Ciranda

10 Capítulo 8 - Pianista


Notas iniciais
EU SEI QUE DEMOREI PRA CARAMBA Ç-Ç
Mais tenho uma excelente desculpa, o escritório em que trabalho está fechando, então este mês eu estava cheio de serviço pra terminar, e não consegui escrever e nem responder meus amados reviews.
Mais aqui está o chappie enfim.
Ele é dedicado pra Sachiko por que o Kaya aparece aqui e eu sei que ela ama muito ele. ♥
A betagem mais uma vez foi por parte da Mallany ♥
Temos uma novidade nesse chappie, vamos ver se vc's percebem.
Leiam as notas Finais.

~~ Hizaki Pov ~~~

Eu já estava acostumado com a pouca luz que invadia meu quarto em todo o amanhecer, pelas frestas da cortina rosa que balançavam com o vento.

Minha cabeça doía. Miseravelmente.

Sentei-me em minha cama, amparando minha testa com as duas mãos, e massageando a região na tentativa falha de me livrar da dor.

Fazia tanto tempo que eu não chorava pra valer, que acabei me esquecendo de como pode ser exaustivo.

Eu realmente cheguei a desejar não acordar nessa manhã de sábado. Ainda sentado, com a coberta me cobrindo as pernas, esfreguei os olhos feridos pela claridade atípica.

Suspirei longamente sentindo a cabeça pesar muito mais. Meu pulso latejava.

Olhei para minha mão, me assustando a princípio com a grande marca arroxeada em meu pulso direito. Minha mente não associou os fatos de imediato, de modo que me assustei, sentindo meu ar faltar.

Logo os flashs dos acontecimentos que antecediam aquela marca, me vieram a mente, me trazendo de certa forma, um sentimento que classificaria como "alívio de conhecimento".

Estranho não é? Mais essa expressão significa que senti uma certa forma de alívio por saber que o causador daquela marca era Masashi. Como sempre.

FLASH BACK

Depois de ouvir aquela música melancólica que me fez chorar até perder todas as minhas lágrimas, Yuki sem dizer uma única palavra me arrastou para casa.

Ele era uma pessoa que estava muito longe da minha capacidade de compreensão.

Era tão ou mais complexo que Masashi. E olhem que meu irmãozinho está dominando essa arte pra valer.

Quando eu pensava que Yuki era assustador, ele de algum modo me acobertava ou mostrava alguma preocupação indireta, talvez até inconsciente.

Quando eu o classificava como uma pessoa gentil, ele voltava a agir de modo hostil, frio e despreocupado, como se nada do que acontece ao seu redor de fato o interessasse.

Era realmente uma pessoa difícil de classificar.

Se fosse pra fazer uma classificação mais exata, ele seria...

Bom...Não existe uma classificação exata. Yuki sempre será o meio termo.

Ele caminhava ao meu lado em silêncio, tão encharcado pela chuva quanto eu. Mais ao contrário dele, que se controlava com destreza, eu tremia ridiculamente.

Me sentia tão fraco comparado a ele. Mais fraco ainda eu me senti quando ele retirou o sobretudo azul marinho jogando-o sobre meus ombros.

- Não se preocupe...- Tentei retrucar.

- Apenas use-o. Terei problemas com Masashi se você ficar doente. Problemas que não estou um pingo afim de enfrentar agora. — Disse de modo sério.

Abaixei a cabeça e continuei a segui-lo a passadas rápidas.

Antes que eu percebesse já estávamos no portão de casa, só então me lembrei da hora.

- Yuki-san...Que horas são? — Perguntei temeroso. Yuki lançou-me um olhar, como se quisesse me dizer sem palavras que finalmente eu havia entendido o ponto crítico da situação.

- Quase onze da noite.

- O que? — O olhei assustado. Não vi que o tempo passou tão rápido. — Masashi vai me matar. — Resmunguei até mesmo me esquecendo do incidente com Aoi e Uruha mais cedo.

