Cinquenta Tons de Violetta

22 Capítulo 22 - Garota Perfeita


Notas iniciais
Sei que estou sumida, mas tive um terrivel bloqueio criativo, além dos problemas com o meu livro, na minha outra fanfic eu coloquei nas notas iniciais dos últimos capítulos tudo o que aconteceu, então para não ficar algo longo e repetitivo eu peço que quem se interessar em saber vai lá que esta tudo explicadinho.Resumindo, e mais facil escrever um livro que publica-lo, e pelo visto so se publica livros hoje em dia se você tiver um canal no Youtube.Mas eu resolvi vender meu livro em uma versão PDF que pode ser encontrado no Mercado Livre.Quem quiser e puder, porfavor, compre o livro, leia e depois me de sua opnião. produto.mercadolivre.com.br/MLB-818070925-e-book-a-garota-da-casa-ao-lado-tmfreddi-_JM

Phoebe estava tão agasalhada que mal poderia se mover, usava dois casacos, luvas e uma touca cheia de flores bordadas; Ted a ajudava a passar pela entrada escorregadia do ringue de patinação enquanto eu e Ana carregávamos dois pares de patins cada um.Agora perfeitamente boa Ana poderia patinar, mas iria deixar para uma próxima vez, não queria cair e prejudicar a gravidez, mas acabou levanto seus patins da mesma maneira já que nossos filhos haviam insistido tanto.
O ringue era exatamente como eu me lembrava, o letreiro verde na entrada era o mesmo e a pintura embora retocada não havia mudado, permanecendo azul e branca, havia ate a mesma maquina de refrigerante de 18 anos antes e ainda funcionava.Fiquei feliz ao ver o mesmo dono a quem os adolescente da minha época chamavam de Sr. Gelado, porque ele ficava no caixa e quando pagávamos, acabávamos tocando em seus dedos sempre gelados, ele ainda estava no caixa, mas agora era velho e curvo, com manchas de velhice na pele, mas os mesmos chapéus de golfe.
A primeira coisa que Phoebe fez foi tirar o casaco e reaver seus movimentos, eu a ajudei a calçar os patins e ela entrou com Ted, já calçado, no ringue infantil.Modestia a parte, minha filha e uma ótima patinadora, já havia ate dito desejar ser profissional, sempre a levava as competições e ficava vidrada na televisão durante as olimpíadas de inverno, e sem qualquer patriotismo sempre torcia para a Rússia, já que estavam sempre entre os melhores patinadores.
—Não vai entrar?-Ana me perguntou quando eu sentei ao seu lado
—Eles não precisam da minha ajuda, patinam melhor que eu
—Isso e verdade, você e péssimo-disse rindo
—Assim eu fico ofendido-brinquei-Mas você também não e nenhuma patinadora profissional
—Por que acha que eu não quis entrar?Não quero passar vergonha
Ela se aconchegou mais perto de mim soltando um gemido de frio, como o local estava cheio de pais com crianças, todos os bancos em volta do ringue infantil estavam ocupados, menos aquele em que estávamos, logo abaixo da saída do ar-condicionado e ao lado da barulhenta maquina velha de refrigerante que parecia um motor de carro toda vez que alguém comprava uma bebida.Eu sabia como seria se fosse antes, antes ela iria se aconchegar nos meus braços e colocar as mãos geladas dentro do meu casaco.
Estiquei a mão e as toquei, como imaginei, estavam tão geladas que suas unhas estavam azuis mesmo abaixo do esmalte perolado, eu as segurei com delicadeza e as enrolei no meu cachecol, Ana não puxou a mão, não recusou meu toque, ela ate parecia feliz, não feliz de sorrir, mas aquela felicidade serena.
—Mãe!Pai!-gritou a voz conhecida de Phoebe-Vocês viram?Eu dei uma pirueta!
—Nossa minha filha, que legal-disse Ana-Não vimos, mas tenho certeza que foi linda
—Não viram?-ela emburrou a cara igual a mãe dela fazia quando irritada
Com os braços cruzados deslizou novamente para o meio do ringue.
—Antes de querer fazer jornalismo eu queria ser patinadora-Ana disse subitamente
—Você nunca me disse isso
—Tem muita coisa que eu não te disse
Ela levou as mãos enroladas no meu cachecol ate o rosto, levemente sentiu o cheiro do tecido e sorriu.
—Sempre gostei do seu cheiro.Quando nos conhecemos eu passava horas cheirando minhas roupas porque elas ficavam com o seu cheiro
—Eu também fazia isso, minha cama ficava com seu cheiro quando você dormia comigo, e isso me fazia passar mais tempo na cama
Para minha surpresa ela encostou a cabeça no meu ombro e suspirou.
—Tenho estado tão cansada ultimamente, não fiquei assim das outras vezes
—Você tem trabalhado demais
—Ao contrario-ela riu-Fico em casa o dia todo, acho que estou ficando preguiçosa.Nesses dias de frio tudo o que eu quero e ficar encolhida entre as cobertas o dia todo
Dei um beijo no alto de sua cabeça e ficamos vendo nossos filhos se divertirem.Me peguei lembrando de tantos momentos como aquele que eu não havia aproveitado, quantas vezes ao invês de apreciar a oportunidade ele ficava trabalhando ou ocupado com outras coisas, prometeu que depois daquele dia apreciaria cada minuto com os filhos.


Semanas depois, olhava pela janela do quarto de hospedes as ruas cheias de neve, nossa piscina estava congelada com uma grossa camada de neve cobrindo-a, só se sabia que ali tinha uma piscina porque havia o tobogã das crianças, mas ele tambem estava coberto de neve.As árvores estavam nuas e palidas, o deck de madeira estava limpo, mas havia perdido a cor de madeira vibrante que havia sido substituida por uma palidez bege.
