Cinquenta Tons De Medo - Diário de uma vida dupla
6 Capítulo 6- Príncipes encantados não existem
Notas iniciais
Príncipes encantados, não existem
O fim de semana foi o mais vazio desde que o conheci. Sabia que o dia estava passando lá fora porém eu só queria ficar deitada lembrando de cada momento, assim como foi na morte de minha mãe eu evitava pensar nas coisas ruins e tentava focar em cada momento bom, de certa forma não foi de todo ruim.
Christian tinha um problema e eu não podia enfrentar ele, não quando em mim vivia a sede por liberdade.
O Sábado passou eu somente levantei duas vezes, uma vez para ir ao banheiro e outra eu me deparei com Kate na cozinha fazendo torradas, eu ignorei o cheiro de ovos mexidos e somente peguei uma água.
Sabia que a culpa não era dela, minha amiga somente fez o que achou certo, mas não queria papo, assim evitaria qualquer discussão onde eu pudesse falar algo desagradável.
Domingo era mais um dia que eu teria de enfrentar, levantei e com meus pés arrastados pela parte que me dizia que eu tinha que tocar para frente, me fez caminhar até a sala, Kate estava sentada assistindo algum filme, nem notei que a hora estava avançada, somente andei até a geladeira abri o congelador pegando um pote de sorvete, na pia duas colheres e voltei caminhando até o sofá desabando meu corpo ao seu lado.
Sem olhar em minha direção Kate pegou uma das colheres em minha mão, assim que colocamos as duas dentro do pote sorrimos uma para outra como se hoje a cena estivesse invertida.
Deitei minha cabeça no ombro de minha amiga e fiquei deixando que as imagens na tela da tv invadissem a minha mente abarrotada de imagens de Christian.
Meu celular vibrou, eu o peguei rapidamente porém se tratava de uma ligação de um número desconhecido, me tirou de minha depressão.
– Isabella é a Mia, podemos nos ver? — Estranhei a ligação mais combinei com a irmã de Christian de encontrá-la em uma cafeteria.
–Vai sair?
–Sim, vou ver Mia.
–A irmã do seu ex? — As sobrancelhas de Kate se levantaram.
–Sim, quer conversar.
– Já vi esse filme, tome cuidado.
–Tudo bem, eu tomarei.
–E Bella... Me desculpe por...
–Não Kate, sem desculpas para algo que era inevitável em algum momento.
Sai do apartamento contente em deixar a minha amiga com um sorriso no rosto.
Assim que cheguei ao Café Mia estava sentada em uma das mesas próxima a janela.
– Oi Mia!
– Isabella! – Ela era animada, sorridente o contraste de Christian, ela levantou-se e me abraçou forte.
– O que foi? — Perguntei sem rodeios, pois ela resolveu me ligar havia algo errado.
– Bella, é Christian, sabe meu irmão não é muito de se abrir e nunca foi de demonstrar sentimentos, mais ele está mal.
– Mia, é complicado de mais.
– Eu sei como Tim é, mas dentro daquela armadura dura, tem um coração, ele só não sabe como demonstrar.
–Tim?
–Sim. — Ela sorriu. — Eu sou a única que ele deixou colocar um apelido.
Ver esse lado de Christian não me ajudava em minha decisão, eu não sabia exatamente o que sentia por ele, mais sabia que sentia algo muito forte a ponto de me fazer querer estar com ele.
–Mia não posso aceitar voltar e Christian vai ter que entender
– Sabe que ele viu a mãe dele ser morta?
– Não! Ele não é muito de se abrir.
–Não posso me intrometer no que não me diz respeito, mas só digo que não foi algo bonito de um garotinho se ver, ele demorou anos a se recuperar dizem que foi somente depois que eu nasci que ele melhorou um pouco e acho que minha mãe teve um papel importante nisso. Bella se ele conseguiu controlar a vida dele depois de anos foi por aprender a ser como é.
–Porém, Mia eu não posso aceitar que ele me controle como uma propriedade.
– Posso te entender, mais olha ele não se abre a ninguém e se eu te falar que me espantou ele vir até nossa casa ontem e pedir para conversar sobre esse assunto comigo, Tin está mudando e vi que você é responsável por isso.
