Ciranda
2 Capítulo 1- Aniki
Notas iniciais
~~Hizaki Pov.~~
Tudo acontecia exatamente igual em todas as manhãs. Eu me levantava duas horas mais cedo do que o horário que tinha que trabalhar.Isso sem contar as noites sem dormir.
Havia algumas semanas que meu irmão havia me dado um tempo e parado de me infernizar.Mais é claro que eu sei que não irá durar para sempre.
Era sempre assim; ele me machucava até que eu chegasse ao meu limite, depois me dava uma trégua para que eu me recuperasse. No entanto, uma vez que minha recuperação estivesse completa, tudo voltava a acontecer. Muitas vezes de maneiras bem pior do que me lembrava.
Pensar nisso fazia meu corpo tremer. Eu odiava se quer me lembrar desses momentos, principalmente por que, eu já estava quase que 100% recuperado dos últimos acontecimentos.
Eu, como de costume, estava terminando de passar o café; de pé na cozinha, com a mente vagando por aleatoriedades diversas, quando senti dois braços fortes, envolverem minha cintura com firmeza, me obrigando a despertar em um pulo.
- Parece que está assustado Hizaki. – Riu cinicamente me causando um tremendo impeto de socá-lo. Isso se eu tivesse o mínimo que fosse de coragem, o que passava longe de ser o caso.
Uma vez mais me calei diante da provocação. Com o tempo acabei me dando conta de que responder a tais provocações e insultos só lhe causavam mais divertimento.
- Não vai me responder, loirinha? – Disse em tom manhoso e irônico, enquanto descansava o queixo em meu ombro, apertando ainda mais o abraço, colando o peito nú às minhas costas.
- Não! – Simples e direto. Essa era a maneira mais eficaz de conversar com meu irmão.
Riu soprado, ao passo que deixou um pequeno beijo na pele exposta de meu pescoço me fazendo arrepiar. Soltou-me em seguida, sem dizer nada.
Fiquei onde estava, imóvel, vendo-o passar a minha frente e abrir o armário fixo à parede, apanhando uma caneca preta de dentro do mesmo.
Observei atentamente o objeto de louça, não conseguindo evitar algumas lembranças que passavam com uma rapidez incrível por minha mente.
~~FLASH BACK ON~~
Me lembro de estar com oito anos, e chorando compulsivamente na cozinha, parado diante dos cacos de uma caneca de louça azul marinho, a favorita de meu irmão.
- Hizaki? O que houve querido? – Minha mãe aproximou-se preocupada, ajoelhado-se à minha frente. Ah como eu amava seu jeito preocupado e dedicado.
Naquele momento estava sendo mais difícil controlar meus soluços do que passar na última fase de “Mario World”.
- Eu... Eu... Que... Quebrei... A... – Soluço – Cane... – Soluço – Caneca... Do nii-san. – Cobria meus olhos com as mãozinhas encobertas pela manga da blusa comprida.
- Ora, não fique assim meu querido. – Passou a mão reconfortante por meus cabelos, me sorrindo ternamente. – Seu irmão já tem dezoito anos, ele irá entender que foi sem querer.
- Eu... Eu... Tentei consertar, olha... – Me abaixei pegando alguns cacos junto a cola branca para papel, ao qual eu havia encharcado completamente parte dos cacos. – Mais não colou. – Voltei a chorar escandalosamente, vendo os cantos dos lábios de minha mãe se repuxarem em um desfarçado sorriso divertido.
- Então façamos assim meu pequeno, você me ajuda a recolher esses cacos e nós dois vamos comprar uma caneca nova para o nii-san, hum? – Sorriu lindamente.
- Mas... Mas... Será que ele vai gostar mamãe? – Tentei secar as lágrimas insistentes.
- Mas é claro que vai. – Disse cheia de confiança. – Por que nós iremos comprar a caneca mais legal do mundo.
- Sério mamãe? – Bastou mais um sorriso por parte dela para meu controle sobre as lágrimas e os soluços voltarem.
- Sim é sério. Agora seque esse rostinho lindo, e vamos logo recolher esses cacos assim compraremos a caneca antes do nii-san voltar do serviço. –
Limpou meu rosto com um guardanapo de papel e em seguida recolhemos todos os estilhaços da louça espalhados pelo chão da cozinha.
