Cinco Minutos
21 Tudo o que for preciso
Notas iniciais
Seja feliz do jeito que você é, não mude sua rotina pelo que os outros exigem de você, simplesmente viva de acordo com o seu modo de viver. — Bob Marley
Hiashi Hyuuga compareceu ao escritório da Hokage assim que pôde. Aparentemente eram assuntos urgentes e, embora odiasse se ausentar do clã Hyuuga, Hiashi sabia que ainda era um subordinado de Konoha.
Não queria admitir, mas estava nervoso. A última vez que estivera no escritório de Tsunade fora quando Hinata havia sido hospitalizada, então sabia que não devia ser boa coisa. A Hokage nunca lhe chamava para festejar ou algo do tipo. Sendo o antigo líder do clã Hyuuga, Hiashi sabia que todas as raras reuniões com a Hokage não seriam para parabenizá-lo pelo seu ótimo trabalho, mas discutir questões sérias.
Adentrou o prédio ligeiro, querendo acabar logo com a tortura que era não saber. Odiava quando Tsunade era muito evasiva sobre as questões que a faziam convocá-lo, embora soubesse que a loira tinha suas razões. Não podia simplesmente falar por carta ou convocar um ANBU para dizê-lo. Nem todos os ANBU eram confiáveis e nem todas as cartas chegavam ao destino correto.
Andou pelo imenso corredor que dava para a sala da líder de Konoha rapidamente. As pessoas que trabalhavam por ali olhavam-lhe curiosas, pela raridade com que comparecia ao prédio. Mas Hiashi não se importou com nenhuma delas.
Parou quando finalmente alcançou a porta enorme de madeira pesada. Podia sentir de longe o chakra da Hokage e de mais duas pessoas dentro do escritório. Então a conversa não era particular, pelo visto. Respirou fundo e endireitou as costas polidamente, batendo na porta logo em seguida. Ouviu Tsunade mandá-lo entrar logo em seguida, a voz saindo abafada por causa da porta.
– Hiashi-sama. – as outras duas pessoas, as quais Hiashi reconheceu como sendo Shizune e Sakura, se curvaram formalmente, enquanto Hiashi apenas balançou a cabeça, cumprimentando-as. Tsunade imitou-lhe o gesto e pediu para que sentasse em uma das cadeiras em frente à sua.
– Algum problema, Tsunade-sama? – o Hyuuga perguntou sem demonstrar expressão alguma, coisa que Tsunade já esperava. A loira respirou fundo, olhando-o nos olhos.
– Infelizmente sim. – A Senju respondeu. – Por favor sente-se, Hiashi. – Tsunade disse olhando-lhe nos olhos.
Hiashi suspirou e olhou-a desconfiado. Olhou com mais atenção a doutora Haruno e Shizune. As duas pareciam estar apreensivas e Hiashi teve quase certeza de que aquela conversa tinha alguma coisa a ver com Hinata.
– Bom, minha filha não foi atacada de novo, mas tenho certeza de que este assunto misterioso tem relação com ela.
– Sim, senhor. – Sakura respondeu. – É sobre Hinata. Mas creio que vá interessar ao senhor e ao clã. – a doutora respondeu enquanto Hiashi olhava nos olhos de cada um, em busca de alguma resposta.
– Então...? – Hiashi disse quase sem paciência, esperando que alguém lhe dissesse logo o que diabos estava acontecendo.
Tsunade suspirou. Tinha certeza que Hiashi não reagiria bem. Olhou para Sakura receosa. Esta segurava um livro nas mãos, – o bingo book – contra o peito. A rosada a olhou de volta e Tsunade balançou a cabeça afirmativamente, como que dizendo que a médica prosseguisse. Sakura aproximou-se de Hiashi e olhou-lhe nos olhos.
– Hiashi-sama... O senhor tem alguma ideia do que seja isso? – ela disse e lhe estendeu o livro. Hiashi demorou alguns segundos para pegá-lo, como se analisasse quais as intenções de Sakura por trás da entrega. Quando o Hyuuga finalmente o pegou demorou alguns segundos folheando, para logo depois entregá-lo de volta à medica.