–Não posso ser responsável por isso, é muita coisa.
– Pense bem.
– Pensarei, mas não prometo nada.
Por mais que ela insistisse eu não cedi. Era ridículo, iria contra tudo que eu acreditava. Christian foi uma experiência, foi boa enquanto durou, mas não era o que eu desejava, assim como Mike isso iria passar.
Meus dias foram seguindo e meus amigos se revessavam em me manter animada, Kate, Jake e José eram as pessoas mais compreensivas que se podia ter de amigos, nenhuma pergunta foi feita, e a única coisa que trocávamos confidências eram as desilusões amorosas de Kate e José que tinham uma tendência peculiar de não achar o homem certo.
José não era aquelas gays que podia se dizer de cara sua opção sexual, seu porte atlético e seu sotaque latino poderia ser encantador , e ele era romântico, e sua tendência de se apegar a homens que só o faziam sofrer era grande.
Comecei a analisar que a ultima coisa que busquei até hoje em um relacionamento foi sentimento, e mesmo assim separar-me de Christian foi doloroso.
– Vamos parar com essa choradeira que vamos viajar.
–Como? Falei quando Kate retirou a coberta de cima de minha cabeça.
–Feriado, quatro de Julho, isso te lembra algo?
–Isso não é bem uma viagem, ir até a cidade praticamente vizinha para visitar seus pais.
–Pare de ser chata e bem, meus pais não vão estar em casa e eu preparei algo diferente para nós quatro
–Nós quatro?
–Sim, Jake, José, você e eu. — A cama balançava a cada palavra que ela proferia, isso mostrava que ela estava realmente animada com isso.
Com relutância, porém decidida que era hora de dar passos adiante me levantei.
Partimos para Port Angels, depois de lá alugamos um carro maior e mais econômico do que o opala de Jake que nos levaria até a divisa de minha antiga cidade e o Canadá, em uma pequena reserva onde alguns chalés eram alugados.
–Isso parece cenário de filme de terror. — Kate falou quando retirávamos as bolsas do carro.
–Não vai me dizer que essa é uma daquelas viagens que os amigos fazem quando a amiga esta depressiva..
–Queridinha acho que se chama intervenção, e é basicamente isso.
José falou passando por mim entrando no chalé.
As paredes de estilo rústico, a lareira, tudo era tão aconchegante, mesmo estando em Julho o calor raramente chegava a essa região o que nos fez ligar a lareira a noite.
–Lembra-se do dia que Mike aquele babaca chegou em uma festa da fraternidade com aquela morena a Karen acho. — Jake falou dando de ombros dando um gole na cerveja
–Qual é! Lembranças boas pelo amor de Deus! — Falei depois de sentir o gosto amargo e revigorante da cerveja descer pela garganta.
– Nenhuma intervenção é completa se não lembrarmos as vergonhas de nossa vida! Vamos lembram-se? — Jake insistia.
–Claro que lembro, foi um babaca idiota, a gente mal terminou e ele estava lá com a karen cheia de silicone. — Falei estampando a minha vergonha.
–Então o ponto que Jake quer chegar querida é esse, Mike foi um babaca Christian é um babaca todos os homens são uns babacas!
–Ei, eu não sou um babaca. -Jake se defendeu.
–Viu o que eu disse, todos são. — José frisou novamente e vi que o clima de pontadas iria começar ali.
O estouro de fogos nos tomou atenção durante a gargalhada múltipla de todos.
–Vamos começou. -Kate falou animada.
A paisagem mesmo a noite era linda, os fogos não eram tão intensos como na cidade, mas fizeram um show, não pude evitar o pensamento que me levava a Christian, onde ele passava seus feriados, com sua família? E será que ele como Mike já estava arrumando uma substituta?
Eu queria eliminar tais pensamentos, isso poderia não me afetar, assim como Mike nunca me afetou, porém isso era complicado agora com Christian.
– Querida tudo vai dar certo, o que tem de ser será.
– Que frase mais horrível José. — Seu braço enlaçou ao redor de meus ombros.
–É pode ser, mais reconforta as vezes que penso em minha situação e no que eu sinto.
Ele olhou para Jake que preparava uma bateria de fogos para estourar.
