Cinquenta Tons de Violetta
17 Capitulo 17 - Garota Má
Notas iniciais
Quando chegamos em Seattle eu a deixei em seu apartamento e segui para o Escala.Ana chegou no dia seguinte, e no primeiro dia util eu confirmei que Simon Lair havia voltado de viagem, todos os dias eu senti vontade de confronta-lo, ameaça-lo e desafia-lo; mas eu sabia que só faria papel de idiota.
Logo o verão acabou, o calor foi embora, o outono chegou arrancando das arvores suas folhas vermelhas e amarelas, as aulas voltaram e eu via Violetta menos vezes do que antes, Ivana não a deixava sair comigo em dia de aula e nos fins de semana eu saia com meus filhos.
Com o inicio do outono vinha tambem uma data muito tradicional no meio artistico da alta sociedade, a abertura de temporada com a Sinfonica de Seattle.Era algo bem tedioso para a maioria das pessoas, eu mesmo gostando de música classica dificilmente apreciava inteiramente, porem era um evento mais social, e muitissimo luxuoso, tão luxuoso que chegava a ser exagerado.
—Senhor Grey, a sua espo...A senhora Anastasia está aqui para falar com o senhor
—Mande-a entrar-eu pulei da cadeira e arrumei meu terno
A porta se abriu e Ana desfilou com todo seu porte e elegância que ela adquiriu com o tempo.Ela sorriu sem graça quando me viu, Ana tinha um bronzeado de verão que fazia seu sorriso parecer ainda mais reluzente do que o normal.
—Oi, eu não esperava sua visita
—Só vim lhe entregar seu convite da sinfonica-ela me esticou o envelope roxo, nossos dedos se tocaram e eu me arrepiei por completo-Foi mandado lá para casa e eu estava aqui perto
—Obrigado.Você vai?
—Sim, vou levar o Simon
—Está brincando?
—Não, por que?Não deveria?Você vai levar sua menininha
—Não, eu não vou, ela foi convidada tambem, mas não vamos juntos.Alem do mais, estaremos no camarote, um local intimo onde estaremos apenas familiares, realmente quer provocar um momento constrangedor como esse?
—Violetta não vai estar no camarote tambem?Duvido, vocês estão bem intimos
—Ana, não vamos falar disso
—Será que tem como não falar disso?Minha nossa, assume, você me traiu e continua a fazer isso para todos verem
—Ana...-tentei me aproximar, mas ela deu dois passos para trás
—Não me toque.Você me da nojo
Ela então me deu as costas e simplesmente foi embora, me deixando ali, sem palavras, Ana nunca me tratou daquele jeito, não era odio, era simplesmente indiferença.
Passei a ter três sessões por semana com Flynn, minha vida estava virando uma novela das mais dramaticas e complicadas.As vezes ligava para ele durante o dia, ou mandava mensagem, foi algo que ele mesmo me disse para fazer, sempre que algo me acontecesse que eu considerasse importante ou significativo eu ligaria ou mandaria mensagem, pôs muitas vezes eu com o passar do tempo deixava algumas coisas de lado, por não achar relevante.Eu o fiz logo que Ana saiu, eu o veria na manhã seguinte, e logo vi que ele estava interessado em saber do meu curtissimo encontro com Ana.
—Ele foi muito fria, porem ela foi pessoalmente me entregar o convite, que dizer alguma coisa-eu batia o pé no chão com nervosismo-Talvez quisesse uma reaproximação, mas...-eu tentava encontrar as palavras-...sem parecer que estava tentando
—O fato dela pretender levar Simon.Como você se sentiu?
—Com raiva, não dela, nem dele, bem, talvez um pouco dele, mas ainda mais por causa do rumo que as coisas tomaram
—Estas são as consequências dos seus atos
—Eu sei, mas e tão dificil consertar tudo.Eu quero Ana, mas não quero magoar Violetta
—As vezes e preciso magoar as pessoas.Talvez devesse tentar ir aos poucos terminando a relação, ela tem dezessete anos, e uma idade dificil.Para a maioria das meninas de dezessete anos, o fim de um relacionamente e o equivalente a morte; mas ela só esta começando a vida, paixões adolescente são fortes e passageiras
—Não acho que isso vá passar tão facilmente
—Você tem que parar de inventar desculpas.Qual e o seu medo?-ele se inclinou em sua poltrona
—Acho que eu não quero ficar sozinho, antes eu podia viver sozinho, em um apartamento vazio e me conformar.Mas agora estou acostumado com compania humana, e se eu terminar com Violetta, e Ana me rejeitar.Como eu fico?
—Se você quiser que Ana volte a ter um minimo de confiança em você então tem que abrir mão de algumas coisas, e preciso arriscar
Eu me remexi incomodado na poltrona, me imaginei no lugar de Flynn, tendo um paciente pedindo tantos conselhos, mas não querendo cumprir nenhum.
Ivana não deixava Violetta sair dia de semana, mas não me impedia de visita-la, embora eu fizesse o minimo possivel, cheguei a passar algumas noites lá, mas era constrangedor encontrar Ivana na manhã seguinte quando eu ia embora, então começei a ir embora de madrugada, mas então o problema era Violetta tentando me fazer ficar, então eu tinha que espera-la dormir, embora não fosse honrado, era pratico.
Porem naquele dia quando eu entrei no apartamento, que eu já tinha me acostumado a usar a chave que ela me deu, eu quase fechei a porta e achei ter entrado no apartamento errado.Sentado no sofá havia um rapaz tão estranho quanto desconhecido.Com cabelo muito preto e liso, e penteado para parecer bagunçado.
—Oi, você deve ser o Christian-disse ele
—Sou sim-não posso negar que me incomodou ele saber quem eu sou e eu não o conhecer, embora eu já soubesse que Violetta contava sobre mim para todos.Ate o zelador do predio sabia meu nome sem eu nunca ter falado com ele
—Olá Christian-disse Ivana da cozinha-Violetta já está vindo, ela foi comprar sorvete
—Ok
O local cheirava a torta de abobora que estava no forno, e Baltazar estava na cozinha, provavelmente esperando receber alguma coisa para comer.
—Este e Andrej, ex-namorado da Violetta
Ele acenou novamente, eu ia procurar um lugar para sentar, não perto dele, quando a porta se abriu e quase bateu em mim, Violetta segurava uma sacola de mercado e assim que me viu me deu um abraço animado e apertado, o sorvete gelado ficou em minhas costas, me provocando um leve arrepio.
—Que surpresa, não sabia que vinha-ela tinha um enorme sorriso no rosto, como se não me visse há anos
—Senti vontade de te ver-ela me deu um selinho
—Este e Andrej-ela direcionou o braço a ele
—Já o conheci
—Vamos comer?-perguntou Ivana, ela parecia se divertir com a situação, via seus ombros balançarem em uma risada silênciosa enquanto ela pegava os pratos no armario
Ivana serviu um pedaço de torta de abobora com sorvete para cada um.O tal Andrej se levantou então eu pude ver ele melhor, estava com uma calças jeans tão apertada que achei que devia ter comprado na seção feminina.Era de cintura baixa e deixava a mostra dois dedos de pele na lateral, por baixo de uma camiseta branca rasgada.Ele não parecia ser o tipo de namorado que Gustave teria aprovado.
