Ciranda

11 Capítulo 9 - Sad Violin


Notas iniciais
Amores, desculpe a demora em postar. Estou morrendo.
Já aviso que o Chappie está sem betagem então pode ter muito erros aqui.
Eu acabei de chegar do meu novo emprego, para quem não sabe agora sou cozinheiro o/
Este capitulo é inteiramente dedicado a Sachiko por que o Kaya aparece nele de novo. ♥
Por hora acho que é só...
SUGESTÃO: Leiam ouvindo Sad Violin...Link nas notas finais.

~~ Teru Pov’s ~~

– Você...- Apontou-me com a vareta do violino e eu engoli seco. – Toque comigo novamente.

- Hã? – Permaneci estático. Ele me dava muito medo. Eu tinha medo até mesmo de recusar.

- Você me entendeu. Venha! – Sua voz ordenou a medida que sua expressão séria me mostrava que eu não tinha escolha. Me agarrei ao braço de Hizaki.

- Hizaa...- Choraminguei baixinho, no ouvido de meu amigo. – To com medo. – Senti meus olhos lacrimejarem.

- Você consegue. – Me incentivou com um sorriso. Mais ainda me recusei, balançando a cabeça negativamente a medida que tremia por completo.

- Garoto eu não tenho o dia todo. – Apertei mais o braço de Hizaki quase me escondendo por completo.

- Teru...Você é um ótimo pianista. – A voz de Hizaki me acalmou. – Além do mais você já tocou com ele antes.

- Mas...Mas e se eu estragar tudo? – Fiz bico, eu realmente não queria.

- Eu mato você.

- Viu...Viu só ele vai me matar. Não quero Hiza...- Fiz drama apontando o rapaz que já estava prestes a tacar o violino na minha cabeça.

- Kaya-sama...Por gentileza, pode segurar meu violino? – Vi Yuki estender o violino para o loiro que pegou- com um rosto curioso. – Obrigado.

Ao entrar o violino ele se virou em nossa direção caminhando rapidamente até mim.

Meu Deus eu vou morrer.

Me encolhi o máximo que pude. De uma maneira muito rápida ele puxou meu braço me levando de encontro a ele e empurrou o ombro de Hizaki, que de imediato foi jogado nos braços de Masashi.

- Me dê um minuto Masashi. Preciso falar com este garoto. – Disse de modo sério ao moreno que segurava Hizaki pelos dois ombros. Ele e meu amigo estavam realmente surpresos.

Fui praticamente arrastado para fora da sala. Estava com tanto medo que estava prestes a chorar.

- Ei...- Tentei protestar mas ele não olhava nem para trás. Por mais que eu tentasse parar a força dele era muito superior a minha.

O fato de ele só me arrastar por corredores em silêncio estava me deixando agoniado.

Cadê o Hizaki? Por que ele não veio atrás de mim.

Meu desespero aumentou quando ele abriu a porta de uma sala enorme e me jogou dentro desta.

Para piorar estava escura. Ouvi a porta se fechar e prendi a respiração de maneira automática.

Era assim que as coisas sempre aconteciam, e como sempre, eu não podia fazer nada a não ser chorar e implorar pra pararem.

A luz foi acesa e ele deu um passo em minha direção. Passei instintivamente para trás enquanto meus olhos assustados o encaravam e eu abraçava meus próprios braços.

Só parei de me afastar quando minhas costas se chocaram com algo e quando pensei em correr ele agarrou meus ombros me dando uma – não tão leve – sacudida.

- Escute garoto...Por uma razão que não faço idéia do por que, Lílian-sama te ensinou a tocar esta musica. Eu realmente preciso passar neste teste. – Dizia bem próximo a meu rosto enquanto eu tentava de maneira inútil empurrá-lo.

- Eu não sei do que está falando. – Minha voz saiu chorosa. Que droga! Ninguém vai chegar mesmo?

- Sad Violin. – Meus olhos se arregalaram e eu imediatamente parei de me debater. – Sabe tocá-la não sabe? Eu sei que sabe.

Flash Back

- Yuki, venha cá. – Disse a mulher de longos cabelos negros.

- Sim. – O rapaz de vinte e um anos se aproximou da professora sentada a sua frente.

A aparência abatida e o olhar fundo denotavam que ela ainda não estava recuperada de suas crises.

