Notas iniciais
Sim, o capítulo saiu incrivelmente rápido. Ele já estava todo montado na minha mente. Já perdi as contas de quantas vezes assisti o capítulo 7~ iauhsdiusahdiuash~ De qualquer forma, obrigada pelas reviews no capítulo anterior, e espero que gostem ainda mais deste aqui.

Foi quando eu terminei o Ensino Fundamental.

Meus pais decidiram se mudar.

Ainda havia muito trauma desde aquele incidente com os homens de terno na padaria.

Mamãe já não confiava em Ikebukuro como antigamente.

Decidiram que era melhor ir para Nagoya.

E pela primeira vez eu fui uma filha rebelde.

Mamãe quase me bateu quando eu disse que não queria ir junto.

Eles já tinham até escolhido o colégio onde eu estudaria.

Mas eu insisti. Não queria ir. Não, não. De jeito nenhum.

O motivo? Eu sabia. O garoto de braço quebrado que salvou minha mãe naquele dia.

Eu queria revê-lo. Muito.

Mas não disse nada para meus pais. Eles provavelmente me achariam louca.

E eu provavelmente estava.

- Isso é o fim. Já não basta você começar a pintar o cabelo, agora quer morar sozinha? Que vergonha! – minha mãe disse.

Mas ela sabia que eu não estava pintando o cabelo.

A questão é: meu cabelo começou a ficar rosa naturalmente.

Isso começou a acontecer no final do Fundamental.

No dia da formatura, tive que ir com os cabelos presos num coque para esconder as mechas.

Mas conforme o dia foi passando, mais mechas rosadas começaram a despontar do meu cabelo, antes muito preto.

Lembro que meus professores me olhavam com repúdio.

Ninguém da minha sala veio conversar comigo.

Foi o dia mais infeliz da minha vida.

E por que meu cabelo foi ficando rosa?

Bom, descobri que eu tinha uma doença rara. Nem nome tinha.

Mas pelo visto era uma espécie de albinismo.

Ela começou a se manifestar após minha primeira menstruação.

O problema era que ninguém sabia a cura, nem quais os outros efeitos que essa doença poderia vir a ter no meu corpo.

Recusei a me submeter a mais testes médicos e pesquisas.

Eu simplesmente não queria mais ninguém me tocando.

Voltando à discussão, mesmo minha mãe sabendo da doença, ela me ofendeu daquela forma.

Eu não era uma filha rebelde, eu não era uma delinqüente, eu não fazia aquilo porque queria.

A única coisa que já quis na vida foi ficar em Ikebukuro. E eu lutaria por isso.

Fiquei tão irritada e estressada, que gritei com meus pais.

Gritei tão alto, tão descontroladamente, que minha doença atacou de novo.

Eu vomitei sangue no chão da sala. Muito, muito sangue.

Olhei para os dois como se dissesse “olha o que vocês fizeram” antes de desmaiar.

Passei uma semana no hospital devido a isso.

Depois desse incidente, minha mãe se conformou que eu não iria para Nagoya com eles.

- Algo me diz que você ainda tem algo a encontrar aqui em Ikebukuro. – foi a última coisa que ela disse sobre o assunto.

Eu sorri.

Mamãe chorou.

Era difícil demais deixar a sua única filha, doente, morando sozinha numa cidade tão maldita.

Decidi que cursaria o colegial como uma pessoa normal. Ou pelo menos tentaria.

Prestei para a Academia Raira, que parecia um bom colégio.

Mas eu não me importava muito com isso.

Meses depois eu teria me agradecido eternamente por ter escolhido a Raira.

Logo na cerimônia de apresentação, vi que teria problemas com o meu cabelo.

Algumas garotas mexeram comigo e queriam me bater.

Nunca corri tanto na vida.

Cheguei no meu apartamento novo e caí no chão assim que fechei a porta atrás de mim.

Horas mais tarde, saí para fazer compras.

Voltei me sentindo horrível, mas era a única opção se eu não quisesse ser perseguida todos os dias depois da escola.

No dia seguinte, coloquei o que tinha comprado.

Era uma peruca. Castanha, de comprimento médio, lisa e sem graça.

Senti que não era eu mesma. Mas não havia escolha.

Fui para a aula e ninguém me reconheceu.

A fama de “rebelde” acabou tão rápido quanto começou.

Considero os dias seguintes como dias de silêncio.

Não conversava com ninguém, e ninguém vinha falar comigo.

Eu era apenas mais uma garota sem-graça num colégio cheio de gente bonita.

Minhas feições eram sérias e deprimidas.

Os dias pareciam cinzentos.

Mas isso estava para mudar.

A aula de Educação Física costumava ser a última.

Por esse motivo, eu gostava de tomar banho antes de ir para casa.

Esperava todas as garotas saírem do vestiário para poder entrar no chuveiro.

Como sempre, ninguém se importava.

Saí do banho com os cabelos molhados, um emaranhado rosa e preto esquisito.

