Cinco Minutos
23 Especial: Deixe-a ir
Notas iniciais
“É da natureza humana não perceber o real valor de uma coisa, ao menos que a perca.” – Naruto.
Sabe aquilo que dizem? Que quando você ama muito alguém deve deixá-la ir... Se voltar é porque sempre foi sua. Se não... Bem...
Acontece que isso não é verdade. Se você ama muito alguém nunca a deixe ir. Ame-a de todo o coração, proteja-a com toda a sua força e faça com que ela nunca esqueça que você a ama... Porque mesmo que já tenha pertencido a você, poderá nunca mais ser sua.
Era assim que eu me sentia em relação à Hinata. Nós tínhamos passado por muitas coisas; tínhamos sobrevivido a muitas coisas. Mas parecia que nunca seria demais. Parecia que o universo fazia questão de nos separar mais a cada dia.
Eu caminhava completamente desanimado em direção ao distrito Uchiha. Sabia que Sakura e Sasuke estariam lá. Precisava falar com os meus amigos. Algumas pessoas acenaram para mim no caminho e eu lhes sorri, embora estivesse infeliz.
Olhei ao redor da vila. As pessoas riam e algumas crianças corriam umas com as outras, talvez competindo para ver quem seria o mais rápido. Sorri pensando no meu filho. Pensando em como seria segurá-lo pela primeira vez... Em como seria vê-lo dando a primeira gargalhada. E de novo entristeci. Porque agora eu sabia que era muito melhor que me filho nunca soubesse que eu era o seu pai. Minha família não era mais minha.
Desviei o olhar das crianças e andei mais rápido em direção à casa de Sasuke. Era melhor parar de pensar naquilo. Avistei o distrito Uchiha ao longe e me apressei mais, torcendo para que Sakura e Sasuke ainda estivessem ali.
Quando finalmente cheguei à frente da casa, bati na porta de leve. Suspirei quando ouvi movimentação lá dentro.
– Já estou indo. – era a voz de Sakura. Saiu abafada por causa da porta, mas não parecia sonolenta, então julguei que já estivesse acordada há algum tempo. A porta se abriu de repente e Sakura me encarou surpresa. Olhou-me por um instante que me pareceu ser longo, analisando minhas expressões. – Você não parece muito bem.
– E não estou. – disse e entrei na casa quando ela se afastou para me dar passagem. – O Sasuke está aqui? Queria falar com vocês dois. – eu disse e Sakura confirmou com a cabeça.
– Sasuke-kun? – ela chamou com a voz alta o suficiente para que Sasuke ouvisse mesmo estando no andar de cima. Joguei-me no sofá e deitei-me, enquanto ouvia uma porta ser aberta no segundo andar e logo depois Sasuke aparecer na escada.
– O que aconteceu? – ele perguntou enquanto descias as escadas lentamente. Ele sim parecia estar dormindo. Foi só quando chegou ao meio da escada que pareceu me notar. – Você aqui há essa hora? – ele zombou, mas eu não sorri. Ao ver minha reação, Sasuke ficou mais sério. – Hinata? – ele perguntou e eu já ia responder quando percebi que a pergunta não era dirigida a mim e sim a Sakura.
– Eu não sei. – ela respondeu e eu revirei os olhos. – Mas ele parece preocupado, você não acha? – a rosada perguntou para o namorado.
– Dá para pararem de falar de mim como se eu não estivesse aqui? – perguntei zangando-me. Não estava com paciência para aquilo. – E sim, é sobre a Hinata, teme. – eu disse e Sakura e Sasuke suspiraram, olhando-se cúmplices. Eu estreitei os olhos. – Vocês estão me escondendo alguma coisa. – eu disse e os olhei meticulosamente.
– Não. – eles disseram em uníssono. – Claro que não. – disseram juntos novamente.
– Não foi uma pergunta. – eu disse, porque sabia que eles estavam escondendo alguma coisa. Mas, daquela vez, eu não me importei. Outra coisa mais importante me preocupava. – Vocês são os piores amigos do mundo. – eu brinquei e ouvi Sakura rir baixinho, enquanto Sasuke sorria quase imperceptivelmente.
Vi Sasuke sentar em uma poltrona que havia perto do sofá e Sakura sentar-se no chão, perto dos seus pés.
– O que houve agora? – Sakura me perguntou. Percebi que ela estava um pouco nervosa, mas deixei passar de novo.
– Eu fui ao distrito Hyuuga, vocês sabiam? Eu fui ver a Hinata. – eu contei e Sakura se mexeu desconfortável no chão.
– Você o quê? Naruto! Nós não tínhamos combinado que você não ia fazer nenhuma besteira? – Sakura ralhou e suspirou. Parecia irritada comigo.
– E não fiz. Quem me chamou foi o Neji. – eu disse e eles se olharam sem entender.
– O Neji? – Sasuke perguntou quase surpreso.
– Sim. – eu disse simplesmente. – Parece que a Hinata o pediu em casamento. – eu disse e vi os olhos de Sakura se arregalarem. – Quem fez besteira foi ela... Se bem que agora que sei de algumas coisas, não tenho certeza de que foi tanta besteira assim. – eu disse. – Acho até que pode ser melhor que ela se case com ele. – eu disse, embora quase não pudesse controlar a raiva ao pensar em Hinata casada com outro.
