Cinquenta Tons de Violetta

15 Capitulo 15 - Garota dos Seus Olhos


Notas iniciais
Existe um POV da Nicole, porem isso não que dizer que ela disse exatamente tudo isso para Christian, e só para enriquecer nos detalhes e conseguir colocar tudo o que eu desejava explicar sobre ela.Foram coisas que eu automaticamente criei e que não pretendia colocar, mas pensei que seria uma perda de informaçâo não publicar

Deixei meus filhos na casa da mãe e encontrei com Violetta no hospital, ela estava sentada do lado de fora do quarto da mãe, conversava com dois policiais
—O que realmente aconteceu?-perguntei a Taylor que estava realmente nervoso
—Chegamos na casa e eu esperei no carro, passou-se uns dez ou quinze minutos ela saiu da casa falando que a mãe dela precisava de ajuda.Pelo o que eu entendi o Harper estava batendo nela e Violetta apareceu e jogou um vaso na cabeça dele
—Nicole está bem?
—Sim, estã apenas em observação
—Harper?
—Está quebrado, tambem está por aqui, o estado dele e mais grave.Ela realmente quase quebrou a cabeça dele
—Christian!
Quando os policiais entraram no quarto de Nicole, sua filha veio ate mim e sorriu, algo relamente sincero.Embora tudo aquilo fiquei feliz e sorri tambem, quando ela sorri o mundo inteiro sorri junto com ela
—Você esta bem?Ele te machucou?-ela me deu um beijo
—Não, acho que ele nem me viu.Vamos para casa, quero tomar um banho
—Claro, vamos
Fui em meu carro com Violetta e Taylor foi no dela que era o que eles haviam usado para ir até a casa de Nicole.Ficamos o resto do dia embaixo dos lençois vendo filme, ela amava filmes.Quando estavamos com as pernas entrelaçadas liguei para o meu pai e lhe disse o que havia acontecido
—Espero que agora Nicole abra os olhos para este homem
—Se Violetta não tivesse aparecido talvez ela não estivesse viva, se ela não mudar sua opnião sobre ele então nada pode fazer isso
—Fora o que ele fez com Violetta.Mas e certo de que ele vai voltar para a prisão.Vou desligar meu filho, qualquer coisa me avise
—Sim senhor-desliguei o telefone-Meu pai acha que ele vai ir preso imediatamente, estava em condicional
—Melhor assim, não quero vê-lo mais na minha frente
—Talvez se você desse seu depoimento ele possa receber uma pena maior
—Não vou fazer nada
—Não precisa ter medo, estou aqui com você
—Não estou com medo, e que eu fui tão idiota-ela tinha um olhar de nojo-Já deveria saber me defender
—Não foi culpa sua
—Claro que foi.Nunca ouviu o ditado, 'Me engane uma vez e a culpa e sua.Me engane duas vezes e a culpa e minha'?
—Nenhuma mulher pode se sentir culpada por uma coisa dessas
—Mas eu fui burra, nossa, duas vezes pelo mesmo homem.E muito idiota.Se contasse para os policiais ele iriam rir de mim ou achar que fiz de proposito
—Com certeza foi um pesadelo na sua infância, viver isso novamente com certeza e tão ruim ou pior
—Só tinha seis anos, mas ainda tenho isso vivo na minha cabeça.Antes de reencontra-lo não lembrava de seu rosto, acho que nem tinha visto seu rosto, o quarto estava escuro.Mas quando o encontrei na casa da minha mãe eu sabia, tinha certeza que era ele
—Depois daquilo lembro que você ficou mais timida, ate comigo, não gostava de sair e nem que ninguem a pegasse no colo
—Mudei sim.Depois que aquilo aconteceu passei e ver o mundo como ele e, descobri que o mundo não e perfeito e a maioria das pessoas não são felizes-se virou para mim e me beijou-Agora vamos falar de coisa boa, amanhã vou comprar os moveis para o meu apartamento e semana que vem Ivana vai chegar aqui, então você ficara livre de mim.Mas claro que podera me visitar quando quiser

No dia seguinte eu fui intimado pela minha mãe a vê-la, mesmo não trabalhando mais integralmente, ele ia lá todos os dias para fazer trabalhos sociais.A encontrei na area de oncologia infantil, ela estava lendo para algumas crianças.Quando terminou fomos tomar um café
—Me conte, o que exatamente vocês estão fazendo juntos?
—Nada, eu só a estou cuidando dela
—Vocês fizeram algo tão errado que eu nem sei o que falar.Vocês trairam a confiança de todos
—Pensei que você não ligasse
—Claro que eu ligo, o seu pai tambem.Mas como abordar um assunto como esse e continuar sendo civilizado?Não queria ser como Nicole que deu um tapa na filha
—Não e algo que você faria em situação nenhuma
—Ela e uma criança, uma criança com tantos problemas que me doi admitir, sou a madrinha dela, mas eu não consegui me aproximar o suficiente para tentar ajuda-la.Ela e fechada, você pode não acreditar, com você ela e sincera, ela foi melhor com você do que com qualquer outra pessoa.Mas você e casado, tem filhos e uma esposa maravilhosa
—Simplesmente aconteceu.Quando percebi já era tarde demais
—Você não e mais criança, se tem responsabilidade para dirigir uma empresa multinacional tambem pode ter responsabilidade em ser fiel com sua esposa
—Mãe, eu estou muitissimo envergonhado por isso
—Então porque a levou para casa?
—A senhora sabe
—Poderia ter pago um hotel, eu mesma teria feito isso, mas você prontamente quis leva-la para casa
—Tive medo de ficar sozinho
—Se você tivesse se dedicado em reconquistar Ana, então não estaria com medo de ficar sozinho.Ana fez de você uma pessoa melhor, mas agora vejo aquele Christian isolado voltando
—Eu e Ana já estavamos passando por um momento dificil, então Gustave morreu e Violetta apareceu.Quando uma garota e bonita como Violetta e facil se apaixonar
—Apaixonar?-eu não sabia se tinha dito aquilo com sinceridade, mas tentei disfarçar
—Não sou a melhor pessoa do mundo e sei disso, não fingo para ninguem
—Todos sabem o que e certo e o que e errado, ela só mudam os fatos para tentar transformar o errado em certo ou justificavel.Eu lhe criei para ser descente e honrado.Seu irmão quase cometeu esse erro e eu tive uma seria conversa com ele
—A senhora sabe?
—Posso ver muita coisa, inclusive de olhos fechados.Você não pense que por já ser adulto eu ainda não posso lhe dar merecidas broncas
—Acredite, não tem nada pior do que ter esse tipo de conversa com você
—Tem sim, você deixar seus filhos, claro que você não os abandonou, mas não pensou neles na hora.Como eles se sentiriam ao ver os pais separados e na sua esposa, ela sempre esteve do seu lado e te ama muito, do jeito que você é
Refleti por um tempo, Ana me salvou da loucura de ser só, sem ela não sei como estaria agora, provavelmente com outra submissa ou visitando clubes exclusivos de bondage; talvez ate estivesse com Violetta, quem sabe
—Você pretende reconquistar Ana?Ou melhor, você quer tê-la de volta?
—Sim-agora tinha certeza de que falava com sinceridade-Mas ela está com outro
—E ela está errada por isso?Vou ser sincera, quem a incentivou a sair com esse homem foi Kate.Queria que ela ficasse em casa chorando enquanto você estava com outra?
—Claro que não, mas...
—Você me deixou muito envergonhada.Alias, não só você, Violetta tambem, nossa, vocês faziam isso bem debaixo dos nossos narizes
—O que a senhora quer que eu faça?
—Que se decida, se estã querendo Ana de volta, então aproveite que Violetta vai se mudar e acabe com isso.Ou então se for o que você quer, deixe Ana viver a propria vida e fique com Violetta.Mas seja homem e se decida, não pode ter as duas
Me despedi da minha mãe com um simples aceno de cabeça, ela me deu um sorriso torto, como fazia na minha adolescencia rebelde apos eu aprontar alguma coisa
Apertei o botão do elevador, quando as portas se abriram eu entrei, haviam três pessoas, no andar seguinte duas desceram, ficamos só eu e outra pessoa.Levantei o rosto e olhei no espelho do elevador, mesmo tentando esconder o rosto com o óculos enorme eu reconheci Nicole, com seu cabelo preso em rabo de cavalo e tipoia no braço esquerdo
—Parece que está fugindo
—Se eu estiver você não tem nada a ver com isso
—Tem alguem para lhe levar para casa?-ela não conseguiria dirigir com a tipoia
A porta do elevador se abriu na recepção, ela saiu e eu fui atras, só então percebi que ela estava segurando uma bolsa de mão da Louis Vuitton, na entrada ela ficou parada ao meio-fio
—Vai pegar um taxi?-ela me ignorou-Venha, lhe dou uma carona
—Eu não sou igual aquela putinha.Não vou dar para você
Com uma onda de raiva eu segurei seu braço bom e a levei ate onde Taylor me esperava, ele saiu e abriu a porta, Nicole parecia querer gritar, mas talvez não o tivesse feito para não chamar a atenção
—Fique dirigindo pela cidade-disse a Taylor enquanto entrava, falei baixo para Nicole não ouvir, já no banco, levantei a divisoria entre o motorista e o banco de trás
—Então e isso que conquista as mulheres, agressividade?-nossa, se ela soubesse
—Você e nojenta, nossa, ela te salvou e você ainda a xinga pelas costas
—Ela estava com você enquanto você era casado.Se isso não e ser puta, eu não sei o que e
—Acha que se ela não tivesse chegado você estaria só com um braço machucado?-ela me olhou com tanto odio que pensei que fosse me abter
—Estavamos brigando por ela, ela e uma destruidora de lares.Se faz de vitima, mas ela seduziu Scott, eu vi, ela estava com você e ainda assim deixava a porta do quarto aberta para ele
—Aberta?Você não percebeu que a porta estava com a fechadura quebrada e ela arrastava o movel todas as noites para ele não entrar?
—Era charme, eu os vi uma vez, alias, varias vezes, ela gostava-Nicole olhava pela janela, mas não parecia estar realmente enxergando o que se passava, seu olhar era fixo e cheio de raiva, então ela riu-Nossa, quem diria-virou o rosto para mim e me analisou-Dês de pequena ela te venerava, e agora olha só, conseguiu se enfiar na sua cama
—Era uma paixão infantil, não tire a inocência disso
—Vamos, admita que era irritante, se me irritava, imagine à você
—Não era irritante-menti, realmente, na época era um incomodo, mas eu era jovem e nunca gostei muito de demonstrações exageradas de afeto, Nicole riu, parecia saber que eu mentia
—Violetta sempre foi selvagem.Sempre acida, porem ansiosa para agrada-lo.Ela nunca amou nada do jeito que amava Christian Grey-enfatizou meu nome como se ele significasse algo muito importante, isso me lembrou a filha dela, e o meu cerebro me pregou uma peça, e imaginei estar sentado de frente ao futuro
—Essa menina precisou de carinho, onde você estava?Nem ao menos me lembro de você já tê-la chamado de filha ou ela chamado você de mãe-um fio de magoa passou em seus olhos muito verdes
—Eu não a queria, ela destruiu meus planos
—Por isso estragou sua vida?Por isso deixou aquele miseravel fazer aquilo com ela, varias vezes
—Eu venho de uma familia miseravel-ela me olhou, mas então virou o rosto, parecia envergonhada da origem humilde-Eu sabia que teria que lutar para ter as coisas, e quando estava quase lá, a poucos passos de conseguir ela nasceu
—Se não queria filhos, ou melhor, se já sabia que não teria a capacidade de amar uma criança, por que engravidou?
—Seu santo padrinho me enganou.Odiei estar gravida, estragar meu corpo.Nunca dei importancia Violetta, ate que reecontrei Scott
—Então e verdade que você entrou no quarto dela e a mandou ficar quieta
—Parece que ela lhe mantem informado das coisas
Não aguentei continuar olhando para ela, queria abrir a porta e joga-la pela porta, se ela fosse homem eu ate teria lhe dado um soco
—Taylor-o chamei pelo botão que se comunicava com o motorista-Vamos para a casa de Nicole
—Não quer mais minha companhia?-nossa, ela ate falava igual a filha-Sugiro que se quiser saber mais sobre aquela menina, pergunte a Ivana, sei que ela logo estara aqui
—Como você sabe?
—Grace me contou.Alias, sua mãe tem andando muito estressada ultimamente.Quando a conheci ela não era assim-seu deboche, tudo era familiar
—Por que acha que Ivana sabe mais sobre Violetta do que qualquer um?
—Essa menina sempre foi assim.Sempre gostou de estar no meio da criadagem.Quando tinha uma festa ela preferia ficar na cozinha do que no salão, nas festas de aniversario ela convidava os empregados e era preciso contratar outros para nos servir por um dia-me lembrei de quando fomos a Nova Iorque e ela abraçou o porteiro de seu predio
—Isso não e uma coisa ruim
—Não, ate o dia em que ela dá presente de dia das mães para a babá ao inves da propria mãe-deu um longo suspiro, lento, como um pneu esvaziando-E o risco que se corre quando deixamos outra pessoa criar nossos filhos
—Por que está me contando isso?
—Gosto de conversar com você, embora eu não seja fã de conversa.Não gosto das pessoas sabendo da minha vida-ela sorriu-Quem diria que um dia estaria conversando sobre isso com você.Aquele rapaz que eu conheci anos atras, que ficava me olhando dos pés a cabeça toda vez que me via
Isso era verdade, quando meu padrinho apareceu com a Miss America ao lado, que possuia caracteristicas que eu considero ate hoje atraentes, eu fiquei tentado varias vezes; mas ela era a noiva do meu padrinho, depois esposa dele.Alias e preciso acrescentar que Nicole não e muito mais velha que eu, acho que nem oito anos mais velha
—Nunca ouvi falar de sua familia, você tem?
—Tive, minha mãe morreu no dia anterior ao concurso de Miss Universo, ela morreu de cancêr, foi horrivel, ficou quase cinco anos sofrendo e eu tendo que cuidar dela.Meu pai foi um bêbado, isso e tudo o que você precisa saber
—Sinto muito
—Isso foi a muito tempo, num lugar muito longe e triste chamado Bismarck, Dakota do Norte
O carro parou em frente a casa dela, eu desci para ajuda-la, ela estava com dificuldades para sair por causa do braço, então vi que tambem estava mancando um pouco.A levei ate a entrada, quando ela destrancou a porta e a abriu eu logo olhei para a parede ao lado da escada, o quadro furado pelo tiro ainda estava ali, com um buraco no canto superior direito
—Quer uma bebida?
—Ainda e cedo
—Nunca e cedo demais para beber quando se esta com dor
Me virei e fiz sinal para Taylor esperar, ele manobrou o carro e o estacionou, eu fechei a porta e acompanhei Nicole.Ela pegou um copo e o encheu de whisky ate a boca, mesmo com um braço impossibilitado ela se serviu perfeitamente bem, perguntou novamente se eu queria alguma coisa e eu recusei.Se sentou em uma poltrona, enquanto bebida ela olhava para duas malas no canto da sala
—Ele ainda está internado.Não me deixaram vê-lo.O estão tratando como um criminoso, está com escolta na porta do quarto
—Não me diga que você ainda acha que ele e uma vitima?
—Claro que e, ela fez isso com você; sabe como ela pode ser insistente.Alias, acho que você não sabe, mas não e o primeiro homem casado com quem ela transa, nem o mais velho
Tentei achar um fio de mentira nela, mas não, ela parecia estar dizendo a verdade
—Deve estar pensando em como foi burro por trocar sua esposa por ela.Mesmo eu não conhecendo bem a sua esposa, tenho certeza de que ela e melhor que essa menina-levou o copo a boca e deu uma risada insolente antes de tomar um gole-As pessoas são tão burras.Quando tem a oportunidade de escolher escolhem errado
—Então você quer que eu fique com Violetta?-ela balançou negativamente a cabeça, como se estivesse recusando uma bebida, o que eu creio que ela nunca recusava-Você sabe que se eu ficar com sua filha, ela vai ser eternamente feliz, afinal e tudo o que ela quer não e?
—Sei, por isso que não quero.Não e justo, ela tirou Scott de mim, ela tem que aprender a calar a boca-Nicole tirou o oculos escuros, ela tinha um hematoma pouco visivel em volta do olho esquerdo-Ela vai sobreviver, quando você e adolescente tudo parece o fim do mundo
—Você estaria morta agora se não fosse ela.Esse seu braço machucado, sua perna mancando e seu olho roxo.Quem fez isso foi ele, e você ainda o defende?
—Ele estava irritado, por causa dela-disse como se isso justificasse tudo-Estavamos brigando porque ela se jogava em cima dele-se levantou meio tonta e encheu novamente o copo ate a boca de whisky
—O que aconteceu?-esperava que depois de um copo e chegando ao segundo ela fosse falar
—Como ela e menor de idade, ele queria que eu fosse a policia e a obrigasse a voltar para casa.Eu me recusei e ele me bateu
—Ainda assim você acha que ele está certo-ela se virou rapidamente com muita raiva, quase caiu, parte por causa da perna machuda e outra parte por causa de bebida, mas ainda assim não deixou cair uma gota do copo
—Eu sei que vocês não gostam de mim, e isso para mim e uma honra, significa que sou diferente de vocês e isso e otimo.Vocês são ridiculos-ela parecia prestes a chorar-Você, seus pais, aquela vaca da Helena, a merdinha daquela menina!Ate o Gustave que me prometeu o mundo e só desgraçou a minha vida!
—Não se atreva a falar de quem nem ao menos está vivo para se defender!-me levantei e apontei o dedo para ela que estremeceu
—Tarde demais eu percebi que ele na verdade me queria em uma vitrine, como um manequim.Eu era um trofeu que ele exibia, eu não tinha que falar, não tinha que ter opnião, só precisva estar sempre bonita, imovel, silenciosa e fria
Ela voltou ao sofá e jogou a cabeça para trás, mas depois colocou a mão na tempora e uma ruga se formou entre suas sobrecelhas, parecia o inicio de uma dor de cabeça
—Ele me enganou, ele sabia que eu não queria ter filhos, queria ser uma artista, ele disse que aceitava, mas no fim me enganou.Disse que me amava, mas só me queria como um enfeite
—Como ele te enganou?
—Ele me dava anticoncepcionais falsos, pensava que estava me protegendo mas não estava.Então eu engravidei.Estava no alge da minha carreira de bailarina, quase me tornando primeira-bailarina, então eu engravidei e tudo acabou.Eu comecei a odiar aquele bebe.Eu torcia para uma má formação, o que seria desculpa para um aborto.Eu torcia para um bebê morto, então fingiria que aquilo nunca havia acontecido
—Você e louca, o tipo de louca que deveria estar em um quarto acolchoado pelo resto da sua vida
—Alguns dizem que para sobreviver ao mundo de hoje e preciso ser louco.Mas loucura e uma questão de ponto de vista
—Qualquer pessoa que lhe ouvisse dizendo isso tambem acharia a mesma coisa
—Por isso eu lamento pela humanidade.Aquela menina e uma praga, ela e cruel e egoista.Qualquer sinal de alegria ele pega e destroi.Ela fez isso com você não fez?Você era mais feliz com sua famlia do que com ela.Ela acabou com a minha felicidade no momento em que eu descobri que estava gravida
—Não, ela e alegre, apesar de tudo o que você fez com ela.Ela conseguia ser grosseira, mas ainda assim encantadora.Embora as vezes ela me deixe louco
—Por que você a escolheu então?
—Ela tem um brilho diferente
—Você sabe tanta coisa, e ainda assim, não sabe nada.Você não passa de um terno
A porta da frente se abriu e logo se fechou, passos vieram ate a sala onde estavamos, Violetta tinha seus olhos arregalados e ficou paralisada na entrada da sala.Segurava um buquet de flores brancas e rosas
—Imaginei que você estaria aqui-disse para sua mãe, então olhou para mim-Mas você, esse era o ultimo lugar em que pensaria em lhe encontrar
—Sua mãe precisava de um carona, eu a trouxe
—Vi o seu carro estacionado
Houve um silêncio constrangedor, ficamos olhando para as paredes ou o chão, mas nunca uns para os outros
—Você não me esperou-Violetta disse baixinho-Eu disse que ia lhe buscar
—Sai mais cedo, não ia ficar esse tempo todo lhe esperando
—Poderia ter me ligado, eu levei seu celular
—O que e isso?
Nicole apontou com o nariz para as malas no canto do comodo
—Ele não mora mais aqui-Violetta nufou pesadamente-Ele vai sair do hospital direto para o Arizona
—Não vai ser bem assim
Violetta suspirou e saiu da sala, logo depois voltou com um vaso com água, com as flores dentro
—Você sabe que eu não gosto de flores
—Sério?-a filha perguntou ironicamente
Todas as vezes em que eu entrei nessa casa, que embora sejam poucas, eu a vi sempre enfeitada com flores frescas, inclusive agora, a casa estava cheia de flores e ela não tinha reclamado
—Não gosto de hortensias
—Hortensias são boas para quem está se recuperando, são espirituosas, leves e com um cheio renovador
—Você e especialista em jardinagem?
—Caso você não tenha percebido, eu passei o último ano cuidando da estufa que fica nos fundos
—Tanto faz.Vou para o meu quarto e fingir que não existo
Ela se levantou com dificuldades, eu em outra ocasião a teria ajudado, mas eu estava pouco ligando para ela.Com sua mala de mão ela andou ate a escada, mas ao colocar o primeiro pé ela avisou
—Tentem não transar no tapete, mas acho que depois de tudo o que aconteceu vocês nem ao menos conseguem se controlar
Pude ver a vergonha nas bochechas vermelhas de Violetta.Ouvimos os passos dela no andar de cima e o abrir e fechar da porta
—O que você está fazendo aqui?
—Sua mãe não poderia voltar sozinha.Mas se soubesse que você iria busca-la eu não a teria trazido
—Não tem problema, talvez se eu tivesse ido ela tivesse se recusado
Voltei para casa e ela ficou com a mãe, disse que iria dormir lá aquela noite para ajuda-la