Mesmo dentro de casa eu sentia frio, estava sem camisa, me arrumando para as comemorações natalinas da noite, do quarto eu conseguia sentir o cheiro da ceia no andar de baixo sendo preparada.Logo minha família iria chegar e o silêncio seria trocado por conversas e músicas.Coloquei minha camisa social e um cardigã grafite, peguei o pesado Rolex que havia ganhado no último natal e passei o perfume Polo que sei que Ana tanto gosta.Já pronto me olhei no espelho, vendo a mim mesmo e não me reconhecendo.
Ainda tinha o mesmo cabelo cobre, os mesmos olhos cinzas, mas algo estava diferente, não tinha o mesmo olhar, tentei de alguma maneira voltar a ver o antigo Christian, mas ele não estava ali.Será que ele tinha ido embora quando eu estava em crise com a Ana, ou será que Violetta o roubou de mim?Talvez ele tenha desaparecido por conta dos momentos tensos que tenho vivido ultimamente.
—Pai-chamou alguém na porta
Ted a havia aberto e espiava pela fresta, estava vestido com um suéter verde-escuro que combinava com seus olhos, seus cabelos estavam penteados com gel e suas bochechas rosadas de frio.Ele era tão parecido comigo que as vezes parecia estar de frente comigo mesmo na infância.
—Mamãe pediu para descer, logo eles vão chegar
—Claro-ultimamente Ana tem me mandado bastante, mas era melhor do que ser ignorado
A casa cheirava a pinheiro, flores e a madeira queimada na lareira.Phoebe estava deitada no sofá mexendo em seu tablet, completamente entediada, com um vestido e sapatos vermelhos e meia-calça preta, em sua cabeça um arco vermelho, ela estava tão crescida, no último natal ficou brincando de boneca, este ano ela usava um brilho labial rosa.
Ao invés de me sentar na sala e esperar o tempo passar como faria normalmente, fui ate a cozinha.Gail havia ido mais cedo para casa e quem ajudava Ana era a empregada e a cozinheira.O Natal era a data preferida de Ana, ela ficava radiante e eu aprendi com os anos que nada poderia deixa-la triste no dia de natal.
—Precisam de ajuda?-perguntei
—Não, já esta tudo pronto ou no forno-Ana havia lavado as mãos e agora as secava
A barriga de Ana já era notada, então ela optou por um vestido de cintura alta que ia ate os joelhos e movia-se levemente de acordo com seus movimentos, era azul, eu adorava quando Ana vestia azul e ela sabia disso.
Eu me aproximei dela e ficamos quase nos tocando, eu queria toca-la, sentir sua pele, mas não queria assusta-la, embora ela estivesse corada e seus olhos pedissem por um toque ou um beijo.
—Você esta muito bonita
—Obrigada-corou ainda mais
Ela deu pegou uma assadeira cheia de bonecos de gengibre e começou a tirar um por um e colocar em um prato decorativo.
—Lembra como Ted tinha pena de come-los?-perguntei sorrindo com a lembrança
—Lembro sim-ela riu-Ate chorava quando alguém comia um
Sorriu radiante, a gravidez a deixava tão bonita, sua pele estava reluzente, seus cabelos brilhantes e seu sorriso mais vivo.A campainha tocou e trocamos olhares, cada um a sua maneira, criando esperanças sobre como aquela noite terminaria.
Quando cheguei no hall de entrada, Ted já estava com a mão na maçaneta, quando a porta se abriu puxando todo o calor da casa para fora, o frio de natal soprou para dentro me atingindo em cheio no rosto como um choque.Elliot e Kate pularam para dentro da cama, Elliot trazia Ava nos braços e junto deles flocos de neve cairam no chão e logo derreteram quando Ted fechou a porta restabelecendo calorosa temperatura.
—Acho que nunca vi um natal mais gelado-disse Elliot enquanto colocava a filha no chão
Concordei com ele e peguei seus casacos, Kate tem se mostrado mais simpática comigo, mas ainda as vezes me da olhares azedos.
Minutos depois meus pai chegaram e logo apos Mia e Ethan; minha irmã estava com uma barriga enorme, deveria dar a luz em Fevereiro e a barriga já lhe dificultava a locomoção, ela ao se sentar na poltrona da sala precisou de uma almofada para colocar nas costas e se acomodar perfeitamente.Ethan arrumou seus presentes ao pé da arvore, eu o olhei orgulhoso, meu presente para Ana não estava ali, estava no quarto dentro da gaveta, queria lhe dar aquilo em um momento a sos, para assim, caso fosse rejeitado, que não tivesse sido na frente de todos.
—Como está sendo a gravidez?-Ana perguntou enquanto tirava o tablet da mão de Phoebe
—Cansativo, só quero dormir o dia todo-ela disse enquanto se acomodava, a todo momento mudava de posição-Só falta você não e Kate?-ela provocou
Kate arregalou os olhos e olhou para Mia e depois para Elliot, ele sorria, parecia disposto a ter mais um filho, mas Kate logo sorriu sem graça e respondeu.
—Acho que não e uma boa hora, estou prestes a ser promovida
O sorriso de Elliot sumiu por um segundo, mas ele deu de ombros como se aquele fosse um assunto já discutido entre os dois, e pelo o que eu sabia realmente havia sido, quando Ana engravidou ele logo quis mais um filho, agora um menino.
