Cinquenta Tons De Medo - Diário de uma vida dupla
11 Capítulo 11- O Plano
Notas iniciais
O Plano
Levantei pela manha senti minha cabeça latejando, caminhei lentamente para o banheiro, deixei que a agua quente relaxasse meus músculos doloridos e cansados, olhei para meu Braço, pontos arroxeados, toquei com as pontas dos dedos o local e estava dolorido.
Desliguei agua me enrolando na toalha, cheguei em frente ao espelho e encarei meu reflexo, meus olhos estavam fundos, as pequenas olheiras em baixo de meus olhos não se comparavam com a pequena marca que seguia logo abaixo do olho direito, minha pele clara deixava as marcas piores do que eram realmente , porém isso não diminuiu eu ódio por Christian a repudia que senti.
Abri a minha nécessaire busquei a base e o corretivo tentando com a maquiagem dar uma disfarçada na marca, a minha raiva só me impulsionava a manter meu plano em mente.
Coloquei um batom mais escuro dando um destaque em meus lábios para não dar foco a marca.
Encarei o reflexo no espelho, abatido triste, vulnerável, era a personificação de tudo que eu lutei e desejei manter longe de minha vida.
Eu queria liberdade, a busquei mesmo sem sentir quando acompanhei minha mãe em sua fuga de meu pai, quando ela abandou aquela vida, depois voltei a busca da liberdade saindo de Forks novamente, quando cheguei a Seatlle, era esse meu objetivo, liberdade, e o que eu realmente encontrei depois de anos fora Christian Grey, e tudo menos essa liberdade fora o que consegui.
fechei brevemente meus olhos, espirando o ar para meus pulmões, sentindo toda a força que queria, assim que os abri novamente, o reflexo me mostrava a decisão firme em meus olhos, era a liberdade que eu buscava, então seria a liberdade meu novo objetivo.
Vestida como sempre para um dia de trabalho, sai de meu quarto seguindo para escada, cada degrau me trazia mais força em minha decisão.
_Bom dia.- cumprimentei Christian como se nada tivesse acontecido. Sentei no meu lugar a mesa
_Bom dia Senhora Grey, hoje estamos de melhor humor?
_Sempre estive de bom humor senhor Grey
Comecei meu café, e ele encarava cada gesto, observei ele olhar fixamente para meu rosto.
–Podemos ver a sua agenda?
–Certamente-Ali estava o começo de meu plano, rapidamente antes de envia-la ao e mail de Christian eu editei um dos horários- Enviada
–Vai ver Jacob novamente- si seus olhos se erguerem em minha direção frustrado
–Esqueceu, é sobre as fotos de nosso aniversário, quero selecionar logo as melhores para o álbum, e alguns quadros novos.
–É realmente não lembrei que poderias ser tão rápido assim?
–Tecnologia -levantei um sorriso tentando disfarçar meu real estado de espirito naquele momento.
–Interessante, vejamos e Rick?
–Ele vai no meu carro, meus braços estão um pouco doloridos para dirigir, assim ele pega o carro dele no caminho.
Vi o exato momento em que a simples menção de meus braços doloridos fez seu maxilar se trincar.
–Boa ideia, e você quer falar sobre ontem?
–Christian a decisão é sua, por mim eu não falaria de uma bêbada chegando em casa.
–Tem razão, podemos não falar de ontem e você pode me perdoar pela minha falha.
Por dentro estava roendo de raiva, jamais esqueceria daquela agressão, mas eu não podia deixa-lo desconfiar de nada que estava planejando, então decidi ser gentil.
_Tudo bem Christian
Senti o alivio em seu rosto, Christian levantou-se e veio em minha direção, senti a ponta de seus dedos alisando a região em que estava dolorida, ele se debruçou sobre mim e seu lábios tocaram os meus, beijou-me, por mais que a quatro anos eu gostasse deste beijo, aquele estava sendo nojento e repugnante, a imagem da briga não era tirada de minha mente. a sensação de impotência diante da sua força, ele me jogando na poltrona, era só isso que eu pensava agora.
