Cinco Malditas Letras
2 Capítulo 2
Notas iniciais
A noite cai. As ruas ficam escuras, com alguns postes quebrados piscando de vez em quando. As paredes estavam pintadas de vermelho enquanto os corpos estavam caídos no chão, todos dilacerados e com as vísceras sendo devoradas por ratos e outros animais. Jack e Victória procuravam um lugar para ficar até amanhecer, mas as duas últimas casas que viram estavam infestadas de nazistas.
– De onde esses malditos vêm? Não parecem humanos... – disse Victória, enquanto limpava uma de suas espadas.
– É porque não são humanos, são imps, a raça mais fraca de demônios. O exército alemão está usando muito mais que meros cidadãos para tentar ganhar essa guerra. – respondeu Jack, enquanto entrava em outra casa, que estava parcialmente inteira, mas servia para passar a noite. – Aqui está bom, pelo menos não tem nada mostrando que tem algum nazista escroto por aqui.
Ao dizer isso, uma sinfonia começava a tocar no andar de cima. Victória começou a subir as escadas lenta e discretamente, sendo seguida por Jack, que já estava com a katana fora da bainha. Ao chegarem ao piso superior, viram um homem alto, de cabelos vermelhos e usando camiseta e calça pretas e que carregava duas escopetas calibre .12 automáticas nas costas bebendo uma garrafa de vodka enquanto estava encostado na parede ao lado de uma janela e ao lado de um rádio antigo, de onde vinha a tal música.
– Estão perdidos? – disse o homem, ajeitando o cabelo e olhando para os dois.
– Estamos procurando um lugar para passar a noite, mas parece que aqui já está ocupado... – disse Victória, com a mão em uma das espadas. – Por acaso você é um deles?
– Podem guardar as armas, não sou nazista, apenas um alemão querendo acabar com tudo isso.
– E esse alemão tem nome? –perguntou Jack.
– Robert. – disse o homem, estendendo a mão para Jack, que a apertou com firmeza, e depois para Victória, que a apertou de leve enquanto olhava para ele com desconfiança.
– Gosta de música clássica? – Disse Jack, pegando o rádio nas mãos e o observando.
– Está sintonizado na primeira rádio que eu achei.
– Meninos, eu acho bom vocês darem uma olhada aqui na janela. – disse Victória, que estava inclinada na janela olhando para a rua.
Os dois vão até as outras janelas e veem um grande exército de nazistas se aproximando. Jack deu um soco na parede, sacou sua katana e pulou a janela, atacando os imps por cima. Robert faz o mesmo e começa a atirar nos demônios, sendo seguido por Victória, que os parte ao meio com suas espadas. No meio da batalha, o rádio começou a tocar uma sinfonia mais agressiva, que combinava com o ambiente.
– Bela hora para tocar “Ride of the Valkyries”, até parece que a rádio sabe do que está acontecendo aqui. – disse Victória, num tom de nervosismo, mas logo passa ao olhar Robert lutando.
Ele usava as escopetas como se fossem dois revólveres, suas recargas eram feitas em milésimos de segundos. Em minutos, todos os nazistas que estavam por ali haviam sido exterminados, então a música para e Robert guarda as escopetas.
– O que foi aquilo? – disse Jack, enquanto limpava a katana.
– Estava inspirado, Richard Wagner sempre me anima um pouco antes de fazer alguma coisa.
– Bom, cada louco com a sua loucura.
Os três guardam suas armas e começam a caminhar para dentro da casa novamente, porém , uma grande rajada de vento surge do fim da rua e os joga longe, então eles ouvem uma espécie de piado muito alto, logo em seguida, uma grande onda de som destrói grande parte das casas e uma sombra gigantesca surge sobre eles.
– MAS O QUE É ISSO? – disse Robert, olhando para a sombra.
Antes de alguém responder, uma garra imensa segura o braço dele e puxa um relógio dourado, depois sai voando em frente e desaparece.
– Seja o que for, aquela coisa parece ser perigosa. – disse Jack, se levantando e limpando seu sobretudo.
– Temos que ir atrás dela, ela pegou meu relógio...
– Por que se importa com um relógio num momento como esses? – disse Victória.
– Ele tem uma coisa que pode ajudar a acabar com essa guerra... vamos para leste, para onde aquela coisa foi.
Os três começam a andar na direção de onde a sombra desapareceu. Mal sabem eles que a aventura nem tinha começado, muito menos sabem que será pior daqui para frente.
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