Cigarette Smoke
14 Lista!
Notas iniciais
Abro meus olhos e não ligo para a claridade que teima em invadir o quarto, ela me cega e nem isso me irrita. Afinal, é sábado!
Fico de pé num salto, prometendo a mim mesma que hoje o dia vai ser totalmente produtivo! Em primeiro lugar: arrumar a casa.
Em segundo: arranjar algumas mudas para plantar no jardim.
Terceiro: usar o...
– Sarah, fecha essa janela e volta pra cama!
Espera um pouco. Estou de costas para a cama e sinto que se me virar agora algo vai dar errado, então penso seriamente em fingir que não ouvi nada e continuar com minha lista. Sigo meu conselho.
Terceiro: usar o computador e reativar minhas redes sociais. Quarto...
– Sarah, por favor! Acho que estou ficando cego.
Só pode estar de brincadeira. Me viro em câmera lenta, desejando que ele não esteja realmente ali. Mas quando fico de frente para a cama e vejo a curva de suas costas (nuas!) meio coberta pelo edredom, sinto vontade de morrer!
– Jeremy, o que você está fazendo aqui?
– Que?
– O que você...?
Lembro de me pai, no quarto no final do corredor, provavelmente usando meias ortopédicas... Ai que coisa horrível! Corro até a porta e giro a maçaneta apenas para constatar que já está trancada.
– Eu dormi aqui ontem, esqueceu?
– Se eu esqueci? Não, imagina. Estou pirando a toa sabe? Só pra você não se acostumar comigo assim tão fácil... É claro que não lembro!
Jeremy vira de barriga pra cima e se espreguiça. Olho para ele embasbacada, sem entender essa calmaria toda.
– Seu pai chegou ontem, ficamos conversando até tarde... Em algum momento você cochilou no sofá e nós dois continuamos, você sabe, tendo um papo de homem... Então ele perguntou se nós tínhamos, hum, feito “sexo seguro”.
Engasgo com minha própria saliva. Isso, com certeza, não pode ter acontecido! Não é possível.
– E depois?
– Bem, eu disse a ele que a gente ainda não tinha chegado tão longe e ele ficou bem aliviado... Mas ai depois perguntou por que não, e me fez um monte de pergunta estranha, do tipo: você não se sente atraído pela minha filhinha? Você é gay?
– Ai Jeremy...
Ele sorri do seu melhor jeitinho sem vergonha.
– Ah, então eu resolvi me aproveitar da situação...
– O que...?
– Eu disse que era virgem... E ele me deixou dormir aqui.
Me sento no chão e coloco a cabeça no meio dos joelhos. Essa é a pior coisa que já poderia ter acontecido! Meu pai deve estar louco! Eu sempre soube que ficar rodando o mundo ia fundir o cérebro dele. Pelo vão entre minhas pernas consigo ver Jeremy descer da cama e se sentar de frente para mim. As mãos de dedos longos adentram meu cabelo e encontram minhas bochechas.
– Ei. Você acha mesmo?
– Não sei... Meu pai pode ter enlouquecido no último ano, não sei.
– Enlouquecer sim, perder a razão não. Ficamos mesmo conversando até tarde, mas depois que você dormiu, ele pediu pra eu te carregar até o quarto e depois ir embora. Então sai e fiquei esperando a luz do quarto dele se apagar, daí entrei de novo, tranquei a porta e me enrosquei aqui com você. Não se lembra porque não me viu entrar.
Solto um longo suspiro bem lentamente... Ai, graças a Deus.
– Você dormiu aqui comigo a noite inteira e eu não percebi?
– Bem, teve uma hora que você chamou meu nome e eu achei que você estivesse acordada... Então me beijou e as coisas esquentaram um pouco...
– Ai, Jeremy, deixa quieto.
Ele ri e me beija... Ele me beija! Assim, fácil... Como se fosse rotina, como se tivéssemos algo importante. Como se estivesse apaixonado por mim.
O que eu, sinceramente, sei que não aconteceu. Ainda. Paro o beijo e coloco as mãos entre nós.
– Pare com isso.
– Isso o que? Te beijar?
– É! Você me beija como se o mundo fosse acabar amanhã... E eu odeio isso!
– Qual o problema? Que mal tem eu gostar de te beijar?
– Que mal tem? O mal de que um de nós vai sair machucado dessa história... Você não está apaixonado por mim Jemy e nunca estará... Não adianta fingirmos que sim.
Ele pega um mecha do meu cabelo e a analisa bem de perto. Contenho um suspiro quando ele cheira meu cabelo e sorri.
– Porque você faz isso? Porque você me afasta desse jeito? Eu não vou te machucar Sarah. Nunca faria isso.
– Eu não posso prometer o mesmo.
Encaro seus olhos até ficar tudo embaçado. Eu sinto que já o machuquei... Ele já descobriu meu plano, meu preço... Mas, por algum motivo isso não o afastou.
Talvez ele seja masoquista.
– Jemy, porque você ainda está aqui? Mesmo depois de descobrir o que eu fiz?
– Sobre seu preço?
– Sim.
– Quando Amanda me contou que você tinha feito um acordo com meus pais eu não acreditei... Não, eu não queria acreditar. Mas então eu comecei a pensar e vi que você tinha todos os motivos pra fazer isso. E mesmo assim eu não consegui te odiar.