- Quero lhe ensinar algo antes de morrer. – Disse docemente com um sorriso apagado.

- Lílian-sama...Você ainda terá muito tempo...- O garoto tentou argumentar contra a triste realidade, aumentando ainda mais o sorriso da mulher.

- Apenas sente-se. – Apontou uma cadeira bem a sua frente com a vareta do violino.

Sem mais discutir, o rapaz loiro sentou-se a sua frente, encarando seus olhos.

- Se tem uma coisa da qual me orgulho após ter aberto esta escola, foi de como você aprendeu todas as minhas composições perfeitamente. Você é grande Yuki. – Sorriu.

- Fico honrado. – Abaixou a cabeça em sinal de respeito.

- Sabe, eu não estou muito bem. Terei que me afastar da escola por algum tempo. Sinceramente não sei se voltarei. – Sorriu, Lílian sempre tentava encarar a doença de modo calmo.

- Lílian-sama...

- Yuki...Tem uma musica que compus a alguns anos. Eu não pretendia ensiná-la a ninguém. – Olhou-o de forma admirada.

- Vai me ensinar? – Perguntou de modo sério.

- Vou.

- Por quê?

- Por que... – Seus olhos tristes voltaram-se para a grande janela de vidro. – É muito bonita pra morrer comigo.

Yuki suspirou. Não gostava de sequer imaginar a morte da professora e melhor amiga.

Lílian era quase uma irmã mais velha para Yuki.

- No entanto... – Sua voz suave soou chamando a atenção do rapaz que agora a olhava. – Esta musica não é um solo.

- Eu não toco duetos. – Disse o outro bufando desgostoso.

- Incrível Yuki-san, você é uma pessoa solitária até para tocar. – Sorriu debochada, dando o ar de sua graça pela primeira vez no dia.

- Não sou compatível com ninguém.Você melhor que ninguém sabe que ninguém pode acompanhar minhas notas, nem mesmo você.

- Sei disso. Tocar desta maneira o faz solitário. Você é muito bom para ser alguém solitário Yuki. – Disse num tom entristecido.

- Não é uma opção Lílian. – Sorriu de canto para a mulher que lhe retribuiu o ato.

- Yuki...Desde que a compus, nunca a ouvi completa. Só eu sei tocá-la. Na minha vida como professora de musica, ensinei e aprendi muitas coisas. Aprendi a fazer coisas ditadas impossíveis, superei limites, mais nunca, nem sequer uma vez, aprendi a tocar dois instrumentos de uma vez só. – Sorriu tristemente.

- O que quer dizer?

- Esta musica é acompanhada por um piano. Não consigo tocar os dois ao mesmo tempo.

- Por que decidiu me ensinar só agora? – Olhou-a curioso.

- Recentemente descobri alguém que superou limites tocando-a em um piano. Sabe o que isso significa? – Olhou para o rapaz com um meio sorriso.

- O que? – Continuou a fitá-la.

- Só uma pessoa nesta escola conseguiu superar minhas notas no violino Yuki. Você sabe quem é este alguém. Por esta razão ninguém pode tocar com você, mais...Este garoto superou minhas notas em um piano. Imagino que seja a única pessoa que possa acompanhá-lo. – Sorriu.

- Eu nasci para tocar sozinho. – Desviou os olhos para o violino.

- Esta foi uma regra que você impôs Yuki. Nenhum musico nasce para tocar sozinho. Finalmente encontramos a pessoa destinada a solar com você. Dê uma chance. – Praticamente implorou.

- Quem é? – A olhou de modo sério. Yuki gostava de tocar sozinho, sentia-se bem.

- Seu nome é Teru. Ele é amigo de Hizaki.

- Nunca ouvi falar dele. – Disse com descaso.

- Mais vai ouvir. Ele é muito bom. – Disse ao garoto que permanecia indiferente sem olhá-la. – Bem...Eu a tocarei. Sei que você aprenderá me ouvindo tocar apenas uma vez. Pode esquecer tudo o que lhe disse aqui hoje. Mais se algum dia, você precisar tocar algo importante, ou para algo grande, você terá esta melodia. Destino é uma coisa interessante Yuki, e no dia em que for para você tocar esta musica, o destino colocará seu par na sua frente...E você verá, que eu estava certa.

FLASH BACK OFF

- Como sabe que sei tocar esta musica? Eu nunca mais a toquei depois...- Parei não querendo completar a frase.