—Quem sabe no próximo natal-comentou minha mãe-Já teremos dois novos membros na família, quem sabe também um a caminho
—Claro-sorriu Kate sem graça
Cinco minutos depois todos nos levantamos -Mia precisou da ajuda de Ethan para fazê-lo-, e fomos para a sala de jantar onde a ceia estava posta.A mesa era farta e alimentaria quinze pessoas, castiçais de vidro e arranjos de flores enfeitavam o ambiente, e na mesa a toalha era bordô e os guardanapos brancos com bordado dourado.Ana havia escolhido a melhor prataria e as melhores taças de cristal, para beber tínhamos garrafas de Chartely 1963 e champanhe.Havia música ao fundo e a lareira estava em chamas, a neve se acumulava na janela e as cadeiras faziam barulho conforme nos acomodavamos.Como costume meu pai ficou na cabeceira da cama com minha mãe a sua direita, e nos, os filhos nos distribuídos ao longo da mesa, eu me sentei a esquerda de meu pai, ao lado de Ana que estava ao lado de Kate e então Elliot, Mia estava ao lado de minha mãe e ao seu lado estava Ethan, as crianças sentaram na outra ponta da mesa, com copos de plástico e suco ao invés de vinho.
Durante a ceia observei os três, que logo seriam cinco, ate poderia imaginar Elisa e meu filho ou filha, então me lembrei que não havíamos conversado sobre nomes.Eu tinha ideias de nomes, mas Ana escolheu o nome das outras vezes então talvez devesse escolher também, ela me dizia os nomes e eu falava qual gostava mais.Mas eu nunca me importei, ela escolhia belos nomes para nossos filhos.
A mesa eu era o único a não falar, todos conversavam entre si, ate as crianças, mas eu estava confortável com o meu silêncio, sentia que naquele momento não precisava falar nada, toda a felicidade vinda de cada um dos membros da minha família já me confortava.Não e Ação de Graças, mas eu me sentia grato; grato por ter um pai que era o melhor exemplo possível, grato por ter uma mãe com os melhores conselhos, grato por ter um irmão que sempre foi meu melhor amigo, grato por ter uma irmã com um olhar tão doce que vê o melhor das pessoas a todo momento.Tambem estava grato por um cunhado que amava minha irmã mais que tudo e fazia tudo por ela, e por incrível que pareça, estava grato por uma cunhada que me odeia, mas que sempre vai estar ao lado de Ana; sou grato por ter dois filhos lindos e uma sobrinha encantadora e divertida.Sou grato também por ter Ana comigo, por ela ter me escolhido e ter me feito feliz durante tanto tempo, sou grato pelos sorrisos que ela me fez dar, pelos momentos de carinho que recebi dela, ate por nossas brigas.E principalmente, sou grato por poder estar sentado nessa mesa no Natal e ter todos eles ao meu lado.

Já passará da meia-noite quando nos reunimos ao redor da árvore para abrir os presentes, primeiro as crianças, conforme iam abrindo os presentes gritavam de felicidade, e logo papel de presente colorido e metalizado estava por todo o lado.Depois quando os três já estavam brincando com tudo ao mesmo tempo, os adultos puderam pegar seus presentes.
Fiquei sentado no sofá, com meus próprios presentes espetando acontecer; Ana estava sentada ao pé da árvore ao lado de Ethan que pegava os presentes destinados a Mia e os abria para ela.
Quando todos já haviam entregado e recebido presentes Ana me olhou surpresa, ela esperava receber um presente meu, sorri fingindo que era porque havia ganhado um cupom 10 dólares de desconto de um lava-rápido de Kate.Minha bela cunhada, como sempre demonstrando o quanto gostava de mim.
—Que lindo-disse minha mãe ao abrir o meu presente, uma bela bolsa Hermès Birkin bege
Enquanto recebia o beijo de agradecimento de minha mãe Ana se levantou e foi ate o sofá onde cochichou algo com Kate.
—Quando vi lembrei de você-disse a minha mãe
Depois de ouvir o que Ana havia lhe contado secretamente, Kate me olhou e deu de ombros, disse algo para Ana que deu um sorriso confuso e alisou a barriga.

Quando todos foram embora, já era tão tarde que nem valia mais a pena olhar para o relogio.Eu ouvia meus filhos brincando com os presentes em seus quartos toda vez que passava na frente deles para verificar se estavam dormindo, e quando ouviam meus passos ou ouvia os deles correndo para a cama fingindo que estavam dormindo, mas achei que logo eles iriam dormir por si mesmos e os deixei brincarem, era Natal, eles mereciam um dia de folga.
Eu queria dar o presente de Ana na manhã seguinte, quando ela acordasse no deliciosos frio da manhã, eu lhe levaria o café da manhã junto do meu presente, mas eu não iria dormir ate ter sua resposta.Esperava que fosse um sim, ela havia paralisado a papelada do divorcio, estava me deixando morar ali, me deixava ir as consultas médicas, ate havia me dado uma gravata de Natal, era a oportunidade perfeita para tentar consertar as coisas.
A luz do quarto estava apagada, mas ouvia pela madeira da porta o som da televisão, respirei fundo, levava comigo um lirio que antes estava em um vaso fazendo parte da decoração.
—Entre-disse quando eu bati na porta
Não ficou surpresa em me ver, talvez já me esperasse, não havia ido dormir ainda e estava assistindo "Férias Frustradas de Natal", não vejo porque ela passaria a madrugada acordada vendo aquele filme se não fosse para esperar algo ou alguem.Seu olhar especulativo me fez sorrir, eu a havia deixado curiosa bem como queria.
—Foi uma ótima noite-disse para quebrar o silêncio
—Realmente, foi-ela olhou para a flor que eu tinha na mão e o envelope pardo na outra
—Posso?-perguntei indicando o espaço vazio ao seu lado na cama
Ela concordou com a cabeça e eu me sentei ao seu lado.
—Foi difícil encontrar um presente para você.Por isso quando encontrei queria que fosse especial, algo que fosse compartilhado entre nos dois
Lhe entreguei o envelope e a flor, ela pousou a flor delicadamente no colo e abriu o envelope, dentro haviam uma revista turística e ela enrugou a testa sem entender o que significava aquilo.Abriu a revista e viu melhor do que se tratava, ela então me olhou surpresa.
