Notas iniciais
Faz muito tempo, eu sei. Tive muitos problemas pessoais, e ainda por cima não estava muito certa sobre o rumo da história, mesmo com esse capítulo pronto há semanas. Vamos torcer para que minha mente se ilumine. Enjoy.

Pensava que seria mais um dia normal na turbulenta Ikebukuro.

Mas logicamente, Ikebukuro adorava provar que eu estava enganada.

Pela primeira vez em muito tempo, eu andava sozinha pelas ruas.

Saí para comprar roupas. Tanaka-san e Heiwajima-san estavam trabalhando.

Sentei num dos bancos da praça para descansar.

Avistei um casal próximo. A garota usava roupas brancas e tinha cabelos castanhos. Era feminina e pequena.

Já o garoto tinha uma expressão séria no rosto. Ele a segurava nos braços como se não quisesse que ninguém mais a tocasse. Era um jovem alto e bonito.

- Seiji-san... – a garota suspirou.

- Não tenha medo, eu estou aqui... Eu te amo. – ele respondeu, abraçando-a.

Desviei o olhar.

Um sentimento terrível de inveja me invadiu.

“Eu te amo”.

Palavras tão simples, mas com um significado tão forte.

Eu amava Heiwajima-san, mas não podia dizer aquelas palavras.

Nunca poderia.

Porque Heiwajima-san era alguém inalcançável.

E seria impossível ele amar uma pessoa como eu.

Frágil, fraca, malvada.

Se ele visse como sou por dentro...

Se ele sentisse o gosto dessa podridão...

Não, eu não deixaria.

Heiwajima-san era bom demais para tudo isso.

Ainda assim, eu ansiava pelo seu toque, pela sua presença.

Era tudo para mim.

Perto de Heiwajima-san, eu me sentia calma.

Todos os meus monstros fugiam de medo dele.

Eu não podia tê-lo, ainda assim não saberia como é viver longe dele.

Um egoísmo sem tamanho.

Me levantei e fui embora.

O casal ainda se abraçava.

E o vazio no meu peito ainda estava lá.

Encontrei com Celty, e ficamos conversando por um minuto.

Ela estava preocupada porque eu andava sozinha.

- Que bobagem, Secchan. Acalme-se. Não vai acontecer nada comigo. – eu sorri.

“Mas me preocupa a sua saúde. E se você desmaiar?”

- Secchan, eu fico bem quando não há problemas. Não se preocupe.

“Mesmo assim, e se você for atacada como daquela vez...”

- Aquilo foi de madrugada. Ainda está claro e há várias pessoas na rua. – coloquei minha mão no ombro dela. – Então, relaxe.

“Hmm, certo. Bem, minhas entregas acabaram por hoje, quer dar uma volta?”

- Lógico! – respondi.

Subi na moto de Celty, que na verdade era seu cavalo, Shooter.

Ela criou um capacete com suas sombras negras.

E partimos.

No final da tarde, encontramos Heiwajima-san na praça onde Celty ia me deixar.

Sentamos os três num banco e ficamos ali, conversando.

Lembrei do remédio que precisava tomar, e peguei a caixinha, tirando um comprimido e engolindo-o.

- Outro remédio? – Heiwajima-san virou-se para mim.

- Sim. – respondi.

- Afinal, quantos você está tomando?

- Contando com esse são seis. – olhei para a caixinha em minhas mãos.

Ficamos em silêncio depois disso.

- O que é isso? – Heiwajima-san perguntou, cortando o silêncio e olhando para o lado.

Celty e eu viramos nossas cabeças, e avistamos um casal. A garota puxava o rapaz pelo braço, impaciente, mas ele não saía do lugar.

Curiosamente, era o mesmo casal que eu vira horas atrás.

- Uma briga de casal? – Heiwajima-san pensou.

Fiquei em silêncio, observando. Ele tinha uma expressão séria no rosto.

De repente, a garota soltou o braço do namorado e saiu correndo.

Ela passou direto por nós, e eu pude ver seu rosto claramente.

Olhos verdes, pele pálida, os cabelos castanhos curtos sob um gorro branco.

E uma horrível cicatriz no pescoço.

Celty moveu-se, assustada. Ela olhou para a garota e começou a correr atrás dela.

Eu e Heiwajima-san nos levantamos, seguindo-as.

O que estava acontecendo, afinal?

Celty conseguiu alcançar a jovem, segurando-a pelo braço.

- AHHH! PARE!!!! – ela gritou, assustada com Celty.

- Ah... Por favor, se acalme. – Heiwajima-san se aproximou dela — Confie em mim, não somos tão suspeitos quanto parecemos.

A garota continuou balançando o braço, tentando se soltar.

- Ei, escute... – Heiwajima-san disse.

Com movimentos imprecisos, usando o outro braço livre, a jovem deu um tapa de leve no rosto de Heiwajima-san, tentando afastá-lo. Acertou-o mais uma vez.

Segurei meu taco de beisebol ainda dentro da capa, contendo meu impulso.