No fim daquela semana, em um dia de domingo, fui ao Country Club com as crianças, Ivana havia chegado a Seattle no dia anterior, mas não a visitei para deixa-las terem um tempo para conversarem.No domingo de manhã eu e as crianças fomos ao aquario da cidade
—Pai, vem ver o urso polar!-Phoebe me puxava pela mão direita
—Não, vamos ver as tartarugas-Ted me puxava pela mão esquerda
As vezes eu me arrependia de não ter trago a babá, cuidar de duas crianças com gostos totalmente diferentes e complicado, e preciso saber ser justo e ouvir ambos, fui puxado de um lado para o outro, e andei de um extremo a outro, o unico momento em que eu consegui descansar foi na hora do lanche, meus joelhos doiam, o aquario possuia inumeras elevações e eu subia e descia varias vezes.Pela primeira vez percebi a idade, não que estivesse velho, longe disso, eu não tinha nem quarenta anos, mas não era mais um jovem de vinte anos que nunca se sentia cansado
—Vocês já estão cansados?-perguntei esperançoso
—Não-responderam de forma sincronizada
Resmunguei descontente.Naquele dia quando os levei eu não sai do carro, embora quisesse ver Ana, mas meus joelhod doiam, e meus braços tambem, quando Phoebe se cansou eu precisei leva-la no colo em um braço e segurar a mão de Ted de outra; alem de no caminho ter que varias vezes tirar do meu campo de visão o balão de golfinho que Phoebe se recuso a colocar no porta-malas
Meu celular vibrou em sinal de mensagem, era de Violetta, mas quando abri tudo o que vi foi um desenho de gato sorrindo para mim.Já iria visita-la aquele dia, mas acho que estou atrasado.O apartamento dela não e longe do meu, e um apartamento em tons pasteis, parece algo do século passado
Eu possuia a chave e o porteira tinha a permissão para me deixar entrar, mas ao chegar a porta eu preferi tocar a campainha.Quem abriu a porta era uma conhecida, a babá de Violetta na infancia que eu inumeras vezes vi.Ivana era uma mulher que deveria estar com quase cinquenta, mas sempre aparentou ser dez anos mais jovem, tinha grandes olhos azuis-esverdeados e um rosto no formato de coração, seu cabelo era longo e estava trançado na lateral e com uma presilha o enfeitando
—Dona Ivana-eu sempre a chamei assim nas poucas vezes em que nos dirigimos um ao outro
—Christian, e um prazer vê-lo novamente
—Digo o mesmo
—Achei que você tinha a chave
—Tenho, mas você esta aqui e não me senti a vontade
Ela não negou que não seria prudente eu entrar e sair com ela na casa.Fingi não perceber o olhar severo dela sobre mim, apesar de seu sorriso forçado.Na porta do quarto dela eu já não tive a prudência de bater na porta
Estava embolada na cama com um gato, ela nem pareceu me perceber, o gato lambia seus dedos dos pés para então morde-los, ela riu com as cocegas que aquilo parecia causar
—Acho que você está ocupada.Volto depois
—Não.Preciso lhe apresentar a alguem-ela fica de joelhos na cama, está de short e uma blusa branca quase transparente-Christian, este e Baltazar-ela o segurou e manipulou a pata dele para que ele acenasse para mim
—Só vim dar um 'oi'.Preciso voltar para casa
—Sério?Fique um pouco
—Violetta, eu preciso acordar
—Por favor-ele se levantou e segurou minha mão, me levou ate a cama, nos sentamos-Sabe o que eu estava pensando, você poderia trazer roupas e deixar aqui
—Violetta, você não mora sozinha
—Ela não liga
—Melhor não.Estou muito cansado, tive um dia horrivel-torci o pescoço e ele estalou-As crianças não pararam um segundo
Ela me beijou na boca e depois se empoleirou atras de mim e comçou a massagear meus ombros
—Você não e o unico a ter um dia ruim.Esse e um mundo cheio de dias ruins.O importante e não se desanimar
Não tinha como responder, sua mãos eram magicas, aos poucos fui deitando, deitando, ate que estava sem camisa, de bruços com ela sentada na minha bunda me fazendo massagem com óleo de amêndoas