- Ah...Com certeza ele vai. — Disse indiferente apertando a campainha. Meu corpo todo enrijeceu, e eu ainda tremia. Não só de frio, agora também tremia de medo.

- Yuki...- Ouvi a voz grave de meu irmão, sentindo o ar ficar denso quando seus olhos pairaram sobre mim. Não é como se eu pudesse sair correndo. — ONDE É QUE VOCÊ ESTAVA?

O grito me surpreendeu, mais o que realmente me deixou em choque, foi a mão — que nem tive tempo de ver — agarrar meu pulso me puxando com violência.

- Eu...Me perdi. — Tentei explicar-lhe mais sabia que ele não ouviria. Masashi não é racional nessas horas. Senti meu coração parar quando sua mão livre ergueu-se até a altura de sua cabeça. Separou os dedos preparando o golpe.

"Não...Hoje não." Implorei em pensamento virando o rosto depressa e levando meu braço livre até o mesmo na tentativa de proteger-me do golpe.

Ao notar que o mesmo não veio depois de alguns segundos, lentamente eu afastei o braço, olhando-o por entre as mexas de cabelo que caíam-me sobre o rosto.

Masashi e Yuki se encaravam seriamente. Tão sério que dava medo.

Notei então algo que realmente me deixou surpreso. Yuki segurava a mão que Masashi armara pra me ferir.

- Já chega. — Disse com firmeza enquanto ainda segurava Masashi e encarava seus olhos.

- Quantas vezes já mandei você não se meter. — Disse meu irmão devolvendo o olhar ameaçador.

- Quantas vezes já lhe lembrei que você não manda em mim. Não sou o idiota do Kamijo, Masashi. — O clima realmente estava ficando tenso ali.

Masashi puxou o pulso livrando-se da mão de Yuki que o aprisionava.

- Você realmente dá trabalho. E quando foi que ficou tão intrometido? — Masashi alfinetou-o e um sorriso surgiu nos lábios finos de Yuki.

- Não se engane. Não estou me metendo para livrar seu irmão. Estou apenas querendo que você note que não é um bom momento, assim você não se arrependerá mais tarde. — Disse de modo calmo fazendo um gesto sugestivo com a cabeça, que claramente me apontava.

Os olhos de Masashi me encararam minuciosamente e eu não mantive o contato visual por muito tempo, desviando os olhos para o chão.

Masashi pareceu finalmente perceber que meu dia não tinha sido um dos melhores. Soltou meu pulso, que estava sutilmente marcado.

- Vá pro seu quarto. — Disse sério. — Não me deixe ver sua cara...- Encarou-me de forma intimidadora. — Ou realmente vou perder a cabeça.

Imediatamente dei as costas a ambos, mas parei antes de dar mais de um passo. Voltei-me para ele parando de frente para Yuki.

- Arigatou Yuki-san. — Agradeci com toda minha sinceridade. Afinal de contas...Intencional ou diretamente, ele me salvou hoje...Mais de uma vez.

OFF FLASH BACK

Sacudi a cabeça acordando de minhas lembranças. Levantei-me da cama e rumei para o banheiro fazendo minha higiene matinal.

Optei por uma blusa preta com detalhes roxos e mangas compridas. Com certeza se alguém visse a marca em meu pulso iria ficar fazendo perguntas que eu não estava a fim de responder.

Desci as escadas e fui para a cozinha que estava perfeitamente limpa. Não que eu fosse relaxado, mas era estranho não ter nenhuma louça na pia. O que significava que Masashi devia ter saído sem tomar café.

Me encostei na pia suspirando. Por mais que meu querido irmão fosse um carrasco comigo... Eu não podia deixar de me preocupar. Sabia que seu dia iria ser cansativo, não podia o deixar sem comer nada.

Subi as mangas da blusa e me pus de bunda pra cima, catando alguma coisa na geladeira. Eu estava precisando fazer compras. Urgente.

