Cinco Minutos

22 Segredos


Notas iniciais
Galeraaaaaaaaaaa! Volteeeeeei! Tuts Tuts Tuts! Olha a história se encaminhando gente! Bom queria agradecer a todos que comentaram e especialmente a Pabulla Ranny, que recomendou a história! Muito obrigada, sua linda! No mais, é isso, espero que gostem! Boa leitura!

"Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior
maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível". — Leis de Murphy

– Ora, mas que garotinha insolente! – exclamou um os conselheiros ao ouvir a proposta de Hinata sobre casar-se com Neji.

Hinata suspirou. Já esperava essa reação dos conselheiros; afinal, não era nenhuma estúpida. Sabia que o que estava tentando fazer era uma das maiores loucuras já vistas no clã... Alguém da ramificação principal dos Hyuuga tentando se casar com alguém da ramificação secundária? Chegava a ser ridículo. E Hinata sabia que era exatamente assim que havia soado aos ouvidos dos conselheiros.

– Eu o amo. – Hinata disse simplesmente, quase como se estivesse cansada. Seria completamente plausível que amasse Neji e até acreditável, se todos já não soubessem quem Hinata amava de verdade.

– Eu não sabia que havia criado uma mentirosa, Hiashi-sama. – disse um dos conselheiros e embora a frase se dirigisse a Hiashi, o homem olhava diretamente para Hinata. – Como se ninguém soubesse que você morre de amores por aquele menino-demônio. – o homem zombou e Hinata coraria se ainda fosse a mesma Hinata de antes. Mas não corou. Tinha que representar bem o seu papel. Não podia fraquejar agora.

– Não me interesso por aquele homem. – disse a morena e Hiashi olhou-a profundamente. Hinata não precisou olhá-lo de volta para que ele percebesse a força que estava fazendo para mentir tão descaradamente sobre os próprios sentimentos.

Mas o pai de Hinata tinha que admitir que ela estava fazendo bem o seu papel. Se ele não soubesse de toda a verdade poderia até acreditar nas palavras da filha; sabia que os conselheiros não cederiam facilmente, mas deviam estar começando a acreditar nas palavras de sua filha.

Em torno da mesa da sala de reuniões que se localizava dentro da casa principal do clã, havia em torno de seis conselheiros, dois deles jovens – quase da mesma idade de Hinata – e completamente geniais, que haviam sido recomendados ao cargo depois da morte/aposentadoria de dois deles. Os outros quatro eram já eram senis e já estavam no cargo há anos, desde antes de o próprio Hiashi se tornar líder. E Hiashi sabia que seriam esses os que Hinata deveria convencer.

– Não se interessa? – perguntou um dos mais novos incredulamente. – Hinata-sama, por acaso acha que somos idiotas? – o rapaz perguntou e Hiashi suou frio, embora a própria Hinata tenha se mostrado impassível. Hiashi sabia que se Hinata não convencesse aos conselheiros provavelmente teria que dizer a verdade que estava por trás daquele casamento absurdo; claro que, dizendo a verdade – que engravidara de um homem que não era nem ao menos um Hyuuga da família secundária – a solução mais fácil que eles encontrariam não seria casamento algum e ele tinha certeza que Hinata imaginava aquela possibilidade; a solução que eles proporiam seria que Hinata tirasse o filho. Mas o pai de Hinata sabia: mesmo com toda aquela mudança de personalidade a Hyuuga não suportaria aquela perda.

– Ren-sama... Minha opinião sobre vocês não é relevante agora. – Hinata disse ironicamente, quase dizendo com todas as letras que era exatamente isso que achava que eles eram e o rapaz a olhou divertido, com um sorriso de escárnio no rosto. – O que eu quero dizer é que... Bem, Uzumaki Naruto não me interessa mais. Não sou mais a mesma garotinha idiota de antigamente. Sei de minhas prioridades. Sei que o clã Hyuuga é minha prioridade. Até mesmo o amor que tenho por Neji está em segundo lugar em relação ao clã. – Hinata afirmou. Não sabia de onde havia tirado forças para dizer tantas mentiras, mas devia continuar, pelo bem do filho. – Mas já faz quase dois meses que assumi a liderança do clã e creio que venho cumprindo meu papel de forma magnífica. Por isso desejo dar um passo adiante na minha vida pessoal. Desejo me casar com Neji. E não vejo motivos plausíveis para que vocês se oponham.