♦♦♦
Já na pequena loja de presentes eu me esforçava ao máximo andando entre todas as prateleiras.
Senti as lágrimas voltarem quando não encontrei nenhuma caneca que fosse ao menos parecida com a que quebrei.
- Hizaki o que acha desta? – Minha mãe parecia radiante enquanto me mostrava uma caneca vermelha.
Apesar de ele ficar ótimo de vermelho acho que esta não era uma de suas cores favoritas. Balancei a cabeça negativamente, formando um bico em meus lábios que denunciava o choro próximo.
Minha mãe lançou um olhar suplicante para a dona da loja, que também era sua melhor amiga.
- Hiza-Chan... – A mulher pareceu entender o apelo mudo de minha mãe. – Eu acho que tenho a caneca perfeita para o seu onii-san, venha ver. – Sorriu me estendendo a mão, a qual peguei e passei a seguí-la até o balcão nos fundos da loja.
Ela rodeou o móvel de vidro, abrindo o mesmo e retirando deste uma pequena caixa preta.
Meus olhos estavam presos na caixa bonita. Ela me entregou o objeto com um sorriso satisfeito estampado em seu rosto bonito.
Abri a pequena caixa com cuidado, não queria estragar mais nada.
Fixei meus olhos inchados na caneca preta, retirando-a da caixinha para ler o que estava escrito.
Observei cuidadosamente cada detalhe, a caneca era bem bonita, preta, tinha um coelhinho branco estampado e os dizeres, também em branco, preenchiam toda a lateral do objeto.
- “O melhor irmão do mundo”. – Li a frase estampada na caneca em voz alta ainda a olhando de todos os ângulos.
- E então Hiza... Sashi-san é o melhor irmão do mundo? – A mulher sorria acompanhada por minha mãe.
Balancei a cabeça positivamente enquanto ainda fitava a caneca com um sorriso.
- Vamos levar esta Hiza-Chan? – Minha mãe se abaixou ao meu lado novamente.
- Hai. – Abri um enorme sorriso que fez meus olhos quase se fecharem.
♦♦♦
Já era noite, Masashi já havia chegado do serviço e estava a fuçar no armário, provavelmente procurando pelo objeto que quebrei.
Minha mãe me sorriu passando-me confiança, em seguida me deu um leve impulso, me empurrando na direção dele.
Ele não me notou, continuava a fuçar no armário.
- Sashi... – Chamei-o com uma voz tão baixa que não sei como ele me ouviu.
- Ah... Oi Hiza. Já falo com você espere só um minuto estou procurando minha caneca, tenho certeza de que a deixei aqui. – Disse fazendo meu coração se apertar.
- Eu... – Comecei hesitante apertando a caixinha entre os dedos. – Eu quebrei sua caneca nii-san. – Disse de uma vez, atropelando as palavras.
Vagarosamente sua atenção foi se desviando do interior do armário e se direcionando a mim. Quando seus olhos encontraram os meus eu imediatamente olhei para o chão.
- Quebrou minha caneca? – Perguntou com voz calma enquanto me observava, de braços cruzados escorados no balcão da pia.
- Hai... Gomen. – Já sentia meus olhos se encherem de lágrimas. Estava prestes a chorar.
- Hizaki. – Me chamou calmamente mas eu não levantei os olhos. Não tinha coragem. – Olhe para mim Hizaki.
Lentamente levantei os olhos para ele deixando evidente os rastros das lágrimas.Ao perceber que eu chorava, seus olhos cerraram-se confusos sobre mim.
- Por que está chorando? – Continuou a me olhar de onde estava.
- Eu não queria quebrar... Eu só queria segurar ela um pouquinho. – Uma vez mais o bico se formou em meus lábios e os soluços saltavam sem controle por minha garganta.
Ouvi Masashi suspirar pesadamente, desencostando-se do balcão e dando um passo em minha direção.
- Ora... Vamos, pare de chorar. Esta é uma maneira muito pesada para uma criança chorar. – Disse colocando as mãos em meus ombros.