–Bella, depois que voltar, quero te recompensar, poderíamos ter uma noite bem agradável.
Aquilo não era uma pergunta e sim uma afirmação, minha intimidade pulsava de desejo imaginando as sensações, mas sabia que era uma mascara e que não me completava por inteiro.
Fui no banco do passageiro, durante o caminho evitei encarar Rick o segurança, fiquei tentando imaginar como iria despistar ele durante a ação do meu plano, nada poderia dar errado, tudo deveria ser arquitetado de forma minuciosa, Christian sempre estava um paço a minha Frente
Assim que ele estacionou meu carro ao lado do dele próximo a Boate, passei para o banco do motorista, o caminho tranquilo e com o fluxo de transito fluindo eu cheguei adiantada na Editora estacionei em minha vaga de sempre.
Entrei na Editora caminhando como sempre, cada paço firme e decidido, olhei ao redor buscado quem poderia me ajudar na primeira parte de meu plano.
Avistei Seth, um dos novos auxiliares, geralmente eles trabalhavam , nas entregas pagamentos de contas, serviços desse gênero em geral, caminhei na direção do garoto discretamente para ninguém desconfiaria.
–Seth, pode me acompanhar a minha sala.
_Sim Senhora Grey.
Coloquei a mão na maçaneta estreitei os olhos ao redor, Rike não havia entrado, deveria ter ficado em seu carro, abri a porta e entrei seguida por Seth, não fiquei de rodeios e fui direto ao assunto.
–Seth, quero te pedir algo, e te pago bem para você ficar de boca fechada, estou preparando uma surpresa para meu marido, e preciso de descrição, posso contar com você?
–Sim Claro.
Retirei de minha carteira uma grande quantidade em dinheiro e a depositando nas mãos de Seth.
–Vá até a loja da esquina e me compre um celular descartável, e me traga aqui, o troco é seu.
–Senhora aqueles aparelhos são baratos, aqui tem muito dinheiro.
–Swth, de onde veio este vem mais, então descrição.
O garoto saiu animado, um sorriso brotou em meus lábios e a tensão se formava a medida que os minutos passavam.
Depois de uma espera curta porém torturante, A porta de meu escritório foi aberta sem aviso, olhei na direção de Seth, ele segurava uma sacola.
–Deu certo?
–Esta aqui o que me pediu Senhora Grey
Temor, apreensão e expectativa, eu estava cheia de emoções conflitantes, entretanto uma coisa eu tinha plena certeza, o primeiro paço foi dado, resta seguir com o plano.
Assim que Seth saiu, contente com a quantidade de dinheiro que lhe dei por um simples trabalho, abri o celular descartável, e imediatamente dedilhei os botões com o numero já conhecido.
"Jacob Black"- Sua voz soou mais formal diante do numero desconhecido.
–Jacob sou eu Isabella.
–Bella?! O que ouve?
–Olha estou em um celular descartável, ele vai durar poucos dias, mas não posso andar com ele.
–Vai me explicar direito isso?
–Preciso de sua ajuda, posso falar agora?
–Só um minuto, estou com um cliente.
Escutei o abafar do telefone, alguns chiados e movimentos.
–Pode Falar Bella.
–Jacob eu preciso de sua ajuda, Preciso de uma lista de coisas.
–Bella você pode me explicar melhor isso?
–Hoje vamos nos ver a tarde e eu te explico direito
–Bella, eu estou com a agenda lotada por favor pode me adiantar
–Jake você disse que se eu resolvesse deixar Christian você me ajudaria
Um silêncio por algum tempo ocupou a linha
–Você tem certeza disso? Sabe que não vai ser fácil
–Eu sei, eu mesma sempre te disse isso, porém, eu tenho um plano, por isso preciso de sua ajuda.
