Cigarro e Flor de Cerejeira
9 Boatos.
Notas iniciais
Certa noite, enquanto eu navegava na internet esperando o pessoal do chat entrar, algo me fez parar no meio do meu gole da minha Red Snake.
- — 罪歌(Saika)-san entrou na sala.
[罪歌,] (Saika): Eu desejo
[朔夜ねね] (Sakuya Nene):?
[罪歌,] (Saika): um amor mais poderoso.
[罪歌,] (Saika): Por “desejo”, leia-se “quero”.
[罪歌,] (Saika): Quero um amor que seja mais poderoso.
[罪歌,] (Saika): Quero amar forte alguém.
[罪歌,] (Saika): Desejo, eu, mãe, mãe
A tal pessoa nova repetiu a palavra “mãe” inúmeras vezes, postando várias vezes seguidas.
E então, tão rápido quanto entrou, ela desligou.
- — 罪歌(Saika)-san saiu da sala.
Fiquei ali parada por um minuto, sem reação, olhando as mensagens em vermelho.
- — 甘楽 (Kanra)-san entrou na sala.
- — セットン (Setton)-san entrou na sala.
- — 田中太郎, (Tanaka Tarou)-san entrou na sala.
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Estamos sendo vandalizados? o(>< )o
[セットン] (Setton): Parece um alienígena.
[田中太郎,] (Tanaka Tarou): Talvez estivesse rindo....
[甘楽] (Kanra): Não faça piadas sem graça!
[セットン] (Setton): Que assustador....
[田中太郎,] (Tanaka Tarou): O “haha”, “haha”?
[セットン] (Setton): Não, estou dizendo que alienígenas são assustadores,
[セットン] (Setton): Ou algo do tipo.
- — セットン (Setton)-san saiu da sala.
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Será que ele ficou bravo? (。_。)
[田中太郎,] (Tanaka Tarou): Ah
[田中太郎,] (Tanaka Tarou): Não foi a minha intenção!
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Eu sei.
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): De qualquer forma, que estranho
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Essa Saika-san.
[甘楽] (Kanra): Será mesmo um alienígena?
[甘楽] (Kanra): Que medoooo~~! ( ゚ Д゚)’’
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Não é!
[田中太郎,] (Tanaka Tarou): Provavelmente é alguém que conseguiu acesso ao chat e está brincando.
[甘楽] (Kanra): Quem será??
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Que suspeito... (‘A`)
Dei mais um gole na minha Red Snake.
Aquilo era esquisito demais.
Na noite seguinte, achei que tudo estava mais tranqüilo.
[田中太郎,] (Tanaka Tarou): Ah, é, sobre aquele cara estranho, como ele conseguiu acesso ao nosso chat?
[甘楽] (Kanra): Aah, bani ele~♪
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Que bom... ( ´ ▽ ` )’’
[セットン] (Setton): Parece que as coisas vão ficar mais tranqüilas por aqui.
[田中太郎,] (Tanaka Tarou): Espero que sim.
[甘楽] (Kanra): Falando nisso, eu soube que ontem alguns membros dos Lenços Amarelos foram atacados pelo Retalhador.
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Mesmo??? ( ゚ Д゚)
[田中太郎,] (Tanaka Tarou): Quem são os Lenços Amarelos?
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): São uma dessas gangues coloridas, eles usam amarelo.
[甘楽] (Kanra): Será que o Retalhador foi mandado pelos Dollars?
[田中太郎,] (Tanaka Tarou): Ah, será??
甘楽] (Kanra): Isso pode virar uma guerra.
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Que problema. (‘A`)’’
Decidi ficar de olho nos acontecimentos envolvendo os Lenços Amarelos e o Retalhador.
Pois, depois de tanto tempo morando em Ikebukuro, aprendi que a menor das coisas podia afetar as nossas vidas.
Tudo estava interligado, afinal.
As notícias sobre desaparecimentos continuaram surgindo no chat.
[田中太郎] (Tanaka Tarou): Aquela garota que desapareceu era uma colega de classe.