—Que saudades que eu estava sentindo da sua comida-elogiou ele com a boca cheia de torta
—E eu estava com saudade de quem a apreciasse-disse Ivana com orgulho
—Tambem estava com saudade da compania de vocês-ele olhou de maneira pretensiosa para Violetta
Violetta deu um sorriso sem graça.Ela parecia saber o efeito que tinha sobre ele.
—Então, que fica e ver um filme?-Violetta me perguntou baixinho, enquanto os outros dois tinham sua propria conversa
—Acho que você vai estar muito ocupada hoje
—Vamos-ela me beliscou-Não fique com ciume, ele e só um amigo
—Mas seria grosseria
—Ele tem uma festa para ir hoje
—E você não vai?
—Acha que a Ivana deixa eu sair na vespera de prova?
—Quando você veio você não tinha essa marcação cerrada
—Eu sei, eu era um espirito livre-disse rindo
Quando Andrej saiu e Ivana foi se deitar, eu e Violetta fomos para o quarto, porem, ao inves dela colocar em um filme, ele foi ate uma mala de viagem que ficava no closet e tirou de um compartimento escondido um portfolio.
—O que e isso?
—Uma sessão de fotos que eu fiz e Andrej fotografou-ela me esticou o album-Veja
Peguei o album e me sentei na cama, era grande, o tramanho deveria ser 60x30.Na primeira divisoria, uma folha estava no plastico, dizia que o fotografo era Andrej e a modelo Violetta, a data foi pouco mais de um ano antes.
Logo que vi a primeira foto eu agradeci por estar sentado, tive que virar na pagina seguinte para ter certeza, eram fotos de Violetta sem roupa, pelo menos na maioria.
—Não fique tão chocado, tenho certeza de que já viu coisas piores
—Só não esperava por isso
Todas as fotos eram em preto e branco, me lembravam vagamente as fotos de Eva Ionesco, porem, claro, sem todo o absurdo que elas tinham.Achei todas as fotos de bom gosto, mas eu não tinha duvida que pessoas mais conservadoras as achariam chocantes, principalmente se soubessem a idade da modelo.Violetta deveria ter quinze anos na época, e ainda assim não parecia ter nenhum problema em se exibir.Cheguei ate a achar divertida uma foto dela nua apoiada em um carrinho de compras, parecia ter sido tirada no estacionamento de um supermercado.
Tambem me excitei com uma foto dela totalmente nua, com uma mascara como as que os medicos italianos usava na época da peste.Ate Baltazar estava no album, enquanto Violetta usava uma coroa de flores e salto alto, ele mantinha uma pose felina elegante, olhando para o alto em total requinte.A mais bonita era justamente aquele em que sua nudez estava escondida, estava de joelhos e cabelos desleixadamente presos, com as mãos nas coxas e os braços cobrindo os seios, seu olhar para a camera era quase suplicante, não por sexo ou nada carnal, ela parecia pedir atenção.
—Ivana sabe que você tem essa fotos
—Não, e nem pode saber
—Isso e meio, não sei dizer-eu não conseguia parar de olhar para as fotos, eram 20-Era algum tipo de brincadeira entre vocês?Sabe, coisa de namorados
—Alguns homens que namorei tiraram fotos minhas nua.Aposto que já fez isso
—Elas não tinham quinze anos
—Que moralista-ela foi ate o closet e pegou algo-Aposto que as fotos que você tirava eram piores-ela colocou a mascara de médico da peste que usou nas fotos
—Isso e meio morbido-mas nem por isso não era excitante
—Não me julgue.Você sabe que eu não presto-ela começou a desabotoar minha camisa-E você e mais parecido comigo do que quer admitir
O longo nariz da mascara de médico, que mais parecia um corvo, tocou meu pescoço, eu ainda tinha o portfolio aberto nas minhas mãos, em uma foto onde ela usava uma coroa de flores e uma meia 7/8, nada mais.
—Ai!-ela me deu uma mordida no pescoço
—Dá vontade de te morder ate tirar pedaço
—Como você conseguiu me morder com essa mascara?
—Posso fazer muitas coisas com essas mascara
Continuei passando as fotos ate uma folha que continha dentro um pequeno bilhete com uma caligrafia bem feita 'Você foi a coisa mais incrivel que ja vi'
—Esse e o rapaz que fez aquelas fotos suas?
—A que seus pais tinham na sala?Sim, foi ele, foram feitas no mesmo dia, porem expor estas não seria muito prudente, principalmente por eu ser menor de idade e meu pai estar na exposição
—Eu compraria um quadro desses, claro, anos antes, quando eu não era casado
—Isso e uma grosseria de se falar, principalmente para mim
—Violetta, eu não vou me divorciar, pelo menos não estou pensando nisso agora-a olhei nos olhos, atraves da mascara
—Esquece isso-ela ficou atras de mim e começou a massagear minhas costas-Fiquei tão feliz que você veio me ver
—Não temos nos visto muito
—Eu sei, Ivana não me deixa sair dia de semana
—Acho que ela era a mão firme que lhe faltava quando você voltou para Seattle, você estava muito solta.Ate estranhei, seu pai não lhe deixaria tão livre assim
—Mas você não se importava com isso
—Acho que eu começei a me importar com as coisas
Ela tirou a mascara e me encarou com aqueles olhos tão bonitos, primeiro foi de uma forma muito espantada, e com uma rapidez que eu não consegui nem ao menos ver, ela deu aquele sorriso que era minha ruina e veio para cima de mim.
Assim que terminamos eu pulei da cama e me vesti, ela estava nua na cama, abraçando as proprias pernas e com cabelo dessarumado.
—Quando você vai vim novamente?
—Não tenho tempo, acho que só vamos nos ver na Sinfonica.Você vai?
—Não quero, mas se só vou poder vê-lo novamente lá, então eu vou
—Não precisa se sentir obrigada
—Obrigada?Ver você não e obrigação nenhuma.Pelo menos não para mim
—Como assim?-coloquei meus sapatos
—Você esta estranho.O que aconteceu?
—Eu vi a Ana esta semana, e eu percebi que eu não posso ficar longe dela-fiquei de pé
Ela primeiro me olhou muito fixamente, então se levantou da cama, eu me senti uma presa, mas não iria fugir dela, eu não iria fugir de uma criança.Ela alisou meu cabelo, o arrumando, te-la ali, nua me deixou nervoso, eu só conseguia pensar em como perdia o rumo das coisas em meio as curvas de seu corpo, e que fora isso que complicou minha vida.
