Cinquenta Tons de Violetta
16 Capitulo 16 - Garota Extratosfera
Notas iniciais
Seria o primeiro verão dês de que me casei que não tirei ferias.Ana o fez, foi para a Disney World Resort com as crianças, eu fiquei em Seattle, para o aniversario de Violetta, ela faz aniversario na vespera da morte do pai
Para seu aniversario eu lhe comprei uma pulseira para colocar berloques, ela estava fazia, então não era algo muito bonito, eu não me senti confortavel em colocar algum, embora tivesse um em formato de coroa que eu achei que ela gostaria
Toquei a campainha e Ivana atendeu, haviam seis cupcakes na bancada da cozinha, cada um com uma decoração diferente.Violetta ainda estava se arrumando.Normalmente eu iria atras dela, entraria no quarto e a espiaria se vestindo, mas com o olhar atento de Ivana sobre mim eu preferi me sentar no sofá e sentir Baltazar se esfregando em minhas pernas
—Eu ate lhe ofereceria um, mas ela ainda não soprou a vela de aniversario
—E compreensivel
—Posso lhe oferecer uma bebida?
—Não, obrigado
Ivana se aproximou, ela era alta e não tinha uma postura muito reta, estava sempre com os ombros para frente e tinha a mania de arrumar tudo o tempo todo, como se estivesse entediada por não ter nada para fazer
—Não se preocupe, eu não mordo, apenas não gosto que se aproveitem da Violetta
—Eu não me aproveito dela
Ela se esticou e pegou o controle da televisão e a ligou em um jornal local, pensei que fosse o sinal do fim de papo, mas ela só o ligou para que Violetta não nos ouvisse do quarto
—Ela está achando que você vai se divorciar da sua esposa para ficar com ela
—A questão do divorcio ainda e meio complicada
—Eu crio essa menina dês de que ela estava na barriga da mãe dela, e eu não vou deixar você magoa-la
—Sei como você gosta dela.Nicole me contou
—Você e amigo dela?-pelo seu tom ela achava aquilo improvavel
—Não, apenas conversamos outro dia, ela me contou sobre sua vida
—Não sei se eu tenho mais odio ou pena dela
—Acho que ela merece mais a nossa pena do que nosso odio
—Ela nunca foi uma boa mãe, acho que ela nem se considerava mãe.As vezes quando nevava e eu tinha que sair para fazer algo ela me seguia com aquelas perninhas lutando contra a neve e o corpinho cheio de roupas.Então eu perguntava para Violetta 'Por que você não está lá dentro com a mamãe?', mas eu já sabia o motivo.Ela preferia ficar do lado de fora da casa com a empregada do que do lado de dentro, vendo a mãe olhar para qualquer lugar menos para ela.Ela parecia um filhotinho confuso
—Você tem filhos?
—Tenho sim, dois.Eles já estão adultos e vivem a vida deles.Eu tambem não era uma mãe presente-ela riu de nervoso-E aqui estou eu falando de Nicole, mas eu tinha que trabalhar e eles ficavam com a minha mãe.Um deles já tem filhos e o outro se casou a pouco tempo
—Quais são suas profissões?
—Um deles e tradutor e o outro tem uma loja.O Sr.Gustave pagou a faculdade dos dois, por conta propria, ele não me descontou um unico centavo.E só deve ter visto meus filhos poucas vezes
—Ele era incrivel.Muitas vezes eu me metia em encrenca e ele me ajudava
A porta do quarto se abriu e Violetta saltitou pelo apartamento, ela parecia muito feliz.Usava um vestido verde escuro com detalhes em preto, de mangas longas, mas o longo decote o compensava, alem de ser curto na medida em que só uma adolescente pode usar, no pescoço o colar que eu comprei para ela.Seus cabelos estavam presos em um penteado comportado, presos e eu podia apreciar completamente seu pescoço exposto, com vontade de morde-lo
—Você está muito linda-me levantei para beija-la, mesmo com o olhar raivoso de Ivana, mas ela tambem parecia feliz.Sua perna estava tão bonita e com uma aparencia tão sedosa que eu precise alisa-la para ter certeza de que não estava de meia-calça
—Minha querida está fazendo dezessete anos
—Pelo amor de Deus, você não vai chorar não e?
—Ainda me lembro de quando você era bebê
—Não, não começa...-Violetta choramingou, Ivana se virou para mim sorrindo
—Quando Violetta nasceu ela sofria de cólicas, do tipo que os bebês tem quando só tomam leite em pó como era o caso dela.Inumeras vezes eu tentei fazer Nicole amamenta-la, mas não adiantava-Violetta estava com a boca aberta, de queixo caido, parecia não estar acreditando no que Ivana me contava-A colica só passava quando alguem a mantinha aquecida contra o peito, mas eu não podia segura-la o dia todo, então eu usava um canguru e a carregava para cima e para baixo o dia todo, todos os dias por quase um ano.Eu passava as noites com compressas de água quente nas costas de tanta dor, e ela era um bebe robusto, gordinha, cheia de dobrinhas, mas eu não me importava, eu simplesmente amava aquela criança e não conseguia vê-la chorar
—Mas vai me fazer chorar agora-ela estava com as bochechas vermelhas-Você gosta de me fazer passar vergonha
—E um dos meus objetivos na vida
—Tamto faz-Violetta empinou o nariz como só ela faz-Você tem certeza de que não que ir?
—Tenho, vão casais, eu vou ficar sobrando, alem do mais já estou velha demais para esse tipo de coisa
—Você só vai ficar velha se continuar se fechando aqui dentro.Mas não se preocupe, vou lhe arrumar um namorado, e você não vai mais parar aqui
—Certo-respondeu Ivana ironicamente-Agora vá logo, não e educado deixar seus convidados esperando
Iriamos no carro dela, uma maravilhosa Ferrari, tão vermelha que era impossivel não nota-la no estacionamento de seu predio, assim que saimos do elevador eu pude ver o carro de cor vibrante atrás de uma pilastra a cerca de 150 metros de onde estavamos
—Qual e a graça de ter um carro foda e não mostra-lo por ai?