–Sei exatamente o que você quer dizer. — Deixei que minha cabeça pendesse em seu ombro e ficamos ali observando os fogos.
Voltar para casa e para rotina não foi tão difícil com o apoio desses três.
A primeira semana passou, eu me atolei tanto com trabalhos que exigi de Josh, me impus dizendo que eu queria trabalhar tanto quanto qualquer um de meus colegas editores.
A segunda semana eu já estava saindo as compras, e na terceira já estava mais sorridente e menos depressiva.
Já estava completando um mês que terminei com Christian quando Jacob veio ao meu apartamento com uma notícia.
– Bella meu pai faleceu.
. – Jacob isto é horrível.- Abracei meu amigo de infância, imagens de nós dois em seu quintal me vieram a mente.
– Bella, vou viajar para Forks . Você pode vir também? — Pensei por um instante na minha situação financeira, mas eu não poderia abandonar meu amigo assim.
–Claro, vou somente resolver minhas coisas.
Eu estava apertada nas economias, então vesti rapidamente um Jeans, isso não era o habitual para se trabalhar, mas eu precisava correr, coloquei as botas de chuva, o dia estava nublado, uma camisa e um casaco, o verão em Seatlle não significava dias quentes.
Caminhei apressadamente até a editora.
–Avise Josh que eu preciso falar com ele. — Falei a secretária que eu nem lembrava o nome, pois raras vezes tive que me dirigir a ela, ela pegou o telefone e depois de proferir algumas palavras me mandou entrar.
–Josh, eu preciso me ausentar uns dias, e se possível um adiantamento, um amigo próximo de minha família veio a falecer.
Os olhos de Josh se estreitaram ele, encarou o telefone sua boca ficou em uma linha reta.
–Vou ver alguns trâmites e já te dou a resposta senhorita Swan.
Me intrigou a sua reação, mais concordei, e me direcionei a minha sala.
Eu me senti mal por não estar em trajes de trabalho, porém decidi colocar algumas de minhas obrigações em dia, isso não deixaria nada acumulado para o dia que eu voltasse, se Josh me desse esses dias.
O telefone em minha mesa Soou.
– Senhorita Swan, pode vir a minha sala. — Era a voz de Josh, ele parecia tranquilo, meus ombros cederam , foi só ali que percebi que estava tensa.
Assim que abri a porta de minha sala me deparei com Christian, era o mesmo imponente senhor de negócios, entretanto ele estava com olheiras visíveis.
–Isabella, quer dizer olá senhorita Swan. — Sua voz suave me fez ter lembranças.
–Olá Christian, acho que depois de tudo podemos nos tratar ainda com intimidade não acha?
Tentei soar casual, mais eu estava derretendo em emoções dentro de mim, ele estava visivelmente sofrendo e isso estava estampado em sua face.
–Acho que sim, Isabella, por essa intimidade posso perguntar porque da pressa?
Relutei, será que eu poderia contar a ele? Bem era somente um ex , tivemos uma relação intensa sim, mas não isentava do fato que fomos íntimos.
–O pai de Jacob, ele veio a falecer, estou indo a sala de Josh, ele ficou de verificar se pode me liberar uns dias para viajar ate Forks.
–Posso te ajudar de alguma forma? — Suas palavras foram sinceras, se havia uma coisa que notei nesse tempo com Christian era que ele não media esforços em ajudar as pessoas com quem tinha intimidade, desde Tanya e seu livro a seus irmãos quando o ligavam. Porém eu não poderia usar disso.
– Não precisa.
– Eu quero, eu posso, eu tenho a minha disposição recursos, somente como amigo aceite.
Sabia que era estupidez recusar, ele estava oferecendo, mas aceitar coisas de Christian era como fazer pacto com o diabo.
Mas vê-lo ali vulnerável em uma posição que não cabia a ele, eu não pude recusar.
Jacob nem ligou em viajar na companhia de Austin, ele estava muito abalado, amparei meu amigo no que pude.
Chegando a Forks, era como estar em uma máquina do tempo, a cidade sempre era a mesma, as madeireiras, as estradas, a floresta que se estendia ate a divisa do Canadá.