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): O quê? ∑(O_O;)
[田中太郎] (Tanaka Tarou): Mais especificamente, uma amiga de um amigo...
[田中太郎] (Tanaka Tarou): Nunca a encontrei antes.
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Oh!
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Mesmo assim dá medo né... (._.)
[セットン] (Setton): Então você conhece alguém que sumiu...
[甘楽] (Kanra): Ah, sim, estão acontecendo vários desses desaparecimentos ultimamente.
[甘楽] (Kanra): Tenho ouvido muitos boatos...
[セットン] (Setton): Kanra-san adora boatos, não é?
[甘楽] (Kanra): Ahahahahaha!
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Eu também tenho ouvido.
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Onde trabalho vivem comentando sobre isso.
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): As garotas têm medo de serem seqüestradas.
[甘楽] (Kanra): Você não tem medo também, Sakuya-san?
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Hm... (゚ペ)
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Um pouco.
[甘楽] (Kanra): O que eu tenho ouvido é que normalmente é um estrangeiro vivendo aqui ilegalmente, ou uma criança que fugiu de casa e veio para esse distrito.
[甘楽] (Kanra): Então geralmente são pessoas que somem sem serem percebidas.
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Acho que perceberiam se eu sumisse.
[甘楽] (Kanra): Oh, por que, Sakuya-san?
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Digamos que pessoalmente sou alguém que chama muita atenção por natureza.
[甘楽] (Kanra): Quer dizer que você é um tipo de alienígena ou algo assim?
[セットン] (Setton): Ugh.
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): Hahaha! Não, não… ( ̄▽ ̄)’’
[甘楽] (Kanra): Enfim, dizem que essas pessoas nunca mais aparecem.
[田中太郎] (Tanaka Tarou): Verdade?
[甘楽] (Kanra): Aliás, tenho outro rumor melhor ainda.
[甘楽] (Kanra): O motivo pelo qual essas pessoas somem...
[甘楽] (Kanra): É porque os Dollars preparam seus corpos em algum lugar e os comem.
[朔夜ねね] (Sakuya Nene): (゚Д゚|||)
Algumas noites depois, eu, Tanaka-san e Heiwajima-san paramos no Rússia Sushi. Era dia de 50% de desconto, e como não passaríamos em nenhuma boate ou Hostess Club, eu estava livre para cantar.
Logo na entrada avistei uma mesa muito animada, com quatro pessoas.
Reconheci-as instantaneamente.
Eram Erika, Walker, Kadota e Togusa.
- Ah, Erika-san, que bom vê-la novamente! – eu cumprimentei a jovem. – Boa noite, meninos!
- E aí? – Togusa me cumprimentou.
- Olááá! – Walker acenou.
- Como vai? – Kadota deu um sorriso.
- Ayame-san! Que bom! Lembrei de vocês esses dias! – os olhos de Erika brilharam. – Adivinha o que acabou de sair?
- O que? – perguntei, curiosa.
Erika sorriu e mexeu na sua bolsa, tirando algo de dentro dela.
- TCHARAAAAM! O livro novo da Hoshino-sensei! – ela me estendeu o encadernado.
- Oh! – peguei o livro, entusiasmada. – Então saiu mais cedo do que nós imaginávamos!
- Siiim! Vi esses dias enquanto comprava a Jump desse mês! – Erika sorriu. – Parece que a história é muito interessante!
- É um romance sobre o amor proibido entre uma gueixa meio-youkai e um general do exército! – suspirei, abraçando o livro. – Mais uma obra-prima! Obrigada, Erika-san!
Ah, esse é outro lado meu que vocês não conheciam.
Eu sou apaixonada por light novels. Especialmente pelas de romance.
Conheci Erika-san num fórum da internet, e nos encontramos pessoalmente por acaso durante o lançamento do livro de uma autora que ambas gostávamos.
Desde então, trocamos informações e opiniões.
Erika-san é uma garota bonita e cheia de energia, extremamente extrovertida.
Bastante diferente de mim, devo dizer.
