Cigarette Smoke

15 Mudança Legal


Notas iniciais
Super rápido, eu sei :)

Mesmo enquanto agarro seu cabelo loiro não consigo me arrepender do tapa que dei em seu rosto impecável. Eu tinha esperanças de que quando a vi-se na segunda-feira ia conseguir ser indiferente e não me vingar por ela ter contado ao Jeremy sobre meu “plano de fuga”.

Mas foi mais forte do que eu!

Amanda chegou perto de mim há uns cinco minutos atrás, sorrindo, se sentindo a vitoriosa... E não consegui manter minhas mãos paradas. Quando percebi já a tinha estapeado.

– Sua vadiazinha loira! Como ousa me espionar desse jeito? Você não tem nada melhor pra fazer?

– Solta meu cabelo Sarah! Eu vou contar pro meu pai!

– Sim! Vá contar pro seu paizinho que você anda me espionando e que estou tentando entender porquê!

Acho melhor soltá-la... Afinal eu prometi que não iria me meter mais em encrenca. Se alguém perguntar o que houve eu digo que era apenas uma abelha... Uma abelha muito, muito malvada, que estava tentando picar o lindo rosto de Amanda e que eu apenas tentei salvá-la.

– Eu vou contar!

– E eu vou negar!

Nos encaramos tentando saber quem atacará primeiro.

– O que está acontecendo aqui?

– Ah Jeremy, meu doce, essa louca está me acusando de algo horrível e ainda me estapeia! É uma maluca criada por ogros.

Insuportável... Palavra que descreve Amanda perfeitamente. Observo Jeremy se aproximar e parar ao meu lado. Não quero dar uma de presunçosa e soltar uma gargalha maldosa, mas sua postura, braços cruzados e expressão carrancuda dizem que o lado mais forte é o meu!

– Meus pais a criaram Amanda.

– Há-há! Na sua cara estranha.

Ela abre a boca pra falar algo, talvez tentar usar um argumento tosco para tentar entrar para a família de ogros, mas Jeremy a corta antes que sequer respire.

– Amanda, ela já sabe que eu sei.

– O que? Mas essa era a minha última granada! Quer dizer, como assim meu doce? Não sei sobre o que estamos falando aqui.

– Pare! Pare com esse sotaque estúpido! Você não é parisiense e todos sabem disso!

Não aguento mais essa garota de sotaque fajuto. Meu doce! Da licença que das duas aqui eu sou a única que já beijou Jeremy e dizer que ele é um doce é uma mentira descarada!

– Eu contei para ela Amanda, e se você pensa que fiquei bravo com ela ou algo do tipo, saiba que eu faria a mesma coisa no lugar dela.

– Você quer dizer: mentir, manipular e enganar?

– Não. Quero dizer: matar, esquartejar e enterrar.

Ela arregala os olhos e engole em seco. Arranquei dela todas as formas de punição que tinha contra mim. E me sinto ótima!

– Quer dizer... Quer dizer que terei de usar minha outra arma? Não esperava ter de usá-la tão cedo, mas minhas alternativas estão escassas.

Jeremy fica tenso e viro a cabeça para olhá-lo. Ele agora tem uma expressão do tipo: “Não ouse contar isso para ela!”. Acho que minhas chances de vitória estão diminuindo.

– Não!

– Desculpa meu doce, mas é para um bem maior. Ou você não acha que já está na hora de alguém contar a ela?

– Contar o que?

Agora fiquei curiosa, mas algo dentro de mim berra para que eu corra da li e não escute o que essa vaca tem pra dizer... Mas tem outra coisa que diz: “Vai doer, mas você precisa saber a verdade.”

– Você não tem o direito Amanda!

– Se eu não tenho o direito, quem é que tem? Vocês todos sabem e não contaram para ela, então usarei a meu favor.

Ela diz de uma forma sinistra e acho que Amanda leva essa nossa briga mais a sério do que deveria. Então se vira e um sorriso de escárnio invade seu rosto.

– Sarah, eu venci.

– Do que você está falando?

– Sua mãe está viva.

Minha respiração não é o que se pode chamar de calma. Na verdade eu só quero pular no pescoço de Amanda e esganá-la por brincar com algo assim.

– Você é baixa garota! Como você pode brincar com a memória de alguém que morreu há tanto tempo?

– Sua mãe não está morta! Ela é uma modelo internacional e mora na Irlanda!

Olho para Jeremy, esperando que ele negue, mas ele abaixa a cabeça. Como assim?

– Você sabia? Jeremy olha pra mim! Você sabia não é?

– É claro que ele sabia Sarah! Todos eles sabem!

Amanda está sorrindo e eu só quero chorar. Como ela sabe? Como todos sabem?

– Como você descobriu?

– Você se esqueceu? Meu pai é chefe de segurança do Estado, e tenho acesso a certas coisinhas, tipo o atestado de óbito da mãe de certa piranha!

Só pode ser brincadeira. Olho para Jeremy novamente: o cabelo castanho cobrindo os olhos, os lábios que antes sorriam para mim, mas que agora estão curvados formando um beicinho de culpa. Só que agora não sinto atração nenhuma por ele, ao contrário: estou enjoando por tê-lo beijado. Não espero para ouvir mais nada, me viro e saio correndo. Escuto Jeremy me chamar, mas não paro, apenas corro mais e mais rápido.

Atravesso a propriedade gramada e entro na minha casa, arfando e chorando. Encontro Hans sentado no escritório falando ao telefone.

– Como você pôde?

– Só um minuto filha, é uma ligação importante.

– O que? É minha mãe ao telefone?

Hans me olha e vê meu estado, então murmura uma desculpa esfarrapada no telefone e o coloca no gancho. Fica em pé e ergue as mãos em sinal de paz. Que se foda a paz! Só quero chutar alguém hoje!

– Sarah, quem... Quem te contou essa mentira?

Por um simples momento eu queria que fosse mentira, queria que Amanda fosse uma mentira, uma invenção maluca do meu cérebro doente, mas se Jeremy não negou, não consigo ter esperanças de estar sonhando, ou melhor, tendo um pesadelo.

– Não é mentira! Eu... Eu sei que não é! E o pior de tudo, pai, é que todos sabem, não é? Agatha e Christian, até mesmo Jeremy! E eu pensava que fosse a única com segredos ruins aqui! Como você pôde me esconder isso? Me diz!

– Sarah... Sua mãe era louca.

– Não, minha mãe era uma modelo!

– Sim... Quer dizer, ela ainda é: Kari Jen.

– Espera, vou ali pesquisar do Google e, finalmente, ter uma imagem dela!

Ele suspira e se senta na cadeira. De repente meu pai parece ter bem mais de 45 anos... Parece velho e cansado, como se esse segredo tivesse consumido toda a sua energia durante esse tempo. Mas não posso me permitir sentir pena dele, não agora.

– Sarah, senta um pouco e me deixa explicar.

– Não quero sentar!

– A história é longa... Por favor, se acalma. Talvez a explicação que eu tenha não seja o suficiente, mas é a única coisa que posso te dar.

Meu choro parece um vulcão em erupção, puxo a cadeira e espero pela história que vai mudar minha vida. E algo me diz que não vai ser uma mudança legal.

Notas finais
Obrigada a quem se preocupou com minha decisão maluca!