Ciranda

8 Capítulo 6 - Kissu


Notas iniciais
Oi pessoas *-*
Demorei um pouco né ç.ç
Então tive um imprevisto e fui obrigado a passar o fim de semana fora T~T...
Mais aqui estou com mais um chappie que espero que agrade ♥
Fiz uma surpresa especial pra vc's que está no final desse Chappie...
Betagem da Mallany ♥
LEIAM AS NOTAS FINAIS....U.U

~~Masashi pov~~

Ele não parecia ter medo. Ao contrário, parecia sentir prazer em meus toques.

Eu sabia que quando me dedicava, lhe causava algum prazer, mais dessa vez estava diferente.

Ele não me pediu pra parar, e nem tentou desvenciliar-se de minha mão. Uma de minhas mãos subiu pela lateral de sua cintura, sob o fino pano da regata roxa.

Nossos olhos ainda estavam cruzados. Levei minha mão até sua nuca emaranhando-a em seus cabelos soltos.

Puxei os fios com delicadeza, inclinando sua cabeça para trás. Meus lábios tocaram seu pescoço de maneira calma, fazendo-o suspirar.

Seu corpo se movimentava levemente sobre o meu, pressionando meu membro, me causando uma gostosa sensação.

Suas delicadas mãos pousaram em meus ombros, cravando suas unhas nos mesmos. Gemi.

Um desejo sem explicação me invadia por completo, tomando conta de todos os meus sentidos.

Minha língua percorreu a pele de seu pescoço, até chegar a seu maxilar. Soltei seus cabelos, e ele aproximou mais, ficando a centímetros de meu rosto.

Sua respiração chocava-se contra a minha. Seu corpo tremia sobre minhas mãos e meu coração parecia querer rasgar meu peito.

Que sensação é essa? Eu estava confuso.

O prazer que eu sentia quando o violava, era um prazer amargo e culposo. Esse, mesmo que eu tivesse plena consciência de que estou traindo minha mãe, era um prazer calmo. Mutuo.

Aproximei meus lábios dos dele, ele suspirou fechando os olhos. Estava me dando um sinal de aceitação... Pode não parecer, mais conheço Hizaki melhor que ninguém.

Cheguei mais perto... Nossos lábios roçando um ao outro. Eu realmente... Não sei mais o que estou fazendo.

Avancei um pouco mais os lábios em direção aos seus e ele recuou minimamente.

Parei o ato olhando diretamente em seus olhos a uns 5 centimetros de distância.

Eu nunca tinha reparado. Talvez fosse por estar tão longe, mais eu nunca tinha notado quantas tristesas e dúvidas meu irmão carrega no olhar.

Fui eu quem fiz isso com ele?

Seus olhos ainda estavam presos aos meus, duvidosos, hesitântes.

Essa era a primeira vez em que realmente estivemos próximos nesses cinco anos.

Esperei até que ele estivesse preparado e voltei a aproximar os lábios dos dele.

Ele não recuou. Pressionei meus lábios contra os dele com leveza. Ambos fechamos os olhos depois disso.

Só sentira a maciez desses lábios duas vezes. Uma no parque quando ele tinha 11 anos. Mais ele pareceu se esquecer. E a outra, na manhã em que me senti o pior monstro do mundo.

Aquele beijo, matou os fraguimentos do Masashi de antigamente, deixando apenas essa casca fria e sem sentimentos no lugar.

Mais agora, novamente por um beijo, a realidade está mudando.

Movimentei os lábios devagar, capturando seu lábio inferior entre meus dentes e puxando-os de forma sensual a medida que meus dedos fincavam-se em sua cintura.

Suas mãos apertaram meu ombro com mais força, a medida que abrimos os olhos lentamente um para o outro, nos encarando com seriedade e silêncio.

Aqueles olhos...Meu vício e minha perdição.

Ataquei seus lábios furiosamente, envolvendo meus braços em sua cintura de maneira possessiva. Suas mãos subiram de encontro a meus longos cabelos negros, emaranhando-se nos mesmos.

Minha língua invadiu sua boca, passeando por sua cavidade descobrindo novos prazeres em um simples beijo.

A pressão de seu membro contra o meu, ficava cada vez mais enlouquecedora... Eu realmente estava a ponto de perder completamente a razão.

Nossa atenção foi desviada e o beijo interrompido quando ouvimos o toque de meu celular ecoar pela sala mal iluminada.

Ficamos um tempo ainda nos encarar, mas os olhos arregalados de meu irmão me fizeram notar que ele tinha voltado a razão. Não precisaria mais do que dois segundos para ele pular de meu colo.