Quando acordei ainda estava de calça, mas sem sapatos, meias ou camisa.Ela estava ao meu lado, e na parte de baixo de suas costas o tal gato dormia muito confortavelmente.Vi que meu relogio não estava mais no meu pulso, e sim na mesinha ao lado da cama, mas eu não precisei pega-lo para olhar as horas, um despertador antigo azul claro indicava a hora.Me levantei e acabei acordando o gato, mas ele apenas me olhou e se espreguiçando ele novamente se aconchegou sobre ela
Eu cheirava a amêndoas, queria tomar um banho, mas não tinha roupas ali, mesmo assim a possibilidade de eu manter qualquer tipo de vestimenta aqui era praticamente nulo
Abri a porta e o cheio de café da manhã dançou a minha frente.Derrepente me esqueci que Violetta não morava mais sozinha e que eu estava sem camisa e descalço na frente de uma velha conhecida, mas ainda assim uma completa estranha.Ivana me olhou de rabo de olho enquanto colocava a massa de waffle na maquina.Voltei ao quarto e me vesti por completo
—Bom dia-ela disse sem me olhar no rosto
—Bom dia, já estou indo
—Que desfeita, sair assim enquanto ela ainda está dormindo-eu a olhei, achando que havia ouvido errado-Pelo menos tome uma xicara de café
Ela já havia colocado uma xicara colorida, parecia algo que Violetta comprou no Marrocos.Colocou café na minha xícara e deixou a mão uma jarra com leite e uma tijela de prata com cubos de áçucar e uma pinça para pegá-los.Me sentei no banco de madeira em frente a bancada para tomar o café
—Agora com licença que eu vou acorda-la
Deixou a porta aberta e o gato saiu desfilando, a ouvi choramingar enquanto Ivana a chamava
—Eu estou de ferias
—Não importa, você não vai passar o verão todo dormindo
Ivana saiu do quarto e logo então Violetta, parecia surpresa ao me ver, arrumou o cabelo e se aproximou da bancada
—Eu vou lhe demitir
—Serio?-Ivana apoiou os cotovelos na bancada e entrelaçando os dedos colocou a cabeça deles-Estou morrendo de medo-ela sorria como se aquilo fosse comum todas as manhãs
—Estou falando serio
—Otimo-ela colocou suco de laranja em um copo-Agora vá tomar banho, sua porquinha-ela lhe entegou o copo e Violetta o tomou em um só gole
Colocou o copo de volta na bancada, e bocejando ela se arrastou de volta ao seu quarto e fechou a porta
—E nem pense em voltar a dormir
Um silencio constrangedor se instalou em todo o apartamento, a não ser pelo som da maquina de waffle e o gato afiando as unhas no arranhador verde que ficava ao lado do sofá impecavelmente branco
—Vocês estão namorando?Ela não soube me explicar direito o que vocês são
—Na verdade não somos nada
—Ou seja, você está usando ela como passatempo enquanto está separado da sua esposa-se aquilo não e um alfinetada, então eu não sei o que e
—Não e bem assim, Violetta sabe muito bem que eu nunca quis nada serio com ela
—Mas ainda assim vem dormir com ela
—Ela me obrigou a ficar
—Ela vai fazer dezessete anos semana que vem, você já e um homem feito.Ainda assim diz que ela obriga você a fazer as coisas-ela colocou os waffles em um prato de porcelana árabe e o enfeitou com morangos frescos e blueberry
—Você a criou, sabe como ela e insistente
—Eu sei.Ela sabe que era uma menina bonita e que assim poderia se safar de algumas coisas.Mas isso e algo que ela não pode escapar.Já tive uma boa conversa com ela.Alias, nem perguntei, que waffles?
—Não, obrigado.Realmente preciso ir, ainda tenho que passar no meu apartamento para tomar banho
—Eu lhe acompanho

Algo que eu pensei o dia todo nem foi a 'simpatia' da babá, mas sim a conversa que eu tive com a mãe.Nunca troquei mais que meia duzia de palavras, porem eu queria ter mais uma conversa com ela, não sei bem porque, mas conversar com a mãe me fazia entender o porque da filha ser daquela maneira.Violetta me mandou uma mensagem dizendo que iria com Ivana fazer compras, e eu me vi tentado a ir ate a casa de Nicole e continuar a conversar
As cinco horas em ponto eu estava andando em direção ao elevador.O dia estava quente, quando a porta automatica se abriu em direção ao estacionamento e um bafo quente queimou meu rosto.Normalmente a esta epoca do ano eu estaria viajando com a familia, mas com quem eu iria?Talvez Ana fosse com as crianças para algum lugar fresco ou praiano, eu ainda não havia perguntado
A casa de Nicole parecia vazia, as cortinas estavam fechadas haviam dois jornais na porta.Toquei a campainha e realmente achei que não havia ninguem em casa, mas persisti e fiquei ali em pé no calor insuportavel ate que a porta se abriu.Nicole estava sem maquiagem, usava um robe de seda bege e estava descalça, ela cheirava a bebida
—Você não desiste não e?
—Não terminamos nossa conversa
—Se você diz
Dentro da casa o ar condicionado está ligado, não e frio, mas e fresco, mas ainda assim tiro o paleto.A casa toda cheira a bebida, então vejo o porque, ao lado do bar tem uma garrafa quebrada, os cacos ainda estão no chão, eu os vejo apesar de ter uma cadeira na frente
—O que o senhor deseja?
—Quero saber mais sobre você
—Não me diga que esta interessa em mim
—Não, apenas fiquei curioso, você estava me contando da sua vida
—O que deseja saber?
—Qualquer coisa que me explique o motivo pelo qual você trata a sua filha assim
—Eu não queria trata-la assim, mas acabo fazendo isso, e meio que sem querer-ela se arrastou ate o divã vinho, a voz era mais timida, reprimida, parecia outra pessoa-As vezes as pessoas me entendem errado, e eu não tento consertar
—Como assim?
—E dificil quando agente sonha demais e acaba não realizando os nossos sonhos-ela se deitou no divã, aquilo parecia muito uma sessão de terapia
—Pode me contar, acho que já tem um bom tempo que você não conversa com ninguem com sinceridade

Nicole POV On

Eu trabalhava de camadeira em um motel da minha cidade, não posso dizer quantas vezes sofri abuso verbal por trabalhar ali, dos proprios clientes, por isso tentava ser invisivel.Os homens me olhavam e suas acompanhantes agiam como se eu tivesse feito alguma coisa, mas que culpa eu tinha se eles olhavam para mim?Certa vez uma mulher bebada me deu um tapa porque disse que eu tinha olhado para o namorado dela, sendo que eu só estava trocando uma lâmpada queimada no corredor
Ganhava bem, era um bom horario, eu trabalhava das oito as quatro, podia ir ao colegio de manhã e praticar ballet a tarde.Só odiava quando os clientes deixam o quarto nojento, com pratos e copos por todos os lados, camisinhas e manchas nos lençois.Meus joelhos doiam e ficavam marcados porque eu constantemente tinha que ficar de joelhos esfregando o chão, minhas mãos coçavam por causa do produto de limpeza, as vezes tinha ate alergia a alguns deles
Mas o pior de tudo era o meu chefe, o nome dele era Houston, ele me chamava de coelinha, e tinha a horrivel mania de me alisar, era um troglodita, traia a esposa e transava com todas as funcionarias bonitas, eu era a mais nova de todas, e pela minha idade não poderia estar trabalhando em um motel, mas ele me contratou sem que eu fizesse qualquer tipo de favor sexual para ele, mas claro que ele esperava que isso acontecesse e não se importava em uma dénuncia por assedio sexual.Ele sabia que eu precisava muito do emprego, era em um bom horario e pagava bem demais para uma adolescente, mas só o suficiente para eu manter minha casa
Minha mãe era vendedora de sapatos, meu pai era um idiota, impossivel contar com ele para qualquer coisa, mas minha mãe sempre foi minha melhor amiga, e vendo como eu me esforçava me compensava da maneira que podia, mesmo doente, todas as nossas economias tinham ido para seu tratamento.Precisava usar sapatos comprados no bazar da igreja, custavam apenas um dolar, no maximo cinco dolares, minhas roupas eram feitas em casa, mas não pense que eram feias.Todo mês sempre que a Vogue chegava na cidade eu logo ia comprar.Mostrava para minha mãe as roupas que gostava e ela comprava tecidos parecidos, e fazia as roupas sem precisar de nenhum molde, só olhando.Era engraçado, eu era uma garota que usava modelos que saiam na Vogue, mas que usava sapatos comprados no bazar da igreja

O assedio do meu chefe com o tempo só aumentava, no caminho do trabalho até a minha casa levava vinte minutos, morava em uma cidade pequena então não era muito desconfortavel andar a uma da madrugada, muito menos as vezes em que meu chefe me seguia de carro oferecendo carona.Minha mãe me esperava acordada costurando, ela tentava incrementar a renda da casa com seus trabalhos de costureira, mas conseguia ficar muito tempo, principalmente apos as sessões de quimio.Minha mãe já estava de camisola e sem seu lenço, antes ela ficava com vergonha de ter perdido o cabelo, mas eu comprava lenços muito bonitos para ela e ate lhe comprei uma peruca de presente.A ajudava quando ela queria desenhar a sobracelha e colocar cilios postiços
Morava em uma casa na pior área da cidade, não era incomum pessoas sendo presas ali, era uma casa com tinta verde descascada e o azul de baixo começava a aparecer, uma casa horrivel, com apenas dois quartos, a sala e a cozinha eram juntas e o banheiro quando abriamos o chuveiro molhava ate do lado de fora.Meu quarto era tão pequeno que não podia abrir totalmente a porta do armario sem que ela batesse na cama, para entrar tinha que dar uma volta na porta para fêcha-la, como quando fazemos em um reservado de banheiro de shopping quando ele e absurdamente pequeno.Fui lavar a louça do jantar, minha mãe não conseguia ficar em pé para fazer aquilo sem ficar tonta.Varri a sala das guimbas de cigarro do meu pai e depois fui tomar banho e dormir

No meio de toda aquela pobreza e desgraça eu tinha algo para me manter sempre de pé, o ballet, eu ia ser bailarina, era o meu sonho, tinha aulas de segunda a sábado dês de pequena, era algo caro, mas minha mãe nunca me tirou o ballet mesmo nos tempos mais dificeis.As roupas eram caras e as sapatilhas um roubo, e não duravam muito, mas nos duas viamos isso como um investimento para quando eu me tornasse uma bailarina profissional
Tudo começou com uma audição para ser aprendiz da Academia de Ballet de Chicago, era para jovens de catorze a dezesseis anos, eu estava no limite da idade.Claro que logo fiquei animada, primeiro era preciso enviar um video, dancei 'Gisele'.Pedi para um vizinho filmar para mim, ele gostava de mim então não foi dificil.Eu sempre soube que era bonita, mais que qualquer garota que eu já tenha visto naquela cidade de Dakota onde eu cresci
Juntei dinheiro durante aquele periodo para a viagem ate Chicago, e não posso falar em como fiquei feliz quando recebi a resposta dizendo para me apresentar.Claro que chegando lá eu era a mais despreparada visualmente, todas tinham sapatilhas lindas e roupas novas, o cabelo enfeitado, eu me senti envergonhada, minha sapatilha era velha e minha roupa desgastada, não usava brincos de diamantes ou um colar da Tiffany's, mas elas estavam tão concentradas que nem prestaram atenção em mim.
Quando chegou minha vez dancei como se fosse a unica naquele salão com dez julgadores, do lado de fora ouvi inumeras vezes as mesmas melodias, 'Lago dos Cisnes', 'Quebra-Nozes', 'Gisele', para a minha sorte eu inovei, e acho que por isso me destaque das outras, fui Columbine, do ballet Carnaval.Quando terminei houveram aplausos e sorrisos, não havia ouvido ninguem aplaudir as outras candidatas e isso me deixou muito confiante
Voltei e uma semana depois recebi a noticia que das cento e poucas candidatas, eu estava classificada e precisava fazer os testes medicos em poucos dias.Precisei vender roupas e meu celular para pode pagar a viagem, mas quando voltei do colegio dois dias antes eu vi minha mãe chorando, sendo amparada pela vizinha, meu pai bateu nela e roubou meu dinheiro que nos duas sabiamos que eu escondia dentro de um urso de pelucia
Queria mata-lo.Fui atras dele, sabia que estaria no bar, o idiota estava com uma vagabunda no colo com varias garrafas de whisky caro na mesa.Quando o chamei de ladrão e de covarde por bater em uma mulher doente ele me bateu tão forte que eu cai no chão.Olhei em volta, ninguem se opos, ninguem me defendeu, não acharam que ele me bater fosse errado, ao contrario, pareciam apoia-lo

Não voltei para casa, fui ao motel e bati na porta do Houston, ele gritou para eu entrar e quando me viu sorriu de orelha a orelha.Com o passar do tempo meu chefe ficou mais agressivo com os assedios, agora fazia outro caminho para ir embora, era mais longo mas não tinha como ele me seguir de carro
Pedi um adiantamente, lhe expliquei tuda a situação, e ao invês de ficar comovido ele parecia deliciado.Disse que não era justo com os outros funcionarios que já tiveram dificuldades financeiras, mas que poderia dar um jeito.Lembro bem, ele se levantou de sua cadeira e ficou em pé ao meu lado, eu estava sentada na cadeira em frente a mesa dele.Temia por já saber o que era.Enquanto me explicava o que eu precisaria fazer sua mão passeava pelo meu ombro, quanto mais falava mais ela entrava dentro da minha blusa pelo decote.Disse que eu fosse a noite, e eu lhe expliquei que nunca tinha feito aquilo, e ele sorriu, um sorriso assustador, disse que era um bônus.Pediu que eu usasse um vestido que eu usei certa vez em um dia quente de verão na cidade quando acabei encontrando ele com a esposa, era um vestido azul quase transparente
Minha mãe ainda estava chorando quando eu cheguei, meu pai já havia chegado e estava caido na cama, ela estava com um hematoma aparecendo no braço, lhe dei um calmante e disse para ela dormir na minha cama.Peguei o vestido que Houston falou, era de alça e muito aberto, eu me sentia uma princesa quando usava, mas agora realmente me sentia uma qualquer
Me maquiei de maneira leve e deixei os cabelos soltos, eu amava meus cabelos, eram castanhos bem escuros e lisos, iam ate minha cintura e eu me sentia moldada por eles.A fama de Houston ser um homem agressivo me deixava com medo, com uma sensação ruim
Na entrada fui a sala dele e me disse para me esperar no quarto 507, era um dos melhores quartos que tinha.Com sorte não encontrei nenhum funcionario no caminho, entrei no quarto e fiquei sentada na cama esperando
Mentalmente me lembrava da minha vaga garantida na Academia de Ballet de Chicago, repeti varias vezes quando minha vontade de sair correndo aparecia.Quando a porta abriu eu realmente quase sai orrendo, Houston estava com outros dois homens e um deles segurava uma filmadora.Ele me empurrou e eu cai na cama, me chamava de coelinha e perguntava se eu não queria o dinheiro que ele iria me dar.Quando eu disse que não queria mais e tentei ir embora, passei por eles, mas um dos homens me segurou e rasgou a parte de cima de meu vestido e arrancando meu sutien deixando meus seios de fora.O outro chegou perto com a câmera e eu tentei esconder minha nudez com os braços, fui pega pelos cabelos e jogada na cama

