Cinquenta Tons De Medo - Diário de uma vida dupla
13 Capítulo 13-Nova vida
Notas iniciais

Fase 2: Anabelle Collins
"O amor não escolhe seu passado, ele escolhe quem você é"
13.Nova Vida
Duas semanas de estrada, dormindo em motéis comendo em restaurante de estrada, tentando usar caminhos alternativos, e o Novo México estava agora sob as rodas do carro.
O ar quente e seco me fazia parar mais vezes abastecer meu estoque de liquido, os estalos frequente no carro e o nível de agua baixando frequentemente era um sinal de que o radiador do carro estava por um fio.
Estava mais uma vez comendo algo picante, amava pimentas, era uma parte da culinária dessa região que me agradava. O restaurante de estrada era um dos mais limpos que eu havia frequentado durante a viagem, estava próxima a santa fé, e uma capital seria o ultimo lugar que eu iria.
Abri o surrado mapa, e fiquei analisando as cidades, decidir seu destino não era tão fácil, e uma delas me chamou atenção pelo nome: Peppers Hill, sim ali seria meu destino.
Levantei da mesa retirei do bolso uma quantia de dinheiro e deixei ao lado do prato vazio, a garçonete ficaria feliz pela gorjeta.
Caminhei ate o velho carro empoeirado. Abri a porta escutando o barulho do ranger, o motor protestou uma vez ao eu girar a chave, Logo escutei o barulho do ronco forte então guiei o veiculo e estacionei na bomba de gasolina desliguei o motor, a porta rangeu novamente ao abri-la, meus pés sentiam o chão arenoso enquanto caminhava para colocar a bomba no tanque.
–Pode ver para mim o óleo e a agua? −sorri simpática para o garoto que atendia que sorriu em resposta prontamente pegando o vasilhame com agua.
Caminhei ate a loja de conveniência do posto depois do tanque novamente cheio, em cima do balcão peguei um folheto que falava dos atrativo das pequenas cidades ao redor da região, Peppers Hill não era muito conhecida, mas recebeu seu nome em homenagem a sua culinária e pelo festival da pimenta anual.
Joguei em meu ombro a jaqueta de couro adquirida em uma loja de estrada, o calor a fazia ser somente um acessório, eu acabei mudando algumas coisas em meu visual, coisas que eu raramente usava, correntes com pingentes grandes estavam sobre a regata branca.
–Ei gata, para onde esta indo? — Um homem que usava um chapéu e botas se aproximou sua pele levemente bronzeada, olhos castanhos e intensos o deixavam charmoso, eu podia ver seus músculos mesmo pela camisa, e seu peitoral estava levemente exposto pelos botões abertos.
–Não interessa-virei em direção a geladeira pegando algumas garrafas de agua, porem mesmo eu sendo grossa ele não se afastou.
–Ei não faça assim, eu não mordo, talvez um pouquinho, mas ai depende de você- Demorei um pouco observando seus músculos se destacarem assim que seus braços foram cruzados na altura de seu peitoral.
Sorri em resposta a cantada, mas eu não podia deixar isso ser levado a diante, eu mal havia chegado a um lugar que eu pudesse me estabelecer,
–Sério! -soei firme- não estou para gracinhas
–Só me diga seu nome, olha é simples veja eu sou Raphael, e você?
Pensei por um tempo, e meu nome era estranho pensar antes de falar. Encarei a mão estendida em minha direção a ignorando.
–Anabelle Collins- Agora era totalmente real eu era outra pessoa.
–Olha, vou anotar aqui meu numero -ele pegou de minha mão o folheto uma caneta no balcão e anotou números e me entregou- quem sabe um dia você não mude de ideia
Virei para atendente que não parava de encarar o rapaz que tentava me passar uma cantada, peguei minha sacolas e sai o mais rápido possível.
Assim que entrei em meu carro sorri com a ideia tentadora de que agora estava livre ate mesmo para uma simples cantada de um desconhecido.
Depois de duas tentativas o carro ligou, escutei a leve derrapada que os pneus já quase carecas fizeram no solo árido e seco, e eu segui a estrada rumo a um novo local ao qual eu talvez chamasse de lar, joguei o folheto pela janela, abaixei meus óculos da cabeça a meus olhos.