– Como assim ela pediu o Neji em casamento? – Sasuke perguntou. Mas eu não prestei atenção nele. Olhei atentamente para Sakura que tinha uma careta esquisita de quem estava se sentindo culpada. Sasuke seguiu o meu olhar e estreitou os olhos ao olhar para a namorada. – Sakura...? – ele chamou, quase exigindo explicações.
– Eu acho que sou a culpada... – disse ela e eu coloquei as mãos no rosto suspirando fortemente. – Desculpe Naruto... Eu só queria ajudar. – Sakura falou e embora eu soubesse que talvez fosse melhor mesmo toda a história acabar daquele jeito, não pude evitar me sentir com raiva dela. – Eu... Fiquei assustada depois que soube de umas coisas... Fui ver a Hinata e esclareci tudo... Acho que ela também se assustou. Por isso pediu o Neji em casamento. – Sakura disse. Ah, então Hinata também sabia da história.
– Então a vovó Tsunade também contou te contou? Rikudou Sennin... Quem iria imaginar uma coisa como essa? – perguntei a mim mesmo. Afinal, quais eram as chances de isso acontecer?
– Rikudou Sennin? – Sasuke perguntou aparentemente sem entender do que eu falava. Olhou de mim para Sakura. – Que história é essa de Rikudou Sennin? – ele perguntou olhando para ela, mas Sakura também fez uma careta de confusão.
Olhei para os meus dois amigos e finalmente percebi que eles não sabiam daquela história.
– Vocês não fazem a menor ideia do que eu estou falando. – eu disse seriamente e os dois me olharam esperando que eu contasse toda a história. – Então o que você disse à Hinata? – perguntei confuso à Sakura.
– Ora, sobre o bingo book. – Sakura disse simplesmente e eu a olhei com os olhos estreitos sem entender. Só depois de alguns instantes tudo pareceu se encaixar. – Ah, meu Deus. – eu disse. – Nós estamos no bingo book, não é? – eu perguntei. Aquilo se tornava cada vez pior. Então não bastava meu filho ser quase o novo Sábio dos Seis Caminhos, ainda eu e Hinata estávamos naquela droga de livro. Claro que, desde sempre, eu estou sendo caçado; mas Hinata estar no livro era um grande problema. – Isso está ficando cada vez pior. – eu disse passando as mãos no rosto e esfregando.
– Naruto... Por favor, nos explique, não estou entendendo. Você claramente não sabia do livro... Então o que está acontecendo? E o que tem o Rikudou Sennin? – Sakura perguntou. Parecia estressada. Só agora reparei bem nela. Tinha grandes olheiras ao redor dos olhos e parecia cansada, como se não dormisse bem há algum tempo.
– Bom... Vocês conhecem a lenda da deusa Kaguya, não é? – eu perguntei e eles assentiram. – Parece que a tal deusa teve dois filhos. Cada um desses filhos originou um clã distinto. O clã Hyuuga e o clã Uzumaki... – eu disse e Sakura abriu a boca, surpresa. Sasuke se remexeu na poltrona, posicionando-se para ouvir melhor.
[...]
– Eu não acredito nisso! – Sakura disse com as mãos na boca, depois que eu terminei de contar a história. Seus olhos estavam arregalados. Sasuke olhava sério para mim, analisando a situação. – Você está me dizendo que você e a Hinata tem o sangue de uma deusa poderosa da mitologia japonesa, porque são descendentes dos clãs que os filhos dela originaram...
– Sim. – eu afirmei.
– [...] E, se isso não bastasse, a junção do sangue de vocês vai originar um novo Sábio dos Seis Caminhos. Seu filho vai ser um deus. – Sakura disse repetindo toda a informação. – Muito bem... – Ela falou se levantando e indo em direção à cozinha.
– O que ela vai fazer? – eu perguntei ao Sasuke, mas ele deu de ombros. – Você está muito quieto... Em quê está pensando? – eu perguntei e Sasuke juntou as duas mãos na boca, apoiando os cotovelos nas pernas, como costumava fazer quando era mais jovem, quando analisava a situação.
– Você não contou toda a história. – disse Sasuke, sabendo que alguma coisa não se encaixava.
– Você tem razão. – eu disse sorrindo de canto. – O meu filho ainda não é um deus. De acordo com a história de Tsunade, o Sábio dos Seis Caminhos só adquiriu todo o seu poder depois de se tornar um jinchuuriki. Foi só então que conseguiu despertar o Rinnegan. – eu disse e Sasuke me olhou profundamente.
– Isso seria bem interessante. – Sasuke completou, sabendo da gravidade da situação. Nós dois rimos sem achar graça de verdade. – Então apenas não sele a Kyuubi nele. – o Uchiha disse, mas eu sabia que não era assim tão simples. Não sabia de nenhuma história de algum jinchuuriki que morreu antes de passar o bijuu para outra pessoa. E se por acaso, na minha morte, a Kyuubi se libertasse e destruísse Konoha outra vez?
– É... Não sei. – eu disse, mas sabia que Sasuke estava pensando na mesma coisa.
– A Sakura estava tendo pesadelos com essa história do bingo book... Imagine agora sabendo disso. – ele desabafou e eu suspirei. Olhei para o teto e respirei fundo. – Ela está paranoica com isso; está preocupada de estarmos sendo espionados. – disse meu amigo e eu ri pelo nariz.
– Sinceramente? Eu estou sendo caçado e espionado desde que me lembro. Não estou muito preocupado de meu nome estar no bingo book... Agora quanto à Hinata... – eu desabafei e Sasuke me olhou sério. – Eu sei que como descendente direta da casa principal ela deve estar no livro há algum tempo também, mas...