– Não vê motivos plausíveis? E sobre o fato de Neji pertencer a uma ramificação inferior a sua? – um dos membros mais velhos do conselho disse e Hinata o olhou sem piscar. Parecia mais um robô; era como se houvesse decorado todas as suas falas e ações.

– Takashi-sama... Um casamento com um Hyuuga da família secundária seria perfeito. – Hinata disse e os conselheiros lhe olharam incrédulos. – Pense bem... Grande parte da ramificação secundária deste clã se ressente com a ramificação principal. Um casamento entre o líder da ramificação secundária e a líder da ramificação principal representaria a volta da unidade do clã Hyuuga, aquela que perdemos depois da morte do meu tio Hizashi.

– Claro. – Ren disse com sarcasmo. – E se por acaso você viesse a falecer, Hinata-sama? – o rapaz perguntou. – Neji assumiria seu cargo como líder do clã? – ele perguntou e Hinata suspirou.

– Não. – ela disse respirando fundo. As palavras que diria a seguir definiriam seu futuro. – Como meu marido Neji receberia somente alguns benefícios, como um lugar no Conselho, por exemplo, podendo decidir questões que achasse relevantes para o melhor desenvolvimento da Bouke e consequentemente da Souke. Caso eu viesse a falecer, Ren-sama... – disse Hinata agora olhando diretamente para o rapaz. – Obviamente Neji não poderia assumir meu cargo, já que pertence oficialmente ao outro setor. Isso na verdade não mudaria muito. Como sempre, vocês escolheriam a quem dar o cargo. Provavelmente ao meu filho. Ou, até que ele possa assumir, à Hanabi. – Hinata disse e respirou fundo, torcendo no fundo para que eles tivessem entendido bem o que ela quis dizer.

– Filho? – Takashi riu. – Ah, Hinata-sama, deixe que resolvamos primeiro a situação do casamento, depois falamos em filhos... – disse o homem com um sorriso que Hinata achara nojento. A morena olhou de Takashi para Ren e engoliu em seco.

– A não ser... Que devamos começar a falar em filhos. – Ren disse olhando diretamente para Hinata e deixando o resto dos conselheiros confusos. Os seis homens olharam de Hinata para Hiashi e depois para a moça novamente. – Ora, mas que surpresa. – o rapaz disse e o resto dos conselheiros finalmente pareceram entender aonde ele queria chegar. Olharam novamente para Hinata, dessa vez, furiosos.

– Hinata-sama... Por favor, diga-me que isso são apenas especulações. – um dos conselheiros, aquele que parecia o mais velho de todos e que ainda não havia se pronunciado disse, colocando os dedos nas têmporas e massageando-as.

– Não, Hiroshi-sama. – disse Hinata. – Não são somente especulações. – completou e de repente começou-se uma algazarra. Todos os conselheiros começaram a gritar ofensas à Hinata, algumas até mesmo a Hiashi. Pareciam todos furiosos e espantados, como se não acreditassem que uma líder pudesse ser capaz de ser tão estúpida a ponto de engravidar de um membro da Bouke.

– Pelo visto esta historinha de amor era apenas uma fachada. – disse Takashi e olhou para Hinata como se ela não fosse digna de sentar na cadeira de líder do clã. Hinata respirou fundo tentando manter a calma. – Você achou mesmo que iríamos permitir que se casasse com um membro da Bouke? – disse ele levantando-se da cadeira batendo as mãos na mesa fortemente. Os outros membros do conselho calaram-se de repente. – Pelo visto continua sendo uma garotinha estúpida! – o homem desabafou. – Você pensa que isto é alguma brincadeira Hinata? Pensa que está brincando de ser líder? Este é o clã mais poderoso de Konoha! – o homem disse e Hinata finalmente percebeu que o buraco, na verdade, era bem mais embaixo.

– Acalme-se Takashi. – tentou o membro mais velho do conselho, Hiroshi.

– Não! Hiroshi, você não vê que cometemos um erro? – o homem falou dessa vez em tom de voz mais baixo, mas ainda hostil. – Essa garota nunca será uma líder! Nunca em todos os meus anos como conselheiro eu ouvi uma proposta tão estúpida quanto essa! Hiashi, você estava certo, deveríamos ter esperado Hanabi atingir a idade certa para que ela pudesse assumir. – disse ele e Hinata olhou sem nenhuma expressão de Takashi para o pai. – Eu digo que a melhor solução, neste caso, é o aborto. – Takashi concluiu e Hinata finalmente perdeu a postura que tentara manter arduamente ao longo de toda a conversa.