–Que horas podemos nos ver
–Em minha agenda está as três da tarde
–Mas que merda Bella, olha vou remanejar meus compromissos, as Três estarei no Bolevar Café.
Exatamente as Três da tarde cheguei ao Bolevar café, Rick hoje estava muito distante acho que tudo que ocorreu ontem o deixou mais estranho do que já é, ele ficou no carro, o que foi um alivio.
Jake estava sentado me esperando
–Bella! — ele levantou-se envolvendo seus braços como sempre.
–Temos pouco tempo, não sei se aquele "Vigia" não virá aqui dentro,
–Se está disposta a deixar aquele.. espere o que é isso?
Jake era reparador, e por ser um ótimo fotografo ele via as coisas longes, detalhes que os outros deixavam passar, detalhes como a marca em baixo do meu olho, disfarçada com a maquiagem.
–Isso, é um dos motivos de tomara minha decisão
–Aquele desgraçado, eu te disse a anos, e repito, eu vou acabar com ele, como ousa encostar a mão em você
segurei seu pulso assim que ele fez menção de sair da mesa, Jake era impulsivo
–Não desta forma, ou pelo menos não agora, eu estou disfarçando que esta tudo bem e que o perdoei
–Bella você é louca? como vai pedir o divorcio assim? você deveria ter ido a policia, registrado queixa, faça uma separação litigiosa se você acha que ele não vai aceitar
–Isso não dá certo com Christian, ele vai usar de seus meios, além de sair com uma mão na frente e outra atrás, ele pode evitar que eu trabalhe a quilômetros de distância, pior ele jamais me deixara ir
–Problema é dinheiro? isso damos um jeito..
–Não entende, Christian é um maníaco por controle, ele invocou comigo desde o dia que recusei o beijo dele a anos atrás, depois disso e do nosso encontro eu se tornei uma obsessão na vida dele, ele esta cada dia pior, ele jamais ira aceitar que eu me vá.
–Isso eu percebi, ciúmes com o tempo o casamento ameniza, desconfianças já não são tão fortes, mas seu marido é o contrario.
–Bem entende o que eu digo?
–Sim entendo, mas então como pensa resolver isso?
–Tenho um plano todo traçado, eu vou embora Jake é a única alternativa
–Embora? Para onde?
–Não sei, a única coisa que eu tenho certeza é que eu não deverei mais ver ninguém, eu não quero colocar em risco a vida de quem eu amo, ou pior fazer cada um entrar na lista negra de Christian.
–Ele tem uma?
–Se não tem ele vai ter e eu tenho certeza que eu estarei no topo dela.
–Eu te ajudo no que for preciso, é só falar, tudo para te ver livre desse maníaco
Explicado cada ponto á Jake, eu voltei a meu carro, durante o caminho algo me veio a mente, eu não poderia me despedir de meu pai, não da forma convencional, porém, eu podia vê-lo pela ultima vez.
Assim que passei pela porta do apartamento, o sorriso de Christian se iluminou, ele deveria estar me esperando.
–Isabella, meu amor- os lábios de Christian chegaram nos meus eu fui desviar, mas não o fiz.
–Tenho algo para você ,ele estendeu uma caixa aveludada de tom bordo, levei meus dedos a pequena trava, assim que eu destravei. ela se abriu revelando um belo colar de perolas.
–Lindo.
–Bella eu sei que fui um idiota, nem tudo que eu te der terá o valor de seu perdão.
Foi onde eu vi a oportunidade
–Acho que tem algo que você pode fazer por mim
–O que? qualquer coisa
–Quero ver meu pai no fim de semana
–Seu pai?- Eu sabia ser algo meio incomum, mas mesmo com toda minha rixa ele era meu pai.
Assim que o sábado chegou, fomos para Forks, eu tentei manter a maior cara de paisagem, assim que o ar gelado e os ventos próximos ao rio que ficava próximo ao chalé atingiram minha face, Christoan adquiriu a propriedade quando eu assinei os malditos papeis antes do casamento que fizeram ele pagar a hipoteca da antiga casa de meu pai, ele se aproveitou disso vendendo a antiga casa, era mais uma forma de me manter em suas mãos.