– Mas agora esperando seu filho... Se descobrirem vão caçá-la até no inferno, Naruto. – ele me disse e eu revirei os olhos.
– Isso me deixa bem melhor, muito obrigado. – eu disse com o máximo de ironia que pude. Daqui a pouco Sakura aparece de volta da cozinha com uma garrafa escrita SAKÊ e três copos em mãos.
– O que é isso Sakura? – Sasuke perguntou, sem entender as atitudes da Haruno.
– Nós vamos comemorar as ótimas notícias? – eu perguntei sarcasticamente.
– Não. – Sakura me olhou um pouco irritada. – Nós vamos beber. – ela disse e eu olhei para Sasuke um pouco assustado.
– Eu não quero beber. – eu declarei e Sakura me olhou profundamente.
– A mulher da sua vida não te quer, vai se casar com outro e pode ser caçada por um bando de ninjas que querem a cabeça dela. Aliás, seu filho será um deus. O novo Rikudou Sennin... Se descobrirem isso agora, sua mulher, que ainda está grávida, será caçada até no inferno. Sem contar que provavelmente seu filho não saberá que é seu filho. Então, acredite em mim... Você quer beber.
[...]
Ela tinha razão. Eu queria mesmo beber. Já estávamos na terceira garrafa de sakê. Vi Sakura sentando no colo do Sasuke, as pernas separadas pelo tronco dele, tentando inutilmente ser sexy. Mas a única coisa que eu conseguia enxergar era uma pateta completamente bêbada e desengonçada subindo em Sasuke.
Eu ri abertamente, também completamente bêbado. Mas parecia que ele estava gostando. Os dois começaram a se beijar fortemente e eu fiz uma careta. Claro que eu não ficaria ali para ver aquilo.
– Eu acho que vou vomitar. – eu declarei, mas acho que eles nem me ouviram. Peguei a garrafa de sakê de cima da mesinha da casa do Sasuke e saí porta afora.
O dia parecia estar passando em câmera lenta. Eu sabia que a ainda não era tão tarde porque o sol forte de Konoha ainda não queimava minha pele. Ainda estava meio frio, como se ainda fosse manhã. Tomei um gole generoso do sakê e senti minha garganta arder. A bebida fez efeito rápido, porque de repente fiquei ainda mais tonto do que já estava.
Ouvi um gemido feminino dentro da casa e fiz uma nova careta, suspirando. Ótimo. Eles estavam transando no meio da sala de estar, então nem podia considerar voltar. Desejei ir para casa, mas não fazia a mínima ideia de como voltar. Então apenas sentei no batente morno da varanda da casa principal dos Uchiha e bebi mais um pouco de sakê. Ouvi mais um gemido.
– Que porra... – lamentei e tentei tapar os ouvidos. Odiei meus amigos naquele instante. Quero dizer, eu sabia que eles não eram lá as pessoas mais felizes do mundo; até porque o Sasuke mesmo disse que Sakura estava paranoica com algumas coisas. Mas eles eram felizes um com o outro. Eles eram perfeitos um para o outro. Assim como eu imaginava ser perfeito para Hinata. Mas não era. Ela sempre seria perfeita para mim; sempre gentil, sempre ao meu lado... Mas, infelizmente, eu não era perfeito para ela. Nunca havia sido.
Senti meu coração apertar. Um nó se formou em minha garganta. Tive tanta inveja de Sasuke e Sakura naquele instante que senti até um pouco de raiva. Mas, principalmente, senti tanta saudade de Hinata que doeu. Respirei fundo tentando me acalmar e bebi mais um pouco de sakê. Aquilo constantemente acontecia. Às vezes eu me pegava respirando fundo em situações inconvenientes. Quando era convocado pela Hokage ou quando estava simplesmente conversando com alguém. De repente me lembrava de Hinata. E me sentia tão sufocado que ficava tonto.
Sakura gemeu mais uma vez e eu bufei. Tomei o ultimo gole do sakê e simplesmente levantei, querendo ir para casa. Não sabia que caminho tomar, mas consegui chegar à entrada do clã sem problemas. Ainda poderia me virar e achar o meu caminho.
As ruas de Konoha ainda continuavam alegres, mas meu estado mental estava severamente comprometido; talvez não estivessem tão alegres assim. Vi algumas pessoas acenarem para mim de novo, mas quando viam o meu estado, cambaleando pelas ruas de Konoha, elas me olhavam preocupadas e paravam de repente de acenar, olhando-me estranhamente.
– Naruto? – alguém me chamou. Eu conhecia aquela voz, mas não lembrei a quem pertencia. Olhei ao meu redor e quase cai com o giro, mas alguém me segurou. Tentei focar minha visão no rosto de quem me ajudou.
Surpreendi-me ao dar de cara com Kiba.
– Kiba... – eu falei com a voz arrastada. – Cara, há quanto tempo não vejo você... – eu disse, quase feliz por vê-lo. Tenho certeza que por culpa da bebida.
– Você está mesmo bêbado a essa hora da manhã? – ele me perguntou incrédulo. Realmente, não parecia muito comigo.
– Você bem que entende não é? – eu disse, referindo-me a época em que ele não saía dos bares por causa de Hinata, e me xinguei por dentro, não podendo controlar muito bem minhas ações.