- Depois que Lílian-sama morreu? Vamos lá garoto, você não percebe? – Me perguntou de maneira séria encarando meus olhos.

- Me desculpe mais sempre fui mais lento do que as pessoas normais. – Ele rolou os olhos bufando impaciente, e apertando ainda mais meus dois braços.

- Já ouviu falar em uma droga chamada destino? – Nunca o imaginei perguntando algo assim.

- Você não parece o tipo de pessoa que acredita em destino.

- Não acreditava. Realmente não acreditava até chegar aqui disposto a cancelar este teste e por alguma razão inexplicável o encontrar aqui. – Eu não entendia nada do que ele falava. Tampouco meu medo me deixava raciocinar alguma coisa.

- Nós já tocamos juntos antes. Isso não pode ser destino. – Tentei rebater sem olhá-lo nos olhos.

- Aquilo foi diferente. Eu não imaginava que tocaria a seu lado. A musica não exigia uma conexão de notas igual esta exige. Uma vez me disseram que você seria a única pessoa capaz de tocar esta musica ao meu lado. Eu duvidei e tentei ensinar outra pessoa. Sabe qual foi a merda de resultado? – Perguntou de modo que deixou claro o fim de sua paciência.

Balancei a cabeça negativamente já que minha voz nem ao menos saia.

- Três meses. TRÊS MADITOS MESES E O IDIOTA NÃO DEU CONTA NEM DE TOCAR A MELODIA SOZINHO. – Gritou me fazendo estremecer e levar ambas as mãos a meus ouvidos tapando-os e fechando os olhos.

Eu estava realmente prestes a chorar.

- Ela me disse que quando chegasse a hora para tocar esta musica, você estaria por perto por causa do destino. Ri dela naquele dia. Tem idéia de como fique quando dei de cara com você hoje? Eu não sei se essa porra de destino existe, mais você está aqui e se não tocar esta maldita musica eu juro que estou disposto a fazer de sua vida um inferno. Muito pior do que já é.

Era possível que ele estivesse brincando, mas o jeito que me apertava e me encarava não demonstrava isso.

- Desculpe...Não posso tocá-la. – Choraminguei sentindo as primeiras lagrimas, finalmente escaparem de meus olhos.

- E por que não? – Continuou a encarar-me de modo sério.

- Hizaki...- Hesitei em continuar, mas logo busquei seus olhos procurando terminar a frase. – Hizaki sofre quando ouve esta musica. Prometi que não a tocaria mais na presença dele.

- Ele não está aqui agora. – Ele me olhou de maneira séria mais calma.

- O que? – Realmente não o havia entendido. – Kaya –sama não está aqui. Qual o fundamento de tocar em sua ausência? – Perguntei confuso vendo-o sorrir de soslaio.

- Não dou a mínima para este teste. Fama é algo que realmente não me interessa. Eu toco para mim e por mim garoto. Graças a ela, e ela me disse que você era a pessoa destinada a tocar comigo. Enfiou em minha cabeça um monte de baboseiras como destino. No momento em que o vi quis comprovar isto. – Olhou para o piano ao qual eu estava encostado, voltando a me olhar em seguida. – Toque-a.

- Mas...- Tentei rebater.

- Ele não está aqui.

- Seu violino também não. – Disse com a voz ainda chorosa.

O vi caminhar até um pequeno armário e tirar uma chave dourada de um dos bolsos. Destrancou o mesmo e deste tirou um violino de cristal.

Trancou o armário novamente e caminhou até mim.

- Vou tocar com este.

- Por que? – Fiquei confuso. Realmente não estava entendendo mais nada.

- Uma promessa.

- Promessa?

- Apenas toque. – Disse sério enquanto já posicionava o violino em seu ombro.

Caminhei até o piano branco da marca Pegasus. O piano de Lílian-sama.

- Está familiarizado com este piano? – Perguntou de modo calmo chamando minha atenção.

- Eu tocava nele. Mais depois da morte de Lílian-sama...

- Masashi o trouxe para cá. – Disse me cortando. – De acordo com ele era uma recordação dolorosa para seu irmão.

- Sim. – Sorri sem graça. Claro que ele saberia disso.

- Desde então ninguém toca neste piano, a não ser Masashi. Já o vi aqui muitas vezes. E algumas vezes, vi Hizaki chorando sobre ele também.