- Desculpa nii-san. – Eu não conseguia mais parar de chorar.
Meu irmão apenass rolou os olhos, abaixando-se até mim.Secou minhas lágrimas com o polegar, pousando uma das mãos em minha cabeça logo em seguida.
- Não chore por isso Hiza. Já disse que está tudo bem. – Sorriu de sosláio minimamente, Masashi não era muito de sorrir.
- Eu comprei outra. – Estendi-lhe as mãos que seguravam a caixinha preta com um laço branco sobre a tampa.
Seu olhar revesou entre mim e a caixa, e então ele a pegou de minhas mãos. Abriu-a com cuidado, retirando a caneca de dentro desta, segurando-a pelo cabo.
- “O melhor irmão do mundo”. – Novamente o sorriso fraco dançava em seus lábios. – Eu sou o melhor irmão do mundo? – Me fitou a sorrir.
Balancei a cabeça positivamente, meu peito ainda dava trancos por conta dos soluços.
- Eu não posso ser o melhor irmão do mundo Hiza. – O sorriso devertido me deixou confuso, ao passo que enclinei um pouco a cabeça o olhando. – Eu não posso ser o melhor irmão do mundo porque o melhor irmão do mundo é você. – Beliscou minha bochecha, pegando a caixa branca sobre a mesa; e me entregando.
- O que é nii-san? – Observei a caixinha que era exatamente igual a que havia lhe dado. A única diferença eram as cores.
- Abra! – Me olhou com um sorriso mínimo.
Comecei a abrir a caixa com um pouco de pressa denotando minha curiosidade infantil. Arregalei os olhos o olhando de boca aberta.
- É igualzinha a minha. – Continuei a olhá-lo depois de ver a caneca idêntica a que eu tinha comprado para Masashi. Mais a que ele me dava era branca com os dizeres pretos.
- Estas canecas foram feitas para ficarem juntas Hiza. Elas são um par, assim como eu e você. – Piscou para mim e eu prontamente abri um enorme sorriso.
E foi naquele momento que me apaixonei por meu irmão adotivo.
Eu amava sua gentileza e o jeito carinhoso com que me tratava.
- Arigatou nii-san. – Pulei em seu pescoço o abraçando fortemente. Ele também me abraçou, me pegando no colo e me dando um beijo estralado na bochecha.
Piscou para minha mãe que nos observava da porta. Ela já havia lhe contado toda a história, por isso ele comprara a caneca para mim.
Mais depois da doença da mamãe aos meus treze anos tudo mudou.
~~FLASH BACK OFF.~~
Eu continuava perdido em minhas lembranças, e sem perceber eu fitava minha caneca branca posta dentro do armário que jazia com a porta aberta.
- Eu ainda me lembro do dia que você me deu esta caneca. – Falou despreocupadamente. Meus olhos desviaram do interior do armário, voltando-se para o rosto de meu irmão. Ele não me encarava.
Me resumi ao silêncio, esperando que ele continuasse. Ele bebericou o café na caneca e sorriu minimamente, mais o suficiente para me surpreender. A quanto tempo eu não o via sorrir? Mesmo um sorriso tão pequeno.
Me dediquei a olhá-lo, sentindo algo estranho esquentar meu coração.
-Você estava parado nesse mesmo lugar. Me encarando com essa mesma cara de besta. — Arqueou a sobrancelha repuxando os cantos dos lábios em um sarcástico sorriso divertido.
Sacudi a cabeça negativamente, me livrando das minhas lembranças e da minha surpresa. Permaneci em silêncio. Embora não o estivesse olhando eu sabia que ele estava a me encarar. Pois seu olhar pesava sobre meus ombros.
- Eu jamais me atreveria a lhe fazer a mesma pergunta daquele dia. — Fitou a frase no objeto por alguns segundos e virou o que sobrara da bebida garganta a baixo, deixando a caneca no marmore da pia em seguida.
Meus olhos ainda acompanhavam o objeto preto. Masashi virou-se para a saída da cozinha que o levaria até seu quarto, ele sairia da cozinha e eu perderia a chance de falar com ele normalmente como antigamente.
Que merda, ele não é o mesmo de antigamente, então por que me apego a essa esperança maldita?