– Sim, eu entendo bastante. – ele disse e riu um pouco. Eu ri com ele também. Quase gargalhei. – E tenho certeza de que você também está bêbado pelos mesmos motivos. Ou quase.
– Hinata... – eu sussurrei para ele como se estivesse contando um segredo, quando na verdade todos sabiam que eu a amava. – Sakura disse que eu devia beber... Mas não está ajudando muito. – eu desabafei enquanto Kiba colocou um dos meus braços em seus ombros, me levando para algum lugar que eu não pude distinguir qual era.
– Sakura? Você estava com ela agora? – ele perguntou e eu afirmei com a cabeça.
– Nós estamos todos bêbados. Tooodo o time sete. – eu disse e ri.
– E por que você não está mais com os seus amigos? Eles não deviam ter deixado você sair. – ele afirmou quase indignado.
– Eles nem perceberam. Estavam muito ocupados transando na sala de estar. – eu disse e arregalei os olhos, como se estivesse contando a maior fofoca de todos os tempos. Kiba olhou-me e riu, balançando a cabeça negativamente.
– Você está bem acabado, cara. – ele disse ainda rindo e eu o acompanhei. – Não te culpo. Ainda estou destruído também. – ele desabafou e eu o olhei compreensivo. Ou com o máximo de compreensão que pude; afinal, ele ainda falava da minha mulher e eu ainda estava completamente bêbado.
Depois de andar um pouco, eu finalmente percebi para onde estava me levando. Era a minha casa. Agradeci mentalmente à Kiba quando chegamos à porta do meu prédio. Finalmente eu estava em casa. Ele me pediu às chaves e eu as tirei do bolso com um pouco de dificuldade. Daí a pouco Kiba me carregou pelas escadas até o meu apartamento.
– Caramba, que lixo! – ele exclamou quando abriu a porta de casa e eu ri debilmente, sem achar graça de verdade.
– Lar, doce buraco na terra. – eu disse e Kiba riu, jogando as chaves numa mesinha que havia por ali enquanto eu me jogava no sofá. Kiba se sentou numa poltrona em frente ao meu sofá. Nós ficamos em silencio por algum tempo.
Olhei para o meu antigo amigo. Não lembrava exatamente quando nós paramos de conversar e até de sermos amigos de verdade, mas até que eu sentia falta dele. Não sabia que sentia, até vê-lo agora, pela primeira vez em muito tempo, depois que Hinata finalmente escolhera com que iria ficar: nenhum de nós dois.
– Senti sua falta cara. – eu disse seriamente, a voz ainda embolada pela bebida, mas sério. – Eu ainda te odeio, mas realmente senti sua falta.
– Eu também te odeio. – ele disse simplesmente e sorriu de leve. Com minha mente nublada pela bebida eu não pude saber com certeza, mas talvez aquele sorriso significasse que ele também sentiu a minha falta.
Ficamos em silencio mais um tempo. Não tínhamos muito que dizer; nem sabíamos muito sobre como conversar agora.
– Como você lida com isso? Com a falta dela... Como lida com isso? – eu perguntei. Eu sabia que provavelmente ele se levantaria e sairia da minha casa, mas mesmo assim eu tive que perguntar.
– Eu não sei. – ele disse e baixou o olhar para as mãos. – Eu me levanto todo dia. Passo um tempo com a minha família. Treino um pouco. – ele disse dando de ombros. – Eu tento ocupar minha mente o máximo possível, para que eu não consiga pensar nela. Até que eu deito na minha cama, à noite, e estou tão cansado que apenas durmo. – ele disse e eu o olhei seriamente. Talvez fosse verdade o que Kiba estava me dizendo; mas talvez fosse uma meia verdade. Eu também passava por isso. E sabia que não era tão fácil assim.
– Eu tento respirar lentamente todos os dias. Seguir em frente, a passos de bebê, sabe? – eu perguntei retoricamente. – E às vezes dá certo. Às vezes passo um dia inteiro sem pensar nela. Até que deito na cama... E de repente vejo a imagem de Hinata. E sinto tanta dor que não consigo respirar. – eu disse. Minha visão estava voltando ao foco lentamente e eu me sentia mais como eu mesmo novamente; o efeito da bebida já estava passando. – Sakura disse que beber ia me ajudar... Mas nada vai me ajudar. Tudo o que eu consigo é pensar nela, a cada instante do dia... Às vezes estou apenas caminhando e tenho que parar porque alguma flor me lembrou dela ou algum cheiro me lembrou do cheiro dela e eu me sinto tão inútil e com tanta saudade que não consigo mais caminhar. – eu desabafei e Kiba me olhou com um sorriso meio quebrado no rosto.
– Como uma mulher pode fazer isso com dois homens? – ele perguntou e eu sorri também.
– Eu não sei. – eu disse e não sabia mesmo. Respirei fundo de novo. – Mas sendo uma mulher como Hinata... Fico surpreso que não estejamos agora mesmo, nós dois, implorando a ela mais uma chance. – eu falei e Kiba sorriu, acho que concordando comigo. – Você é um bom amigo Kiba... Obrigado por vir me deixar em casa. – eu disse. Minha voz também estava voltando ao normal. Kiba riu de mim.
– Não pense que isso muda as coisas, Uzumaki. – ele disse e eu o olhei com uma de minhas sobrancelhas erguidas. – Você ainda ama a mesma mulher que eu. – ele disse e eu ri. – Isso nos torna rivais para sempre.