– Como é que é? – a morena disse, completamente assustada e, mais que isso, furiosa.

– Hinata... – Hiashi tentou chamá-la e Hinata virou-se para ele, vendo em seus olhos que ele concordava com aquela solução. – Você deve ouvir os membros do conselho.

– Cale-se! – Hinata disse com a voz elevando algumas oitavas olhando para Hiashi. Depois de alguns segundos o encarando virou-se novamente para o conselho. – Se esta é a proposta que me fazem, eu a rejeito. – disse a Hyuuga ferozmente, como se de repente estivesse sobre forte perigo.

– Você não tem o direito de... – Takashi começou, mas Hinata o interrompeu.

– Cale-se você também! – disse Hinata e o olhou com uma ferocidade que ninguém nunca havia visto antes em seus olhos. – Não vou abrir mão do meu filho. Se não irão permitir que eu me case com Neji, então que eu me case com outro, com algum filho da Souke. – Hinata disse quase jogando a toalha. – Neji é o homem que amo e é com ele que quero me casar. – mentiu Hinata mais uma vez. – Mas abro mão disso pelo meu bebê. – completou. – Posso ainda ser uma garotinha estúpida Takashi, mas se por acaso quiser me fazer algum mal ou ao meu bebê eu quebro todos os seus ossos. – Hinata disse e o homem sorriu horrivelmente, como se achasse que ela não era mesmo capaz disso. – Bom, então tente. – Hinata completou olhando-o com nojo.

– Hinata-sama, não será preciso quebrar os ossos de ninguém. – Hiroshi, o conselheiro mais velho, afirmou. – Takashi, você está falando com a líder do clã, tenha mais respeito por sua líder. – o homem disse com a voz grave e os olhos sérios, como se discordasse das atitudes do outro. Depois disso, voltou-se novamente para Hinata. – Hinata-sama... Nas votações para a decisão se o cargo de líder seria mesmo seu, considerei bem tudo que estava acontecendo com você e sua evolução; e admito que votei por esperarmos até estar mais preparada. – Hiroshi disse e Hinata o encarou mais profundamente, sem piscar os olhos. – Eu estava certo em pensar que você ainda é muito jovem para o cargo, Hinata-sama. Mas me surpreendi com muitas de suas decisões até agora. – disse e Hinata baixou o olhar para as mãos. – Não abaixe a cabeça, Hinata. Você é jovem e ainda imatura, mas está fazendo um bom trabalho. Os moradores do distrito Hyuuga falam muito bem de você. – o conselheiro disse e Hinata o olhou completamente surpresa. – No entanto, você foi estúpida e inconsequente ao engravidar de um homem que não pertence à sua ramificação. Não podemos obrigá-la a matar o seu filho e nem o faremos. Seria a solução mais fácil, mas não seria a correta. Sou um homem religioso e muitos de meus preceitos abominam o aborto. Casá-la com outro homem, um homem da Souke, seria uma solução fácil. Mas esconder de todos do clã e enganar o pai da criança não seria correto. O que nos leva a um dilema. – disse o homem suspirando. Apertou a base do nariz com os dedos, como se estivesse refletindo.

– Não podemos deixar que ela se case com Neji, Hiroshi. Isso criaria uma situação insustentável dentro do clã. – Ren afirmou e o resto dos conselheiros concordou. – Não podemos nos arriscar a isso.

– A solução cabível a este impasse seria casar Hinata com um homem da ramificação principal. Não há outro jeito. – disse outro conselheiro que ainda não havia se manifestado. – A decisão de Hinata-sama de criar o filho não nos deixa muitas escolhas, além disso.

Hiroshi olhou para Hinata atentamente. Ela olhava para o ultimo conselheiro que se manifestara, mas logo desviou os olhos para o conselheiro mais velho.

– Eu sei que isso não resolve o seu problema, Hinata, mas é a melhor solução que irá conseguir. – disse o homem.

– Eu me dou por satisfeita, senhor. – disse Hinata, embora não estivesse satisfeita coisa nenhuma. Nenhum homem seria de sua total confiança como Neji. Nenhum homem aceitaria se casar somente para ajudá-la, sabendo que não teria mais nada em troca; sabendo que ela não seria sua mulher de verdade. – Mas quero escolher meu marido. – a morena disse e Hiroshi afirmou com a cabeça.