Não pude evitar em descrever vários lugares a Christian, ele estava confortável com a situação, seu sorriso demostrava que estava animado com essa viajem mesmo que ela fosse destino a um funeral, não era essa expressão que seu rosto demonstrava.
Chegamos primeiro a casa de meu pai. queria deixar as malas,
_Pai! — Falei ao entrar pela porta destrancada que dava acesso a sala principal.
_Bella. — Meu pai era durão no entanto estava sofrendo muito, Billie era seu melhor amigo.
Seu abraço forte e sem muita emoção estava hoje mais acolhedor, não poderia saber se era a dor da perda que o deixava assim, ou estar muito tempo longe dele o fez realmente demostrar um pouco de afeto.
_Jacob, meus sentimentos Garoto. — Meu pai somente segurou a mão dele, seria demais pedir um abraço. — E quem é seu amigo? — Ele perguntou apontando para Christian.
_Pai este é Christian Grey, Um...amigo realmente. — Christian fez tudo ficar rápido o bastante para que Jake pudesse estar em sua cidade.
– Prazer senhor Swan.- Vi o olhar de dúvida de meu pai, ele ficou processando algo em sua mente
– Bem, vamos levar jake pai, e logo voltamos. Deixei minhas malas em meu antigo quarto, suspirei lembrando que fazia muito tempo depois da minha ultima visita.
Fomos até a Antiga casa de Jacob o deixamos, Sue esposa e agora viúva de seu pai estava preparando o enterro e tudo, como não gostava destas coisas voltei a casa de meu pai para um banho e me preparar para o velório e o enterro.
Christian se deu muito bem com meu pai, os dois tinham ideias e conceitos parecidos em algumas coisas.
Sai do Banho secando meu cabelo na toalha, e ouvi parte da conversa.
–Então eu não estava enganado, é o mesmo Grey dono das empresas de madeireira.
– Bem, a companhia de meu pai é uma das investidoras.
– Uma das? Está sendo modesto senhor Grey, se não fosse a Grey's Interprise, eu acho que essa cidade estaria falida.
A voz de admiração de meu pai para com Christian me irritava.
– Senhor Swan pode me chamar de Christian.
– Sim você deve ter idade para ser meu filho, não é certo te chamar de senhor mesmo, mas só você Christian que cuida dos negócios da família?
– Meu irmão mais velho, vamos dizer que nunca se interessou Elliot gosta mais da área de turismo, minha irmã mais nova, bem é muito nova para cuidar dos negócios, o que deixou meu pai com a única opção, o filho do meio.
Aquela conversa estava de longe mais reveladora do que qualquer conversa que eu já tivera com Austin, pensei em ficar ali escutando mais e descobrindo detalhes que eu nunca tive acesso, porém deveríamos nos apressar para o enterro.
Sequei meus cabelos e desci, consegui pegar Christian e meu pai gargalhando, Christian aparentava mais jovem do que sempre se mostrava, seus dentes brancos e suas covinhas eram um charme a parte.
Sorri para ele assim que ele se virou em minha direção.
–Isabella, como você consegue ficar linda mesmo em um vestido de funeral.
Eu sempre recebi elogios dele, mas esse de certa forma foi tão espontâneo.
Fomos até casa de Sue, estava cheia, encontrei muitos conhecidos, entre eles Mike também tinha vindo de Seatlle, a família dele era próxima de Billie também.
– Bella, quanto tempo.
– Um pouco, andava ocupada. Novo emprego.
– Vi as noticias e você e o tal de Grey, ainda estão juntos?
– Não, mais não foi relatado ainda, desta vez a Imprensa não foi tão rápida.
Mike olhou na direção de Grey sem entender.
– Mais trouxe ele a sua cidade natal?
–Ele veio como amigo.
Percebi que Christian não estava gostando de minha conversa com Mike, mais ele não tinha nada a ver comigo, no entanto eu ainda sentia-me ligada a ele.
Depois de uma longa noite no velório, o enterro foi pela manhã, sentia-me esgotada.
Novamente a casa de meu pai tentei descansar um pouco, mais duas batidas na porta me interromperam.
Era meu pai, ele havia arrumado o quarto de hospedes para Christian.