—Quantos carros seu pai tinha?
—Sete.Tenho dois aqui, fora minha Range Rover.Três em Nova Iorque, um em Hamptons e um em Beverlly Hills
—Não e muito carro para uma garota de dezessete anos?
—O que eu posso fazer?
Fomos a um restaurante chamado Overlook que ficava no ultimo andar de um prédio, era o tipo de lugar onde celebridades vão quando não querem ser vistar, eu digo celebridades de verdade.Eramos quatro casais, eu e Violetta, Mia e Ethan, e mais dois casais amigos de Violetta.Eu conhecia Mia, e sabia que ela estava nervosa, quando ficava nervosa ela ficava girando a aliança de casamento
Nossa mesa era quadrada e grande o suficiente para ficarmos cada casal em um lado de mesa.Os outros presentes foram uma bolsa, um par de brincos e uma pequena escultura de um elefante de cristal na cor verde-água
Ver Violetta no meio de amigos era engraçado, ela era diferente, principalmente depois de beber
—Uma vez eu estava tão puta da vida que tentei me matar
—Sério?-perguntou alguem
—Sim, eu bebi umas duas garrafas de vinho e fui ate a Quinta Avenida e me joguei na frente de um carro.Mas eu estava tão bêbada que não vi que o carro estava estacionado no meio-fio
Todos rimos, ela conseguia tornar uma historia de suicidio engraçada.Quando terminamos o prato principal um garçom nos colocou na mesa um bolo coberto com rosas feitas de gláce, onde havia escrito em preto 'Happy #17 Birthday Violetta'.Ela fechou os olhos em frente as velas acesas, e logo as soprou, depois o bolo foi servido para todos nos
Ao fim da noite fomos todos para uma boate chamada 'Gladesh' onde Paris Hilton era a DJ da noite.Tinhamos já um camarote reservado, e nele eu aproveitei o ambiente mais intimo para conversar com Mia
—Você está muito estranha
—Por que acha isso?
—Sua aliança está rodando igual o pião
—Ah...-ela soltou a aliança
—Qual e o problema?
—Estou me sentindo mal por estar aqui.Parece que eu escolhi um lado
—Não pense assim, estar aqui não que dizer que você está contra Ana-disse baixo, eu não queria que escutassem nossa conversa, Ethan ao notar que estavamos falando sobre algo serio permaneceu junto aos outros ao inves de estar do lado da esposa
—Mas pode parecer que e isso
—Então por que veio?
—Eu gosto da Violetta, mas e confuso, ela e minha irmãzinha.A considero assim dês de que nasceu, mas Ana e minha irmã dês de que se casou com você
—Não se sinta culpada por um erro meu.Aproveite a noite, e não deixe que isso lhe de dor de cabeça-cutuquei sua testa com a ponta do dedo
—Vou acabar com rugas-brincou
—Ninguem quer isso
Nossa atenção foi para uma garçonete que entrou com uma garrafa de champanhe com uma vela na ponta que soltava faiscas
Na volta eu dirigi a Ferrari, ela não estava em condições de fazer isso.Fomos para o Escala, e logo no estacionamento eu me vi enlaçado nos braços dela, fomos direto para o quarto de jogos
—Eu gosto quando você faz isso
Dizia enquanto eu a puxava por uma coleira de couro que estava em seu pescoço.Ela estava de joelhos na minha frente, com a pele vermelha por causa do chicote e olhos caidos pela bêbida
—Sabe a historia de quando eu tentei me matar?-concordei com a cabeça enquanto eu pegava o lubrificante-Foi no dia em que você apareceu com Ana e a apresentou como sua esposa
—Acho que isso e algo broxante
—Acho que isso e motivo para que eu seja castigada-ela engatinhou ate onde eu estava, ela usava somente a calcinha e o salto alto, alem da coleira
—Você e tão depravada-ela mordeu o ziper da minha calça e depois conseguiu abrir minha calça sem usar as mãos e abaixar minha cueca
Dormimos no quarto de jogos, pelo menos ela dormiu, eu passei a noite olhando para o teto, pensando se aquilo era o que eu queria, o sexo era bom, alias, era otimo, ela topava tudo o que eu propunha, mas ainda assim faltava alguma coisa, não era afeto, isso eu recebia, mas era algo mais, algo que eu sentia com Ana
Acordei na manhã seguinte depois de ter dormido poucas horas, ela assim que abriu os olhos colocou a mão na cabeça e fez uma careta
—Isso e o que acontece quando você passa a noite toda bebendo champanhe
—Preciso de água-ela se levantou da cama e pisou no vestido que usou na noite anterior, e sorriu para mim
—O que foi?-estava me vestindo
—Eu quero passar o resto da minha vida assim.No escuro de um quarto, tropeçando nas nossas roupas jogadas pelo chão
—Foi isso o que você desejou de aniversario?
—Não posso falar, ou não se realiza
Fomos ate a cozinha, ela estava nua, usando somente uma camisa social minha, nada mais, era o dia de folga de Taylor, então ela poderia andar à vontade
—O que quer fazer?E sabado
—Você não tem que buscar as crianças?