- A resposta...- Praticamente gritei do outro lado da cozinha, quando ele já havia chego a porta. Ele estancou no lugar, talvez estivesse confuso. Virou-se para mim, esperando que eu continuasse. Respirei fundo, mantendo a calma. — A resposta a essa pergunta seria exatamente a mesma de dez anos atrás.
Seus olhos se expandiram, denunciando que ele não acreditava no que ouvia. Nem eu mesmo acreditava que disse aquilo, mais não adianta negar.
Aquela é a mais pura verdade. Apertei o marmore da pia entre os dedos, denunciando todo meu desespero esmagador com aquele silêncio.
Ele continuava a me olhar de onde estava. Sua expressão não era mais confusa, era séria. Ele fica assustador quando está sério.
Nossos olhos permaneceram cruzados, até o momento em que considerei melhor sair de cena.
- Eu tenho que trabalhar. — Dei um minimo sorriso e em seguida virei meu corpo de forma brusca e apressada para a outra porta da cozinha, que me levaria a sala.
Dei dois passos apressados e já começaria a correr quando senti a mão grande envolver meu pulso me obrigando a parar.
- Hizaki...- A voz soou séria demais para meu desespero. Em questão de segundos meu coração batia mais do que umas dez baterias de escola de samba juntas.
- H-Hai...- Disse sem me atrever a virar o rosto e encará-lo.
- Iterashai. — Meus olhos se arregalaram e uma vontade louca de chorar se fez presente. Senti algo se prender em minha garganta, me impedindo de falar.
Engoli o choro.
-Itekimasu. — Odiei o fato de minha voz soar chorosa e puxei meu pulso com certa violência. Corri para porta em seguida. Não olhei para trás. Eu não podia, não podia olhar para trás e lhe mostrar que falhei com minha promessa. Não podia olhar para trás e deixá-lo ver que eu estava chorando.
- Você é idiota Hizaki? — Me repreendia enquanto caminhava pela rua de forma apressada, limpando o rosto de forma frenética com as mangas da blusa de frio rosa. Como eu ODEIO chorar.
Deixei a mente vagar pela expressão de Masashi hoje de manhã. Ele realmente lembrou meu Sashi-nisan por alguns momentos.
Suspirei pesadamente, caminhando agora mais devagar com as mãos socadas nos bolsos da blusa.
- HIZA-CHAAAAN...- Nem bem tive tempo de me virar e arregalar os olhos e um corpo magro se jogou sobre mim com violência fazendo com que ambos fossemos ao chão.
Virei umas duas cambalhotas caindo estendido quase no meio da rua, enquanto o garoto de cabelos pratas estava com metade do corpo sobre a calçada e a outra metade estendida na rua, caído de brusos.
- Itaaai...- Resmungou enquanto levantava a cabeça para me fitar. Eu já estava sentado no chão me preparando para dar aquele sermão.
- PORRA TERU...- Fui interrompido por um latido e um Teru em pânico para se levantar. Eu sabia exatamente o que isso significava, só era muito difícil acreditar que acontecia TODO SANTO DIA.
Antes que eu pudesse ao menos gritar, o mais novo agarrou minha mão me levantando de uma vez e nós começamos a correr desajeitadamente para atravessar a rua.
- TERU, COMO VOCÊ CONSEGUE SER PERSEGUIDO POR ESSE CACHORRO TODOS OS DIAS? — Gritei enquanto corriamos daquela peste de cachorro com todas as forças.
- AIN...NÃO SEEEEEEEEI...- Resmungou de forma chorosa. Teru era o desastre em pessoa mesmo.
Parece que quando você está com pressa o que mais aparece em sua frente são obstáculos. Após pularmos umas três latas de lixo, sendo que, na ultima Teru se estabacou no chão e eu tive de voltar pra acudi-lo, nós continuamos a correr com tudo o que tinhamos.
- Essa peste de cachorro não desiste. — Disse Teru enquanto corria ao meu lado, vez ou outra olhando para trás.
- Vamos cortar caminho. — Agarrei a mão de Teru o puxando para uma biela¹ entre os fundos de algumas lojas. Me arrependi amargamente da idéia quando acabei por dar de cara com aquele ser.