– É... Você deve ter razão.
[...]
Kiba saiu depois de um tempo. Não lembro exatamente em que parte da conversa eu decidi que estava cansado demais e resolvi ir para cama tentar dormir um pouco. Só sei que logo após me ajudar, o Inuzuka saiu do meu apartamento e me deixou sozinho.
Depois do que pareceu ser muito tempo dormindo – estava completamente destruído depois de beber tanto com os meus amigos – eu finalmente acordei, ainda pior. Minha cabeça estava me matando e meu corpo doía tanto que parecia que alguém havia passado horas me batendo.
Levantei da cama cambaleando e fui ao banheiro. Enfiei minha cabeça em baixo da torneira da pia e bebi goles generosos; não havia percebido que estava com tanta sede. Logo após, entrei no box e liguei o chuveiro. A água estava gelada, mas eu não me importei; apenas entrei de roupa e tudo. Encostei minha testa na parede e deixei que a água escorresse pelo meu corpo.
Depois de algum tempo, tirei as roupas encharcadas; estavam pesadas demais e eu estava cansado demais para apenas ficar de pé. Quanto tirei a ultima peça e joguei para fora do box, sentei-me no chão debaixo do chuveiro.
E fiquei assim por bastante tempo, com a mente vazia e olhando para o nada. Até que comecei a chorar. Senti meu peito ficar pesado e um nó se formar em minha garganta. E, quando dei por mim, estava soluçando.
Podia ser o efeito retardado da bebida. Ou somente a dor de cabeça. Podia ser a ressaca. Mas de repente me senti como um lixo. Senti-me tão rejeitado e tão inútil que não consegui me controlar. Quero dizer, tudo que era meu parecia estar sendo tomado de mim. Hinata... Meu filho... Tudo que eu queria fazer era protegê-los. Mas não podia. Porque ficar perto de mim os colocaria em mais perigo do que já estavam.
E, para completar, Hinata casaria com outro. Quero dizer, mesmo depois de tudo, depois do baile, da luta e da quase morte, eu realmente tinha esperanças de que tudo fosse se ajeitar entre nós. Tive esperanças de passar ao menos um tempo de felicidade, só nós dois, juntos, sem problemas... Mas é claro que não fora assim. Toda a nossa história era resumida em dor e tristeza. Mal me lembrava dos nossos momentos de alegria. Quero dizer, quase não tínhamos tido momentos de alegria.
E agora eu estava de novo mergulhado naquela mesma solidão que já era tão familiar para mim.
Esfreguei as mãos no rosto tentando me acalmar. Senti meu estomago revirar e levantei rapidamente do chuveiro, saindo do box e me agachando em frente ao vaso sanitário. E daí eu vomitei. Sofregamente, vomitei tudo que havia comido e grande parte da bebida que havia ingerido.
Dei descarga no vaso, desliguei o chuveiro e saí do banheiro sem me preocupar em me enxugar; deitei na cama, de novo, nu e encharcado. E dormi.
[...]
Acordei algum tempo depois ainda me sentindo mal. Olhei para o relógio digital no criado mudo. Ainda eram onze horas e cinco minutos da noite do mesmo dia. Suspirei. Levantei da cama, ainda sem roupas e fui para perto da janela.
A lua cheia iluminou meu rosto, assim como iluminava meu quarto parcialmente. Um vento frio arrepiou todos os pelos do meu corpo nu. Olhei para a lua enorme e perolada. E ri tristemente.
– Mas que porra... – comentei baixinho, desviando meu olhar da lua que se parecia tanto com os olhos dela e olhando para minhas mãos entrelaçadas. – Mas que porra! – eu quase gritei e saí de perto da janela, irritado. – Merda! Merda! Merda! – eu gritei cada vez mais alto. Senti as lágrimas invadirem meus olhos novamente, enquanto jogava um dos meus abajures na parede do quarto.
Senti minha respiração acelerar de raiva e urrei para o nada, completamente frustrado.
– Já chega! Já chega! — eu gritei e esfreguei meu rosto com a palma das minhas mãos. – Eu mereço mais do que isso! Eu... Eu salvei o mundo! – eu gritei, olhando para cima, como se gritasse com alguém superior a mim. Talvez Deus... Mas eu não sabia se acreditava mesmo em Deus. – Eu mereço mais do que isso... – eu disse e desabei no chão chorando compulsivamente.
Por que todos podiam ser felizes e ter famílias e se apaixonar por alguém, menos eu? Por que eu não podia ter tudo? Por que eu não podia ter Hinata? Eu merecia... Eu merecia alguém que me amasse... Por que parecia que ninguém entendia aquilo? Não estava na hora de eu ser feliz? Eu merecia.
Quanto se tratava de mim, tudo parecia infinitamente mais difícil. E eu desejei, de repente, com todas as minhas forças, ser alguém por quem as pessoas lutavam e não o contrário... Porque ninguém nunca lutou por mim. E eu estava cansado de lutar por tudo e para salvar todo mundo.
– Eu mereço mais do que isso... – eu disse novamente, baixinho e infeliz. – Eu mereço Hinata... – eu disse.
“Então vá atrás dela...” – ouvi uma voz na minha cabeça dizer. Mas não era a raposa de nove caudas. Dificilmente um demônio como aquele teria a voz tão doce quanto a que eu escutei. Não... Era a voz dela. Era voz dela que dizia para mim, a voz da Hinata que vivia em mim, a mesma Hinata que encontrei há algum tempo, quando estava quase desistindo da minha Hinata.
