Cinquenta Tons De Medo - Diário de uma vida dupla
12 Capítulo 12-Em busca da liberdade
Notas iniciais
Em Busca da Liberdade
Assim que as portas do elevador se abriram, meus olhos se focaram na cena, Meu marido usava seu terno habitual, porém estava sem sua gravata, os primeiros botões estavam abertos de sua camisa, me demorei um tempo observando-o, em suas mãos estavam duas taças e uma garrafa de champanhe.
–Boa noite senhora Grey! Teve um dia cansativo?
Não pude ignora-lo, mesmo passando uns dias de abstinência e tentando evitar o nosso contato físico, uma coisa eu nunca poderia negar nesse casamento, o quanto Christian mexia com meu libido.
–Muito Christian, extremamente cansada.
Não queria nada atrapalhando meu foco, queria minha mente toda voltada a meu plano, porém era dificil resistir a seus encantos.
Passei por ele retirando meu casaco, ele me seguiu enquanto eu retirava os sapatos pelo caminho me direcionando a meu quarto.
–Isabella achei que com a história da surpresa fosse algo como uma reconciliação.
Fiquei pasma com a sua dedução, eu realmente andava distante, e não nos deitamos mais desde o ocorrido, porém eu sabia que se continuasse assim ele acabaria desconfiando e meu plano iria por agua a baixo, mesmo sabendo que era errado, eu cedi a sua investida.
–Pode se juntar a mim em um banho relaxante senhor Grey.
Vi seus sorriso em seu maior esplendor em dias, aquele era o Christiam que me domava, aquele cujo sua personalidade e veneração eu conseguia aguentar, se ele fosse somente esse eu poderia desistir de tudo que planejei, porém eu sabia que não era assim.
Ele deixou a champanhe e as taças em cima da cômoda e se direcionou ao banheiro da suíte escutei a agua sendo ligada, fui retirando minha roupa, enchi as taças, e caminhei ate o banheiro.
Senti as borbulhas fazendo cocegas em minha garganta enquanto o liquido descia por ela, e me demorei analisando meu marido retirar cada peça de sua roupa, enquanto seus olhos azuis penetrantes admiravam meu corpo nu.
(***)
A semana correu, Christiam com a minha desculpa da surpresa ficou tranquilo ainda mais pela noite que tivemos naquela segunda feira, tudo contribuiu para uma semana de tranquilidade, mesmo com as constantes verificações na agenda eu consegui burlar tudo.
Terça, eu deixei quase tudo na editora adiantado, quarta eu tive a confirmação de Jacob que ele estava conseguindo tudo para o plano, e na quinta feira confirmamos o ponto de encontro da sexta feira.
Sexta feira, era exatamente o dia da véspera do aniversário de Christian, deixei a Editora dando uma olhada em cada detalhe.
O caminho ate o Bulevar café foi lento, eu fiz questão em parar a cada sinal quase vermelho, e deixar que a musica envolvesse meu sistema, eu precisava de muita calma.
Tentei focar em tudo que estava me fazendo tomar aquela decisão, lembrei de cada situação nitidamente, o dia em que recusei o beijo daquele garoto insolente na festa de natal em Forks, maldito dia em que eu recusei um simples beijo, deveria ter cedido ter ate feito sexo com ele se eu soubesse que mais tarde eu se tornaria esse foco da sua obsessão.
Depois o evento na casa de Hanks, a reunião, o coquetel, cada encontro arquitetado por ele me fazendo entrar em sua vida cheia de problemas.
Estacionei observei meu segurança, e quando entrei no café Rick ficou ao lado de fora, sentei em uma das mesas, meus cotovelos apoiados, e sentindo minhas mãos olhadas pelo suor que ali se acumulava.
Assim que Jake entrou ele caminhou ate a nossa mesa, eu estava na expectativa, temerosa, eu temia se o plano desse errado, não por mim, mas por ele, se alguma coisa desse errado Jake estava de todas formas envolvido.
–Dois cafés expressos- Ele disse a garçonete assim que sentou-se em minha frente
–Olá Jake- meu sorriso não transparecia o quanto estava nervosa.
–Bella, como está?- naturalmente ele piscou como sempre.
–Nervosa- olhei em direção a porta e Rick hoje estava parado próximo a ela, ele tinha uma visão de nossa mesa
–Calma eu já vi onde seu vigia se encontra, quando entrei, sei exatamente onde é o ponto cego de sua visão
–Esperto você- sorri tentando não acompanhar seu olhar para não levantar suspeitas.
