Cinquenta Tons de Violetta
19 Capitulo 19 - A Garota dos Meus Sonhos
Notas iniciais
Taylor dirigiu tão depressa e ultrapassou tantos sinais vermelhos que fiquei surpreso por não sermos perseguidos pela policia.Mas eu precisava saber de Ana, no noticiario dizia que os feridos foram levados para o mesmo hospital onde minha mãe trabalhou tantos anos.Na entrada Dr.Frey me esperava, ele era grande amigo de minha mãe, e embora fosse pediatra se dispos apos um telefonema da minha mãe em me ajudar a compreender a situação e descobrir o estado de Ana.
—Não se preocupe, ela está bem-foi a primeira coisa que me disse quando eu entrei desesperado na recepção-Acabei de vê-la, ela está sendo atendida, está acordada, só um pouco desorientada
—Mas...-respirei tentando me restabelecer-..., mas eu vi no noticiario que uma mulher havia morrido
—Infelizmente sim, ela já foi identificada e estão tentando contato com a familia
—Quero ver a Ana
—Você vai, agora preciso que se acalme.Ver você assim pode estressa-lá ainda mais
—Mas qual e o estado dela?
—Ela está um pouco confusa e assustada, mas nada que seja preciso se preocupar
Dr.Frey me guiou ate a sala de espera onde eu me sentei, ele me deu um copo de água.O tempo parecia passar três vezes mais devagar enquanto eu era obrigado a ficar ali esperando.Minha mãe me ligou desesperada para saber de noticias, eu avisei que ela estava bem e não haviam traumas aparentes.Ela se mostrou muito mais tranquila e me disse que estava presa em um engarrafamento provocado pelo acidente, provavelmente demoraria para chegar ao centro.Mesmo apos as relativamente boas noticias eu ainda tremia, o copo com ainda um pouco de água sacudia em minhas mãos.
—Christian-disse Dr.Frey, eu não havia percebido que ele estava do meu lado-Já pode vê-la, mas rapidamente
Me levantei tão rapido da cadeira que o copo com água caiu no chão, me senti constrangido com a bagunça, mas o médico pareceu não se importar com aquilo, olhou para um funcionario da limpeza que viu a cena e logo estava vindo secar o chão.
Pegamos o elevador e subimos ate o quinto andar, ele me explicava o estado de Ana, tentava prestar o maximo de atenção possivel, mas me senti tão claustrofobico naquele elevador, que quando ele finalmente parou no andar eu percebi que não estava respirando, e então pude embebedar meus pulmões com o ar esterilizado de hospital.
Ana no momento estava tomando um analgesico, ela havia fraturado o ombro e a perna esquerda, foi onde o outro carro pegou o dela.
Ela parecia tão fragil, tão pequena naquela enorme cama, com o soro espetando sua mão tão delicada.O anestesico que a enfermeira aplicava era de um tom esbranquiçado, e eu pude acompanha-lo descendo pelo tubo ate a mão de Ana.Quando atingiu sua veia, pouco depois sua expressão pareceu mais tranquila.
—Ana-a chamei, ela me olhou meio espantada, parecia não ter me notado ali, estava atordoada-Meu amor, como você está?
—Quebrada, dolorida, mas bem-um colar cervical lhe limitava os movimentos, o Dr.Frey me disse que ela uma precausão
—Tudo vai ficar bem, agora você precisa descansar
—Nossa, doi muito.Fiquei com uma dor de cabeça tão forte que pensei que minha cabeça iria explodir
Acariciei seu rosto, seu rosto não havia sido afetado, mas sua aparencia abatida a deixava tão fragil que eu fiquei com medo de quebra-la
—Sr.Grey-disse o Dr.Frey-Agora precisa sair, os remedio já estão fazendo efeito e ela dormira em menos de um minuto
—Claro
Me inclinei e lhe dei um delicado beijo na testa, quando me afastei ela já estava de olhos fechados, com um ronronar delicado de um sono muito desejado.