– Sim. Esse é o livro bingo. – ele disse, olhando de Sakura para Tsunade sem entender realmente. – Todos no mundo shinobi sabem o que significa esta atrocidade. – ele completou.
– Então deve saber, Hiashi, – Tsunade começou. – que a sua filha está nele. – ela disse e Hiashi olhou-a com desdém.
– Hinata sempre esteve neste livro. Foi um dos motivos para que fosse sequestrada tantas vezes quando criança. – Hiashi disse cerrando os punhos, como se somente por lembrar daquilo, a raiva tomasse seu corpo. – Não posso acreditar que me chamou aqui por isso. – Hiashi disse Tsunade olhou de Sakura para Shizune cautelosamente. Hiashi suspirou ao observá-la fazendo isso. – A menos que não tenha chamado...
– Não senhor. – Sakura disse. – Hinata estar no livro é apenas parte do problema. – Sakura completou suspirando. – O buraco é bem mais embaixo. – a rosada disse.
– Então qual é o problema? – Hiashi disse lutando para não levantar a voz, tamanha sua impaciência.
– O problema, senhor, é que a Hinata... Está grávida. – Sakura disse e Hiashi a olhou completamente abismado.
– Como é que é?
[...]
Chihiro no Kumo olhou-se novamente na água límpida do lago perto da floresta. Já estava cheia daquilo tudo. De todo aquele fingimento.
Nascida no País do Relâmpago, mais precisamente na Vila Oculta da Nuvem, Chihiro viu desde criança seu país sofrer com a guerra; entre conflitos constantes contra Konoha, mistérios e mortes de parentes próximos, Chihiro sofreu com o medo constante de ter seu país atacado. E do medo, nasceu o ódio.
Por culpa de Konoha seu pai havia morrido. Por culpa de Konoha e daquele clã odioso, o clã Hyuuga. E o pior de tudo é que Chihiro sabia que tudo havia sido uma grande mentira. Seu pai, Takashi no Kumo havia somente cumprido ordens; estava somente servindo ao seu líder, como o bom ninja que era. Fora seu líder que mandara sequestrar Hinata quando ela mesma ainda era uma garotinha. Era ele quem queria os segredos do byakugan. E seu pai o havia obedecido. Mas havia sido morto. E aquele tão amado líder para o qual servia havia lhe virado as costas. Mas ele também não perdia por esperar.
Ouviu um farfalhar das folhas logo adiante e olhou para o local, séria.
– Você demorou idiota. – Chihiro disse sem paciência.
– Você poderia me tratar um pouco melhor não é? – o rapaz sorriu atrás da mascara, que deixava somente seus olhos violetas aparecendo e sentou-se num pedra perto da mulher loira.
– Ah, cala essa boca, Keiko. – Chihiro disse. – Já estou de cheia de ser espiã desses idiotas. – a mulher disse e suspirou alto. – Tudo porque vocês falharam em matar aquela sonsa da Hinata quando tiveram a chance.
O rapaz de olhos violetas suspirou.
– Você bem que aproveitou a ausência dela, não é? – Keiko disse sorrindo maliciosamente por detrás da máscara. – Aproveitou que a pobre Hyuuguinha estava em coma para deixar a máscara cair. – ele disse e seus olhos se tornaram ferozes.
– Você também não resistira ao Naruto... – ela disse e lambeu os lábios lascivamente, os olhos mostrando todo o desejo que tinha pelo loiro. – Sem contar que não haveria forma melhor de puni-la. – ela completou e olhou para Keiko, mas este manteve a face impassível.
– Claro. – ele disse ironicamente e Chihiro o olhou, irritada. – Um bom orgasmo vai vingar a morte do nosso pai, não é? – ele disse e o olhar dela passou de irritado para envergonhado. – Não seja estúpida! Esse seu erro fez de você uma garota odiável e odiada. Fez de você não confiável! Você quase colocou tudo a perder! – ele disse ferozmente e Chihiro cerrou os punhos, olhando para os próprios pés.