Apos alguns quilômetros de puro deserto, avistei a placa da entrada da cidade.
Bem vindo á Peppers Hill, população 2.344 habitantes!
Era menor que Forks, Esse talvez fosse meu destino desde o inicio, viver em uma cidade pequena.
Aos poucos as casas foram surgindo o calor escaldante me fez acabar com toda agua, meus olhos varriam as ruas pouco movimentadas, mas mesmo assim as poucas pessoas que caminhavam na pequena avenida encaravam meu carro.
próximo a uma praça e pude ver um restaurante, uma livraria me fez sorrir, algumas lojas, uma sorveteria, continuei rodando lentamente observando tudo com atenção, uma placa escrita temos vagas piscava mesmo a luz do dia em uma enorme casa, Pousada Peppers, sim ali que eu me hospedaria ate conseguir me instalar definitivamente.
Ao desligar o motor, estalos do radiador teimavam em continuar, eu definitivamente teria de arrumar um mecânico.
Ergui meus óculos de sol ate o alto de minha cabeça, a porta ringiu ao abri-la, a decoração rustica e simples deixavam a pousada aconchegante. Caminhei ate o balcão, uma senhora estava tirando o pó das pequenas prateleiras que pendiam as chaves.
_Bom dia.
_Bom dia -ela sorriu tão espontaneamente-, seja bem vinda deseja um quarto?
_Sim, por favor. -Sorri em resposta
_Seu nome?
Antes de falar besteira parei e pensei, respirei, toda vez que ia me apresentar formalmente com minha nova identidade, eu seguia esse ritual
_Anabelle Collins
_São 20 dólares o dia minha querida
_Vou ficar um tempo razoável.
_Sendo assim poderemos ver um pacote, quantos dias deseja ficar?
_Depende ate encontrar um emprego.
_Pretende ficar na cidade?
_Vou te dar as chaves do quarto numero 10, é um dos melhores, já que vai ficar por um tempo, já de antemão te aviso que empregos bons são raros na cidade.
_Sendo trabalho eu aceito qualquer coisa- sorri
_Meu nome é Evelin Staley, Vai acabar conhecendo minha Filha Jessica, se precisar de qualquer coisa estarei aqui, o meu quarto é numero 1, mas sempre estou pela cozinha ou na sala de TV.
–Obrigada Evelin
–Sinta-se a vontade ...Belle, posso te chamar assim?
–Sim, Belle gostei
Subi ate o segundo andar da casa e o numero 10 era o ultimo quarto do corredor, era limpo e aconchegante, sentir o colchão macio era um contraste aos motéis de estrada.
As pessoas de cidade pequena possuíam uma vantagem, elas eram receptivas, mas sei que podem ser desagradáveis às vezes, tinha noção que teria de bolar uma boa história para que não houvesse falatório sobre minha vida posteriormente, e não acabasse virando noticia da cidade.
Entrei no banho quente e depois de usufruir somente de banheiros de postos de gasolina ou motéis de quinta categoria, estava no céu, deixei a agua retirar a tensão dos dias dirigindo.
Sentia os nódulos de meus ombros sendo levemente desfeitos girei o pescoço deixando a agua escorrer em minha nuca.
Assim que sai do banho retirei a camada de vapor do espelho revelando o rosto cansado uma raiz querendo aparecer, logo teria que pintar meus fios novamente e isso teria de se tornar uma rotina.
Deitei na cama após colocar um vestido de malha, o calor era muito grande, liguei o ventilador e acabei adormecendo.
Dormi o restante dia e a noite, pois quando acordei estava de madrugada, aproveitei para terminar de retirar minhas coisas da mala, e acabei dormindo novamente. O calor era estranhamente reconfortante, um contraste com Seattle.
Pela manhã, meus músculos estavam mais relaxados, ao esticar meus braços eu podia escutar pequenos estalos.
Coloquei uma roupa confortável e fresca, desci as escadas sentindo cheiro do café que era convidativo.
_Você deve ser Belle, sou Jessica minha mãe falo de você, mas não te vi mais depois que entrou no quarto.
_Estava cansada de mais da viagem, mas hoje estou bem revigorada, posso conhecer a cidade com calma.
_Junte-se a nos no café.