Quando chegamos a recepção do hospital meus pais atravessaram a porta de entrada, o rosto de minha mãe estava inchado de tanto chorar, meu pai parecia mais tranquilo, mas eu o conhecia, ele precisava ser forte para apoiar minha mãe, era possivel ver sua expressão preocupada.
—Ela está bem-avisei-Acabei de vê-la, esta dormindo
—Graças a Deus-disse minha mãe, ela nunca foi religiosa, mas em seus momentos de agonia sempre recoria a fé
—E as crianças?-perguntei
—Ainda estão na escola, mas acho que o melhor para dar a noticia seria você
—Claro que sim.Vou ficar com eles em casa
—Ficar com eles?-os olhinhos da minha mãe brilharam
—Sim, são meus filhos, eu ficarei com eles na casa.Ficarei lá ate mesmo depois de Ana ter alta, ela não podera cuidar deles sozinha mesmo já em casa, precisara de descanso
—Isso e otimo meu filho-meu pai me deu um aperto companheiro no ombro
—Acho melhor eu ir.Preciso pegar algumas coisas no escritorio para levar, irei direto para casa, preciso voltar antes que eles cheguem da escola.Como vocês disseram esta tudo engarrafado
—Ficaremos aqui, preciso conversar com o Dr.Frey
Nos despedimos e eu fui ate onde Taylor havia estacionado o carro, quando me aproximei ele não disse nada, mas pude ver em seu rosto a preocupação.Apenas sorri e acenei possitivamente com a cabeça, ele tambem sorriu.
Passei no escritorio, peguei meu notebook e papeis importantes, avisei que provavelmente passaria os proximos dias trabalhando em casa.Taylor e eu saimos do centro e pegamos um leve congestionamento, passamos pelo local do acidênte, não vi o carro de Ana, mas havia um sendo rebocado, pelo seu estado o acidente foi feio e eu agradeci por ela não ter sofrido nada mais grave do que as fraturas.Dirigimos em baixa velocidade, a todo momento o radio alertava sobre o acidente e o risco de novos causados pelo gelo na estrada.
Quando chegamos a mansão a babá estava saindo para busca-los na escola, o que me deixava com pouco tempo para me preparar.Subi as escadas ate meu escritorio, tudo estava como antes.Meus aeromodelos, o computador, os livros, como se eu nunca tivesse ficado fora.Me sentei em minha cadeira e me deixei ser criança por um segundo e gira-la, apreciando a confusão do ambiente em movimento.De alguma maneira eu senti meus filhos chegando, e quando estava no topo da escada eles abriram a porta do hall.
—Pai!-gritaram ao mesmo tempo
Nos encontramos no meio do caminho da escada, abraçaram minhas pernas e eu alisei seus cabelos, na porta a babá entrava com as mochilas, ela me olhou de cabeça baixa, parecia apressada em sair dali antes que eu contasse o que aconteceu com Ana as crianças.Os levei ate meu quarto onde me encaravam com curiosidade, sabiam que havia algo estranho.
Eles ficaram quietos no caminho, algo raro, eles costumam falar muito, pelo menos Phoebe e bem faladeira, mas enquanto me sentava na cama e a colocava no meu coloo ela me olhava apreensiva com aqueles enormes olhos azuis, olhos iguais ao de Ana.
—Meus filhos, a mãe de vocês sofreu um acidente de carro...
—O que?!-exclamaram juntos, me interrompendo
—Calma-disse rapidamente, os olhos de Phoebe já se enchiam de lágrimas-Ela está bem, só machucou um pouco o braço e a perna, mas está muito bem, só precisa descansar um pouco, e por isso ela vai passar um tempo no hospital.Mas logo vocês poderão visita-la
Ficaram novamente em silêncio, Phoebe olhava para mim, mas Ted fixava o chão, pensativo.
—Vamos ficar com a vovó e o vovô?-ele perguntou
—Não.Eu vou ficar aqui com vocês.Por que perguntou isso?
