Cinquenta Tons de Violetta
20 Capitulo 20 - A Garota que ela Nunca Foi
Notas iniciais
Pela primeira vez em dias eu iria me encontrar com Violetta, estava na porta de seu apartamento com a chave na mão, sei que se quisesse
me afastar dela não seria certo usa-la, mas qunado vi já havia aberto a porta silênciosamente.Baltazar levantou a cabeça quando eu entrei, estava
deitado no sofá, ainda na porta eu vi Violetta na cozinha, mexendo na geladeira.
—Violetta-chamei
Um baque fez Baltazar pular, sua dona havia batido a cabeça na porta da parte de cima de geladeira.Violetta me olhou com a testa franzida
massageando a cabeça onde a porta havia batido.
—Te assustei?-sorri
Não obtive resposta, Violetta fechou a porta da geladeira e caminhou em silêncio ate o quarto, eu sem entender bem aquilo a segui.Seu
computador estava aberto em cima da cama e ao lado sua caixinha de esmaltes, dentro do quarto o cheiro de esmalte era forte, ela se sentou de
pernas cruzadas em cima da cama, ela usava uma longa blusa cinza de manga, mas quando se acomodou na cama pude ver sua calcinha rosa escura.Ela
parecia tão meiga assim, de pernas cruzadas em cima da cama, vendo algo no computador e fazendo a unha, as pintava de azul escuro.
—Por que veio aqui?
—Queria ver você
—Quer transar?-me perguntou sem olhar para mim
—Não, eu estou querendo voltar com a Ana-me surpreendi como foi facil recusa-la, eu nem ao menos senti voltade de tê-la, eu só queria Ana
—Pensei que um homem ocupado como você tivesse coisa melhor para fazer-sorriu, mas ainda sem olhar para mim
—Me dei uma folga, estou cuidando dos meus filhos enquanto Ana está no hospital.Apesar de que ela sai hoje
—Então deveria estar com ela, não aqui
—Quero falar com você
—Então sente, você em pé assim está me deixando nervosa, parece que vou levar uma bronca
Arrumei um espaço na sua cama que não nos deixasse muito proximos, logo vendo a concentração de gente Baltazar pulou e tambem ficou
sentado na cama.
—Sua mãe que falar com você
—Eu não quero falar com ela
—Ela está mudada, que ser uma boa mãe
—Ela não mudou, a Nicole nunca muda, ela ate repete os mesmos erros.Acredita que ela voltou com Alan?
—Isso e uma coisa boa.Ela esta se desculpando com as pessoas que magôou
—Merda nenhuma.Ela só não que ficar sozinha
Respirei fundo e tentei achar uma maneira melhor de convence-la.Baltazar estava se banhando enquanto no computador ela via um filme
alemão qualquer.
—Como a Ana está?
—Bem, pensei que você não soubesse
—Mia me contou.Tambem soube que ela esta grávida
—Mia tambem te contou isso?-perguntei espantado
—Não, isso eu descobri sozinha
Aquela garota me surpreendia em como acabava sabendo das coisas, ela era sorrateira e esperta, ate demais.
—Quero que saiba que eu apenas vim aqui para lhe dar o recado de sua mãe, e realmente espero que o cumpra.Como já sabe Ana esta grávida e agora
mais do que nunca tenho que ser um bom pai e marido-olhei para o meu rélogio, o hospital não ficava longe, mas depois do acidênte passei a tomar
mais cuidado com as ruas congeladas-Preciso ir, vou busca-la
—Você vai busca-la sozinho?
—Sim-me levantei da cama
—O que vocês vão fazer?
—Nada, ela está de repouso, precisa ir para casa descansar
—Não precisa ser nada cansativo-ela mantinha a cabeça baixa e pintava as unhas dos pés-Poderia aproveitar esse momento para ficar com ela.Mima-la
um pouco-ela começou a limpar o borrado da unha com um palito, algodão e acetona-Nada de coisas caras, isso e muito materialista, algo
simples.Não sou dificil de agradar, alias, prefiro as coisas simples, por exemplo; sorvete.Alguem pode continuar triste depois de tomar sorvete?
