Notas iniciais
Capítulo com Nova Edição

Dominador

Aquela noite eu não consegui disfarçar meu descontentamento com a revelação de que eu só comecei a trabalhar por influencia de Christian. Tudo rodava em minha mente, as minhas regalias, ser editora de Tanya na sua biografia, tudo me abanava a Bandeira vermelha de que Christian era controlador ao extremo.

– Porque você esta distante hoje? — Ele me perguntou.

– Sabe, eu não sei se isso vai dar certo.

– O que não vai dar certo? — A preocupação em sua voz foi imediata.

– Nós.- Eu o encarava vendo a preocupação tomar toda sua expressão.

– Não esta falando sério?

– Pense comigo, essa sua mania por controle... Eu não sei até onde vou aguentar. Sabe há um motivo para eu ter vindo embora para Seattle, foi para fugir exatamente dessas situações.

Ele pensou por um tempo e enfim falou.

– Você disse que tentaria, que me daria chances, eu te disse que teria de ter paciência comigo.

– Eu sei mais hoje ao saber que você manipulou até onde eu iria trabalhar é doentio e não sei se posso suportar isso.

– Mais isso foi antes, eu estou tentando mudar. Vi ali em Christian uma criança com medo, ele implorava com seus olhos.

– Mais ainda me controla.

– Eu vou tentar, mais eu já disse, eu só quero cuidar de você.

Eu sabia que isso seria um longo caminho, mais deitei em seu peito e fiquei analisando nossa conversa, eu poderia tentar sim.

– Posso te fazer uma pergunta? — Minha voz saiu temerosa.

– Faça. — A convicção em sua resposta foi clara, ele me encarou nos olhos como sempre fazia, eu poderia me perder na imensidão azul ali presente.

– Sua irmã comentou sobre você ser diferente quando morava na mansão Grey e depois a sua mudança quando passou a morar sozinho, qual o motivo disso?

– Isabella... — Ele se demorou na resposta, estávamos em seu quarto e ele se levantou e se direcionou à prateleira cheia de fotos e se demorou encarando algumas fotos.

– Christian, acho que se queremos ter um relacionamento devemos entender um ao outro. Eu não vou poder entender você se não se abrir em alguns momentos.

– Entenda que para poder ter controle de minha própria vida eu tive de abdicar de muita coisa, principalmente de sentimentalismos, aquela mansão me traz lembranças ruins.

Christian foi até uma gaveta, observei a sua relutância em abri-la, assim que ele pegou em suas mãos um álbum ele veio em minha direção.

– Acho que é hora de você conhece-la.

Assim que ele me entregou em mãos o álbum, sentei na cama e o abri revelando uma foto de uma mulher linda, ela tinha os traços familiares de Christian e Elliot

– Essa é sua mãe?

– Sim.

Seu longo cabelo negro aparentava ter a espessura igual a de Christian, ondas caiam sobre seu ombro e em seu colo um bebê se encontrava.

– Quem é o Bebê? — Apontei para a criança.

–Elliot estava com dias nessa foto. — Um leve sorriso escapou de seus lábios.

Folheei mais o álbum vendo varias fotos dela com mais idade até seu cabelo estar diferente.

– Porque você fala dela tão pouco? — Na realidade Christian não a mencionava muito.

– Ela foi tirada de nossas vidas muito cedo, não foi algo como no seu caso onde se tem uma doença para preparar o terreno.

– Mesmo assim não é fácil superar, lembro de Renne sempre, tento focar nos momentos bons.

– Ai está o ponto. Eu tive de aprender a controlar isso, a controlar como pensar nela porém não é fácil focar em momentos bons quando o local onde se mora trás as lembranças ruins de sua morte, e pior de sua vida.

– Como assim vida? O que aconteceu com ela em sua vida e morte?

– Não estou preparado para falar disso, não sei quando estarei.

– Você aprendeu a assumir o controle como? — Decidi que deveria deixar a situação fluir e não forcar.

– Bella... Têm certeza que deseja saber como eu aprendi a controlar tudo isso?

