Cigana De Luxo!
25 Reações inesperadas
A noite chegou antes do esperado. Mas não foi pelo fato de ela ter dormido alguns minutos ou por estar mais nervosa que o costume. Aquele dia não era especial e tampouco agradável. Transformou-se em um poço fundo de medo e receio. Estava sim arriscando tudo o que tinha de mais valioso em sua vida, mas não podia mais se permitir passar por aquela sensação nojenta novamente... Não suportaria. Talvez o revólver que ele carregara na cintura acabasse com todos os seus problemas logo, sendo que suas únicas esperanças de se manter longe do inferno estava distante, perdida talvez... Quem sabe... Não via suas esperanças a mais de um ano, e não era agora que iria contar com ela. Embora mesmo assim, ela esteja mais perto do que se pode imaginar. Quem sabe não lhe bate à porta?
Observou da janela mais uma vez a esplêndida lua, cruzada de estrelas cobertas por um céu escuro e tranquilo. Uniforme e sem nenhuma proteção, sorriu, parecia sua imagem refletida no espelho.
O medo estava presente, não havia possibilidade de ignorá-lo, mas afastá-lo nem que fosse por alguns segundos já trazia um alivio mais do que necessário. O que faria ele ao descobrir tudo? Suas mãos tremiam, seus lábios eram vitimas de leves mordidas nervosas, e a covardia eminente no coração da jovem já estava fixa. Pouco se podia ver no lado de fora, a única luz que iluminava a rua era a de um lampião improvisado preso no alto do poste. O bom seria e ela não pudesse enxergar nada, essa era a verdade.
Olhou o relógio mais uma vez, e de novo, e de novo, os segundos pareciam nunca acabar. Os dez finais foram contados em sussurros. Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um... Só podia ser brincadeira.
O relógio bateu as 22h00min – Gaspar apareceu do lado de fora.
Jazmim recuou, foi para a parte escura de seu quarto novamente, pressionou forte a mão na parede e respirou fundo. Voltou a colocar seu corpo na luz e fixou os olhos no homem alto, de chapéu que olhava para onde ela estava. Gaspar pareceu levantar a aba do chapéu, analisou tudo ao seu redor e olhou mais uma vez para Jazmim que podia ser vista da grande janela de vidro. Uma princesa presa na torre.
A cigana olhou em seu rosto, mesmo longe o enxergava em sua memória, e fez um sinal negativo com a cabeça. Estava decido, não, ela não iria sair. Afinal, o que ele poderia fazer naquele momento? Há seguranças na porta da casa. Porém, às vezes, não devemos contar tanto com a sorte, mesmo sabendo que ela se encontra na palma de sua mão.
As risadas finas chegaram aos seus ouvidos como bomba mesmo estando a metros de distância e separadas por uma janela de vidro. Gaspar, assim como Jazmim olharam rapidamente para a garota morena que atravessava a rua dando altas gargalhadas, indo em direção a casa. Era Camila. O sorriso de Gaspar se estendeu sobre todo o seu rosto, e no coração de Jazmim bateu um desespero tão grande que a garota sentira a dor de uma facada. O cano de ferro saiu com facilidade do casaco de Gaspar, apontando com precisão para a cabeça de Camila que caminhava despercebida. Ele fitou a cigana, parecia desafiá-la.
– Camila... Não...
Seu corpo obedeceu a seu coração, obedeceu a seus instintos, obedeceu a sua consciência, fazendo a garota correr em direção ao corredor do lado de fora.
Aquela situação era um jogo pra ele, um jogo impulsivo e divertido, um pouco questionador e talvez até impensado. Mas por que se importaria? Sua única principal e temida ameaça estava longe, bem longe.
“Vou matar sua amiga, Jazmim, e mostrar realmente a você que falo sério. Muito sério. Vai ouvir apenas o barulho do tiro de meu revólver estourando a cabeça dela”.
Engatilhou a arma com um sorriso no canto dos lábios. Vencedor.
Não que se pudesse dizer que foi uma interferência do destino, afinal, amanhã era dia dez de Setembro.
Gaspar engoliu seco, seu sorriso se desmanchou. O carro escuro parou em frente à casa de Ana, escondendo a imagem perfeita de Camila. O homem guardou o revólver rapidamente, observando o carro de vidros escuros. Em nenhum momento eles se abaixaram.