Olhei pela janela, havia neve presa no vidro do lado de fora, havia nevado de madrugada e as ruas estavam congelantes.
—Não e dia para sorvete.Tambem não acho que Ana vá querer
—Ela está gravida, e se uma mulher já gosta de sorvete o tempo todo imagine grávida-ela finalmente me olhou-Lembra de quando ia vim falar comigo
e me encontrou na praça, que eu lhe disse sobre ter vontade de ir na sorveteria e pedir um de cada sabor?
—Lembro sim-foi em minha tentativa fracassada de lhe devolver a chave do apartamento
—Naquela sorveteria tem um ótimo prato de sorvete com bolo quente.E ótima para o inverno, deveria leva-la lá
—Preciso ir
—Claro que precisa
Ela não sorriu como normalmente faz.Quando já estava no elevador percebi que senti falta de seu sorriso, mas sua sugestão me interresou,
talvez eu fizesse.
Quando entrei no quarto de Ana ela já havia se vestido e estava sendo orienta pelo médico, uma enfermeira com uma cadeira de rodas estava
logo ao lado da cama e a bolsa de Ana estava na cama junto as flores recebidas que sobreviveram ate aquele dia.
—Chegou bem na hora-disse o médico-Já esta tudo pronto para que Ana possa ir.E lembre-se que precisa de cuidado dobrado
—Claro doutor-disse-Ela será mimada e paparicada por todos nós
—Nada ajuda na mais cura de uma paciente que como mimos e paparicos-respondeu rindo
Ana foi sozinha para a cadeira de rodas, embora sua perna estivesse machucada ela conseguia andar tranquilamente dês de que fosse por
pouco tempo.Ana levou no colo suas flores ate o carro onde Taylor assim que a viu abriu a porta e lhe cumprimentou com felicidade em vê-la
bem.Ela se sentou no banco de trás enquanto eu colocava as flores no carona, ao lado de Taylor, logo estava ao seu lado.
—Que bom que sua perna esta melhor
—Precisa só de um pouco de descanso, meu braço e que esta um pouco dolorido-ainda usava uma tipoia
—Que bom que se sente um pouco melhor, porque eu irei te levar a um lugar onde poderemos passar um tempinho sozinhos
—Como assim?
—Não se preocupe, não sera nada cansativo-me adiantei-Iremos aproveitar um tempo juntos
—Quero ir para casa, ver meus filhos
—Eles ainda estão na escola-toquei sua mão e ela me olhou-Por favor Ana, estou lhe pedindo
Desviou o olhar para a janela, não estavamos indo pelo caminho que nos levaria para casa, e ela sabia disso, deu um longo suspiro.
—Tudo bem, acho que vai me fazer bem, fiquei muito tempo naquele quarto
Em menos de dois minutos Taylor parou em frente a sorveteria, desci para ajudar Ana a descer, ela olhou desconfiada para o local enquanto
arrumava o cachecol no pescoço.A ajudei a andar pela calçava suja de neve e quando abri a porta da sorveteria o delicioso calor nos
aconchegou.Para uma sorveteria em um dia de neve o local estava cheio, esperamos um atendente limpar uma mesa que havia acabado de ser
desocupada.Enquanto aguardava percebi que muitas pessoas comiam bolo com sorvete, pelo visto aquele prato era realmente popular.
Puxei a cadeira para Ana se sentar, e pedimos, ela quis bolo de chocolate com sorvete de morango e granulado, eu pedi um de chocolate com
sorvete de creme.