—Não, eles estão viajando com Ana
—Mesmo?Ela foi com eles e o namorado?-ela perguntou como se fosse algo muito normal
—Pare com isso
—Só fiz uma pergunta-ela bebeu um gole de água-Mas pelo visto você não sabe
—Acho melhor você ir sozinha
—Ah não!-ela me abraçou por trás-Deixe disso, eu não gosto quando você fica assim, sua testa fica toda enrrugada
—Você só me da dor de cabeça
—Na verdade você gosta de mim, mas ainda não descobriu
Fomos tomar café no apartamento de Violetta, onde uma mesa farta já nos esperava
—Violetta, pode vim aqui comigo?-chamou Ivana antes mesmo que eu pudesse fechar a porta da frente
As duas entraram no quarto de Violetta, e eu fiquei por quinze minutos sentado na mesa, com minha barriga roncando, mas mantendo a educação de esperar todos se sentarem a mesa.Fiquei só eu e Baltazar, ele dormindo em uma das cadeiras da mesa.Quando as duas finalemnte sairam, Ivana já estava indo em direção a porta
—Espero que aproveitem o café da manhã, que esta sendo servido na hora do almoço.Hoje e meu dia de folga
—Aproveite seu dia-disse
—Obrigada
Violetta estava com outra roupa e segurava uma caixinha de veludo preto.Se sentou a mesa e começou a se servir, a caixinha estava sobre a mesa
—Minha mãe veio aqui hoje cedo.Queria me desejar feliz aniversario com um dia de atraso
—Ela lhe deu um presente?-me referia a caixinha
—Mais ou menos.Ela me deixou uma carta dizendo que recentemente teve uma conversa com uma pessoa que a fez repensar, e está me pedindo uma oportunidade para recomeçar, e que isso e um pedido de tregua
—Um anel?
—O anel que meu pai deu para ela de noivado
Violetta abriu a caixinha de veludo e dentro havia um maravilhoso anel com um enorme diamante que parecia ter luz propria, eu lembro deste anel, ele foi uma sensação entre nossos conhecidos na epoca, lembro de Mia falando o tempo todo que quando se casasse queria um anel igual aquele
—Minha mãe não gosta de muitas coisas, mas ela ama este anel.Acho que e um bom simbolo de tregua
Terminamos de tomar café da manhã e então trocamos de roupa, eu havia levado um terno preto e Violetta colocou um vestido comportado, tambem preto.Iriamos ao tumulo de Gustave, fazia um ano que ele morreu
Foi naquele cemiterio que um ano antes eu reecontrei Violetta, ela usava amarelo aquele dia, mas hoje usava preto, e carregava um buquet de lirios brancos, porque eles significavam paz, e era isso que ela desejava ao pai, que ele estivesse em paz, onde quer que estivesse.O caminho ate a lapide foi longo, cada passo parecia pesar mais que o outro
—Tem uma coisa que eu sempre quis saber.Por que você usou amarelo no enterro?
—Por que usar preto não significa nada, se eu usar preto ou amarelo minha dor sera a mesma
Ela parou de falar quando chegamos na lapide, já havia um buquet de flores nele, eram rosas vermelhas.Não falamos sobre isso, ela colocou suas proprias flores e ficou de joelhos em frente a lapide, passando os dedos pelo nome de seu pai gravado na pedra, ela respirou profundamente, como se não quisesse chorar.Me agachei ao seu lado, e quando ela segurou minha mão eu não me impus
—O que você acha que ele falaria se nos visse assim?
—Ficaria zangado por eu ser casado, mas feliz por você estar com alguem que ele confiasse
—Quanta confiança-ela brincou-Já tem um ano que tudo começou
—Quem diria que minha vida daria uma reviravolta em tão pouco tempo.Foi tão derrepente
—Coisas boas vem com o tempo, já as inesqueciveis vem derrepente-ela encostou a cabeça no meu ombro, e eu lhe dei um beijo no topo da cabeça
—Christian
Nos viramos e atras de nos estavam meus pais, eu me levantei e segurei a mão de Violetta para que ela tambem o fizesse
—Feliz aniversario-disse o meu pai
—Obrigada
—Achamos que você já tivesse vindo-comentou minha mãe
—Não queriam me encontrar?-perguntou Violetta
—Pelo menos não vocês juntos.E estranho
—Então vamos com a nossa estranheza para casa-ela disse, ainda estavamos de mãos dadas, e ela me puxou para irmos embora
Quando já estavamos a caminho para o estacionamento, eu soltei sua mão, e senti ela travar por um segundo no meio do caminho antes de continuar a andar, tentando disfarçar a surpresa por eu soltar sua mão
—O que teria feito se soubesse que aquela seria a ultima vez que veria Gustave?-perguntei, ela parecia um tanto amargurada
—Teria pedido desculpas por ser como eu era.Você não me conheceu um ano atras, eu era uma vergonha
Entramos no carro, mas eu queria mais informações
—Que tipo de vergonha?
—No dia do meu aniversario eu estava completamente drogada, tinha usado tudo o que você pode imaginar.Quando me ligaram dizendo que meu pai estava no hospital eu estava tão doida que ao inves de ir ao hospital dirigi ate parar em Nova Jersey e não cheguei a tempo de dar um ultimo adeus a ele, e me arrependo ate hoje.Sei que você não gosta disso, mas e a verdade
—Pelo menos você esta arrependida
—Aos catorze anos eu já estava acostumada a ficar bêbada nas festas dos garotos do colegial.E quase todos os adolescentes de Nova Iorque já haviam colocado as mãos dentro da minha calça.Hoje eu penso, nossa eu estava tão bêbada e drogada que meu pai iria sentir vergonha se me visse, ele achava que eu estava em uma festa do pijama ou algo assim, mas eu estava me tornando a piranha do St. Peters.E você, quando foi a ultima vez que você viu meu pai e o que faria se soubesse que seria a ultima?
—A ultima vez foi dois meses antes, eu havia ido para Nova Iorque.Almoçamos juntos e eu nem pude conversar com ele corretamente.Se soubesse eu teria dito como ele me deu bons conselhos, e de como ele me incentivou quando meus pais acharam que largar a faculdade e começar uma empresa era uma má ideia
—Ele gostava muito de você-ela alisou meu braço-Tudo bem ficar triste, e normal, mas não e culpa sua
—Só não quero falar sobre isso
—Não tem problema, posso ficar em silêncio ao seu lado apreciando sua companhia e ficar feliz com isso
Violetta tinha muitos talentos, entre eles o de conseguir plantar uma semente de desconfiança nas pessoas.Na segunda-feira eu procurei o numero do escritorio de Simon Lair, não foi dificil encontra-lo.Eu liguei para lá entre uma reunião e outra e foi a secretaria quem me atendeu
—Eu gostaria de falar com Simon Lair
—O senhor Lair está viajando
—Sabe quando ele volta?