– Não pode ser... – Sussurrou para si.
A imagem de Gaspar sumiu por entre as folhagens, como um animal escondido que escapava de seu caçador. O carro misterioso que, inconscientemente defendera a vida de uma garota, demorou mais alguns segundos em frente à casa, com alguém observando atentamente sua estrutura.
Jazmim que colocara os pés no último degrau não se mostrou, observou o carro longe o suficiente para não ser vista. Ninguém saíra de lá, os motores ainda estava quentes e ligados... Quem era? Não havia sinal de Ana em parte alguma, e os seguranças pouco se interessaram em saber quem estava lá. Não olharam, nem prestaram atenção, pouco se mexeram.
Ela voltou, subiu as escadas novamente e entrou no quarto... Trancou a porta. Não sabia por que fizera aquilo, mas parecia uma forma de proteção, de se proteger de alguma forma. Quando caminhou em direção à janela novamente tudo voltou a ser como antes, a paz tanto no ambiente como dentro dela. Sentiu um alivio e sentou-se na cama.
– CIGANA! ABRE A PORTA!
Era a terceira vez que Camila gritava o que fez Jazmim dar um pulo e susto e abrir a porta.
– O que aconteceu? Não ouviu eu te chamar?
– Desculpa, estava pensativa. – Disse Jazmim.
– É... Sobre o que?
– Nada.
A cigana a abraçou fortemente enquanto Camila ficara imóvel, sem entender nada.
– Está... Tudo bem?
– Sim.
...
Camila já estava dormindo assim como todos da casa e a única pessoa que não conseguia cerrar os olhos era Jazmim. Revirava-se na cama, mas tinha seus olhos fixados na janela. Foi quando fitou o relógio grande na parede, sentou-se na cama e pegou um pequeno caderno onde começou a escrever.
O relógio marcou 00h01min.
A cigana respirou fundo e surrou:
– Feliz aniversário Jazmin...
Fechou o caderno e o colocou sobre a cômoda, tentando dormir agora como podia.
A noite foi lenta pela percepção de Camila, no entanto acordou cedo para arrumar o quarto e suas coisas. Cantarolava uma das músicas cantadas por Jazmin bem baixinho, enquanto seus pensamentos flutuavam.
FLASH BACK
– Qual o problema? Porque está me tratando assim?
– Eu não suporto a ideia de você ser tocada por aqueles homens, Camila! – Michel segurou o rosto da menina com as mãos, olhando em seus olhos. – Por que não sai dessa vida?
– Acha que é fácil assim? – Camila se exaltou, afastando-se.
– Às vezes acho que você não quer...
– ACHA QUE GOSTO DE TER QUE DORMIR COM TODOS AQUELES HOMENS TODOS OS DIAS? É ISSO QUE PENSA DE MIM?
...
– O problema, Camila, é que eu não consigo tirar os olhos de você. – Michel aproximou-se com lágrimas nos olhos, fazendo Camila o fitar de forma assustada. – Eu te amo. Sempre amei desde a primeira vez que nos vimos.
Camila virou de costas não sabendo o que dizer.
– Por favor, só não me negue isso. – Sussurrou Michel fazendo Camila virar.
– Eu não posso ser amada, e também não posso amar.
– Que alma indelicada que coloca limites no amor? Não se permitir amar é o mesmo que deixar de viver!
Michel se aproximou segurando a mão de Camila com força.
– Eu não conheço essa liberdade que você diz.
...
– Apenas me diz que quer estar comigo assim como eu quero estar com você!
Michel aproximou seu rosto do dela, e antes que pudesse falar mais alguma coisa Camila o beijou. Tomou seus lábios para si em um beijo quente e rápido, lento... Os dois ritmos se misturaram. Houve amor.
FINAL DO FLASH BACK
...
– CAMILAAAAAAAAAAAAAAAA!
Jazmim gritou fazendo a garota jogar a blusa longe de susto.
– Ai meus deus! O que foi?
– Pensei que estava passando mal, não se movia. – Disse Jazmim, levantando e prendendo os longos cabelos negros.
– Só estava... Nada...
A cigana a lançou um olhar triste e sentou-se na cama fazendo Camila fazer o mesmo.
– Olha, se não quiser me contar tudo bem, eu respeito isso. Mas não pode me dizer que não está acontecendo alguma coisa.