—Fique aqui, vamos-ela segurou minha camisa e tentou me levar de volta para a cama
—Você precisa parar de tentar fazer as pessoas agirem do jeito que você quer-me desvencilhei de suas mãos
—Mas não e isso o que você faz?Eu estagiei na sua empresa, eu vi como você e
—E diferente, eu sou um empresario e tenho que orientar meus funcionarios
—E porque isso seria diferente?De qualquer maneira você só esta querendo que façam as coisas do jeito que você quer
—Você não faz ideia do que e ser dono de uma empresa como a minha.Estou em uma posição em que eu sou criticado e julgado por qualquer idiota que tenha uma boca.Como você
—Agora sou idiota?
—Está agindo como uma.Alias deveria aproveitar esse tempo para estudar, afinal tem prova amanhã, já deveria saber que uma prova ruim pode acabar com suas chances de ir para a faculdade
—Não vou para a faculdade.Não me vejo estudando mais quatro anos para ter um diploma e não ter emprego
—De qualquer maneira você deveria se dedicar mais, não existe coisa pior que alguem ignorante
Sai do quarto e ela não veio atras de mim.No elevador eu olhei meu relogio e vi que já era madrugada, uma dor de cabeça instantanea me atingiu com tanta força que precisei ficar alguns minutos parado no banco do carro antes de liga-lo para poder dirigir com segurança.
No sabado, quando eu tinha que buscar as crianças, resolvi arriscar.Desci do carro com um pequeno embrulho na mão, subi os degraus ate a porta da frente com toda confiança que pude reunir.
—Oi-disse Ana secamente quando abriu a porta-Está adiantado, vou chamar as crianças-disse enquanto andava em direção as escadas que levavam ao andar dos quartos
—Espere-ela me olhou desconfiada-Trouxe algo para você
Lhe ofereci a caixa, ela pareceu pensar se aceitava ou não, mas no fim aceitou.Ela abriu a caixa e a falta de expressão dela me deixou receoso.
—Um colar de perolas?
—Sim, eu achei que gostaria, você tem um par de brincos que combina com o colar
—O que você quer?Eu te conheço a tempo suficiente para saber que você não da presentes para uma mulher sem ter segundas intenções
—Papai!-gritaram as crianças, correndo escada abaixo
—Não corram na escada-dissemos eu e Ana ao mesmo tempo
—O que vocês querem fazer hoje?-perguntei
—Cinema-se impos Ted-Estreia hoje um filme muito legal que nos queremos ver
—Então vamos no cinema-de esgueira olhei para Ana, ela estava analisando o colar e depois o guardando de volta na caixa-O que vocês acham da mamãe ir com a gente hoje?-pude sentir o olhar arregalado de Ana para mim
—Sim!-gritaram
—Você...-disse Ana entre dentes-...o que esta planejando?
—Só quero tentar fazer a coisa certa
Ana não foi na frente comigo, ficou no banco de trás com as crianças.O cinema estava mais cheio do que eu esperava, mas conseguimos quatro ingressos para a proxima sessão.Por incrivel que pareça, foi o dia mais feliz que eu tive em muito tempo, adorei ter que carregar quatro sacos de pipoca e quatro refrigerantes e ter que equilibra-los enquanto subia as escadas da sala escura.Mesmo Ana não querendo sentar ao meu lado, eu gostei de ajudar Phoebe a segurar o saco de pipoca e o refrigerante ao mesmo tempo, gostei do desenho simples e divertido.Tirei meu casaco para dar a Ted que estava com frio, sai no meio da sessão para comprar balas e quando voltei não encontrava meu lugar e ri quando em meio a sessão Phoebe gritou 'Estamos aqui pai!' todos fizeram 'shhh' para ela ficar em silencio, e eu fui para o meu lugar rindo.
Cinco minutos depois do fim do filme, Phoebe estava dormindo no meu colo enquanto iamos para o estacionamento.Ate Ana estava sorrindo e eu quis acreditar que ela foi no banco de tras para segurar Phoebe que dormia e Ted que dormiu no caminho.
Quando chegamos, eu levei Ted e Ana levou Phoebe, eu dei um beijo neles e quando chegou a porta de seus quartos esperei ver Ana no corredor, mas ela não estava lá, eu me aventurei e procura-la.Estava em nosso quarto, pelo menos no quarto do qual usavamos quando eu estava morando aqui.Quando me viu ela voltou com sua muralha de gelo.
—Ana, eu estou tentando me acertar
—E preciso mais do que um dia de cinema para consertar tudo o que aconteceu-ela se sentou na cama, bufou de exaustão
—Então você quer que tudo volte a ser como antes-afirmei com animo
—Nos temos dois filhos, não nos conhecemos ontem, nos lutamos para ficar juntos é e frustrante pensar que isso vai acabar assim.Não estou dizendo que quero voltar, apenas que e decepcionante-ela se levantou da cama-Agora e melhor você ir
—Ana...-tentei tocar seu braço, mas ela bateu na minha mão
—Não!-exclamou, mas não chegou a gritar-Não haja como se nada tivesse acontecido.Vai embora, eu posso sentir o cheiro dela em você
Eu poderia ter retucado, mas eu sabia que era verdade, as vezes eu senti aquele cheiro de laranja em minhas roupas, no meu cabelo e ate dentro do meu carro, onde ela estivera poucas vezes.
—Podemos marcar outro dia para conversar?-desviei o olhar, a necessidade de toca-la era tão grande que olhar para ela doia, mas eu não queria forçar as coisas
—Não, não podemos fazer tudo ser como antes.Eu lembro do jeito que você me olhava antes.Agora não me olha mais assim, você só me vê como a mãe dos seus filhos, não mais como a mulher que você amava
—Ana, eu te amo muito, muito mesmo.Eu só estou confuso, eu não duvido que te amo, mas...
—Não diga mais nada, por favor, vá embora!
Com o segundo pedido, eu fui, mas não estava contente, eu quero estar com Ana, mas me sinto sufocado ao seu lado, quando não estamos em um silêncio constrangedor acabamos discutindo.
No caminho ate o Escala eu estava pensando em como reatar com Ana, então vi o Sinfonica como uma otima oportunidade, não iriamos aumentar o tom de voz e nem havia o problema de haver alguma briga, mas tambem tinha um problema, ou melhor, dois, eles se chamavam Simon e Violetta.Mas eu não perderia esta oportunidade.
No dia da Sinfonica de Seattle eu ignorei as ligações de Violetta, eu sabia que ela estava querendo ir comigo, que fossemos acompanhantes, mas se eu quisesse reatar com Ana eu precisava começar a ignorar Violetta.No caminho, dentro do carro que Taylor conduzia, eu a todo momento arrumava a gravata borboleta do meu smoking, quando mais perto chegava do evento mais me sentia sufocado por ela.