- E aí loirinha? — Disse Kamijo com sua voz irritante. — Por que as duas gracinhas estão tão apressadas? — Fomos obrigados a parar. Se ele soubesse que aquele demônio em forma de cachorro estava atrás da gente, eu duvido que ele ficaria me atrasando com essa cara de panaca.
Teru ainda estava agoniado, e toda hora olhava para trás a procura o cachorro. Eu e Kamijo nos encaravamos incasávelmente.
Lembra do "filho da puta, problemático" que mencionei no começo de tudo? Então, é ele.
- Kamijo isso não é da sua conta, poderia nos deixar passar? — Tentei ser educado, embora não tivesse sido.
O filho da mãe apenas riu debochado. O que Kamijo tinha de egocêntrico, escandaloso e intrometido. Yuki, o outro garoto que estava com ele, tinha de sério, frio e indiferente. Ele sim me dava medo.
Kamijo ainda falava merda a minha frente, tentando humilhar a mim e a Teru com codinomes femininos, ele adora fazer isso.
Meu olhos correram até Yuki, encostado em uma das paredes sujas, ascendendo um cigarro de forma despreocupada enquanto observava a cena. Em seguida me lançou um olhar mortal que arrepiou até minha quarta geração.
Desviei os olhos rapidamente, e então, escutei o latido agudo e irritante.
- AH MEU DEUS...- Novamente Teru estava em pânico, me empurrou para a saída parando ao lado de Kamijo que ficara estático a olhar para o animal correndo furiosamente em nossa direção.
Se aproximou do loiro mais velho, que ainda estava sem ação, e ergueu uma das pernas até a altura da cintura de Kamijo, com uma das mãos apoiadas no ombro do mais velho e com a outra bateu no peito do mesmo.
- Aqui cachorrinho...Aqui. — Disse prendendo um riso. Kamijo virou-se para ele imediatamente mais antes que pudesse empurra-lo o cachorro mordeu a barra de sua calça. — CORRE HIZA. — Agarrou minha mão e saiu me arrastando.
Não acredito que Teru teve coragem de fazer isso. Comecei a gargalhar enquanto corriamos em direção a pequena ponte que se seguia da biela.
Paramos sobre a ponte apenas para ver como Kamijo se livraria do animal.
- AHH SAI CACHORRO...PORRA YUKI FAZ ALGUMA COISA CARALHO, NÃO FIQUE SÓ ME OLHANDO. — Tentava puxar a barra da calça inutilmente.
Sem pressa o outro desencostou-se da parede, dando um último trago no cigarro, em seguida jogando-o ao chão e apagando com o pé.
Caminhou até onde estava o animal bravo e abaixou-se ao seu lado, pegando-o no colo sem a mínima dificuldade e fazendo um pequeno cafuné em sua cabeça.
- Impossível...- Teru realmente parecia surpreso ao olhar a cena. Eu nem consegui dizer nada. COMO RÁIOS ELE CONSEGUIU FAZER ISSO?
Eu e Teru permanecemos parados olhando a cena, quando o olhar de Yuki se dirigiu a nós nos fazendo enrrijecer por completo e engolir em seco.
- Assustador. — Eu e Teru dissemos em uníssono quando o mais velho voltou colocar o cachorro no chão, em nossa direção, e com um sorriso macabro nos lábios disse com voz firme:
- Pega.
E o demônio do cachorro começou a subir os degraus com uma velocidade maior do que antes.
Sem demora eu e Teru começamos a correr com toda velocidade novamente.
-EU ODEIO AQUELE CARA. — Berrou Teru enquanto corria o máximo que podia.
- Continue correndo...Mais uma quadra e estaremos no Caffé. — Gritei e virei a esquina, olhando para trás para ver Teru que estava um pouco para trás. Péssima idéia, pois quando olhei para frente Yuu me encarava com os olhos arregalados.
Não deu tempo de parar e nós dois caímos com tudo no chão, eu ficando por cima de seu corpo. Com a surpresa e o impácto Yuu levou as mãos em minha cintura, fechando os olhos fortemente, me fazendo o olhar surpreso.
Nossos rostos estavam relativamente próximos e seu olhar, agora, me fuzilava.
