Cigarette Smoke
7 Morrendo (ou não) de susto
Notas iniciais
Nada a declarar... Só leiam, ok?
Eu sou uma idiota completa! Tudo o que eu estava tentando evitar ao máximo está acontecendo!
– Amanda, querida, volte para a sala imediatamente, ou então...
– Ou então o que, Sarah? Você vai cortar meu cabelo enquanto eu durmo?
– Seria melhor do que você continuar com esse loiro fajuto...
Ok, o cabelo dela não é falso. E ela sabe que eu sei disso.
– Ah Sarinha...
– Vadia.
– Vadia? Eu? Não profane meu lindo ser na frente deste garoto, por favor!
Jeremy está encostado na parede, entre eu e Amanda. Eu não consigo descobrir pela sua expressão o que ele pensa sobre essa briguinha tosca, mas considerando nossa conversa de hoje mais cedo, não deve ser coisa boa.
Respiro fundo tentando me controlar. Encontrei Amanda praticamente tentando estuprar Jeremy e a cena me deixou enjoada. O pior é que não consegui distinguir qualquer sinal de repulsa da parte dele. Argh!
– Amanda... Volte para a sala.
– Hupth... Certo, voltarei para a sala, mas Jeremy vem comigo.
– Não! Quer dizer, a mãe dele quer vê-lo.
Se controle Sarah! Não fique vermelha!
Amanda arqueia uma sobrancelha perfeitamente bem feita (isso me faz pensar na minha que deve estar uma perfeita... merda!).
– Vá logo!
Ela sai se contorcendo toda, o que será que uma cobra diria ao ver uma das suas se comportando assim? “Ó Medusa! Minha prole está tendo espasmos de putisse!”
Viro para encarar Jeremy e ele está exibindo um sorriso malvado, como se soubesse o que estou pensando.
– Vocês são incrivelmente parecidas.
– É, e como você acha que ela ascendeu tão rapidamente ao poder?
– Só sei que ela não é uma ninfa como você.
Observo atentamente seus olhos claros. Jeremy tem uma facilidade tremenda de esconder o que está pensando e não sei como corresponder a isso.
– Você vai ter que me explicar melhor esse negócio de ninfa.
– Explico hoje, se nosso passeio ainda estiver de pé.
Um esboço do meu melhor sorriso começa a se formar em meu rosto sardento, então me lembro da minha promessa e um falso se abre no lugar.
– Eu não cancelei nada. Vamos, sua mãe quer mesmo te ver.
– E essa vai ser a segunda vez no dia.
– Qual é! Ela apenas quer ver se o bebê dela está se saindo bem.
Jeremy sorri e estica o braço para apertar meu rosto. Desvio antes que sua mão encoste em mim e a atmosfera fica estranha... Meio gelatinosa.
– Desculpe...
– Tudo bem... É melhor eu ir monitorar os corredores, afinal eu sou a inspetora dessa pocilga, não é? Até mais.
Abaixo a cabeça e saio em disparada corredor adentro.
Entro correndo no banheiro de funcionários e me apoio na pia. Sinto minha respiração presa de forma assustadora no meu peito.
O reflexo no espelho me mostra uma garota que tenho plena consciência de ser bonita. Um bonito diferente algo meio mítico. Porém ela me parece estranha... Triste, sei lá.
Lavo o rosto com água fria e volto para o corredor. Dou de cara com Hector.
Esse sim tem vários problemas, típico cara que não tem senso do ridículo ou do aceitável normal: a versão masculina do meu uniforme ficava indecentemente engomado nele, como se tivesse sido costurado em seu corpo... Esse por sinal era monstruosamente forte e musculoso. E não era apenas por esse motivo que quando eu estava no ensino médio vivia jogando um charme nele: Hector era realmente bonito. Bonito, claro, se você relevasse seus ataques de loucura, principalmente quando ele resolvia dançar. E vamos dizer que sua preferência musical não é muito agradável aos ouvidos e seu jeito de festejar não faz bem aos olhos de quem vê.
Resumindo: Hector pode ser um Deus do Sexo apenas quando está parado feito uma estátua de Zeus no Monte Olimpo, porque quando abre a boca... Só pelos deuses!
– Ah, aqui está a dálmata.
– Ah, olá dançarino de conga!
