Cigarette Smoke

18 Santa Consciência Pesada


Notas iniciais
E ai? Comeram muito no natal? Espero que sim :)

Encaro Zoe enquanto ela abre a caixa do teste e no fundo da minha alma, de alguma maneira esquisita, sei que vai dar negativo. Não faço ideia porque tenho tanta certeza, mas sei que não é hora e essa suspeita deve ser apenas uma paranóia dela.

– Certo, vou fazer xixi no palitinho e já volto.

Me jogo de costas em sua cama e fico olhando o teto... Tenho que ligar para meu pai. Hoje. Dou um suspiro resignado e puxo as pernas pra cima, me enrolando em posição fetal. Fico assim por uns 5 minutos pensando no que direi ao Hans, quando de repente Zoe entra no quarto. Sua expressão é serena e já sei a resposta antes mesmo dela abrir a boca.

– Negativo, certo?

– Sim.

– Graças aos Deuses.

Fico de pé e lhe dou um abraço bem apertado, ela corresponde e começa a chorar.

– Qual é o problema?

– Não, não tem nenhum. Só estou feliz.

– Vai contar para a Madison agora, né? Ela precisa saber que tem uma irmã maluca e paranóica.

Zoe sorri e se deita na cama. Me deito ao seu lado me apoiando no cotovelo. Ela está sorrindo feito boba e esse cara, que quase a engravidou, deve ser muito sortudo.

– Qual é o nome dele?

– Andrew... Ele está na minha aula de cálculos.

– Você gosta dele?

– Sim... Ele é estranho e engraçado, é do tipo que você nem dá nada, sabe? Sem malícia, sem nada a não ser aqueles olhos lindos. Então você troca duas frases com ele e tudo muda: é como ver um mundo diferente.

– Isso é muito gay... Posso conhecê-lo?

Ela me dá uma cotovelada na barriga e eu rio... Eu sei do que ela está falando, só que Jeremy é totalmente malicioso e só de olhar pra ele sei do que ele é capaz.

– Vai conhecer ele sim... Hoje à noite, na festa que vai ter de uma das fraternidades que não sei o nome.

– Mas vocês disseram que odeiam as fraternidades.

– É, mas nunca dissemos que odiamos as festas das fraternidade.

Zoe belisca meu nariz e se coloca de pé indo até seu closet e procurando algo lá dentro. Depois vem até a cama e jogo um top na minha cara.

– Coloca esse ai... Acho que vai ficar bem em você.

– Está louca? Tem neve na nossa janela, se eu sair assim vou virar picolé de ninfa!

– Picolé de quê?

Ops.

– De nada não.

Fico em pé e tiro as três camadas de roupa que estou usando e coloco o top de Zoe... Não me sinto confortável com ele, mas é bonito e macio... Que mal tem?

– Se eu erguer os braços vai dá pra ver meus peitos...

– O que não é grande coisa!

– Zoe!

Digo e coloco os braços na frente dos peitos. Ela dá uma gargalhada sinistra e depois de um tempo seca as lágrimas e diz:

– Saímos depois que a Mads chegar... Mais ou menos daqui a pouco... Esteja pronta. E relaxa, o top não vai sair do lugar ao menos que você queira.

Saio do quarto deixando-a lá, escolhendo roupas e cantando alguma música pervertida... Entro no meu quarto (que ainda cheira a tinta) e me jogo na cama de solteiro que consegui comprar numa loja de móveis usados! E adivinha? É das princesas! Toda rosa e cheia de coroas!

Quero morrer!

Pego o celular na mesinha de cabeceira e disco o número de Hans. Ele atende no primeiro toque.

– Sarah?

– Oi pai.

– Sarah, pelo amor de Deus, onde você está? Estou tão preocupado! Porque fugiu? Sarah, responda!

– Eu respondo quando você me deixar falar! Desculpa ter fugido, eu... Eu só não podia continuar ai. Desculpa pai.