O olhei de maneira surpresa, pois achei ser o único a notar o quanto ele sofria com as lembranças, mesmo que tentasse esconder.

- Faz tempo que não a toco. Posso não lembrar-me perfeitamente.

- Já disse, apenas toque.

Sentei-me diante do colossal piano branco. Posicionei meus dedos sobre as teclas de marfim sentindo meu coração palpitar mais forte.

Respirei fundo contendo a vontade de chorar. Muitas lembranças eram contidas naquelas cordas e naquela melodia.

Enfim meus dedos pressionaram as teclas levemente e ao mesmo impasse ouvi as cordas de Yuki seguirem minha melodia.

Acompanhavam-nas perfeitamente, sem nenhum de nós termos de nos esforçar para isto.

Continuei a pressionar as teclas a medida que o som do violino invadia minha mente fazendo com que eu tocasse junto a ele em uma conexão incrível.

Não imaginava que esta musica fosse tão incrível.

Não imaginava.

“- Teru...Você consegue tocar minha musica?” O rosto surpreso dela voltou a minha mente de maneira tão real que era como se ela estivesse ali.

“ – Sabe Teru-chan, tem um rapaz que toca esta musica em um violino. Se um dia conseguir tocá-la junto ele, você vai perceber que esta musica é a mais bela do mundo.”

Seu sorriso era constante em minha mente. Tão perfeito que quando notei, eu já chorava.

Ela tinha razão, era a musica mais bela do mundo.

Bela por sua melodia, mais principalmente por suas memórias.

O violino de Yuki me dominava completamente. Eu não tinha sequer coragem de olhá-lo.

Não desviei meus olhos das teclas do piano até que a musica chegasse ao fim, e quando esta chegou nossos olhos misteriosamente se cruzaram.

A face de Yuki era uma mistura de tristeza e surpresa, enquanto o violino ainda jazia sobre seu ombro.

Minha face estava dividida entre minhas lagrimas e minhas lembranças, e meus dedos ainda estavam pousados sobre as teclas do piano.

O silêncio dominou a sala e nós apenas nos olhávamos, como se pudéssemos desvendar um ao outro com este ato.

- BRAVO. – A voz de Kaya-sama nos tirou de nosso transe momentâneo fazendo com que ambos dirigíssemos nossa atenção a porta.

Onde vi Kaya deslumbrado, Masashi surpreso e Hizaki chorando.

Levantei-me diante do piano e quase que ao mesmo instante Hizaki correu para algum lugar sendo observado com confusão por todos.

Mais eu o entendia. Dolorosamente.

Apressei-me a sair de trás do piano mais enrosquei um de meus pés e caí.

Até mesmo em uma hora destas eu consigo ser um inútil.

Senti uma raiva imensa de Yuki por ter-me feito tocar esta musica.

Kaya-sama veio apressado em minha direção, segurando meu braço e me colocando de pé.

- Está tudo bem meu amor? Se machucou? – Perguntou preocupado ao passo que eu já estava pouco me importando se estava chorando ou não.

Eu nunca faço nada direito. Eu sempre estrago tudo. Não importa o quanto eu me esforce as coisas nunca saem como eu quero. Mais até hoje, a única coisa da qual eu me orgulhava era de nunca ter feito meu amigo chorar.

Até ele aparecer. Olhei sério pra Yuki que continuava a me encarar com a face calma e despreocupada.

Apressei-me em sair da sala e quando passei por Yuki não pude evitar diminuir o passo e sussurrar num tom que ele me ouvisse.

- Não devia ter confiado em você. – Não disse isso com ódio. Disse com a mais profunda tristeza.

Ele não disse uma única palavra. Não se desculpou, não riu. Apenas me olhou na mesma intensidade. Com uma expressão que não pude decifrar.

Segundos depois corri para fora da sala, esbarrando em Masashi e tirando-o do meu caminho.

Corri por aqueles corredores com o coração palpitando, estava preocupado, estava triste e decepcionado.

- Hizaki... – Sussurrei desesperado por não conseguir encontrá-lo. – HIZAKIII...- Gritei sem me preocupar com o fato de estar em uma escola.

Continuei a correr sem rumo. Corri até perder o ar e em cada canto que olhei Hizaki não estava.