Droga, ele vai me dar aquela bronca. Forcei minhas mãos em seus ombros pra me levantar, mais não tive tempo suficiente.
Antes que impulsionasse meu corpo para cima, senti o corpo de Teru cair com tudo por cima de mim. O ato me forçou a abaixar ainda mais, fazendo com que meus lábios, acabassem por se juntar aos de Yuu. Com o choque, ambos arregalamos os olhos, e os dedos de Yuu fincaram-se com força demasiada em minha cintura fina.
Tudo acabou por perder o sentido por uns segundos. Separei nossos lábios o olhando assustado. Seu olhar era confuso e ele ainda agarrava minha cintura. Minhas bochechas queimavam, meu coração batia feito um louco e eu não tinha forças para me levantar.
Voltei a mim quando ouvi os berros de Teru. Busquei-o com o olhar e então vi que ele estava de pé sobre um dos bancos frente ao Caffé, encolhendo-se contra a parede e gritando: "PASSA TITIU".
COMO ALGUÉM PODIA ME METER EM TANTAS CONFUSÕES ASSIM?
Tive vontade de chorar.
Não tinha coragem de abaixar os olhos e olhar para Yuu.
- Hizaki...- Sua voz soou séria. — Será que você poderia sair de cima para eu me levantar? — Irônia hard.
- C-Claro. — Rolei meu corpo para o lado, me deitando de costas no chão. Mais de 50 metros de corrida sem intervalo, dois tombos e um beijo por acidente com a pessoa que gosto. Isso fode com as forças de qualquer um.
Continuei estirado no chão, tentando controlar minha respiração, e tentando recuperar minhas forças. Senti meu braço ser puxado e em uma velocidade fora do normal fui posto de pé.
Encarei Yuu que já soltava meu braço sem nem ao menos me olhar.
- O-Obrigado. — Agradeci alisando o braço dolorido. Ou ele fez de propósito ou não faz idéia da força que tem.
Nossa atenção fora desviada para um baixinho ofegante que parecia ter corrido uma maratona e acabara de chegar.
- Ko-KORON-CHAN. — Gritou ofegante, com o cachorro que logo voltou-se para ele, desistindo de Teru e correndo em direção ao dono. Pegou-o no colo o repreendendo em seguida. — Quantas vezes eu já lhe disse Koron-Chan. Não vá atrás dos meus amigos.
Teru já praticamente se deitava sobre o banco, aliviado por Koron te-lo deixado em paz.
- Ruki...Por que seu cachorro me odeia? — Perguntei indignado o olhando com as mãos na cintura.
- Ah não, Hiza-chan...Ele odeia o Teru, só te persegue por que você sempre está com ele. — Disse com um sorriso infantil.
É, realmente acho que a raiz dos meus problemas seja o Teru. Torci os lábios de maneira engraçada fazendo Ruki sorrir.
Acho que este é o momento em que olho para o Aoi com a maior cara de "Koron" sem dono e peço desculpas não é? Pois bem.
- Yuu-san...- Chamei-o sem jeito. Porra por que era tão difícil olhar para ele?
- Diga. — Disse despreocupadamente enquanto colocava um cigarro nos lábios e o acendia.
- Me desculpe por esse..."acidente". — Vergonhoso. Extremamente vergonhoso.
- Tanto faz. Só me lembre de manter uma distância segura de você e Teru. — Disse sério, olhando para Ruki em seguida. — E quanto a você Matsumoto, vê se arruma uma coleira, ou melhor, jogue esse projeto de rato com raiva dentro de uma gaiola.
- Credo Aoi. — Disse inconformado, apertando o animal contra o peito. — Você é do mal.
- Do mal é esse seu vira-latas possuido que todos os dias se mistura com esses dois desastres humanos e atrasa a vida de todo mundo. — Bufou irritado.
- Quanto mau humor. — Ruki torceu os lábios. — Tem uma ruguinha aqui fofo...- Debochou apontando para a própria testa, fazendo o moreno mostrar-lhe o dedo médio e lhe dar as costas.
Ri sacudindo a cabeça negativamente. Assim como seu cachorro, Matsumoto Takanori, ou Ruki, como era conhecido, era uma praga.