—No domingo e na proxima segunda-feira ele reinicia o trabalho no escritorio-ele voltaria no mesmo dia em que Ana
—Sabe me informar para onde ele foi?
—Foi para a Florida
Eu dei uma risada sufocada, Ana estava na Florida com as crianças.Agradeci e bati o telefone no gancho para não taca-lo na parede.Acho que Violetta esta certa
—Você quer viajar?-perguntei a ela mais tarde naquele mesmo dia
—Claro, mas para onde?
—Você escolhe-rodava na cadeira com o celular na orelha
—California?
—Por que não?Vamos no final de semana
—Que tal amanhã?
—Não posso sair assim derrepente
—Você e Christian Grey.Você pode tudo.Você e o centro do mundo
—Não sou o centro do mundo
—Do meu mundo e sim-ate podia imagina-la deitada na cama enquanto falava comigo pelo celular
—Depois de amanhã, voaremos para a California
—Irei começar a arrumar as malas, quer que eu arrume as suas?
—Ah...-isso era intimidade demais-Melhor não, eu mesmo arrumo
—Como quiser, mas e melhor estar preparado para qualquer coisa
—Como assim?
—Eu sou bem impulsiva e gosto de tentar coisas novas
—Intrigante
—Alias, tambem leve alguns brinquedinhos para aproveitarmos
Desligamos e eu fiquei imaginando o que aquela menina estava aprontando
Na noite seguinte, na vespera de minha viagem, Elliot apareceu no Escala.Eu o recebi como sempre, mas ele logo olhou para as malas que estavam no canto da sala
—Vai viajar?
—Sim, vou aproveitar um pouco o verão
—Com quem?-ele entortou a boca e levantou a sobracelha, querendo não receber a resposta que esperava
—Com a Violetta, assim como Ana esta aproveitando o verão com Simon Lair na Florida
—Tem certeza de que ela foi com ele?
—Sim, eles estão na Florida, aproveitando a Disney
—Isso realmente e algo que você precisa resolver com a sua esposa, mas não piore as coisas
—A cada dia acho menos provavel que eu e Ana reatemos o casamento
—Fico triste ao ouvir isso e espero sinceramente que esteja enganado
—Pensei que você gostasse da Violetta.Ou pelo menos que simpatizasse
—Eu gosto, mas ela se mostrou uma pessoa diferente do que eu achava que fosse.Ela enganou a todos, inclusive a você, mas você esta fingindo que não foi.Quando ela veio morar aqui ate as roupas eram diferentes, a maneira de falar, como se estivesse fingindo o tempo todo
—Ela mudou muito dês daquela epoca, alias, mudou para melhor
—Sei que e dificil essa coisa de casamento, só percebemos quando estamos casados, mas e preciso fazer o possivel para melhorar.Se eu não tentasse ou se Kate não tentasse já estariamos divorciados a muito tempo
—E dificil tentar quando ela está na outra ponta do pais com outro homem
—Está e uma situação que você mesmo criou
Descemos no LAX no dia seguinte pouco antes da hora do almoço.Um carro já nos esperava e nos levou ate a mansão de Violetta em Beverlly Hills, combinamos de intercalar entre a mansão em Beverlly Hills e a que eu mesmo tenho em Malibu, por questão de etica iriamos passar a maior parte do tempo em Beverlly Hills, lá era mais confortavel e não tinha fotos da minha familia nem objetos de Ana e das crianças
—Nossa, tem muito tempo que eu não venho aqui-ela correu escada acima, eu a segui, ela estava onde deveria ser seu quarto
—Quanto tempo faz que você não vem?
—Acho que dois anos, algo assim-ela passou o dedo por um movel e mostrou como ele estava perfeitamente limpo-Ivana pediu que limpasse, eles fizeram isso em menos de um dia
—Esse quarto não se parece com você, e muito feminino e infantil
—E a mesma decoração dês de que eu tinha oito anos, acho que vou mudar, pelo menos tirar essa casa de bonecas-indicou uma casinha alemã no canto do quarto
Ela abriu o closet e ficou xeretando, eu me sentei na cama com dossel de seda rosa, a roupa de cama era florida.Vi um flash e me virei para ela, Violetta segurava uma polaroid na mão e tirou outra foto assim que a outra saiu
—Tem maneira melhor de registrar esse momentos que em uma polaroid?-ela se sentou do meu lado e fez uma selfie com a polaroid
Quando a foto saiu vimos a imagem aparecer pouco a pouco, ate que era nitido o sorriso iluminado de Violetta e meu sorriso amarelo.Ela ao ver minha expressão, tanto na foto quanto ao seu lado pareceu um pouco incomodada
—Esta tudo bem?
—Sim, apenas cansado, foi uma viagem longa
—Então vamos descansar
Ela começou a desabotoar minha camisa, tirei meus sapatos e dormimos na cama dela, ainda com algumas peças de roupa
Acordamos com o por-do-sol, nos vestimos e fomos jantar fora, ela não parava de falar um instante e a todo momento escrevia mensagens no celular, ela parecia muito animada com algo, e quando eu perguntei ela apenas disse que eu logo saberia
Voltamos a casa dela e em frente havia um carro antigo e mal cuidado, ela parou o carro na garagem e o ocupante do tal carro saiu, era um homem de cabelo longo, oculos que usava casaco militar e chinelo
—Esperou muito?
