palavra alguma os deixou de fato. O que você tem a me dizer Hizaki? O que você ainda pode ter a me dizer?- Nii-san... — A palavra saiu arrastada e eu me obriguei a olhá-lo nos olhos. - Você é mesmo corajoso Hizaki, ou burro. — Disse de maneira repreendedora. Ele abaixou a cabeça e a mão em meu rosto agarrou a gola de meu roupão com força.- Você... Você roubou minha primeira vez... — Disse de cabeça baixa. — Eu terei uma péssima lembrança disso pra sempre. — Sua voz ficou embargada. — Mais... Ainda assim eu não consigo te odiar. Por que nii-san? — Me olhou com a face terrivelmente triste.Engoli em seco sem que ele percebesse.- Por que você é um idiota. — Disse friamente e ele sorriu.- É, talvez eu seja... Você já me roubou tudo Masashi. Minha vontade de viver, minha alegria e agora minha virgindade. Não... — Me olhou com os olhos um pouco arregalados. — Na verdade ainda existe algo que você não me roubou.- Do que diabos você está fala...Não tive tempo para terminar a frase, pois os lábios machucados uniram-se aos meus com pressa. Perdi completamente a noção ou o senso. Hizaki estava agarrado à gola de meu roupão, nas pontas dos pés, e me beijando. Depois de tudo o que fiz, ele estava me beijando. O contato permaneceu por mais alguns segundos, mais logo ele se afastou.Eu não sabia como agir diante disso, eu não esperava algo assim então apenas o olhei confuso.- Meu primeiro beijo você não irá me roubar, por que eu decidi dá-lo a você. — Um mínimo sorriso se estendeu a seus lábios, mesmo que completamente triste.- Você...- Eu vou dormir... Oyasumi nii-san. — Me soltou, cambaleando para longe de mim sem que eu pudesse ao menos tentar impedi-lo."Meu primeiro beijo você não irá me roubar, por que eu decidi dá-lo a você." Uma lagrima pesada rolou de meus olhos me deixando completamente surpreso. Levei uma das mãos sobre os lábios tapando-os de maneira surpresa.Eu estava chorando? Chorando apenas pelas palavras de Hizaki. Imediatamente me virei para as escadas, e Hizaki já terminava os degraus de maneira dificultosa.Desviei o olhar para a pia, e ironicamente nossas canecas estavam sobre a mesma. Os objetos prenderam minha atenção e com um suspiro indaguei a mim mesmo:- Em que momento de minha vida, eu me apaixonei por você... Hizaki?
Notas finais
"Omedetou...Hime."¹ - Parabéns...Princesa.
the phantom of the opera
http://www.youtube.com/watch?v=_KnHSvbIZFQ
valsa
http://www.youtube.com/watch?v=Auv4a_mceqk
Caso vocês queira ter uma ideia de como foi a valsa do Hiza e do Masashi assistam o video da valsa sem audio, ouvindo o video The Phantom of the opera.
Pronto...por hoje é só...espero que tenham gostado..
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