- Você não tem jeito Ruki.
- Ah...Ele que é mau humorado demais, mais não pode ver aquele Top model magrelo com cara de moça do Uruha que já fica todo felizinho abanando o rabinho. Pior que o Koron-chan quando lhe dou um pedaço de bolo. — Disse fazendo um enorme bico em seguida.
- É verdade né. — Dei um sorriso triste que pensei ter desfarçado o suficiente. Mais não.
- Oh...Me desculpe Hiza-chan...Eu não queria...
- Tudo bem Ruki. — O cortei sorrindo largo. — A verdade é pra ser dita. — Dei de ombros fingindo não me importar. Eu fazia isso muito bem.
Ele continuou me olhando como se quisesse comprovar que eu falava a verdade.
Logo Teru se aproximava da gente, cambaleando e com uma das mãos na cabeça.
- Itaaai...Isso dói muito. — Parou ao meu lado colocando a mão em meu ombro.
Koron-chan se debateu no colo de Ruki, latindo novamente quando Teru se aproximou.
- AAHHH JESUS. — Assustou-se, se jogando para trás de minhas costas. — Ruki, o que diabos seu cachorro tem contra mim? — Perguntou com a voz manhosa me fazendo sorrir.
- Ele tem ciúmes de você Teru-chan. Ele sabe que eu te amo. — Piscou para o garoto atras de mim, o fazendo esconder o rosto em minhas costas totalmente vermelho.
Não evitei sorrir, olhando para Ruki que ria feito um besta. Eu sabia que ele era louco para adicionar Teru em sua lista de pegações. No entando, Teru-chan era tão lerdo, tão ABSOLUTAMENTE LERDO, que se quer percebeu.
Mais se percebesse também não teria muita diferença eu acho, já que Teru, sabe Deus por que é completamente apaixonado por Kamijo.
Sim, aquele "Filho da puta" do começo mesmo. Eu não sei o que um garoto gentil, fofo e totalmente inocente feito Teru viu em um...um...tróço daqueles.
Mais enfim, dizem que o amor cega né, mais no caso de Teru, furou os dois olhos sem a mínima piedade.
Meus pensamentos foram cortados pela voz de meu tio que acabara de chegar.
- Nossa...Que incomum. Meus funcionários todos chegaram antes de mim. — Sorriu mostrando as covinhas fofas.
- Tiooo. — Me joguei sobre ele envolvendo os braços em seu pescoço e ficando nas pontas dos pés.
- Bom dia Hiza-chan. — Abraçou minha cintura me levantando um pouco do chão.
Uke Yutaka, ou tio Kai, como eu o chamo desde meus cinco anos de idade, era irmão mais novo de minha mãe e dono do Caffé onde nós trabalhamos.
- Bom dia chefinho. — Disse Teru mancando ao se aproximar.
- Bom dia Teru-chan. -Bagunçou o cabelo do menino. — Nossa, mais o que é isso em seus joelhos? -Olhou-o assustado.
Olhamos em direção aos joelhos de Teru, que graças aos shorts curtos estavam a mostra. Nem ele mesmo havia notado que tinha ralado ambos, provavelmente quando caímos.
- É que o Koron-chan escapou hoje de novo. — Sorriu amarelo fazendo meu tio também sorrir.
- Tenha mais cuidado Teru-chan. E você Ruki, compre uma coleira para seu cachorrinho. — Sorriu para o loiro que levou uma das mãos a nuca coçando a mesma de modo sem jeito ao passo que colocou a lingua para fora nos fazendo rir.
- Bom dia Yuu. — Sorriu para Aoi que permanecia parado na porta.
- Ohayou. — Novamente soou indiferente, mais meu tio nunca ligava.
- E então...Vamos trabalhar? — Nos olhou animado, seu sorriso de covinhas entusiasmando a todos nós.
- VAMOOOOOS. — Todos nós, com excessão de Yuu gritamos em unissono.
Esta era a melhor maneira de começar o dia, num serviço que amo, com o melhor patrão do mundo, ao lado dos meus amigos e após um beijo da pessoa que gosto.
Dá pra ficar melhor?
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