Nunca fui tão humilhada, aquele foi o pior dia da minha vida.Estava em uma cama manchada com o meu proprio sangue e minha roupa estava em pedaços pelo chão.Houston rindo jogou um bolo de notas de cem na cama.Não ia pedir ajuda a ninguem, peguei um roupão e pedi um táxi pelo telefone.Ao chegar em casa tomei um banho longo e muito quente, machuquei minha pele com a esponja tentando me limpar.Coloquei outra roupa e fui para a rodoviaria.Comprei duas passagens para a tarde de hoje, levaria minha mãe comigo
Peguei uma bolsa e algumas roupas da minha mãe, depois fui ao meu e verifiquei se ela estava bem, fora o hematoma no braço estava bem.Me sentei no sofá apenas sentindo a dor horrivel em todo o meu corpo, mas admirava a carta, eu deveria estar em Chicago amanhã de manhã, então deveria ir hoje de tarde
Fui na farmácia comprar um remedio para dormir e outro para dor, dormi no sofá e não sonhei, mas acordei em um pesadelo
Instintivamente abri os olhos rapidamente, já era de manhã e eu senti que minha mãe precisva de mim mesmo que não tenha ouvido ela me chamar.Entrei no meu quarto e a vi tossindo sangue.Respirava com dificuldade e seu nariz começou a sanguar tambem, pus a mão em sua testa, ela estava ardendo em febre.Chamei uma âmbulancia e fomos ao hospital, ela foi internada e entubada.O motivo foi estresse, com certeza causado pelo meu pai.E uma doença horrivel, ela e cruel e não sabemos o que ela pode fazer, mesmo sabendo que eu não podia fazer nada, meu apoio e fundamental, ela precisa de mim perto dela
Houston havia me dado três mil dolares, eu poderia ir de avião, chegaria a tempo mesmo assim, mas não poderia deixar minha mãe.Meu pai não estava em casa quando voltei, eu peguei todas as suas roupas e as joguei no quintal da frente, chamei um chaveiro que trocou todas as fechaduras.Tudo começou com ele, ele roubou meu dinheiro e bateu em minha mãe, por isso precisei recorrer a Houston e por isso minha mãe passou mal
A noite quando ele chegou bêbado tive que aguentar ele tentando quebrar a porta, ate tacou uma pedra na janela, mas as janelas tinham grades por causa do bairro violênto e mesmo se tivesse conseguido quebrar não conseguiria entrar.Sem minha mãe era mais facil, da ultima vez que tentei expulsar meu pai de casa ela ficou com pena porque estava frio e ele não tinha para onde ir, ele tinha me roubado e duvido que tenha gasto tudo em um dia.Aquela desgraça era um efeito domino, e ele foi quem empurrou a primeira peça, até hoje fico imaginando como teria sido se eu tivesse ido

Depois de três dias eu deixei a raiva de lado e a decepção de ter perdido uma oportunidade única na vida.Eu voltei a trabalhar no motel, não podia me dar ao luxo de sair do emprego, Houston ainda me chamava de Coelinha e disse que quando precisasse de dinheiro era só avisar.Um dia quando fui ver minha mãe ela estava vendo televisão, mal me viu quando entrei, estava encantada com o programa mesmo muito abatida, mas melhor do que quando chegou
Ela estava assistindo um concurso de Miss, ela amava esses concursos, e eu sempre dizia que era uma falta de conteudo e que só de olhar para as candidatas já vemos como elas são burras, porem seu sonho sempre foi me ver em um concurso desses, com dezessete anos eu finalmente poderia participar do Miss Bismarck
Minha mãe sempre se encantou com Misses, anualmente ela acompanhava os concursos e sempre torcia para Dakota do Norte, infelizmente nenhuma Miss Bismarck tinha se tornado Miss Dakota do Norte, mas minha mãe acreditava fielmente que eu seria a primeira.Eu odiava concursos de Miss, as achava burras e sem conteudo, um desperdicio de dinheiro, mas minha mãe estava doente e eu não sabia quanto tempo mais ela viveria, então eu pretendia só participar e quando perdesse iria viver minha vida me dedicando a outra possivel candidatura a alguma academia de dança
Me inscrevi com o dinheiro que Houston me deu, varias garotas se inscreviam, algumas varias vezes sem nunca ganhar.Pude ver minha mãe melhorar enquanto nos preparavamos, embora não achasse que tinha que me preparar para nada, ela passou horas fazendo um vestido novo para mim, era um vestido verde que ela copiou de um filme da Disney de uma certa princesa.Agora sem meu pai tinhamos mais dinheiro, ele não nos roubava mais e eu quando precisava ia pedir a Houston, pode parecer algo improprio, mas ele pagava bem e eu não tinha mais que ficar esfregando o chão, agora que eu era candidata a Miss ele estava ainda mais animado comigo
No dia do concurso boa parte da cidade estava reunida no Centro Comunitario Candace Spring e minha mãe estava logo atras dos jurados.Primeiro era o desfile de roupa de gala, então traje de banho, e por ultimo o talento, eu obviamente dancei ballet e fui muitissimo bem recebendo aplausos no final da apresentação
Na plateia tinha minnha mãe na primeira fila e vi meu pai ao fundo, incrivelmente era a primeira vez que ele vcia alguma apresentação minha, qualquer que fosse ela.Houston estava ali tambem, em um tipo de área Vip onde os patrocinadores estavam.O anuncio das colocadas começou
Quando ele anunciou a primeira todos aplaudiram, eu simplesmente não me mexi, arregalei os olhos olhei para o apresentador querendo saber se ele tinha dito o nome correto.Jovens garotas colocaram uma faixa em mim e uma enorme coroa, eu não sorri, estava muito espantada, apenas acenei para as fotos com minha boca aberta em espanto.Mas olhei para minha mãe e ela estava em pé me aplaudindo e chorando, eu então sorri, não por ter ganho, mas sim por ter deixado minha mãe feliz
O momento mais constrangedor foi quando eu tive que tirar inumeras fotos, inclusive com Houston que apertou minha bunda e sussurou no meu ouvido
—Quero você hoje.Uma miss vale o dobro
Terminei meu dia de coroação em um quarto de motel, de quatro com ele me fodendo, uma mão no cinto que estava em volta do meu pescoço e outra no meu quadril.Ele era muito agressivo, me bateu algumas vezes, mas dês de que eu me inscrevi no concurso eu pedi que ele não me deixasse mais marcas, não queria que minha mãe passase a vergonha de ver a filha cheia de hematomas durante o concurso
Virei celebridade na cidade depois daquilo, ate as meninas do colegio que antes debochavam de mim por usar sempre roupas feitas em casa e trabalhar em um motel me pararam na rua e disseram o quanto eu era linda
No concurso estadual, que aconteceu dois meses depois de eu terminar o colegial, fui para a capital e deixei minha mãe em Bismarck aos cuidados de uma vizinha e fui com Houston para o concurso, ficaria surpreso se disesse que eu ganhei?Pôs sim, eu me tornei Miss Dakota do Norte e isso significava que iria para o nacional.Quando soube minha mãe ficou muito feliz e eu feliz por ela
Mas o ponto crucial foi em Nova Iorque onde me preparava para o Miss America, eu teria que dividir o quarto com outras duas garotas, como ninguem consegue realmente memorizar o nome de ninguem eu era conhecida como Dakota do Norte, eu dividia o quarto com Florida e Mississippi.No meio daquelas dezenas de garotas haviam um mundo de falsidade e inveja
Ficamos uma semana juntas em um hotel em Nova Iorque, diariamente ligava para minha mãe e fingia que estava feliz, mas não estava.Naquela uma semana coisas horriveis aconteceram, Montana tinha tido o vestido rasgado, a mala de Nova Jersey sumiu e alguem colocou creme de depilação no shampoo de Novo México
Tentava ser cuidadosa, havia feito um risco na tampa e no frasco do meu shampoo e condicionador, certo dia os chequei e eles não estavam alinhados como sempre, os joguei fora com medo de estarem querendo fazer comigo o mesmo, Novo México ficou com enormes falhas no cabelo.Comprei um enorme cadeado e coloquei em minha mala e não aceitava nada de ninguem, ate o dia em que tinhamos que fazer fotos individuais, estava morrendo de fome e fazia o cabelo para as fotos, e havia um buffet e eu pedi para California pegar um copo de iogurte.Ele me entregou o iogurte e uma colher, deveria ter prestado mais atenção, o copo já estava aberto e ela estava com um sorriso no rosto
Na primeira colherada senti o vidro na boca, logo cuspi e junto ao iogurte saiu sangue, olhei em volta algumas garotas me olhavam abafando o riso.Então corri para o banheiro, apenas alguns arranhões na lingua e na gengiva, nada que me matasse.Quando sai do banheiro esbarrei no homem mais lindo que já havia visto, ele era cheiroso, usava um terno de três peças e tinha um enorme sorriso no rosto
Ele era o filho do dono do hotel em que estavamos, e tambem dono do hotel-cassino no qual a final do concurso seria feita.Voltei para terminar a maquiagem e depois me posicionei em frente ao fotografo com um fundo branco atras de mim, estava com minha faixa de Miss Dakota do Norte.Enquanto tirava as fotos o tal homem ficou proximo ao fotografo de uma maneira que me deixou sem graça, ele parecia querer me morder
Ele permaneceu conosco em quase todos os momentos, tinhamos ensaios na passarela da apresentação com um coreografo da Broadway. ficamos duas horas seguidas repetindo os mesmos passos ate ficarem perfeitamente coreografados, tinhamos que fazer tudo de salto alto, quando eramos pegas sem salto levavamos bronca, o quarto era o unico lugar onde poderiamos ter sossego; mesmo com todas as tentativas de sabotagem que sofriamos
Para mim o momento mais dificil foi a chamada para a televisão que precisamos fazer, devidamente arrumadas e com nossas respectivas faixas tivemos que desfilar em uma passarela de vidro na piscina que com o jogo de cameras e com a iluminação pareceria que estavamos andando sobre a água.Entretando sem qualquer elegancia e sofisticação mostradas em cena a passarela era escorregadia e tinhamos que desfilar com as pernas bambando em cima do salto e um tombo seria ridiculo

Ligava para minha mãe todos os dias, e no dia do concurso ela estava tão feliz que somente por eu estar participando valeria a pena.Eram cinco maquiadores para mais de cinquenta garotas, e todas queriam estar deslumbrantes.Enquanto me maquiava, o maquiador disse que me achava a mais bonita, e então uma voz atras de nos disse
—Concordo
Vi no espelho e quem falava era o tal filho do dono do hotel, ele sorriu e disse para o maquiador me deixar maravilhosa.Tradicionalmente apresentei ballet e desfilei com um vestido que era a coisa mais bonita que eu já usei
Depois de uma a uma serem eliminadas sobramos eu e a Miss Georgia, de mãos dadas eu sentia a mão dela suar de nervosismo, queria rir já que estava imaginando minha mãe em casa pulando no sofá como ela fazia quando sua candidata favorita estava quase ganhando, agora que era a filha dela que estava ali ela deveria estar em pé pulando no sofá da casa de uma prima, que tinha televisão grande e com melhor imagem
Então ele disse 'Dakota do Norte' e uma onda de aplausos invadiu o local e uma chuva de petalas vermelhas me cobriu, fui abraçada pela Miss Georgia.A Miss America do ano anterior me colocou a capa dourada com cristais, assistentes vinham atras dela com a coroa, a faixa e um buquet, depois colocou a faixa e me deu as flores.Sorrindo acenei para todos, então olhei profundamente para uma camera, podia sentir minha mãe me olhando, soprei um beijo atraves da lente sabendo que ele chegaria ate minha mãe e que ela sabia que era para ela
Houve um coquetel com jornalistas depois do concurso, todos os focos estavam em mim e eu não sabia bem a quem responder, inumeros jornalistas faziam perguntas e eu não conseguia entender nenhuma por estarem falando todos juntos.Quando estava prestes a gritar para eles ficarem quietos alguem pos as mãos em meus ombros de maneira protetora
—Calma pessoal, logo ela podera responder tudo devidamente
A pessoa me guiou para fora do tumulto, olhei para trás e vi quem era, o tal filho do dono do hotel, fiquei extremamente corada, eu sabia que ele era um garanhã, mas nunca transava com as misses antes da coroação, ele não gostava de demonstrar favoritismo
Bebemos champanhe, e ele me disse que mesmo sabendo que eu não tenho idade para beber essa era uma ocasião especial.Então ele me levou para dar minha primeira estrevista como coroada à Vogue.Foi como um sonho, eu estava dando entrevista a VogueTV não a revista, mas eles me avisaram que eu iria fazer uma sessão de fotos para a revista
Estava mais feliz por estar falando com a Vogue do que por ter ganhado o Miss America.Tirei inumeras fotos, tantas que meus olhos doiam de tantos flashes

Na manhã seguinte fui acordada e descobri que tinha um Brunch com o filho do dono do hotel.Brunch era algo que eu só tinha ouvido falar.Preciso agora andar sempre impecavel, afinal era era a Embaixadora da Beleza, um titulo agregado com o de Miss.
Depois do brunch fomos ate um estudio tirar fotos para divulgação, sempre com a faixa e a coroa, eles já tinham um vestido me esperando, quem viu aquela foto tão bonita não deve ter imaginado que eu estava coberta de alfinetes para deixa-lo perfeito no meu corpo
Passamos o dia todo juntos, almoçamos e jantamos juntos, ele sempre me guiando com a mão na parte de baixo das minhas costas, aprendi que e assim que os cavalheiros mostram que uma mulher e deles, pelo menos naquele momento
Não fizemos nada, embora tenha ficado aquela promessa de que quando nos vissemos novamente iria rolar alguma coisa.Alias, ainda não disse o nome ele, ele se chama Scott Harper

