Notas iniciais
Minha primeira fanfic de Durarara!! *palmas* Já aviso que não sairá com freqüência visto que tenho outras fanfics pra escrever, e VIDA PRÓPRIA. Enfim, espero que gostem da minha OC que criei com tanto carinho. E viva, mais uma fanfic sem Shizaya! Nada contra yaoi nem o ship, mas é bom ter algo diferente pra ler, né?

Eu nunca pensei que fosse amar de verdade.

Sempre tinha decidido isso, desde meus nove anos de idade.

Minha mãe dizia que era só uma fase.

Eu provavelmente tinha me enojado demais ao assistir aquelas novelas com casos amorosos tão complicados que me davam até dor de cabeça.

Mas sempre contestei minha mãe nesse ponto.

“NUNCA VOU ME APAIXONAR!”

Porém, como sempre, ela estava certa.

Era mais uma tarde qualquer na pequena padaria que minha mãe tinha. Ela gostava de ver as pessoas andando pela rua através da vitrine. Eu mesma nunca me interessei por ninguém além de mim mesma e meus pensamentos.

Eu era tão nova, e tão egoísta.

Uma criança que nunca aprendeu a dividir sentimentos nem mostrar interesse por nada.

Eu me fechava no meu próprio mundo caótico. Meu cérebro nunca me deixava em paz.

Mas ficava em silêncio, para não perturbar minha mãe.

Sempre permaneci em silêncio.

- Hm... Sabe, Aya-chan, eu fiquei curiosa com aqueles dois garotos que sempre passam na frente da loja nesse horário. – minha mãe suspirou.

- Que garotos? – eu nunca tinha notado, obviamente.

- Aqueles dois, um de cabelo castanho e outro de cabelo preto. Devem ser irmãos. E devem ter a sua idade também.

- Hm. – murmurei, desinteressada.

- O de cabelo castanho sempre está engessado. Será que alguém bate nele?

- Não sei.

- Mas o de cabelo preto nunca está machucado. Isso é estranho. Se são irmãos, então...

Ela parou o pensamento na hora.

Eu nunca soube o que se seguia desse “então...”.

Mas provavelmente era algo do tipo “então os dois deveriam ser espancados”.

Minha mãe sempre foi cruel demais em seu interior.

Os garotos continuaram passando em frente à loja, todos os dias.

E todos os dias minha mãe falava sobre eles.

Pensando agora, ela poderia ter desenvolvido uma obsessão doentia.

Mas ela não era como eu. Era somente uma mulher preocupada com duas crianças.

Afinal de contas, quem iria desenvolver essa obsessão doentia seria eu.

Foi então que num dia.

Num dia aparentemente normal.

Minha mãe decidiu falar com eles.

- Ei, vocês. – ela chamou.

Os dois garotos pararam e olharam, um pouco entediados.

Minha mãe sorriu.

- Você está sempre machucado, não é? Você está bem?

Eles obviamente não responderam nada.

- Esperem um pouco.

Minha mãe entrou na loja, e eu fiquei sentada no meu habitual banquinho meio torto.

Achei que só fosse observar.

Ela pegou duas garrafas de leite e olhou para mim.

- Venha cá.

Encarei-a por alguns segundos até me levantar. O que ela queria?

Ela me entregou as duas garrafas de leite.

- Leve para eles, sim?

Eu devo ter feito a cara mais absurda do mundo quando ela me pediu isso.

Eu não queria levar leite para ninguém.

Ainda mais para aqueles garotos.

Eu não olhava para ninguém, não falava com ninguém.

Só que talvez fosse por isso.

Talvez minha mãe quisesse que eu fizesse amizade.

Mas não dando leite para dois garotos estranhos! Nunca ouvi falar de ninguém que tivesse feito amizade assim.

Minha mãe se limitou a sorrir e me entregar as garrafas.

Protestei em silêncio.

- Vá. – ela disse.

- Não quero... – protestei verbalmente.

- Vamos. – ela insistiu, e me empurrou com delicadeza para a porta.

Os dois garotos olhavam para mim.

Não tinha jeito.