Achei alguns ingredientes no fundo da geladeira para fazer uma comida simples e rápida.

Por que essa água dos infernos está demorando tanto pra ferver? Olhei para o relógio constatando que faltava pouco para o horário do almoço.

Anda logo água.

Ouvi baterem na porta e fui ver quem era.

-Entra Teru. –Falei o vendo sorrir tímido antes de entrar pedindo licença.

Como podia ser tão fofo?

-O que você ta fazendo? –Perguntou sentando-se à mesa.

-Estou fazendo almoço pro Masashi. Ele saiu sem tomar café. Vai comigo levar?

-Ele vai ficar bravo se agente aparecer lá.

-Mas ele tem que comer. É só você ser cuidadoso. — O olhei de modo significativo vendo-o corar.

...

Depois de terminar a comida, coloquei dentro de um pote e fomos a pé mesmo para a escola.

Teru tagarelou o caminho todo enquanto eu apenas sorria e fingia que estava prestando atenção, minha preocupação no momento era entregar a comida para Masashi sem que ele me matasse. Seu humor devia estar péssimo.

Conhecendo-o como eu conheço, eu deveria passar o fim de semana todo trancado em meu quarto fugindo da visão dele. Pois é fato que depois de ontem ele deve estar querendo me matar.

- Nossa eu não me lembrava que era tão longe. — Teru resmungou e eu o olhei surpreso. Caramba estava tão perdido em meus devaneios que por um minuto me esqueci dele.

- Sim...- Disse ainda meio abobado já adentrando o grande portal da escola.

- Olha só quem está aqui. — Realmente não era meu dia de sorte, já chego dando de cara com o ser mais irritante do mundo. — O que faz aqui boneca? — Kamijo se aproximou com o sorriso debochado e automaticamente Teru se escondeu atrás de mim.

- Pode ser apenas uma ilusão de ótica Kamijo. Já esqueceu que posso estar em dois lugares ao mesmo tempo? — Sorri de maneira vitoriosa vendo seus olhos ferverem, e então, suas mãos agarraram minha blusa e me puxaram com brusquidão.

- Você me fez passar por idiota naquele dia. — Disse entre dentes.

- Ah vamos lá, não é como se você precisasse da minha ajuda pra isso. — Disse com descaso. Por que será que estou com a impressão de que isso não vai acabar bem?

Imediatamente o monte de merda a minha frente me deu um empurrão. Não dei nem ao menos um passo e meu corpo se chocou ao de Teru que acabou por receber todo o golpe se desequilibrando e trombando em alguém que imediatamente caiu.

Isso vai dar merda.

Teru por sua vez com o novo impacto foi arremessado para perto da mesa ao qual caiu de brusos sobre esta. No momento em que seu corpo encontrou o móvel que saiu de seu lugar com o peso de Teru, o vaso que antes jazia sobre a mesa, se desequilibrou, caindo pelo canto de encontro ao chão.

Num momento de desespero Teru tentou agarrar-se ao objeto, falhando miseravelmente, pois este acabou por cair sobre o rosto da pessoa que estava caida no chão.

Senti meu coração falhar uma batida quando vi o vaso, que com certeza era muito caro, se estilhaçar. Senti pena da pessoa que Teru derrubou. Aquele golpe provavelmente deve ter-lhe rendido um nariz quebrado.

- KAYA-SAMA. — Ouvi a voz de um rapaz que correu em direção a mesa. OH FUCK! Se ele se abaixar ao lado daquela mesa juro que mato.

Pois bem, ele se abaixou mesmo em socorro a pessoa que estava caída, e imediatamente desejei a morte.

Teru se afastou da mesa afobado fazendo várias reverências seguidas e se desculpando com desespero. Eu não consegui me mexer, sou muito bom em paralizar quando entro em pânico.

- Kaya-sama você está bem? — O homem alto de cabelos descoloridos perguntou ao outro que já estava sentado na cadeira, com uma mão sobre o nariz tentando conter o sangue que escorria entre seus dedos.