—Não, cheguei agora pouco
Ele tirou uma mala do carro e entramos os três, ela não me disse do que se tratava, ele foi ate a area ao lado da piscina, nos fundos da casa, ela abriu a mala e tirou um enorme telescopio.Violetta subiu ate seu quarto e logo voltou com um pacoter pardo
—Já esta no ponto-disse o rapaz
—Obrigada-ela olhou para ele e então para mim, depois olhou novamente para o rapaz com a sobracelha levantada e um sorriso falso
—Eu vou esperar no meu carro-ele falou meio sem jeito
Violetta esperou que ele saisse de perto, pegou minha mão e me levou ate o telescopio
—Olhe
Me aproximei do telescopio e olhou atraves dele, estava focado em uma estrela, havia muitas em volta, mas estava focado em uma unica estrela, ela brilhava um pouco mais que as outras
—Gostou?-ela perguntou quando eu olhei para ela
—Sim, mas eu ainda não entendi
—E sua-ela abriu o pacote e tirou uma placa parecido com um diploma
—Minha?O que e?
—A estrela, e sua-peguei a placa, era um certificado da então desconhecida por mim 'Internacional Star Registry', nele havia meu nome e um mapa astrologico, onde dizia que eu era proprietario de uma estrela, ainda haviam as coordenadas da estrela-Eu fiquei muito tempo pensando no que poderia lhe dar de aniversario, e um pouco adiantado, mas eu tive que aproveitar que estavamos aqui bem na epoca em que ela e visivel da California
—Eu nunca ganhei uma estrela
—Você pode acompanha-la o ano inteiro-ela apontou um link no certificado-Se entrar neste site pode vê-la sempre atraves de varios planetarios pelo mundo, tambem pode saber em qual parte do mundo ela pode ser vista com mais nitidez
—Obrigado, eu nem sei o que dizer-olhei novamente atraves do telescopio, eu ainda não acreditava que aquela luz no meio do universo era minha
—Adoro quando lhe deixo em palavras
Depois que o rapaz do telescopio foi embora transamos em baixo da minha estrela e em baixo de varias outras
—Por que uma estrela?-perguntei
—Estou a muito tempo querendo lhe dar algo diferente, algo unico.Então enquanto eu estava de madrugada zapeando pela internet eu vi uma reportagem de um rapaz que queria pedir a namorada em casamento, e ao inves de lhe dar um anel ele lhe deu uma estrela
Ela se aninhou nua em meu peito
—Não que eu esteja lhe pedindo em casamento, você já e casado.Mas eu queria lhe dar algo que você nunca vai esquecer e que você nunca mais vai ganhar na vida
—Posso dizer que esse e o tipo de presente que nunca esquecemos
—Tambem queria que você se lembrasse de mim toda vez que olhasse para o céu, e que um pedacinho dele e seu, e que fui eu quem lhe dei
—Você me deu um pedaço do céu?
—Sim, mas se eu pudesse lhe daria o céu inteiro
Ela queria ir a praia no dia seguinte, então fomos para Malibu, foi uma viagem de quase uma hora que foi embalada por uma radio latina local, quando chegamos a minha mansão em Malibu eu já havia aprendido algumas novas palavras em espanhol.Quando cheguei lá não pude ignorar as lembranças que eu tenho com Ana naquela casa, lembranças de dias quentes e noites frescas passadas juntos ao mar, com os pés na areia macia e molhada pela maré
Deixamos nossas coisas na casa e fui com Violetta ate a praia, haviam alguns jovens algumas casas ao lado, mas fora isso mais ninguem
—Toda vez que eu vejo a praia eu lembro do filme 'Tubarão'.Já leu o livro?-ela usava enormes óculos escuros Dior, a mesma marca de seu maravilhoso biquini
—Tem um livro?
—Sim, eu adoro o livro.E incrivel, você deveria ler
—Um livro sobre tubarões não e muito adequado para ser livro durante uma estadia na praia
—Então que tal um filme que e muito mais adequado, 'Tubarão em Malibu'
—Está tentando me deixar paranoico?
—Você não tem medo de nada, teria medo de um peixinho
—Acho que vou dar um mergulho, se eu achar esse 'peixinho', talvez você possa me salvar-me levantei do seu lado
—Sempre estarei aqui para lhe salvar.Por isso eu estou aqui, vim cuidar de você, proteger você, te fazer sorrir o tempo todo, te ouvir para sempre
Não consegui não lhe dar um beijo, ela era tão sincera em seus momentos de adoração a minha pessoa que eu chegava a me sentir mal por não conseguir retribuir
Me joguei na água gelada e tentei nela esfriar a cabeça, ntava a todo momento ficar distraido com algo, para não pensar em Ana com Simon, mas era dificil, as vezes meu cerebro precisava descançar ou então iria enlouquecer
Da água eu vi alguns rapazes se aproximarem de Violetta, ela logo se levantou e veio para a água comigo, e ao chegar em mim me beijou com tamanha voracidade que deve ter espantado os rapazes que nos observavam na areia
—Você e muito gostoso, muito mesmo.As vezes tenho vontade de lhe morder ate tirar um pedaço seu
—Quanta vontade
—Muita-por baixo da água ela segurou meu pau, e eu engasguei
—Estamos em publico
—Então vamos entrar-ela tentou me puxar, mas eu nadei contra seu impulso
—Não!Nesta casa não
—Calma, ela não vai sair de dentro do closet para nos assustar
Violetta nadou de volta para a praia, se sentou na areia e começou a remexe-la.Tambem nadei ate a praia e vi que ela estava fazendo uma construção
—Castelo de areia?
—Sim, por que não?Tem um limite de idade para fazer castelos de areia?
—Claro que não-me sentei ao seu lado
—Me ajude a construir um castelo
Somente ela para me coagir a fazer algo que eu nunca pensei que faria, como um castelo de areia
—Já que essa casa e zona proibida, o que quer fazer depois?
—Certa vez você me disse que gosta de parque de diversões-ela me olhou com um sorriso sapeca
—Está pensando o mesmo que eu?