—Este lugar e bonito-ela disse, a decoração era a de uma loja de doces dos anos 50, havia ate um balcão com bancos giratorios-As crianças
adorariam vir aqui
—Tenho certeza que teremos a oportunidade de trazê-los.Todos os três
—Acha que pode me conquistar com sorvete?-percebi que havia um tom brincalhão em sua voz
—Com sorvete não, mas com bolo e sorvete, talvez
Ela deu uma leve risada, mas logo ficou seria, não queria rir.Quando nossos pedidos chegaram uma fumaça saia do bolo, havia acabado de
sair do forno, sua combinação com o sorvete era deliciosa, e logo estavamos repetindo.
—Que bom que estando grávida posso comer o que quiser sem culpa
Enquanto a observava eu senti um sentimento doloroso, saudade de tudo o que tinhamos antes, as vezes isso acontecia, ultimamente com mais
frequencia do que antes.Era um sentimento que chegava a machucar, eu podia sentir meu coração se apertar, era como se eu não tivesse mais nada,
ate as lembranças pareciam fugir da minha mente.Sentia saudade da minha infância, não aquela miseravel, mas aquele periodo depois que eu fui
adotado, sentia saudades de brincar com Elliot e proteger Mia, tão pequena e fragil que eu podia envolve-la em meus braços e protege-la de todo
esse mundo.Me doeu constatar que a criança que eu fui não teria orgulho do adulto que eu sou hoje.
Tambem sentia falta dos meus tempos de faculdade, mesmo curtos, eu gostava da nova perspectiva e do que aquilo poderia representar, pelo
menos para a maioria das pessoas, eu não fiquei lá muito tempo.Sentia saudades dos que já haviam morrido, principalmente de Gustave, se ele ainda
estivesse vivo todos estariamos mais felizes, era impressionante como sua morte mexeu tanto com tantas pessoas.Esse sentimento parecia com
aquelas crises de meia idade que tanto ouço falar, embora eu ainda não esteja nessa idade, mas foi esse sentimento de nostalgia que me fez querer
voltar a ser jovem e achar que só poderia fazer isso com uma adolescente.
—O que houve?-Ana perguntou, ela estava com os lábios rosados pelo gelado do sorvete
—Estou apenas pensando-estiquei o braço e alisei sua bochecha, ela parou a colher no meio do caminho-Senti sua falta, só poder estar com você
aqui já me deixa feliz.Durante esses meses repeti em minha cabeça todos os momentos que tivemos juntos, dês de que você caiu dentro da minha sala
—Você deveria ter me falado coisas bonitas antes, não agora
Ela voltou a sua expressão seria, que adquiria quando queria se mostrar decidida em seguir com o divorcio.Mas não importava quantas vezes
ela me rejeitasse, não posso deixar de olha-la como fazia antes, quando tudo estava direito e viviamos nossa vida tranquila.
—Você amargou meu sorvete-ela largou a colher no prato-Vamos embora
—Não, por favor.Eu só quero fazer as coisas direito.Fiz muita merda, e eu quero resolver
Ana deu uma risada mistura com suspiro, algo debochado que achei que Ana jamais faria.
—Sabe o que e uma merda?Perceber que nosso casamento era uma mentira
—Não foi, eu te amo muito
—Não, você não ama.Me lembro de como você me olhava antes, agora não me olha mais assim, era algo lindo, mas acho que fiquei velha demais para
você
—Sim Ana, eu a amo, e não, você jamais sera velha demais, você e perfeita a todo momento-coloquei minha colher no prato, meu sorvete tambem havia
amargado-Sei que não posso exigir seu amor, mas estou tentando lhe dar boas razões para que volte a me amar e esperar que dê certo
Pedi a conta e liguei para Taylor para que nos buscasse, quando o carro parou ela recusou minha ajuda, se aventurando com a perna
machucada em uma calçada coberta de gelo.