- Estou bem. — Consegui ver que ele sorriu fraco. Imediatamente Teru retirou um lenço de dentro do bolso e estendeu ao homem ferido. Este o pegou, olhando de modo gentil para Teru, que estava completamente desconcertado. — Você é um doce. — Disse de forma meiga.

- Que bagunça é esta aqui? — FUDEO. Com "F" maiúsculo ainda. — Kaya, o que houve com você? — Masashi perguntou confuso e o homem apenas deu de ombros enquanto sorria e limpava o sangue em seu nariz.

Teru se encolheu abaixando a cabeça.

- Não é difícil saber o que houve Masashi. Apenas analise os fatos. — O desgraçado de kamijo, que perdeu uma ótima oportunidade de calar a boca diga-se de passagem, apontou para mim e Teru, que Masashi não tinha notado até então.

- VOCÊ...- Agarrou meu pulso me puxando para perto dele. — O que está fazendo aqui?

- Ah...Ahh...Ai...mnn...- Resmunguei baixinho fechando os olhos com força e comprimindo os lábios enquanto ele apertava meu pulso cada vez mais forte.

- MASASHI...Pare de escandalos. Foi apenas um acidente. Não conseguiu perceber? — O loiro do nariz sangrando repreendeu meu irmão, que direcionou seu olhar pra este mais não me soltou.

- Estes tipos de acidentes sempre acontecem com estes dois por perto. — Kamijo abriu a boca, novamente para falar algo inútil.

- Engraçado você dizer isto rapaz, pois vi claramente quando você empurrou este loirinho aí. — Me apontou. — Que caso você não tenha notado está machucando-o, Masashi. — Disse sério e só então meu irmão me olhou, notando minha expressão retorcida pela dor.

A mão que me machucava afrouxou o aperto, assim me soltando. Acolhi o pulso já antes ferido e que agora latejava infernalmente em minha outra mão, alisando-o de forma leve. Eu sabia que vir aqui era uma péssima idéia. Estava tão chateado que poderia chorar.

- O que você está fazendo aqui? NÃO DISSE PRA NÃO SAIR DO SEU QUARTO? — Gritou comigo na frente de todas aquelas pessoas, algumas me olhavam com pena, outras nem tanto.

Me senti ridículo. Completamente ridículo. E derrepente o fato que me levou até alí se tornou tão idiota que não tive coragem de dizê-lo.

- Quando eu estiver falando com você...ME RESPONDA DROGA. — Ele realmente não estava de bom humor.

- Eu só vim...- Senti meus olhos lacrimejarem. Fala sério Hizaki, você é patético. — Por que achei que você ficaria com fome. — Ainda encarando algum ponto do chão, eu lhe estendi a bolsa.

Um buraco...era só o que eu queria. Ou melhor, queria tê-lo obedecido, ter ficado em baixo das minhas cobertas e chorado o dia todo me lembrando do beijo do Aoi com Uruha.

Maldita hora em que resolvi superar.

A sala toda ficou em silêncio e meu irmão perdeu sua pose onipotente, engolindo em seco, sem saber ao certo o que falar.

- Devia pelo menos agradecer Masashi. – Kaya-sama cortou o silêncio, obrigando tanto a mim quanto a meu irmão sairmos de nosso “choque”.

- Obrigado. – Suspirou me encarando e pegando a bolsa de minha mão, desviando os olhos em seguida.

Fiz um gesto positivo com a cabeça, dando-lhe as costas e caminhando até Kaya-sama.

- Por favor, nos desculpe. Teru e eu realmente somos desastrados. – Tentei sorrir-lhe, mais falhei.

- Não se preocupe. Achei ambos encantadores. – Sorriu abertamente, fazendo com que Teru e eu ficássemos corados.

- Permita que eu me desculpe apropriadamente. Se não tiver compromissos hoje a noite, gostaria de jantar conosco? Farei algo especial. – Notei-o me encarar surpreso, a boca levemente escancarada como se jamais tivesse sido convidado antes.