– Eu sei disso. – ela sussurrou. – Mas não importa. A única coisa que importa agora é que estamos estancados. Precisamos de um plano. – ela disse e Keiko olhou para frente, como que pensando no que estava prestes a acontecer. – Precisamos matá-la logo, irmão. Não aguento mais vê-la respirando. – ela disse com ódio na voz, apertando os punhos com tamanha força que seus dedos ficaram brancos.
– Isso não tem nada a ver com o Uzumaki, não é? – o rapaz perguntou e Chihiro o olhou com desdém.
– Eu não estou apaixonada por ele de verdade. – ela mentiu. Mas sabia que estava. E esse era um dos motivos para que quisesse Hinata morta. Ela acabou com sua vida de todas as maneiras possíveis. Fora a culpada pela morte de seu pai e era culpada por ela não ter o amor de Naruto.
– Então você está me dizendo que o mataria se fosse preciso? – Keiko perguntou, como se já esperasse que a irmã estivesse mentindo. – Você mataria o Uzumaki se ele entrasse no nosso caminho? Na nossa vingança? – ele perguntou.
Chihiro o olhou pensando. Olhou para o céu como fazia todas as vezes que precisava de uma resposta, como se estivesse perguntando ao universo o que fazer. Mas ela sabia. Aquele era o objetivo de sua vida. Aquela era sua única razão de viver. Vingar seu pai. Matar Hinata Hyuuga. Matar o Raikage que havia lhe virado as costas quando ela clamou por justiça. Destruir o clã Hyuuga e a Vila Oculta da Nuvem... Aquilo era sua razão de viver.
– Sim. – ela respondeu olhando fundo nos olhos violetas do irmão, sem hesitar. – Eu o mataria. – disse e Keiko respirou fundo, finalmente tendo uma resposta a qual poderia confiar.
– Então precisamos de um plano.
[...]
– Você está brincando comigo, não é? – Hiashi perguntou furioso. – Você só pode estar brincando comigo! – ele disse sério e se levantou abruptamente da cadeira, batendo as mãos na mesa de Tsunade.
– Não estamos brincando senhor. – fora Sakura quem respondeu. Tsunade observava a cena impassível.
– Ah não?! E por acaso de quem seria esse bebê? Hinata nunca teve um namorado... – Hiashi disse sabendo que Hinata nunca cometeria um erro tão estúpido quanto aquele.
– Que você saiba. – Tsunade respondeu suspirando, recebendo o olhar mortal de Hiashi logo em seguida. – Também não sabemos quando aconteceu... Mas ela e o Naruto... – a loira começou a dizer, tentando em vão explicar a situação ao antigo líder do clã Hyuuga, mas Hiashi a interrompeu.
– Você está querendo me dizer... Que esta criança é do Uzumaki? – o Hyuuga perguntou pausadamente, como se estivesse se controlando para não explodir o local.
– Sim... – Sakura respondeu receosamente, não sabendo qual seria a próxima reação do Hyuuga. – Ela está esperando um filho do Naruto. – a rosada falou.
– Há quanto tempo? – Hiashi perguntou, tentando em vão ficar calmo. Sua vontade, naquele momento, era de ir atrás do Uzumaki e espancá-lo até a morte.
– Há quase dois meses. – Tsunade respondeu e suspirou logo em seguida.
– Dê-me uma boa razão para não caçá-lo e matá-lo. – o pai de Hinata perguntou com os dentes cerrados.
– Primeiro porque você não conseguiria tal façanha. – Tsunade disse, seu instinto de mãe alarmando, como se de repente tivesse que proteger Naruto daquele crápula. – Segundo por não pegaria bem, não é? – ela disse ironicamente e Hiashi a olhou como se estivesse prestes a matá-la também.
– Se ele pensa por um momento que vai conseguir ficar com a minha filha assim... – o Hyuuga falou com os olhos semicerrados.