Os gritos de alegria das crianças quando chegaram em casa e encontraram a mãe me fizeram esquecer os problemas.Tanto Ana quanto Phoebe
tinham lágrimas de felicidade nos olhos, Ted era mais discreto, porem posso apostar que o vi enxugando os olhos com a manga do casaco e vendo
aquele momento eu me senti feliz apesar de tudo.Dizem que devemos ser felizes, mas felicidade e um sentimento e não um destino traçado, não e
eterno, e cheio de idas e vindas.E parando de me preocupar com a felicidade eterna eu acabei encontrando a felicidade mais vezes.
Ana me evitava a maior parte do tempo, embora não tivese me pedido para ir embora, os únicos momentos em que nos reuniamos eram nas
refeições quando as crianças estavam presentes.No jantar do dia seguinte a sua chegada ela contou que estava grávida, Phoebe deu um grito de
felicidade.
—Não acredito, eu vou ter uma irmãzinha!Eu quero que ela durma comigo
—Pode ser um menino-falou Ted
—Não, vai ser menina
O jantar se seguiu com Phoebe falando em como ensinaria a irmã a dançar e faria trança nela.
Dezembro chegou e eu me vi em uma eterna confusão, sem saber se estava em um final ou um começo, mas para alguns aquilo seria um
recomeço.Tirei um dia para ir ate ao apartamento de Violetta, estava acompanhado com Nicole, ela parecia melhor, ganhou alguns quilos e exibia
sua beleza de Miss, percebi que ela tinha altos e baixos, e naquele dia esperei que seu bom estado psicologico a ajudasse com a filha.Naquele dia
toquei a campainha, esperando que a porta não fosse batida na minha cara.Quando Ivana abriu a porta eu notei duas coisas, a primeira que ela
parecia abatida, a segunda foi que seu abatimento foi substituida por um olhar irritado ao ver quem eu trazia comigo.
—O que e isso?
—Ivana, Violetta está?
—Não para ela
—Poderia perguntar ao menos se ela gostaria de ver a mãe?
—Essa e uma resposta que todos nós sabemos
Ivana ia fechar a porta, mas Nicole passou a minha frente e prendeu a porta com o pé.
—Eu preciso ver minha filha.E meu direito, ou você se esqueceu que ela e menor de idade ainda?
Sem esperar resposta Nicole forçou a porta e entrou no apartamento, eu fui atrás dela, já vendo que se o encontro se iniciou assim,
dificilmente terminaria bem.
—Vou chama-la-disse
Deixei as duas mulheres na sala, mesmo sem ser convidada para se sentar, Nicole se acomodou em uma poltrona.Abri a porta do quarto e
Violetta estava lendo um livro, quando me viu deu um breve sorriso, mas logo ele se foi.
—Que surpresa.Não achei que você voltaria a aparecer aqui-ela marcou o livro e colocou ao lado-Como foi na sorveteria?
—Como você sabe que eu fui lá?
—Você não perderia a oportunidade de passar um tempo tranquilo com a Ana, e eu sei que minha ideia era boa
—Você tem razão, o sorvete e delicioso
—Mas eu acho que você não veio aqui para falar de sorvete
—Violetta, sua mãe está aqui e que conversar com você
Abaixou a cabeça e deu um longo suspiro cansado.
—Isso explica porque tinha sangue saindo das torneiras hoje.O anti-cristo esta aqui
—Sei que ela não foi uma boa mãe, mas não se deve falar assim dela.Não a traria aqui se não achasse que ela esta arrependida-toquei sua mão,
senti ela prender a respiração-Estou te pedindo
Ficamos em silêncio por mais de um minuto, ela estava pensando, quando pensava seu olhar se perdia e seu rosto virava uma estatua.
—Tudo bem, mas só porque e você quem está me pedindo
Violetta se levantou e calçou suas pantufas de únicornio.Quando saiu do quarto e viu a mãe ali na sala parou por um instante, como se
quisesse voltar para o quarto e se fechar lá ate ela ir embora, mas seguiu em frente.
—Filha-Nicole se levantou da poltrona, tentou abraça-la, mas Violetta a empurrou levemente
—O que você quer?