Olhei em sua direção e sua expressão mudou rapidamente como se uma criança que tivesse ganhado um presente.

– Tenho.

– Só a uma forma de te fazer entender. Tenho que te mostrar.

–Mostre.

Ele pegou de minhas mãos o álbum de fotos o colocou novamente na gaveta da cômoda, em seguida pegou a chave em seu bolso e abriu a porta embaixo da gaveta a minha curiosidade me impulsionou a observar a cima de seu ombro.

O pequeno armário guardava alguns objetos que identifiquei de pequenas visitas aos sexy shoppings com Kate, Christian já havia usado algumas dessas coisas comigo também como máscaras, vibradores porém nada tão marcante como as algemas ou ate mesmo o chicote que ali estava.

– Como essas coisas o ajudaram?

– Lembre que nunca fui de relacionamentos porém eu tinha uma vida sexual nada convencional.

– Sim, mais sempre achei que sua falta de relacionamento fosse por seu excesso de controle.

– Exatamente. Controle, eu gosto de controlar, dominar.

A palavra dominar ficou pulsando em minha mente

– Dominar você se refere a dominador?

–Basicamente.

–Porque não me contou antes?

Fiquei intrigada. Isso era algo novo, que ele era maníaco por controle eu sabia, mais ao ponto de ser um dominador.

– Isabella entenda você sempre foi vista de uma forma diferente aos meus olhos, entretanto eu tento a cada instante lutar contra isso, eu fiz parte por um tempo de um grupo restrito onde se reunimos e buscamos o mesmo objetivo.

– como assim?

– Eu sou um dominante, não se tem um dominante sem uma submissa assim como não existe o Sádico sem um masoquista.

O meu espanto enorme. Tudo aquilo era algo que eu desconhecia porém entendia o contexto.

– Você quer dizer que você gosta dessas coisas não só como um fetiche mas vive isso?

– Não mais, desde que estamos juntos eu tenho lutado para que esse estilo de vida não mais me seja necessário. Isabella você é a primeira mulher a qual eu tenho vontade de manter um relacionamento porém as tendências a ser um dominante são fortes demais e eu necessito disso em minha vida.

– Mais eu não sou desse mundo Christian e nem pretendo ser, quer dizer eu gosto das inovações e isso é de longe o mais excitante que já provei, mais a viver isso é inaceitável a meu ver principalmente a parte de ser submissa, acho que não é algo que combine comigo.

– Por isso sempre te peço paciência Bella.

– Porém você poderia me mostrar o lado gratificante? — Um sorriso maroto escapou de meus lábios, uma parte de mim sabia que era tentar o perigo, mais eu estava tentada ao que ele poderia me mostrar.

– Certamente isso me daria um enorme prazer.

Ele pegou do armário a algema e o chicote e olhou em minha direção com aquele olhar lascivo e dominante que já mexia com minha libido.

–Isso pode ser um pouco mais intenso ao que esta acostumada!

– Não estou reclamando.

Christian estava em minha frente na cama, ele me analisava como se fosse a primeira vez. Ele chegou até mim e segurou em meu braço me conduzindo para fora da cama eu estava somente vestida com minha calcinha e uma camisa dele que coloquei.

– Você vai somente fazer o que eu mandar nada mais nada menos.

Revirei os olhos

– Onde está a emoção?

– Bella você pediu que eu te mostrasse, agora não revire esses olhos.

– Tudo bem. — Disse.

Ele desabotoou cada botão calmamente da camisa que eu usava e deslizou por minha pele. Christian colocou uma venda a qual eu já havia usado. Fiquei como sempre focando nas sensações.

Ele segurou firme em meus cabelos e sussurrou em meu ouvido.

– Gosto do que vejo.

Somente me deixei guiar até a cama e senti as algemas geladas em meu pulso, estava imobilizada. Meu corpo estava curvado sob a cama totalmente exposta, ele retirou minha calcinha e a expectativa estava trabalhando em minha própria excitação eu sentia meu liquido se acumulando em minha intimidade.

– O que você quer Bella?