—Tunísia?
—Sim, podemos ir quando você quiser
Ela analisou as fotos da revista, sorrindo com as praias quentes e de água cristalina, com o deserto acalorado e a arquitetura simples e bela.Ela mordeu o lábio como sei que faz quando está pensando, e quando está tentada a ousar na sua decisão.
—E as crianças?
—Podem ficar com meus pais, como sempre fizeram quando viajavamos.E sua gravidez está no inicio, ainda pode viajar
A deixei pensar, fingi prestar atenção no filme, mas de canto de olho analisava sua linguagem corporal, ela não havia largado a revista, ao contrario, a folheava e lia algumas informações turísticas.
—Quanto tempo ficaríamos?
—Uma semana, dez dias, você decide, eu estou apenas fazendo o convite, que decide e você
Ela analisou bastante antes de sorrir, o sorriso que eu queria.
—Tudo bem então, vamos para a Tunísia
—Perfeito-em um pulo fique de pé-Quando iremos?
—No inicio de Janeiro seria bom
—Irei providenciar
Eu ia sair do quarto, deixa-la ali confortável assistindo a um filme antigo, mas ela me chamou, e eu fiquei estático.
—Venha assistir ao filme comigo-ela pediu
Pelo seu olhar sabia que não faríamos sexo, mas eu não queria, queria estar ao seu lado, e aquele Natal terminou perfeitamente, foi o melhor Natal que tive nos últimos anos.Naquela noite havia deixado meu celular no quarto quando havia ido falar com Ana, nos dormimos assistindo ao filme e eu só vi a mensagem no dia seguinte.Haviam me ligado de madrugada de um telefone público, a mensagem de voz era simples e direta "Feliz Natal" a pessoa havia dito, eu reconheci sua voz, mesmo com seus dentes tilintando, era ela.Retornei a ligação, era um telefone público que ficava entre uma Posto de Gasolina e uma lanchonete 24hrs.

Se passou o Ano Novo onde eu analisei como havia sido meu ano, sem duvida havia sido cheio de altos e baixos, mas embora nunca fizesse promessas de Ano Novo, eu prometi que me dedicaria inteiramente a minha família, a Ana e a meus filhos.
Marcamos nossa viagem para dia 5 de Janeiro, na véspera deixamos as crianças com meus pais.
—Por que eles vão viajar e nos deixar aqui?-perguntou Ted
—Seus pais precisam dessa viagem, desse tempo juntos-respondeu minha mãe enquanto eu e Ana entravamos no carro para terminar de arrumar as malas.
Chegamos ao aeroporto de Seattle bem cedo, era oito horas quando Taylor levou nossas malas para o meu jatinho, Ana estava escondido em camadas e camadas de roupas, só se via seus olhos azuis, tivemos sorte de não estar nevando, ou seria preciso esperar.
—Vamos subir logo, estou congelando-ela disse enquanto segurava firme no corrimão da escada do jatinho
A temperatura estava mas quente, mas a porta ainda estava aberta para colocarem a bagarem.
—Mal posso esperar para ir a praia
Meu celular tocou, eu olhei o visor e reconheci o número, havia apagado Violetta da minha lista de contatos, mas eu conhecia seu número.Ignorei a ligação.
—Deve ser algo importante para estarem ligando tão cedo
—E trabalho, não irei atender nenhuma ligação de trabalho durante a viagem
Ana sorriu enquanto tirava o primeiro casaco, ela estava usando dois casacos e duas blusas, mas ainda assim sentia frio, fazia -4º e era preciso deixar as turbinas ligadas para não congelarem.
—Tudo pronto senhor Grey-disse Taylor enquanto embarcava
No total haviam 7 pessoas, eu e Ana, Taylor que iria nos acompanhar, dois pilotos e duas comissarias.Decolamos com a preguiça do sol de inverno.


Era uma longa viagem, nossa primeira parada para abastecer e descansar foi na Florida, onde já estava um clima menos glacial.Em nossa segunda parada no Marrocos já sentimos o clima quente que nos aguardava, e finalmente chegamos ao aeroporto de Túnis-Cartago, era a primeira vez em muito tempo que eu via o sol brilhar e sentia seu calor, todo o frio que trazia de Seattle se foi com o vento quente que nos envolveu assim que descemos do jatinho.
A caminho do hotel, vimos ao longo do caminho mulheres de burcas e rostos cobertos, dançarinos com cobras e as famosas tapeçarias a venda em cada esquina.A primeira vez em um pais e sempre animadora, mas sentia que para nos era diferente, diferente de todas as outras vezes, não era somente uma nova lua de mel, era um recomeço, seria ali que voltaríamos a ser um casal, eu sabia, Ana sabia, se não voltássemos a ser como antes quando aquela viagem terminasse, nunca mais seriamos.
Durante todo o caminho Ana tirava fotos com sua maquina profissional, sua barriga estava começando a marcar, e agora sem os agasalhos para o inverno americano ela era evidente.
Nosso hotel ficava na Av. Habib Bourguiba, no centro da capital, próximo a praça que era considerada o local de nascimento da democracia do pais.Fizemos o check-in e subimos para o nosso quarto, a maior suíte do hotel.Foi pretencioso ter feito reservas em um quarto de casal, mas ela não pareceu se importar, e a primeira coisa que fez apos estarmos sozinhos foi tomar banho, e ao voltar usava um roupão e tinha os cabelos molhados.
Eu estava no celular enviando uma mensagem para meus pais dizendo que havíamos chegado, eram duas da tarde em Tunis, então em Seattle deveriam ser cinco da manhã em Seattle.
—O que deseja fazer mais tarde?-coloquei o celular na cômoda e me deitei ao seu lado na cama
—No momento só quero dormir
Ela ainda estava de roupão e usava uma toalha enrolada nos cabelos, parecia realmente cansada, havia se deitado e pelo visto não iria levantar da cama tão cedo.