– Muito bem, então. – disse o homem. – Faremos isso. Mas por hora, quero conversar com você a sós, Hinata-sama. – disse o homem e Hinata concordou. Esperou todos saírem da sala e sentou-se mais próxima ao velho, para que pudessem conversar melhor.

– O que deseja Hiroshi-sama? – perguntou Hinata, tentando entender o motivo de ter sido chamada para a conversa.

– Hinata... Você cresceu bastante como ninja. E está se saindo bem como líder do clã. Mas ainda tem muito que aprender. – disse o homem e Hinata o olhou, confusa, sem entender realmente onde o velho conselheiro queria chegar. – Você me impressionou com sua pequena mentira sobre Neji. – disse ele e Hinata arregalou os olhos, assustada.

– Não sei do que está falando...

– Claro que sabe. Como conselheiro, observo tudo que acontece no clã. E você e seu primo Neji não estão de fora. A relação de vocês é meramente fraternal. O que nos levaria a pergunta de quem é o pai deste bebê; claro, se eu já não soubesse de quem se trata. – disse Hiroshi, fazendo a Hyuuga mais nova ficar muda. – Um filho de um Uzumaki e de uma Hyuuga. Senti o chakra em formação dessa criança desde que entrou na sala, Hinata. Nunca vi nada igual. Uma combinação interessante. – disse o velho dando um sorriso misterioso o qual Hinata não pôde compreender bem. – Certamente deseja protegê-lo, pois se descobrirem quem é o pai...

– Sim, senhor. Alguém o meu doujutso e com as habilidades de Naruto-kun pode ser muito cobiçado no mundo shinobi. – disse Hinata ingenuamente.

– Claro, muito cobiçado... – o velho refletiu olhou para Hinata estranhamente, deixando-a um pouco assustada. – Hinata... É importante que saiba o que isso significa. – o velho afirmou.

– Mas eu sei o que significa...

– Não, você tem alguma ideia do que isso pode significar. Mas não completamente.

– O que quer dizer? – perguntou a moça.

– Quero dizer, criança, que o filho que agora é gerado em seu ventre será muito mais cobiçado do que você imagina.

[...]

Naruto abriu os olhos lentamente, acordando devagar do sono. Ainda sentia-se cansado; parecia que mesmo que dormisse muito nunca seria o suficiente. É claro que acordar várias vezes durante o sono também não ajudava muito.

Vinha tendo o mesmo sonho desde que ouvira a notícia de que Hinata poderia se casar com outro homem. Lá estava ela, vestida em seu melhor quimono, usando um penteado belíssimo, com a barriga já avantajada pelo filho dos dois, indo em direção ao altar, o rosto corado de felicidade. Indo em direção a um homem que não era Naruto. E não importava o quanto o loiro gritasse que a amava, o quanto tentasse correr até ela e pará-la, só chegava a tempo de ouvir o “sim” pronunciado pela voz doce da Hyuuga.

E daí ele acordava, encharcado de suor e sentindo-se mais cansado do que quando havia ido dormir.

Naruto suspirou. Não entendia mais as atitudes de Hinata. Casar-se com outro? Por que ela não lutava? Por que não lutava para que ficassem juntos? Aquilo não era justo! Aquele era o seu bebê e a sua mulher! E de alguma forma Naruto estava perdendo os dois de uma vez.

– Deve ser por causa do clã... Tem de ser. – Naruto pensou alto. Vinha pensando muito nisso desde o encontro que tivera com a Hyuuga em seu quarto há alguns dias. Era sempre o clã. Talvez, com medo de contar a verdade ao clã, Hinata resolvera se casar com outro homem, não porque o amasse, mas porque era mais fácil. Se dissesse que seu filho era de Naruto, talvez eles mandassem que a criança fosse abortada. Naruto arrepiou-se com o pensamento. É... Talvez fosse isso. Hinata só estava pensando em proteger o filho dos velhos odiosos do clã Hyuuga.

Era uma boa teoria. Mas era somente isso... Uma teoria. Queria que Hinata dissesse mesmo o motivo de tudo aquilo. Pensar naquilo estava deixando Naruto nervoso e imaginá-la casada com outro homem partia seu coração. Estava cansado de como ela parecia estar escondendo as coisas dele e se sentia quase furioso ao ser deixado de fora de uma coisa tão importante quanto aquela.