Apanhei o celular ao meu lado e atendi. Hizaki fez menção de se levantar, mais puxei seu pulso o trazendo novamente para meu colo.

- Diga Kai. — Disse com a voz fria. Notando o rosto de meu irmão se contrair em uma expressão de desespero. Novamente tentou levantar, mais era impedido por mim que agarrava seu pulso com força.

- Como está o Hizaki?- A voz de meu tio também não era das mais calmas.

- Está inteiro. — Disse sorrindo debochado. Guiei minha mão para o membro de Hizaki, sentado em meu colo de frente para mim com as pernas abertas.

- Não use de irônias comigo. — O sermão iria começar novamente. Hizaki tentou se livrar de minha mão, parou quando apertei seu membro com mais força o fazendo gemer.

- Não estou sendo irônico...AINDA. — Resaltei a última palavra. Enfiei a mão por dentro da cueca de meu irmão tendo contato direto com seu membro.

- Ma...Sashi...- Sussurrou agoniado. Eu sei que ele estava morto de medo de ser ouvido por Kai.

- Fiquei sabendo que deu um tapa em Hizaki. — Disse com a voz séria. Sorri vendo o rostinho bonito de Hizaki se contorcer a medida que eu o masturbava lenta e torturantemente.

Eu sabia que assim que ele se deu conta do que fazia ele tentaria fugir. Estou sendo um covarde por usar essa ligação, e a vergonha de Hizaki para mantê-lo calado enquanto sofre mais um abuso.

- Sim eu dei. — Disse simplesmente me deliciando com as expressões e os gemidos quase inaudíveis de meu irmão.

- Acha que sendo violento vai obriga-lo a te respeitar? — Perguntou já alterando a voz. Ah se você visse isso Kai. Você me mataria. Mordi o canto de meus lábios.

Acelerei os movimentos, vendo a respiração de Hizaki falhar, a medida que ele tentava desesperadamente desprender minha mão de seu sexo.

Ele estava próximo.

- Minha responsabilidade Kai. Não se meta. — Disse de modo áspero sentindo o liquido de meu irmão lambuzar-me a mão ao passo que um gemido mais agudo e languido deixou seus lábios entreabertos.

- É claro que me meto...- O corpo de Hizaki despencou sobre o meu e sua testa se apoiou em meu ombro. Ainda ofegante, tentava a todo custo recuperar o ritmo de sua respiração.

- Até amanhã Kai. — Desliguei o celular sem se quer deixá-lo falar. O silêncio permaneceu por alguns segundos, até que ouvi uma voz fraca soar próxima a meu ouvido.

- Por que? — De início não entendi a pergunta, mais notei que ele não precisava de uma resposta pra continuar. — É tão divertido assim me humilhar?

A voz não representava ódio, mais em compensação estava sobrecarregada de tristeza e exaustão.

- É. — Disse com uma cruel frieza, o vendo levantar o rosto aos poucos para mim.

- Até mesmo as suas palavras são afiadas como faca. — Sorriu amargo ao passo que os cabelos cobriam-lhe parte do rosto.

Sorri, virei-me para o lado pegando o maço de cigarros, retirando um e colocando-o nos lábios.

- Quanto tempo? — Perguntou calmo ainda sentado sobre mim.

- Quanto tempo o que? — Perguntei indiferente a medida que acendia a ponta do cigarro, tragando-o de maneira longa.

- Quanto tempo mais terei que suportar tudo isso até que você volte a ser meu Sashi-niisan? — Sua voz falhou no final da frase me fazendo encará-lo.

Ele me olhava de maneira séria. Esperei para ver se ele choraria, mais não, ele continuou como estava.

Traguei a fumaça do cigarro, prendendo-a em meus lábios. Com uma das mãos agarrei seu maxilar puxando-o de encontro a mim.

Suas mãos estavam apoiadas sobre minha barriga e seus olhos permaneciam em meu rosto. Apaguei o cigarro no cinzeiro sobre a mesa ao lado, e voltei-me para ele aproximando meu rosto do seu.

Pressionei os lábios sobre o seu, soprando a fumaça para dentro de sua boca, o surpreendendo. Separei os lábios olhando em seus olhos.

- Isso é tudo que posso fazer por você...Zaki-chan. — Vi a surpresa estampada em seus olhos, mais logo sua expressão se suavizou e um sorriso tomou conta de seus lábios, a medida que uma lágrima solitária escorregava por seu rosto morrendo no triste sorriso.

Pelo seu olhar parece que você ainda se lembra do nosso primeiro beijo Hizaki. O beijo que me viciou em você.