—Talvez mais tarde possamos ir a um restaurante
Ana se aconchegou entre os travesseiros e antes que pudéssemos dar inicio a uma conversa ela estava dormindo.Eu liguei a televisão, mas só haviam poucos canais em inglês, e foi vendo um filme que eu adormeci, não sei quanto tempo depois acordei com Ana me abraçando, não sei se foi um sonho, talvez tivesse sido.


As cortinas estavam fechadas e as luzes apagadas, então quando acordei por alguns segundos achei que era madrugada ao invés de sete horas, o sol estava se pondo e a lua começava a aparecer.Ana não estava mais ao meu lado, mas a porta dupla que dividia o quarto da sala esta aberta, e eu pude ouvir o digitar do teclado do Macbook, ate poderia imagina-la escrevendo algum e-mail ou colocando anotações em algum manuscrito.
Me levantei da cama e vi que ainda estava com a roupa da viagem, fui tomar banho e ao sair havia uma calça de linho e uma camisa social na cama e um blazer pendurado no cabideiro da parede.Eu me aproximei do blazer, ele estava morno, deveria ter acabado de ser passado.Fui ate a sala, Ana ainda estava no computador, mas então notei que ela estava maquiada e seu cabelo arrumado, usava salto alto, mas ainda estava de lingerie.Sorri ao notar sua barriga, estava saliente e discreta.
—Acho que você tem planos para esta noite-disse encostado na divisória dos cômodos
—Fiz uma reserva em um restaurante aqui perto, e um lugar bem conhecido-ela desviou o olhar do computador e olhou para mim-Ou você tinha outros planos?
—Não, nenhum na verdade.Pensei que estaria cansada demais para sair
—Estou animada, nunca estive na Tunisia antes-ela sorriu irradiando uma luz que so poderia ser comparada a alvorada

O local ficava tão perto do hotel que fomos a pé, sentindo a essência da cidade, mulheres de burcas passavam conversando e isso sem duvida era o maior choque cultural, elas não estranhavam Ana vestida com vestimentas comuns, mas Ana as olhou admiradas, embora usassem burcas, elas usavam batons, tinham bolsas da Chanel e uma delas tinha um iPhone na mão.Nos mostrando que mesmo em um pais muito tradicional, já havia modernidade e eles se entrelaçavam nos pequenos detalhes diarios.
Ao chegarmos no restaurante, Ana em um perfeito francês se comunicou com o maître, que nos levou ate nossa mesa.O local estava quase cheio, ocupado por mulheres bem vestidas usando joias, algumas de hijab, outras sem.E homens das mais diversas etnias, mas em sua maioria muçulmanos com ternos Ralph Lauren e usando murban ou keffiyeh.
A primeira e talvez única diferença que eu vi naquele lugar de tantos outros ao redor do mundo, era que não havia um sommelier, embora eu naquela noite fosse dispensa o vinho, mas o motivo de não haver sommelier era que na Tunisia álcool e algo extremamente mal visto por aquele ser um pais muçulmano, pelo o que eu havia visto pesquisando sobre o pais, o álcool só havia sido liberado no pais em 2011, mesmo o pais sendo o maior exportador de vinhos do norte da África, os habitantes não podiam beber.Eles so vendiam bebidas alcoólicas se fosse solicitado, mas olhando em volta realmente, so as mesas em que haviam estrangeiros haviam bebidas alcoolicas.Naquela noite ao invés de vinho pedimos chá aromático de menta para combinar com a leveza do nosso cardápio.
—Isso e delicioso-disse Ana na primeira garfada da entrada-Sem duvida preciso procurar a receita depois na internet
—Fico feliz que tenha gostado-vê-la se deliciando com um prato ate então desconhecido me deixava feliz
Ana havia deixado a escolha da entrada por minha conta, eu havia escolhido brik de gema com azeitonas, e pela rapidez com a qual Ana havia comido eu realmente havia acertado na escolha.No prato seguinte, enquanto Ana cortava o cordeiro, eu a admirava, ela estava linda, tão feliz como eu não a via a muito tempo.
—Por que está sorrindo tanto?
—Por que?-ela pareceu surpresa com a pergunta, mas deu um sorriso ainda maior-Eu estou gravida Christian, não poderia estar mais feliz
—Realmente, você e única quando esta gravida
—Eu estive pensando nos nomes, e acho que ja decidi
—Posso saber qual nome escolheu?-perguntei sorrindo
—Brandon
—Como?-queria ter ouvido errado
—Brandon-Ana repetiu inocentemente-E o nome que Mia queria colocar se fosse menino, mas como e menina será Elisa, espero que ela não se importe, ainda não perguntei
—Não gosto desse nome
—Por que?-perguntou desconfiada-E tão bonito
—Apenas não gosto
—Por que você não escolhe então?Escolhi o de Ted e Phoebe, talvez não esteja gostando desse porque gostaria de escolher
Nunca me intrometi com a escolha dos nomes, Ana sabia escolher, mas só nesse momento eu percebi que gostaria de fazer isso, gostaria de escolher o nome, era algo simples que seria levado para a vida toda de uma pessoa, da pessoa mais importante para mim.
—As vezes eu imagino nomes sim, mas nunca pensei muito nisso, gosto dos que você escolhe
—Eu quero Brandon, qual você quer?
Disse o nome baixo, eu havia pensado nele dês de que Ana estava gravida de Ted, e quando estava gravida de Phoebe tambem, eu conhecia algumas mulheres com esse nome, mas ele soa melhor em um menino.
—Qual?-Ana deixou o cordeiro de lado e inclinou o rosto curiosa
—Robin
E estranho fala-lo em voz algo, pelo o que eu lembre nunca o fiz, mas e um nome que eu gosto muito e sempre imaginei um Robin Grey, dês do meu primeiro pensamento paternal eu imaginava um Robin, não um Ted, não uma Phoebe, mas sim um Robin.