O pior de tudo é que não se sentia no direito de exigi-la nenhuma resposta para as suas dúvidas. Sabia que Hinata não confiava nele; não depois de tudo que havia feito.

Naruto suspirou. Sentia-se sufocado e de novo teve a sensação de que alguma coisa estava errada; era a mesma sensação que tivera no dia em que Hinata havia sido esfaqueada. Preocupou-se mais uma vez; não ignoraria aquilo de novo. Havia aprendido sua lição. Seus instintos diziam que algo estava errado, então ele iria ouvi-los.

Levantou-se da cama devagar, espreguiçando-se. Iria falar com Tsunade, perguntar se tinha noticias de Hinata. Precisava saber o que estava acontecendo.

Vestiu a roupa laranja costumeira, calçou as sandálias ninja e saiu do apartamento apressadamente.

[...]

Senju Tsunade estava cansada daquele trabalho deprimente. Parecia que toda responsabilidade do mundo estava em seus ombros. Suspirou, mexendo a cabeça de forma que estalasse os ossos do pescoço. Sentiu-se mais relaxada.

Jogou os papéis que tentava ler em cima da escrivaninha raivosamente. Não estava conseguindo se concentrar; sua cabeça estava cheia de problemas que não seriam resolvidos lendo papeis; aliás, problemas que não seriam resolvidos de forma alguma.

Claro, porque Hyuuga Hinata cometera a estupidez de engravidar de Uzumaki Naruto. Tsunade riu ironicamente. Desde o momento em que Sakura aparecera em seu escritório que não parava de pensar naquilo. Quase riu de novo ao pensar no nervosismo da antiga aluna; em pensar que ela não sabia da missa a metade. A junção do doujutso de Hinata com as habilidades de Naruto eram muito mais problemáticos do que Sakura sequer imaginaria. O fato de os dois estarem no bingo book era muito mais problemático do que Sakura pensava. Mas Tsunade resolveu guardar isso para si mesma. Afinal, não queria deixar Sakura mais paranoica do que já estava.

Ouviu um barulho seco na janela, mas não se deu ao trabalho de se virar. Sabia quem estava ali. Ela mesma pedira para que ele viesse.

– Jiraya... Que honra. – Tsunade disse sarcasticamente, embora estivesse mais que feliz por ver o velho amigo.

– É bom ver você também, Tsunade. Mas parece mais amarga do que o normal. – o velho sensei de Naruto brincou e Tsunade riu um pouco, mesmo sem ter achado graça de verdade.

– Se você soubesse das ótimas notícias garanto que também estaria. – a loira disse, enquanto Jiraya adentrava a sala da Hokage completamente e sentava-se em uma das cadeiras à frente de Tsunade.

– E quais seriam as ótimas notícias? – perguntou o homem, servindo-se de um pouco do sakê que estava em cima da mesa da Hokage, como sempre.

– Ah, Hyuuga Hinata se tornou líder do clã Hyuuga, você soube? – Tsunade disse sorrindo amarelo, servindo-se ela própria de sakê.

– Essas são as ótimas notícias? Parecem ótimas de verdade. – Jiraya disse estranhando o porquê de Tsunade parecer tão chateada com uma notícia como aquela.

– Ah, mas você não sabe a melhor parte. – Tsunade disse arqueando uma de suas sobrancelhas, como se estivesse contando uma das maiores fofocas de todos os tempos. E de fato o era. – Ela está grávida. – a loira finalizou tomando um grande gole de seu sakê.

[...]

Naruto atravessou Konoha rapidamente. Queria falar com a Hokage o quanto antes. Precisava saber se ela sabia sobre o casamento de Hinata, o que provavelmente ela estava ciente.

Mas precisava, principalmente, de sua ajuda. Pela primeira vez, Naruto pediria que Tsunade interferisse na história dos dois; não se orgulhava disso. Sempre havia sido capaz de resolver seus próprios problemas, algumas vezes de maneira estúpida, mas conseguia na maioria das vezes.

Porém não dessa vez. Dessa vez não dependia só dele; também dependia de Hinata e esta parecia fazer de tudo para se afastar do loiro. Mas Naruto não iria deixá-la. Estava na hora de começar a lutar por ela.