Eu estava prestes a desistir quando por azar, muito azar mesmo, esbarrei em Kamijo.

- Gomem. – Sussurrei sentindo meu coração acelerar ainda mais. Acho que realmente gostava dele.

- O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI? E POR QUE ESTÁ CORRENDO ASSIM? – Gritou comigo me fazendo dar um passo para trás.

- Eu só...Eu só estava...- Eu não sabia ao certo o que fazer, sempre ficava nervoso perto dele.

- Só estava o que? DESEMBUCHA GAROTO...- Gritou irritado me fazendo dar um tranco no lugar.

- Eu...- Disse com a voz chorosa me controlando pra não sair correndo.

- Aff. Esquece vou te levar para fora daqui. – Avançou em minha direção agarrando meu braço e me deixando totalmente sem reação. Apenas o olhei assustado.

- Kamijo. – A voz conhecida num tom assustadoramente tenebroso me fez estremecer ainda mais. – Solte-o. – Yuki se aproximou a passadas calmas.

- Mas...

- Mandei soltar. – Lançou um olhar assustador para Kamijo que ainda rebateu.

- Você não manda em mim.

- Vai mesmo querer discutir sobre isso agora? – Arqueou a sobrancelha de um modo ameaçador e de imediato Kamijo me soltou.

Yuki voltou sua atenção para mim e eu voltei meus olhos para o chão. Não queria encará-lo, por mais que ele tivesse me salvado.

Senti algo pousar em meu queixo e arregalei meus olhos quando notei ser a vareta do violino de Yuki.

Com a mesma ele ergueu meu rosto para ele, me olhando de forma tão intensa que fui incapaz de desviar os olhos.

Em seguida ele pousou a vareta de cristal na lateral de meu rosto, forçando-a levemente, fazendo-me virar a face de encontro a uma sala.

Levantei meus olhos para o alto da porta, checando que sala era aquela.

“Salão principal de dança”

Arregalei meus olhos dando-me conta do obvio.

Sem ao menos eu notar, a vareta de cristal afastou-se de meu rosto e ouvi a voz grave soar.

- Você ainda não olhou aí. – Me sentia tão idiota que nem ao menos fui capaz de agradecê-lo.

Quando finalmente pude despregar meus olhos da placa sobre a porta, Yuki-san já arrastava Kamijo pelos corredores.

Suspirei escancarando a porta e adentrando a sala, topando com a figura de meu amigo sentado diante do colossal espelho, abraçando seus joelhos.

Aproximei-me devagar e de cabeça baixa. Tinha a intenção de pedir mil desculpas, até que ele falou:

- Você toca exatamente igual a ela. Não! Você é melhor que ela. – Voltou-se para mim sorrindo entre as lágrimas.

- Desculpe eu não queri...

- Obrigado Teru. – Disse de forma tão sincera que me obrigou a encará-lo, mais seu olhar já estava perdido no espelho. – Ver você e Yuki tocar...Foi como se ela estivesse ali...Fiquei tão feliz, que não pude evitar chorar.

- Hiza-Chan...

- Eu me perguntava por que você nunca mais a tinha tocado. Muitas vezes eu tentei tocá-la naquele piano, mais eu nunca consegui. – Riu de maneira amarga. Eu odiava. Odiava quando via aquele sorriso estampado no rosto do meu amigo.

- Desisti de tocá-la por que pensei que ela lhe fazia mal. – Disse formando um bico enquanto brincava com meus dedos. Eu me sentia bobo agora.

- Obrigado Teru. – Voltou-se para mim desta vez sorrindo abertamente. – De verdade. – Só pude sorrir junto a ele, ao passo que suspirei aliviado.

~~ Masashi Pov ~~

Eram quase 20:00 horas e eu havia acabado de sair do banho e estava me arrumando para o jantar sugerido por Hizaki.

Eu queria muito arrebentar a cara dele por sugerir algo assim, ainda mais em um dia tão exaustivo.

Já estava perdendo a paciência com aquela maldita gravata dos infernos que, não importava o quanto eu me esforçasse, estava ficando torta.

Desatei o nó com uma força desnecessária, saindo da frente do espelho e caminhando até sala.

Desci pelas escadas a medida que, sem sucesso, ainda tentava fazer aquele nó.

A sala de jantar estava impecável. Por um momento me lembrei dos jantares que minha mãe oferecia todos os meses para os diretores e professores da escola.