– Filha, Christian e você? É um tipo de relacionamento, foi o que o Garoto Newton aquele com quem você foi embora falava.
–Eu não fui embora com ele, todos juntos Jacob, Mike e eu fomos a Seatlle para estudar.
–Tudo bem, mas o caso é que os comentários dele no enterro eram que você e Christian tem um relacionamento.
– Tínhamos, agora somos somente amigos. — Era uma palavra vaga, será que alguém poderia ser amiga de Grey?
– Filha ele é um Homem bom e sabe. pode te dar uma boa vida.
– Sei pai, você quer dizer rico! — Meu pai não perdia a oportunidade de me ver bem com alguém que poderia me dar uma boa vida.
– Não é somente isso, ele me disse de suas intenções ele gosta de você filha, mais nós homens não sabemos como expressar nossos sentimentos.
– Pai, com Christian é complicado.
– E você o que sente por ele?
– É complicado, eu sinto alguma coisa, há nele uma parte que eu sinto falta e outra não.
– Filha, nunca é perfeito, não iluda-se, príncipes encantados não existem.
Será que meu pai tinha razão valia a pena tentar com Christian, perfeito ninguém é e eu gostava de jogar e ter esta vida, o que eu não aceitava muito bem era ser prisioneira, talvez ele entendesse isso.
Levantei já era quase hora do almoço me deparando com um Christian diferente, ele vestia uma calça jeans e camiseta polo, estava confortável e a vontade.
Ele me encarou e eu tive certeza de que estava horrível.
– Vou escovar meus cabelos. — Ia dando meia volta quando ele segurou meu braço.
– Bella...- Ele apertou os olhos firme e depois me encarou. — Sinto sua falta.
– Também sinto Christian, quer dar uma volta antes do almoço?
– Pode ser.
Coloquei uma roupa confortável, peguei meu casaco, Christian abriu a porta da frente como cavaleiro, andamos a pé, até chegarmos próximos a uma trilha que eu costumava brincar com Jacob em minha infância.
– Sabe que o motivo porque não damos certo não sabe?
Falei quebrando o silêncio.
– Eu não sei me relacionar de outra forma Bella.
– Porque? Qual a necessidade de sentir esse controle?
– Você gostava de certas coisas.
– Sim, sei que você me protege, de certa forma nós nos divertimos, você me mostrou tantas coisas e sensações novas.
– Nunca senti o que sinto com você por nenhuma outra mulher.
– Eu não gosto de ser controlada Christian.
– Acho que é isso mesmo que foi meu erro, eu atravessei uma linha, uma linha que eu mesmo havia traçado.
– Do que você foge?
– Sentimento, falta de controle, perda... Eu não sei perder.
– Acho que você está errado, relacionamentos são baseados em sentimentos sempre.
– Como sabe disso? Você já teve isso? — Ele me conhecia bem mais que eu própria, quem era eu para falar de entrega e sentimento? O único namoro que tive foi Mike e o motivo principal de nos envolvermos foi para afrontar meu pai.
– Você tem razão somos mais parecidos do que imaginamos.
O silencio permaneceu até chegarmos próximo a praia de pedras que era banhada pelo oceano Pacífico, as ondas estavam agitadas lembrei de quando era mais nova e gostava de procurar as pedras coloridas.
– Não sei o que fazer, pela primeira vez eu estou sem um planejamento.
–Bem vindo ao mundo das pessoas normais. — Falei observando uma pedra vermelha, me abaixei e peguei nas mãos.
– Se eu dissesse que estava disposto a tentar, abdicar de toda minha obsessão por controle o que você diria?
– Não sei, realmente eu não sei.
O silencio que predominou entre nós foi o cúmplice de minha indecisão.
Voltamos próximo ao horário do jantar, resolvi cozinhar para distrair minha cabeça e para relembrar meus tempos aqui com meu pai, ver Christian ali vulnerável , interagindo com meu pai, fazia ver aquele Christian que me beijou que dormia comigo, aquele que me seduzia, aquele possível tapa, aquela briga era algo distante.
"O que eu estava pensando? Eu não nasci para ser controlada. Tentei colocar as idéias que rondavam minha mente para longe, jamais daria certo alguma coisa entre Christian e eu. "
Sai um pouco para fora enquanto o frango assava, pensando em tudo, valia a pena gostar de alguém que não é totalmente certo para você, valia a pena?