E quer saber? Foi isso que eu fiz.
[...]
– Burro, burro, burro, burro! – eu disse, movendo os lábios, mas sem que saísse som algum. Lá estava em frente ao portão do clã Hyuuga, sem saber se entrava ou saía. Embora já fosse quase meia noite, algumas pessoas ainda passavam por ali. Eu sabia que se quisesse poderia simplesmente destruir aquele portão, mas convenhamos que não era lá a ideia mais sensata do mundo. Quero dizer, a parte de estar em frente ao clã de Hinata àquela hora da noite, prestes a invadi-lo também não era muito inteligente.
Eles poderiam me matar. Eles iriam me matar. Respirei fundo. Mas eu queria muito entrar e ver Hinata... Eu iria entrar para vê-la.
Esperei o lugar esvaziar relativamente e escalei o portão, fazendo o mínimo de barulho possível. As traves eram lisas, escorregadias e frias, como o ferro deveria ser, mas eu tinha mãos ásperas. Sem contar o chakra que eu estava usando para me manter colado ao ferro.
Depois de não muito esforço, eu pulei para dentro do clã. Assim que meus pés tocaram no chão eu corri tão rapidamente que, ironicamente, somente alguém com byakugan poderia ter me visto. Por sorte, parecia que tudo correria ao meu favor.
A casa de Hinata ficava exatamente no meio do clã e o seu quarto ficava na varanda da esquerda. Não parei de correr. Quando cheguei perto da parede, simplesmente continuei correndo nela, até alcançar a janela do quarto da morena.
Pousei no chão suavemente. Um vento frio, mas suave passou por mim. A luz do quarto de Hinata estava acesa, mas eu sabia que ela não podia me ver. Escondi meu chakra e vi sua silhueta se movimentando através da cortina branca. Ela se movia lenta e graciosamente. Meu coração acelerou e eu sorri minimamente.
Ouvi-a cantarolar alguma coisa como uma música de ninar. Era uma música meio triste e eu acho que já a tinha ouvido em algum lugar.
– Natsuhiboshi, naze akai?
(Estrela do verão, por que é vermelha?)
Yuube kanashii yume wo mita
(Noite passada eu tive um sonho triste)
Naite hanashita
(Chorando contei)
Akai me yo
(Com olhos vermelhos)
Natsuhiboshi, naze mayou?
(Estrela do verão, por que confusa?)
Kieta warashi wo sagashiteru
(Está procurando por nós)
Dakara kanashii yume wo miru
(É por isso que eu tenho sonhos tristes)
Hinata cantava suavemente, quase perfeitamente. Ela ainda cantarolou por um tempo antes de cessar a canção e eu senti-me decepcionado por não ouvir mais o som de sua voz.
– Ah, não... – eu disse, um pouco alto demais. Vi Hinata virar-se bruscamente para o lado da janela, o lado em que eu estava.
– Naruto-kun? – ela disse.
“Caramba.” – pensei, sorrindo abertamente. Ela já sabia que era eu.
Vi Hinata movimentar-se para perto da janela cautelosamente. Abriu a cortina bruscamente e arregalou os olhos quando me viu, surpresa.
– Sua voz é linda. – eu disse quando ela me olhou e vi Hinata corar um pouco, mesmo parecendo bastante irritada.
– Você está criando o terrível hábito de invadir o meu distrito. – ela disse e me olhou com os olhos estreitos; realmente irritada. Ri um pouco e me aproximei da janela, fazendo-a se afastar e entrei no quarto de Hinata.
– O que eu posso dizer? Você é viciante. – eu disse ironicamente, embora fosse completamente verdade. Hinata corou. Aproximei-me dela e dei-lhe um beijo singelo nos lábios. Seu corpo enrijeceu.
– Você... Você não... Você não pode simplesmente entrar aqui e sair me beijando quando bem entender! – ela disse baixo, mas como um sibilo.
Sentei-me em sua cama e sorri para ela, admirando-a. Não me importei muito com o que ela disse; quero dizer, eu sabia que não podia fazer nada daquilo, mas nós dois sabíamos que não poder e não fazer são duas coisas completamente diferentes.
– Eu sei. Mas senti saudade de você. – eu disse e Hinata ficou muda, olhando-me séria e depois baixando o olhar.
– Eu realmente acho que você deveria ir... – ela disse sem me olhar e eu soube que ela não queria que eu fosse, embora achasse mais prudente.
– Relaxa, Hinata, eu só vim conversar. – eu disse. Hinata me olhou um pouco confusa. Talvez achasse que eu fosse seduzi-la. O que, aliás, não era uma má ideia.
– Sobre o quê? Naruto-kun... Nós não temos mais nada para conversar. – ela disse e me olhou tristemente. Sem nenhuma cerimônia eu desabei em sua cama. Senti Hinata aproximar-se de mim e sentar-se ao meu lado. Timidamente, ela colocou uma das mãos sobre minha perna. Eu levantei a cabeça um pouco para olhá-la, mas ela olhava para a própria mão e eu desabei de novo na cama.
Depois de um instante, senti que ela me olhava. Mas não olhei para ela de volta.
– Eu entendi agora porque pediu o Neji em casamento. – eu disse simplesmente e finalmente a olhei. Hinata baixou a cabeça tristemente e discretamente passou a mão na área debaixo de um de seus olhos.