Lembro-me de todos ficarem encantados com Hizaki.

Aquela mesa realmente estava bem parecida com as que minha mãe montava.

Apenas percebi meu leve devaneio quando Hizaki depositou a bandeja com a salada bem montada sobre a mesa.

Desviei meus olhos para ele vendo-o sorrir.

- Será que Kaya-san irá gostar? – Perguntou com um brilho empolgado no olhar. Fazia tempo que não o via assim.

- Kaya é um admirador da elegância e da excentricidade. Como tudo aqui está muito exagerado, creio que ele irá adorar. – Disse sério vendo-o ficar um pouco desanimado.

- Está tão exagerado assim? – Perguntou meio entristecido enquanto olhava para a mesa que tenho absoluta certeza de ter demorado umas três horas para preparar.

- Como eu disse, está do jeito que ele gosta. – Disse calmo.

- A gravata...Está torta. – Apontou para minha gola com uma expressão confusa.

Bufei tentando novamente arrumá-la, estava quase tirando-a.

- Espere, eu arrumo...- Caminhou até mim a passadas curtas, parando a minha frente e envolvendo o pano fino nas mãos pequenas.

Desatou o nó, refazendo-o de maneira calma e delicada.

Talvez fosse esta delicadeza que faltava. Hizaki era tão pequeno que quase ficava nas pontas dos pés para alcançar meu colarinho.

Seus olhos atentos prestavam completa atenção no nó que ele fazia, mais meus olhos, por alguma razão se fixaram em seus lábios rosados.

Uma enorme vontade de beijá-lo tomou conta de mim. Era realmente difícil manter o controle.

- Você deve mesmo estar cansado, nem ao menos conseguiu fazer algo tão simples. – Sorriu de soslaio terminando de ajeitar o pano em meu pescoço. – Pronto. – Sorriu de abertamente colocando ambas as mãos estendidas em meu peito.

Levantou os olhos para mim e no momento que cruzamos os olhares, o sorriso outrora em sua face acabou por morrer.

Existia apenas aquela tensão e aquela intensidade.

Senti que todos os meus esforços para permanecer indiferente iriam para o inferno.

Aproximei meu rosto do dele vagarosamente e ele não recuou como eu imaginei que faria.

Odiava perder meu controle desta maneira, mais confesso que por hora estava poço me importando.

Quando nossos lábios estavam quase conectados ouvi o som estridente da campainha, que nos trouxe imediatamente de volta a razão.

Afastei-me um passo de maneira brusca, me amaldiçoando internamente por ser tão fraco.

Ele fez o mesmo, desviando os olhos envergonhados em direção ao chão.

- Eu...Eu atendo, deve ser o Teru. – Gaguejou e eu apenas sacudi a cabeça afirmativamente.

Ele correu para sala em direção a porta e eu me aproximei da mesa, apanhando um copo e enchendo-o com água.

- Qual o seu problema Masashi? Se controla porra. – Repreendi a mim mesmo despejando o liquido goela a baixo e depositando o copo com força exagerada sobre a mesa.

Logo vi os dois se aproximarem, Hizaki não me olhava nos olhos, provavelmente ainda envergonhado.

- Boa noite Masashi-san. – O pirralho de cabelos prateados me cumprimentou com um sorriso INEGALVENTE fofo.

- Boa noite Teru. – Disse calmo mais de modo sério. Eu estava impressionado com seu visual.

Ele sempre exagerava nas roupas, mais não se podia negar que o estilo exagerado lhe caia muito bem.

Estava com um sobretudo branco com bordados dourados. Uma camisa branca lisa habitava a parte interior do sobretudo, mais o mais chamativo era o shorts curto contrastado com a bota de cano longo.

Um estilo muito interessante. Fico pensando o que Teruki pensaria disso, até por que se meu irmão usasse algo do tipo eu o mataria.

- Uaaau Hiza-chan! Ficou muito lindo. – Disse o pequeno que hoje estava com os cabelos soltos enquanto observava a mesa.

- Obrigado, me esforcei muito. – Sorriu.

- Melhor você subir e se arrumar. Kaya chegará em instantes. – Comentei o fazendo lembrar de que ainda precisava se arrumar.

Agarrou a mão de Teru correndo escada a cima.

Me dirigi até a sala me jogando no sofá.

