Notas iniciais
Aê! Desculpa gente, tive problemas com minha internet (que me odeia, diga-se de passagem)... Mas a parte boa é que estou adiantada com os capítulos o/ Aproveitem!

Há três dias Jeremy recebeu alta do hospital. Há três dias me recuso a sair do quarto, ou a deixar qualquer um entrar. Há três dias não faço qualquer outra coisa a não ser amaldiçoar o dia em que meus pais se conheceram e resolveram fazer sexo e consequentemente me trazer ao mundo.

Maldito seja esse dia!

Mas, ok, pra que tanto drama? Ah, claro, drama... D-R-A-M-A. Minha linda mãezinha Kari ligou para meu paizinho Hans e disse a ele que eu voltei a fumar... E adivinha? Ele enlouqueceu e quer que eu me mude já para a casa dele, o que eu tecnicamente já vinha pensando em fazer, mas que agora não farei de jeito nenhum porque ele quer me prender de novo. “Ele aproveitou aquela sua briguinha pra te deixar de castigo e assim não consegui falar com você”. Meu pai adora me enganar, não é possível! Prendeu-me lá como se seu maior problema fosse eu e não Kari! Quer dizer, eu sei que sou um problemão, mas concordo que minha mãe é um super ultra mega problemão.

– Sarah, abre a porta.

– Vá embora Jeremy.

Me viro de lado na Cama das Princesas e coloco o travesseiro em cima da cabeça. Jeremy está batendo na porta já faz algum tempo e não quero vê-lo, ainda todo machucado, apenas pra fazer com que me sinta pior. Qual é, eram apenas dois cigarros! Não é como se fossem me matar do dia pra noite.

– Se não abrir eu vou arrombar.

– Se você arrombar minha porta azul eu vou arrancar todos os seus dedos com um alicate!

– Para de frescura! Eu achei que já tivéssemos passado dessa fase mesquinha de “não me toque se não eu te mato”.

– Vá para o inferno!

Silêncio. Finalmente. Silêncio. Fecho os olhos tentada a dormir até o Dia do Juízo Final, mas até o sono está em greve por aqui. Barulho de chaves... Espera, isso não está certo. Levanto-me num pulo bem no momento em que Jeremy abre a porta e me olha com a cara mais aterrorizante do mundo, digna de filmes de terror, e sinto que deveria ter me jogado da janela antes que as coisas chegassem a esse ponto.

– Não posso mais ir para o inferno porque já estou nele.

– Ai.

– E não faça essa cara de dó, porque você não pode esperar que eu sinta pena de você!

– Não fale assim.

Jeremy fecha a porta do quarto e a tranca. Não tenho por onde fugir... E parece que agora é a hora da verdade. Olho para a janela novamente... Será que vai doer muito?

– Você está acostumada a ter tudo nas mãos Sarah: amigos, dinheiro, eu... Mas, eu e todo mundo está cheio disso! Ah, uma coisinha dá errado e você se tranca no quarto, faz birra, chora, esperneia! Eu passei todos esses meses Sarah fingindo que você não era assim... Só que agora não dá mais pra viver no escuro.

A verdade dói. Pra caramba.

– V-você está dizendo que sou mimada?

– Ah! Palmas! Ela entendeu o que eu disse de primeira! E não estou sendo sarcástico.

– Porque está sendo mau comigo Jemy?

Eu quero chorar, mas sei que se chorar ele vai brigar mais comigo... Abraço a mim mesma tentando me consolar, mas meus braços estão tão frios e duros quanto os de um estranho... Me sento no chão e me encolho dentro de mim mesma. Caramba, Sarah, quanto drama!

– É que todos têm sido bonzinhos demais Sarah... Você deveria ter acordado pra vida um tempo atrás, depois do incidente na escola... Mas todo mundo tentou te proteger como se você fosse a vítima.

Ele se abaixa na minha frente, coloca uma mão na minha cabeça e suspira pesadamente, como se soubesse bem o que estou pensando: mas o quê?

– Eu pensei que você me protegesse sabe, de tudo e de todos... Cara, como eu estava errado. Eu acho que quando você aceitou cuidar de mim, fez meio que inconscientemente, meio que já sabendo que eu cuidaria de você.

– Você tem razão. Mas são muitos meios em uma só frase.

– Eu sei que tenho. Agora, por favor, saia desse quarto... Está começando a me assustar. Pensei que você tivesse se jogado pela janela.

– Eu pensei nisso.

– Eu sei que pensou.

Ergo a cabeça e o encaro: seu rosto ainda tem alguns machucadinhos mínimos, o corte em seu lábio deixou uma cicatriz que me faz ter vontade de beijá-lo (agora me conte uma novidade... porém, não vou fazer isso, já que preciso urgentemente escovar os dentes).

– Como... Como você sempre sabe o que estou pensando?

– Alguém tem que manter o controle por aqui, não acha?

– Não foi isso que eu perguntei.

Jemy sorri aquele sorriso sacana que eu gosto e se levanta. Não quero que ele vá, quero que fique aqui comigo e continue gritando, porque meio que sei que quando ele sair as coisas vão mudar... E, novamente, talvez não sejam para melhor.

– Apenas saia do quarto, tome um banho e vamos conversar civilizadamente. Certo?

– Ok.

Continuo sentada no chão enquanto ele destranca a porta e a abre, acena uma vez e sai do quarto... Porque será que parece que já vi isso antes? Fico em pé, pego uma roupa no armário e vou pro banheiro. Dou graças aos deuses por não encontrar ninguém no caminho, até porque as gêmeas estão na faculdade, e tranco a porta rapidamente. Tomo o melhor banho da minha vida e depois que estou devidamente vestida, de cabelo limpo e arrumado e com os dentes escovados, saio do banheiro e vou até a sala. Jeremy está na sacada apoiado nos antebraços, suas costas largas estão curvadas, como se ele estivesse segurando um peso enorme sobre elas. Ocorre-me que o peso talvez seja eu.