—Creio que sim
Terminado o castelo de areia, fomos ate o pier da casa onde tiramos a areia e água salgada com uma chuveirada, nos vestimos e pegamos o carro ate o pier de Santa Mônica.No meio do caminho paramos em um posto de combustivel, ela entrou para comprar sorvete e eu a segui quando vi que ela estava demorando
—Já abasteci o carro-ela estava no balcão experimentando óculos
—O que acha?-ela se virou com um óculos de dez dolares no rosto
—Muito...-não queria usar a palavra, então usei seu termo mais sociavel-...popular
—Você que dizer barato-ela me passou seus óculos Dior e voltou a ver os óculos de dez dolares-Gostei deste
Passou uma nota para o atendente, ela havia escolhido um óculos estilo John Lennon que pelo preço não duraria ate o fim da semana
—Você fica legal com este
—Não-tentei desviar, mas ela colocou um par de óculos no meu rosto, estes eram um modelo aviador
—Está delicioso
Pagou o outro óculos e eu consegui leva-la para o carro antes que ela começasse a escolher os aneis de vinte cinco centavos que estavam amontoados em um pote de plastico ao lado de uma caixa de chicletes
—Toda vez que venho aqui me lembro do GTA-foi a primeira coisa que ela disse quando colocou os pés no pier de Santa Mônica
—Você joga GTA?
—Claro, adoro atropelar as pessoas na calçada e fugir da policia em um tanque de guerra
—Você e doidinha-disse bem devagar ao pé do seu ouvido
—Não sou, você que e muito travado-respondeu igualmente devagar
Fomos em todos os brinquedos, nos beijamos na roda-gigante que ao cair da noite já estava com suas luzes acesas.Passeamos de mãos dadas, ela iradiava uma alegria que me deixava feliz
—Violetta!-alguem chamou na multidão
Olhamos para onde veio a voz, um rapaz com o cabelo queimado de sol e pele bronzeada correu e a abraçou, ela retribuiu o abraço
—Não acredito, já tem tanto tempo-disse ela
—Eu sei, encontrar você aqui parece ate astrologico, vi no meu signo que eu iria reencontrar velhos amigos-ele alisou o braço dela-Sinto muito pelo seu pai, e atraso, mas e sincero
—Obrigada.Mas e você, o que esta fazendo?E a Caramelo?
—Estamos trabalhando em um circo
—Serio?
—Sim!Alias, vamos nos apresentar amanhã, aqui em Santa Mônica-ele mexeu em sua bolsa feita de material organico e tirou dois ingressos-Sempre ando com ingressos caso encontrei alguem-ele pareceu finalmente me notar-Vocês podem ir, e amanhã as sete da noite, mas chegue mais cedo, quero ter tempo de conversar com você, e a Caramelo tambem, sera que ela lhe reconhece?
—Espero que sim
O rapaz deu meia volta e voltou ao seu caminho original, Violetta ficou analisando os convites, e me olhando com auqels olhos aquarelados pediu silenciosamente que eu a acompanhasse
Chegamos as cinco no local indicado, quase não tinha movimento, havia um pequeno grupo de pessoas em frente a bilheteria e um rapaz vestido de coringa colocando pernas de pau.Violetta escreveu uma mensagem no celular e poucos minutos depois o tal rapaz que nos entregou os ingressos, que se chamava Matt, saiu da tenda e nos cumprimentou
—Que ver um poucos dos bastidores circenses?-ele perguntou
—Adoraria
Entramos na tenda, passamos pelo palco e atravessamos as cortinas ate uma area aberta onde haviam homens de monociclo e malabaristas ensaiando, uma contorcionista estava em uma posição impossivel de descrever.Eles iam conversando enquanto eu os acompanhava, ate que uma cena me fez parar, uma cigana aninhava uma cobra nos braços
—Nossa, como ela cresceu!-exclamou Violetta
—Finalmente chegou ao limite do tamanho, está pesada-Matt pegou a cobra dos braços da cigana
—Está e a caramelo?-eu perguntei espantado
—Sim, esta e a Caramelo-Violetta a alisou com o dedo-Está tão linda
—Quer segura-la?
Nem foi preciso resposta, Violetta me passou a bolsa e logo Matt estava colocando a jiboia sob seus ombros.Era impressionante a tranquilidade com a qual ela conversava enquanto o animal estava ali.Quando ficou pesada demais ele desenrolou o animal dela e o passou novamente para a cigana
—O que tem de legal para fazer aqui?
—A barraca da cartomante está aberta-disse ele
—Vamos para lá então-ela me olhou com muito entusiasmo
—Uma cartomante.Acho que nunca fui em uma
—Eu tambem não, mas vai ser muito divertido
Ela saltitava em meio aos saltibancos ate uma tenda logo na entrada, uma tenda vermelha e roxa com lantejoulas na entrada
—Tem que ser um de cada vez-avisou Matt
—Você primeiro!-exclamou Violetta para mim
—Por que eu primeiro?
—Por que quero estar totalmente concentrada na sua cara quando sair da tenda-ela se aproximou e falou sujestivamente para mim-O que sera que o futuro lhe aguarda?
Fui primeiro então, a cartomante era uma senhora de cinquenta anos, com cabelos completamente negros e olhos verdes, usava aneis em todas as mãos e tantas pulseiras que o minimo movimento fazia barulho.Sua roupa era roxa e dourada e ela estava embaralhando as cartas quando eu cheguei
—Olá senhor
—Oi-me sentei no banco de madeira em frente a mesa coberta por uma toalha azul celeste
—Nunca veio a uma cartomante
—Isso e uma pergunta ou uma afirmação?
—Uma afirmação.Você faz do tipo escritorio-não lhe respondi-Corte as cartas-peguei o bolo de cartas e o dividi em dois-Tire uma carta
Fiz o que ela pediu, tirei uma carta e ali estava a carta mais cliche que eu poderia pensar
—Os Amantes-disse ela-Está carta pode significar muitas coisas, as mais provaveis são de amor
—Um pouco obvio-disse, me referindo a carta
—Obvio, então vejamos, esta carta pode significar um relacionamento amoroso ou um casamento
—Não e a mesma coisa?