Fui embora no dia seguinte, estava exausta e só queria dormir na minha cama, mas chegando perto da rua da minha casa percebi uma aglomeração, pensei logo que algo havia acontecido, mas quando as pessoas começaram a gritar e tirar fotos percebi que eles estavam me esperando.Na casa da minha mãe que havia sido pintada quando eu começei a ganhar dinheiro com Houston tinha uma faixa pendurada 'Bem-Vinda Miss America'
No lado de dentro somente os amigos mais intimos estavam ali reunidos, até porque a casa não era muito grande.Minha mãe não se levantou para me abraçar, mas chorou quando eu mostrei a coroa para ela
—A senhora está bem?-já estava lavando a louça depois da festinha e ela ainda não havia se levantado do sofá
—Sim minha querida.Apenas cansada
—E o tratamento?A senhora Roberts a levou direitinho?
—Sim, me levou para todo lugar que eu precisei
—Quero aproveitar bem essa semana.Logo tenho que ir para Las Vegas, e parte do titulo e morar no ano de reinado em Nova Iorque
—E só um ano querida, ainda vou estar aqui
—Claro que vai, eu sei que vai.Mas você não pode viajar, liguei para seu medico e disse que você está proibida de fazer viagens longas e que mudar o hospital de tratamento esta fora de cojitação no momento
—Ainda não conversamos sobre o que você vai fazer depois
—Continuar no ballet, estou meio enferrujada, mas vou me dedicar pelo menos duas horas por dia para ensaiar
—Você e tão persistente
—Ballet e meu sonho.Agora sendo conhecida posso tentar ter vantagem.Conheci um homem que parece ter muitos conhecidos, ele se mostrou muito gentil e respeitoso comigo
—Que maravilha-houve um momento de silêncio, eu estava guardando a louça-Nicole, quando você vai parar de se encontrar com o Houston?
—O que?-minha voz saiu aguda e evitei olhar para ela, uma dor na barriga apareceu como todas as poucas vezes em que sabia que estava encrencada com a minha mãe
—Acha que eu não sei?Sempre soube, mas não sabia como lidar com isso
—Deixe isso de lado, a senhora precisa descansar
—Posso descansar depois.Agora quero falar com você
Ela esticou os braços cada vez mais magros, eu segurei suas mãos e me sentei na sua frente na mesinha de centro de madeira
—Estou tão orgulhosa de você.Não por ter se tornado a mulher mais bonita do pais, mas pelo o que fez com o seu pai.Você foi mais corajosa do que eu já fui um dia
—Ele bateu em você.Por isso você acabou sendo internada.Imagine se eu iria conseguir ir tranquila se ele ainda estivesse aqui
—Seu pai está doente assim como eu.Mas você não entende a doença dele.Me prometa que se algo acontecer comigo você não vai dar as costas para ele e que vai dar o que ele precisa
—Mãe, não me diga que você esta dando dinheiro para ele?-ela acenou a cabeça
—Ele precisa, está procurando ajuda, participa do AA duas vezes por semana.Ele está muito orgulhoso de você, mas não veio porque não quer que você se irrite com ele e acabe por estragar sua alegria
—Ainda bem
—Mas me prometa que sempre vai ajuda-lo
—Vou sim, mas agora vamos descansar

No dia seguinte teria uma festa em minha homenagem, dei a minha mãe um dos melhores vestidos que ganhei e um belo sapato.Havia trago uma peruca de cabelo natural para ela de Nova Iorque com a mesma cor dos cabelos dela, havia me especializado em maquiagem, fiz sua sobracelha com lápis e apliquei cilios postiços, dei cor a seu rosto.Um carro veio nos buscar e fomos recebidas pelo prefeito da cidade, minha mãe estava usando bengala, queria que ela fosse com a cadeira de rodas nova que dei para ela a algum tempo, mas ela disse que iria ocasionar em muita complicação
Sorte que lhe passei maquiagem a prova d'água, ela chorou muito.Já eu estava com um pouco de vergonha, era tratada como uma celebridade naquela cidade onde nasci e fui criada, não querendo ser exibida, mas sempre fui conhecida por ser muito bonita, mas como não tinha dinheiro não era de muita importancia, ate eu ganhar um titulo que dizia claramente que eu era a mulher mais bonita do pais
Houston estava entre o publico, ao lado da esposa e das filhas, mesmo assim ele não se intimidou em ir atras de mim.Quando ninguem estava olhando pediu que eu me encontrasse com ele do lado de fora
Deixei minha mãe sob os cuidados da vizinha enquanto ia para o lado de fora, ninguem estava ali, mesmo que fosse um local bonito seu piso de pedrinhas machucava os pés mesmo calçados, então não era um atrativo.Queria um novo encontro, mas eu disse que não iria fazer mais aquilo, então ele me ameaçou com o video, o video gravado por ele e os amigos naquela noite
—Imagine como sua mãe vai ficar envergonhada e decepcionada quando vir a filhinha dela transando com três caras em um quarto de motel?
—Sua esposa vai te largar
—Primeiro, ela sabe que eu estou fodendo você.Segundo, e facil eu usar um efeito de imagem para cobrir meu rosto e dos outros dois homens.Mas a estrela do filme e você, seu rostinho safado aparece a todo momento.Acho que ate pode perder a coroa
Terminei todas as minhas noites daquela semana com Houston, mas isso não foi o pior, em um domingo quando deveria embarcar naquela manhã para Las Vegas minha mãe acordou passando mal, foi preciso leva-la as pessas para o hospital, acabei perdendo o vôo.O medico disse apenas que temos que esperar e tentar fazer com que ela não sofra muito.Ela estava indo embora
Nunca a vi tão mal, foi desesperador.Expliquei que não poderia participar e tive que aguentar ameaças de processos e ofertas de dinheiro, mas recusei todos.Passei a ignorar as chamadas de todos os representantes do concurso, eu só havia entrado no concurso por causa da minha mãe, e agora que ela estava assim, não tinha motivo para continuar, ate que Scott Harper bateu na minha porta
O deixei entrar, embora minha casa estivesse melhor que antes e ainda assim não estava a altura de alguem como ele.Lhe expliquei tudo, ele se disse sentido, mas que eu seria processada; e em todo o dinheiro que estava envolvido e em como eu ficaria famosa por participar.Fui salva por uma mensagem crua de Houston querendo me encontrar
—Scott, eu realmente não posso ir.A vice pode ir no meu lugar, e isso que fazem em casos assim não e?Tenho certeza de que não sou a primeira a fazer isso
—Realmente não e-ele se levantou e segurou minha mão-Mas você tem que saber que já estou a anos nesse ramo, antes era meu pai, mas dês de criança acompanhei desfiles e tudo mais.Eu preciso dizer com toda certeza de que você e a mulher mais bonita que eu já vi
Meu rosto pegou fogo e fiquei toda arrepiada.Me afastei dele antes que minhas pernas ficassem mais moles e eu acabasse por não conseguir me sustentar sobre elas.Disse que iria resolver um assunto relacionado a minha mãe, ele se ofereceu para me dar carona, mas eu disse que não precisava.Esperei ele sair de carro para poder pegar um taxi ate o motel
Foi tudo como sempre, agora eu pelo menos saia de cabeça erguida de lá, não tinha mais medo de alguem me ver.Mas a diferença e que antes eu pelo menos fingia para mim mesma que eu fazia porque queria, mas a ameaça do video me deixava sem duvida de que eu não queria mais ver aquele homem.Saimos juntos do motel, ele foi ate o carro pegar o dinheiro e me entregou.Ele me beijou, mas eu não retribui.Eu apertei as notas de dinheiro que estavam em minha mão tentando pensar que estava fazendo por dinheiro, e não por chantagem.Ele voltou para o motel e eu começei a andar ate a rua seguinte para pegar um taxi
Então alguem me chamou assim que cheguei na esquina, virei aos poucos, sabia de quem era a voz, mas realmente queria estar enganada.Mas era ele, Scott estava em pé a poucos metros de distancia
A situação era tão sem explicação que só pude ficar calada.Ele me convidou para ir a seu hotel, eu realmente não queria ir, tinha que ver minha mãe, ele se ofereceu para me levar e eu aceitei, pensei que poderia convence-lo de que não estava fazendo nada demais, Houston poderia ser apenas um amigo, ou ate namorado.Mas o dinheiro na minha mão que eu ia usar para pegar um taxi parecia me incriminar.Disfarcei o nervosismo e entrei no carro dele, mesmo querendo me explicar não conseguia dizer a primeira palavra, ele percebendo começou a conversa.Eu só o enrolei ate chegar ao hospital

Dois dias depois ele ainda estava na cidade, contrariando sua afirmativa de que ficaria só ate o dia seguinte.Quando fui ver minha mãe no hospital descobri o porque dele ainda estar na cidade.Ele falou com ela que eu não queria ir ao concurso por sua causa, minha mãe obviamente não gostou nada disso, ela estava meio sem noção de tempo dentro do hospital, acho que isso acontece com todos que ficam muito tempo no hospital
—Eu só entrei nos concursos por você-tentei me explicar
—Então continue por mim.Esse e meu ultimo desejo
Não poderia dizer não, no dia seguinte embarquei no avião para Las Vegas, deveria ter dito algo melhor para ela, foi a ultima vez que vi minha mãe
Liguei para minha vizinha antes de dormir na vespera do concurso, minha mãe morreu naquela tarde.Não dormir e chorei do dia todo; entrei no palco com o rosto inchado, Scott não me deixou em momento nenhum, minha maquiagem estava borrada e minha bochecha doia de tanto sorrir, mas essa era a regra numero 1 de miss, sorria sempre, mesmo que sua mãe esteja na gaveta de um necroterio
Tudo o que eu queria era ser eliminada logo, mas fiquei ate o ultimo segundo.Ate que eu estava segurando a mão da Miss Porto Rico, eu não queria estar ali, minha mãe não estava em casa torcendo por mim, então porque estar ali de mãos dadas coma quele mulher que tratava mal a todos? No fim quem foi chamada foi ela, eu agradeci por finalmente poderia me trancar no meu quarto de hotel e chorar pela minha mãe.Mas anos depois, quando aconteceu aquela gafe de chamarem a Miss errada, eu quis que acontecesse aquele dia, aquela porto-riquenha era nojenta, eu queria que disessem que houve um erro, e que eu era a escolhida, recentemente eu a reencontrei, ela ainda parece achar que eu liguei de ter perdido para ela

Depois do velorio eu tive que ir para Nova Iorque, vendi a casa e prometi nunca mais voltar para Bismarck sem nem ao menos falar com meu pai, ele que se virasse, acabei não cumprindo o desejo da minha mãe.Ignorei Houston e ele disse que iria vender meu video para a industria porno, mandei ele se foder, não ligava para o que ele fizesse
No meu ano de reinado eu teria que morar em Nova Iorque, não conhecia ninguem e nem a cidade, ficava o dia todo no apartamento vendo televisão e lendo, estava muito triste pela morte da minha mãe, a unica coisa que me fazia sair eram entrevistas e sessões de fotos.Um dia Scott apareceu em meu apartamento no Chelsea com uma fita e disse
—Você não precisa mais ser chantageada por aquele homem
Soube que Houston realmente havia oferecido meu video a um estudio porno em São Fernado Valley, mas a diretoria do concurso foi acionada e não sei como, ele foi parar nas mãos de Scott.Fiquei feliz em receber o video, embora não me importasse mais, minha mãe não estava mais viva para ver aquilo.Ele me convidou para um café e eu aceitei
—Não gosto quando você fica assim
—Ainda estou meio abalada.Minha mãe era tudo o que eu tinha
—Você pode voltar a seu sonho de ser bailarina, você está com dezoito anos ainda
—Não conheço ninguem, seria sem noção chegar no Lincoln Center e dizer.'Quero um emprego de bailarina'
—Lincoln Center não sei, mas conheço um amigo que e diretor artistico da Boyer de Seattle
—Seattle, nunca pensei em Seattle
—Posso conseguir um teste.Mas claro, que e preciso terminar o tempo de reinado, está no contrato
—Sei, eu li.Sem emprego, sem namorado, sem mudanças radicais no visual, sem engravidar...Alem de ter que ficar aqui durante um ano, não conheço ninguem na cidade
—Você me conhece-ele sorriu daquela maneira que me deixava arrepiada-Que tal?
—Ok-respondi como uma caipira boba na cidade grande

A noite eu me vesti como uma Miss deve se vestir, usei joias que ganhei de um patrocinador e pela primeira vez dês de que me mudei para Nova Iorque me senti estar fazendo parte da cidade.Fomos ao St. Regis e eu tinha medo de abrir a boca e falar alguma besteira ou anunciar meu sotaque caipira
Mas a noite foi perfeita, me senti como nas revistas da Vogue, no meu sinônimo de perfeição.Quando me deixou em casa, na porta de meu apartamento ficamos nos encarando, eu estava vermelha e minha barriga formigava.Não sabia se deveria fazer o convite, e se fizesse, será que ele aceitaria?Mas ele sorria de lado, parecia estar pensando o mesmo que eu e se divertindo com minha falta de jeito
—Posso entrar?
Sua pergunta me surpreendeu, mas tambem me deixou feliz, eu concordei e entramos, era um apartamento muito sem personalidade, eu iria embora em dez meses e todos os meus objetos pessoais cabiam em uma única mala, mas ultimamente os presentes ganhos estavam ocupando muito espaço
Fiquei em pé do lado da porta, encolhida querendo me misturar com a pintura da parede.Deveria estar mais vermelha do que nunca, só conseguia sorrir.Terminamos na cama, e eu finalmente soube o que e gozar, sei que e grosseiro dizer, mas e a verdade, senti as pernas dormentes e uma explosão de dentro para fora, falta de ar e formigamento por todo o corpo
Ele era o segundo homem com que eu fiz sexo, segundo sim, aqueles outros dois no dia em que eu perdi a virgindade tenho tratado como se nunca tivesse visto, então pensando nisso a paranoia veio, sera que ele viu?Achei que não, Scott e um cavalheiro, mas talvez ele precisasse ver para conferir se era eu mesma, então veio a duvida, quantas pessoas viram o video?
A vergonha foi tanta que eu me cubri ate a cabeça e só sai quando ele disse que precisava ir embora.Não me dei ao trabalho de me vestir, coloquei um robe e o acompanhei ate a porta, e se despediu com um beijo na testa que fez nascer um borboletario dentro de mim