E então, num milésimo de segundo, algo aconteceu.

Minha pressão baixou ao olhar para a perna de Heiwajima-san.

Havia uma caneta enfiada nela.

Sangue começou a se espalhar ali.

Heiwajima-san olhou para frente.

O garoto que estava com a jovem enfiou mais uma caneta na outra perna de Heiwajima-san.

- Hã? – Heiwajima-san pareceu surpreso, mas nem um pouco abalado com os ferimentos.

Eu, porém, tinha entrado em estado de choque.

O garoto encarou Heiwajima-san com ferocidade.

- Solte-a. – ordenou, com outra caneta na mão fechada.

A garota se soltou do aperto de Celty, que se distraíra com o acontecido, e saiu correndo.

Celty fez menção a ir atrás da garota, mas parou, olhando para nós.

- Ah, tudo bem. – Heiwajima-san levantou a mão para ela, tranqüilo. – Nem doeu. Vá em frente.

Olhei surpresa para Heiwajima-san.

Ele tirou os óculos e os entregou para mim.

- Não entendo direito, mas você precisa ir atrás dela, certo? – ele deu um leve tapa no próprio rosto, ainda olhando para Celty. – Cara, eu sempre quis dizer isso!

Eu e o namorado da garota com cicatrizes o observamos atentamente.

- “Deixe comigo. Você vá em frente!” – ele deu um sorriso torto.

Celty assentiu e saiu correndo.

Eu corei violentamente e me afastei um pouco, ainda segurando meu taco de beisebol.

O garoto foi atrás das duas.

Mas eu e Heiwajima-san também o seguimos.

Fiquei mais para trás por causa do cansaço, mas não os perdi de vista e me aproximei quando Heiwajima-san parou, segurando o garoto no ar pelas vestes.

- Me solte! Me solte agora! – o jovem protestou, nervoso, se balançando freneticamente.

- Ela é sua namorada? – Heiwajima-san perguntou, sem se mexer.

- Sim! Ela é minha alma gêmea! – ele respondeu, irritado.

- Por que ela é daquele jeito? – o loiro fez mais uma pergunta.

- E eu sei? – o jovem rosnou.

Nesse momento, Heiwajima-san reagiu e girou o garoto, jogando-o para longe depois. – O QUE QUER DIZER COM ISSO? – ele gritou, furioso.

O jovem voou e bateu as costas contra um caminhão de entregas, caindo na grama da calçada.

Heiwajima-san levantou-o pela gola da camisa.

- Não conhece os problemas da sua amada? – ele rosnou. – Não acha que é um pouco irresponsável da sua parte? Não é??

- O que isso tem a ver com amar alguém? – o garoto perguntou com a voz falha.

- Hã? Então por que ela é sua “alma gêmea?” – Heiwajima-san balançou-o, impaciente.

- Porque a amo! Não há outro motivo! Não consigo colocar o amor em palavras! – o jovem respondeu, irritado.

Heiwajima-san o encarou com raiva.

Eu observava tudo com atenção, o coração batendo forte.

Que tipo de conversa era aquela?

- É por isso que... – o jovem mexeu a mão.

Avistei uma caneta entre seus dedos.

Oh, não.

- Irei te mostrar uma ação! Irei protegê-la!

- Heiwaji...-san, cuidado! – gritei um segundo antes do garoto atacá-lo com a caneta.

Heiwajima-san parou-a com a própria mão espalmada.

A caneta entrou fundo e atravessou-a.

Entrei em pânico enquanto Heiwajima-san sorria malignamente.

- Gosto mais de você do que do Izaya. – ele disse. – Por isso vou te deixar se safar apenas com isso!

Heiwajima-san desferiu uma cabeçada tão violenta no garoto que ele provavelmente não acordaria pelos próximos três dias.

O loiro se virou e saiu andando, mancando de leve.

Me aproximei dele, seguindo-o.

- Ah, vou começar a sangrar quando tirar isso, não é? – ele observou a mão com a caneta atravessada.

- Heiwaji...-san! – chamei-o, aflita.

Ele parou por um segundo, me observando.

Tirei o celular do bolso e pressionei a discagem rápida.

- Alô, Kishitani-kun? – falei. – Heiwajim...-san – quase completei seu nome antes de perceber que ele ainda me observava. – precisa de um atendimento urgente!

“Vocês deram sorte, estou em casa, venham para cá.” Foi a resposta.

- Obrigada. Estamos indo. – desliguei o celular e olhei para Heiwajima-san. – Vamos até o Kishitani-kun.

- Furisaki... – ele protestou.

Meu rosto esquentava quando me chamava pelo nome.

Encarei-o, aflita.

- Podíamos usar cola instantânea – Heiwajima-san sugeriu.

- De jeito nenhum. – respondi, séria.

Voltamos a andar, devagar.

- O que foi aquilo? – perguntei após um minuto de silêncio.

- E eu lá vou saber? – Heiwajima-san me respondeu.