—Robin-repetiu sorrindo-Gostei deste nome
Antes da sobremesa havíamos decidido o nome, seria Robin, era menino, Ana sempre acerta, teríamos um Robin Grey, e ele ouviria a historia de como escolhemos seu nome, havia sido em um restaurante na Tunísia, e lembraríamos disso sempre que comêssemos cordeiro.


Naquela noite eu e Ana fizemos amor, sim, desta maneira mesmo, por mais brega que pareça, fizemos amor ao som de Frank Sinatra que tocava no radio da televisão, e eu disse que a amava, ela não disse o mesmo, mas eu não me senti triste ou decepcionado por aquilo, eu apenas lhe dei a chance de dizer o mesmo e quando ela não o fez, eu não tinha direito a nada além de aceitar.
Dois dias depois estávamos em um helicóptero para a parte mais aguardada da viagem, voamos ate Kebili-Ksar para visitar o Deserto do Saara que foi o principal motivo para eu escolher a Tunísia, o Deserto do Saara e um dos locais que Ana deseja visitar.Fariamos um passeio bem turístico do jeito que ela gosta, Ana odeia quando vamos a um lugar novo e ao invés de apreciarmos o local e sua cultura, ficamos o dia todo em locais americanizados, como quando fomos pela primeira vez a Coreia e ao invés de leva-la a um restaurante coreano eu a levei em um restaurante francês que servem as mesmas comidas que ela come nos restaurantes da França onde ela já foi dezenas de vezes.
Assim que descemos do avião, um carro dirigido pelo guia turístico veio nos buscar, seu nome era Qadimal, e ele era um homem de quase quarenta anos, com fios grisalhos em sua barba e usava um keffiyeh que contrastava com seu jeans Levi's e sua camisa da Nike.O carro era perfeitamente refrigerado e nos deu refresco naquele dia quente.Passamos pela Cordilheira do Atlas, uma longa extensão de montanhas que começa no Marrocos e termina na Tunísia e logo a frente tivemos nossa primeira parada.
Ele parou em uma vila no meio do deserto onde havia uma grande quantidade de pessoas de idade e quase nenhuma criança, os moradores se mostraram acostumados com turistas, inclusive uma das casas fazia parte da visita.Toda a vila era formada por casas feitas a partir de pedras, rochas e barro, e Qadimal me disse que eles eram popularmente chamados pelos outros tunisianos mais modernos de trogloditas, embora eu tenha vista que são pessoas bem educadas e amistosas.
—Eles fazem essas casas porque como os dias são muitos quentes, elas são frescas no verão mesmo não tendo janelas-explicou Qadimal em inglês
A senhora dona da casa que visitávamos vendiam tapetes de lã de carneiro tecidos com estampas étnicas, que no resto do mundo era vendido por quase mil dólares, ali eles vendiam ao equivalente a cem.Ana maravilhada com o tapete comprou quatro, a senhora tão feliz pela venda, convidou Ana para tecer um pouco e ela alegremente se agachou ao seu lado e começou a tecer um tapete.
Olhei em volta para todos aqueles tapetes, era algo que Violetta gostaria, não poderia deixar de pensar nisso, por um instante pensei em comprar um para ela, mas logo a ideia pareceu completamente absurda e idiota.
—Christian-Ana me chamou
Ela estava com os braços esticados, eu segurei suas mãos e a levantei.Do lado de fora da vila havia um jovem que alugava dromedários para passeio, e tão rapidamente que eu nem havia percebido, Ana já estava com o pé no joelho do rapaz que a ajudava a subir no animal.
—Acha que esta e uma boa ideia?-perguntei ao seu lado-Sabe, devido a gravidez
—E perfeitamente seguro.Não e Qadimal?
—Sim senhor Grey-o guia confirmou com seu sotaque carregado e inglês fluente-São animais muito dóceis e estão acostumados com pessoas
O jovem que alugava os animais estava segurando a guia de outro e sem saída eu também montei.Era quase como um cavalo, talvez ate mais seguro, os animais eram tão mansos que logo a preocupação com Ana se foi.Qadimal tirava fotos enquanto nos passeávamos pelo deserto.A todo momento Ana queria tirar mais e mais fotos, mesmo o cenário nunca mudando, mas a cada passo ela se mostrava mais surpresa e encantada.
A maioria veria apenas um infinito de areia, uma praia deserta sem água, mas Ana via mais que isso, ela sempre via.Talvez estivesse imaginando como através dos séculos inúmeros povos que passaram por ali, os exércitos africanos travando batalhas que pintavam as areias do deserto de vermelho.As caravanas nômades com pessoas cheias de historias maravilhosas, que caminhavam para a próxima aventura.
Quando voltamos a vila Ana se entreteve alimentando um filhote de dromedário, ela o alimentava dando-lhe biscoitos e ele procurava carinho como um filhote de cachorro.
—Se tivéssemos um jardim maior, tenho certeza que ficaria tentada a levar um para casa-disse enquanto entravamos no carro, ela me respondeu com um sorriso
Nossa próxima parada foi algo que quando eu vi na opção de passeio logo me lembrou minha juventude rebelde.Fomos ate o Hotel Sidi Driss, onde passaríamos a noite, aquele era o local onde havia sido filmado Star Wars em 1977.Era um local parecido com a vila que visitamos, porem havia uma quantidade menor de nativos e um numero considerável de turistas se formos pensar no tamanho do hotel.Haviam cerca de dez quartos no hotel, porem deveriam haver mais de vinte pessoas entrando e saindo dos quartos temáticos, onde havia o conteúdo do filme.