– Você. — Respondi temerosa.

Nesse instante senti um ardor em minhas nádegas próxima a minha intimidade a dor foi intensa o que me fez gritar.

– Christian acho que...- Ele segurou meu cabelo firme e chegou a meu ouvido.

– Ha uma linha tênue entre o prazer e a dor Isabella deixe essa linha se romper... — Seus dentes cravaram em minha orelha me arrancando um suspiro forte, senti seus dedos passarem por minha espinha até chegar em minha intimidade.

Em alguns instantes escutei e senti o chicote novamente próximo a minha intimidade porém desta vez eu gemi não de dor, mas realmente de prazer.

Os motivos que levam uma pessoa a esse mundo não me pareceu mais tão absurdo e a gratificação era esplêndida, porém eu sentia falta da ação de participar.

Quando ele me perguntou novamente

– O que você quer Isabella?

– Eu quero me aliviar Christian, por favor.

Eu não estava vendo nada através da venda porém eu podia imaginar seu sorriso de gratificação, senti os dedos dele trabalharem por um tempo em seguida ouvi o preservativo ser aberto.

Sua mão enroscou em meus cabelos e ele puxava meu corpo contra o dele sem nenhum receio, me preenchendo por completo.

– Bem vinda a meu mundo Isabella. — Ele sussurrou em meu ouvido, ele transparecia por sua voz satisfação e realização.

Aquele foi o primeiro fim de semana repleto de Jogos muito mais intensos aos que estava acostumada e aquela linha entre o prazer e a dor que Christian se referiu, estava praticamente rompida.

(***)

Estava sentindo-me presa, uma prisão que eu mesma havia me colocado, meus amigos percebiam, tentavam me alertar. Mais eu tinha uma esperança, Christian estava mudando, eu percebia de alguma forma isso.

Cheguei em casa e me deparei com Jacob carregando algumas caixas

– Onde você está indo? — Perguntei enquanto deixava as cartas que peguei no correio em cima da bancada.

Hello Bella. Anda no mundo da lua? — Kate falou passando por mim com mais uma caixa.

–O que eu perdi sério?

–Estou me mudando. — Jake colocou as caixas no chão. — Você está falando sério que não se lembra?

– Eu lembraria de algo assim. — Falei.

– Você anda tão preocupada com os passos que dá para não desagradar seu namorado compulsivo por controle, que não presta mais atenção ao seu redor, Jake está de mudança para o seu estúdio novo.

Lembrei vagamente de uma conversa em que José mencionou que achou um ótimo local para o estúdio, porém pagar aluguel de dois lugares seria complicado, mas Jake se ofereceu para eles morarem no estúdio.

– Sim eu sabia, mais não achei que seria tão rápido assim.

Era complicado estar praticamente desligada de tudo que para mim foi importante. O peso dos equipamentos dentro da caixa deixou meu braço dolorido, soltei meu corpo relaxado sentindo a maciez do tecido do sofá.

– Meu Deus José que sofá maravilhoso, acho que vou me deitar aqui e nunca mais ir embora.

– Nem pensar do jeito que seu namorado é ele entra arrebentando o apartamento atrás de você. — Encarei meu amigo tentando falar algo para rebater, no entanto eu não tinha argumento algum para isso.

Caixas carregadas. Estava cansada, tentando relaxar a mente quando meu celular tocou. O visor piscava com a Foto de Christian.

– Christian!

"Onde você está?" — Sua voz soava firme e ameaçadora tentei soar mais leve.

–Deitada em um sofá dos céus, mais não se preocupe meu acompanhante é totalmente alheio a mulheres. — Dei uma piscadinha para José que revirou os olhos.

"Esta na casa do José? Porque não me avisou que iria sair, sabe que fico preocupado".

– Tudo bem, estávamos fazendo a mudança de Jacob para o novo estúdio e apartamento.

"Jacob vai morar com José? interessante". Ele estava se segurando, mas eu sabia que estava com sua mania por controle presa para ser solta, fiquei aliviada por ele tentar se segurar.