- Não, quero dizer... Por que estava falando aquelas... Coisas... Com aquele garoto? – nem acreditei que consegui questioná-lo daquela forma, mas provavelmente era a adrenalina no meu sangue e o esforço de não desmaiar no meio da rua devido à pressão baixa.

- Porque ele estava sendo um babaca. Como pode dizer que ama aquela garota se não a entende por completo? Se não sabe seus temores, seus fantasmas no armário... – ele rosnou.

Fiquei em silêncio.

A maneira como Heiwajima-san falava era como se soubesse muito bem do assunto.

Era como se ele próprio amasse alguém.

O medo e a ansiedade me acometeram.

Uma sensação aflitiva na boca do estômago.

Até hoje não sei como consegui chegar no apartamento de Kishitani-kun sem desmaiar.

Só fui apagar um tempo depois, assim que terminaram de fazer os curativos em Heiwajima-san.

Quando acordei, ele estava sentado ao meu lado, olhando para mim, fumando um cigarro.

Virei o rosto para o travesseiro, envergonhada.

Quase desmaiei mais uma vez.

[PRIVATE CHAT]

[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Então, Tanaka-san.

[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Por que estava perguntando sobre os Dollars naquele dia?

[田中太] (Tanaka Tarou):, Eu estava curioso.

[朔夜ねね] (Sakuya Nene): ...

[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Não é muito bom ser curioso em Ikebukuro, sabe.

[田中太] (Tanaka Tarou):, Hn.

[田中太] (Tanaka Tarou):, É algo que queria saber.

[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Por acaso

[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Você tem interesse em entrar para os Dollars?

[田中太] (Tanaka Tarou):, Hã?

[田中太] (Tanaka Tarou):,Bem…

[田中太] (Tanaka Tarou):, Você falando desse jeito, parece que faz parte deles.

[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Não estamos falando de mim.

[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Então? Responda a minha pergunta.

[田中太] (Tanaka Tarou):, Não, não quero entrar para os Dollars.

[田中太] (Tanaka Tarou):, É só curiosidade.

[朔夜ねね] (Sakuya Nene): É mesmo?

[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Que engraçado...

[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Podia jurar que vi seu nickname no fórum deles.

[田中太] (Tanaka Tarou):, Hã?

- — [朔夜ねね] (Sakuya Nene) desconectou-se.

Tanaka Tarou estava escondendo algo.

Seu interesse pelos Dollars parecia ir além de pura curiosidade.

E por que eu me preocupava tanto com isso?

Porque eu fazia parte dos Dollars.

Tudo começou com um e-mail esquisito.

Na época os rumores sobre os Dollars ainda estavam começando.

“Um grupo secreto, onde ninguém conhecia seu líder”.

Passei uma semana com o e-mail na minha caixa de entrada.

Podia ser apenas uma brincadeira.

Mas minha curiosidade foi muito maior.

Respondi o e-mail e logo recebi um link e uma senha.

E, assim, acesso ao fórum dos Dollars.

Fui mais cuidadosa que Tanaka Tarou, e usava um nickname diferente no fórum: SURI.

Mas aquele grupo não se comportava como uma gangue normal.

Poucos sabiam quem era realmente dos Dollars, era quase como um segredo conjunto.

Segredos.

Eu, que tanto apreciava os meus, também decidi abraçar esse.

Uma pequena diversão.

Agora, descobrir quem era o tal Tanaka Tarou...

Segundo nossas conversas, ele tinha acabado de se mudar para Ikebukuro.

Investigá-lo não era um trabalho para mim, mas sim para a pessoa que eu mais odiava no mundo.

Sim, eu poderia deixar todo esse assunto de lado.

Mas, mais uma vez, minha curiosidade me puxou para problemas.

Ou acha que eu só era azarada?

Fazia parte da minha natureza masoquista.

Peguei meu celular e abri uma gaveta da minha escrivaninha.

Tirei alguns cadernos de dentro e enfiei a mão no fundo da gaveta.

Encontrei o que procurava: um pequeno papelzinho dobrado.

Na verdade esse papel era inútil, visto que eu já sabia de cor o número de telefone escrito nele.

Apertei as teclas do celular rapidamente.

A pessoa atendeu no terceiro toque.

- Alô?

- Preciso que investigue alguém para mim. – fui direto ao ponto.

- Quem é? – ele questionou num tom brincalhão.

- Pare de brincadeiras, maldito. – mordi o lábio inferior.

- Ah, Yaya-chan! Não precisa ser tão agressiva... – ele riu.

- Chega de papo furado. Estou indo para seu escritório agora.

Desliguei o celular.

Aquela voz nojenta, rindo de mim.

Ir para o escritório dele parecia loucura, depois da última visita.

Odiava ter que depender dele, mas não havia escolha.

Ele tinha Ikebukuro em suas mãos.

Levei meu taco de beisebol fora da capa.

Mesmo sabendo que seria inútil contra alguém como Orihara Izaya.

Notas finais
Então... É isso. Como eu já disse nas respostas das reviews, Izaya vai ter um papel importante na trama. Esperem e verão :3 enquanto isso, que tal uma review caprichada?