Ele suspira do outro lado da linha e eu mordo a unha do dedão. O que será que ele vai fazer? Oficialmente ainda não sou maior de idade, mas estou praticamente por conta própria desde os 13... Ele não pode me forçar a voltar.

– Tudo bem filha, mas onde você está? Claro, você não deve ter ido muito longe...

– Estou em New York, com Zoe e a Madison.

– Você está aonde?

Hans berra no telefone, com certeza ele não esperava por essa. Nem eu esperaria.

– New York.

– Sarah!

– Nada que eu diga vai me deixar menos ferrada, não é? Então nem vou tentar.

– Olha Sarah... Eu não tenho nenhum direito de ficar bravo contigo. Mas por favor, nunca mais faça esse tipo de coisa! Eu já estava começando a pensar que tivessem sequestrado você, matado e jogado seu corpo no Tâmisa!

– Pai... O rio Tâmisa fica em Londres.

– É, tanto faz! Você está em New York, lembra?

Ai, ele me pegou... Me deito de lado observando a neve do lado de fora. O que não faz sentido algum, afinal, ainda é novembro! Vou relevar, acho que talvez o tempo esteja combinando com o meu estado de espírito.

– Estou bem pai, as gêmeas me abrigaram.

– Pelo menos você não está dormindo na rua! Fiquei sabendo que o tempo está louco por ai.

Ah, isso explica muita coisa.

– Eu estava tentando imaginar porque está nevando agora, mas você acabou de responder.

– Ah filha... Porque não foi para o meu apartamento?

– Eu não queria ser encontrada assim tão facilmente... E o Jeremy?

Seguro a respiração e tento ao máximo não derramar uma lágrima sequer.

– Ele está no seu quarto.

– Aonde?

– Depois que ele viu você indo embora, se trancou no quarto dele e ficou o dia todo lá... Então eu vim pra casa me deitar, e no meio da noite ouvi passos. Me levantei pensando que fosse você... Mas era o Jeremy, entrando no seu quarto. Quando me viu, pediu se podia ficar e eu deixei.

– Ai pai.

– Ele sai apenas para ir ao colégio e depois volta lá pra dentro. Os últimos três dias têm sido assim.

– Eu sinto muito.

– Por favor, não sinta... Acho que a culpa é minha por tudo isso.

– Não, quer dizer, eu bem podia ter aceitado tudo isso um pouco melhor... Talvez isso tenha sido apenas uma desculpa para eu fazer o que já estava querendo fazer há anos.

– Talvez filha, quem sabe.

– Me deixa falar com ele?

–Vou ver se ele quer.

Seguiu um som de cadeiras sendo arrastadas, passos e portas sendo batidas. Enquanto acompanho a respiração de meu pai do outro lado da linha, fico em pé e vou até o closet ver se encontro algo com que combinar a blusa de Zoe. Encontro um jeans claro jogado num cabide e um sapato qualquer no canto. Jogo tudo em cima da cama a tempo de ouvir meu pai chamar o nome dele. Coloco o fone no ouvido.

– Jeremy... É a Sarah e ela quer falar com você.

Acho que a porta se abre, tenho certeza que sim, pois as dobradiças estavam enferrujadas.

– A Sarah?

– Sim? Quer falar?

Talvez ele tenha balançando a cabeça, não sei, mas sei que o ar mudou e uma porta foi fechada.

– Sarah?

– Oi pai?

– Ele não quer falar.

Só pode estar brincando. Ele está tão chateado assim comigo? Ah, não imagina Sarah, o garoto não está nem um pouquinho com raiva... É só birra! Bem, eu queria que fosse só birra, mas algo me diz que Jeremy não vai deixar barato a minha fuga.

– Está certo pai... Depois eu ligo e tento falar com ele de novo.

– Ahn, ele disse Sarah, que nunca mais quer falar com você enquanto viver.