– Ei.

Saio pra a sacada e me escoro ao seu lado. Cara, porque quando penso que as coisas finalmente estão seguindo o rumo certo, vem uma ventania do além e as arrasta para longe? Agora que acabei de aceitar que o amo, percebo que sou uma âncora em sua vida. Afinal, que tipo de namorada não sabe nada sobre o namorado? É, já que não sei como ele está na faculdade, e até um tempo atrás nem sabia que curso ele estava fazendo... Não sei o que ele gosta de fazer, o que gosta de comer... E ao mesmo tempo, sinto que ele me conhece mais do que eu mesma. Argh!

– Jeremy... Nós não podemos continuar assim.

– Está terminando comigo Ninfa?

– Por quê? Você está?

– Ainda não sei.

Abaixo a cabeça e miro os pontinhos lá embaixo na rua... Esses pontinhos provavelmente têm problemas maiores do que os meus, ou talvez sejam mais felizes. Esse pensamento me faz ter vontade de ir até a cozinha, pegar uma caixa de ovos e jogar em todos eles. Me controlo.

– Eu descobri uma coisa muita importante quando estava falando com a Kari.

– O que?

– Meu pai me prendeu na escola para me manter longe dela...

– Tenho certeza que não foi por mal...

– Eu sei. Justamente por isso não estou com raiva. E... Bem, tem outra coisa.

– O que mais você descobriu ó grande Ninfa das Flores?

Dou-lhe um soco no ombro fazendo-o rir. Gosto quando estamos assim, brincado e sorrindo, sem discutir ou fazendo ameaças pecando contra o estado físico do outro (não vou arrancar os dedos de ninguém com um alicate, juro!)... Mas talvez isso não dure para sempre... Talvez Kari esteja certa no fim das contas.

– Não é bem uma descoberta... É mais uma aceitação.

– Dá pra parar de enrolar e falar logo?

– Está curioso senhor “ó, nada me atinge, sou o rei do poker face!”?

– Isso foi horrível Sarah.

– Eu sei.

Volto a olhar para baixo, subitamente muito consciente da presença dele, do olhar fixo em meu rosto, dos nossos braços se encostando. E cara, como eu posso pensar que não o conheço? Tá, eu sei que é sacanagem não saber as coisas que ele gosta, mas não posso negar que não é isso que me liga a ele... Não é só tesão. É amor. Curiosidade.

– Jemy, eu amo você.

Corro um sério risco de derreter de vergonha agora. Deuses! Sarah Harue se transformou numa garotinha apaixonada! Mas também descobriu que é uma garotinha mimada... É, acho que é bem melhor amar alguém do que desejar essa pessoa apenas por birra.

– Eu sei que ama.

– Seu sacana, era para você dizer “eu também amo você Ninfa”... Por favor, siga o roteiro.

Eu queria ter dito isso de cabeça erguida, encarando seus olhos verdes... Mas sou uma covarde mimada do caramba! Não posso lidar com isso, então apenas me encolho mais e mais dentro de mim mesma.

– Você nunca segue os roteiros, porque então eu faria isso?

– Novamente a resposta errada.

– Sabe quando você me perguntou como é que eu sempre sei o que você está pensando?

– O quê que tem?

– É que na maioria das vezes você pensa alto. Você fala o que está pensando Sarah, é um livro aberto.

Agora não tem mais como não olhar para ele. Encaro Jeremy que está sorrindo feito um bobo. Como assim penso em voz alta? Eu não faço isso não!

– É claro que faz! Você acabou de fazer!

– Só pode estar de brincadeira...

Sinto meu rosto esquentar e cogito me jogar da sacada. Olho de canto para Jeremy só pra saber se esse pensamento foi dito em voz alta, mas sua expressão continua a mesma. Ufa.

– E sabe o que isso significa?

– O que?

– Você sempre diz que me ama quando está dormindo. E dormimos juntos muitas vezes.

– Ok. Posso fazer uma pergunta?

– Precisa pedir?

– Certo... Hã, quando você disse que eu não sigo os roteiros, o que quis dizer com isso?

– Por mais que você seja um livro aberto Sarah, eu nunca sei o que você vai dizer ou fazer... Quando prometeu que ia me esperar para irmos embora juntos, eu realmente pensei que fosse verdade. Naquele momento eu nunca tive tanta certeza sobre algo na minha vida... Eu sabia que a gente ia ficar junto de uma forma ou de outra. Mas eu esperava que fosse logo na primeira tentativa...

– Estamos juntos agora.

– É, mas por quanto tempo? É difícil confiar em você Sarah, já que está sempre me surpreendendo, refazendo seus passos e me enlouquecendo.

– Desculpa por isso... Sabe, quando encontrei minha mãe eu tive essa mesma impressão... Não quero ser tão parecida com ela Jeremy, o que posso fazer pra você confiar em mim?

Jemy se vira, me forçando a também ficar de frente para ele. Sua nova altura ainda me assusta, mas apenas relevo tudo isso quando suas mãos circundam meu corpo me fazendo tremer.

– Diga que me ama de novo.

– Eu te amo.

– De novo.

– Eu te amo.

– De novo.

– Já chega, vamos parar com isso...

– Xiu... Eu também te amo Ninfa.

Notas finais
As coisas estão bem melosinhas né? Prometo que o próximo é mais engraçado!