Ele fez o favor de me apresentar ao amigo que era diretor artistico do Boyer de Seattle quando ele veio a Nova Iorque, seu nome era Aaron e era maravilhoso, porem mulherengo e não me polpou de cantadas, mas foi profissional quando me pediu para dançar, e disse que assim que meu reinado acabasse fosse procura-lo.Dois meses antes do fim do reinado, eu e Scott já nos viamos quinzenalmente e ele as vezes dormia comigo, mas um dia tudo acabou
—Você e Nicole Rickman, certo?-perguntou uma mulher que estava na frente do meu predio
—Sim, sou sim-ela era loura e alta, mas não era bonita, era arrumada, elegante e bem vestida, mas não bonita
—Meu nome e Celia Harper, sou esposa do Scott
—Você e o que?-queria ter ouvido errado
—Sou esposa de Scott Harper.Você deve ser a amante dele.Miss America, ele adora uma coroa, mas devo admitir que você durou muito tempo, ate demais, e estou cansada, ele não aparece mais em casa e as crianças estão sentindo falta dele
—Crianças?
—Ele não te disse que tem filhos?Tipico, temos três filhos, um menino e duas meninas-ela bufou-Tanto faz, apenas deixe ele em paz, ele não vai aparecer mais, já dei um aviso a ele e agora e para você.Fique longe do meu marido
Ela embarcou no banco de trás de um carro que estava estacionado no meio fio e ele partiu.Eu estava confusa, peguei meu celular e liguei para Scott, ele não atendeu, ele sempre atendia

Depois de uma semana me ignorando eu fingi que meu coração não estava partido e o unico telefone que eu passei a ligar foi do diretor artistico de Seattle.Me mudei em Outubro e iniciei imediatamente como parte do elenco, e em um dia de depressão por causa de Scott eu transei com Aaron, assim me tornei substituta da primeira-bailarina.Um dia ela pegou pneumonia e eu tive que substitui-la em 'Quebra-Nozes', era Dezembro e tradicionalmente 'Quebra-Nozes' estava em cartaz.Ser Clara me fez pensar que estava a um passo de ser primeira-bailarina, mesmo que fosse em Seattle e não em Nova Iorque, no dia seguinte do meu primeiro trabalho como substituta, ao chegar vi um buquet de flores no camarim coletivo.Cada uma tinha um espelho com uma gaveta com maquiagem, como uma penteadeira, e ali na minha estava um grande buquet de flores brancas e vermelhas
—Chegou hoje a tarde-avisou o assistente de palco
Era lindo, peguei o bilhete e li 'Na noite de ontem fiquei encantado com seu talento e sua beleza, nunca em inumeros anos me surpreendi tanto com uma apresentação.Gostaria de hoje apos a apresentação poder lhe elogiar pessoalmente. Gustave Werther'
—De quem e?-perguntou uma das bailarinas
—Não conheço, Gustave Werther?
—Sei quem e, muitissimo rico
—Quer me conhecer hoje
—Sortuda, ele e lindo, na meia idade, mas lindo
Quando sai do camarim no fim da noite com minhas flores eu vi a coreografa conversando com um homem, ia passar direto, mas ela me chamou
—Nicole, venha aqui-sua voz doce me fez desconfiar, ela era uma vaca-Este e Gustave Werther, estava doido para lhe conhecer
—E um prazer-ele era realmente lindo, e aquele olhos castanhos parecia brilhar ao me ver
—Digo o mesmo, adorei as flores-olhei para o buquet na minha mão sorrindo
—O senhor Werther e um dos principais contribuidores
—Therese, estou indo.Obrigado pela atenção-disse ele-Senhorita Rickman, posso acompanha-la ate a saida?
—Claro
O recem-conhecido Gustave era um homem lindo, com cabelo grisalho do tipo que nos faz suspirar, sua voz era grave e sonora, muito mascula; e seu modo de andar era encantador, como alguem da realeza, não que eu já tenha visto uma pessoa assim que não fosse na televisão
—Como disse no bilhete fiquei encantado com sua apresentação
—Obrigada, o senhor vem sempre assistir ao ballet?
—Sinceramente não, prefiro assistir a orquestras, mas a filha de uns amigos adora 'Quebra-Nozes' e eu me dispus a acompanha-la
—Que gentileza
—Não querendo parecer ousado demais-já haviamos chegado ao lado de fora, nevava muito e eu logo pensei em como sofreria com o frio para ir para casa de metrô-Gostaria de jantar comigo algum dia?
—Jantar?Claro, seria otimo-arrumei o cachecol no meu pescoço quando um vento frio me atingiu a nuca-Embora eu trabalhe a noite, segundas-feiras eu só trabalho de dia, minhas noites são livres
—Perfeito, este e meu cartão-ele me entregou o cartão com seu nome e numeros de telefone e celular, tambem lhe passei meu numero-Proxima segunda-feira então
—Claro
Sorri sinceramente, ele era encantador, não do tipo que queremos imediatamente tirar a roupa, mas sim o tipo que queremos ficar sempre perto por causa de sua energia revitalizante.Estava a caminho da estação de metrô na rua lateral quando novamente ouvi sua voz
—A senhorita vai pegar seu carro?
—Não, e o metrô e aqui do lado
—Posso lhe oferecer uma carona?-pensei um pouco, ele não parecia o tipo de cara que se aproveita de alguem
—Seria otimo, está um pouco frio hoje.Mas eu já aviso que não moro perto
—Melhor ainda, teremos mais tempo para conversar
Ele apertou o alarme do carro e uma Ferrari apitou do outro lado da rua, não sei como não a notei antes, aquela Ferrari vermelha e brilhante parecia iluminar a rua coberta de neve.Me acompanhou e abriu a porta para mim, mas a nenhum momento me tocou
O cheiro de Ferrari era unico, era um cheiro de couro com carro novo e algum tipo de aromatizante especial, mexia conosco
—Você e bailarina a muito tempo?
—Sou sim, mas virei profissional à menos de seis meses
—E já esta fazendo o papel principal.Mas e claro que como já testemunhei, você e muito talentosa
—Sou apenas substituta, a primeira-bailarina deve voltar em uma semana e eu volto para o coro
—Um injustiça devo admitir
—Sou apenas uma novata
—Mas seu talento e natural
Mesmo morando longe a Ferrari andava a uma velocidade alta, pensei que ele deveria receber muitas multas por excesso de velocidade, embora não avançasse sinais vermelhos.Paramos em frente ao meu predio, ele desceu e novamente abriu a porta para mim, desta vez me tocou para me ajudar a sair, a calçada estava escorregadia e eu carregava o buquet e minha bolsa.Ele olhou bem para o predio e sorriu
—Esse e seu predio?
—Sim, moro no quinto andar
—Segunda-feira irei então busca-la, que tal as sete e meia?
—Isso seria otimo

Na segunda-feira eu me arrumei com um vestido branco, estava toda de branco e com um baton muito vermelho, usei um colar de perolas e sapatos pretos.As sete já estava pronta e fiquei na janela esperando ele chegar.Cinco minutos antes do horario marcado eu vi a Ferrari parando em frente ao predio, ele demorou para sair, cinco minutos, esperou dar sete e meia em ponto para sair do carro e tocar a campainha.Fingi tranquilidade e desci os cinco andares
—Nossa, você esta maravilhosa
Me levou a um restaurante muito elegante, e eu fiquei feliz por ter tido aula de etiqueta quando me tornei Miss, e soube usar todos os talheres
—O que você faz?
—Trabalho no mercado imobiliario
—E corretor?
—Não, tenho inumeros imoveis e predios, comerciais e residenciais-pensei que deveria ser algo bem lucrativo, mas deixei o pensamento para mim mesma-O que você fazia antes de ser bailarina
—Eu tinha ganhado um concurso e morei em Nova Iorque durante um ano
—Que tipo de concurso?
Realmente não me orgulhava de ter sido miss, queria ser conhecida por meu talento e não por minha beleza, mas agora via que infelizmente passei a me importar demais com a aparência, e queria provar que poderia ser talentosa e bonita
—Miss America-ele se engasgou com o vinho
—Você e Miss America?-comfirmei com a cabeça-Nossa, agora ate fiquei sem palavras.Embora não devesse ficar surpreso na verdade
—Obrigada
—Seu sotaque e de algum lugar do Norte não e?
—Dakota do Norte
—Uma garota do interior, isso a torna ainda mais encantadora
Deu um sorriso bobo tipico de uma caipira, mas não liguei, ele acabou de falar que gosta

Começamos a sair, e eu cheguei ate a pensar que ele era casado, eu realmente não ligava de sair com um cara casado, mas Scott foi diferente, eu amava ele demais e sua esposa vim falar comigo daquela forma e ele ainda assim não ter me dado satisfação me fez sentir horrivel.Estavamos namorando e ele me levava frequentemente a sua casa em uma area residêncial a uma hora de distancia do centro, dormia lá e fiquei surpresa com a rapidez das coisas, ele realmente parecia querer um relacionamento serio
Tive certeza quando me convidou para passar o ano novo com ele, eu já iria passar o natal com as bailarinas que assim como eu não tinham familia na cidade, mas no ano novo ele me fez prometer que estaria com ele.Foi em no Country Club perto da casa dele, ele me buscou as dez horas, eu usei um vestido longo azul-marinho, ligeiramente justo, sapatos pretos combinavam com a bolsa e o casaco que eu usei.Ele me buscou em outro carro, desta vez uma Lamborghini preta
Assim que entramos no salão o brilho das joias das pessoas me cegou, eram todos tão elegantes, como em um comercial de perfume, eu me senti tão pequenina ali no meio de todos que ate fiquei sem graça quando ele me apresentou as pessoas
—Nicole. estes são meus melhores amigos, Carick e Grace Grey
—Um prazer conhece-la-disse Grace-Que bom finalmente conhece-la
—Digo o mesmo-Gustave pegou champanhe com um garçom e me deu uma taça
—Eles são pais do meu afilhado.Venha, quero apresenta-la a ele
Estava um pouco nervosa, mas ele me conduzia com a mão na parte de baixo das minhas costa; conforme andavamos as pessoas viravam a cabeça e algumas erguiam as taças em sinal de cumprimento
—Christian-ele chamou um rapaz que estava de costas para nos-Está e Nicole Rickman
—Oi-disse secamente, embora eu tivesse tido a impressão de que ele me mediu dos pés a cabeça com um brilho de cobiça no olhar
—Gustave, está então e a Nicole-me virei e vi uma mulher loira muito elegante e bonita
—Sim, está e Elena, uma grande amiga minha-ela apertou minha mão com firmeza
Voltei a olhar para Christian, ele era um rapaz muito bonito, e devo dizer que não deveria ser muito mais novo que eu, mas eu realmente preferia homens mais velhos.Estava comendo um aperitivo quando uma menina muito energica e com cabelos longos saltitou ate nos
—Olá, eu sou a Mia!-ela tinha um sorriso tão contagiante que eu sorri tambem-Eu vi você outro dia no Boyer com o tio Gustave, você dança muito bem
—Obrigada
Então Gustave realmente tinha ido com a filha de amigos, ate aquele momento ainda tinha duvidas se ele não havia ido com outro mulher e estava receoso em confessar

Em Janeiro fui pega de surpresa por uma noticia dada pelo meu sindico, o alugel estava pago, realmente não soube o que havia acontecido ate meu proximo encontro com Gustave, ele era o dono do meu predio e eu não precisava mais pagar aluguel, fiquei com medo, eu via muitos filmes sobre psicopatas, mas vendo que o aluguel era alto eu aceitei, eu recebia muitos presentes, ele me mandava flores semanalmente e sempre me levava para comprar roupas e me mimava muito
Com o tempo conheci todos seus amigos e frequentava a casa de alguns, principalmente dos Grey.Ate era sondada por algumas amigas sobre casamento, mas eu realmente duvidada que ele fosse me pedir em casamento, ate que no verão fomos para a Grécia, nisso eu já estava com vinte anos, contra os quarenta e dois dele
—Você voltara com um bronzeado maravilhoso-eu estava em uma espreguiçadeira e ele alisou meu corpo-Quer champanhe?
—Ainda está um pouco cedo para beber
—E uma ocasião especial
—Qual?-me sentei e ele me entregou a taça-Gutave!-ei vi dentro da taça vazia um anel
—Nicole Rickman-ele tirou o anel da taça e segurou minha mão-Você aceita se casar comigo?-colocou o anel em meu anelar, era um enorme diamante brilhava com a luz do sol, projetando um arco-iris dentro dele
—Sim!