—Você não esta mais aqui, não achei que fosse ficar agora
Aquelas palavras me doeram tanto quanto uma pancada, eu era um pai horrivel.Meu proprio pai era um exemplo mais do que excelente para mim, mas eu não soube segui-lo.
—Não mais, vou ficar com vocês ate que a sua mãe esteja bem
Queria completar que talvez se a mãe deles permitisse eu voltasse a morar com minha familia, mas achei melhor não.Não queria dar falsas esperanças e se caso isso não ocorresse eles acabassem culpando a mãe quando o unico culpado disso tudo era eu.
No dia seguinte visitei Ana no hospital, felizmente ela estava se recuperando rapido e sairia em três dias, mas ficaria de repouso absoluto em casa.Ela estava bem melhor, com o braço em uma tipoia e a perna enfaixada, mas já sem o colar cervical.Mia, minha mãe e Kate estavam com ela, tendo uma corversa de mulher pelo o que eu percebi, quando entrei elas se calaram, Kate e Mia deram risadinhas.
—Espero não estar interrompendo
—Claro que não-disse minha mãe-Estavamos apenas nos divertindo um pouco
—Percebi
Ana estava com o cabelo perfeitamente trançado e usava batom, pude sentir o cheiro de esmalte no ar, suas unhas, tanto a da mão bom quando a da mãe machucada estavam pintadas de um tom de rosa perolado.Todo o quarto estava cheio de flores, havia um balão flutuando com os dizeres 'Melhore logo'.
—Como estão as crianças?
—Estão bem-eu segurava na minha mão desenhos feitos por eles, meu preferido era um de nossa familia, nossos filhos, Ana com um gesso no braço e na perna e eu segurando sua mão boa
Entreguei os desenhos a Ana, ela ficou tão absorta neles que não ouviu a pergunta que minha mãe fez a ela.
—Ana-chamou novamente minha mãe-Quer que os deixemos a sós?
Ana olhou para elas e depois para mim, parecia receosa, mas deu um timido sorriso e respondeu:
—Sim, por favor
Esperei as três sairem para me aproximar mais da cama.
—Esta melhor?
—Sim, bem melhor.Nem consigo acreditar no que aconteceu.Foi muito rapido
—Fiquei com medo que algo acontecesse com você
—Obrigada por ficar com as crianças
—Não precisa me agradecer.Eu sou o pai deles, e minha obrigação.Mas tambem não e trabalho nenhum, eu quero ficar com eles
Tentei segurar sua mão, mas ela a tirou do meu caminho rapidamente.
—Por favor, não insista
—Só queria segurar sua mão
—Estar aqui me fez refletir sobre muitas coisas
Abaixei a cabeça e respirei fundo, já sabia sobre o que ela falaria.
—Já disse que terminamos
—Mas você ainda a vê-foi uma afirmação, e não uma pergunta
—Foi um deslize, e eu sinto muito.Mas e você que eu quero, foi você quem eu escolhi para ser minha esposa
—Não parece, ela morou com você no lugar onde passamos nosso primeiros meses de casamento, onde tudo começou
—Ela não tinha para onde ir
—Você me trocou por eu estar ocupada demais tendo uma carreira, sendo mãe e dona de casa
—Eu apenas me senti deixado de lado, perdido.As coisas não eram mais como antes
—Você me aceitou pelo o que eu era, antes ou agora?Acho que pela suas atitudes você prefere o eu de antes, mas como eu não posso mudar somente para satisfazer sua vontade, creio que seja melhor seguirmos em frente
—Só queria que você fosse feliz comigo, não era para isso acontecer
—Queria que eu fosse feliz?Então porque você me humilhou e me deixou tão triste como eu nunca fiquei na vida?
—Prometo que nunca mais farei isso
Ela jogou a cabeça para trás e relaxou no travesseiro, pegou um dos desenhos que eu trouxe com a mão boa e sorriu, era o desenho que eu gosto.De nos quatro.
—Vamos Christian, qual e o seu sonho?