Me abraçou forte escondendo o rosto em meu ombro.

- Fique assim só por mais alguns segundos...Ne...Sashi-nisan...- Retribuí o abraço enquanto suas lágrimas molhavam-me os ombros.

E assim ele chorou na minha frente pela primeira vez depois de 3 anos. Não chorou por meus maus tratos, pelas minhas agressões ou por minhas palavras cruéis.

Mas chorou com a esperança de me ter de volta mesmo que por segundos. E quando eu notei, ele já adormecera em meu colo e meu rosto também estava marcado, marcado pela lágrima de culpa, de dor...e de solidão. A culpa, a dor e a solidão a qual eu mesmo me condenei a ter.

~~Aoi Pov's~~

Hoje por alguma razão eu havia acordado bem mais tarde que o normal.

Ruki já estava de pé, comendo uma torrada distraidamente a medida que olhava uma revista de fofoca. Sorri o olhando de longe.

Tanto no tamanho como no jeito de comer...Ele é uma criança.

- Acordou com as galinhas? — Disse simplesmente o fazendo pular no lugar.

- A-Aoi? — Me olhou com cara de tonto. — Por que você ainda está aqui?

- Perdi a hora. — Dei de ombros enfiando as mãos nos bolsos.

- Eis aí um milagre. Torrada? — Ofereceu-me o que comia e eu apenas recusei.

- Estou saindo. Vê se não se atrase. — Disse sério.

- Sim senhor gerente. — Debochou voltando a folhear a revista.

Toda manhã eu saia primeiro que eles. Se estando longe eu ja sofria com as trapalhadas desses três, estando perto eles me matariam.

Cheguei ao portão pensativo, saindo de meus devaneios quando escutei o choro agoniado de Koron, o Hamister...Quero dizer, cachorro de meu primo.

Falando nisso, por que ele não está tentando tranzar com minha perna ainda?

Olhei em volta procurando o grunhido do cachorro, me deparando com o mesmo preso em uma coleira.

Então o Ruki finalmente prendeu esse estorvo em forma de cachorro.

Ri de meus pensamentos enquanto o animal me olhava com os olhinhos redondos como se implorasse pra ser solto.

- Não vai adiantar "titiu". — Mostrei-lhe a língua.

♦♦♦

Não moravamos tão longe do café, então eu sempre seguia para lá andando tranquilamente enquanto tragava meu cigarro.

Mais havia uma razão em especial para eu sair mais cedo todos os dias.

Sempre que eu passava por um parque coberto por sakuras por volta das 7:30 da manhã, eu via Uruha sentado em um dos balanços.

Ele sempre ficava lá, olhando para as flores caindo enquanto seus pés impulsionavam o balanço minimamente.

Ele nunca reparou em mim.

Mas na primeira vez em que o vi lá, eu me apaixonei.

Já eram por volta de 8:15 da manhã, ele certamente não estaria mais lá.

Mesmo depois de tudo o que ouvi após me declarar, acho que ainda existe uma chama desse amor idiota em meu peito.

Fui arrancado de meus pensamentos num baque quando senti um corpo em movimento — rápido — chocar-se contra o meu ombro, me fazendo adiantar um passo desajeitado.

- EEEI...- Gritei para as duas criaturas que corriam feito mulas desembestadas, enquanto me recumpunha.

- Gomem Yuu-san... — Hizaki gritou com um sorriso sem parar de correr.

- Ohayou Yuu-san... — Teru acenou de forma exagerada enquanto o largo sorriso tomava conta de seus lábios.

Logo um Koron enfurecido passara por mim latindo feito um louco, e então pude ver Ruki, correndo de forma mais desengonçada que o cachorro, com o corpo impulsionado pra frente, uma mão tentando alcançar o animal e gritando feito um louco:

- SENTA KORON...SENTA...KORON FEIO...- Os dois garotos da frente cortaram caminho, saindo da rota normal e pulando a pequena grade que separava a estreita rua dos gramados do parque e mesmo com aquela cena deplorável eu pude sentir a boa energia que aqueles três desastres proporcionavam.

Eu sempre os achei barulhentos, irritantes e totalmente problemáticos... Mas pensando bem...Gosto deles assim, não quero que eles mudem.

Enfiei a mão no bolso do casaco retirando do mesmo a tira de couro longa com detalhes em strass.

Sorri a encará-la me lembrando que aquele maldito rato era igual ao dono, conseguia me convencer a fazer qualquer coisa apenas com o olhar.

Aproximei-me de uma lata de lixo e atirei a coleira dentro da mesma.