Mas o que? Em que momento ele disse isso? Caiu a ficha então de que provavelmente meu pai tapou o fone para que eu não ouvisse essa parte da conversa. Ah, mas que droga de vida!

– Ah, ok! Diga a ele então que não me importo nem um pouco! Até mais pai!

– Até Sarah, eu te amo.

– Te amo também.

Desligo o celular e o jogo na cama. Quero bater nesse pirralho até seus cachos caírem de sua cabeça! Ele não quer falar comigo? Ok. Mas ele também nunca mais ouvirá nada sair de minha boca direcionada a ele.

Pego minha roupa, minhas coisas de banho e vou até o banheiro que divido com as gêmeas. Preciso ficar apresentável para essa festinha medíocre. Não posso acreditar que realmente perdi meu tempo com aquele babaca!

Tomo um banho bem quente e depois me troco no banheiro mesmo, saio do vapor e volto ao meu quarto para terminar de me arrumar. Encontro Mads sentada na minha cama das princesas pintando as unhas.

– Onde você pensa que vai vestida desse jeito?

– Na festa.

– De calça jeans?

– E qual é o problema?

Ela fica em pé e segura minha mão me arrastando até seu quarto, me senta em sua cama e vai até o closet. Espera, me sinto em um Déjà Vu!

– Aqui, essa fica perfeita com essa blusa!

Ela joga uma saia na minha cara e sinto vontade de chorar. Essa coisa é a menor que já vi na vida. Nunca que vou usar isso!

Meia hora depois Zoe estaciona o carro numa vaga qualquer perto da casa da fraternidade. Não quero sair daqui e enfrentar o frio lá fora. No final tive que por a saia porque fui ameaçada de despejo. “Ou você põe a saia ou vai com esse seu jeans morar com os mendigos!”

Não tive escolha e agora vou congelar! Elas são más!

– Zoe, vou congelar.

– Deixa de drama! Vai ter tanta gente lá dentro que você vai esquecer que está nevando aqui fora.

Suspirando sai do carro e fiquei em pé na calçada esperando Madison retocar o batom. Depois entramos juntas na festa e tive uma sensação estranha de estar sendo observada... Mas acho que é porque a festa parou para nos ver entrar, o que não tem nada de estranho, tirando o fato de que todo mundo mesmo parou de falar para nos encarar.

– O que está acontecendo?

Sussurro para Madison enquanto ele entregava seu casaco para um garoto magrelo perto da porta. Ele sorri e pisca para mim. Que lindo, mas se ele pensa que vou tirar minha jaqueta está muito enganado.

– De primeira mão pensei que fosse porque aparecemos em uma revista famosa na última semana, mas na real acho que é por sua causa.

– C-como assim?

Zoe coloca as duas mãos nos meus ombros e me empurra pro meio da multidão.

– Você é carne nova no pedaço.

Vários garotos se aproximam de mim e fico vermelha feito um pimentão. Como fui me meter nessa? Nunca fui de festas e pegação, mas nesse momento estou propensa a pegar vários. Ou ser pega por eles.

– Oi, sou Zack.

Me viro na direção da voz e dou de cara com um garoto moreno e alto, muito alto, ele me encara e abre um sorriso lindo. Seus olhos são imensos e mesmo quando sorri eles continuam grandes, uma barba rala se esparrama por seu rosto. Yeah! Garotos da faculdade são maravilhosos! Mas enquanto olho abobada para ele, tudo o que desejo é que Jeremy estivesse ali. Já chega! Vou acabar com isso agora!

– Oi, e eu sou Sarah.

– E então Sarah, que tal uma cerveja?

– Claro, porque não?

Olho para trás e as gêmeas me observam preocupadas, quando vêm que estou olhando elas fazem um sinal de positivo e somem no meio do povo. É, acho que estou por mim mesma agora. Sigo Zack pouco me preocupando com o aviso que cutuca meu cérebro. “Não vá atrás dele Sarah”. Ah, quer saber, vá se danar consciência.

Notas finais
o/ angel! kkk