—Meu sonho são os seus sonhos
—Meu sonho era ter uma grande familia, mais um ou dois filhos.Estava tentando realiza-lo quando eu peguei você fodendo uma adolescente contra uma parede de vidro
—Podemos realizar esse sonho apesar de tudo
—Podemos não, eu posso e não preciso de você para isso
—Ana...-eu então percebi onde ela queria chegar
—Isso mesmo, um dos exames que eu fiz mostrou que eu estou gravida
—Foi naquele dia no escritorio não e?-perguntei sorrindo
—Sim-ela suspirou-Parei de tomar anti-concepcional a quase um ano, quando decidimos ter outro filho
Com cuidado com o braço dela eu lhe deu um forte abraço e pousei minha mão em sua barriga, embora ainda não tivesse barriga eu conseguia sentir meu filho dentro dela.
—Nada muda com isso
—Muda sim, me faz ter ainda mais esperança e dedicação em reconquista-la
—A esperança e o pior dos males, ela prolonga nossa dor.Deixei de ter esperança em você a tempos
Seus dizeres não me abalaram, eu continuei sorrindo ate o momento em que o médico entrou e disse que ela precisava ir para outra bateria de exames.
Só conseguia pensar naquilo, eu teria outro filho e vendo meus dois mais velhos dizendo o quanto eu era ausente, eu só posso pensar que não devo deixar isso acontecer novamente.Pensei nisso ate o final daquele dia e foi a primeira coisa que me veio a cabeça quando eu acordei.Pensava em uma menina, igual a Phoebe, porem com meus olhos cinzas e uma franja iguial a que Ana usava quando a conheci.Ou então um menino, ao imagina-lo veio a imagem de mim mesmo na infancia, ele gostaria de jogar futebol e brigaria com Ted pelo video-game.
Desci as escadas e esperei na mesa por Ted e Phoebe, sentia falta de me sentar naquela mesa de manhã, embora quando meus filhos correram e se sentaram em seus lugares eu senti falta de Ana.
—Pai, você pode em ajudar mais tarde com um trabalho de escola?-Phoebe me perguntou enquanto sua babá colocava calda nas panquecas dela
—Phoebe, eu disse que lhe ajudava-a babá sussurou em seu ouvido, porem eu escutei
—Claro que ajudo
—Minha mãe disse que ia me ajudar, mas ela não pode
—E sobre o que?
—Preciso fazer uma maquete de algo que represente a natureza.Eu quero fazer uma praia
—Eu vou adorar lhe ajudar a fazer o trabalho-disse com sinceridade
Como naquele dia Ana estava proibida de receber visitas para fins médicos eu fiquei a tarde trabalhando, estar novamente naquele escritorio me confortava e me fazia trabalhar com mais vontade.Alem de olhar o tempo todo para o sofá, o provavel local onde meu novo filho havia sido concebido.
Meu celular tocou enquanto eu revisava uma planilha, dês de que soube que meu diretor financeiro me roubava passeia a dedicar parte do meu tempo a isso.Era minha mãe ligando, atendi rapidamente e deixei o computador de lado.
—Mãe?Oi
—Meu filho, então, como está se sentindo?-pelo seu tom de voz ela já sabia
—Muito bem, feliz e animado com a ideia
—Ana havia acabado de nos contar.Terei dois netinhos de uma vez
—As crianças vão adorar.Deixarei que Ana conte a eles
—Quanto a isso, acho que e um bom momento para você se reaproximar de Ana.Filhos não devem ser usados para segurar casamentos, mas como eu sei que vocês se amam...-ela deixou o fim da frase no ar
—Pensei que lhe levar flores amanhã
—Um bom começo, mas lembre-se de ser gentil e nada de discussões, agora mais do que nunca ela precisa de descanço.E as crianças?
—Estão bem, em relação a internação de Ana, estão tranquilas, sabem que não foi nada grave
—Como você está com eles?