A garçonete serviu nosso café, seu corpo me escondia, Jake aproveitou e se debruçou sobre a mesa pegando o açúcar e ao mesmo tempo, senti algo roçando em minha perna, tateei ate sentir o envelope, o pegando.
–Está tudo aqui?- Não o abri, somente peguei o envelope amarelo o colocando dentro da bolsa.
–Sim exatamente tudo, conferidos, olha como te disse os contatos de José são feras tudo é devidamente quente.
–Agora pode me explicar exatamente como vou agir?- era uma das partes mais importantes, por mais que mantivemos contato a semana inteira evitei entrar nos detalhes do dia de hoje.
–Sim, vamos por partes: Após sair aqui do Bolevar, você vai seguir a rua principal, como se estivesse indo a seu prédio, quando chegar a primeira esquina, evite parar no sinal, um acidente ira distrair e atrasar seu vigia, siga a rua não pare por nada, ate a auto estrada interestadual, pare no acostamento, e ai sim abra o envelope e siga as instruções nele contidas.
Concordei com a cabeça, tentando imaginar tudo mentalmente
–Entendeu tudo Bella?-Jakw chamava a minha atenção enquanto eu focava em cada passo.
–Sim entendi.- concordei sabendo que a partir daqui tudo dependia de minhas ações e de mais ninguém.
Eu observei meu amigo de infância, lembrei de todos os seus avisos, em nenhum momento em que ele me ajudou com esse plano ele mencionou a famosa frase "eu avisei", ele somente fez tudo que estava ao alcance dele para que tudo saísse perfeito.
–Acho que é isso...-falei sentindo o nó se formar em minha garganta
–Não chore, isso chamaria atenção demais.
Engoli a vontade imensa de jogar para fora o que sentia.
–Não vou chorar, não por agora.
–Foque em tudo que tem de fazer.
–Não vai dizer, eu avisei?
–Não, cada um faz suas escolhas Bella, você fez isso, hoje esta tomando outra decisão, e somente você vai arcar com os resultados, meu papel de amigo é aconselhar e apoiar a sua decisão.
–Você é meu melhor amigo de toda a minha vida.
–Sim eu sei, e você é a minha.
Jacob fora sempre o meu amigo irmão, desde sempre, e havia uma dor em ter que abandonar isso.
Demos mais algum tempo ate que Jake se levantou me envolvendo em seus braços fortes, sussurrando em meu ouvido
– Boa sorte Bella, você sabe que se fosse por mim tudo seria diferente, mas se prefere desta forma, se algum dia conseguirmos vamos nos ver novamente.
–Eu sei, e obrigado por ser meu conselheiro mesmo eu sendo essa teimosa que nunca ouve concelho algum, e obrigada por sempre me apoiar em minhas decisões.
Jake saiu e eu me direcionei ao meu carro, observei pelo retrovisor Rick ligar seu carro, respirei fundo, girei a chave, senti o volante firme entre meus dedos.
Fui seguindo pela rua principal, liguei a musica em meu carro, assim que as bancas de revistas conhecidas começaram a aparecer, meu coração acelerou, inspirei o ar inflando levemente meu peito
O sinal da esquina em que jack se se referiu estava logo a frente, os segundos mais longos de minha vida seguiram ate aquele momento.
Senti o carpete da Land Rover assim que meu pé chegou no fundo do acelerador, escutei a derrapada, olhei no retrovisor e o carro de Rick tentou acompanhar meu ritmo.
Outra derrapada se seguiu, e assim que o carro dele passou a mesma esquina, outro carro veio no cruzamento, seguido de um grande barulho de batida eu soube de que acidente Jacob se referia.
Rick estaria preso em seu próprio acidente, continuei o meu caminho desacelerando para que os radares não pegassem meu carro.
O intenso transito do final de tarde foi estressante, pois a interestadual parecia longe demais, tentei focar nas ações, sinais, placas, musica, e minha respiração.
As placas indicavam a entrada da Interestadual, aos poucos sentia minha respiração mais tranquila, liguei o pisca alerta, girei o volante para a direita, desacelerei ate que o carro estava completamente parado, deixei minha testa ceder ate o volante, finalmente uma etapa estava terminada.
estiquei meu braço ate o envelope no banco do passageiro, documentos novos que eu não dei muita atenção, puxei um papel e a caligrafia de Jake já me deixava saudades dele.