- Vai ser uma longa noite. – Resmunguei massageando as têmporas. Tantas coisas acontecendo juntas, e aquela vontade predominante de matar o Yuki.

Novamente ouvi a campainha soar. Falando no diabo.

Levantei-me desanimado e fui abrir a porta.

Yuki me olhou de relance enquanto acendia um cigarro despreocupadamente.

- Como você pode agir tão naturalmente depois da merda que fez? – Perguntei incrédulo.

- Da mesma maneira que você pode dormir todas as noites depois de foder seu irmão. – Disse com aspereza já passando por mim e adentrando a sala despreocupadamente.

Era essa indiferença que me dava ganas de matá-lo.

- Estou falando sério Yuki. – Bati a porta ao meu lado o encarando.

- E parece que estou brincando? – Me olhou sério.

- Eu realmente não consigo te entender. – Suspirei dando-me por vencido e caminhando de volta para o sofá.

- Então não gaste seu precioso tempo tentando. – Disse seco depositando as cinzas do cigarro no cinzeiro sobre a mesa do telefone. – Isso é assunto meu.

- Mais foi o meu nome que você sujou. – Disse bravo lançando-lhe um olhar mortal.

Ele apenas sentou-se na poltrona cruzando as pernas de maneira elegante enquanto sorria.

- Me desculpe por isso. – Tragou o cigarro novamente.

- Esquece. – Bufei nervoso. – O Kaya está atrasado.

- Ele é a diva da noite. Ele pode estar. – Soltou a fumaça, apagando o filtro e deixando-o dentro do cinzeiro.

- Posso lhe perguntar algo? – O olhei depois de um tempo em silêncio.

- Se eu disser que não você irá perguntar do mesmo jeito.

- Vai me responder com sinceridade?

- Depende da sua pergunta. – Pelo menos ele era sincero.

- Por que tocou hoje? Sei que você é uma pessoa exigente. Já vi você deixar de tocar por muito menos. – Encarei seu sorriso divertido.

- Então esta era sua pergunta. – Ajeitou-se no sofá. – Eu realmente não ia tocar. Mais quando cheguei a escola mudei de idéia.

- Por que? – O encarei curioso e ele me fitou por um longo tempo em silêncio, como que decidindo se ia ou não me contar.

- Tinha algo para constatar só isso.

- Que? – Agora eu o entendia menos que antes. Se bem que não tive tempo para pedir um esclarecimento, já que a campainha soou outra vez.

- Kaya-sama chegou. –Disse Yuki indo atender a porta.

Ao abri-la vimos Kaya em seu vestido estilo princesa e cheio de rendas na cor preta.

Lhe caia bem.

- Boa noite meninos. – Disse com o sorriso largo. – Oh, sua casa é linda Masashi. – Disse deslumbrado enquanto olhava tudo a sua volta.

- Obrigado.

- Onde está Hizaki? – Pelo jeito ele foi mesmo com a cara de meu irmão.

- Se arrumando. – Disse com um sorriso.

- Ah sim. – Caminhou até o sofá sentando-se no mesmo.

Ouvimos um barulho nas escadas e dirigimos nossa atenção para lá, de onde desciam Hizaki, sendo seguido por Teru.

Meu queixo foi ao chão quando vi como meu irmão estava vestido.

Os cabelos estavam soltos, com cachos nas pontas e uma flor vermelha adornava a lateral de sua cabeça, prendendo uma mexa de cabelo.

Estava com um vestido estilo lolita, que alcançava o meio de suas coxas. Também usava uma bota cano longo e um espartilho.

Eu nem sabia que meu irmão tinha este tipo de roupa.

- Boa noite Kaya-san. – Caminhou até o outro que estava com os olhos brilhando.

- Hiza-chan você está uma doçura neste vestido. – Disse quase babando, deixando meu irmão sem graça. – Teru-chan você também está divino. Vocês estão magníficos.

O garoto menor apenas fez um sinal positivo com a cabeça enquanto parecia totalmente incomodado sob os olhares nada discretos de Yuki.

- Boa noite Yuki-san. – Hizaki cumprimentou-o com um sorriso.

- Boa noite Hizaki. – Fez uma reverência elegante.

Teru apenas o olhou, desviando os olhos para o chão em seguida. Afinal o que aconteceu entre estes dois?