Entrou no prédio da Hokage e dirigiu-se para a sala de Tsunade. O grande corredor estava vazio, com exceção de algumas pessoas que trabalhavam ali. Naruto cumprimentou a todos e seguiu direto para a sala de Tsunade. Ergueu a mão no ar, a fim de bater na madeira da porta.

[...] Ela está grávida. – ouviu a voz de Tsunade dizer e parou subitamente. Ela estava falando de Hinata?

Ah, é mesmo? – agora era a voz de Jiraya-sensei. Desde quando ele estava na vila? – O que o Naruto acha disso?

O Naruto acha ótimo, já que sempre sonhou em ser pai. – ouviu a loira dizer sarcasticamente. – É claro que o Naruto não sabe o que isso pode implicar, não é? – Naruto baixou a mão que continuava no ar, pronta para bater na porta. Tsunade parecia séria. E se Jiraya estava ali com certeza havia um problema. Escondeu o chakra rapidamente e aproximou-se mais da porta, a fim de escutar melhor.

[...]

Jiraya olhou para Tsunade atentamente. Pôs sua xícara quase completamente cheia de sakê em cima da escrivaninha e sorriu. Mas não era um sorriso feliz. Era quase como se risse de alguma ironia.

– Uma Hyuuga e um Uzumaki, hein? Uma combinação interessante eu diria. Se bem que nós já sabíamos que isso poderia acontecer se eles eventualmente ficassem juntos. – Jiraya argumentou.

– Bom, nós sabíamos que isso não iria acontecer Jiraya. Eles não iriam ficar juntos. Desde que isso começou, nós sabíamos que isso não iria acontecer. Não sob a supervisão de Hiashi. Não quando Hinata se tornasse líder. Eles nunca permitiriam que ela se casasse com alguém que não fosse um Hyuuga... Alguém que não contivesse o tão precioso sangue puro deles.

– E você estava torcendo para que isso acontecesse. – Jiraya disse sem nenhuma emoção, como se já soubesse exatamente o que a velha amiga estava pensando.

– Não torcendo... Mas sim! Você sabe o que isso significa! – Tsunade disse quase gritando.

– Bom, se é assim, deveria ter deixado a garota morrer naquela mesa de operações. Assim todos os riscos com os quais você se preocupa desapareceriam.

– Não diga besteiras! Como se eu pudesse deixar a garota morrer... – Tsunade quase cuspiu. Serviu-se de mais um pouco de sakê.

– Você fala como se essa criança fosse o seu pior pesadelo, Princesa Tsunade. – disse Jiraya sarcasticamente e a loira lhe lançou um olhar mortal. Jiraya suspirou. – Não me diga que está preocupada com aqueles mitos? Ah, vamos, você é melhor do que isso. – Jiraya continuou sorrindo irônico.

– Você sabe muito bem que não são mitos! Meu avô me contou tudo sobre isso... Sem contar que a gente ouve umas coisas muito interessantes quando vira Hokage. – Tsunade disse, virando novamente a xícara de sakê.

– Então você deveria tê-los afastado quando teve a chance. – Jiraya disse quase decepcionado.

– Não podia fazer isso... O Naruto...

– O Naruto não iria aguentar isso. – Jiraya disse e olhou-a profundamente.

– Não. – Tsunade concordou, mas sabia que mesmo assim, seria melhor se Hinata e Naruto nunca houvessem se envolvido.

– Então... O que acontece agora, Hokage-sama? – perguntou o velho sensei, com um olhar sério, dando golinhos no sakê.

– Eu não sei. Não sabemos exatamente o que pode surgir de uma combinação entre um Hyuuga e um Uzumaki. Só sabemos que será poderosa; pelo menos, pelo que dizem as lendas, os dois são descendentes diretos da Deusa Kaguya... Pode até ser que a mistura dos dois sangues tenha originado o Rikudou Sennin (Sábio dos Seis Caminhos).

– “A deusa Kaguya teve dois filhos. O irmão mais velho herdou a capacidade de compreender o chakra e o mais novo herdou a capacidade de compreender a força vital”. – Jiraya recitou a lenda, tentando compreendê-la melhor. – O irmão mais velho é ascendente direto dos Hyuuga, enquanto o mais novo é ascendente direto dos Uzumaki.