– Então a Sakura-san te contou? – ela perguntou e eu ri baixinho.
– Não, ninguém me contou nada. – eu disse e senti-me irritado por isso. Ninguém nunca me contava nada. Todos escondiam algo de mim. Hinata olhou-me com uma sobrancelha erguida.
– Ela só estava tentando proteger você. – ela disse e eu finalmente levantei, sentando-me na cama dela, ao seu lado.
– Isso não me consola muito. – eu disse, fazendo uma careta e ela riu baixinho. Sorri também. – Mas eu me sinto triste por saber. – eu disse e Hinata me olhou confusa.
– Por quê? Você...
– Porque agora que eu sei de tudo, também sei que você sempre esteve certa em suas ações... Agora eu perdi as esperanças. – eu disse e Hinata tirou a mão da minha perna sutilmente.
– O que quer dizer com isso? – perguntou; os olhos estavam estreitos e astutos.
– Quero dizer que realmente acho que você deve fazer isso. – eu disse e Hinata me olhou com os olhos arregalados e magoados.
– Vo... Você... – ela tentou dizer, gaguejando, mas sua voz não saiu. Hinata colocou as mãos no rosto, escondendo a cara chorosa que devia estar fazendo. Suspirei e abracei-a de lado, pelos ombros, enquanto ela repousava a cabeça em meu peito.
– Não se preocupe, amor. Não pense nem por um segundo que deixei de amar você. Ou que escolhi outra. – eu disse, sabendo exatamente o que ela devia estar pensando. – Eu escolho você e sempre será assim... É só que... – eu ia dizendo. Engoli em seco, tentando me preparar para as próximas palavras. – Por escolhê-la, por querer o melhor para você, por amar tanto você... Eu tenho que deixar você ir. – eu disse e Hinata tirou a cabeça do meu peito, querendo me olhar nos olhos.
– Então foi por isso que veio aqui? Só para me dizer isso? – ela disse. Parecia magoada. – Eu já tinha deixado você ir a algum tempo Naruto-kun. Não precisava ter feito isso de novo. – ela disse e eu ri um pouco, totalmente infeliz.
– Exatamente por isso. – eu disse e Hinata me olhou sem entender. – Você me deixou ir, mas eu nunca te deixei ir. – eu disse e ela baixou o olhar para as mãos. Segurei uma delas fortemente. – Eu só queria passar um tempo com você antes de te dizer adeus de verdade, sabe? – eu disse e ela me olhou assustada. Eu sorri singelamente.
– Eu acho... Que não quero ir. – ela disse e deixou uma lágrima escapar. – Eu acho que quero... Quero ficar aqui. Com você.
– Então fiquemos aqui por enquanto. – eu disse e Hinata repousou a cabeça em meu peito de novo. – Você sabia que essa é a coisa mais difícil que eu já tive que fazer na minha vida? – eu disse, fungando. Meu rosto enrugou, porque tentei prender o choro.
– Deixar você ir tem me destruído a cada dia mais um pouco. – ela disse, como se concordasse comigo, e riu. – Espero que você não se sinta assim. Quebrado e sem esperanças. – ela disse e meu peito tremeu um pouco pelo riso que dei.
– Eu ainda nem deixei você ir e já estou despedaçado. – eu afirmei e Hinata se afastou para me olhar de novo. Seus olhos analisavam os meus, para saber se eu dizia mesmo a verdade. Ela pareceu achar que sim, pois acariciou meu rosto com ternura, quase como se quisesse me confortar.
– Eu sei. – ela disse e encostou a testa na minha. Fechei os olhos apreciando o contato. – Eu sinto muito, Naruto-kun. – ela disse eu sorri triste.
– Eu sinto mais. – eu disse e senti-a me beijar ternamente. Um beijo demorado, carinhoso e, principalmente, triste.
– Você sabe que eu vou cuidar bem dele, não é? – ela afirmou e eu sabia que ela estava falando do nosso filho. Eu afirmei com a cabeça, minha testa ainda colada na dela.
– O que você acha que vai ser? Menino ou menina? – eu perguntei e Hinata descolou a testa da minha, fazendo uma careta pensativa.
– Eu não sei. Mas espero que seja igualzinho a você? – ela disse e eu sorri pensativo. Eu esperava exatamente o oposto. Queria que fosse igualzinho a Hinata.
– Para que destrua Konoha? – brinquei.
– Não, para que a salve. – ela disse com cara de inteligente e eu dei-lhe outro beijo. Parecia comum beijar Hinata agora, quase como um hábito, embora não fizéssemos isso com frequência. Aqueles seriam os últimos beijos que eu daria nela. Ao pensar nisso, entristeci. Hinata percebeu.
– Algum problema? – ela perguntou, parecendo preocupada.
– Sim. – eu disse e ela me olhou curiosa. – Esses são os últimos beijos que darei em você. – eu disse e ela pareceu entender o que eu quis dizer. Levantou-se de repente da cama e se afastou um pouco, ficando de costas para mim.
– Hinata? Você está bem? – eu perguntei, preocupando-me. Levantei-me da cama e andei até ela, tocando seu ombro. Hinata olhou para mim seriamente como se estivesse decidindo algo muito importante. E então, surpreendentemente, Hinata tirou o casaco. Rapidamente, como se, se não fizesse aquilo rápido não fosse conseguir. – O que você...