Escutei a porta se abrir e fechar, escutei os paços largos de Christian.
– Bella, desculpe-me. Eu não deveria ter vindo, é melhor eu ir, desculpe-me por ter feito você passar por tudo aquilo.
– Christian tudo bem isso já passou.
– Jamais devia ter erguido a mão para você, jamais deveria ter tentado te controlar, mas você me enlouquece, e a forma que te quero...
Seu desespero era visível a euforia em suas palavras.
– E como você me quer Christian? — Encarei seus olhos azuis e ficava difícil pensar com ele ali tão próximo.
Nossos lábios encontraram-se e sentia novamente a sensação elétrica dele, Christian Grey mexia sim comigo de uma forma doentia, meu pai tinha razão príncipes encantados não existem.
Não poderia se dizer que sentia algo terno, mais era sufocante e extremo, em seus braços sentia o calor que emanava de seus poros, a intensidade dele podia ser sentida facilmente em um simples beijo.
Podia se esquecer de tudo em um simples contato, Christian cheirava a perigo e emoção, sabia não ser uma relação saudável, no entanto alguma coisa sentia por ele isso não podia ser negado, e sabia que ele gostava de mim, restava saber o quanto ele gostava e quanto ele estava disposto a ceder por mim.
Quando o ar foi necessário Christian encarou meus olhos, eram intensos e estavam muito claros. Luxúria, paixão? Eu não conseguia decifrar.
– Bella sabe o que sinto por você, e sabe que é difícil eu demonstrar, entenda e me perdoe. Eu posso ser melhor, eu passei o inferno esse mês.
Vi sinceridade em seus olhos, ele estava tentando mudar, mais valia a pena levar o pacote todo, a sua obsessão, sua dominação ao extremo?
Segurei em sua mão e encarei seus olhos firme
– Podemos nos dar mais uma chance! — Imediatamente sua fisionomia se iluminou, entramos de mãos dadas, e eu sabia que travaria mais uma luta.
–Isabella eu... Eu te amo.
Aquelas palavras me deixaram sem chão eu não tinha certeza de meus sentimentos porém deixa-lo ali no vácuo era algo que me incomodava eu não falei ao certo, mas dei a entender que sentia algo que nem eu tinha certeza.
– Acho que de uma forma estranha e diferente eu também Christian.
Entramos de mãos dadas eu me direcionei novamente a cozinha terminar o jantar enquanto meu pai tentava impressionar Christian. Porém o olhar dele era desviado em minha direção a todo momento.
As visitas chegaram e mais uma vez me surpreendi com a atitude de Christian ele foi muito educado com Jacob.
Na mesa do Jantar estavam meu pai, Jacob e sua mãe, Christian e eu, as conversas se mantinham leves, até que depois de todos comerem recolhi os pratos e trouxe mais vinho, sentei depois de servir a todos.
– Senhor Swan. — Sei que fui apresentado como amigo, mais como disse minhas intenções com Isabella são as melhores espero que ela me faça melhor, quero aproveitar a oportunidade de pedir a Bella em casamento.
Christian abriu uma Caixa um anel, quando ele comprou isso? E já estava planejando?
O diamante reluzia e chamou atenção de todos, eu mesma fiquei maravilhada, mas eu sabia o que isso significava
Christian sabia como manipular uma situação. Minha mente começou a trabalhar, lembrei da hora que fui falar com Josh, ele ficou nervoso com o meu pedido e olhou para o telefone, depois a forma que Christian apareceu na editora, na hora estava tão eufórica e preocupada com Jacob que isso passou desapercebido.
Christian foi avisado, sim Josh era um dos seus insubordinados, ele seguia as suas ordens. Christian planejou isso, ele somente estava a espera da oportunidade.
Ele esperou o momento certo assim como nos negócios ele esperou a poeira baixar ele foi astuto ele preparou o terreno e depois fez sua jogada.
O que eu ia dizer diante deste pedido em frente ao meu pai e as visitas? Eu não tinha nenhuma alternativa
– Sim... Foi o que eu disse.
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