- Kaya-san, venha por aqui. – Hizaki segurou a mão de Kaya arrastando-o para sala de jantar, nós os seguimos.

- Uau. Tudo que você faz é perfeito garoto. Imagino como você era dançando. – Comentou sorrindo.

- Não era tão bom assim. – Meu irmão sorriu amarelo.

- Humildade é característica dos alunos de sua escola Masashi? – Kaya me olhou, eu sabia em que ponto da história ele queria chegar, e Yuki também pareceu perceber.

- Ao que parece. – Dei de ombros sentando-me ao lado de Hizaki.

Kaya estava na ponta da mesa de modo que Yuki e Teru estavam lado a lado também.

Hizaki levantou-se servindo a todos nós.

Começamos a comer, a conversa fluía tranquilamente, falávamos de vários assuntos.

O clima estava agradável, até que Kaya resolveu descobrir mais sobre Yuki.

- Yuki-san, com que idade começou a tocar violino? – Já estávamos na sobremesa, eu e Yuki a havíamos rejeitado, não somos adeptos de doces.

- Aos 8 anos de idade. – Respondeu calmamente enquanto levava a taça de vinho aos lábios.

- E por que violino? – Perguntou curioso.

- Uma vez vi alguém tocar. Fiquei tão impressionado que comecei a fazer aulas.

- Você é impressionante Yuki-san, quase um gênio, na minha opinião. – Comecei a notar o desagrado de Yuki com o rumo da conversa quando ele me olhou de modo sério.

- Você diz isso por que nunca a viu tocando. Lílian-sama sim era um gênio. – Disse sério.

- Gostaria de vê-la tocar. Soube que você e Teru foram alunos especiais dela. Soube também que apenas Teru sabia a versão do piano da musica que tocaram hoje. Existe alguma razão?

Kaya sabia que estava sendo inconveniente. Neste ponto Yuki realmente estava superado, pois Kaya não desistiria, não importa quanto ele resista.

- Sim existe. – Disse depois de um tempo surpreendendo a todos. – De acordo com ela é muito difícil achar alguém que possa ser compatível com minhas notas.

- Oh Teru, isso é uma grande honra. – Voltou-se para o garoto sorrindo. – Mais Yuki-san...- Voltou-se novamente para meu amigo. Estou com uma má impressão. – Poderia me dizer por que desistiu?

Yuki suspirou pesadamente, sorvendo um gole do liquido vermelho na taça.

- Desistiu? Desistiu de que? – Hizaki e Teru pareciam perdidos na conversa.

- Yuki desistiu de solar com Kaya. – respondi sério. O Clima estava mesmo tenso.

- Sim. – Disse Kaya. – E eu realmente gostaria de saber por que.

- Não é uma coisa que vocês precisem se preocupar tanto. – Yuki disse de forma séria, controlando a raiva. Eu sei o quanto ele odeia situações assim. – Apenas não quis tocar por que...- Por alguma razão os olhos de Yuki se cruzaram com os de Teru. – Não era para vocês terem ouvido esta musica.

Fiquei a ver navios. Realmente não entendi. O único que parece ter entendido algo foi Teru, que se engasgou imediatamente.

- Teru-Chan...Erga os braços...- Hizaki correu em seu socorro e Kaya observava tudo de olhos arregalados.

O garoto ainda tossia descontroladamente enquanto Hizaki segurava seus braços no alto.

- Masashi...Acho que estamos por fora de alguns assuntos. – Kaya sussurrou para mim que mantinha minha cara de retardado ao olhar a cena.

- Pois é! Também acho.

- Beba água. – Hizaki entregou o copo para o menino que sorveu pequenos goles do liquido transparente.

Suas tosses pararam e então o silêncio crucial se instalou. Todos queríamos uma resposta, que ao que parece só Teru ou Yuki poderia dar.

- Yuki-san...- A voz de Teru se fez presentes e todos prestamos total atenção. – Poderia reconsiderar? – Olhou-o nos olhos. Yuki cerrou os olhos sobre o garoto por algum tempo, mais logo voltou sua atenção para taça de vinho, a qual sorveu todo o liquido restante.

Disse sério quando o fundo da taça pousou sobre a mesa:

- Não!

Notas finais
SAD VIOLIN: http://www.youtube.com/watch?v=-EQ6eHeBrhM&feature=related
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