O casamento aconteceu dois meses depois no Castelo de Chantilly, eu usei Grivenchy e o casamento foi luxuoso, Gustave alugou um avião para levar os convidados e todos ficaram hospedados lá.Eu não convidei meu pai, Gustave sabia que eu tinha pai, mas eu expliquei a situação.Eu me sentia uma princesa
Passamos a lua de mel na África, e quando voltamos ele me veio com a ideia de ter filhos, eu imediatamente disse que não, queria me dedicar a minha carreira, e ele pareceu aceitar meio relutante, mas eu confiava nele.Tanto que ele me comprava comprimidos anticoncepcionais e eu os tomava, ate que um dia passei mal e fui ao médico
—Parabens, você está gravida
Aquelas palavras foram horriveis, eu primeiramente pensei em minha carreira, bailarinas não engravidam, isso e como dizer que tudo acabou.Fiz outro teste, embora o medico disesse que era 100% preciso eu insisti, o segundo tambem deu positivo
Não falei para Gustave, pensei no que poderia fazer para resolver aquilo, mas antes precisava ver uma coisa, os remedios, eles deveriam impedir que eu engravidasse, então os pesquisei na internet.Ate ai tudo bem, eles eram fortes então eu não deveria engravidar, ate que vi a foto, os da foto eram roxos, já os meus eram rosas, procurei mas não achei nenhuma fotos deles sendo rosas
Uma enorme duvida veio, procurei uma farmacia de manipulação e pedi para que examinassem, então quando fui ver o resultado o farmaceutico disse que eram falsos, feitos basicamente de áçucar e farinha, sem qualquer tipo de medicamente, era como balas
Então Gustave estava me enganando, ele queria que eu engravidasse, queria que eu virasse uma reprodutora dele, mas eu não iria deixar que isso acontecesse
Quando cheguei olhei bem para a escada, subi ate o segundo andar e fiquei ali em cima, olhando para os degrais, eu poderia sofrer um acidente, cair e perder o bebê.Não tive coragem de me jogar, quando consegui eu automaticamente me segurei nas barras do corrimão, tentei ir desfizando, machucou minha bunda, mas eu não iria conseguir abortar assim
—Nicole!-Gustave me pegou deslizando pela escada-O que esta fazendo?
—Nada-ele segurou minhas mãos e me levantou
—Por que não tinha me dito que foi ao medico?-tentei falar, mas só conseguia balbuciar-Vamos ter um bebê
—Não, não vamos-eu puxei minhas mãos das dele-Você me dava remedios falsos, você me enganou
—Sobre isso-ele parecia preparado para aquilo-Foi porque eu quero ser pai antes de estar velho demais para isso
—Mas e eu?E o meu corpo!
—Você e linda, vai se recuperar rapido, e qualquer coisa eu pago quantas plasticas você quiser
—Não e isso, e minha carreira, eu não quero parar de dançar
—Mas eu lhe fiz um estudio de primeira, pode dançar o quanto quiser
—Estava a um passo de me tornar a primeira-bailarina!
—Nicole, você esta com um bebê e tudo o que consegue pensar e em ballet?
—Seu miseravel
No dia seguinte um homem chegou em casa, ele seria meu segurança e deveria me acompanhar para todos os lugares, obviamente uma tentativa de me impedir de fazer qualquer coisa.Depois foi uma mulher, Ivana, ela seria babá da criança, e por enquanto iria me ajudar, perder a sensação de liberdade foi horrivel, ter alguem me seguindo o tempo todo, ela ate mesmo me esperava na porta do banheiro e quando eu termianava ela ia me levar a toalha.Parei de dançar e começei a ter desejos, me recusava a comer.Quando eu vi que era algo irreversivel eu comecei a odiar aquele bebe.Eu torcia para uma má formação, o que seria desculpa para um aborto.Eu torcia para um bebê morto, então fingiria que aquilo nunca havia acontecido
Mas o tempo foi passando e a cada dia eu engordava mais, ele sempre me acompanhava as consultas e quando soube que era uma menina ele imediatamente comprou inumeras roupas nas cores, rosas, lilás e amarelo.Grace e sua filha, Mia, vinham quase diariamente, eu gostava da companhia delas, ate me confessava a ela, mas ela dizia que eu deveria estar feliz, que uma menina vai me fazer companhia para sempre, filhos são para o mundo, filhas são nossas para sempre

Foi em algum momento da minha gravidez que começou minha depressão, um mal que carrego ate hoje.A depressão se arrastou sobre mim silenciosamente, no inicio lutei contra as coisas pequenas, mas normalmente escolhia ignorá-las.Era como uma dor de cabeça que insistia em dizer que era temporária, ia passar, era só mais um dia ruim.Mas não era.Eu estava preso nesse estado mental.Me acostumei a colocar uma máscara social e continuar a viver em meio às pessoas, porque e isso o que eu tinha que fazer, foi para isso que Gustave se casou comigo, alem de ser o que os outros fazem.No entanto o problema não passava e eu lutava para levantar todo dia, mas tudo começou a ficar mais dificil a cada dia.Passei a esperar o dia do nascimento dela, achando que se aquela praga saisse de mim tambem tiraria todo o mal que estava enraizado no meu coração e na minha cabeça
Quando Violetta nasceu eu fui anestesiada e cortada, já no quarto eu só queria chorar.Quando trouxeram o bebê eu não a segurei, me recusei a amamenta-la, mesmo com Gustave insistindo junto aos médicos.Meu peito doia, parecia pedra, mas eu não seria uma vaca leiteira.Foi o momento mais triste da minha vida, eu pensava coisas que muitos pensariam ser absurdas
Ivana estava com ela o tempo todo, a protogendo, provavelmente de mim, mas eu pensava que ela poderia se engasgar, bebês se engasgam o tempo todo, ou então ela poderia ser esquecida na banheira durante o banho e se afogaria, mas aquela mulher agia como um cão de guarda.Perdi rapidamente peso, claro, afinal eu não comia nada, acabei sendo diagnosticada com depressão pós-parto, grande surpresa
Toda a satisfação foi embora.As pequenas coisas que me alegravam se tornaram sem importância, e mesmo as tarefas mais simples tornam-se dolorosas, começou uma faltar motivação.Por que continuar tentando se nada te faz feliz?Tudo fazia eu me sentir ainda pior e eu me vi como um hamster, presa em um circulo vicioso.
Com o passar dos anos continuei a rejeitar aquela menina, embora ela sempre implorasse pela minha atenção, eu não a odiava, apenas não gostava do que ela significava.As vezes, não muitas, eu gostava de observa-la brincando, e secretamente escolhia suas roupas, sentia que ela era eu e a vestia do modo como eu queria ter sido vestida na infancia, ela sempre teve tudo e eu invejava isso, essa infância perfeita que eu nunca tive.Fui convidada para trabalhar como modelo por uma conhecida, estampei a campanha de sua loja, e assim iniciou uma nova carreira, não era uma modelo conhecida internacionalmente, ate porque Gustave limitava minha liberdade profissional, mas eu podia manter a cabeça erguida por não ter que pedir dinheiro para ele o tempo todo, mas vejam bem, nosso estilo de vida era caro e ele sempre me presenteava com um carro ou uma joia, muitas vezes mais caras que os carros
Tarde demais foi que eu percebi que ele na verdade me queria em uma vitrine, como um manequim.Eu era um trofeu que ele exibia, eu não tinha que falar, não tinha que ter opinar, só precisva estar sempre bonita, imovel, silenciosa e fria

Reencontrei Scott no verão, estava em Hamptons, na casa que temos lá com minha filha e a babá, ele apareceu como por acaso.E toda aquela nuvem negra em me acompanhava a anos sumiu quando eu o vi.Saimos para tomar um café, a babá estava com Violetta na casa e eu pude passar o dia com ele
—Você casou-era impossivel não notar meu anel com aquele enorme diamante
—Sim, tem algum tempo
—Sortudo, deveria ter sido eu-arregalei os olhos com sua insinuação-Desculpe por aquilo, minha ex-mulher e uma louca
—Ex?
—Me divorciei, assinei o divorcio tem dois meses.A primeira vez em quinze anos que estou realmente solteiro
—Diferente de quando nos conhecemos
—Minha esposa era horrivel, e eu precisava escapar dela
—Poderia ao menos ter me dito, eu não iria me importar de você ser casado
Assim que saimos da cafeteria passamos em frente a um carrossel, e eu distraida não percebi uma menininha correndo ate mim
—Mãe!-Violetta correu ate mim e abraçou minha perna
—Ela e sua filha?-ele perguntou sorrindo
—Sim, esqueci de dizer isso
—Oi, qual e seu nome?-ele se agachou e ficou a altura dos olhos dela
—Violetta!-respondeu com alegria
—Muito prazer, eu sou Scott-ele alisou os cabelos dela, depois passou os dedos em seu rosto
—Violetta, não corra mais de mim-Ivana apareceu sem folego-Mesmo sendo sua mãe você tem que me esperar
—Vai com a Ivana, estou ocupada
—Mas eu quero ficar com você
—Não-fui firme, mas não gritei, Gustave não gostava quando eu gritava com ela e Ivana era uma fofoqueira
O acompanhei ate seu hotel e pela primeira vez no casamento trai meu marido.Na manhã seguinte Gustave me ligou muito irritado e me mandou voltar para Seattle, brigamos muito e eu confessei que o trai, ele ficou irado, mas disse uma frase que eu nunca me esqueci
—Sou velho demais, não posso mais satisfazer seus desejos, e o tipo de consequencia de se casar com alguem na idade para ser sua filha
Scott veio para Seattle quando lhe disse que meu marido havia me deixado ter um caso, contanto que fosse escondido.Ficavamos em seu hotel aqui na cidade, ele sempre perguntava sobre a minha filha.Ate que ele fez o pedido
—Não!Nem pensar!-me levantei raivosa da cama e me enrolei na coberta
—Só uma vez, eu prometo que não vou fazer nada
—Não!
—Eu juro que não vou encostar nela, apenas quero vê-la
—Pode vê-la em publico, na frente dos outros.Não precisa estar sozinho dentro do quarto dela
Fui embora assim que coloquei minha roupa, seu pedido me deixou assustada, no dia seguinte ele pediu para me ver, eu aceitei.Principalmente porque eu sentia a nuvem da depressão se formando acima da minha cabeça
—Por favor-mesmo seu sorriso encantador não me convenceria
—Não tem o que me faça aceitar
—Tem certeza?-seu sorriso se tornou algo muito assustador, era como assistir Psicopata Americano
—O que quer dizer com isso?
—Seu videozinho, sabe como hoje com a internet tudo se espalha mais facil, ainda mais você.Casado com o famoso Gustave Werther, modelando como passatempo
—Você me deu o video, eu o queimei
—Mas eu fiz uma copia.Muitas vezes o vi para meu proprio prazer
—Você não vai me ameaçar com isso, não e?
—Se você não me der escolha
Combinamos de ele ir no dia seguinte, eu o colocaria escondido em casa e ele entraria no quarto dela quando Ivana não estivesse por perto.Ficamos um tempo no quarto, eu tentei distrai-lo, faze-lo esquecer daquilo, mas ele nem ao menos olhou para mim
—Vamos lá, antes que seu maridinho chegue
Olhei para os dois lados, depois fui ate o alto da escada e não vi ninguem, deveriam estar no andar de baixo muito ocupados para se preocupar comigo.Scott me pediu para falar com Violetta e pedir para ela não falar com ninguem, ao entrar a vi dormindo, fiquei um tempo do lado da cama a olhando, a cada dia ela se parecia ainda mais comigo
—Violetta, acorde
—Mãe?-ela coçou os olhos, parecia muito sonolenta
—Meu amigo vai vim aqui no quarto, quero que você fique quieta.Cale a boca, não faça nada, ele vai ser rapido, e você não deve falar nada para ninguem
—Por que?
—Apenas faça!-gritei, podia gritar, não tinha ninguem vendo
Me surpreendi ao ver Scott vigiando na porta entreaberta, passei por ele sem dizer nada, eu precisava de uma bebida
Fiquei com uma taça de vinho na porta do meu quarto, deixei a taça cair quando ouvi um grito de Violetta, fiquei com tanto medo que tremia, piorou quando ouvi os passos de Ivana
—O que aconteceu?
—Nada, pode descer, eu resolvo
—Não, eu vou
Ela correu e estava abrindo a porta do quarto de Violetta quando eu entrei no meu e tranquei a porta, a gritaria do lado de fora me fez querer pular pela janela e fugir
Algumas pessoas me procuraram, mas eu não abri, ate que ouvi Gustave
—Nicole!Abra a porta agora!-ele estava gritando, e isso me dava mais medo do que qualquer coisa-Abre a porta!-ele chutou a porta
Me aproximei da porta, estava tremendo tanto que foi dificil virar a chave, estava chorando e quando abri a porta ele segurou meus braços com firmeza
—O que você fez?!-ele me sacudia e eu só conseguia chorar
Quando Gustave saiu e foi com Violetta para o hospital eu arrumei minhas coisas e fui embora, aquilo era surreal, ele havia prometido que não faria nada com ela.Com três malas eu entrei no meu carro e fui para um hotel, eu passei a noite em claro procurando em meu notebook vôos para o dia seguinte, qualquer lugar que eu conhecesse, ate pensei em sair do pais.Seis horas da manhã alguem bateu na minha porta, eu sabia que era ele.Pensei que em um hotel, a noite, ele não faria nada comigo, se eu gritasse alguem iria ouvir.Abri a porta, ele estava um caco, nunca o vi tão acabado
—Você esqueceu isso-ele estava com outras cinco malas, algumas dele-Aqui tem tudo o que e seu, suas joias, roupas, os sapatos são muitos então preciso de um baú-ele jogou as malas dentro do quarto, quase me acertando
Peguei as malas e as coloquei junto as outras e pensei que seria preciso despachar se eu quisesse ir de avião para algum lugar, com certeza excederia o limite de peso
—Não preciso falar que terminamos, e saiba que não vou lhe dar nenhum centavo-virei para ele espantada, esperava um divorcio, mas não um divorcio no qual eu ficaria de mãos vazias-Por que você fez isso?Nunca escondeu que não gostava da minha filha, mas isso foi demais.Você sempre a odiou por tê-la nascido e não ter podido mais saltitar nos palcos do mundo-ele falava com tanto odio que eu cheguei a duvidar se aquilo era um segredo guardado durante muitos anos
—Ele me ameaçou
—Não me interressa!Você vai ter que se virar agora