Já me preparava para voltar a andar quando uma força sobrenatural me fez olhar em direção ao balanço, e lá estava ele.

Cabeça baixa... E chorando.

Notei que seu celular tocava inumeras vezes e ele o desligava sempre, sem atender.

Todos deviam estar preocupados, e procurando-o desesperadamente, ele realmente é uma pessoa egoista.

Ele virou o rosto para mim e nossos olhares se cruzaram enquanto as flores da cerejeira voavam com leveza.

Estreitei meu olhar sobre ele ao passo que ele seguia a me encarar sem expressão. Ele parecia tão perdido... Não parecia o Kouyou de ontem.

Senti uma pontada em meu peito quando me lembrei das palavras. Não era dor ou mágoa. Era uma pontada de orgulho, orgulho ferido pra ser mais exato.

Desviei os olhos com descaso, voltando a caminhar despreocupadamente em direção ao meu destino. E ele... Ficou ali.

Eu nem bem dera três passos de onde estava e arranquei meu celular do bolso, acessei a internet pelo mesmo buscando o telefone de uma companhia. Encontrando-o passei a discar o número com calma ao passo que continuava a caminhar sem olhar para trás.

- Moshi, Moshi...- Ouvi a voz preocupada.

- Por favor, desejo falar com o senhor Suzuki Akira.

♦♦♦

- Kai-san...Pelo amor de Deus, diga que isso é brincadeira. — Eu o olhava esperançoso ao passo que segurava o vestido estilo lolita preto e branco e cheio de babados.

- Ah qual o problema Yuu-san...Vai ficar muito bem em vocês e é só por hoje ok. — O filho da puta sorriu de orelha a orelha.

- Não é tão ruim assim Aoi. — Disse o cretino do Ruki já vestido com aquele micante vestidinho de garçonete hentai.

-Ruki meu querido...- Respirei fundo contendo ímpetos de pisotea-lo até a morte. — Se em você que é uma espécie rara de pigmeu anão, esse vestido na ficou curto, IMAGINE SÓ EM MIM. — Gritei me apontando.

- Mais o seu vestido é no tamanho ideal pra voc...PIGMEU ANÃO É A VOVÓZINHA.

- Sua avó é a mesma que a minha...- Estapeei minha própria testa tentando me acalmar.

- Nesse caso é sua outra vovózinha. — Colocou as mãos na cintura me mostrando a língua.

Eu vou enforcar esse carcereiro de gaiola num pé de cebolinha...JURO QUE VOU.

- Né Ruki-chan...Eu também tenho um pro Koron. — Kai levantou o mine vestidinho tamanho "camundongo" mostrando para Ruki. — Onde ele está? — Sorriu retardadamente.

- Kawaii...É lindo Kai-san...- Os olhos do pamonha brilharam. — Ele está nos fundos do café...Eu comprei uma coleirinha pra ele, mais ainda assim ele fugiu.

- O ódio dele por mim é surreal. — Disse Teru se aproximando dos dois.

- KYAAAHHH...- Kai e Ruki juntaram as mãos babando completamente sobre o garoto mais novo, também com o vestidinho, os cabelos presos em maria chiquinhas com dois laços pretos, e a meia fina com babados até o meio das coxas.

- Você está muito desgustável Teru. — Ruki agarrou o menor pelos ombros o abraçando, quase o matando sufocado.

- Ruki-Chan...Ruki-Chan...- Teru agonizava por falta de ar ao passo que Ruki continuava a abraçá-lo.

- Ruki você vai matá-lo seu idiota. — Esbravejei vendo o loiro menor soltar o outro garoto que escapou de seus braços até meio zonzo.

- Gomene Teru-chan...- Disse o loiro preocupado.

- Aff...- Disse irritado calando a boca imediatamente quando vi Hizaki.

Filho da puta. Como pode ser tão lindo vestido como uma garota?

Os três estavam vestidos da mesma forma, mais por uma razão inexplicável, Ruki e Teru estavam fofos...Mais Hizaki...Estava putamente sexy.

QUIETA AOI JUNIOR.

Desviei os olhos imediatamente ao passo que ouvi um sonoro "OOOOW" por parte dos outros três.

O vestido da peste era mais curto que o dos outros...Falando nisso...Por que diabos era mais curto?

FODA-SE! Não me interessa.

Ele estava com a porra do vestido curto e eu nunca tinha reparado mais que pernas eram aquelas. As rendas da meia fina preta, contrastavam sensualmente com as coxas branquinhas.

E como se não bastasse isso o cretino estava com uma gravata borboleta presa no pescoço e orelhas de gatinho.