Não pude recusar o cheiro de panquecas recém feitas estava me matando.
A mesa estava posta minha boca salivou com a imagem de um prato repleto de panquecas servido ao centro.
_Então Anabelle o que a traz a nossa cidade? — A pergunta de Evelin me fez pensar.
Agora era hora do teatro, teria de ser bem convincente, pois esta seria minha nova história daqui por diante, dei uma garfada na panqueca e depois deixei a história fluir seu curso.
_Bem, eu estava em busca de um lugar novo, depois da morte de meus pais resolvi que uma cidade pequena seria muito bom para esquecer tudo e começar minha vida.
_O que exatamente você faz?
_Bem... _ainda não tinha bolado uma historia em minha cabeça o cansaço so me deixou dormir, então falava o que me vinha à mente, o que teria que gravar a partir de agora._ Fiz faculdade de literatura- Achei melhor não mentir nesta parte._ mas não me sinto a vontade em trabalhar em editoras, então pensei que estando em uma cidade pequena poderia escrever um livro este é meu sonho, minha mãe disse que temos que lutar por nossos sonhos.
Aproveitei que parte da história não era mentira, a melhor mentira é aquela que conta meias verdades.
_Que legal nunca conheci ninguém que seria escritor, quem sabe não escreve mesmo um livro, e ai deixa a cidade conhecida, aqui é muito calmo._ Jessica falava com empolgação.
_Jessica não reclame, as cidades grandes não são tão boas._A senhora Staley retrucava a menina, Jessica parecia aquelas garotas que cresciam em meio aos limites das cidades pequenas, mas estavam aflitas para ir embora, conhecia bem esse tipo de garota eu mesma fui uma delas.
Assim que terminei o café decidi caminhar pela cidade e conhece-la.
As ruas estavam movimentadas a medida do porte da cidade, diferente de Seattle, pepers hills era o oposto, calma e tranquila.
Andar a pé dava uma tranquilidade uma sensação de lar, é certamente seria aqui que eu fixaria residência, os moradores não passavam por ninguém sem um singelo comprimento.
sentei um pouco na praça relaxada, inspirei o ar , era um pouco pesado por conta do calor e da poeira, mas mesmo assim reconfortante.
A hora era próxima do almoço, meu estomago já estava protestando, então caminhei ate o único restaurante da cidade.
A porta de vidro continha uma placa escrita: Precisa-se de funcionário- entrei fazendo o sino tocar, sorri com a simplicidade do local, era aconchegante, as mesas com toalhas xadrez, me fizeram sentir-se em um filme dos anos 60.
sentei pegando o cardápio , não havia muitas opções de pratos, o que me deixou decepcionada.
–Posso anotar seu pedido?- Uma garota de cabelos longos escuros presos em um rabo de cavalo, usava um avental combinando com a decoração das mesas, dei uma breve olhada imaginando essa garota usando patins, sorri a imagem mental de uma garçonete de filmes do Jamie Jean ou afins.
–Acho que pode ser o prato do dia,
–Bem não temos um prato do dia porem o que mais sai e o tradicional bife com batatas.
–isso esta ótimo.
–Para beber?
–Uma coca
A garota saiu em direção a próxima mesa, para em seguida entregar os pedidos em uma pequena janela, creio que dava acesso a cozinha
Aos poucos o restaurante ficava cheio e a coitada da garota estava se desdobrando em atender a todos.
–Seu prato- A aparência suculenta do bife juntamente com o cheiro fizeram a saliva acumular em minha boca.
–Obrigada, .. ei qual seu nome?
Ela sorriu, virando-se em minha direção.
–Angela,
–Prazer Angela, sou Anabelle,
a garota não enrolou muito, tratou de voltar ao trabalho, entre servir mesas e cobrar atender o balcão eu comi minha refeição observando a movimentação dela.
Claro que a cidade era pequena, mas por ser o único restaurante que vi ate agora e, ele lotava.
Assim que terminei, levante-me e levei meu próprio prato ate a bancada Angela me encarou
–pode deixar que eu...
–Calma, me diga o que posso fazer que te ajudo- vi em seu olhar que ela relaxou.
Ela pensou um pouco, mas logo me jogou um avental, e um bloco.
–Sabe recolher pratos e anotar pedidos?