– Vamos somente terminar umas coisas e já vou para casa, tenho que trabalhar amanhã cedo e estou muito cansada.

"Bom , me liga quando chegar ."

– Tudo bem eu ligo.

Assim que desliguei José soltou um gritinho

– Viu, eu disse, esse seu bofe querida, é maníaco.

– José me de um tempo, já me basta Kate e Jake, agora você também.

– Olha querida, eu sou o último nessa face da terra a reclamar de relacionamentos complicados.

Sabia exatamente do que ele estava falando, e eu ficava com dó de José, todos ao redor percebiam por quem ele era apaixonado, somente a própria pessoa não dava o valor necessário a isso.

– Um dia quem sabe ele não resolva deixar a pose de macho e ai assumir o que sente.

– Já perdi as esperanças, mais talvez eu me contente com o pouco que receber, afinal vivemos no mundo real, as coisas não são perfeitas.

Somente Kate e eu passamos a dividir o apartamento. Eu estava tão ligada nesse relacionamento com Christian que quase negligencie a mudança de meu amigo, de volta ao apartamento lembrei de ligar para Christian, Kate encarou imediatamente meu telefone.

– Já vai avisar seu dono que chegou. — disse com a mão em sua cintura.

– Me deixe. — Saí de sua visão entrando em meu quarto e no primeiro toque Christian atendeu.

–Cheguei!

"Bom, já esta tarde".

– Nem tanto — Retirei meu casaco jogando na cadeira ao lado de minha cama, e girei meu corpo sentindo o colchão em minhas costas. — Sentindo minha falta?

"Claro que sim, tem alguma dúvida disso?"

– Não, mais é sempre bom ouvir, como você está vestido Christian?

"Isabella... Isso é meio desconcertante..."

– Há vamos lá Christian, nunca brincou ao telefone não?

"Creio que não"

Coloquei o telefone por um instante no viva voz.

– Isso é inadmissível, é a parte mais clichê dos namoros. — Retirei minha camisa e minha calça social as jogando no mesmo destino do casaco, e me coloquei em baixo das cobertas retirando o telefone do viva voz

"O que está fazendo? quanto barulho" -Senti a tensão em sua voz.

– Bem estava retirando minha roupa e fiquei somente de roupa intima em baixo das cobertas.

Ele se demorou um pouco, eu podia sentir a sua respiração pesada do outro lado da linha.

"Você quer me enlouquecer assim Bella"

– Somente me divertir, vamos me diga como você está? Pense eu estou seminua, o que faria se estivesse aqui?... É bem simples...

Eu sabia até por sua respiração e sua demora em responder que ele estava tenso.

– Isabella não me faça correr eu mesmo até seu apartamento, esse jogo não daria certo, eu não consigo ficar aqui parado tendo imagens mentais, sabe que eu preciso toca-la, sentir o controle sobre o seu corpo, só de imaginar você... Sabe atingir um nível e excitação sem estar presente, eu fico desconcertado.

– Tudo bem. — Fiz um biquinho me encolhendo, eu sabia que ele ainda estava tendo problemas com seu controle, mais aquilo era um pouco de exagero.

"Boa noite Bella, o fim de semana logo se aproxima e teremos todo tempo juntos.

O dia seguinte começou normal, não tive problemas com Jake no banheiro, o que foi de certa forma estranho, eu sentiria falta dele andando pelo apartamento.

Engoli uma barra de cereal e um copo de suco, e sai em direção a Editora, chegando lá fui imediatamente para minha sala e o trabalho maçante estava como sempre me esperando.

"Bom dia, creio que fiquei meio frustrado ontem imaginando o desperdício de você dormir somente de roupa intima estando tão longe de meu corpo"

Sorri, essa foi de longe a mensagem escrita de forma mais pessoal por Christian, tratei de responder:

"Coloquei meu pijama já que não tive a sua participação em um de meus jogos"

" Tenha um bom dia de trabalho Isabella, ansioso pelo fim de semana".

Voltei a atenção até a tela do computador quando o visor do celular acendeu, achei que seria novamente Christian mais era somente Kate.