—Estou me divertindo, sentia falta deles
—Espero que você aproveite esse tempo com seus filhos
—Vou aproveitar
Quando Phoebe chegou da escola eu já a esperava na biblioteca com os materiais para o trabalho, cartolina, isopor, inumeras tintas e um computador com imagens para serem imprimidas já estava ligado e a impressora pronta, haviam pequenos bonecos de plastico e objetos para a montagem, coqueiros, cadeiras e uma prancha de surf.Phoebe me deu um beijo e logo pegou um pincel para pintar o isopor, seu mar era azul claro com pontos coloridos, ela dizia que eram peixes.Quando limpou o pincel e abriu a tinta amarela ela torceu a boca e me olhou de canto de olho.Rapidamente largou o pincel e pegou um pote de purpurina.
—Posso fazer a areia com isso?
—Areia com purpurina amarela?
—Ficaria tããããão lindo
Combinamos de pintar de amarelo e depois colocariamos um pouco de purpurina.Ela rapidamente pintou, mas nem por isso com pouco capricho, enquanto a tinta ainda estava humida eu salpiquei a purpurina.Esperamos tudo secar, enquanto isso Phoebe pintava os bonecos de plastico com canetinha para fazer as roupas e cabelo.Usei a cola instantanea para colocar-los no lugar, então um ser estranho apareceu entre os bonecos, já ali esperando a cola no lugar onde eu deveria cola-lo
—Phoebe, porque tem um únicornio na praia?
—Porque ele quer se bronzear
—Acho que sua professora não vai aceitar
—Por que?
Ela me olhou com aqueles grandes olhos azuis, eu não consegui negar, logo estava colocando um únicornio do lado de um coqueiro.
Já era hora do jantar quando terminamos a praia de purpurina e únicornios, e mesmo apos lavarmos as mãos eu ainda tinha purpurina em todo lugar.
—Meu trabalho ficou muito lindo-ela disse enquanto comia
—Pai, você pode me ajudar com o dever de casa?-Ted me perguntou timidamente
—Claro que ajudo.Assim que chegar da escola eu ajudo
—Obrigado
Ted abriu um enorme sorriso, eu fiz o mesmo, ele era parecido comigo, os cabelos, o sorriso, tinha meu nariz e meus olhos.Passei o resto do jantar imaginando como será quando meu novo filho ou filha vier, mas tambem um pensamento triste me veio a mente, será que eu poderei sentar com eles todos os dias depois que Ana sair do hospital, ou nosso casamento realmente estava acabado?
No dia seguinte eu comprei um enorme buquet de rosas brancas e vermelhas para Ana, eu havia chegado um pouco depois do horario de visitas começar, então quando cheguei já imaginei que teria alguns minutos a menos com ela.Eu usava a gravata cinza que guardei por tantos anos e com tanto carinho, foi com essa gravata que eu a amarrei logo que nso conhecemos.Estava sorrindo e animado quando entrei no corredor do seu quarto, mas foi só abrir a porta que uma onda de raiva me atingiu.Ali estava Simon, com tantos acontecimentos eu havia ate me esquecido dele, mas ele era como uma dor horrivel que faz questão de não ser esquecida.
Ele estava sentado na cadeira ao lado da cama, estavam rindo, mas logo ficaram serios quando me viram.Ana abaixou o rosto constrangida, já ele deu um leve sorriso, mas não fez qualquer menção de se retirar.
—Oi Christian-Ana disse apos um longo e constrangedor silêncio-São para mim?-ela esticou o braço bom para o buquet de flores
—Sim-me aproximei da cama, mas sem perder contato visual com Simon-Para você-lhe entreguei as flores
—São lindas-pude ouvi-la dar um longo suspiro-Simon-ambos olhamos para ela-Preciso conversar com o Christian, se puder nos dar licença
—Claro
Ele se levantou imponente e lhe de um breve sorriso, eu estava em frente a porta e com gosto lhe dei passagem para passar.Quando Simon saiu eu pensei rapidamente em algo que realmente não queria, na possibilidade do filho não ser meu, mas Ana jamais faria isso comigo, eu sabia disso, mesmo assim a ideia me atingiu como uma brisa.