– Por muito tempo pensou-se que isso seria aplicado aos Senju e aos Uchiha. – Tsunade disse. – Mas pelo que se sabe, o byakugan pode enxergar melhor o chakra do que o sharingan. Aliás, diz-se que o sharingan é uma derivação do byakugan.

– Eu sei o que se diz. – disse o velho ninja e Tsunade lhe lançou um olhar mortal. – Os Senju têm grande força vital e um poderoso chakra, mas não como os Uzumaki. Aposto que também os Senju são descendentes dos Uzumaki. – disse Jiraya e Tsunade lhe olhou seriamente.

– Sim. Mas o que você não sabe, Jiraya-kun, – disse a loira e enfatizou bem o sufixo para que ele não se enganasse sobre sua ironia. – é que, se por acaso Naruto e Hinata ficarem juntos, a Kyuubi será passada para a criança... Ela será um jinchuuriki.

– E o que isso tem demais? – perguntou o homem, não compreendendo onde a velha amiga queria chegar com aquilo. Tsunade sorriu.

– Há parte da lenda que você não conhece Jiraya... Como se sabe, os dois irmãos deram origem a clãs diferentes. Os clãs Hyuuga e Uzumaki; os dois clãs eram aliados, claro. Era como se todos fossem irmãos. E de fato eram. Mas com o passar dos anos, os dois clãs se deslocaram e perderam contato. Poucos eram os das novas gerações que sabiam da história de origem dos clãs. Até que a história se perdeu e os clãs perderam contato de vez.

– Eu entendo, mas... – Jiraya tentou argumentar, mas Tsunade não deixou.

– Não me interrompa! Diz-se que há muito tempo, uma Hyuuga se apaixonou por um Uzumaki... Não puderam ficar juntos, pois seus clãs não permitiram. Mas os dois ficaram juntos mesmo assim... E acabaram gerando um filho bastardo... Esse filho era o Sábio dos Seis Caminhos. A criança cresceu e aprendeu tudo sobre o chakra, pois era filha de uma Hyuuga. E também possuía grande força vital e poderoso chakra, pois era filha de um Uzumaki.

– Mas o que isso tem a ver com o fato de a criança poder se tornar um Jinchuuriki? – Jiraya perguntou, sabendo, de alguma forma, que aquela era a informação mais relevante de toda a conversa.

– Você não se lembra da lenda, Jiraya-kun? Tenho certeza que essa parte você conhece. – Tsunade perguntou já meio bêbada pela quantidade de sakê ingerida. – O Sábio dos Seis Caminhos selou a Dez Caudas em si mesmo, depois de ter criado os ninjutsos com as informações conseguidas com o byakugan e o poderoso chakra que possuía por ser um Uzumaki.

– Sim, eu me lembro dessa parte, Tsunade. – disse o homem já sem paciência. – Vá direto ao ponto.

– O que você não sabe é que... – soluçou. – Somente depois de selar a Juubi e virar um jinchuuriki é que o Rikudou Sennin despertou o Rinnegan. – disse a mulher e sorriu amarelo como se esse fosse o ponto da conversa em que quisesse chegar finalmente.

– Você está me dizendo que...

– Estou dizendo, Jiraya, que essa criança que hoje cresce no ventre de Hinata não será somente poderosa... Será quase um deus. Ela possuirá o sangue dos dois irmãos. O sangue do Sábio dos Seis Caminhos e, consequentemente, o sangue da deusa Kaguya.

[...]

Naruto escutava tudo com os olhos arregalados e o coração acelerado. Então era isso... Era isso que Hinata escondia dele? Ela sabia de tudo aquilo?

Afastou-se da porta sem entender o que estava acontecendo. Cambaleou pelo corredor do prédio e foi em direção à saída. Sentia-se sufocado. Já tinha ouvido falar dessa lenda, o próprio Jiraya havia lhe contado quando mais novo; mas, claro, pareceu omitir as partes mais convenientes. Então quer dizer que ele e Hinata eram descendentes de uma deusa? Do criador dos ninjutsos e do mundo ninja? E sobre aquela parte de uma Hyuuga se apaixonar por um Uzumaki?

Naruto ofegou. A história estava se repetindo. Seriam ele e Hinata as reencarnações daqueles dois amantes desafortunados?

Claro! Então era por isso que ela iria se casar com outro! Não queria que ninguém soubesse que o filho pertencia a Naruto; se soubessem que aquela criança era descendente dos dois clãs, o bebê iria ser caçado. Afinal, quantas pessoas sabiam daquela lenda? Com certeza, não apenas Tsunade e Jiraya. Tudo se encaixava agora.