Após as palavras sinceras de Camila, Jazmin sentiu-se mais a vontade, pensou em contar tudo ou em pelo menos falar alguma coisa sobre Gaspar... Desistiu. Não tinha coragem.
– Está tudo bem. De verdade, não se preocupe.
Ela sorriu e Camila fez o mesmo, porém antes que pudesse entrar mais a fundo nesse assunto, a cigana fez questão de mudar... Não queria mais falar sobre isso.
– E o Michel? Conversou com ele?
– Sim. – Camila sorriu. – Ele está me entendendo. Mas ainda não aceita meu modo de vida.
– Eu concordo com ele.
– O que? – Camila girou os calcanhares, a fitando desconfiada.
– Camila... Pense se fosse ao contrário. Realmente é possível um amor estável com luxúria?
Camila respirou fundo, ficou pensativa, não sabia o que fazer. A cigana abriu a porta e foi em direção ao banheiro fazendo a garota sentar-se na cama, lembrando de cada toque e de cada beijo de Michel. A verdade era que Camila queria trocar tudo o que possuía para ficar com ele, mas ao mesmo tempo tinha medo do arrependimento e da repreensão.
...
O mesmo carro parou em frente à casa Martinez como na outra noite. Da frente, o motorista saiu depressa, abrindo a porta para um homem louro, alto e musculoso sair pela porta. Seu olhar frio era o mesmo, sua postura era exemplar e sua expressão era de uma indiferença incrível. Acho que ninguém nunca vai compreender como Bernardo conseguia controlar seus sentimentos de tal forma, como conseguia se manter controlado, estável...
Ana abriu a porta de forma descontraída, pois na verdade, não suspeitava de nenhuma forma que Bernardo aparecesse de repente. Sua expressão se dissipou, e o que era olhares arregalados se transformou em um longo abraço. Ana beijou sua face, abriu espaço para o homem entra, onde percorreu os olhos por toda a casa. Estava exatamente a mesma, talvez com um ou outro detalhe quase que imperceptível.
– Não acredito que está aqui! Pegou a mania de chagar de repente, não é? – Ana sorriu.
– Claro. – Disse Bernardo, sentando-se no sofá, onde Ana não demorou a chamar a empregada que servira café preto.
– E como foi? Deu tudo certo?
– Sim. Foi até mais fácil do que achava... – Suspirou, fazendo Ana o olhar desconfiada. – O que foi?
– Não voltou só porque o trabalho acabou, não é mesmo?
Bernardo sorriu, ajeitando-se no sofá e fitando a mulher loura.
– Às vezes acho que você me conhece mais do que qualquer outra pessoa.
– Bernardo... – Ana também sorriu. – Te conheço mais do que você mesmo.
A mulher piscou, fazendo Bernardo desviar o olhar e beber um gole de café puro.
– Ocorreu tudo bem por aqui? Fez o que eu te pedi?
– É claro que sim. Sabe que eu cuidaria dela mesmo se não me pedisse. – Ana levou a mão em direção ao seu ombro. – É como um irmão.
– Você também é maninha. – Ironizou Bernardo.
Do topo da escada uma garota desceu descontraída, tentando prender os cabelos lisos novamente soltos. Não pareceu ter visto ninguém, fitava o chão.
A reação de Bernardo foi quase que sentida por Ana que estava ao seu lado. Seu coração acelerou ao vê-la, ele se levantou e a ficou admirando colocar o primeiro pé no chão. Jazmim estava tão natural que Bernardo deu um leve sorriso, esperando ela levantar a cabeça e perceber a presença dele. Quando isso aconteceu, o rabo que tentava fazer no cabelo se desmanchou, o fazendo cair de forma natural até a sua cintura. A cigana sentiu suas pernas tremeram, seu coração pareceu fazer aparecer lágrimas em seus olhos... Não de forma perceptível é claro. A vontade que ele tinha era de abraça-la e tomá-la para si... Sentir seus lábios como a muito tempo não sentia, porém esperou alguma reação por parte dela.