—Não acredito-ela disse zangada
—O que?
—Lhe conheco a anos Christian, lhe conheço mais que qualquer um, posso ver no seu rosto o que acabou de pensar e não e verdade
—Desculpe-suspirei
—Ele apenas veio me ver
—Vocês ainda estão juntos?
—Nunca estivemos na verdade-revelou
Dei um enorme sorriso que logo sumiu quando ela me encarou.
—E as crianças?
—Bem, ajudei Phoebe com um trabalho de escola
—A maquete?-ela pareceu ter esquecido-Eu ia ajuda-la
—Ana, você não pode fazer tudo sozinha.Estou aqui para isso
—Deveria ter estado antes
—Eu sei, mas vou mudar
—Um tarde para isso
—Nunca e tarde para fazer a coisa certa.Eu te amo, apesar de tudo e eu fui um idiota por não lembrar do quanto amo você.A cada dia eu te amo cada vez mais, tanto que hoje ja parece amanhã-ela deu uma risada seca
—Você diz que ama a chuva, mas você abre seu guarda-chuva quando chove.Você diz que ama o sol, mas procura um ponto de sombra quando ele brilha.Você diz que ama o vento, mas fecha as janelas quando ele sopra.É por isso que eu tenho medo, você tambem diz que me ama-Ana abaixou a cabeça e sorriu, depois olhou para mim novamente depois de recitar Shakespeare
—Ana...
—Não quero parecer arrogante, mas e a verdade.O que eu posso fazer?Por que você me escolheu?
—Você tinha um brilho diferente
—Um divorcio já está sendo muito ruim para nossos filhos, teremos outro e não quero passar por isso novamente com uma nova criança.Como vou saber se não vai ter outra traição?Acha que me trazer flores e cumprir suas obrigações de pai vai adiantar?
—Estou mudando, estou querendo você de volta
—Não Christian, não e por mim, e por eles.Como uma nova criança vai crescer em meio a isso?Desconfianças e brigas?As vezes e preciso fazer algo ruim, para não fazermos algo pior-ela me disse
Tentei pensar em algo para replicar, alguma coisa que pudesse mostrar meu ponto de vista.
—Tem alguem na porta-ela me disse
Me virei e percebi que a porta estava entreaberta, a abri e não havia ninguem na porta, só algumas enfermeiras passando pelo corredor.Ia fecha-la quando no canto, junto a parede vi um vaso de flores.Não lembro de vê-las ali quando cheguei, peguei o vaso e levei a Ana.Ela havia se acostumado a usar apenas um braço.
—Hortensias deixam o ambiente mais fresco para quem precisa de recuperação.Escolhi azuis, acho que e a sua cor-leu no cartão-Pode coloca-las junto as outras
Fiz o que me pediu, junto a janela varias outras flores recebiam a luz do sol de inverno.Na cadeira onde antes estava Simon havia outro buquet, com certeza dele, eu quis despedaça-las, mas as peguei e coloquei junto as outras.
—Quando você terá alta?
—Em dois dias
—Posso continuar na casa ate você se recuperar totalmente?-perguntei olhando nos seus olhos-Quero ficar com meus filhos
—Claro, a casa e sua apesar de tudo
—Não, ela e sua, a fiz para você
A noite eu me senti minusculo naquela fria cama onde tantas noites eu a esquentei com Ana, mas naquele momento nenhum lugar da cama conseguia ser confortável.Eu então percebi que estava com medo, medo de não ter Ana, nem meus filhos e nem mesmo aquele lugar onde eu sonhei passar o resto da vida com ela.Mesmo com meus filhos e os empregados a poucos comodos de distancia, eu me senti em um imovel vazio e sem vida, repleto de historias que nunca aconteceram com uma sensação que me trouxe de volta aquele sentimento que tinha quando criança sobre aqueles que me observam no escuro, esperando que eu dormisse para me fazer mal e me roubar tudo o que me era querido.
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