Com passos largos e desajeitados, fui e entreguei uma garrafa de leite para o de cabelo castanho. Seu braço estava numa tipóia, provavelmente quebrado. Ele me olhou com um ar sonolento. Era mais alto que eu.

Eu provavelmente era o ser mais desinteressante da face da Terra. Não era uma garota bonitinha, nem sorridente. Era magricela, com os cabelos pretos opacos presos em duas maria-chiquinhas sem graça. Prensei os lábios um contra o outro, o rosto quente.

- Precisa beber leite para fortalecer seus ossos. – minha mãe disse atrás de mim. Ela veio junto. E eu não percebi.

Agora sim parecia a garota mais imbecil da face da Terra.

- Você também. – ela disse para o outro garoto.

Entreguei a outra garrafa para o garoto de cabelos pretos. Ele era da minha altura, e tinha olhos sem graça.

- Obrigado. – o garoto disse com a mesma expressão entediada.

Minha mãe levantou-se e passou a mão na cabeça dele.

O de cabelos castanhos olhou com uma expressão curiosa para ela.

Mamãe sorriu.

E nós três ficamos ali parados pelo que parecia uma eternidade.

No dia seguinte, mamãe limpava a vitrine da padaria pelo lado de fora.

Pela primeira vez na vida eu estava ao lado dela, esperando.

Por quem, vocês me perguntam?

Não é óbvio?

O garoto de cabelos castanhos notou que eu os observava, quando eles passaram por ali.

Ele me encarou de volta.

Mamãe percebeu e olhou para eles, sorrindo em seguida.

O tal garoto ficou encabulado, olhou para o lado, e voltou a seguir seu caminho.

Naquele dia, mais uma vez, levei duas garrafas de leite para os dois.

Num outro dia, as coisas foram bem diferentes.

Um grupo de homens de terno chegou na padaria quando já entardecia.

Mamãe disse para eu ir para casa.

Mas fiquei do lado de fora.

A porta da padaria foi trancada.

Fiquei sentada por alguns minutos. Achei que não fosse nada.

Até que vi a expressão de terror de minha mãe.

Tentei abrir a porta, mas não consegui. Não tinha a chave.

Bati no vidro, mas me ignoraram. Os homens cercavam minha mãe, sorrindo maliciosamente.

Minha mãe estava em perigo.

Olhei para os lados, não havia ninguém.

Meus ouvidos faziam um zumbido horrível.

Comecei a socar o vidro da porta com força, gritando.

- MAMÃE! MAMÃE!

Meus pequenos dedos doíam, eu sentia os ossos da mão machucando minha pele frágil.

Gritei, gritei.

Ninguém estava perto.

O zumbido nos meus ouvidos estava piorando.

Minhas mãos pareciam sangrar.

Minhas pernas formigavam.

Mamãe gritava, mas eu não escutava. Os homens a seguravam com força, ameaçando-a. Rindo.

Ouvi o estalo de algo quebrando atrás de mim.

O zumbido parou.

Silêncio.

Quando me dei conta, a loja inteira estava destruída.

Um garoto estava parado no meio dela.

Ele ofegava profundamente.

Era o garoto de cabelos castanhos para quem eu dava leite todos os dias.

O mais engraçado é que as garrafas de leite agora jaziam sobre o chão, caídas.

Minha mãe, desacordada, parecia uma garrafa de leite também.

Só que ela estava debaixo de uma pesada mini-geladeira.

A partir desse momento, o garoto sumiu.

No dia seguinte, mamãe limpava a bagunça da padaria.

Tinha se machucado, mas só um pouco.

Papai conversava com ela algo que eu não queria entender.

Mas ele obviamente estava preocupado.

Os dois garotos passaram na frente da padaria mais uma vez.

Mamãe não notou.

Eu, sim.

Mas naquele dia, eu não entreguei garrafas de leite para ninguém.

E no dia seguinte.

E no seguinte a esse.

E em todos os outros.

Até um outro dia, anos mais tarde.

Notas finais
É isso o que tenho por enquanto.Reviews e comentários serão muito bem aceitos, terei o maior prazer em responder :3- A Autora.