–Acho que aprendo rápido
ela concordou com a cabeça e eu me direcionei as mesas, enquanto ela cobrava a conta de quem acabou seu almoço, eu recolhia os pratos, e mais uma leva de pessoas chegava.
–seu pedido ?
–é nova aqui?
–sim — sorri para a mulher na casa dos quarenta anos que me encarava, fiquei preocupada, pois ela não ter retribuído o sorriso assim como o resto dos moradores da cidade.
–Pode ser o de sempre, batas, salada e Bife.
Caminhei ate Angela entregando os pedidos.
–Não liga para Norma, ela e uma ranzinza e mal amada — Angela me alertou quando viu minha decepção estampada.
Mais alguns pedidos e o restaurante foi ficando mais calmo.
assim que o relógio marcou duas horas eu vi o alivio percorrer Angela
–Muito obrigada, hoje as pessoas decidiram comer fora em peso.
–acontece, deve ser uma súbita falta de vontade de cozinhar.-Rimos juntas, Angela era uma garota linda, porém era visível que o cansaço do trabalho a fazia aparentar mais idade do que deveria ter.
–Estamos desfalcadas, na cozinha minha mãe faz o que pode, meu irmão ajuda com os pratos, e eu faço tudo aqui na frente.
Foi nesse momento que eu percebi a oportunidade,
–sobre isso, vi a placa, me interessou.
–Sério:- os olhos dela brilhavam -olha não sei de minha mãe mas por mim esta contratada
–sério!!
–vamos esperar ela sair da cozinha que conversamos melhor.
As mesas estavam uma bagunça fui recolhendo o resto dos pratos, acompanhei Angela trocar as tolhas xadrez vermelho por outras igualmente xadrez, porem amarelas agora.
Angela pegou a vassoura e eu o esfregão, na casa de meu pai eu costumava fazer tarefas domesticas, fiquei vagando minha mente ao passado quando tive que me tornar a dona de casa de apenas dezesseis anos, porém minha vida como uma Grey era completamente diferente, mas a sensação de gratificação em se trabalhar nunca mudou, imaginar que eu tive que abandonar o meu trabalho na editora para estar hoje limando chão de um restaurante só era menos dolorosa por saber que isso me deixava longe de Austin.
Uma mulher de beleza igualmente a de Angela, traços igualmente definidos em uma pele bronzeada e olhar cansado saiu da cozinha me encarando.
–Angela quem é ela?
–Mãe, ela é Anabelle, esta atrás de trabalho
–E você já a coloca em teste limpando chão?
–Desculpe, foi ideia minha, na verdade vim almoçar e acabei me oferecendo para ajuda-la- falei e parei imediatamente o que fazia seguindo na direção de ambas se eu as visse juntas diria que não passavam de irmãs.
–Mãe Anabelle é perfeita, ela foi ágil e me ajudou muito, viu como o restaurante hoje estava agitado?
–Sim, eu não tive parada na cozinha, Antony esta até agora cuidando da louça.
–Ele está lavando a louça, que milagre aquele moleque nunca quer saber de trabalho pesado.
–Seu irmão está se esforçando Ang, porém a primeira oportunidade que surgisse ele agradeceria deixar a cidade.
As duas se voltaram então em minha direção, os lábios da mãe de Angela se curvaram em um breve sorriso revelando as poucas rugas em sua pele.
–Vejamos tem experiência em restaurante? De onde veio?
Mais partes de uma historia que eu não tinha, eu acabava de começar a minha nova vida, e tudo que eu falava nessas apresentações teriam que ficar gravadas, eu não podia me contradizer em nada.
–Vim de Phoenix, — foi o lugar mais logico que me veio a mente, era uma cidade grande, porém nada que ligasse a minha pessoa diretamente.
–Bom que o calor não à surpreende, porem aqui falta a humidade do Arizona.
–O que lá tem de sobra-sorri tentando soar natural em falar de um clima que eu mal conhecia por experiência.
–exatamente, bem acho que pelo que Angela me disse você se deu bem hoje! Alguma experiência?
–Eu não trabalhei em restaurantes, mas sei cozinhar, limpar, e pelo que fiz hoje acho que atender mesas pode contar em meu Curriculum.