Novas coordenadas, eu deveria seguir ao norte até o primeiro posto de gasolina. deixei o envelope no banco e liguei a chave e o pisca voltando a estrada.
Fixei meus olhos no intenso e rápido transito, a placa iluminada do posto foi avistada de longe, me dando tempo suficiente de diminuir a velocidade dar a seta novamente a direita e entrar.
Estacionei longe das bombas, geralmente esses postos tem câmeras, então fiquei ali esperando o próximo passo. minhas terminações nervosas estavam eletrizadas por conta da adrenalina,
Não demorou muito avistei José esperando ao lado de outro carro, abri a porta descendo e corri abraçá-lo.
– José que bom ser você aqui.- Como nada foi detalhado, eu não sabia sobre os passos, somente os seguia.
–Não poderia ser diferente querida, sempre soube que esse dia chegaria
_Não quero pensar nisso agora, quero focar no que vem a seguir
–Certamente
–Que bom tem um amigo com contatos
Ele sorriu largamente
–Muitos amigos mexicanos não tem a mesma sorte de conseguir um visto como eu.
–Entendo, sentirei falta de você, de seu sotaque charmoso, de seu abraço
–Também Bella, mas quem sabe um dia as coisas mudem
Respirei fundo, não queria ter essa esperança se fosse vã.
–vamos temos que ser rápidos, tenho que levar seu carro para o outro lado da cidade para despistá-los, aqui está.
Ele me estendeu as chaves.
Meu carro tinha um GPS e por isso seria inútil fugir com ele, assim como meu telefone e tudo era monitorado, ali eu percebi que estava com o plano em andamento e até agora parecia estar dando certo.
– Este carro está em seu novo nome, foi comprado no dinheiro e a vista e não pode ser rastreado.
– E as demais coisas?
– No porta malas estão algumas coisas para você se virar por alguns dias. No porta luvas tem um mapa marcando alguns possíveis trajetos, marquei algumas cidades do Novo México pequenas o bastante para se passar desapercebidas em investigações, o clima seco é diferente, mas você se acostuma
– Tudo bem. – suspirei pensando o quão longe estaria.
– Há alguma coisa que queira pegar do carro?
– Não, nada, vida nova tudo novo.
– Boa sorte Isabella, acho que vai ser a última vez que alguém te chamara assim.
–Então é isso, cuidado e boa sorte também José, espero que um dia você e Jake tenham um final feliz
–Minha querida, Estamos na vida real, isso não tem final somente quando morremos, até lá eu terei a minha vida da melhor maneira possível, faça o mesmo a partir de agora
–tentarei
–Ei! nada de arrumar outro cara problemático , busque coisas simples verá a diferença
Embarquei no carro, era diferente, a direção não era hidráulica, as marchas manuais eram um pouco mais duras, o motor fazia um barulho o que me preocupava, porém mesmo sem saber o modelo, era um carro ao qual não chamaria atenção.
A estrada aos poucos ficava mais calma, era um rumo incerto, porém a cada quilometro rodado, eu sentia um peso sendo deixado para trás
As horas foram passando, a escuridão foi tomando o lugar da luz do dia, somente alguns caminhões estavam rodando, minha boca se abriu mostrando sinais de cansaço.
Avistei um Posto de gasolina ao lado de um Motel, pensei que não estava distante o suficiente para dormir tranquila, estava ainda muito longe da divisa do estado de Washington, dei seta parei próxima ao posto, desci do carro e abri o porta malas.
Roupas, toalhas, produtos de higiene e algumas torradas agua e suco, e uma sacola com um papel grampeado: "Sua nova aparência"- sorri com a caligrafia de Jake.
Busquei entre as roupas e achei um agasalho com capuz, vesti e voltei ao volante, cheguei ate a bomba, desci do carro, o cheiro de gasolina estava forte, eu coloquei o carro para abastecer, meus olhos varreram todo o local em busca das câmeras.
Na loja de conveniência a geladeira estava repleta de energéticos, tratei de encher a sacola deles, direcionei-me ao caixa, retirei as notas de meu bolso pagando as compras e a gasolina, e de volta a estrada eu me abasteci dos energéticos, essa noite eu não me daria o luxo de dormir.
A manha chegou, e eu mantinha meu estomago forrado de torradas e energético, porém minhas pernas estavam dormentes, meus olhos já ardiam com a proximidade do sol do meio dia, e meus músculos estavam doloridos.