– Ele não pensa nada disso Hyuuga-sama. – Sakura disse dessa vez sem receio, apenas irritada. – Hinata pôs fim a todos os laços que tinha com Naruto no mesmo dia que soube que estava grávida. – a rosada falou e Hiashi tentou não demonstrar surpresa, mas sem sucesso.
– Como? – ele perguntou sem entender realmente o que a médica havia dito.
– Isso mesmo que você ouviu, Hiashi. – Tsunade disse. – E achamos que Hinata nunca pretenderia dizer a você isso. – Tsunade disse e o olhou seriamente, crítica.
– Mas é claro que não! Como a covarde que é tentaria esconder isso para sempre! – o homem falou e Sakura o olhou, horrorizada.
– Como pode dizer isso? – a médica perguntou com os olhos ferozes. Tsunade a olhou receosa. – Como pode ser tão crápula a ponto de pensar isso da própria filha? – ela perguntou indignada e Hiashi a olhou com desdém. – A Hinata é a pessoa mais forte que eu conheço. Ela sofreu horrores sozinha, desde que eu a conheço. E ela sempre tentou, com todas as forças, ser minimamente feliz. Você não pode culpá-la nem julgá-la por isso. E se ela não disse nada a você sobre isso foi porque sabia que não teria o seu apoio de jeito nenhum. E mais uma vez passaria por isso sozinha e resolveria do jeito que pudesse. – Sakura disse raivosamente e indignada por ver o próprio pai de Hinata falando aqueles absurdos, sem hesitar em defender a amiga. – Você é um crápula. – ela repetiu e jogou o bingo book nos braços de Hiashi – coisa que em sã consciência nunca teria coragem de fazer, mas estava muito furiosa para pensar claramente.
– Sakura, por favor... – Shizune tentou falar alguma coisa para acalmá-la, mas a rosada apenas perdeu a paciência de vez.
– Por que não para de se preocupar em rebaixar a sua filha e realmente se preocupa com o bem estar dela pelo menos uma vez na vida? – a rosada falou.
– Quem você pensa que é... – o Hyuuga ia falando, sua aura tão pesada de ódio que estava quase insuportável de ficar naquela sala.
– Hiashi, Sakura tem razão. – Tsunade disse e Hiashi a olhou completamente furioso mas não disse mais nada. – Você não imagina nem por um momento no que isso implique para a vida de Hinata a partir de agora? – a Hokage perguntou.
Hiashi olhou para Sakura raivosamente e depois para Tsunade. Em seguida olhou para o bingo book que estava em suas mãos. E finalmente entendeu.
– Ela está grávida do Uzumaki. – ele repetiu baixinho e com horror, seu olhar mudando do ódio para o pavor de repente. – Hinata está grávida de Naruto Uzumaki.
– Sim. – Tsunade disse cautelosamente. – Era isso que nós queríamos que você entendesse. – ela disse e Hiashi a olhou por um minuto.
O Hyuuga jogou o livro bingo na mesa de Tsunade e em seguida saiu sem dizer mais nada.
[...]
Hiashi chegou a clã Hyuuga como um furacão. Sabia que todos os olhares estariam em si assim que pisasse os pés no clã, mas simplesmente não se importou. Pela primeira vez, sentiu que não devia nada àquelas pessoas. Somente a uma.
Entrou na mansão principal do clã, aquela que chamava de lar, e abriu a porta abruptamente. Passou pelo longo corredor que dava em direção ao seu antigo escritório, mas antes de chegar lá parou na entrada da sala de visitas. Lá estava Hanabi lendo alguns pergaminhos, juntamente de Neji, que ajudava a menina no em alguns problemas os quais não coseguiria resolver sozinha.
– Por favor, não deixem ninguém se aproximar do escritório. É uma ordem. – o Hyuuga mais velho falou e simplesmente saiu deixando os outros dois sozinhos, sem realmente entenderem muita coisa. Mas sabiam que era melhor para sua saúde que obedecessem ao antigo líder.
[...]