Mas nos fóruns conversávamos como duas adolescentes falando de seus ídolos.
- Mais tarde eu vou cantar, estou devendo uma música para o Simon-san. Vocês ficam? – perguntei.
- É lógico! Vai ser uma honra ouvi-la cantando! – Erika sorriu.
- Enfim, deixarei vocês jantando em paz. Até mais. – dei um leve aceno e fui me juntar a Tanaka-san e Heiwajima-san.
Durante o trajeto, vi que o trio de estudantes que conversava com Orihara Izaya no outro dia estava sentado no balcão do restaurante.
O jovem que me encarara naquele dia fez a mesma coisa enquanto eu passava por eles. Parei momentaneamente e o encarei de volta. Ele desviou o olhar.
Kida Masaomi notou a minha presença. A garota junto deles também.
Olhei para eles de relance e continuei a andar para a minha mesa.
Aquele trio era bastante curioso.
- Que livro é esse? – Heiwajima-san me perguntou quando me sentei.
- Ahn? – corei instantaneamente. – Ah, nada! É só algo que a Erika-san me deu.
- Sobre o que se trata?
Virei o rosto para conter meu sangramento nasal. Por que Heiwajima-san estava interessado no que eu estava lendo?
Ele pegou o livro das minhas mãos, olhando para a capa.
- “O Despertar da Camélia”. – ele leu o título num rosnado.
- É um romance. – eu disse, o rosto em chamas.
- Hm. – ele suspirou, mexendo nos óculos e me devolvendo o livro.
Observei-o por alguns segundos.
Aquilo foi uma cena muito peculiar e fora do caráter de Heiwajima-san.
Olhei para Tanaka-san, que deu de ombros.
Decidi deixar o assunto para lá.
Mais tarde, naquela noite, eu e Heiwajima-san avistamos Orihara Izaya parado próximo do Rússia Sushi.
Mordi o lábio inferior enquanto Heiwajima-san arrancava um enorme brinquedo de criança no formato de elefante de um parquinho próximo e o jogava contra o informante. Desta vez, ele errou o alvo.
- IZAYA! CAIA FORA DE IKEBUKURO! – ele urrou.
Izaya deu um sorriso sacana e começou a correr, sendo seguido por Heiwajima-san.
Suspirei e corri um pouco atrás deles, mas alguns metros já foram suficientes para me obrigarem a parar, ofegando. Usei a parede de um prédio como apoio, tentando recuperar o fôlego.
Aqueles dois eram rápidos, e com este corpo debilitado como o meu, era impossível acompanhá-los.
Mais uma vez, me senti como se fosse prisioneira do meu próprio corpo.
Peguei meu celular.
Mensagem
Para: Heiwajima-san
Assunto: Nenhum
Estarei esperando na praça.
Ayame.
Coloquei o celular de volta no bolso e comecei a andar para meu destino.
Apertei o livro de Hoshino-sensei contra as mãos.
Pelo menos eu teria o que fazer enquanto esperava.
Ali, sozinha na praça, a música do meu mp3 ecoava dos fones no silêncio.
Mesmo com esse som bastante alto, eu conseguia ouvir perfeitamente o que acontecia à minha volta.
Na realidade, usava os fones para abafar o som da minha própria mente. Zumbindo, o tempo todo, sem descanso... Era enlouquecedor.
Ouvi o som de passos se aproximando.
Levantei o rosto para ver quem era.
Delinqüentes. Quatro deles.
- Ei, ei, gatinha... Qual o seu nome? – um deles riu.
- Deve ser “Sakura” ou algo assim. Olha o cabelo rosa dela! – outro debochou.
Franzi o cenho, o coração acelerado.
Coloquei meu livro de lado.
Me levantei, o taco de beisebol nas minhas costas, protegido pela capa.
- “Sakura”-chan, por que você não vem brincar com a gente?? – um convidou.
- É, sabe, nós somos dos Dollars, então acho que você vai se divertir bastante... – o quarto sorriu torto.
Dollars?
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