Ai que inferno.

- Ne tio...Por que o meu vestido é mais curto? — Perguntou o loiro de maneira inocente.

- Por que suas pernas chamam bastante atenção. — Disse Kai com um sorriso. — Minhas lindas garçonetes, a casa estará cheia hoje. Só falta você Yuu.

- Nem fodendo. — Joguei o vestido sobre a mesa.

- Por que Aoi? Você é o gerente, tem que dar o exemplo. — Kai choramingou. Incrivel como as vezes ele aparentava ter a mesma idade dos outros garotos.

- É Aoi...Olha nós já estamos com o clubinho quase completo, nós temos uma loiraça...- Apontou a si mesmo. — Uma prateada...- Apontou Teru que deu uma voltinha. — E uma loira-ruiva. — Hizaki fez uma reverência feminina, dobrando as pernas e segurando a barra do vestido. — Só falta a morena Aoi.

- Você vai ver a morena no pé da sua cara...- Dei um passo a frente mais Kai interveio.

- Fiquem calmos. — Voltou-se para mim, juntando ambas as mãos frente ao rosto em sinal do completo desespero. — Só desta vez...Não peço mais nada. — Implorou.

- Não...Não vestirei essa merda...JAMAIS.

♦♦♦

- Se vocês contarem isso a alguém eu juro que mato um por um. — Disse em tom ameaçador para as três bestas a minha frente.

- Aoi-san você está linda...Digo LINDO. — Se eu pudesse tacava a bandeija bem na testa de Kai que me olhava como um cafetão pervertido.

Pois é. Eu estava com a porra do vestido. Depois de todos implorarem por mais de 40 minutos não pude me recusar. Ainda bem que hoje é sexta feira e o Uruha não vai aparecer por aqui.

Seria realmente vergonhoso.

- Estão preparados? — Kai nos olhou orgulhoso.

- SIM... — Os três pestinhas gritam empolgados ao passo que eu apenas bufei de ódio.

- Pois bem...Nossos primeiros clientes chegaram. — Kai sorriu abertamente. — Façam o seu melhor garotos.

Me virei desanimado dando de topo com Uruha e Reita sentando-se em uma mesa próxima a janela. Imediatamente enfiei a bandeja na frente de meu rosto tentando passar despercebido.

- Ne Hizaki-chan...Você realmente ficou fofo com essa roupa. — Disse o loiro da faixa ao menor enquanto eu tentava sair dali o mais rápido possivel. — Até você está vestido assim Yuu-san? — Disse de forma divertida e eu amaldiçoei Kai até sua décima geração por me fazer passar por isso.

- Eu te odeio. — Sussurrei para Kai parado ao meu lado, onde este me olhava com a maior cara de: "O que foi que eu fiz? ô.ò"

Tirei a bandeija do rosto vagarosamente, mostrando-lhes um sorriso constrangido. Que porcaria.

- Hi...- Disse sem graça fazendo Reita sorrir largo e Uruha rir debochado. Que bela merda.

- Combina com você Yuu-san. Na verdade é a sua cara. — Disse Uruha de modo debochado me fazendo apertar a bandeija em minhas mãos.

- Você acha? — Sorri de modo calmo tentando não expressar a raiva que eu sentia.

- É...Eu acho sim. Acho até que você deveria se vestir assim sempre. — Arqueou a sobrancelha ao passo que o sorriso torto dominava seus lábios.

- Já está na hora de parar não está Uruha? — Disse Reita de modo sério.

- Depois sou eu que não tenho senso de humor né irmãozinho? — Encarou o irmão mais velho com o sorriso, mais o olhar ainda era sério.

O loiro apenas sorriu minimamente.

- Bom, fiquem a vontade. Vou voltar para o balcão. — Sorri.

- Que pena, achei que você nos atenderia. — Uruha parecia disposto a me humilhar novamente.

- Desculpem desapontá-los, mais eu serei seu garçom hoje. — Vi quando Hizaki se adiantou a nossa frente com o sorriso largo e gentil.

Uruha o mediu de cima a baixo, e pelo olhar sentiu respeito por Hizaki estar tão bonito.

Sorri.

- Achei que o cliente tinha direito de escolher os garçons. — Uruha provocou o loiro menor que novamente sorriu passando por cima da irônia.

- E você tem. Eu sou Hizaki, este é Teru e este é o Ruki. Você pode escolher qualquer um de nós. — Disse de modo calmo. O outro o olhava confuso e percebendo isso Hizaki continuou. — Aoi é o nosso gerente. Ele não é um simples garçom, e também é ele quem prepara os pedidos.