Neji Hyuuga viu seu antigo líder andar às pressas pelo corredor até o escritório agora pertencente à Hinata e simplesmente soube que tinha alguma coisa errada. Observou Hanabi olhar para o mesmo ponto ao qual estava olhando antes e depois olhar para si.
– O que está acontecendo Neji-nii-san? – a menina perguntou curiosa. Também devia saber que havia alguma coisa errada para o pai chegar daquela forma. Hanabi não era nada boba.
– Não é nada. – ele disse, embora não soubesse de nada com certeza. – Por que não tentar resolver os exercícios sozinha por um instante? Eu preciso ir. – o rapaz disse levantando-se e seguindo para a saída da casa.
– Mas para onde? – a pequena perguntou, mas não obteve resposta. Neji não estava mais lá.
[...]
Hiashi então continuou seu caminho pelo longo corredor e finalmente se viu diante da porta. Pela primeira vez, se concentrando bem, pôde notar dois chakras poderosos do outro lado da porta. Arregalou os olhos. Não podia ser. Aquela criança não podia ser tão poderosa. Ou podia?
O homem abriu a porta. Viu Hinata sentada em uma das almofadas, em frente a mesinha a qual sempre trabalhava.
A morena olhou para ele assim que abriu a porta e ficou de pé de repente.
– Pai. – ela cumprimentou e curvou-se, em sinal de respeito. – Algum problema? – ela perguntou, sabendo que havia alguma coisa diferente no rosto do pai. – O que o senhor... – ela ia dizendo, mas sua pergunta ficou no ar quando viu o rosto do pai mudar lentamente para uma expressão de puro ódio e raiva.
Hinata ativou o byakugan por reflexo e quase instantaneamente quando viu a mão de seu pai levantar-se e ir em direção ao seu rosto. Quando estava a alguns centímetros, sua própria mão a parou; o choque das duas mãos produziu um som de tapa.
A Hyuuga olhou para o próprio pai seriamente. Hiashi parecia fora de si. Hinata nunca o havia visto daquele jeito.
– O senhor realmente acha que pode me bater? Acha que pode bater na sua líder? – Hinata disse séria e Hiashi sorriu ironicamente.
– Minha líder não pode ser tão estúpida a ponto de engravidar de homem que não pertence ao clã Hyuuga. – disse Hiashi. Ah, então era isso. Por isso Hiashi estava tão transtornado. Hinata o olhou séria e não perdeu a postura que adquirira, ao contrário do que Hiashi imaginava.
– Então o senhor soube? – ela disse tentando ficar calma por fora, embora estivesse muito nervosa. Não pelo fato de Hiashi ficar sabendo daquilo, simplesmente porque o fato de ele saber tornava aquilo muito mais real.
– Como pode estar tão calma falando disso comigo, Hinata? – ele perguntou ferozmente, mas Hinata continuou sem se abalar.
– Eu estou lindando com as consequências disso. Não preciso que você me rebaixe para entender que tudo o que estou passando é muito serio. – a líder do clã disse e o olhou para ele com tamanha superioridade que Hiashi ficou abismado.
– Eu nunca pensei que você pudesse ser tão... Estúpida. – Hiashi disse e Hinata ficou surpresa por um instante, mas seu olhar logo mudou de novo. – Como pode falar comigo tão pomposamente, como se realmente fosse uma líder, quando não passa de uma criança burra e assustada? Como pode falar comigo como uma líder quando sua postura e suas atitudes apenas demonstram que eu sempre estive certo ao seu respeito? Você não é uma líder. Pode ter o título de uma. Mas nunca será. – ele praticamente cuspiu as palavras, tão irritado que mal podia pensar que estava fazendo tudo de novo, estava machucando Hinata de novo.
Mas Hinata, embora magoada, não baixou a cabeça. Não mais.