Hinata havia pensado em tudo. Só estava agindo de forma que protegesse o filho dos dois. Casando-se com um Hyuuga, ninguém desconfiaria. Era um plano perfeito.

Naruto abriu as portas do prédio abruptamente, assustando algumas pessoas que passavam por ali. A luz do sol cegou-o por um instante, mas o ar fresco lhe fez bem. Só havia uma coisa que não se encaixava...

– Kyuubi! – o loiro vociferou entre dentes. Estava furioso. Ouviu a risada demoníaca da Kyuubi em sua mente e sentiu-se tonto. Sentiu um pequeno filete de sangue sair de seu nariz e limpou-o com o pulso. – Seu demônio! – Naruto exclamou completamente irritado, agora entendendo tudo o que estava acontecendo. Sentiu as pernas ficarem fracas e caiu de joelhos na calçada em frente ao prédio da Hokage. Viu algumas pessoas ao longe gritando seu nome e correndo para ajudá-lo. Elas pareciam se mover em câmera lenta.

Sentiu seu corpo bater contra com chão duro e quente e, logo após, foi levado para dentro de seu próprio inconsciente.

[...]

Naruto levantou-se do chão úmido de seu interior furioso. Dirigiu-se para frente da jaula da Kyuubi e a encarou com desprezo.

– Você planejou tudo. – disse o loiro. – Você sabia da lenda! Sabia da história dos dois descendentes que se apaixonaram! Você armou para mim! – o loiro gritou quase perdendo o controle.

– Eu não fiz nada. – a Kyuubi defendeu-se. – Eu sabia que a Hyuuga era apaixonada por você e sabia da lenda. – disse o demônio com a voz grave e assustadora. – Mas não fiz você se apaixonar por ela. Não manipulei os seus sentimentos.

– Então como...

– Você simplesmente se apaixonou, garoto. Não é difícil de entender. – respondeu o demônio já cansado das idiotices de Naruto. – É claro que pensei que a história era muito parecida. Assim como os personagens dela. E, como você, pensei que vocês eram reencarnações dos dois amantes Hyuuga e Uzumaki. Então dei um empurrãozinho para que a história se repetisse... – disse a Kyuubi mostrando todos os dentes afiados em um sorriso demoníaco. – Você não imaginou mesmo que eu fiz isso por você, não é? Ora, pelo visto continua um garotinho tolo. – a Kyuubi disse divertida.

– Você me manipulou! – Naruto exclamou.

– Não. Eu te ajudei. – disse a Kyuubi. – Você não sonha com a paz no mundo shinobi? Não foi isso que prometeu àquele idiotazinho do Pain? Ele se achava um deus, mas esta criança... Esta criança será um deus. Um de verdade. Será ela a conseguir a sua tão almejada paz, Naruto.

Naruto calou-se. Olhou para a Kyuubi com o máximo de desprezo que continha em seu olhar.

– Você disse que não poderia viver dentro de mim... Se eu por acaso perdesse a Hinata... Você...

– Ah, uma pequena mentira te fez esquecer o assunto... Até agora. Eu já suportei todos os tipos de sentimento, garoto. Isso seria o de menos.

– Então por quê? O que você ganha com isso? – perguntou o loiro com os dentes cerrados.

– Você nem consegue imaginar, não é? – perguntou a raposa de nove caudas, enfadada com a estupidez de Naruto. – Por que mais seria? Eu serei um deus. Quando seu filho estiver pronto para me receber... Ele se tornará um jinchuuriki. Desenvolverá o Rinnegan. Será um deus. E eu também. – disse a raposa e o rosto de Naruto contraiu-se de raiva. O maxilar estava travado, como se lutasse para não dizer nenhuma besteira.

– Se depender de mim, o meu filho nunca se tornará um jinchuuriki. – disse o Uzumaki com os olhos sérios e a voz grave.

– Então paguemos para ver. – disse o demônio de nove caudas, com um sorriso arrepiante que Naruto achou nojento.

Notas finais
Primeiro: A lenda não é bem assim, eu modifiquei para que coubesse melhor na história; Segundo: Quem nunca se enganou com a Kyuubi levanta a mããão! o/ Mas fala aí, enganei vocês direitinho, né? muahaha Mereço reviews? *______________________*