- Eu...Realmente adoraria. – Sorriu fraco. – Você realmente é um doce...Hã...

- Hizaki. Perdão por não me apresentar formalmente. Este é Teru. – Apontei meu amigo que jazia ao meu lado de cabeça baixa. Este fez-lhe uma breve reverência.

- É um prazer conhecê-los. – Sorriu. – Masashi, não me disse que tinha um irmão tão adorável. – Disse com um sorriso e meu irmão apenas sorriu desgostoso.

- Se nos der licença, precisamos voltar. Foi um prazer conhecê-lo. E de toda forma, nos desculpe. – Disse envergonhado.

- Ah não vão agora. Quero retribuir o convite. Vou avaliar um violinista da escola de seu irmão daqui a alguns minutos. Não gostaria de assistir a apresentação? – Me olhou com expectativa.

Tive uma breve troca de olhares com Masashi, pois estava receoso em aceitar o convite.

Seu olhar severo sobre mim me fez recusar.

- Sinto muito, mais temos mesmo que ir. – Tentei ser o mais educado possível.

- Eu insisto. Até por que esta escola também é sua não é? – O olhei surpreso. Eu nunca tinha parado para pensar nas coisas dessas formas. E na verdade, artes não me interessavam mais.

- Hã...Er...- Fiquei sem palavras por uns segundos.

- Esta escola também é dele, mais Hizaki não tem interesse por artes. – A voz séria e grave de Masashi ricocheteou pela sala chamando a atenção de todos.

- Não se interessa por artes? – Kaya perguntou de modo surpreso.

- Não é...Bem esse o caso...- Disse um tanto receoso. Não era um assunto sobre o qual eu gostava de falar, principalmente na frente de Masashi.

- Ele dançava nesta escola. Era um dos melhores, mais parou inexplicavelmente aos treze anos, logo após a mãe morrer. – As palavras de Kamijo eram exclusivamente pra me ferirem, e eu sabia disso.

- Isso é verdade? – Kaya me olhou interessado.

- Faz muito tempo. – Sorri mostrando meu descontentamento e nervosismo com a conversa.

- Hiza-Chan não gosta de falar sobre isso. – A voz tímida de Teru soou baixa.

- Oh! Me desculpe a indelicadeza. – Desculpou-se envergonhado.

- Não se preocupe. – Sorri.

- Fique Hizaki. – Por um momento achei ter ouvido errado, já que a voz que ouvi era a de meu irmão. O olhei imediatamente mais não consegui ler sua expressão. – Creio que esteja satisfeito Kaya. – Disse num tom de rudeza para o loiro que sorriu abertamente.

- Doce como sempre. – Aquelas palavras soaram como uma relação antiga aos meus ouvidos, mas deixaria as perguntas para depois.

- Me desculpe, mais quem você avaliará hoje Kaya-sama? – Teru perguntou com interesse. O que não era de se admirar, já que era fã de Kaya.

- Eu. – A voz soou de trás de Teru, que travou imediatamente. Logo vi Yuki em um sobretudo estilo medieval azul escuro, todo bordado em dourado e com os cabelos longos presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça.

Eu nunca tinha reparado, mais ele era lindo.

Teru virou-se de maneira lenta, deparando-se com o olhar sério de Yuki. Ele conseguia ser assustador só com o olhar fala sério.

Se bem que, ontem ele parecia outra pessoa.

- Por que o interesse? – Perguntou de modo que soou rude. Teru permaneceu a olhá-lo calado. Até que pareceu se lembrar de responder, sacudindo a cabeça negativamente e saindo de sua frente.

- Você demorou Yuki. – Masashi disse sério, quase numa repreensão.

- Desculpe. Surgiu imprevistos. Posso falar com você antes da apresentação? – Disse de modo sério.

- Estamos muito atrasados, terá que me falar depois. Vamos todos para o salão teatral. – Masashi ditou sério. Yuki nem se preocupou em rebater, apenas o seguiu, assim como todos nós.