– E é aí que você se engana, papai. Minhas atitudes são e sempre serão mais corajosas do que as suas. Desde que minha mãe morreu você me rejeitou. Mas eu cresci, eu mudei, eu fiquei forte. Não me culpe por tentar ser feliz de alguma maneira. Eu sou a líder do clã Hyuuga. Eu abri mão do homem da minha vida por todas estas pessoas e por você. Abri mão da minha felicidade por tudo isto. Abri mão de tudo, justamente porque sou uma líder. Mas disso não irei abrir mão. Não deste pequeno pedaço da minha felicidade. Eu terei um filho do Naruto-kun. Eu farei isto. – Hinata disse olhando-lhe nos olhos o tempo inteiro. – E quanto ao clã não se preocupe papai... Ninguém saberá, nem mesmo desconfiarão de que este filho pertence ao homem mais forte do mundo. – Hinata disse e voltou a sentar-se na almofada, relendo os papéis.
Hiashi a olhou seriamente e ainda cheio de raiva.
– Ah, é? E como você pretende fazer isso, grande líder? – o homem disse sarcástico. Hinata levantou o olhar para ele, olhando-lhe superior.
– Eu irei me casar. – ela disse simplesmente. – Com o Neji-nii-san. – completou, antes que seu pai pensasse alguma coisa errada.
Hiashi congelou de repente.
– O quê? – ele perguntou. – Não pode se casar com um membro da Bouke. – ele disse indignado.
– Mas irei. Já estou preparando os papéis. – ela disse mostrando a ele os papeis que estava lendo antes de o ex-líder entrasse no escritório. – Um integrante da bouke é perfeito. Ele me protegerá e não tentará roubar o meu cargo. – Hinata disse embora não fosse exatamente por isso que escolhera Neji. Neji era seu irmão e a pessoa em que mais confiava dentro daquele lugar. Mas aqueles pareciam argumentos que convenceriam os conselheiros e, sobretudo, seu pai.
– Ele pode tentar. – ele disse com os dentes cerrados.
– Não foi em vão que você me ensinou a ativar aquele selo, pai. – Hinata disse finalmente, mesmo sabendo que jamais seria capaz de fazer aquela atrocidade com Neji.
Hiashi olhou para a filha surpreso.
– O que houve com você? – ele disse sem palavras.
– Você lutou tanto para que eu me tornasse uma líder não é? Você conseguiu. – ela disse finalmente. – Feche a porta ao sair do meu escritório.
[...]
Não acreditava que estava fazendo aquilo. Simplesmente não acreditava que estava parado em frente ao apartamento de Naruto prestes a intimá-lo a ver Hinata.
Mas Neji estava desesperado. Hinata não estava agindo como ela mesma. Estava fria e distante; muito diferente de sua personalidade doce. Tinha até o pedido em casamento. E tudo aquilo havia começado quando a morena terminara seu envolvimento com o Uzumaki.
Era de Naruto que ela precisava.
Neji bateu na porta levemente, mas audivelmente. Não obteve resposta. Bateu de novo. Ouviu um barulho dentro da casa, sinal de que Naruto estava vindo.
– Sakura-chan, não precisa ficar vindo aqui de hora em hor... – Naruto abriu a porta já falando, mas parou quando deu de cara com Neji. – Neji?
– Naruto. – o rapaz de longos cabelos castanhos o cumprimentou. – Eu preciso de uma favor seu. – ele disse rapidamente e olhou para Naruto sério.
Naruto observou o primo de Hinata por um momento como se o estivesse analisando. Neji parecia perturbado de alguma forma.
– Ela está bem? – o loiro perguntou com o coração já acelerando de medo e nervosismo.
– Eu não sei. – o rapaz continuou e Naruto se mexeu, nervoso, ajeitando a postura e tentando escutar tudo mais claramente. – Ela está diferente, Naruto. Não age como a antiga Hinata, está fria e distante... E... – ele hesitou em dizer a outra parte, não sabendo se deveria continuar ou não.
– E...? – Naruto perguntou com a sobrancelha erguida instigando-o a continuar.
– E eu sei que ela está me escondendo alguma coisa. – o moreno disse e embora não fosse exatamente o que queria dizer não deixava de ser verdade.