—Não, relacionamento amoroso e uma relação com amor da carne, o casamento e uma relação mais forte-ela usou os dedos indicadores e dedões para simbolizar duas alianças entrelaçadas-Não exatamente aquele relacionamento de papel, que não significa nada, e apenas um detalhe que algumas pessoas fazem questão de prioriza, ao inves de priorizar os sentimentos preferem um papel.Está carta mostra ou você em um relacionamento carnal, ou em um matrimonio
—Qual destes e o meu?
—Você sabe melhor que eu.Quando vê está carta, você pensa na menina que esta ai fora lhe esperando, ou na mulher que colocou este anel no seu dedo
Olhei para minha mão esquerda, eu não havia tirado a aliança, embora as vezes tirasse quando enganava Ana com Violetta, depois do que aconteceu eu nunca mais a tirei
—Não e preciso ler as cartas para saber que você esta em um empasse amoroso-ela deu um sorriso de lado, mostrando seu dente de ouro-Tire outra carta
Tirei outra, agora a imagem de um homem de armadura ilustrava a carta
—O cavaleiro.Se você fosse mulher poderia significar um amor no futuro, mas para você pode ser a si mesmo, ou outro homem que está lhe atrapalhando, seja amorosamente, financeiramente ate mesmo espiritualmente
—Você não esta me dizendo nenhuma novidade
—Não sou em quem digo, são as cartas
—Então acho que as cartas não dizem muita coisa
—Tire outra carta então, talvez sua duvida acabe por revelar outra coisa-desta vez eu não tirei uma carta do topo, tirei uma do meio do baralho
A imagem não era uma bem-vinda, um esqueleto sorrindo ilustava a carta
—A morte, ela e menos ruim do que parece, a imagem do esqueleto assusta, mas raramente ela mostra a morte em si.Ela nos avisa sobre alguma tragedia ou doença, pode se referir a você ou a alguem proximo ou que você ame
—Então ninguem vai morrer?
—Provavelmente não, mas fique de olho, alguem chegara bem perto-ela indicou o baralho com a mão, desta vez eu não me arrisquei em tirar outra carta do meio, tirei outra do topo-A cegonha!-disse com um sorriso-Adoro esta carta
—Um bebê?
—Uma gravidez, um bebê, uma novo membro da familia.Sua familia vai aumentar
—Então eu vou ter um filho, outro?
—Talvez, você está em condições de ter outro filho.Esta garota do lado de fora da barraca e sua namorada?Talvez ela, talvez sua esposa, talvez uma terceira mulher que você ainda não conheça, ou talvez já conheça e não lhe venha a cabeça
Fiquei um tempo em silencio
—Que tirar outra carta?
—Não, melhor não-me remexi no banco-Quanto e?
—Você decide, deixo que as pessoas paguem o quanto acham que valeu
Me levantei e tirei uma nota de cem da carteira, coloquei na mesa, me virei para ir embora, mas olhei novamente para a cartomante e lhe entreguei mais uma nota de cem.Passei pelos tecidos na entrada, Violetta estava mexendo no celular, mas o deixou de lado quando me viu
—Como foi?-perguntou
—Foi de certa forma esclarecedor
—Nossa, deve ser sido muito bom.Agora e a minha vez
Ela ficou quinze minutos lá dentro, enquanto isso eu via as pessoas começarem a chegar, mas tambem me ocupava com o que a cartomante havia dito.Violetta saiu sem a alegria que ela normalmente tinha, estava palida, sem qualquer cor no rosto e seus olhos vazios
—Tudo bem?-ela apenas balançou afirmativamente a cabeça
—Vamos para casa?
—Mas e os ingressos?Seu amigo ficaria magoado se fossemos embora
—E mesmo.Ele não tem nada a ver com isso-ela respirou fundo-Acho melhor entrarmos logo
Nos sentamos na frente, mas ela não parecia animada como estava no começo.O unico sorriso que ela deu foi quando um palhaço lhe deu uma rosa e pediu um beijo, quando ela o beijou um coração bordado em sua camisa acendeu em uma luz vermelha forte e ele fingiu desmaiar e foi carregado por outros dois palhaços.Tambem deu um pequeno sorriso quando uma dançarina entrou com Caramelo nos braços e dançou com a cobra uma música indiana
Voltamos em silêncio, eu havia me divertido, mas ela ficou quieta, eu não ia lhe perguntar o que aconteceu com a cartomante, mas parecia ser algo chocante, para mim depois de tantas cartas temerosas e fortes eu não estava naquele estado
Na manhã seguinte acordei e a encontrei em sua escrivaninha, me levantei e fui ver o que ela estava fazendo, ela colava as fotos da polaroid que tiramos dês de nossa chegada em um album
—Oi-lhe dei um beijo no rosto-Sabia que eu adoro ver album de fotos
—Eu tambem-ela me entregou o album-Tem algumas fotos suas ai
—Todas de polaroid?
—Todas, lembra que quando eu era pequena a Mia tinha uma e eu acabei comprando igual?