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Fui proibida de ver Violetta, Scott foi preso e julgado, foi preso e de acordo com Gustave eu tive sorte de não ser presa tambem, mas ele teve pena de mim, no divorcio eu não tive como brigar por nada, ele mostrou o que meu amante havia feito com minha filha e o juiz me fez sair sem nada, mesmo o casamento tendo sido feito com divisão de bens.Desisti de sair de Seattle, eu acabei indo morar em um apartamento no suburbio que comprei com o dinheiro de algumas joias que vendi.Os 'amigos' não falavam mais comigo, quando ligava para alguem a procura de um emprego eles diziam o mesmo
—Nos falamos depois
Pensei em tentar novamente o ballet, mas a resposta não mudava tambem, eu estava velha e fora de forma, um inclusive foi bem sincero
—Você passou do tempo.Nenhuma bailarina retoma a carreira ou começa aos vinte e poucos anos, você deveria pensar em algo mais adequado para a sua idade-ele me chamou de velha, eu estava com 25 anos
Infelizmente a unica alternativa que vi foi fazer o mesmo que fazia com Houston, a ideia veio quando encontrei um amigo de Gustave, e ele mesmo sendo casado me fez uma proposta indecente.Confessou que sempre me achou muito atraente e belissima, e me ofereceu U$200 mil para fazer sexo com ele, eu aceitei, e logo percebi que para mim era menos humilhante fazer sexo por dinheiro do que vender minhas joias ou usar roupas velhas.Procurei um site e acabei me tornando uma das garotas desse site que só quem poderia pagar entrava, as fotos eram só do corpo e nos tinhamos nomes artisticos, eu era conhecida como Sabrina Bloom, e virei um sucesso; constantemente encontrava conhecidos, mas eles tinham mais medo da exposição do que eu
Foram três anos assim, ate que eu fui atender a um pedido no hotel mais luxuoso da cidade, e subi ate a melhor suite do hotel, quando abri a porta tudo estava escuro, mas vi o homem em uma poltrona de costas para mim, admirando a cidade pela janela
—Tire a roupa, mas fique de lingerie-sua voz saiu meio abafada, então vi que ele havia acabado de tomar um gole de vinho, deveria ter dito enquanto sua boca estava na taça
Tirei minha roupa e fiquei com minha roupa de baixo, uma cinta-liga preta e meia 7/8, um sutien meia-taça de renda preta e calcinha combinando, tambem fiquei com os sapatos, pela experiencia, homens adoram transar com mulheres de salto alto, sentir o salto arranhar suas costas era muito excitante
A cadeira se virou, pareceu ser camera lenta, e eu congelei onde estava, Gustave, a quem eu não via já à 3 anos, sentado na cadeira como se fosse um trono, e segurando uma taça de vinho na mais pura elegância
—Então e verdade.Você virou prostituta
Peguei meu vestido no sofá e ia ventindo-o rapidamente, ele se levantou e segurou meu braço
—Está espantada?Imagine como eu fiquei quando soube
—Quem lhe disse?
—E isso importa?Qualquer um que entrasse naquele maldito site e pagasse poderia te foder à vontade
—Me solta!-tentei me soltar, mas ele me prendeu contra a porta do quarto-A me esqueci, você já pagou
Aproximei meu rosto do dele e o beijei, ele pareceu no começo ter se entregado, mas rapidamente me soltou e se afastou
—Qual o problema?Tão espantado por me ver fazendo isso, pensei que você só me queria para transar, não e mesmo?Eu era seu enfeite e sua reprodutora, só precisa fazer presença
—Não era assim, eu te amei muito, muito mesmo.Mas você estragou a vida da minha filha
—Eu não queria fazer aquilo-andei ate o sofá e me sentei-Ele me obrigou, prometeu que só ia olha-la
—Como você pode acreditar?Só dele pedir para vê-la já era motivo o suficiente para você se afastar dele
—Ele tinha um video meu
—Um video seu de sexo
—Sim, você sabe?
—Sei, ele contou no depoimento.Eu peguei o video e o destrui, ele tinha uma copia no computador no meio de varios videos de crianças.Mas foram todos destruidos tambem
—Eu preciso ir-voltei a me recompor para sair da maneira mais decente possivel
—Você está doente
—Não, eu não estou
—Está sim, você tem depressão, dês da gravidez.Você foi obrigada a interromper o tratamento com o divorcio.Você ao menos está tomando seus remedios?
—Eu não preciso, eles não funcionam
—Violetta sente sua falta-eu ri, iria dizer algo que achei que nunca diria
—Acho que tambem sinto falta dela, as vezes eu quero vê-la, mas tenho medo de ir lá.Pensava que você iria soltar os cachorros em cima de mim
—Eu ainda estou muito zangado com o que aconteceu.Mas você e a mãe dela, e isso eu não posso mudar, ela pergunta por você.Estou disposto a liberar suas visitas, vocês não sem vêem a anos e ela precisa de uma mãe
—Não, eu vou estragar tudo
—Não vai não, apenas me prometa que vai voltar a ver o médico
—Eu só destruo relacionamentos, os poucos amigos que me sobraram eu os fiz se afastarem
—Não e culpa sua
—Não adianta Gustave, eu tentei, mas não adianta-eu me servi de um gole da taça de vinho que ele deixou em uma mesa-E melhor me deixar aqui para morrer logo
—Nunca mais fale isso-ele segurou meu rosto, pensei que fosse me beijar, mas ele suspirou-Eu vou lhe dar ajuda financeira
—Qual e a condição?
—Quero que você pare com isso, e só o que eu peço.Se não quiser mais ver Violetta, então tudo bem.Embora ela queira muito lhe ver
—Nunca fui uma boa mãe, não vou conseguir ser agora
—Pelo menos tente, talvez ela seja um bom motivo para você seguir em frente

Acho que essa tentativa de reaproximação só a fez me odiar, todo o Verão eu a via, as vezes iamos viajar todos juntos, mas eu com o tempo me cansei de fingir estar feliz.Eu a tratava muito mal por motivo algum.Quanto mais eu tentava mais fundo eu caia, e ainda por cima só conseguia afastar ainda mais a minha filha de mim, eu me variava em momentos de pura desanimação e outros de extrema raiva, estava me isolando completamente
Durante a infância as feições marcantes e perfeitas de Violetta me incomodavam, era como ver o passado, eu buscava alguma fisionomia do pai dela, a unica coisa que eu via era o castanho salpicado em seus olhos, como se ela tivesse lutado para não se parecer em nada com ele e ser meu reflexo.De acordo com o tempo a semelhança ficou tão grande que me doia olha-la; seus olhos grandes e sobracelhas sempre malicosas, labios carnudos e com um sorriso irônico, o nariz perfeitamente alinhado, seu corpo esguio e cheio de curvas proporcionais, parecia ser feito de proposito para me irritar.Apesar de tudo isso ela iria crescer e ser mais bonita do que eu alguma vez já fui, isso e tão obvio que ate mesmo eu tenho que admitir
Conheci Allan por acaso, ele era parecido com Gustave, eu me casei rapido, só queria ver se um marido me faria sentir melhor, não ajudou, pelo menos agora tinha companhia em tempo integral, mas aquele meu segundo casamento não me fez diferença nenhuma
Subitamente me encontrei vivendo em câmera lenta.Os dias tornaram-se indistinguiveis.Eram apenas um ruido branco, apenas um peso preenchendo minha cabeça e se derramando sobre meu corpo.Eu sentir que nunca seria feliz novamente.Era assim todos os dias, as vezes eu acordava feliz, achando que tudo iria da certo, ate que eu me olho no espelho e me lembro que tenho depressão.E que isso não tem cura.Ou eu espero a morte ou eu me mato logo de uma vez

Quando soube da morte de Gustave eu não consegui chorar, engraçado, eu chorava quase todos os dias sem qualquer motivo, mas quando ele morreu eu não chorei.Fiquei dias procurando um motivo.Fui para Nova Iorque buscar Violetta, chegando na casa eu pensei que choraria, mas não o fiz, fui poucas vezes aquela casa, ela não parecia dele.Ate que eu precisei escolher uma roupa para ele usar no proprio enterro, quando abri o closet eu vi tudo ali arrumado, organizado, como se ele fosse voltar para usar alguma coisa, mas ele não ia, ele morreu e eu ainda não sentia que tinha feito o suficiente para ele me perdoar
Vi que mesmo depois de tudo, mesmo estando casado e tendo uma raiva por ele ter me enganado para engravidar, eu queria ainda estar casada com ele.Eu amava ele, muito mesmo, e eu tinha tentado achar um homem parecido com ele, achei, mas não era ele.Com Gustave eu me sentia segura, que mesmo que eu o deixasse zangado ele estaria ali escondido, me protegendo, mas agora não, ele se foi, e eu nem pude confessar o quanto eu gostava dele e em como ele para mim sempre foi mais um pai do que um marido

Foi inesperada a chegada de Violetta, eu não soube considerar sua dor, seu jeito me irritava, mas ela só estava se defendendo, nunca lhe dei motivos para confiar em mim.Era dificil estarmos sincronizadas, quando uma tentava uma aproximação a outra a enxotava, isso vale para nos duas
Quando ela disse que iria ser Dorothy na peça do colegio eu a ofendi, mas depois quis muito vê-la, eu pensei que essa alma artistica fosse minha, soube que ela foi muito bem, mas imaginei que eu acabaria estragando tudo, eu sempre faço isso.Ela havia me convidado para ir comprar o vestido do baile e eu bati a porta na cara dela, mas no dia do baile eu me ofereci para ajuda-la a se arrumar e ela fez o mesmo, quando ela voltou eu quis abraça-la, dizer que estava orgulhosa dela ter sido eleita rainha do baile, apesar de eu tê-la pego com um homem na cama.Mas eu não sabia bem como parabeniza-la, parecia ter desaprendido a fazer isso
Coisas que deixam qualquer mãe animada e orgulhosa me deixavam indiferente e nos estavamos cientes do imenso abismo entre nos duas.Outro fracasso como mãe não era uma opção.Então eu decidia ficar sozinha na minha zona de conforto, onde ninguem faz nenhuma pergunta.A falta de proposito tornou-se insuportável
Eu me envergonhei de tudo o que fiz, e de tudo o que não fiz por ela.Tem uma parte de mim que quer fazer as coisas direito nadando em uma subita onda de positiviade que me faz querer tentar recuperar o tempo perdido, mas tudo passa muito rapido, porque eu sei que não vai funcionar de qualquer maneira
Embora nossas brigas, nem nas mais calorosas, ela jamais me jogou na cara aquele incidente com Scott, ela nunca tentou me atingir com isso

Agora vejo que Scott era um idiota, pensando nos meus momentos de lucidez, ele se convidou para minha casa quando soube que eu estava com Violetta e Allan não estava mais lá.Eu a culpava por tudo o que ele fazia porque eu vivi no paraiso quando ele veio morar comigo, eu fingi que não havia visto ele alisa-la por detras do balcão da cozinha, nem de ter ouvido-o tentando entrar no quarto dela.Quantas vezes eu acordei a noite e ele não estava ali, mas tinha medo de procura-lo, ate que um dia eu tomei coragem e o fiz.Eu realmente não queria que ele estivesse lá, mas o som era de sexo, e eu queria novamente abrir a porta e ver Violetta com outro homem, abri a porta e encontrei Scott em cima dela, e ela estava gemendo, arfando, ela era uma puta, mas pensando depois, aquilo não parecia ser um gemido, talvez fosse um grito abafado
Penso agora, que culpa teve Violetta?A criança inocente que eu conhecia morreu naquele quarto com Scott, dali saiu uma garota desconfiada e egoista
Antes dele conseguir entrar no quarto dele, em uma noite como outras ele se arrastou ate meu lado na cama, fedendo a vodka, e quando estava já quase gozando sussurrou no meu ouvido 'Minha princesa', mas eu não era mais a princesa dele, essa era a maneira como ele se referia a Violetta, ele a chamava assim na minha frente, e não se importava comigo.Minha filha e uma criança, tem somente dezesseis anos, eu já sou uma mulher feita e ainda assim jovem, e ele ainda assim prefere ela

No dia em que ela deu um tiro nele, eu realmente não fiquei com raiva, eu mesma queria ter dado aquele tiro, mas eu não deveria pensar assim, afinal, eu amava ele, mas eu não aguentava mais
Mesmo assim ele ainda a queria, dizia que eu precisava obriga-la a voltar para cada, ela e menor de idade, mas eu me recusava, então um dia ele me bateu, ele já me batia, mas aquele vez foi serio, ele realmente parecia querer me matar, então ele apareceu e me salvou, mesmo depois de tudo

Nicole POV Off

Durante sua narrativa, ela me mostrou um album que sua mãe iniciou, a maioria eram fotos de Nicole em apresentações de ballet, mas tambem tinham fotos dela no concursos de beleza.Não era possivel ver mais a menina da foto de Miss Bismarck, uma menina pobre, que trabalhava e cuidava da mãe doente, mas que tinha sonhos e a esperança de realiza-los, que sorria mesmo com todas as dificuldades
—Você que mudar, que tentar ser uma mãe melhor?
—As vezes sim, mas sei que daqui a uma hora não vou querer mais
—Seria uma escolha sabia
—Sabedoria e uma merda.Eu sei que eu não tenho condições de cuidar dela, nem mentais nem financeiras.E ela quem me sustenta
—Quem sabe alguem aqui com você
—Violetta mandou uma empregada para ficar comigo, mas eu a mandei embora
—Acho que se você não quer ajuda, então ninguem pode fazer nada
—Preciso ficar sozinha.Não quero mais você aqui
—Como quiser.Mas pense que ela se preocupa com você, ao menos seja mais compreensiva
—Não vai funcionar, apenas me deixe aqui, finja que nunca conversamos
A situação dela era triste, mas eu não podia fazer nada

Notas finais
Proximo capitulo em ate sete dias.Espero que tenham gostado desse extra que eu publiquei.Não tenho tido tempo, então peço desculpas, mas ate o mês que vem a fic deve estar finalizada