– Cala a boca! Cala a boca Malhada!
Ele me deprime, mas não consigo deixar de rir de seus apelidinhos toscos sobre minhas sardas. A pior parte de tudo isso é quando ele abre a boca. Não tem estátua de deus do sexo que suporte a pose diante de uma voz dessas!
– Isso é o que você tem pra hoje?
– Argh! Moça de toda beleza, você tem o dobro em mesquinhez!
Hector cospe no chão e sai andando como se fosse o cara. Apenas balanço a cabeça, fazendo cara de nojo para a cusparada catarrenta dele e me pergunto como é que pude ter uma quedinha por ele um dia na minha vida.
– Cara estranho.
Dou um pulo involuntário e só então percebo Jeremy parado ao meu lado de braços cruzados.
– Que susto!
– Sua audição não é tão boa assim Ninfa.
– Eu estava no meio de uma discussão... E o que você faz fora da sala?
– Acho que você está perdida no tempo Sarah, o dia já acabou. Está na hora do nosso passeio.
– Mas eu acabei de te mandar para a sala!
– Isso foi à uma hora.
– Tá legal... Vou dizer a Hector que hoje é o dia dele inspecionar os quartos.
– Minha mãe já disse. É por isso que ele está assim.
Começo a sorrir feito uma babaca, mas não posso dizer se é porque Hector se ferrou ou se porque Jeremy está aqui.
– Então Ninfa, aonde nós vamos?
– Surpresa garoto, surpresa.
Pego sua mão no calor do momento e o arrasto para fora do covil. Encontramos Amanda no meio do caminho, dou um aceno e Jeremy apenas dá um sorriso matreiro para mim.
Atravessamos o terreno entre o colégio e nossas casas, e enquanto deixo Jeremy para trás na entrada da casa, corro para a cozinha berrando para ele por roupa de frio.
– Certo. Nos encontramos daqui meia hora?
– Pode ser.
Volto alguns passos para olhá-lo subir as escadas. Acompanho seus passos praticamente babando no movimento que seu andar faz em harmonia com o seu corpo. De repente ele para e me olha por cima do ombro.
– Vai se atrasar Sarah.
Fico vermelha e dois segundos depois estou enfiada dentro da geladeira de Agatha pegando coisas para preparar um sanduíche. Não encontro nada.
Quando fecho a porta quase morro de susto pela segunda vez em menos de dez minutos: Christian está encostado no armário segurando um prato com um sanduíche perfeito e apenas sorri quando berro seu nome.
“Oi Sarah”
“Que horror Christian!”
“Como estão as coisas?”
Ele faz uma linda carinha de inocente igual a do filho enquanto me entrega o sanduíche, que quando olho de perto, percebo que é o meu favorito!
“Está indo bem...”
“Ótimo”
Ele me dá um beijo na testa e sai. Tenho que ser muito idiota pra não saber do que ele está falando...
Christian é bonito, muito bonito na verdade. Seu cabelo escuro e grosso é cortado rente à cabeça, seus olhos são escuros e firmes e seu queixo é algo entre um pouquinho torto e bem delineado. O mesmo rosto do Jeremy, só que ele puxou o cabelo castanho-claro da mãe e seus olhos castanho-esverdeados.
Devoro meu sanduíche no caminho para casa. Quando chego ao meu quarto aceito tristemente que preciso limpar ele de novo. Tiro meu uniforme e tomo um banho quente.
É apenas um passeio Sarah, repito inúmeras vezes para fixar. Apenas um passeio para alcançar minha carta de alforria. Mas quando fecho meus olhos para lavar o xampu da cabeça é o rosto de Jeremy sorrindo que eu vejo.
Suspiro resignada e desligo o chuveiro. Coloco um jeans, uma camiseta da minha banda favorita, coturnos e uma jaqueta. Olho-me no espelho e acho que ninguém nunca viu uma ninfa vestida desse jeito.
Pulo a escada de dois em dois degraus, pego a chave do carro na mesa e vou em direção à garagem. Encaro o carro que não sai daqui desde o último verão.
– Vamos passear Mark.
Aperto o botão do alarme e Mark pisca as lanternas para mim como que perguntando: “Porque demorou tanto?”
Notas finais
Brincadeira... Mas comentários seriam legais...
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