– Eu... Não sei se devo ir Neji. – o loiro disse, lembrando-se do conselho de Sakura quando estava no hospital há alguns dias. Sabia muito bem o que Hinata estava escondendo, mas se ela mesma não havia contado a Neji não seria ele a fazê-lo. – Eu acho que não tenho como ajudar você. – o loiro disse e foi se afastando da porta movendo a cabeça negativamente. – Desculpe... – Naruto disse fechando a porta devagar.
O coração de Neji acelerou. Como assim ele não podia ajudar? Ele tinha que ajudar!
Quando a porta estava prestes a fechar Neji tentou sua ultima cartada de desespero.
– Ela me pediu em casamento. – o Hyuuga disse e viu Naruto de repente parar o movimento que fecharia a porta completamente. E de repente ela estava escancarada de novo.
– O que você disse?
[...]
Hinata terminou de ler os últimos papéis em cima da mesa e organizou-os em cima de uma pilha junto com os outros. Sabia que no dia seguinte teria mais papéis para ler simplesmente odiou o trabalho de líder por um momento. Sua cabeça doía de tanto ler.
Mas Hinata sabia que não era somente isso. Seu corpo inteiro doía e Hinata sabia que era em razão da conversa que tivera com seu pai mais cedo. Já ia dar dez da noite, mas Hinata sentia como se a conversa acontecida à tardinha aquele dia tinha acontecido há dois minutos. Sentia como se seu pai tivesse lhe dado uma surra.
Levantou-se da almofada como um pouco de dificuldade e saiu do escritório. Trancou-o e colocou a chave no bolso da sua calça do dia-a-dia. Estava tudo escuro. Mas Hinata conhecia aquele lugar como à palma da sua mão. Passou pelo corredor longo e foi em direção à escada, querendo chegar logo ao quarto e descansar um pouco.
Abriu a porta do seu próprio quarto e entrou sem se preocupar em ligar as luzes. Escutou um barulho de metal caindo no chão e viu que era a chave do escritório; pelo visto seu bolso estava furado. Abaixou-se para pegar a chave e colocou-a no criado mudo.
Mas ao olhar para frente viu alguém que fez seu coração disparar. Hinata arregalou os olhos surpresa.
Ali, parado no meio do seu quarto estava Naruto, encarando-a profundamente. Hinata quase engasgou. Olhou para Naruto pelo que pareceram longos minutos. Até ter coragem de falar alguma coisa.
– Como entrou aqui? – ela disse com a voz falha, nervosa por ele estar no seu quarto.
– O Neji me ajudou. – Naruto disse olhando para ela. Hinata imaginou que ele estivesse irritado com algo pelo tom de sua voz, já que não dava para ver suas feições por nada menos do que a luz da lua.
– Ele não devia ter feito isso. – Hinata disse com a voz embargada embora não soubesse exatamente porque estava prestes a chorar.
– Você o pediu em casamento? – Naruto disse com uma voz magoada. Pelo menos foi o que Hinata achou.
– Sim. – ela respondeu simplesmente, sem ter como negar nada. Neji provavelmente já havia dito a ele. Naruto riu pelo nariz. Não acreditava que ela pudesse ter feito isso. Será que ela já o havia esquecido?
– Como pôde fazer isso? – ele perguntou e Hinata sentiu uma lágrima escapar solitária e deslizar por sua bochecha. Sabia que estava magoando muitas pessoas. Sabia que Naruto provavelmente estaria sofrendo muito.
– Desculpe. – ela pediu embora soubesse que aquilo tinha sido necessário. Mas não teve tempo de pensar muito. Naruto aproximou-se dela numa velocidade incrível e a pressionou na parede. Hinata expirou surpresa, olhando-o nos olhos. Mas os olhos de Naruto não estavam azuis e lindos como sempre. Estavam vermelhos e ferozes.
– Você o ama? – ele perguntou como um idiota e Hinata sentiu as lágrimas invadirem seus olhos mais uma vez.
– Não. – ela respondeu e Naruto a olhou com mais raiva. Hinata não desgrudou os olhos dos dele por nem um segundo.
– Você me ama? – ele perguntou. Estava com ciúmes, Hinata percebeu. Estava inseguro.