—Conversar
—Poderiamos conversar por telefone
—Talvez-deu a mesma erguida de sobracelha que a filha costuma fazer quando contrariada-Mas você não atende minhas ligações
—Certo, então fale
Nicole olhou para mim e depois para Ivana, ela rodava uma aliança no dedo anelar da mão esquerda, havia voltado a usar a aliança de seu
casamento com Alan.
—Poderiamos ir para um lugar mais intimo?
—Não-endureceu a voz-Aqui, qualquer coisa que precise me falar pode dizer na frente deles
—Nossa conversa será melhor se tivermos privacidade
—Então tchau
Segurou o braço da filha, a garota revirou os olhos e voltou a olhar para a mãe, sua linguagem corporal, braços cruzados e cabeça jogada
para o lado.Nicole respirou fundo, eu pensei em sair da sala para melhorar o ambiente, mas quando me mexi Violetta me olhou tão desesperada por
minha presença que eu fiquei.
—Quero pedir desculpas por tudo o que eu fiz e o que deixei que acontecesse.Fui uma péssima mãe
—Você não faz ideia do quanto estragou minha vida, suas desculpas não mudam nada
—Nunca conversamos, não sei bem como fazer isso...
—Viu, nem sabe pelo o que se desculpa-interrompeu
—Então me fale.Pode falar, eu estou aqui para ouvir o que você quer falar, qualquer coisa, sei que fui uma pessima mãe e você deve ter uma lista
de coisas horriveis que eu fiz.Já tivemos muitas brigas, mas você nunca me jogou na cara o que Scott fez com você.Se quiser fazer isso, tudo bem,
apenas me mostre como eu posso melhorar
—Eu...eu sinto falta de quando você me levava para ver apresentações de ballet.Era a unica hora em que você me dava atenção e quando tinhamos um
momento nosso.Você fez isso ate eu ter uns onze anos-Violetta começou a brincar com a pulseira que eu lhe dei-Por que você parou?Foi só por que
eu cresci?Você não começou a ficar mais ocupada
—Me doia olhar para você, ainda doi.Quanto mais o tempo passa mais você se parece comigo, só que melhor, e eu me sentia desconfortavel
—Não e minha culpa
—Eu sei que não e
Houve um silencio incomodo.
—Por que você voltou com o Alan?
—Ele me pediu-Violetta deu riso seco e engasgado
—Por que você fez isso?Você esta se sentindo sozinha?Está com medo de virar seu pai?Nossa, essa e uma bela inspiração de romantismo, deveria
virar filme-disse sarcasticamente-E tão bom ver você admitir que desistiu de ser feliz e que só está com um cara que você não gosta porque e
melhor do que nada
—Você não sabe como e ficar sozinha-Nicole parecia querer tentar não responder a filha, de deixa-la se expressar completamente, mas não pode
segurar a replica
—Sei sim, eu sempre fui sozinha, meu pai trabalhava o tempo todo e minha única companhia foi a Ivana, ela e minha babá, por mais que eu goste
dela e ela de mim não deixa de ser uma pessoa que e paga para ficar comigo.Você tirou ela de mim quando meu pai morreu, eu fui jogada em uma
cidade que eu não moro à anos, completamente sozinha
Pensei nos estragos e as consequências que aquela menina sem supervisão adulta causou, todos parecemos parar para pensar nisso.