~~ Yuki Pov’s ~~

- Muito prazer Yuki-san. Eu sou Kaya. — O loiro me sorriu de forma doce.

- O prazer é meu. — Respondi com uma elegante reverência que pareceu agradar Kaya.

- Você é o oitavo e último violinista que estarei avaliando, sendo assim, por que acha que devo escolhe-lo? — Sorri com a pergunta. Masashi havia me dito que ele era sagaz, mas não podia esperar que ele já começaria me testando.

- Com todo respeito Kaya-san, mas é você quem tem que encontrar as razões. O máximo que posso fazer é mostrar-lhe como eu toco. — Continuei a sorrir a medida que já posicionava o violino sobre os ombros.

- Excelente resposta Yuki-san. — Sorriu. — A melhor que tive até agora.

Eu já fui testado muitas vezes por vários tipos de pessoas. Eu sabia exatamente o que ele estava fazendo, estava me passando confiança.

Se eu fosse ingênuo o suficiente para me iludir com este elogio, eu certamente não daria o melhor de mim. Sendo assim, certamente não seria o melhor a seus olhos.

Se tem uma coisa que Lilian me ensinou muito bem, foi a não me comover com elogios vazios. E eu realmente consigo identificar um quando o vejo.

- Quando você quiser. — Sorri de modo calmo.

- Pois bem...Toque algo que me agrade. — Me olhou atentamente ao passo que cruzava as pernas e começava a sacudir o leque com delicadeza.

Eu conhecia o trabalho de Kaya-san muito bem. A alguns meses atrás Masashi me fez ler alguns artigos publicados sobre os gostos dele.

Bem conveniente não acham? O cara anuncia que irá escolher um violinista para tocar em um evento muito importante ao seu lado, e logo em seguida já diz todas as melodias de violino que gosta e que não gosta.

Ao passar a vareta sobre as cordas, dei início a uma melodia que pareceu surpreender a todos. Sabre Dance foi a música que escolhi. Forte, de impacto e a principal razão por tê-la escolhido...Não constava na lista de musicas agradáveis de Kaya-san.

A cara apavorada de Masashi e a expressão surpresa de Kaya-sama foi impagável.

Hizaki e Teru me olhavam com a mais descarada admiração. Não toquei a música toda, apenas uma parte.

- Oh! Realmente me surpreendeu Yuki-san. – Disse Kaya com o costumeiro sorriso doce, que não me enganava, pois sei que ele está atento a cada coisa que faço.

Masashi parecia inquieto ao ver que saí da programação planejada por ele.

O olhei sério, mais meus olhos diziam: “Se acalme, sei o que estou fazendo.”

- Yuki-san, gostaria que tocasse uma música que me irrite. – Meu sorriso de soslaio se alargou ao passo que os olhos curiosos de Kaya-san estavam sobre mim.

Passei a vareta sobre a corda causando a música que todos conheciam, o toque em si não era irritante, ao meu ver era até divertido.

Por isso a toquei, era divertidamente irritante. Eu estava tocando a “Pantera cor de rosa”, que para quem não sabe foi um desenho que eu adorava.

Notei um sorriso sincero por parte de Kaya pela primeira vez no dia.

- Gostaria de ver mais de seu potencial Yuki-san. Quero uma música forte. – Sorriu em desafio.

Pensei por uns dois segundos, até que a música me veio a mente como uma luz, quando me lembrei da razão pela qual quis ser violinista.

Os olhos dela enquanto tocava a música, parecendo massacrar o violino e ao mesmo tempo com uma leveza fora do normal.

Com um sorriso e uma certeza, uma vez mais deslizei a vareta sobre as cordas de meu instrumento, dando início a musica que para mim foi o começo de tudo.

“The Dance of the Violin” ou como é mais conhecida, a “Sinfonia do demônio”. Apelido dado aos violinistas que tentaram tocar, pois poucos acertam as notas perfeitamente.