–já é um começo — os dentes brancos e alinhados a mostra era uma demonstração que ela estava gostando da ideia, fiquei mais aliviada.
_Garota e o que te fez vir para este fim de mundo? Angela perguntou
_Bem, eu queria sossego e tenho vontade de escrever um livro, nada melhor que uma cidade pequena.
_Bem, já que você parece disposta a trabalhar, vamos ao que interessa, coitada da Ângela não vence tudo, e sinto um pesar de estar á privando de viver por conta do restaurante, mas depois da morte de meu marido querida, somos somente nós duas e Antony e o restaurante é nosso sustento.
Uma breve visita a cozinha me mostrou que o trabalho não era tão simples ou pouco.
–Esse é Antony Anabelle- Angela me apresentava o garoto que estava lavando a louça, o fone de ouvido não o deixou perceber que estávamos atrás dele.
Angela pegou um dos lados do fone retirando de sua orelha.
–Tony- ela gritou
–Poh! Ang que susto...- O garoto olhou em minha direção e ficou mudo e logo seus dentes apareceram, e as covinhas em seu rosto o deixaram mais parecido com Ang.- Quem é a beleza em pessoa?
–Olá Antony, sou Anabelle, acho que vou trabalhar aqui.
–Olha com uma gata assim trabalhando aqui eu vou vir com gosto todos os dias.- a mão de Ang chegou a nuca do rapaz com velocidade e força.- Au! o que eu fiz?
–Tenha vergonha garoto.
Depois de mostrara todo o trabalho, que era muito por sinal, a Senhora Weber perguntou se eu poderia começar o quanto antes, prontamente aceitei.
Caminhando novamente para a pensão a livraria me atraiu, era repleta de uma vasta literatura, algo tão avançado para uma cidade pequena, entrei e fiquei vagando entre as prateleiras.
–Posso ajuda-la
–Oh, estava somente observando, o senhor mantem atualizado seu catálogo?
–Sim, eu gosto das novidades e a variedade, principalmente a nova literatura, eu ando meio velho para viajar então os livros me trazem as noticias dos mundos novos.- é nova na cidade ou está somente de passagem?
sorri timidamente ao senhor grisalho que usava uma bengala para se locomover.
–Pretendo ficar, quem sabe não escrevo meu primeiro livro
–Tem sonho de ser escritora minha jovem?
–Não sou tão jovem assim, mas vim em busca de inspiração
–Certamente, não acontece muitas coisas em uma cidade deste tamanho, mas quem sabe sua imaginação as vezes precisa exatamente disso, foco.
–desculpe eu nem me apresentei Anabelle Collins
–Collins, bonito sobrenome, conheci uns Collins a muitos anos.- eu sou Humbert Thomas Suliwan,
O nome me fez sorrir imediatamente
–Está falando sério, H.T Suliwan, o Próprio?! me diga que estou sonhando
–Não minha cara, então já ouviu falar de mim?
–Claro, fiz minha conclusão de curso de literatura com base em muitos argumentos literários revolucionários de suas teses
–Nem tanto minha jovem, eu somente tenho a mente mais aberta que muitos escritores de minha época, são todos uns velhos ranzinzas que não sabem aceitar quando ficam velhos demais para os parâmetros das novas gerações.
–Olha eu precisei atravessar o pais para encontrar um dos meus ídolos literários
–veio do outro lado da costa minha cara?
lembrei que soltei uma besteira
–Desculpa estou emocionada, na verdade nem tanto, eu vim de Phonix, mas...- ai que merda as perguntas ficariam mais pessoais, sobre que universidade me formei, e tais coisas eu não havia pesquisado ainda
–Que nada minha cara, acontece, olhe pegue esse livro, aceite como um presente-ele pegou um dos lançamentos de uma autora nova, e me entregou
–não posso aceitar..
–Deixe disso criança, pegue, depois pode me acompanhar em uma discussão saldável sobre ele
–tipo um clube do livro? — sorri
–Basicamente, preciso renovar minhas ideias, e nada melhor que os jovens para abrir nossas mentes envelhecidas e enferrujadas com o tempo.