Observei Hizaki que agora era fuzilado por Uruha. Obrigado Hizaki...Você realmente me salvou.

- Qual das três graças você quer Reita? — Olhou para o loiro que lhe encarava de forma confusa.

- Três graças?

- Sim...Veja...- Apontou Hizaki. — A sem "graça". — Apontou Ruki. — A desgraça. — Apontou Teru. — E a nem de "graça". — Riu debochado, quando Ruki já era segurado por Hizaki e Teru.

- Você vai ver onde vou enfiar suas três "graças". — Ruki se debatia mais Hizaki conseguiu conte-lo com um olhar repreencivo.

- Calma. — Disse o loiro com uma expressão séria. — Vamos resolver isso com racionalidade.

- Se Uruha conhecesse bem esses três, a essas horas ele já estaria a um quilometro do Alaska.

Ruki se tranquilozou e Hizaki voltou-se para mesa.

- Eu os servirei. — Sorriu. Última chance de você correr Uruha. Sorri.

- Eu vou querer o mesmo café loirinho. — Disse o da faixa com um sorriso gentil.

- E eu vou querer um expresso...

- Duplo, descafeinado com 1/4 de leite desnatado e com adoçante em pó por que o teor de calorias é menor. — Hizaki continuou a ditar o pedido que já anotava em seu caderninho. — Mais alguma coisa? — Olhou com descaso o loiro que estava de boca aberta.

Este fez um sinal negativo com a cabeça e Hizaki os agradeceu saindo diante deles e vindo até o balcão.

- Aqui está Yuu. — Me entregou a cancela com uma cara desanimada.

- Obrigado Hizaki. — Disse sem perceber e ele me encarou surpreso.

- De...Denada. — Gaguejou vermelho saindo rapidamente da minha frente. Ele era encantador.

Comecei a preparar o pedido. Era cedo e os dois eram os únicos clientes ali.

- Hizaki, os pedidos estão prontos. — Gritei e logo o loiro se aproximou apanhando a bandeija.

Caminhou com elegância até eles e serviu primeiro o da faixa, e depois Uruha.

Notei Uruha provar seu expresso e em seguida começar seu showzinho.

- Eca...Está muito amargo. Ei garçonete...- Virou-se para mim com um sorriso vitorioso. — Tem certeza que tem 1/4 de leite aqui? Você devia mudar de emprego, por que você é péssimo nisso. — Cerrei meus olhos sobre ele o vendo sorrir de sosláio.

Estava prestes a xingá-lo quando vi Takanori pegar a pequena jarra de leite sobre o balcão e caminhar para a mesa rapidamente.

Ah não...Ele não vai...

Nem deu tempo de sair de trás do balcão, pois Matsumoto já jogara o conteúdo da jarra, todo, sobre o loiro que agora permanecia surpreso.

- Está bom essa quantidade senhor? Ou prefere com mais adoçante? — Disse o loiro de modo irritado para o garoto ensopado.

- SEU IDIOTA O QUE ACHA QUE ESTÁ FAZENDO SUA LOLITA POUCO SOMBRA? — Gritou Uruha se levantando prontamente.

- Atendendo ao seu pedido boneca estúpida. — Devolveu a aspereza.

- Eu vou quebrar sua cara seu anão. — Empurrou o loirinho o fazendo dar dois passos para trás.

- O QUE? COMO SE ATREVE A RELAR EM MIM? AGORA VOCÊ VAI SABER O QUE É APANHAR. — Ruki imediatamente pulou, em cima de Uruha o fazendo deitar sobre a mesa.

O baixinho enfurecido começou a estapear a face do outro que com muito custo tentava se livrar dos golpes.

As mãos de Uruha agarraram o cabelo de Ruki invertendo as posições e jogando ambos no chão.

Nós estavamos tão surpresos que se quer separamos.

Ruki novamente ficou por cima e começou a arranhar os braços de Uruha que tentava estapea-lo a todo custo.

Percebendo que eu ia em direção aos dois, Reita se adiantou, pegando Ruki que estava por cima e afastando-o.

Uruha tentou ir para cima do loiro seguro que se debatia feito peixe fora da água pra escapar. No entando antes que ele chegasse perto eu agarrei seu braço o puxando para trás em um tranco.

- Chega. — Eu disse com a face fechada o fazendo me encarar surpreso.

- QUEM É VOCÊ SUA MÚMIA? FUGIU DO SARCÓFAGO? ME SOLTA...- Ruki se debatia nos braços do loiro que ria divertido.