Subi a escadaria principal em meio a flashs de fotografos e jornalistas de revistas de fofoca, ouvi gritarem 'Sr.Grey!' algumas vezes, mas entrei olhando em uma unica direção, ignorando qualquer pessoa que não estivesse diretamente a minha frente.A pré-festa era sempre repleta de champanhe e caviar, homens baixos e carecas exibiam suas esposas/namoradas, altissimas e em sua maioria loiras, que não faziam nada a não ser sorrir e ficar com o braço em volta dos ombros dos homens.
Embora ainda fosse cedo, havia um numero consideravel de pessoas, quase todas eu queria evitar, então o que eu precisava fazer era arrumar alguem no minimo suportavel para fingir estar muito ocupado para dar atenção a qualquer outro.Peguei uma taça de champanhe e resolvi circular.
—Christian, chegou cedo-me virei para a voz conhecida, era Elliot
—Vocês tambem-tentei ignorar Kate, que ate o momento andava lado a lado com Elliot, mas ao me ver desviou o caminho
—Precisavamos sair sem que Ava nos visse, senão ela iria querer vim conosco.Quando vimos a oportunidade não a deixamos passar, não sabiamos quando conseguiriamos ter outra-Elliot olhou em volta, depois olhou para mim com um sorriso torto-Veio com quem?
—Vim sozinho
—Sem Ana e sem Violetta?-ele parecia estar se divertindo
—Ana disse que viria com Simon, e Violetta, bem, eu decidi que não e bom sairmos juntos
—Não quer que saibam que ela foi o motivo para vocês se separarem?
—Ela tem dezessete anos, alem do mais, logo eu e Ana iremos reatar
Elliot bateu sua taça de champanhe na minha.
—Assim espero-disse antes de tomar um gole de sua taça
Com o passar do tempo mais pessoas iam chegando ao evento, meus pais, Mia e Ethan, então Ana chegou acompanhada de Simon, ela estava linda.Fiquei um tempo a observando, ela não segurava a mão de Simon, nem encostou nele em nenhum momento e mantinha uma distancia de um metro dele, e isso me animou, ainda mais por ele as vezes querer conduzi-la e ela recusando-o.E quando ele se afastou eu fiz o oposto e me aproximei.Ana notou que eu estava indo em sua direção, e ao invês de fingir que não me viu e sair andando, ela deixou de admirar as obras nas paredes e me encarou.
—Belas pinturas-disse tentando puxar assunto
—Sim, realmente belas-sorriu um tanto aerea
—Acabou de chegar?-que pergunta idiota, eu sei que sim, eu fiquei dês de que cheguei vigiando a porta para vê-la chegar
—Na verdade sim, deve ter uns cinco minutos
—Veio acompanhada?-outra pergunta idiota, porem nem tanto, eu queria saber o que ela responderia
—Vim com Simon-ela abaixou a cabeça, mas logo a ergueu novamente-Lhe disse que viria com ele, embora tenhamos vindo em carros diferentes
—Carros diferentes?Então ele não vai para o camarote conosco?
—Claro que não-ela pareceu ofendida-O camarote e de sua familia, eu não poderia convidar ninguem sem pedir a seus pais, e mesmo se eu pedisse e eles deixassem, não o levaria, seria muito constrangedor-escondi um sorriso atras da taça de champanhe
—E você, veio acompanhado?-ela moveu levemente a cabeça para o lado, Ana tinha o pescoço mais bonita que eu já vi, queria morde-lo
—Não, ate o momento apenas andava de um lado para o outro, ate conversei com Elliot, mas sabe como ele é, gosta de cumprimentar todos os conhecidos
—Tenho certeza de que Kate esta adorando
Não muito longe, Elliot parecia contar uma historia muito engraçada a um grupo, ao seu lado, Kate alongava o pescoço e olhava para o tento enquanto fazia bico, quando todos começaram a rir ela olhou para Elliot e deu um sorriso amarelo.Eles estavam bem, faz muito tempo que Elliot não me procura para conversar sobre desavenças conjulgais, se eles estivessem em algum tipo de conflito silêncioso, eles estaria em cantos opostos do salão, ignorando um ao outro.Mas naquela noite Kate e Elliot se admiravam em pura sintonia, como um casal apaixonado que superou seus problemas, eu nunca contei para Elliot que Kate o traia, nesta noite eu fico mais feliz do que nunca por não ter feito isso.
Kate pareceu perder a paciência, e sem qualquer graça puxou Elliot pelo braço, ele arregalou os olhos e sorriu sem graça para o grupo de pessoas.
Ana e eu demos um risinho e nos olhamos nos olhos, Ana está tão linda, ela fica linda de branco, seu vestido e de renda minuciosamente bordada com pequenos cristais que combinam com seu colar e brincos, noto alegremente que ela, assim como eu, ainda usa aliança.Quando ela olha para o lado a alça fina de seu vestido cai levemente, eu estico minha mão e a coloco no lugar, minha pele se arrepia, e noto que a dela tambem.
—Você esta linda
Antes que ela possa dizer qualquer coisa Simon aparece, ele está com duas taças de champanhe e logo se coloca entre nos dois.
—Desculpe a demora, tive que cumprimentar um conhecido
Um silêncio constrangedor tornou o ambiente tão pesado que parecia pesar nos ombros de nos três.
—Eu vou cumprimentar os Smith-disse Ana como pretexto para sair dali
Simon e eu acompanhamos Ana, deslizando pelo salão com seu vestido branco perolado, parecia um anjo.Depois de sairmos do encanto de Ana, olhamos um para o outro, cada um com seu proprio olhar egocentrico, viramos as costas um para o outro, exatamente como em um filme de faroeste, e andamos em passos largos e pesados em direções opostas.Circulei pelo salão, as portas para a sala de apresentações se abriria em dez minutos.
—Já lhe disseram que você tem a bundinha mais linda deste lugar?-me perguntou uma voz conhecida ao pé do ouvido
Me virei tranquilamente, Violetta sorria com uma taça de champanhe mão.
Dei um passo para trás para admira-la melhor.Usava um vestido todo preto, com um decote que terminava três dedos acima do úmbigo e um tecido que dançava conforme ela andava, o vestido sem mangas parecia com algo desenhado nas ilustrações de deuses olimpicos, mas com a diferença que seu vestido era preto, no pescoço o colar que eu comprei para ela enfeitava o busto semi-exposto.Seus cabelos caiam em cascata pelos seus ombros, nos dedos varios aneis e os olhos pouco maquiados, apenas com um delineador insanamente preto e o batom roxo bordô me fazia querer beija-la.
—Gostou?-perguntou sugestivamente-Se quiser pode tira-lo mais tarde
—Hoje não
Vi a uma certa distância, de costas para nos, Ana, vendo as duas assim, preto e branco, era obvia a diferença entre elas, a unica coisa que elas tinham em comum era a cor dos cabelos, embora os de Ana fosse dois tons mais claros e no momento mais longos.Violetta seguiu meu olhar, e quando olhou para mim novamente eu vi o universo pegar fogo, aqueles olhos eram muito expressivos.