– Eu acho... Que beijos não serão suficientes para nos despedirmos... Você não acha? – ela disse tentando parecer confiante, mas eu vi seu lábio tremer um pouco. E sua face corou fortemente.
– Você tem certeza disso? – eu perguntei. Obviamente eu queria. Não era todo dia que a mulher que você ama falava daquele jeito... Totalmente sexy. Hinata me olhou provocativa e começou a tirar sua calça usual também. Daqui a pouco estava somente de lingerie. A barriga estava um pouco arredondada, mas nada demais. Mas eu não me importei nem um pouco. – Você tem certeza disso. – eu disse; dessa vez era uma afirmação e não uma pergunta. Não conseguia desviar os olhos dela e nem queria. Comecei a tirar minha roupa também. A camisa e depois a calça.
Vi Hinata me analisando. Era a primeira vez em bastante tempo que estávamos nos vendo assim de novo. Vi Hinata dirigir-se à tomada e desligar a luz. Tudo ficou escuro por um momento, até que ela acendeu um abajur. Somente um.
Na luz fraca e misteriosa do quarto, a pele de Hinata pareceu-me muito delicada e sensual e eu senti muita vontade de tocá-la de novo. Vi-a tirar o resto das roupas e fiz o mesmo.
Hinata se dirigiu à mim e me beijou com carinho; colocou uma das mãos em meu rosto e a outra na minha nuca; às vezes puxava meu cabelo de leve. Coloquei as mãos em sua cintura e puxei-a mais para perto, colando nossos corpos ainda mais. Senti os seios dela pressionados contra o meu peito e quase perdi a razão. Mas não queria que a nossa despedida fosse selvagem. Queria que fosse romântica e singela, assim como Hinata era.
Guiei-a lentamente para a cama e nos deitamos. Eu por cima e ela por baixo. Desci meus beijos por seu pescoço e daqui a pouco para os seios. Quando os toquei com os lábios ouvi Hinata gemer baixo. Foi o som mais bonito que já ouvi.
Parei de beijá-la por um instante e a olhei. Seus olhos continham desejo, assim como os meus também deviam conter. Hinata me olhou com os olhos cheios de perguntas.
– Eu amo você. – eu disse. Meu Deus. Era impossível que duas pessoas se amassem tanto. Quero dizer, pelo menos uma pessoa amasse tanto outra como eu amava Hinata. Ouvi-a dizer que me amava de volta com a voz fraca. Depois disso continuei meu caminho. Beijei-a de forma intima e arranquei alguns gemidos altos demais, mas quase não me preocupei com isso. Nada me faria parar agora.
Voltei bruscamente para cima e a beijei. Ousada, Hinata tomou a mesma posição em que antes eu estava e começou a me acariciar da mesma forma. Seus gestos eram tímidos e delicados, mas fizeram meu corpo tremer. Soltei fortes suspiros e até – admito – alguns gemidos.
Tomei então, a posição de antes. Não aguentava mais esperar.
– Você é a mulher da minha vida. A única. Você é linda, forte e perfeita. Nunca duvide disso... – eu disse olhando-a nos olhos. Vi algumas lágrimas escaparem de seus olhos.
Quando a penetrei, Hinata arfou de surpresa e de prazer. Estoquei gentilmente e depois com força e beijei-a enquanto o fazia, para que seus gemidos de prazer – e os meus também – não fossem ouvidos na casa inteira. Vi-a amolecer em meus braços quando chegou ao clímax e, logo após, foi a minha vez.
Desabei em cima de Hinata, colocando minha cabeça entre os seus seios. Ela acariciou meus cabelos e eu fechei os olhos, apreciando o carinho.
– Então... – ela começou a falar depois do que me pareceu ser muito tempo em silêncio.
– Então. – eu disse e apoiei eu queixo no vale dos seios dela, olhando-a nos olhos.
– Eu acho que posso morrer agora. Aqui, com você... Faz tempo que não me sinto feliz assim. – ela desabafou num sussurro. – E me mata saber que isso vai acabar. – ela disse. Seu rosto enrugou pelo choro forte que estava tentando prender. Uma lágrimas escapou dos meus olhos e eu afastei meu corpo um pouco para cima, na altura de Hinata, trazendo-a para o meu peito e abraçando-a.
– Você sabe que eu sempre vou amar você não é? – eu perguntei.
– Sim. Eu sempre amei você. E sempre irei. – ela afirmou e eu suspirei mais tranquilo. Parecia que, agora, Hinata acreditava em minhas palavras.
– Mas você sabe que não podemos ficar juntos, não é? Pelo seu bem e pelo bem do nosso filho. – eu disse.
– Hikari.
– O quê? – eu perguntei sem entender nada.
– Esse será o nome do nosso filho. Hikari. – ela disse eu sorri, apreciando o nome. Repeti-o em minha mente várias vezes.
– Luz... – eu disse. – É um lindo nome.
– Inspirei-me em você. Porque você sempre foi a minha luz. – ela disse e sorriu para mim. Abracei Hinata fortemente e ela me abraçou de volta. – Eu amo você Naruto-kun. – ela repetiu e eu apreciei as palavras pelo que achei que fosse a ultima vez.
– Eu odeio despedidas. – eu disse fazendo uma careta e Hinata riu.
– Tem razão. – ela concordou comigo. Nós ficamos assim, abraçados, por bastante tempo.
Tempo este que desejei que nunca acabasse. Mas parecia que a vida não estava ao nosso favor. Ela nunca estava.
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