- Calma baixinho. — Disse de modo divertido.

- Baixinho de cú é rola seu cretino. ME SOLTA INFERNO. — Esperneou obrigando Reita a segurá-lo mais próximo a seu corpo.

- Solta ele Reita...Deixa ele vir que eu vou mostrar com quem ele está mexendo. — Disse Uruha tentando se soltar de minha mão que pressionou seu pulso com mais força, sem dó de machuca-lo.

- Cale a boca Uruha...Caso você não tenha percebido você estava levando a maior surra. — Reita novamente riu divertido.

- Lógico que não eu só não bato em crianças. — Novamente provocou Ruki que agora tentava chutá-lo de onde estava.

- Criança é o seu passado seu tosco. — Esbravejou o loirinho vermelho de raiva.

- Mais isso é fato Ruki-san...No passado ele realmente era criança.

- CALA ESSA BOCA TERU...QUEM ESTAVA FALANDO COM VOCÊ, ME DIZ? VOCÊ TÁ DO LADO DE QUEM SEU IDIOTA? — Ruki virou-se para o menor que agora se encolhia atrás de Hizaki.

- Além de loiro ainda é burro. — Uruha riu sarcastico.

- Vai se foder seu arrombado. — Ruki novamente tentou se soltar.

- Arrombada é sua mãe que te pôs no mundo. — Imediatamente vi Ruki parar de se debater nos braços de Reita que também estranhou sua reação.

O loirinho colocou as mãos sobre as mãos de Reita, cruzadas sobre seu peito, que encarou o chão em silêncio.

- Não fale assim das pessoas que não estão mais nesse mundo. — Disse de forma severa ao pé do ouvido de Uruha que imediatamente travou ao ouvir minhas palavras.

- Koron...- Ouvi a vóz trêmula de Ruki soar e de imediato o animal o atentendeu. Ruki o encarou, e em seguida ergueu o rosto banhado pelas lágrimas em direção a Uruha. — PEGA!

O animal enfurecido partiu pra cima de Uruha que automaticamente arregalou os olhos se agarrando a mim.

Agora ferrou.

Soltei-o e ele imediatamente correu para trás de Reita que soltara Ruki.

- SEGURA ELE REITA...- O loiro maior gritava encolhido atrás do irmão que encarava o animal apavorado.

- VOCÊ NÃO SABE CALAR A BOCA URUHA? — Reita observava o cachorro que latia feito louco perante ele.

Ruki se aproximou de mim cabisbaixo e eu o puxei em minha direção o abraçando.

- Desculpe. — Sussurrou.

- Tudo bem. — Sorri acariciando seus cabelos. — Acho melhor parar antes que Koron os machuque. Kai-san terá problemas. — Disse de modo calmo.

- Koron-chan...Já chega. — Ruki abaixou-se chamando o cachorro que correu em sua direção.

Tendo uma certa distância do animal, Reita suspirou aliviado lançando um olhar condenatório para o irmão.

- Leve-o lá para trás. — Disse de modo gentil a Ruki que estava com o bichinho no colo. — Teru pegue uma toalha para o senhor Takashima.

Teru prontamente me atendeu voltando com a toalha em segundos.

- Sinto muito pelo incômodo. — Disse fazendo uma reverência ao passo que Reita me olhava envergonhado.

- Era o que se podia esperar dessa espelunca. — Uruha retrucou irritado.

- Abra a boca denovo e verá umas pares de constelações com apenas um soco. — Reita o olhou realmente bravo e este se calou. — Aoi-san...Sinto muito por meu irmão problemático. E a propósito...Obrigado por ter ligado e me dito onde encontrar essa criança egoista.

Novamente sorriu gentil bagunçando os cabelos do irmão que me condenou com o olhar.

- Não se preocupe...Imaginei que vocês estivessem preocupados. — Sorri ignorando a maré de olhares mortais em minha direção. — Se precisarem de algo, peçam ao Teru. Estarei lá atrás se precisarem de mim.

- Ok. — Reita sorriu calmo.

Me retirei de diante deles. Eu precisava muito fumar. Que dia mais filho da puta, e era só a parte da manhã.

Escancarei a porta dos fundos onde havia um pequeno corredor com varias plantas. Era apertado, mais eu gostava dali.

Apanhei o maço de cigarros arrancando um do mesmo e guardando-o novamente no bolso do avental.

Acenti a ponta deste tragando-o longamente e soltando a fumaça devagar a medida que escorava as costas na parede.

- Aff...- Reclamei para mim mesmo. Ouvindo a porta ser aberta e um Kouyou possesso parar diante de mim. Ri soprado ao passo que traguei o cigarro novamente.