—Claro que lembro, ela gastava uma fortuna com rolos porque tirava foto de qualquer coisa.Andava com ela por todos os lugares
—Quando ela se casou e foi remexer os pertences achou uma caixa cheia de fotos de polaroid e ela deu aquelas em que eu e meu pai estavamos.Isso tem uns anos, ela me deu no casamento dela
—Você foi ao casamento dela?Eu não lhe vi lá
—Mas eu estava, na verdade passei a festa toda me escondendo de você e de Anastasia-ela falou o nome de Ana daquela forma debochada
—Já pedi que não a chame assim
—Tanto faz
Ela se levantou e eu começei a folhear o album, haviam muitas fotos dela na infância, uma que eu gostei muito foi de um Dia das Bruxas, o ultimo antes dela se mudar para Nova Iorque, em que ela e Mia haviam combinado a fantasia, Mia havia se vestido de Ariel e Violetta de Melody, a peruca vermelha de Mia parecia ofuscar toda a foto
Havia uma foto minha e de Gustave, foi no dia em que eu inaugurei a Grey House.Passei as fotos e a cada pagina eu via Violetta crescer, vieram então as fotos tiradas por ela, era possivel ver a diferença em relação da nitidez de uma câmera para outra.E eu vi varias fotos dela com um senhor, um inclusive ela estava em pé ao lado dele, que estava em uma cadeira de rodas com um bolo de aniversario na mesa ao lado, no topo do bolo o numero '71' estava acesso
—Quem e esse senhor?-ela se aproximo para ver
—Meu avô.O pai da Nicole
Eu examinei melhor outra foto dele, agora uma mais de rosto, o senhor da foto tinha olhos verdes meio embaçados, lhe faltava cabelo no alto da cabeça e sua pele estava manchada pela velhice
—Ele morreu tem dois anos.Morava em um asilo em Nova Iorque
—Seu pai cuidou dele?Não sabia disso
—Era meio que um segredo, eu mesma só soube algum tempo depois.Mas quando soube o visitava semanalmente-ouvi a barriga dela roncar, ela riu-Estava esperando você acordar, que ir tomar café em algum lugar?Tipo, a geladeira daqui só tem frutas e iogurte
—Como a senhorita quiser
Passamos o dia andando a beira da praia de Santa Mônica, porem não proximo ao pier, admiramos alguns artistas de rua e tomamos sorvete
Vimos um quiosque de aluguel de bicicletas, eu não lhe deu muita atenção, ate Violetta me puxar pela mão ate o local
—Não está achando que eu vou andar de bicicleta?
—Qual e o problema?Você anda muito de carro.Quando foi a ultima vez que sentiu o vento no seu rosto?
Eu não soube bem o que respondeu, deu apenas um gemido, ela entendeu aquilo como uma concordancia e quando vi estava levando uma bicicleta azul ate a ciclovia da praia de Santa Mônica, Violetta levava a dela, era vermelha
—Me diz que não e um local lindo para pedalar?-ela perguntou indicando a praia de um lado e praças, pistas de skate e academias ao ar livre do outro
—Não me lembro da ultima vez que andei de bicicleta.Deve ter sido antes de entrar na faculdade
—Puxa vida, você e muito velho-disse ironicamente-Tem tomado calcio todos os dias?
—Engraçadinha-pedalavamos em uma velocidade em que podiamos conversar tranquilamente-Sou apenas dezoito anos mais velho
—Mas você fala como se a diferença fosse de cinquenta anos-ela apontou para um local que eu não soube bem o que era ate ela dizer-Olha que vestido lindo
Ela parou a bicicleta proximo ao vendedor ambulante que vendia roupas florais proximo a ciclovia.Ela comprou o tal vestido, era florido com rosas de inumeras cores, quando nos afastamos, antes de subir nas bicicletas eu lhe perguntei
—Por que gosta de comprar esse tipo de roupa
—Colorida?Acho que combina com a estação
—Não, estou dizendo roupas de ambulantes e de postos de gasolina-indiquei o óculos de dez dolares que ela comprou e estava usando naquele momento
—Por que são bonitas, marca não e tudo
—Para alguns e muita coisa, existem pessoas que não conseguem usar nada que não seja de alguma marca famosa e que tenha custado uma fortuna
—Roupas de marca não mudam ninguem-ela subiu na bicicleta, havia coloca o vestido em sua mochila com estampa de Frankstein-Se você for um idiota, você vai continuar sendo um idiota, não importa que roupa use
—Parece ate que esta se referindo a alguem especifico-tambem subi na bicicleta, mas não começamos a pedalas ainda
—Na verdade sim, eu conheci um rapaz uma vez, eu o chamava de Calvin, mas o nome dele era Harry, eu o chamava de Calvin porque ele andava por toda Nova Iorque com a barra da cueca Calvin Klein sendo exibida por toda cidade.Ele achava que usar Calvin Klein iria deixar o pinto dele maior, mas era minusculo
—Um dos seus relacionamentos amorosos?
—E se foi, tem alguma diferença?-ela tirou os óculos e me encarou
—Acho que a essa altura, não, não faz nenhuma diferença
—Que bom, porque eu jamais transaria com um cara como aquele.Eu sei disso porque uma vez ele ficou tão bêbado em uma festa que desmaiou e os amigos o amararam pelado na estatua da Alice no Central Park
—Que amigos maravilhosos-começamos a pedalar
—Não foi a pior coisa que eu já vi
Mais a frente, nos sentamos perto do chafariz para ouvir os musicos e tomar sorvete
Voltamos para Beverly Hills depois da tarde de pedaladas e Violetta com uma mochila cheia de fotos da polaroid para colocar no album, a que eu mais gostei foi de uma que ela tirou enquanto pedalava, ela conseguiu tirar uma selfie nossa, eu rindo e olhando para frente e ela sorrindo para a câmera enquanto pedalava com uma unica mão.Não conseguia olhar para aquela foto sem pensar; será que eu teria me encantado por ela se fosse dócil e responsável como tantas mulheres que conheci?Na verdade acho que me encantei pelo espirito livre dela, era ela uma aventureira
Passamos nosso ultimo dia na California da maneira mais tranquila possivel; ficamos na sala ouvindo vinil, David Bowie, Gilbert O'Sullivan, Suzi Quatro e The Runaways.Pode ter sido a música, o vinho, ou o clima de verão, mas em meio aos sons de Suzi Quatro eu lhe arranquei o vestido e a empurrei contra a porta de vidro que levava a area da piscina e a possui por trás, ao estilo bilionario de Hollywood.Violetta me deixava com vontade de fazer coisas ruins e pevertidas, ousadas e sujas, coisas que fariam muitas mulheres resistirem, mas Violetta não era como muitas mulheres
Ela me viciou nessa necessidade de alimentar meu ego diabolico, como se sussurando de forma traiçoeira em meu ouvido que a vida e muito mais do que eu vivi ate hoje.Com ela eu era intenso, rude, tomado pelo desejo a ponto de não conseguir pensar
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