Diferente da antiga casa, o Chalé era luxuoso, ele ficava rodeado pelo bosque, e caminhando pelas trilhas chegávamos facilmente a Praia das Pedras, banhada pelo oceano.
Assim que desci do carro, meu pai saiu na varanda sorridente, ele gostava de receber visitas, Meu pai estava cada dia que passava mais emocional, a idade veio com mais cabelos brancos, mais rugas, e mais afeto.
um caloroso abraço me envolveu, formando um nó em minha garganta, quem diria que finalmente quando meu pai estivesse mudado, eu tivesse que me afastar completamente dele.
–Meu companheiro de Pesca!!!- ele apertou a mão de Christian.
–E os peixes? estão tranquilos?
–Tranquilos demais, acho que devemos retirar a paz deles.
–Claro Charlie
Enquanto meu pai e Christian foram rumo ao rio pescar eu me sentei em um banco próximo ao píer.
A agua do rio fazia um reflexo turvo do pouco sol que apareceu naquele dia, parecia uma ironia estar vendo o sol justo em minha despedida.
Eu podia ver a uma grande distância o barco onde Christian e meu pai pescavam, o silêncio sendo quebrado somente pelo barulho das folhagens, me fez refletir com cada situação em que passei durante esses anos de minha vida.
O rosto de minha mãe na praia das pedras, observando as ondas enquanto eu escolhia as pedras coloridas, o dia em que sorrateiramente eu observei uma discussão dela e meu pai, e presenciei a primeira agressão verbal e física dela, a lembrança de meu pai amaldiçoando cada paço que ela desce em sua vida, o dia que ela foi embora, e a minha tristeza quando ela foi diagnosticada de câncer não dando tempo a ela aproveitar a sua vida de liberdade após separar-se de meu pai e ir embora.
Todas essas situações eu tentei por anos deixa-las escondidas em um lugar escuro de minha mente, mas com Christian e suas atitudes eu desenterrava cada memoria que me assombrava.
Para mim o garoto que recusei um beijo aos meus 16 anos de rebeldia insolente, foi somente um ato normal, não acreditava que isso desencadeasse uma série de acontecimentos futuros em minha vida.
Suspirei lembrando de algumas pesquisas que fiz sobre o comportamento de Christian para justificar e me mostrar como eu mesma poderia reagir as suas inconstâncias.
Ele podia dizer que me amava, e ele podia acreditar nisso, mas na verdade o que ele sentia por mim nem era necessariamente amor.
Não estava contente com minha decisão, porém não estava querendo voltar atrás.
Assim que o barco se moveu e escutei o motor ser ligado, levantei sentindo o ar frio vindo do bosque, puxei meu casaco e entrei, comecei a separar ingredientes, eu amava cozinhar, fazia muito isso com minha mãe, porém a vida de senhora Gry não me dava oportunidade de deixar meu dotes em liberdade.
Eu sabia que alguma coisa haviam pescado, eu era acostumada a fazer peixe, meu pai sempre teve a paciência que faltava com minha mãe e consequentemente comigo, em suas pescas
O barulho das maletas sendo deixadas na varanda e as risadas dos dois homens de minha vida cujo eu já me senti presa, me dava uma pontada de culpa, que tratei de afastar, nada poderia me fazer voltar atrás em minha decisão
–Querida vou limpar o peixe para te poupar- meu pai falou sorrindo, e foi em direção a porta dos fundos, antes ele pegou um dos facões.
Observei Christiam ir ate o bar e servir um wisque, ele estava lindo como sempre, eu não podia negar duas coisas em meu marido a sua beleza e virilidade.
Se esse pacote não viesse com resto, a sua mania por controle e obsessão, ele seria o homem perfeito.