—É serio isso?Você vai me trocar por ela?
—Violetta, fale baixo, não quero nem imaginar o que vai acontecer se as pessoas souberem que eu e Ana estamos separados por sua causa
—Eu não ligo para o que as pessoas pensam quando nos vem juntos
—Mas eu ligo, não quero ser visto com você
—Mesmo-ela tomou todo o conteudo em um gole-Então aproveite a noite
Ela empurrou a taça vazia no meu peito, eu a peguei e ela aproveitando a aproximação pisou no meu pé com a ponta do salto, eu gemi de dor, mas não deixei transparecer.Ouvi uma risada se aproximar, Elliot parecia estar vendo tudo de longe e se divertia com tudo.
—Ela realmente esta impregnada em você. não e?-perguntou Elliot
—Ela parece mais uma sensação.E mais facil senti-la do que entende-la-meu pé pulsava de dor, ela tinha uma faca na ponta do salto?
—Parece que você esta encrencado.Violetta está zangada e Ana acompanhada
—Mas ele falou comigo sem que discutissemos, já e um progresso
—Elliot, vamos ali um momento-disse Kate que chegou rapidamente em passos largos
—Não, eu quero conversar com Christian.Ele e meu irmão-disse com firmeza
—Como quiser-ela deu meia-volta e marchou para o mais longe possivel
—Pensei que estivesem bem
—Estamos, mas ela esta muito zangada com você.Mulheres são complicadas-ele bufou
—São, mas as vezes nos merecemos
—Se eu com uma estou assim, imagine você com duas-ele pareceu se arrepender assim que falou
—Eu não tenho duas, alias, acho que não tenho nenhuma-de longe podia ver Violetta bebendo uma taça em um unico gole e logo pegando outra
—Na minha opnião, trair Ana foi a maior burrada que você já fez.Ainda mais com Violetta, sabe que e só um amorzinho de criança-eu queria dizer que não era, mas não o fiz-Ela e uma garota legal e divertida, mas Ana e incrivel, e unica e te fez ser uma pessoa melhor.Você está voltando a ser quem era antes de Ana, e isso e ruim, você estava sempre triste, ate quando acreditava que estava feliz, você na verdade estava triste.Fale a verdade, esta noite seria muito mais feliz se você estivesse com Ana, não e mesmo?
Respondi com um suspiro, era verdade, eu faria de tudo para estar com Ana.
—Acho que esta na hora de irmos-disse ele
As pessoas estavam se dirigindo ate os corredores, de relance achei ter visto Violetta indo ao lado contrario, mas eu na verdade não estava procurando ela, e sim Ana, ela ia ao lado de Simon.Mas ao chegar na entrada dos corredores sorri ao ver que Simon e Ana foram para corredores diferentes, ele ia para a plateia, e nos para o camarote de minha familia.Eles nem se falaram quando se dirigiram a lugares opostos.Elliot e eu fomos atras dela, a porta de nosos camarotes estava aberta, todos já estavam ali, para minha sorte me sentei ao lado dela.
Minha mãe sorriu ao nos ver lado a lado, mas não disse nada, Mia parecia nervosa, eu sabia que ela continuou com o contato com Violetta, quando a propria não me contava era Ivana, já Mia parecia constrangida sobre o assunto, como se fosse ela quem estivesse tendo uma relação extraconjulgal.
—Touxe o binóculos?-perguntei a ela tentando puxar assunto
—Na verdade sim-ela tirou da bolsa um binóculos pequeno dourado, proprio para apresentações em teatro
Ela deu uma olhada em quem estava nos outros lugares em volta enquanto as luzes estavam acesas.Elas foram se apagando aos poucos e o maestro apareceu em seu pedestal em frente ao palco, de costas para o público.
Depois de duas horas de orquestra sinfonica havia o pós-festa, basicamente um coquetel onde poderiamos beber e dançar.Normalmente eram os mais jovens que ficavam, os mais velhos preferiam ir para casa e descansar, tambem iam os que na propria orquestra ficaram com sono.Fiquei surpreso em ver como Simon conhecia boa parte das pessoas que estavam ali, mas enquanto ele estava ocupado conversando eu me aproximei de Ana, ela estava conversando com minha mãe, que logo que me viu chegando sorriu.
—Oi-ela se virou e pareceu desconfiada-Gostaria de dançar
Olhamos para o meio do salão, onde uma duzia de casais dançavam ao som de um piano de calda.
—Não danço tão bem quanto ela-Ana olhou para Violetta que nos encarava com raiva do bar, enquanto bebia whisky
—Eu quero dançar com você-disse com mais firmeza, mas devo ter parecido agressivo
—Sou desajeitava, não tenho ritmo nem sou graciosa
—Ana...-começou minha mãe, colocou a mão no ombro dela-Por favor, aceite o convite dele
Ana ergueu as sobracelhas para minha mãe, nos três sabiamos que ela não negaria a um pedido dela.Suspirou e deu a bolsa para minha mãe.
—Uma música-disse baixinho
Estendi minha mão e ela aceitou, a guiei ate a pista de dança.Estar novamente com meu corpo tão perto do dela, seu cheiro, sentia que ela tambem estava abalada.
—Sentiu saudades de dançar comigo?-perguntei da maneira mais casual que consegui
—Estranhamente, sim-ela me olhou nos olhos com determinação
Foi aquele momento em que nos olhamos nos olhos eu me perdi e eu vi sua alma, por um segundo, o mundo ficou em silêncio para nos dois.Ela momentos antes era fria como o gelo, mas agora eu parecia derreter como o gelo.
—Me sinto tão distante de você agora, mesmo estando na minha frente.Por favor, me diga, o que eu faço para você voltar para mim?Me aceite de volta, por favor-alguns casais começaram a dançar a nossa volta, mas eu tentei não prestar atenção neles
—Eu te amo, não nego, eu confesso que não superei o que aconteceu, mas eu ainda te amo-sorri como não fazia a muito tempo, ela ainda me amava
—Eu queria poder reescrever o passado, mas eu não posso.Se eu pudesse mudaria tudo, e você não sofreria mais-apertei suas mãos com um pouco mais de força, mas transmitir conforto
—No fundo você não sabe se realmente poderia ter mudado alguma coisa ou não.Tem coisas que realmente precisam acontecer
—Ana, eu te amo-falava baixo para que as pessoas não nos ouvissem, continuavamos a dançar-Você e a coisa mais real e sincera da minha vida
—Se lembre quando sentir minha falta.Não fui eu quem fugi, você me deixou
E assim, sem mais nem menos, ela foi embora, me deixando em meio a inumeros casais.Ana foi ate onde Kate estava, perto do bar onde Violetta tinha os olhos caidos pelo álcool, Ana e Kate foram ate o banheiro.Andei na direção oposta, meu coração batia tão forte que doia, estava sem ar e suava frio nas mãos.