—Muitos deles acampam do lado de fora-disso Qadimal
Eu e Ana visitamos os locais, eles estavam reformados, mas mantendo os locais como o das filmagens.Haviam fotos do filme e dos bastidores, e uma de George Lucas ao lado do falecido dono.
A arquitetura do hotel era no mínimo excêntrica, não havia regularidade nos níveis e andares, então os quartos do segundo andar, alguns ficavam a três degraus de distancia, outros a quinze e tinha os que ficavam ainda mais altos.
Fomos logo para o quarto, Ana estava muito cansada, principalmente com o chacoalhar do carro pelas dunas de areia.Nosso quarto era semelhante a casa do casal que conhecemos horas antes, toda de pedra, sem janelas e para nossa surpresa fresca, havia uma cama de casal, um sofá e uma mesa, nada mais.Aquele era o tamanho do nosso closet, mas nos pareceu surpreendentemente aconchegante.Pedimos comida no quarto, e ja anoitecendo fomos para o pátio aberto no meio do hotel.Como Qadimal havia nos dito, muito acampavam do lado de fora, e aquela hora muitos já estava saindo.
Curiosos os seguimos, e vimos a cinquenta metros do hotel um conjunto de 12 barracas de acampamento, ali estava movimentado, haviam pessoas de muitas etnias e idades.As barracas não eram grandes, e nem pareciam confortáveis, mas sem duvida acampar no deserto do Saara seria uma ótima experiência.
—O que acha?-perguntei
—Parece divertido, mas...
Ela colocou a mão na barriga e me olhou, concordei e rimos dizendo que um dia voltaríamos para acampar, o que me deu expectativa, voltar ela estava pensando em voltar para aquele lugar comigo.
Na manhã seguinte, Qadimal nos levou de volta ao heliporto onde pegamos o helicóptero, foi um dia que havia valido por vários, passamos momentos maravilhosos, principalmente na noite passada, quando mesmo com uma porta de miçangas, eu e Ana nos amamos no silêncio, ouvindo o som da areia sendo soprada pelo vento.


Quatro dias depois do deserto, estávamos agora na praia, Ana bebia um gelado chá verde com menta de sementes de pinha enquanto eu resolvia alguns assuntos da empresa com a paradisíaca vista do mar turquesa do mediterrâneo.
Estávamos passando a tarde admirando o vista do Safe Sidi Chebaane, que e um café de vários andares que vai descendo ate o mar, que fica em um dos bairros mais ricos e importantes da capital e próximo ao nosso hotel.
—O que você acha?-ela me perguntou depois que eu desliguei o celular
Ana havia colocado a jasmim que havia ganhado em seu chapéu de aba larga.
—Linda como sempre
A jasmim ali tinha um grande significado, era símbolo da revolução de Jasmins iniciou a Primavera Árabe e trouxe a independência do pais.
—Prove isso, e delicioso
Colocou em minha boca uma torrada com geleia de damasco feita ali mesmo, era delicioso.Estavamos adorando principalmente conhecer a nova culinária.
Havíamos passado os últimos dias indo a praia, e estávamos muito bronzeados, mas Ana ao tirar a roupa ficava muito engraçada, já que ela ia toda coberta para a praia, como agora que usava macaquinho ate pouco acima do joelho.Na Tunísia ela não pode mostrar curvas, decote ou deixar a barriga de gravida marcada no maiô, que e sim permitido as estrangeiras.Por isso precisa usar um tecido ou blusa larga por cima do maiô, tudo isso porque ela e turista, e assim tenho, temos alguns privilégios, as nativas se cobrem por completo, braços e cabelos, só o rosto, as mãos e pés podem ficar de fora do que elas chamam de burkini.
—Quero ir para o hotel-disse enquanto tomava o último gole de seu chá
—Você está bem?-perguntei preocupado-Está sentindo alguma coisa?
—Estou sim, mas não e algo ruim
Seu sorriso sugestivo me mostrou o que ela queria dizer, fazíamos sexo todas as noites, e as vezes durante o dia mesmo passeando, as vezes, ela fazia isso, me chamava para o quarto.
Paguei a conta e logo voltamos para o hotel a pé, admirando a beleza da cidade.O bairro onde estávamos era um centro histórico da UNESCO, por isso todo o lugar tinha certos padrões, como as portas típicas de ferro feitas a mão, cuja maioria era centenária, mas sua principal característica que faria com que a reconhecêssemos imediatamente era sua decoração.Ttoda a cidade e branca de azul, por fora as paredes brancas e o resto do mesmo tom de azul, e assim, muitos estabelecimentos o faziam em sua decoração, e essas cores nos dão a sensação de local tranquilo e aconchegante.
Chegamos ao nosso hotel, que me havia sido recomendado por um amigo anos atrás, e que eu me lembrei ao planejar a viagem.Sidi Bou Fares era conhecido por já ter hospedado grande músicos em busca de inspiração e sossego, era um hotel sem internet e televisão, onde se vai para relaxar e ficar isolado do mundo.Uma característica de todas as casas tunisianas e seu pátio no centro, e ali não era diferente, no hotel tem um espaço a céu aberto onde Ana gosta de relaxar enquanto bebe chá verde e lê um livro.E as vezes com seu celular filmar e tirar fotos do camaleões, como aquele que estava na porta de nosso quarto quando voltamos do café.
Existem muitos camaleões pela cidade, principalmente próximo a praia, e na recepção do hotel recebemos um folheto em inglês, um guia para a cidade.Nos explica as regras e comportamentos, como que um homem e uma mulher não podem andar de mãos dadas a não ser que sejam casados, que gravidas não podem usar roupas justas e beijos em público são proibidos, mas em uma pagina inteira havia o aviso para ter cuidado onde se senta, as vezes pode ter um camaleão camuflado na cadeira.Ontem Ana viu um em uma parede de azulejos no pátio do hotel, e o filmou, conforme ele andavam suas cores iam mudando, se igualando ao azulejo colorido, ela enviou o vídeo para todos que conhecia e pelo o que ela me disse, havia sido um sucesso.