Jazmim que se encontrava evidentemente em um estado de choque, arrumou o cabelo o jogando para trás, e caminhou em direção a sala. Tentava evitar olhar naqueles olhos lindos e frios, enquanto ele não desviava nenhum minuto sequer a atenção em todos os movimentos de seu corpo. Foi então que Jazmim passou por ele de forma rápida, sem ao menor olha-lo, cumprimentá-lo, ou qualquer outra forma que mostrasse felicidade por ele estar ali. Ele se mostrou incomodado com aquilo... Algo em seu coração dizia que as coisas não estavam no lugar... Engraçado não é? Há quem se lembre de que há algum tempo atrás, ele não tinha um coração...
Mas não podemos condenar nenhuma das atitudes, embora quiséssemos. O que ele tinha que fazer e o que ele achou certo ele fez. E o quanto ela sofreu por ele todo esse tempo, só ela sabia, então não há condenação.
Quando a porta bateu em suas costas Jazmin encostou-se na mesma, mordendo os lábios e fechando os olhos, possivelmente tentando acordar do que seria um sonho. Era real, muito real. Estava feliz, brava, com o orgulho ferido... Não sabia como reagir. Bernardo que estava na sala, sentou-se novamente com a expressão séria, evitando de longe o café que Ana lhe oferecia.
– Ora Bernardo! O que querias? Você a deixou no hospital há um ano e nunca mais falou com ela. Queria o que? Que ela a recebesse com um abraço morrendo de felicidade? – Bernardo a olhou torto fazendo Ana ficar em silêncio e engolir seco.
– Mas ela ainda é minha... Só minha.
...
– Jazmin!
Camila apareceu de repente do lado da garota fazendo Jazmin dar um pulo. A cigana a puxou para um canto um pouco afastado da porta.
– Já viu quem está ai? – Perguntou Camila com uma expressão travessa.
– Sim, já vi, e não quero falar sobre isso! – A cigana cruzou os braços recebendo olhares duvidosos da amiga.
– Nós duas sabemos que você quase morreu de saudades dele, e agora quando ele está aqui não quer “falar sobre isso”?
– Ele se afastou porque tinha um motivo. Agora eu tenho para me afastar dele. – Disse Jazmin, com uma expressão séria.
– E qual esse motivo?
Jazmin ficou em silêncio, gaguejando várias vezes até conseguir falar. Por fim, irritou-se.
– Há não importa! Não adianta falar sobre isso.
– Tudo bem, não precisa ficar brava. – Camila sorriu.- Ninguém deve ficar assim no próprio aniversário!
A cigana deu um sorriso no canto dos lábios, fazenda Camila tirar das vestes uma caixinha e estender em direção a ela.
– Feliz aniversário!
Jazmim pegou com cuidado e a abriu fitando com esplendor duas conchas médias artesanais trabalhadas com o nome de cada uma escrita nela. Juntas formavam o símbolo do infinito. A cigana levou uma das mãos a boca, onde Camila conseguiu arrancar uma expressão pura de felicidade há muito tempo não vista.
– São... Lindas...
– Eu mandei fazer. Olha... – Camila tirou uma com o nome de Jazmim e guardou. – Eu fico com a sua e você com a minha.
Jazmim a abraçou com força, ainda contendo o mesmo sorriso sobre a face. De repente Camila se afastou, piscando para a amiga e saindo pelo outro lado.
– O que...?
Foi quando ela viu Bernardo indo em sua direção. A aflição retornou, e de certa forma uma indiferença também surgiu. E sim ela estava magoada. Tentou fazer alguns sinais para Camila voltar mas a mesma já estava bem longe, e com um sorriso vencedor. Jazmim girou os olhos, e voltou a fitar a face de Bernardo. Respirou fundo.
– Olá. – Disse Bernardo.
– Oi. – Jazmim respondeu olhando para cima, como se tivesse realmente algo mais importante do que falar com ele.
– Você mudou, sabia? Pensei que não era possível ficar ainda mais bela. – Bernardo tentou mostrar um sorriso, mas a frieza de Jazmin o incomodou. – Não... Não vai dier nada?
– O que? – Disse Jazmin em um tom de deboche. – Quer que eu agradeça? Engraçado... Qual parte? A que você sumiu ou a que você me fez um elogio?
Bernardo achou, de certa forma, engraçado aquela atitude. Aquela birra não ficava bem para ninguém, porém a cigana conseguia fazer aquilo diverti-lo mesmo sendo sério pra ela.
– Você fica linda brava sabia? – Jazmin não respondeu, fazendo Bernardo se aproximar ainda mais dela. – Me desculpa.