—Christian-me chamou minha mãe, ela parecia ter ficado o tempo todo nos assistindo-Como foi?
—Bem, eu acho.Conversamos e falamos sobre reatar
—Que bom-ela deu um pulinho de felicidade-Estou tão feliz.Mas para isso você precisa mudar
—Acho que sim
Ana saiu do banheiro e foi abordada por Simon, eles trocaram algumas palavras e ela veio ate onde estavamos.
—Já estou indo
—Claro querida-minha mãe lhe deu sua bolsa-Quer ir conosco?-minha mãe espiou por cima da cabeça de Ana, Simon, que parecia esperar ansioso que Ana se despedisse e ele pudesse ir com ela para casa
—Não, eu estou bem-deu um beijo na minha mãe e um simples aceno para mim-Adeus, vou me despedir de Mia e Ethan
Assim que Ana se afastou eu me virei para continuar a falar com minha mãe, mas alguem puxou meu braço.
—Violetta!-exclamou minha mãe
Fui arrastado ate um corredor que ia para a cozinha.Ela cambaleava, trocava as pernas e sua cabeça parecia pesada, ela a todo momento precisava reergue-la para em olhar no rosto.
—O que e isso?-perguntei incrêdulo
—Você nem falou comigo hoje.O que aconteceu?
—Violetta, já conversamos sobre isso.Eu sou casado
—Não ligo
—Mas eu ligo, e eu não posso ficar com você
Me virei para ir embora, mas ela segurou meu braço.
—Eu te amo-ela disse com um ultimo suspiro de esperança
—Eu simplesmente não consigo me ver sentindo o mesmo por você-foi sem querer, eu realmente não queria dizer aquilo, mas acabei dizendo
—Por que?Eu não estou bonita?-sua voz parecia mais agressiva
—Você e linda.Mas eu amo a Ana, e ela e a mulher mais bonita do mundo
—Não pode me tratar assim-ela apontou o dedo para mim-Eu tenho muito o que dizer sobre suas atitudes-ela cambaleou um pouco-Eu só não lembro agora.Mas...!Quando eu lembrar, você vai ver só-ela se virou e marchou de volta ao salão
—Onde você vai?-ela não estava em seu estado perfeito
—Vou para casa, cansei de ficar aqui
Ela quase esbarrou em um garçom que saia da cozinha com aperitivos, parou um instante, respirou fundo e ergueu a cabeça para voltar ao salão com a maior classe que conseguisse.Fui atras dela, não poderia deixa-la dirigir naquele estado.
Já no estacionamento completamente vazio eu a procurei, porem o estacionamento era maior do que eu imaginava.Ouvi vozes vindo do lado esquerdo, parecia uma discussão, eu ia ignorar quando ouvi gritos femininos.Corri para aquela direção e fiquei paralisado com a cena, Ana e Violetta estavam no chão, puxando o cabelo uma da outra, e Simon tentava separa-las.
Quando um som de tapa ecoou nos meus ouvidos eu tomei uma atitude e segurei Violetta, Simon ajudou Ana a se levantar.Embora os penteados estivessem arruinados, elas não pareciam ter se machucado, a alça do vestido de Ana estava arrebentada e Violetta tinha uma marca de mão no rosto.
—Tire sua namorada daqui!-gritou Simon que pegava a bolsa de Ana no chão
—Você esta bem?-perguntei a Ana
—Sim, estou-alisou o vestido, haviam algumas manchas escuras no técido-Esta menina está completamente bêbada
—Eu sei, por isso vim atras dela, senti que ela ia fazer algumas besteira
—A leve para casa, dê um banho nela e a coloque para dormir.Ela está realmente mal-Ana estava se preocupando com ela, mesmo depois de tudo
Violetta estava mole nos meus braços, peguei sua bolsa e apertei o alarme de seu carro, logo um apito veio junto a uma piscada de luz laranja, logo eu vi o vermelho vivo de sua Ferrari.A coloquei no banco do passageiro e sentei no do motorista, ela colocava a mão na cabeça como se tivesse sentindo uma enorme dor.Liguei para Taylor e disse que iria rapidamente no apartamento de Violetta e que ele deveria me esperar lá.Sentia uma mistura de raiva e pena, minha confusão de sentimentos me impediu de falar qualquer coisa, embora ela tambem não se mostrasse muito sociavel.Ela pegou um cantil no porta malas e começou a beber.
—O que e isso?
—Água-respondeu com firmeza
Quando paramos no sinal vermelho eu arranquei o cantil de sua mão, ela estava tão bêbada que ficou tonta com meu movimento brusco.Senti o cheiro e vi que não era água.
—Isso não e água, e vinho-guardei o cantil no meu bolso
—Nossa!-exclamou erguendo os braços e balançando a cabeça enquanto ria-Chamem o Papa, e um milagre-riu de deboche
—Não teste minha paciência-disse secamente
Ela abriu a boca para responder, mas desistiu e jogou a cabeça no apoio do banco.Quando chegamos eu estacionei o carro na sua vaga e subimos juntos no elevador.Usei minha chave para abrir seu apartamento, Baltazar dormia no sofá e abriu um dos olhos quando nos ouviu entrar, mas logo o fechou sem qualquer interesse.
—Não precisa ficar com medo seu mariquinha, Ivana não está, ela só volta terça-feira
—Garota-segurei seu braço com firmeza-Pare de agir como uma idiota, o que você estava pensando quando foi bater em Ana?
—Como pode ter certeza de que eu começei?-ela cruzou os braços me desafiando
—Porque eu conheço ela, e tambem conheço você.Você e quem tem uma tendência em fazer besteiras
—Ninguem percebe quando eu estou triste, quando eu estou precisando de um abraço, mas todos percebem quando eu erro-chutou uma poltrona com raiva, foi ate a cozinha onde abriu a geladeira e pegou uma cerveja
—Não!-gritei-Chega de beber!
—Você não manda em mim!
—Não quero que você bêba e faça outra merda, ainda mais estando aqui sozinha!
—Então você se preocupa comigo-ela sorriu-Eu sabia, você se importa comigo.Você viu o quanto estava sendo idiota tentando reatar com Anastasia, mesmo sabendo que ela esta com outro.Por isso veio atras de mim
—Não, eu não me importo.Só quero proteger aqueles inocentes que você poderia machucar se dirigisse bêbada.Deixei você sozinha cinco minutos e você atacou alguem no estacionamento
—Claro, sua querida Anastasia-aquele tom debochado ao falar o nome da Ana
—Sim, ela, ela que foi a unica mulher que eu amei, eu amo ela.Não e como as outras mulheres que eu já tive, não e como você, você e como todas as outras, não pense que você e importante porque você não e nem um pouco.Você não e nada
A deixei sem palavras, vi seus olhos se encherem de lágrimas, mas ela as segurou, cambaleou ate se sofá onde se jogou, quase esmagando Baltazar que teve se rabo peso embaixo dela, mas se desprendeu e correu para dentro do quarto.