Meu estômago protestou ao passar em frente de uma lanchonete de estrada, mas consegui aguentar mais alguns quilômetros, estacionei o carro em outra bomba de gasolina, depois de abastecer fui ate o restaurante, pedi um lanche para viagem e uma coca, a quantidade de açúcar e cafeína em meu corpo já deveria ser absurda.
Continuei na estrada ate que o fim de tarde trazia o movimento tradicional que logo ficava mais tranquilo, mais um Motel de estrada e desta vez eu teria de parar.
O Homem estava sentado em uma mesa cheia de revistas femininas, seu cabelo amarrado em um rabo de cavalo, e seu sorriso repugnante amarelado.
–Por favor um quarto para uma noite.
–303, estamos sem agua quente no andar de baixo e vai ter que subir cinco lances de escada, elevador pifou
–Tudo bem- estava tudo menos bem, minhas pernas imploravam por alivio, meu corpo desejava um banho urgente.
–aqui estão as chaves- pensei em perguntar se não teria de se registrar, mas dei graças disso- ei pagamento adiantado da primeira noite
–Oh tudo bem- retirei o dinheiro e lhe entreguei
–Não temos serviço de quarto, se quiser comer temos o café ao lado do posto de gasolina
Cada degrau era como uma penitencia por meus atos, peguei do carro somente algumas coisas inclusive a sacola da minha nova imagem.
Soltei tudo no chão e meu peso cedeu na cama, o colchão era duro mas mesmo assim era convidativo.
Meus olhos estavam teimando em se fechar, porém eu tinha um trabalho a fazer.
Primeiro abri o envelope, despejando todos documentos em cima da cama, carteira de motorista, passaporte, numero de previdência social, praticamente tudo para uma nova vida.
Observei o ótimo trabalho nas fotos, eu estava com uma nova aparência nas fotos.
Abri a sacola e duas caixas de tinta castanho acobreado, uma tesoura, uma caixa com lentes de contato.
Fui ate o banheiro, observei a mistura da tinta o cheiro de amônia não era tão forte como o dos produtos descolorantes que meu cabeleireiro usava.
Coloquei as luvas, uma toalha em meu ombro, e despejei a mistura homogênea uniformemente nos fios de meu cabelo.
Enquanto os 30 minutos da tinta passavam eu mapeei os canais da tv local e nenhum dos noticiários falava nada sobre meu nome ou de Grey.
Abri minha carteira e retirei meus documentos antigos, o aço gelado da tesoura me fez cair na realidade, enquanto a lamina partia em vários pedaços cada um dos documentos, joguei cada pedaço dentro da pia do banheiro.
Observei a chama do fosforo que fulminava em minha frente cair sobre os pedaços, aos poucos transformando em meros plásticos e papeis queimados.
Ao entrar no chuveiro, a tinta escura escorria em meu corpo, tratei de retirar ela toda do cabelo, e quando a agua escorria límpida e clara pude ver as marcas amareladas em meu braço, lembrando o motivo de estar fazendo tudo aquilo
Sai do banho enrolada na toalha, minha mão passou pelo espelho retirando a camada embaçada revelando um reflexo diferente, porém teria de me acostumar a ele.
Novamente eu peguei a tesoura em minhas mãos joguei meu cabelo para frente sentindo ele bater em meus joelhos, passei a tesoura com um corte firme e preciso.assim que joguei os cabelos para trás sentindo eles baterem em meu ombro, passei os dedos no agora corte repicado.
o Reflexo no espelho me encarava, estava feito, o resto era seguir em frente.
Abri a pequena caixa contendo um par de lentes castanhas, agora sim , eu não era outra pessoa, mas estava bem diferente, o que era um bom começo.
Coloquei uma camiseta e deixei o meu peso do corpo desabar na cama, e aos poucos o cansaço foi tomando conta de meu corpo.
Pela manha o sol entrava pelos pequenos buracos na cortina, eu não me sentia relaxada, e meu corpo doía, porém estava mais disposta para pegar a estrada.
Olhava no espelho e não reconhecia o reflexo, não por ter pintado os cabelos com uma tinta castanha acobreada e ao invés do loiro habitual agora estava morena. Não pelas lentes de contato, cobrindo meus verdes substituindo por castanhos.
Era porque eu me sentia livre, sim depois de anos não sentindo está liberdade. Agora eu estava definitivamente livre.
Observava meus novos documentos e os velhos queimados na pia.
Isabella Swan Grey, você está morta, agora nasce Anabelle Collins.
Uma nova vida está por começar.
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