" Vamos almoçar juntas, ainda estou em depressão com a saída de Jacob".

" Tudo bem, saio quinze minutos antes do meio dia, tem um restaurante aqui próximo que tem uma comida japonesa incrível."

" Você sabe como me animar, estarei ai sem atrasos".

A hora correu lentamente, aquele dia eu não tinha muito trabalho a fazer e enrolei o máximo no que eu tinha, até chegar a hora do almoço, sai em direção a porta da frente e Kate me esperava.

Andando em direção ao restaurante fui mandar uma mensagem avisando a Christian que estava almoçando com Kate.

– Isso é extremamente irritante.

– O que? — Encarei seu olhar de acusação.

– Você e seu namorado, isso é ridículo e doentio, pense que eu não notei o quanto você mudou? Nem parece a Isabella que saiu de sua cidade atrás de liberdade.

– Sou a mesma, só que você não sabe como é namorar, Christian se preocupa comigo.

– E você sabe o que é namorar?

– Estamos os dois aprendendo, agora não vamos estragar nosso almoço com essas coisas.

– Tudo bem, a vida é sua, mais só um aviso, você não é a mesma, cuidado para não acabar fazendo igual a sua mãe e só notar a burrada que fez depois de muito tempo.

Nem mesmo eu sabia que era tão visível estas mudanças. Eu estava mais preocupada nas mudanças de Christian que as minhas próprias mudanças eu negligenciava .

A simples menção de minha mãe, me deixou pensativa, Renne foi casada com meu pai que era tão controlador como Christian, a diferença era que ele não fazia isso com a desculpa de que cuidava dela, ele realmente desconfiava sem motivos, e as vezes chegava a ser violento com ela, esse foi o motivo dela ter ido embora, porém ela não aproveitou muito sua liberdade, ela acabou descobrindo um câncer e sua vida de liberdade passou a ser tentar lutar contra a doença, e depois morrer.

Nesse momento lembrei de Christian e a sua própria historia com sua mãe que eu nem sabia exatamente o que ouve somente que foi traumático o bastante para ele ser como é hoje.

O dia seguiu normalmente, e com o apartamento mais vazio, eu ficava mais ansiosa pelo fim de semana.

Estava em meu quarto fazendo um relatório de um manuscrito que recebera quando Tay entrou no quarto.

– Bella vamos ao Shopping? — Pensei que teria que ligar para Christian e avisar, olhei para o telefone e Kate se irritou.

– Não, não. Você não vai ligar pedindo permissão para isso, vamos. – Ela pegou meu celular das minhas mãos.

– Pelo menos eu tenho que avisar Kate, se ele me ligar ou algo assim? — Internamente sabia que não era tão simples, pois o fato de sair sem avisar eu teria de enfrentar mais uma inconstância no humor de Christian.

– Bella qual é, vamos, só uma saída de amigas, a tempos que você não sabe o que é isso. Talvez uma saída rápida não faria mal algum.

– Tudo bem, agora devolve meu celular.

– Não, hoje você está sendo raptada, seu celular fica e seu Mac também. Ela fechou meu computador e o levou a seu quarto.

Christian mantinha-se diferente, porém eu estava vendo um certo progresso em seu modo de agir, e isso me dava esperanças, porém eu cedia a seu modo controlador por saber que era uma forma de doma-lo aos poucos. Queria conseguir vencer essa luta.

O passeio estava como de habitual, Kate e suas compras, de inicio estava apreensiva e tensa, mas com o passar das horas fiquei mais tranquila. Depois de comprar decidimos tomar uma cerveja com batatas, sentamos na praça de alimentação quando Jacob apareceu com José.

– Olá meninas, o que fazem perdidas por aqui?

– Só compras. – Kate respondeu. Meu coração acelerou, Christian iria ficar uma fera, eu não avisei, e estando com Jake e José era bem provável que demorássemos mais agora.

– E você Bella, seu dono deixou você sair? – José fez uma brincadeira, mas senti o tom de sarcasmo nas palavras.