Sai da livraria eufórica teria de pesquisar mais sobre algumas coisas, minha historia não poderia ter furos, ainda mais agora que sabia da presença de uma pessoa conhecida na cidade
a loja de eletrônicos estava aberta então entrei e comecei observar os aparelhos, decidi por hora comprar um computador, e realmente tentar escrever algo, quem sabe algum tipo de diário fictício isso me ajudaria em minha historia para evitar furos futuros em minha nova vida.
–Belle, Jessica veio em minha direção assim que entrei na pensão
–Jess, estou empregada.
– já arrumou trabalho?
–Sim, isso é muito bom, eu mal cheguei e já aconteceu tantas coisas maravilhosas .
–Vamos jantar, minha mãe estava a sua espera.
chegando na cozinha o cheiro do assado era tão delicioso como os das panquecas.
–Acho que em breve farei minhas refeições no restaurante.
–Mãe Belle já está empregada, isso é fantástico.
–Sim como é, então está decidida a ficar minha jovem!
–Sempre estive, e estou feliz de tudo começar bem.
–Então vamos jantar.
depois de acompanhar Jessica e sua mãe no jantar eu acertei um mês de estadia, e recebi um bom desconto.
o calor era quase insuportável porem reconfortante, mesmo acabado de tomar banho eu já sentia as gotas de suor se acumularem em meu pescoço,
meu corpo cansado caiu novamente no colchão com o ventilador direcionado para mim, eu abri meu novo computador e resolvi pesquisar um pouco mais sobre o local que eu dizia ter vindo, Phoenix.
Depois de uma breve pesquisa peguei o livro em minhas mãos e analisei o titulo: Um grito sem voz, a principio o titulo não me agradou, porém eu olhei a sinopse e me encantei com a historia devorado muitos capítulos na primeira noite.
(***)
Após algumas semanas de trabalho Caroline, me dava cada vez mais responsabilidades, era fim de tarde da sexta- feira e terminei o livro, depois de me apaixonar por Humberto um verdadeiro cowboy americano, e odiar profundamente Hermes o antagonista da historia eu ainda me compadecia da protagonista, Elizabeth , ela era extremamente irritante e a sua decisão no final do livro me irritou mais ainda.
Caminhava tentando focar minha mente em tudo que eu queria discutir com o senhor Thomas sobre o livro, mesmo passando quase todos os dias nessas duas semanas conversar com ele, acreditava que a senhora Suliwan deveria ter ciúmes de minha pessoa, pois não mediamos as horas quando começávamos as nossas discussões, porém hoje era diferente, iriamos focar exatamente nesse livro.
Passei na farmácia comprei alguns produtos de higiene e mais tinta para o cabelo, eu já conhecia quase todos os moradores da cidade, o que me deixava a vontade com os comprimentos constantes de todos.
Cheguei a livraria encontrando Thomas vestido de um terno e uma gravata borboleta.
–Se eu soubesse que a noite do club do livro era de gala teria me vestido melhor- observei meus trajes do dia a dia, um short Jeans na altura da cocha e uma camiseta.
–Bele minha jovem, não vamos se ater a formalidades querida, venha quero lhe apresentar a minha musa, a dona de minha inspiração
–Falando assim ate parece! ele anda sem inspiração alguma deve ser esse o motivo, minha jovem você ainda é mais bonita do que esse velho me descreveu
uma senhora simpática de cabelos grisalhos e com grossos cachos veio em minha direção
–Senhora Suliwan
–Por favor minha querida, me chame de Mary,
–Tudo bem Mary- ela me deu um caloroso abraço e depois olhou para o senhor Thomas
–Você esta perdendo mesmo seus dons de descrever características, ela é ainda mais linda do que a descreveu.
–vamos sente-se Belle, e comece a falar o que achou dos personagens
e ali começava nosso pequeno club do livro.
–esta servida de vinho minha cara Belle?- Mary me oferecia uma taça.
–Obrigada, vou aceitar, não estou dirigindo hoje.
Rimos juntos um som gratificante dessa nova amizade que surgia.
Uma rotina tradicional e tranquila se seguiu em minha nova vida, eu poderia viver o resto de meus dias assim sem reclamar de nada.
Eu tinha um local onde morar em que me dava bem com as donas, trabalhava em um restaurante e tentando aprender coisas novas, e ainda tinha meu amigo que antes era meu ídolo literário.
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