Aquilo realmente espantou Jazmin. Ela se deteve a fitá-lo com sinceridade... Aquelas palavras saíram com dificuldade, porém ela nunca imaginava que sairia aquilo da boca de Bernardo. O mesmo se aproximou ainda mais de seu corpo, ficando próximo o suficiente de Jazmim para sentir sua respiração.
– Eu nunca perderia seu aniversário.
Bernardo sorriu, encostando algo fofo e peludo sobre sua barriga. O olhar de Jazmin desceu, e mesmo tentando se manter séria um sorriso inevitável surgira em sua face. Um urso de pelúcia branco segurando um pequeno coração ficou junto ao seu corpo, ela o apertou, encostando a face sobre o urso lentamente. Bernardo observou toda a sua delicadeza, todo seu charme e principalmente que seu sorriso não se desmanchando quando ela o agradeceu. Ele não respondeu, e em querer, fitou a pulseira que há um ano ele fizera pra ela. Jazmin nunca mais a tirou após Bernardo ter ido, pois o sentia perto de si cada vez que tocasse nela.
– Obrigada.
Bernardo se curvou em direção a morena, fazendo as costas de Jazmim baterem na parede de pedra. Ele sentia sua respiração ofegante e em nenhum momento desviou de seus olhos. Os lábios de Bernardo aproximaram do seu lentamente, e o que mais eles queriam era sentir aquele toque.
“Gaspar se colocou no meio de suas pernas, erguendo o vestido de Jazmin e deslizando a mão pelo meio de suas pernas. A cigana tentou gritar, fazendo com que o homem tampasse sua boca com uma das mãos.”
Um flash de lembranças invadiu a cabeça de Jazmim fazendo a garota balançar levemente a cabeça. Aquilo não estava acontecendo, é Bernardo que está ali. – Pensava.
“– Estou te machucando? Não viu nada ainda meu amor. – Sussurrou Gaspar, chupando o lóbulo de sua orelha. — Eu sei que você gosta...”
– NÃO! – Gritou.
A garota se afastou de Bernardo, fechou os olhos e tentou organizar seus pensamentos. Bernardo não entendeu aquela reação... Ela não queria que ele a tocasse?
– O que houve? – Perguntou.
– Nada. É que, me veio uma dor de cabeça muito forte só isso.
– Tem certeza?
Jazmim virou, olhando em seus olhos.
– Tenho. – Sorriu. – Adorei o presente!
Ela tentou mudar de assunto, porém não foi a única surpresa que recebera.
– É apenas uma parte.
Jazmim o fitou de uma forma marota e um pouco envergonhada. Bernardo por outro lado nem se importou. Aproximou-se novamente dela e estendeu a mão.
– Quer sair para jantar comigo?
Ela abriu a boca categoricamente enquanto Bernardo a fitava confiante, com um sorriso esclarecedor. A verdade era que não importava o que acontecesse, Jazmim sempre iria se sentir bem e protegida ao lado de Bernardo.
– Só porque eu agradeci o presente não quer dizer que eu te perdoei.
A cigana fitou Bernardo seriamente e de forma cautelosa, mas antes que pudesse se afastar, Bernardo a puxou pelo braço, pressionando seu corpo fortemente contra o dele para um longo abraço.
Sentiu seu cheiro, seu toque, a textura de sua pele. Agora, enfim, ele a tinha novamente para si.
A reação de Jazmin, embora gostasse de receber aquele abraço inusitado, era muito diferente. Condenava-se por dentro, parecia se machucar, se punir... Cada toque mais intima a fazia reviver aquela dolorosa angústia... Como disfarçar? Agora mais do que nunca, ela não controlava seus pensamentos.
– Eu sinto você distante pequena... Por que está tão triste? – Sussurrou Bernardo.
Notas finais
OUTRA PERGUNTINHA... VOCÊS ACHAM QUE A FIC DEVE SE ESTENDER MAIS? OU POR MAIS ALGUNS CAPITULOS OU ACHAM QUE ESTÁ DEMORANDO MUITO A ACABAR... QUERO A OPINIÃO NISSO DE VOCÊS TAMBÉM. OBRIGADAAA QUEM QUISER RESPONDER!
SÉRIO ESTOU AMANDO OS COMENTÁRIOS! MUITO, MUITO, MUITO OBRIGADA MESMO:D
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