Comecei a vestir meu uniforme quando ouvi o barulho de algo caindo.

Ainda havia alguém no vestiário naquela hora?

Fui investigar e tive a maior surpresa da minha vida.

Era um garoto.

Ele sorriu para mim de um jeito meio desconcertado.

- Por favor, não é o que você está pensando... – ele disse debaixo de alguns cones de trânsito que usávamos nas aulas. Tinha cabelos pretos e óculos de aros grossos.

- Er... Kishitani Shinra, não é? – perguntei enquanto tirava os cones de cima dele.

- Sim, sim! Eu mesmo! Puxa, você me conhece!

- Nós estamos na mesma sala. – me limitei a dizer. – O que faz aqui?

- Er... Bom, era exatamente o que estava pensando. – ele riu.

- Espiando garotas no vestiário? – eu disse.

- É...

- Melhor você ir embora então, não há nada de interessante em me ver no vestiário.

- Como não? – ele perguntou, levantando-se.

Parei e o encarei.

- Quero dizer... Você... Tem uma doença, não tem?

Continuei encarando-o.

- O que te faz suspeitar disso?

- Bem, uma garota normal não pinta o cabelo de rosa e usa uma peruca para esconder. Fora que você teve que ir para a enfermaria várias vezes, não?

- ...

- Deixa eu ver... Pressão baixa, pressão alta, dores de cabeça, sangramento nasal, dores nas pernas, quase-desmaios, tontura, tosse contínua... Estou esquecendo de mais alguma coisa?

- Por que se interessa por isso? – finalmente perguntei.

- Eu quero ser médico quando me formar. Então, eu estou certo, não?

Atrás daqueles óculos de aros grossos, os olhos de Shinra demonstravam bondade.

Eu não tinha nada a perder a contar sobre minha doença.

E se ele quisesse me atacar, já teria feito isso há muito tempo.

Não que isso fosse algo que gostariam de fazer comigo.

Afinal de contas, eu era a garota mais sem graça do colégio.

Saímos para comer, e contei tudo o que sabia sobre o meu corpo e esse meu problema.

Ele me ouviu com atenção.

Após o relato, se pronunciou.

- Você se incomodaria se eu estudasse a sua doença?

- Eu já fui em vários médicos, e nunca deixei que tocassem em mim ou fizessem pesquisas mais avançadas.

Fiz uma pausa.

Ele me olhou.

- Mas em você acho que posso confiar.

Shinra sorriu amavelmente.

- Obrigado!

E assim fiz minha primeira amizade na Academia Raira.

Algumas semanas se passaram, e comecei a andar com o Kishitani-kun. Ele era um garoto curioso. Estava sempre de bom humor e me tratava como uma pessoa normal.

Visitei sua casa algumas vezes para fazer exames, e descobri que ele vivia com uma mulher.

O nome dela era Celty Sturluson. Aparentemente ela trabalhava como entregadora.

Usava roupas pretas de vinil bem justas e um capacete de motociclista amarelo com orelhas de gatinho.

Para alguém que vivia com o Kishitani-kun, ela até que era uma pessoa bastante normal.

Ela estava de saída quando a vi pela primeira vez, mas alguns dias depois acabei conhecendo-a melhor.

Não me surpreendi quando o Kishitani-kun me explicou que ela na verdade era um ser mítico.

Celty era uma Dullahan. Um tipo de “cavaleiro sem cabeça”.

Eu não precisei ver seu rosto para notar que ela era a mulher mais bonita que já conheci.

E ela nem cabeça tinha.

Conforme minhas visitas ficaram mais freqüentes, comecei a conversar mais com a Celty.

Ela era uma mulher divertida. Ouvia tudo o que eu dizia com atenção, e eu adorava ouvir o barulho de seus dedos digitando no celular ou no notebook.

Sim, a Celty não falava.

Mas na minha mente, ela tinha a voz mais bonita de todas.

Contei para ela sobre o garoto de braço quebrado, a padaria, a minha decisão de ficar em Ikebukuro.

“E você tem idéia de como vai encontrar esse garoto?”

- Não. Nunca soube seu nome e éramos muito novos. Ele provavelmente está muito diferente. Isso se ainda mora aqui. – eu sorri.

“Parece difícil.”

- Sim. Mas não vou desistir.

“Desistir” não estava no meu vocabulário.

Aliás, nunca esteve.

O que eu não sabia era que o tal garoto estava tão próximo, que eu não consegui notar.

Até que ele apareceu, quase que me acertando com a trave do gol da quadra de futebol da escola.

Como se dissesse “Ei, estou aqui, sua cega”.

Eu geralmente não passava muito tempo com o Kishitani-kun no intervalo e depois das aulas, porque eu vivia passando mal e costumava ficar mais na enfermaria.

Kishitani-kun queria me ver o tempo todo, mas os professores e a enfermeira começaram a barrá-lo depois que ele tentou tirar uma amostra do meu sangue na escola.

Mas teve um dia em que eu não passei mal.