—Eu sempre escolhi você, acima de tudo-suas unhas estavam cravadas em uma almofada-Durante toda a minha vida, em qualquer que fosse minha visão sobre o meu futuro você esta ali, em mil alternativas que eu imaginei para mim, em todas eu escolhi você para estar do meu lado-ela jogou a almofada que derrubou o telefone que ficava no criado-mudo ao lado do sofá
—Por que você age assim?Por que e tão agressiva e egoista com tudo?
—Porque eu quero chorar, quero ser consolada, estou cansada de ser forte o tempo todo!-chutou os sapatos para um canto da sala-Quero ser boba e assustada, quero ser salva por alguem que me ame, pelo menos uma vez na vida.Eu não sou uma donzela por natureza como a Anastasia, aposto que e isso que você gosta nela, com ela você e um heroi, um cavaleiro de armadura dourada.Algumas mulheres nasceram para ser salvas, outras precisaram aprender a lutar, quando criamos a mania de nos defender e atacar, e dificil mudar!-sua voz já estava rouca de tanto gritar
—Eu queria poder apagar sua dor-sentei na poltrona perto dela
—Não quero que apaguem minha dor-ela ergueu o olhar e endureceu a expressão-Ela fez de mim quem eu sou hoje.Se não fosse isso, o que eu seria?Uma abobalhada, sem sal que se contenta com tudo, igual Anastasia?
—Não consigo conversar com você-suspirei-Você e muito teimosa, não consegue ficar sem falar mal dela?
—Não, agora adeus, eu preciso tomar banho
Se levantou rapidamente do sofá e seu rosto ficou esverdeado, ela estava caindo do volta no sofá quando me levantei e a segurei.Ela respirou fundo e abaixou a cabeça, estava suando frio, mas assim que sua tontura passou voltou a seu estado antipatico.
—Sai de perto de mim seu desalmado-ela afastou minhas mãos dela
—Já me chamaram de varias coisas, mas acho que nunca me chamaram de desalmado-dei uma pequena risada
—Se você não sair agora eu posso dizer outros nomes que com certeza ninguem nunca te chamou
A casa era dela, e embora eu quisesse ajuda-la, não me sentia nem um pouco confortavel estando na casa de alguem depois da pessoa me mandar embora.
Em frente ao predio Taylor me esperava com o carro no pisca-alerta, no caminho liguei para Ana.Ela demorou para atender e isso me preocupou.Talvez ela estivesse mais machucada do que demonstrou, talvez ela estivesse com Simon, ocupada demais para atender o celular.
—Alô?
—Ana, sou eu.Como você esta?
—Estou bem, apenas meu cabelo que foi bagunçado e um vestido estragado
—Desculpe por aquilo
—Tudo bem, ela não estava muito sã-houve um silêncio na linha
—Você demorou para atender.Estava ocupada?
—Estava tomando banho
—Ah...
—Vou dormir Christian, foi um dia cheio
—Certo, então, acho que devo lhe desejar boa noite
—O mesmo para você-estavamos desligando quando tomei coragem
—Ana...-esperei um segundo para ter certerza de que ela não havia desligado-Sobre o que conversamos hoje
—Sabia que você não ia deixar passar-ouvi seu suspiro-Christian, eu tenho amor proprio
—Desculpe pelo o que ela fez
—Não tem nada a ver com o que ela fez.E sim com o que você fez.Admito, hoje tivemos um clima amistoso como a muito tempo não tinhamos, mas isso não muda o que aconteceu
—Mas você deu a esperança de que se eu me dedicasse poderiamos reatar
—Sim e possivel, mas isso só o tempo vai poder dizer
No dia seguinte, domingo, eu visitei Violetta, usei minha chave para abrir a porta, ouvi o barulho de água no banheiro e imaginei que ela estivesse tomando banho, mas a porta estava aberta e eu espiei, a vi de joelhos em frente a banheira.Ela sentiu minha presença e se virou, mas me ignorou e voltou a fazer o que quer que fosse.Dentro da banheiro, Baltazar era banhado e seu pelo fofo e cinza-azulado estava murcho, ele parecia não gostar muito, seu rosto era serio e ate um pouco vingativo, mas estava quieto.
—Oi-não houve resposta, ao invês disso ela pegou um copo com água e jogou nas costas do gato para tirar a espuma-Está dando banho no gato?
—Não-falou tão seca que eu me assustei-Estou regando para ver se ele cresce vira um tigre
Propositamente ela demarrou água em mim, molhando meus sapatos e a barra da minha calça.Não tem nada mais desanimador do que meias molhadas.Baltazar foi retirado da banheiro, seu pelo molhado lhe dava uma aparência magra e uma cabeça enorme.Ela pegou uma toalha azul escura e o embrulhou, o colocou na bancada do banheiro.
—Violetta...
Ela ligou o secador de cabelo para secar o gato, o barulho não deixava que conversassemos.Depois de completamente seco ela deixou o gato na bancada, ele pulou assim que ela se virou para esvaziar a banheira.
—Podemos conversar?
—Sobre o que?-ela saiu do banheiro e foi para a sala, seus sapatos ainda estavam jogados no canto do cômodo
—Você não poderia ter batido na Ana, ou em qualquer pessoa que fosse-tentei ser paternal-Isso e errado, assim como dirigir bêbada, ontem eu estava ali para lhe impedir, mas e quando eu não estiver?
—Não dirijo bêbada, mas ontem foi uma excessão
—Seu pai morreu em um acidente de carro, com o mesmo carro que você pretendia dirigir ontem.Ele dirigiu durante anos em ruas do mundo inteiro, não tinha bebido, e mesmo assim sofreu um acidente a duas quadras de casa que custou a vida dele
—Eu sei disso
Pegou o controle remoto e ligou a televisão, depois o controle do dvd e deu play no disco.
—Que ver comigo?
—Estou com pressa
Ela balançou os ombros e se concentou na tela, passava I Love Lucy, a imagem em preto e branco era inconfundivel.
—Isso e reconfortante-ela se esparramou no sofá-Quando eu era pequena eu usava o colar de pérolas da minha mãe para ver 'I Love Lucy'.Quando eles se divorciaram ela me deu aquele colar, eu o tenho ate hoje
—Violetta, sobre sua mãe.Talvez o que lhe falte seja isso, um cuidado materno
—Ela não cuida nem de si mesma, estou pagando três empregadas para que ela não fique sozinha nunca.Elas são mais enfermeiras, precisam fazê-la tomar os remedios e impedir que ela bêba-me olhou com orgulho-Viu?Posso ter bêbido, mas sei me controlar
—Preciso ir-verifiquei a hora no meu relogio, então percebi era o rélogio que ela me deu de natal
—Vai buscar seus filhos não e?-perguntou, embora ainda estivesse focada na briga de Lucy e Ricky
Levei meus filhos a uma apresentação de 'Disney on Ice', onde todos os famosos personagens faziam a mesma coisa que nos filmes, só que no gelo, minha filha foi vestida de sua princesa favorita, Ted foi com suas roupas normais e seus olhos brilhavam com as perfomaces no gelo e cantava como todo o público as famosas músicas que marcaram minha infância, a famosa abertura de 'O Rei Leão' ate me deu um arrepio.