Eu não o amava isso eu sempre soube, mas eu sentia algo muito forte, sorri quando seu olhar pegou o meu analisando-o,
Se as coisas fossem mais simples, esse seria um dia comum na vida de um casal comum.
–Aqui esta o peixe.-
–Isso foi bom mesmo, espere só um minuto que o jantar sai rápido agora.
–Querida estava com saudades de seu tempero
–Estava com saudades de preparar algo que pescou também
Meu pai sentou-se próximo a lareira e ficou conversando com Christian enquanto eu terminei o jantar e servi a mesa.
–Os cavaleiros poderiam dar a honra de provar minha comida
–Com todo prazer- Christian passou por mim me dando um Beijo, ele agia como se nada tivesse acontecido.
Sentamos lado a lado, e meu pai assumiu a ponta da mesa, era estranho ver Christian deixar alguém se sentir acima dele, mesmo que fosse me uma posição na mesa
–Me passe aquela batatas Bells- meu pai disse
–Espero que ainda tenha a mesma mão- Falei enquanto passava as batatas para meu pai.
–Isso não se perde da noite para o dia querida, e vocês quando eu vou ganhar um neto? meus cabelos estão cada dia mais brancos, e você Bella é minha filha única,
–Pai!!- o reprendi
–Querida, essas arvores e esse vasto quintal são tão calmos que necessitam de uma pequena agitação
Olhei para a mandíbula trincada de Christian esse era um assunto delicado para ele, e para mim também, eu sonhava por um filho, entretanto recente soube que meu marido tem medo de dividir eu com qualquer coisa, ate mesmo um filho, pior ele acabou com todas as chances, depois do jantar, meu pai disse que cuidaria dos pratos.
–Vou me recolher Christian estou cansada
–Eu já me junto com você- ele sorriu servindo mais um wiske, era o terceiro, isso indicava que ele estava nervoso com alguma coisa, um medo fez a minha espinha se arrepiar
Depois de uma higiene, eu coloquei minha roupa de dormir e me embolei na cama encolhendo meus joelhos.
A luz vinda do corredor iluminou a parede quando a porta foi aberta, em seguida ela se fechou escutei os paços de Christian e cada peça de roupa que ele retirou, senti o colchão baixar com seu peso, em seguida uma leve brisa entrou quando ele levantou a coberta para se deitar.
Ele ficou ali parado por um longo tempo, somente a sua pesada respiração era ouvida, mesmo virada ao lado contrario senti o forte cheiro de wisque.
–O que você tem hoje?- Ele quebrou o silencio
Demorei responder, o que eu poderia falar?
–Nada somente cansada
–Não é isso, você esta...diferente
–As vezes você se atem a uma imagem irreal de como eu sou, as vezes eu estou somente cansada, ou farta essa é a palavra
–Você ainda não me perdoou não é mesmo
Girei meu corpo encarando seus olhos, mesmo no escuro eu sabia que eram penetrantes.
–as vezes perdoar não significa esquecer Christian.
–Eu não sei o que faria se te perdesse
–você irá se encarrega que isso seja impossível
–é isso que você não entende, eu tento , porém eu sei que se um dia te perder nem que seja para a morte eu terei o mesmo destino
–você já percebeu como isso soa insano, ligar a sua vida a minha é irreal
–eu não sei o porque, só sei que é assim, eu não posso te perder e por isso eu faço tudo que estiver ao meu alcance para manter você comigo
–As vezes quanto mais você tenta não me deixar ir, mais você me afasta.
virei para o lado deixando claro que aquela noite eu não queria nada, pela primeira veze Christian respeitou minha decisão, isso me deixou aliviada e temerosa, eu não teria uma despedida de meu marido, eu não poderia fazer nada que me fizesse de alguma forma mudar de ideia
Acordei novamente em meu horário habitual, três da madrugada, e como sempre Christian não estava ao meu lado.