– Eu amo. – ela respondeu e os olhos de Naruto foram aos poucos voltando ao tom normal de sempre. A cor que Hinata amava.
– Então por quê? – ele perguntou encostando a testa na dela. Hinata suspirou. Os olhos de Naruto estavam fechados com força como se ele estivesse com muita dor. – Por que está se afastando de mim cada vez mais? Este é o meu filho – ele disse e acariciou a barriga quase invisível de Hinata, mas já proeminente – e você é minha mulher.
– Eu estou fazendo o que preciso fazer. – ela disse e Naruto abriu os olhos, olhando-a profundamente. – Eu preciso ficar longe de você. – ela disse embora o que mais quisesse neste momento fosse pular nos braços de Naruto e fugir dali para sempre.
– Isso não é justo. – ele disse. Uma lágrima escapou de seus olhos. – Deixe-me ficar ao seu lado, por favor... Deixe-me formar uma família com você... Eu juro que não te magoarei mais Hinata, por favor, me dê uma chance... – Naruto pediu, quase implorou. – Não se case com ele, eu imploro a você... – o loiro pediu dando um beijinho de leve nos lábios de Hinata. – Por favor... – ele pediu de novo e de novo. Até que aprofundou o beijo. – Por favor, amor... Deixe-me amar você... – ele disse, descendo os beijos até o pescoço dela.
O rosto de Hinata enrugou, pelo choro que estava prestes a vir. As lágrimas desceram ferozes pelos seus olhos, porque Hinata sabia que aquilo seria tudo que teria com Naruto, com o homem que amava. Somente momentos roubados; momentos em que se beijavam e talvez fizessem algo mais... Mas ele nunca seria completamente seu, nem Hinata seria completamente dele.
Naruto se afastou de Hinata por instante e olhou para o seu rosto. A morena olhou para baixo, chorando compulsivamente. Naruto colocou uma das mãos em seu rosto e o acariciou e a morena o olhou com o olhar completamente quebrado.
E só por um segundo pensou: por que não? Por que não ter momentos roubados? Afinal, era sua única chance de ser feliz.
– O que está acontecendo, Hinata? Afinal, porque pediu para que o Neji se casasse com você? – Naruto perguntou, sua voz voltando ao tom magoado de antes.
– Por que, agora, existem coisas mais importantes do que eu e você. – ela disse e Naruto a olhou chocado.
– O clã Hyuuga? – ele perguntou com desdém. – Você mudou mesmo. – ele acusou e se virou de costas se afastando da Hyuuga.
– Não. O meu filho. – ela respondeu e Naruto virou-se para ela novamente.
– O que isso quer dizer? Nosso filho vai ficar bem, você não precisa casar com o Neji por causa disso. – ele disse e a olhou decepcionado. – Você está fazendo isso por si mesma. – ele disse e quando Hinata não respondeu ele soube que era verdade. Naruto sorriu; era um sorriso quebrado, desapontado. – Você realmente mudou, não é? Egoísta. – Naruto acusou e Hinata arregalou os olhos com a ofensa. Seus olhos foram tomados pelas lágrimas.
– Não... Eu... Tenho que fazer isso... Você não entende! – ela exclamou e quis com todas as forças contar para ele a verdade, tudo o que Sakura havia lhe dito e o perigo que estava correndo. Que o filho deles estava correndo.
– Não minta para mim Hinata. – ele disse e odiou vê-la não se defender, como se aquilo que estivesse falando fosse mesmo verdade e ela não pudesse negar. Naruto virou as costas mais uma vez e foi em direção a janela, pronto para pular para fora do quarto de Hinata e do clã. – Eu realmente te amo muito, Hinata. Mas, por favor, não se torne isso. Não se torne o seu pai. Volte a ser quem é. – ele disse, ainda de costas. – Não se case com o Neji. Eu juro que não o que faria se isso acontecesse. – Naruto disse por fim e pulou para fora do quarto.
Deixando Hinata sozinha. E, de novo, quebrada.
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