—Não e lindo?-perguntou Phoebe quando Jarmin deu uma pirueta enquanto era conduzida por Aladin
—Sim minha filha maravilhoso
—Essas pessoas são o que?
—Patinadores
Os olhinhos azuis de Phoebe se arregalaram e ela sorriu.
—Posso ser uma patinadora quando crescer?
—Claro que sim
—Então eu quero ser patinadora-a determinação na voz dela me deixou orgulhoso
Prometi lhe comprar patins e aulas de patinação no gelo, ela estava muito animada, nem mesmo Ted dizendo que para patinar como os artistas que vimos ela teria que cair muito não a desanimou.
—Fique para jantar papai!-pediu Phoebe assim que entrei para deixa-los com a mãe-Pode mãe?
—Bom...-Ana olhou para o rostinho pedinte de Phoebe-...se ele não tiver nenhum compromisso
—Claro que não!Séria otimo, tem muito tempo que não jantamos todos juntos
Joguei videogame com Ted enquanto aguardavamos o jantar ser servido, foi a melhor sensação do mundo.Sentei novamente na cadeira em que antes era minha, todos nos mesmos lugares, poderia ate parecer que o tempo não passou.Mas o cabelo castanho claro de Phoebe estava mais longo, e Ted havia crescido alguns centimentros.Aproveitei o momento para analisar Ana, ela realmente não tinha machucados, apenas um pequeno arranhão no pescoço
As crianças já pareciam compreender o que era essa separação nossa, era triste, eles sabiam que os pais não estavam juntos, e não sabiam o motivo, uma vez Ted me perguntou se o motivo eram ele e a irmã, respondi que não, não era culpa deles, então ele perguntou o motivo, e eu disse que a culpa era minha, dês de então Ted tem estado mais sério, embora ele não fosse uma criança muito extrovertida, um pai percebe quando o filho muda.Mas naquela noite ele estava diferente, quase podia ver a esperança nos olhos dele, e aquele brilho dele me fez ao fim do jantar pedir para conversar com Ana no escritorio.
—Tenho tido consultas com Flynn-me disse antes mesmo de fechar a porta
—Mesmo?Não sabia disso-me surpreendi
—Tem menos de um mês, tem me ajudado muito a refletir sobre tudo isso
—Fico feliz
—Você não faz ideia da dor que e uma traição-seus olhos se encheram de lágrimas, ela olhou para cima, tentando impedi-las de cair-Eu vi vocês dois e ate hoje eu consigo me lembrar perfeitamente de tudo.O olhar dela, a maneira como você falava com ela aquelas coisas nojentas, dentro do escritorio onde eu já estive tantas vezes.Fico me perguntando, quantas vezes eu te beijei e você ainda tinha o gosto do beijo dela na boca
Me sentei no sofá, aquilo era pesado, e fazia eu me sentir com um peso nos ombros.
—Mas uma coisa que Flynn insiste e que façamos o que achamos certo.E tambem não nos reprimir com coisas que realmente desejamos-ela foi se aproximando de mim-Tem uma coisa que eu desejo fazer a muito tempo
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa ela se inclinou e me beijou.Fiquei sem reação no momento, mas quando retribui ela se sentou em meu colo e colocou a mão na minha nuca.
Não sei quanto tempo passou ate que nos levantassemos do sofá e colocassemos nossas roupas.A sensação de ter mais uma vez seu corpo junto ao meu foi revitalizante, juntos naquele sofá eu me esqueci de tudo, não me preocupei de verificar se a porta estava trancada ou se as crianças andavam pelo corredor e pudessem nos ouvir, o calor de nos dois compensava o frio do cômodo em meio de outono.Mas quando nos separamos o vento frio nos acordou de nosso ato impulsivo, Ana já estava vestindo a calça jeans enquanto eu ainda colocava a cueca que estava jogada no chão.
—Foi incrivel-disse tentando verificar se ela estava arrependida
—Sim, foi-pelo visto não-Me fez bem, sentia sua falta.Você faz eu me sentir bonita, e eu sentia falta disso
—Mas você e linda, você e perfeita
—Não, eu não sou-coloquei minha calça e fui ate ela, Ana estava encostada na mesa do escritorio-Já tive dois filhos e meu corpo não e perfeito, tenho quase tinta anos e fui trocada por uma menina de dezessete-ela levantou o dedo para enfatizar o que iria falar-Que tinha dezesseis ate pouco tempo atras
—Você e eu sabemos que o melhor e reatarmos, as crianças vão ficar tão felizes com isso
—Eu sei, mas e eu?Ainda não sei como eu devo lidar com um casamento que não tem mais confiança, como vou saber se você não vai arrumar outra?
—Eu sei que eu não vou fazer isso.Vou deixar que leve tudo ao seu tempo, e sempre estarei esperando que você me aceite
Houve uma batida na porta, eu rapidamente coloquei a camisa e Ana disse para a pessoa entrar.Phoebe colocou a cabeça para dentro do escritorio, ela já usava pijama.
—Já estou indo dormir
—Claro querida, vou lhe colocar na cama-Ana estava colocando a sapatilha quando Phoebe falou
—Não, eu quero o papai
Ana olhou para mim sem qualquer sentimento traçado no rosto.
—Sim minha vida, já vou
Calcei os sapatos e fui com Phoebe ate seu quarto, ela me perguntou porque estava descalço e eu respondi que era porque estavam muito apertados.
—Então e bom comprar meias mais confortaveis
Sugeriu ela, Phoebe subiu em sua cama e eu lhe cobri com um grosso cobertor de borboletas, ela me pediu que lhe lesse uma historia e eu o fiz, quando seus olhos já estavam pesados eu parei e me despedi, dizendo que precisa ir.
—Boa noite minah vida-lhe dei um beijo na testa-Não cresça nunca
—Por que?-perguntou com sono
—Porque adultos são complicados, e não são corajosos em tomar atitudes que eles sabem ser corretas
—Pensei que adultos não tivessem medo
—Todos os adultos tem medo, principalmente os que fingem que não tem
Ted já estava na cama, mas mesmo assim eu fui lhe dar um beijo, ele dormia com seu tablet nas mãos, deveria ter jogado ate pegar no sono.Ana me acompanhou ate a porta, constrangida pelo o que fizemos no escritorio, ela me deu um aceno com a cabeça enquanto eu abriu a porta do carro.Por algum motivo olhei para o céu negro que nos cobria, sua escuridão me deu um frio na espinha, como se algo de muito ruim estivesse prestes a acontecer.
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