Depois da aula acompanhei meu único amigo para a quadra de futebol.

Não havia treino e provavelmente não havia ninguém ali.

Mas a quadra estava atolada de gente.

Um monte de alunos caídos no chão, inconscientes.

No meio da quadra, havia um de pé.

Era loiro e só usava as calças e a camisa do uniforme, sendo que esta estava para fora das calças, com as mangas dobradas até um pouco antes dos cotovelos e sem gravata.

“Delinqüente.” Foi a primeira coisa que pensei.

- Shizuo-kun! – Kishitani-kun chamou.

Ele virou-se com um olhar de ódio, mas se acalmou depois que notou quem o chamava.

- Ah, Shinra. – ele respondeu com a voz grossa.

- Quero te apresentar alguém.

Ele se aproximou com as mãos nos bolsos. Era incrivelmente mais alto que eu.

Me encarou com tanta fúria que achei que fosse morrer só de olhar para ele.

Tremi por dentro.

- Este é Heiwajima Shizuo-kun. Eu estudei com ele durante o primário.

Fiz uma curta reverência. Minha voz ficou entalada na garganta.

- Shizuo-kun, esta é Furisaki Ayame. Ela é da minha sala.

- E aí? — Heiwajima rosnou, me encarando.

- Está se sentindo bem para ir embora? – Kishitani-kun me perguntou.

- Sim. – respondi, finalmente desviando os olhos do loiro à minha frente.

- Ótimo, ótimo! Vamos comer algo!

Heiwajima pegou seu casaco e fomos para uma lanchonete.

Pedimos os lanches e Kishitani-kun notou foi o único que pediu refrigerante.

- Prefiro coisas com leite. – Heiwajima explicou.

- Oh. Bom, faz muito bem, afinal você precisa cuidar do seu corpo, Shizuo-kun, e falando nisso, quando poderei fazer um exame em... – Kishitani-kun foi interrompido por um olhar afiado do loiro ao seu lado.

O aspirante a médico deu uma risada desconcertada.

- Veja, Furisaki-chan, o Shizuo-kun tem o corpo diferente também. Quando fica irritado, o corpo explode no limiar de força, e ele consegue fazer coisas extraordinárias, como levantar coisas pesadas ou arrancar placas, postes, e o que mais estiver no caminho! É muito impressionante... Logicamente também possui seu lado negativo – seu corpo não é indestrutível, então ele vivia quebrando ossos quando criança... Lembra disso, Shizuo-kun? Hahahahaha!

Heiwajima mandou-o calar a boca do jeito mais mal educado que eu já vira.

- Hm... – respondi, encarando os dois.

Minha expressão séria não mudou.

Mas por dentro, logicamente, meu cérebro ficou a milhão.

Ok, isso ele sempre estava. Só que foi diferente.

Euforia.

Uma euforia enorme me abateu.

Ele gostava de leite. Ele vivia se machucando na infância.

Ele tinha uma força incrível.

Observei seu rosto por detrás do meu milkshake.

Os olhos afiados, de um castanho cinzento.

As feições masculinas.

A boca torta de desgosto.

Me lembrei da primeira vez em que vi o garoto de braço quebrado.

Provavelmente hoje teria a mesma idade que eu.

- E como está seu irmão, Shizuo-kun? – Kishitani-kun perguntou.

- Normal. Não sabe que colegial quer fazer, mas pretende fazer um curso de artes cênicas. Parece que quer virar ator. – Heiwajima respondeu.

Ele tinha um irmão mais novo.

Seria minha mente querendo que ele fosse o garoto de braço quebrado?

Ou era ele mesmo?

Aquela força descomunal...

Não tinha como negar.

Aquele era o garoto que salvou minha mãe.

O garoto que destruiu a padaria.

O garoto que me fez ir contra os meus pais e ficar em Ikebukuro.

O garoto que eu amava.

A euforia foi tanta no momento que meu nariz começou a sangrar e tivemos que ir para o apartamento de Kishitani-kun.

Mesmo ele me perguntando o que aconteceu, disse que não era nada e fui para casa assim que ele teve certeza que o sangramento não voltaria.

- Obrigada mais uma vez, Kishitani-kun, e desculpe o incômodo.

- Não foi nada. Mas tome cuidado. E qualquer coisa, me ligue. – ele respondeu.

Olhei para Heiwajima.

- He... Hm... Ahn... Tchau.

Não consegui pronunciar o seu nome e fiz uma reverência rápida antes de sair disparado para o elevador.

Meu nariz recomeçou a sangrar, mas não ousei voltar.

Meu coração parecia explodir.

Notas finais
É isso, por enquanto. Na verdade esse capítulo deveria abranger mais coisas, mas aí ele ficou longo demais e vocês só vão saber o que o reencontro desses dois rendeu no próximo capítulo~Prontos na minha mente só têm mais uns dois ou três, fora algumas cenas brainstormadas. O resto, só terminando o anime.Deixem reviews lindas e suas opiniões, elas são super importantes para mim! :3