– Sério? Mesmo sabendo que eu estava te usando pra sair daqui?
– É. Loucura eu sei.
Abro um sorriso gigante... Um sorriso sem culpa, verdadeiro. Me ajoelho e me jogo em cima dele, beijando todo o seu rosto, seu pescoço, seus ombros... Opa. Tento me levantar, mas Jeremy me segura presa ao seu corpo com força. Nossas respirações estão descompassadas, mas estranhamente no mesmo ritmo. Assustador.
– Ei. Posso beijar você agora, sem culpa?
– Acho que pode.
Aproximo minha boca da sua e nem ligo pro fato de não ter escovado os dentes, apenas quero beijá-lo. Ele puxa minha cabeça e nossas bocas se prensam e é questão de segundos até que os movimentos de completem. Seguro em seus ombros quando ele se vira e fica por cima de mim, e não acho desconfortável por mais que minha espinha esteja esticada no chão.
Jeremy se ajoelha, me dando espaço para levantar sem desgrudar nossos lábios. Fico de joelho também e ele começa a levantar minha camiseta. Não o impeço até me lembrar que estou sem sutiã. Seguro sua mão antes que avance mais.
– Espera.
– Que foi?
– Você não vai encontrar nada debaixo da blusa.
– Melhor ainda.
Ele me beija de novo, mais rápido e urgente, minha respiração está presa e nem penso em procurar por ar. Sinto minha blusa se aproximar mais da região que pretendo que continue coberta, então resolvo distraí-lo. Tiro as mãos de seu pescoço e as coloco em sua barriga arranhando-a levemente.
– Hm, isso...
– Xiu.
Escorrego os dedos até o cós de seu jeans e suas mãos seguram as minhas. Sorrio com o som reprovador que ele faz.
– Não pode...
– Posso sim...
– Sarah, você está brincando com fogo.
– Garoto, eu sou a mais velha aqui e consequentemente mais experiente. Quem está brincando com fogo é você.
– Mais experiente é? Então já experimentou isso.
Ele me ergue do chão e me senta na escrivaninha, ficando entre minhas pernas. As mãos dançam pelas minhas costas, por baixo da blusa. Jemy ainda nem encostou sua boca na minha e já estou sem ar.
– Isso... Não vale.
– Hm...
Se for pra brincar, então... Vamos brincar no melhor estilo Sarah Harue! Passo minhas pernas pela sua cintura e meus braços pela suas costas, minha boca encosta na sua e nem lhe dou a chance de tomar ar antes. Sinto que começo a ficar no controle e me aproveito disso. Puxo o cabelo de sua nuca com uma mão e a outra coloco na cintura de sua calça, abaixando-a levemente.
Jeremy não pode fazer nada a não ser retribuir o beijo e voltar a erguer minha blusa. Dessa vez não o faço parar. Levanta a parte de trás primeiro, a frente erguendo-se aos poucos. Solto o botão de seu jeans e ele suspira. O próximo o faz estremecer. Então puxo o zíper bem devagar dando tempo para desistir... Mas ele não faz nada, está ocupado com minha camiseta.
– Acho melhor...
– O que?
– Ficarmos apenas de agarração... Acho que ainda não é hora.
– Eu concordo.
– Ótimo.
– É, ótimo
Porém nenhum dos dois para de trabalhar nas peças de roupa. De repente ficamos parados, estáticos, feito estátuas. A porta do quarto do meu pai se abriu, rangendo, depois seus passos indo até as escadas e parando... Como se tivesse ouvido algo. Ai droga. Olho para Jeremy assustada, toda minha experiência se esvaindo deixando lugar pra covardia.
“E agora?” Pergunto apenas mexendo a boca.
“Se arruma na cama que eu destranco a porta e me escondo” Ele responde em libras e nem paro pra pensar que seu plano é terrível, apenas desço da escrivaninha e corro até a cama. Vejo Jeremy girar a chave bem devagar ao mesmo tempo em que escuto a primeira batida na porta. Então Hans entra no quarto de supetão, dando tempo apenas pra Jeremy pular pra trás da porta e eu puxar o edredom sobre a cabeça. Não confio na minha capacidade de atuação.
– Acho que estou ouvindo coisas...
Hans diz e sai vagarosamente fechando a porta... Conto até cem antes de puxar o edredom e olhar o quarto, Jeremy continua encostado na parede, pálido feito papel.
“Pense novamente quando vir dormir comigo escondido” Digo em libras e sorrio abertamente.
“Não tenho culpa se você geme muito alto”.
Mostro o dedo do meio e ele tranca a porta de novo, sorrindo, depois vem até a cama e se deita ao meu lado.
– Então querida, o que faremos hoje?
– Quem sabe, talvez um almoço e um passeio na praia.
– Hm, não sei... Prefiro ficar por aqui e terminar o que começamos.
Ele deita a cabeça no meu braço e beija meu maxilar. Um arrepio involuntário percorre meu corpo e o pior disso, é que ele percebe.
– Hm, garotinha experiente.
Só então, enquanto ele beija meu pescoço é que me lembro que ele ia me dizer algo na noite anterior. Decido perguntar, mas me distraio quando ele morde minha orelha.
Isso ainda pode esperar um pouco.
Fale com o autor