– Às vezes ele me solta para passear. – respondi igualmente irônica.

– Que nada tive que fazer uma intervenção e raptei Bella. — Todos riam, mas a brincadeira tornou-se assunto sério.

– Bella você tem que se livrar deste homem, ele não te faz bem. – Jacob não sabia nem da metade.

– Vocês não entendem ele é somente super-protetor.

– Super protetor e controlador. – José completou. Quando estava entre meus amigos sabia que eles tinham razão, mas algo me puxava para Christian.

– Vocês não o conhecem como eu. — Falei .

– Queridinha se o bofe te prende assim ele tem que ter um atributo muito poderoso, é o dinheiro?- José falou.

– Bella não é assim José, não fale o que não sabe. — Jake revidou sério repreendendo o amigo.

– Desculpa, então é o sexo? Está ai o Bofe é bom de cama.

– Eu não sei tudo bem. — Me irritei. — Eu gosto dele e pronto vocês são exagerados.

Logo que cheguei em casa deixei as sacolas na mesa de qualquer jeito.

– Kate me devolve minhas coisas. — Falei rispidamente.

– Calma Bella. — Ela foi em direção ao seu quarto e voltou com meu celular em mãos.

– Vejo que o senhor controlador, está ansioso, ele te ligou muito. Caralho!

– Me de aqui Kate. Peguei o Iphone vendo várias ligações, e-mails e mensagens.

“Você não esta me atendendo, pense nas consequências.” Christian sabia ser amedrontador em uma simples mensagem. Tratei de ligar para ele.

“Isabella” — A voz carregada de preocupação de terror do outro lado da linha.

– Christian.

“Só esperava saber quando ia realmente resolver me ligar, como foi o passeio?"

– Foi bom. – Christian sabia meus passos sempre.

“Você e Kate divertiram-se? Não podia esconder nada, sabia que ele estava a um passo de mim.

– Encontramos Jake e José, tomamos uma cerveja e comemos batata frita, tudo normal.

“Isabella você vai descer agora, James a espera em frente ao seu prédio, você vai vir aqui agora.”

– Mas não é fim de semana! Amanhã tenho trabalho e está tarde.

" Não é fim de semana eu sei, mais preciso te ver."

Vários tipos de medo me invadiam, esperar até o fim de semana o daria tempo para acalmar-se, hoje, no entanto ele estaria furioso.

– Tudo bem. — Respondi ao telefone.

Desliguei o telefone e peguei as chaves do apartamento.

– Onde vai?

– Vou ver Christian. – Respondi nervosa a Kate.

– Ele ficou bravo de você sair hoje?- Ela falou com calma tomando um copo de água.

– Não Kate, o que acha? Eu não avisei onde ia, não levei celular e fiquei incomunicável sem atender as milhares de ligações dele, não acho que ele não está bravo! Claro que está, vou lá falar com ele e resolver isso, não se preocupe.

– Não me preocupar? Como? Você esta branca além do normal, o que vai fazer lá?

–Conversar!

– Só isso?

– Só, por que?

– Bella olhe aqui, se ele te fizer mal, não somente fisicamente, se ele ousar te ferir com palavras ofensiva... Aí dele se encostar um dedo em você, eu acabo com a reputação dele no jornal e ainda o mato.

– Kate calma, vamos somente conversar.

Entrei naRange Rovere James nem me cumprimentou, Christian devia ter descontado nele a sua ira. Chegamos ao prédio e entrei no elevador sentindo o suor se acumular em minhas mãos. Ao entrar no apartamento ele me recepcionou com um beijo. O que de cara me espantou.

– Venha jante comigo. — Sentei-me ao seu lado direto na mesa.

– Calma querida, você está pálida, vamos conversar primeiro e se alimentar.

– Está muito bravo? — Tentei soar divertida, mais ele me encarou sério.

– Isabella, você me irritou muito, pior fiquei preocupado. Primeiro você não me avisou que ia sair, explique-se.

–Kate não deixou, ela pegou meu celular...

– Como? Ela manda em você agora?

– Não.