Entramos em nosso quarto, ele e todo azulejado com teto curvado e as estampas étnicas e coloridas típicos do deserto africano.
—Sabe a única coisa que eu odeio em tudo isso?-ela disse-Não poder tocar você
Ana, com atitudes ousadas que a muito não tínhamos, me abraçou com firmeza, me olhando nos olhos e me beijando de forma suave.Entre beijos e caricias, seguimos o caminho até a cama.No caminho ela se livrou de suas roupas, revelando a lingerie azul, e me mostrando sua bela e perfeita barriga de gravida.Tirei a camisa e a bermuda que estava vestindo, ficando somente com minha cueca branca, a abraçando, com sua barriga se encaixando entre nos dois, enquanto nos beijávamos com cada vez mais desejo.
Sentia seu corpo arrepiar com meu toque e me deliciava beijando sua boca e acariciando seus seios, agora maiores por causa da gravidez.Suas mãos também percorriam todo meu corpo, me apertava e puxava meu corpo de encontro ao seu.Então a senti abaixando minha cueca, sentando na beirada de nossa cama e segurando meu membro extremamente duro.
Sem deixar de me olhar nos olhos, o colocou na boca, fazendo minhas pernas tremerem com sua habilidade.Segurei seus cabelos, me rendendo ao prazer extremo que estava sentindo, com os seus e os meus gemidos se misturando, ate que eu atingi o prazer.Sem perder tempo, Ana me puxou para cama junto dela e beijou a minha boca me fazendo sentir o meu gosto nela.Ficamos por um tempo nos toques e caricias, ate que ela sem conseguir aguentar mais subiu em mim e me colocou dentro dela, fazendo movimentos que deliciavam tanto a ela quanto a mim.Não paramos de nos beijar em nenhum momento, com Ana cada vez mais excitada, me abraçando e tocando minha pele com seus seios.Mas ela de súbito parou dizendo que aqueles movimentos estavam deixando o bebê incomodado mudamos de posição.
Agora eu estava por cima, tomando cuidado com a sua barriga, mas com ela em si eu não conseguia ser delicado como queria ser, eu fazia movimentos rápidos, vigorosos e fortes, ouvindo seus gemidos e sentindo suas unhas me marcando as costas, dizendo baixinho em meu ouvido coisas que me fazia ir mais e mais forte.
Ana então me abraçou com as pernas e eu senti ela gozar, me deixando feliz por lhe dar prazer, e isso me fez gozar também.


Devemos ter dormido por muito tempo, não sei que horas chegamos ao quarto, mas quanto acordamos já era hora do jantar.Eu e Ana estávamos nus na cama, aconchegados um no outro, ouvindo o som de nossas respirações e sentindo os batimentos um do outro.
—Estou com fome-ela disse ainda de olhos fechados
—Então vamos comer, nos três-disse enquanto a apertava ainda mais em meus braços
Tomamos banho juntos, e nos vestimos para sair, as ruas da Tunísia eram quentes a noite, mas ainda assim a brisa fria do mar era refrescante, ouvíamos o som das ondas dançando e se chocando nas pedras da costa.O restaurante em que fomos, era como muitos da região, construído nas descidas para a praia, cujas mesas são ao ar livre, nos deixando possível apreciar a noite coberta pelo céu estrelado, com cores de purpura e azul-escuro, com nuvens incandescentes moldando uma lua perolada que era refletida no mar turquesa, que no escuro parecia um piso espelhado, refletindo tudo no céu acima dele.
Ana e eu nos sentamos em uma mesa ao lado da escadaria natural de pedras que ia para o mar.Pedimos chorba de salmão com tomate e bebemos chá de hortelã, e conversamos sobre o futuro, falamos sobre a decoração do quarto do bebê, sobre contratar uma nova babá somente para ficar com ele e ajudar Ana no primeiro ano como havia sido feito com Ted.Falamos sobre comprar um carro novo, mas espaçoso para acomodar os três e ate mesmo sobre qual seria a melhor marca de carrinho para passear.
—Lembro que Ted tinha três carrinho, Phoebe tinha quatro-ri com a lembrança-Um para o parque, outro para passear em locais fechados, um para dias de sol, e outro para ficar em casa
—O escritório do andar de baixo ficava cheio de carrinhos-lembrou Ana-Quando você convidou empresários alemães para jantar em casa e vocês depois foram ao escritório beber whisky.Gail precisou as presas esconder os carrinhos na cozinha
—Mas mesmo assim um deles foi se acomodar no sofá e sentou em cima de um mobile do carrinho
Nossa noite foi embalada de gargalhadas e sorrisos, ela não tirava mais a mão quando eu a segurava, agora ela sorria comigo, compartilhava suas expectativas e medos, me dizia seus desejos e me dava a oportunidade de realiza-los.
Eu não poderia exigir o amor de Ana, principalmente depois do que fiz, mas estava lhe dando boas razões para que me perdoasse, agora era ser paciente e esperar que a vida faça o resto.

Notas finais
Já faz mais de um ano que estou com essa fanfic, e existem algumas pessoas que a acompanham dês do começo, então aqueles que tiverem um comentario nos capitulos 1, 2 e/ou 3, vai receber de presente meu livro em PDF.Mas so valem comentarios feitos na época, então não adianta ir lá e comentar agora. E não esqueçam de comentar, eles me incentivam a escrever cada vez mais, e se você não tiver um comentario nos três primeiros capitulos não fique triste, você pode ir lá no Mercado Livre e adquirir o seu exemplar. produto.mercadolivre.com.br/MLB-818070925-e-book-a-garota-da-casa-ao-lado-tmfreddi-_JM