—Você teve uma boa vida, não passou pelo o que eu passei.Pelo menos seu pai lhe tratava bem, te amava e faria de tudo por você.O meu não
—Engraçado você falar isso.E por mais que você dúvide, eu sinto falta dele, ele era legal, era divertido.Por que você isolou ele de você?Ele te
amava muito, tudo o que ele queria era o seu perdão
—Seu pai me disse o que você fazia
—E faria novamente, ele estava velho e doente, tudo o que ele queria era que a filha dele aceitasse suas desculpas e eu fiz com que ele
acreditasse nisso.Toda vez que ele me via e achava que era você indo visita-lo, ele ficava tão feliz.O engraçado e que ele não sabia que tinha
uma neta, mas quando me viu pela primeira vez ele me chamou de Nicole, e eu nem sabia que ele era o meu avô.Ele não lhe via a anos, e estava
doente, com problemas de memoria, esquecia o proprio nome, mas ele lembrava do seu rosto
—E facil uma pessoa se arrepender quando está velha, mas estraga a vida de todos quando ainda tem energia para isso
—Por que você fala isso com tanto orgulho?Você não e melhor do que ele, você não e melhor do que ninguem.As pessoas fazem escolhas erradas na
vida.Ele precisava da sua ajuda e você não ajuda ninguem
—Eu estou tentando mudar, eu vim aqui e pedi que você me disesse o que lhe incomoda
—Nossa, isso muda tudo-bufou sarcasticamente-Deve ser a primeira vez na minha vida que você vem falar comigo realmente interresada com o que eu
penso e o que eu sinto.Você não me conhece, não sabe nada sobre mim-ela respirou fundo-Você não gosta de mim não e?Eu sei que e óbvio, mas você
nunca disse com todas as palavras.Vai, fala que você não gosta de mim
—Eu gosto de você muito, muito mesmo-Nicole começou a chorar-Eu só sou uma idiota
—Sabe, você sempre agil assim comigo que eu achei que fosse essa a opnião de todos.Mas tem algum tempo que eu percebi que tem quem goste de mim e
se interrese por mim de verdade.E por que você não e uma dessas pessoas?Você e minha mãe-Violetta tirou uma mecha de cabelo do rosto, foi o mais
proximo do choro que eu vi ela chegar-Ate um tempo atras...-ela me olhou-...eu achava que as pessoas mentiam quando diziam que gostavam de mim.Eu
pensava 'Não, isso e impossivel.Tem tanta gente boa no mundo, por que justo eu?Tem alguma coisa errada'.
—Não, você e uma menina incrivel-Nicole se aproximou e tocou no braço da filha, sorriu quando ela não se afastou-Você corre atras do que quer,
mesmo que todos digam que e errado.Você não tem medo de ser feliz e se alguem fala que você não pode, você insiste e isso e uma coisa boa.Eu
deveria ter sido mais decidida em realizar meus sonhos, você faz isso e não liga para o que os outros dizem
—Não e tão facil assim, existem mais pessoas dizendo que eu não consigo do que as que dizem que eu posso ter tudo o que eu quero se eu correr
atras-Nicole tocou no queixo da filha para que ela a olhasse nos olhos
—Você pode ter tudo o que quiser se você correr atras.E eu vou a partir de agora estar sempre ao seu lado, para o que der e vier, eu prometo
—Sabe, durante toda minha vida nunca me faltou nada material, mas eu não ligo para isso.E por mais que eu não gosto de admitir, eu sinto falta de
carinho
Nicole puxou a filha e as duas se abraçaram, foi um abraço apertado e longo, que parecia compensar todos os anos que elas viveram em
conflito.Me virei e vi Ivana chorando, quando ela olhou para mim eu indiquei a porta e ela me acompanhou.
—Obrigada por proporcionar esse encontro das duas.Sei que posso ser meio protetora, mas você não viu o que eu vi.Para mim Nicole sempre foi
sinonimo de problemas e traumas.Por isso não gosto de vê-la perto da filha, mas depois disso acho que preciso reconsiderar
—Todos devemos rever nossos conceitos, principalmente quando se trata de alguem que quer uma segunda chance
Ivana concordou e fechou a porta, eu fui ate o elevador, me sentia tão leve, como se agora eu tambem pudesse continuar a seguir em
frente.Se Nicole depois de tudo conseguiu apos anos e anos, eu tambem consigo.Eu estou disposto a ter Ana de volta.
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