– Isabella, desde que te conheci, você me intriga, você se recusa a ser dominada, mas cede, e uma simples amiga a obriga a fazer algo, você é dominada por ela?

– Não, ela não me domina, é uma amiga e eu faço favores a amigos, você nem sabe o que é amizade. Observei seu olhar e ele se enraiveceu mais.

– Hoje você deixou de fazer tantas coisas por culpa de quem? Da senhorita Katherine, ela te domina sim, você não respondeu minhas ligações e mensagens porque estava sem o telefone, porque a Kate o tomou,

–Desculpa ok, essas coisas acontecem.

– Agora não é hora para se desculpar, vamos, coma depois conversamos com mais calma.

Sentia náuseas e não comi, Christian retirou-se e foi ao escritório, atender uma ligação, eu estava nervosa, poderíamos conversar outra hora, eu estava nervosa então assim que ele saiu do escritório eu fui logo em sua direção tentando soar autoritária.

– Então quer conversar agora vamos conversar, você é um controlador irritante!

– Você me desafia assim e ainda quer ter razão, se eu não tivesse mandado o James atrás de você eu nem saberia onde estava...

– Viu... Agora me diga que namorado sem ser controlador ao extremo faria isso? Vai a merda com esse controle..

Ele agarrou maus braços com força, eu vi fúria em seu olhar, jamais o tinha visto assim, mil imagens me passaram pela mente.

– Olha aqui você é minha namorada me deve respeito..

– Sua namorada não sua propriedade, me solta!

Ele me soltou

– Você deveria agradecer eu te ofereço o céu.

– Pega esse céu e vá a merda. — Gritei.

Ele neste instante levantou a mão como se fosse para me bater, minha mente foi invadida pela lembrança que me assombrava de meu pai e minha mãe, as constantes brigas, e o dia que eu presenciei uma delas e vi a cena mais terrível da memoria de uma criança. As mãos de meu pai chegando a face delicada de minha mãe.

A raiva me invadiu.

– Você é um filho da puta desgraçado, nunca vai encostar em mim. Não há como se viver assim, foi bom experimentar mas eu jamais vou ser humilhada assim.

Fiquei cara a cara com ele, seus olhos eram de pura raiva, porém ele nada disse então ousei falar mais.

– Vamos ouse fazer isso pois eu te juro que vai se arrepender. — Ele ficou ali com a mão estendida em minha direção e como nada mais foi dito eu virei em direção a porta.

– Isabella espere. — Ele segurou meu braço novamente com força.

– O que foi Christian, não foi o suficiente? Esse tempo juntos eu achei que havia feito um progresso, mas não, você é um louco controlador, e usa a desculpa de não saber como lidar com relacionamentos, mais é tudo uma fachada para dominar todos a sua volta. Você jamais irá se livrar disso está em você arraigado como uma doença.

– Não imaginei que fosse ruim a este ponto.

– Porque? Porque precisa disto?

– Porque eu sou assim. Merda.

– Você se excita com isto? Controle é seu estimulo?

– Claro, para mim é excitante é gratificante. Ter o controle de tudo dominar a situação é minha vida.

Não sabia como agir, nem o que falar.

– Christian eu não quero isso, acabou me esqueça me deixe viver a minha vida!

Ele soltou meu braço, sai de lá batendo a porta em frente ao prédio chamei um taxi.

Cheguei em casa e Kate me esperava acordada.

– O que houve Bella? você está chorando!

– Acabou. Só disse isso e fui ao me quarto. Deixei toda dor vir, eu estava realmente desapontada que eu não consegui mudar Christian me doeu ter que terminar tudo, mas era preciso.

Durante o resto da semana fui trabalhar e quando chegava em casa trancava-me em meu quarto, estava desolada, Christian me fazia falta de uma forma que eu não imaginava que faria.

Tudo era convidativo, seus olhos sua fragilidade, seus jogos na cama, as sensações novas, estava tudo embrulhado em um pacote alto lindo e de belos olhos azuis, mas ele tinha um preço, e um preço ao qual que não estava disposta a pagar.