Mesmo sentindo o peso do cansaço eu levantei meu corpo e caminhei lentamente, abri a porta e caminhei mesmo no escuro, senti a madeira em meus pés descalços, desci as escadas me deparando com a lareira fumegante, ela havia sido alimentada e com o silêncio da noite podia se ouvir os estalos da madeira sendo queimada, as chamas atrativas me fizeram ter um minuto de divagação.
–Não conseguiu dormir?
Christian falou e notei que ele estava sentado em frente a lareira segurando um copo já vazio, nem tentei imaginar o quanto ele já havia bebido.
–Você sabe que eu não consigo dormir sozinha.
Sua mão pousou sobre seus joelhos, eu observei Christian por um logo tempo, ele tinha seus fantasmas, por muito tempo eu tentei decifra-los, inutilmente, e acho que jamais os decifraria.
–Vou voltar ao quarto, venha se deitar logo. -girei voltando em direção a escada.
–Você sabe que eu te amo não é mesmo Isabella.
–Eu sei disso Christian.- engoli a saliva que desceu rasgando.
–Eu não sinto que me ama na mesma proporção Isabella, eu aceito isso, pois o que sinto e tão forte que supre á nós dois.
–Christian...- eu me virei o encarando, aquele sentimento que eu raramente sentia por ele, uma dor imensa pensando no lado frágil que ele enfrentava , eu queria muito poder retirar isso dele, mas eu não poderia...
–O que foi Bella?
–Nada, só venha se deitar logo.- voltei ao quarto, e foi só ao me deitar que senti as lagrimas presentes.
A manha chegou, mas eu me demorei levantar, o almoço comemos mais peixe, depois era hora de partir, com um imenso suspiro me despedi silenciosamente de minha cidade natal e de meu pai. O destino dele ficaria nas mãos de Christian, e como ele agiria após eu ir embora
Na segunda, minha manha passou lentamente
Próximo ao horário do almoço enviei uma mensagem a Christian:
"Uma alteração rápida em minha agenda, não irei almoçar, terei de resolver algumas coisas no banco."
"Profissional ou pessoal?"
somente respondi : "pessoal"
Ele não respondeu mais nada, então na hora do almoço fui ate meu banco pessoal, desde que me casei com Christian, eu não necessitei usar um centavo de meu salário, porém eu o mantinha intacto em uma poupança pessoal, Christian insistia que eu colocasse meu dinheiro em investimentos, porém eu sabia que era mais uma forma de controle, então disse que ele não se envolvesse com isso.
eu já havia marcado uma hora com o Gerente, somente não deixei na minha agenda.
– Boa tarde Senhora Grey.
– Boa tarde.
– Bem vejamos, irá retirar tudo mesmo, sabe que temos boas aplicações e investimentos em que pode estar aplicando com segurança seu dinheiro.
– Não obrigado, eu necessito deste dinheiro todo.
O gerente viu algo no computador e franziu a testa, pegando o telefone.
– Senhor, saiba que está minha poupança é antiga e está no meu de solteira ainda.
Antes de discar ele me encarou.
– Senhora Grey, na verdade a sua poupança esta conjunta com seu marido e no seu nome de casada, para uma retirada tão grande tem uma observação de somente com autorização de ambos.
– O que?! – meu espanto foi grande. – Como isto? Esta poupança foi aberta quando eu vim para Seatlle na faculdade, era meu fundo universitário, ou o que restou dele, e todo mês deposito nela, não tem nada a ver com meu marido.
– Senhora, não é o que diz aqui, está dizendo que seu marido esteve aqui com uma procuração devidamente registrada e assinada pela senhora autorizando a mudança.
– Não, isto é impossível, eu nunca assinei nada...
A lembrança me veio, muitas vezes assinei papeis, principalmente aquele maldito contrato antes mesmo de se casar, Christian me dava cartões e algumas de sua contas eram conjuntas comigo, mas nunca imaginei que ele chegaria a tanto.
– Senhor acho que lembrei, desculpe não precisa ligar para meu marido, eu mesma vou falar com ele.