Eu mesmo nunca acertei, e torço para não arrebentar as cordas novamente.

Enquanto a música soava, eu não via nada ao meu redor, pois fechei meus olhos, me concentrando apenas na melodia e na imagem de Lílian-sama.

Incrivelmente esta era a primeira vez que a toquei sem cometer um erro sequer.

Sorri aliviado. Eu era mesmo um idiota, escolher uma musica que não tinha certeza de poder tocar.

Abri meus olhos encarando os rostos pasmados a minha frente. Masashi nem piscava.

- Rapaz...- Kaya me encarava com a surpresa evidenciada. – Eu poderia escolhe-lo apenas por esta música, pois sei que ela é muito difícil de ser tocada.

- Obrigado. Mais esta é a primeira vez que a toco sem arrebentar uma a uma, todas as cordas de meu violino. – Disse sério.

- Estou verdadeiramente impressionado. – Disse com um sorriso. – Mas estou ansioso pela apresentação principal. Pode começar quando quiser.

Tirei o violino de meu ombro fazendo uma pequena reverência.

- Creio que não serei capaz de fazê-la. Desculpe-me. – Disse sério.

- O que? Como assim? – Perguntou-me confuso.

- O que é isso agora Yuki? – Ouvi a voz de Masashi, que soou assustadoramente séria, o que denotava a eminente irritação.

- O imprevisto que mencionei no início. O pianista que você arrumou para solar comigo, não consegue tocar a melodia.

- O QUE? ESCOLHA OUTRA MUSICA. – Gritou irritado.

- Mesmo que toque outra, ela não estará a altura desta. E você me disse para tocar o melhor.

- DEVIA TER ME DITO ANTES. – Esbravejou.

- E por que eu não disse? – O olhei de modo calmo, fazendo-o lembrar que ele não quis me escutar.

- Podemos adiar a apresentação para amanhã. – Kaya interveio a meu favor.

- Não! Está tudo bem. Quero dizer, se eu não estiver enganado, há uma pessoa nesta sala que aprendeu a solar esta música em um piano. – Eu disse atraindo a atenção de todos, menos de um certo garoto que parecia muito distraído arrancando um fiapo da manga de sua blusa.

- De quem está falando Yuki? – Masashi me olhou sério, já com impaciência.

- Dele. – Apontei o garoto que arregalou os olhos para mim, completamente perdido na conversa.

- Este garoto? – Masashi o apontou com desdém.

- Caso você não se lembre este garoto foi aluno particular de sua mãe.

- Sim mas, daí a tocar em uma apresentação. – Masashi continuou a subestimá-lo e então eu sorri, sabendo claramente como desarmar meu amigo.

- Meu caro amigo, acaso você não se lembra de que este garotinho que você tanto subestima, é o mesmo garoto que humilhou a todos os seus flautistas quando tocou no aniversário de Hizaki? – Alfinetei-o, mas ele pareceu não perder a resistência.

- Existe uma certa diferença entre tocar uma flauta e um piano.

- Bem, então comece a torcer para que ele seja tão bom pianista quanto flautista. – Dei-lhe as costas virando para o menino com expressão assustada. – Você...- apontei-o com a vareta do violino o vendo engolir seco. – Toque comigo novamente.

Notas finais
Pessoal Pra quem não notou a diferença, a parte em itálico foi escrita pela Lumi ♥
Obrigado amor.
Bom aqui estão as musicas que o Yuki tocou:
Sabre dance:http://www.youtube.com/watch?v=rxtKeYBQdr0&feature=related
Pantera cor de rosa: http://www.youtube.com/watch?v=6iIlHdLYO2g&feature=related
The Dance of the Violin: http://www.youtube.com/watch?v=zuEHu934z9s
Espero que gostem.
OS REVIEWS QUE NÃO CONSEGUIR RESPONDER HOJE EU RESPONDEREI AMANHÃ.
AMO VC'S ♥