- Você é um dedo duro sabia...Quem pensa que é pra se meter na minha vida? — Me olhou bravo. Ai Deus me dê paciência.

- Não apanhou o suficiente? Está afim de levar mais uns tapas? — Perguntei despreocupado a medida que soprava a fumaça do cigarro, vendo sua expressão suavizar e ele dar um passo para trás. Cagão.

- Oh...Você também me bateria Aoi-san? — Perguntou com desdém em um sorriso que apontou em seus lábios. Mais bastou um olhar sério e um curto passo a frente por minha parte, para o sorriso morrer e ele recuar.

- Com certeza. — Disse com frieza. — Se eu fosse você dava o fora daqui antes que meus últimos resquisitos de paciência desapareçam...- Sorri, novamente pousando o cigarro nos cantos dos lábios.

- Belas palavras pra um cara usando saias. — Riu de modo debochado me levando o pouco de saco que eu ainda tinha pra suas provocações.

Virei-me para ele o olhando sério. Joguei o cigarro no chão o apagando com os pés e em seguida parei a sua frente tão rápido que ele sequer teve tempo pra ficar surpreso.

Joguei-o na parede com um empurrão e automaticamente suas mãos pararam diante de meu peito.

Com minha mão obviamente maior segurei seus dois pulsos pressionando-os contra a parede a cima de sua cabeça.

O olhei sério onde ele tentava falar mais sua mente não dava conta de formular as palavras.

Com a mão livre puxei seu cabelo de forma rude o obrigando a me encarar, e sem dizer uma palavra eu ataquei seus lábios de forma violênta.

Seu corpo se debateu sob o meu me obrigando a pressioná-lo ainda mais contra a parede com o peso de meu corpo.

Logo ele se rendeu ao beijo e eu passei a estrupar sua boca com minha língua, arrancando-lhe suspiros e gemidos baixos.

Minha mão escorregou de seus cabelos para sua cintura, a qual enlacei meu braço o trazendo para mais próximo de mim.

Continuei a beijá-lo num ritmo enlouquecedor ao passo que me esfregava contra ele.

Quando o ar pareceu insuficiente para nós dois, eu comecei a me distanciar, mais permaneci a encará-lo.

Seus olhos se abriram me encarando assustado. Os lábios entreabertos tentavam sugar o ar que ele ainda me olhava.

- Posso estar de saias...- Aproximei meus lábios de seus ouvidos onde aumentei ainda mais a pressão em seus pulsos o fazendo gemer pela dor. — Mas comparados a mim, os caras com quem você ficou são umas mocinhas.

Soltei-o de uma vez lançando-lhe um olhar frio e o vendo alizar os pulsos provavelmente doloridos.

- Pervertido...- Disse sem saber ao certo o que pensar, além de estar completamente vermelho.

- Eu disse para você sair não disse? Foi você quem insistiu. Mais fale sério, você nunca beijou seus namorados né? Você ainda era bv. — Ri de modo divertido e ele me encarou nervoso.

- Idiota...Como sabe que eu era bv? Você me perseguia? — Me olhou já com todo o corpo tremendo.

- Fala sério. — Ri soprado novamente. — Não foi preciso fazer isso pra saber gracinha.

- Então como você sabe? — Disse irritado.

- É só levar em consideração o fato de que...- O olhei sorrindo de canto. — Você beija mal pra caralho.

Imediatamente ele ficou ainda mais vermelho, me mostrando o dedo do meio e me empurrando com força para me tirar do caminho da porta.

Saiu pela mesma batendo-a com força. Continuei a sorrir feito um besta. Até perceber um movimento que eu não notara antes, e então vi Hizaki se levantar do pequeno banco que ficava escondido atrás de uns coqueiros e samambaias.

- Hizaki? — O olhei confuso...Eu nem tinha notado que ele não estava no salão.

Ele não disse uma palavra e novamente tentei conversar.

- Hizaki o que faz aqui? — Perguntei de modo sério mais calmo, e então ele levantou os olhos molhados para mim me deixando surpreso.

- Eu...- Levou as costas das mãos aos olhos e secando as lágrimas. — Estou aprendendo o que é aquela coisa que as pessoas chamam de "coração partido".

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Desenho — http://s1.proxy03.twitpic.com/photos/large/408476550.jpg

Notas finais
Espero que vc's tenham gostado do desenho que fiz de uma das cenas desse chappie ♥
Quando quiserem que eu desenho uma cena é só pedir tá...♥
Bjos amores...Eu vou responder todos os review's tá ♥