Minha raiva foi tamanha que caminhei apressadamente ate meu carro, dirigi nas ruas com fúria, pelo retrovisor eu vi Rick me seguir, rezei para que ele não ligasse para Christian.
Entrei no prédio da companhia impetuosamente.
–Pois não posso ajuda-la
olhei sarcástica para ela e peguei minha identidade na bolsa entregando
–Oh senhora, quer que avise que esta subindo
–Peço que não, eu quero fazer uma surpresa a meu marido- ela sorriu e eu segui para o elevador
quando cheguei ao andar de Christian, a secretaria dele tentou me parar
–Senhora Grey ele está em reunião-
Não dei a mínima, somente segurei nas fechaduras das enormes portas do escritório, e entrei com tudo, Christian estava no meio de algo importante, mas parou de falar imediatamente, e todos os olhos da sala se voltaram a minha pessoa
–Christian, eu aguento tudo, mas agora isso foi o limite a gota da água, você foi mais que injusto foi baixo!!!!
–Senhores conheçam minha esposa Isabella Grey- ele sorriu calmamente o que me irritou mais ainda.
Encarei cada um dos homens que estava na mesa, mas voltei a encara Christian.
–quero falar com você agora!!
Ele levantou-se de seu lugar, deu a volta na mesa, e senti seus dedos segurarem meu braço me levando para fora da sala, a pressão em meu braço me fez lembrar da noite que ele me agrediu ainda estava dolorido.
–Me solta Christian!
–Acho que você não esta sendo muito sensata.
–sensata? você invadiu a minha privacidade, não que já não faça isso, mas minha poupança Christiam, aquela poupança era minha, antes mesmo de eu me casar
–Muitas coisas eram minha antes de se casar com você, porém eu as dividi
–Não é essa a questão, você me enganou
–Porque essa súbita vontade de retirar seu dinheiro?
quando arquitetei o plano eu sabia que exatamente que essa pergunta surgiria, então eu tinha a resposta na ponta da língua
–Você é impossível, você consegue estragar uma surpresa, eu sou casada com o deus do universo, e quando eu resolvo lhe fazer uma surpresa nunca consigo, eu fico frustrada com tudo isso
–Não sei o que dizer Isabell, eu não preciso de nada e nem de surpresas
–Mas eu recebo coisas suas e nem questiono, você sempre me surpreende com algo
–essa é minha obrigação de marido
–E eu sou sua esposa, queria lembrar de seu aniversário como uma esposa comum merda
A mentira caiu tão bem que vi nos olhos dele o arrependimento
–Sendo assim, ligarei agora mesmo ao banco, pegue o dinheiro e faça o que quiser
–Não será uma surpresa mais posso conviver com isso- fiz um biquinho tentando soar ofendida
–Qualquer coisa vinda de você será uma surpresa maravilhosa
–Pode aguardar Christian, será a maior surpresa de sua vida- um sorriso largo se formou em meus lábios.
Sai do escritório observei a secretaria Isadora me encarando, eu sabia que meu sorriso ainda estava estampado em meu rosto o que a deixou intrigada.
Depois de passar no banco, voltei a editora, coloquei a mão embaixo da mesa retirando o celular descartável da fita adesiva que eu o prendi.
ainda me restava alguns dias com aquele numero, disquei
–Bella
–Jake, já estou com o dinheiro, conseguiu o que lhe pedi?
–José foi incrível os contatos dele são totalmente quentes, posso adiantar que o trabalho é profissional, eles não deixam nenhum rastro
–Excelente, vou mandar agora um dos auxiliares levar o dinheiro para você
–Não, isso ficaria mais na cara, tenho um pacote de fotos aqui para te entregar, José vai ate a editora lhe deixa o pacote e pega o dinheiro.
–Isso é bem melhor, aguardo.
A expectativa, a duvida, tudo em um misto de emoções, faltava muito pouco para finalizar meu plano
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