Cigana De Luxo!

31 O pôr do sol


Notas iniciais
Bom gente vou avisando que esse é um dos capítulos finais... Sim, infelizmente a Fic está acabando. Estão queria que vocês deixassem nos comentários se possível algumas suposições de como vocês acham que vai acabar... O que vai acontecer com Jazmin e Bernardo? SHUASHUAUA
Há e queria agradecer em especial a Feeh98, A Luu, A Milena e a M.E.do Pelanza pelas recomendações! MUITOOOO OBRIGADA MENINAS!
Se tiver algum erro por favor me avisem, e aproveitem o capitulo :)

Ela estava nervosa o suficiente para suar frio. Pela primeira vez não eram os olhos do caçador que a intimidavam e sim a arma que a ameaçava. O vento da bala que saiu do revólver da mão de Marcus cravou no tronco da árvore, mais ou menos vinte centímetros do rosto de Jazmin. A garota gritou com o tiro, fazendo a mão de Marcus se abrir e soltar Jazmin. Um desespero horrível bateu em seu coração quando atingiu o chão... Quase foi morta há poucos segundos! Marcus a fitou sério e completamente satisfeito, fazendo um sinal para o homem ao seu lado.

– Levem ela pra dentro. E certifiquem-se de que não serão completamente enganados novamente. – Marcus se afastou calmamente, enquanto atrás dois homens puxavam Jazmin.

Ela conseguiu sentir aquela respiração em sua nuca, junto a um olhar de vingança que chegou a colocar medo. O mesmo homem que ela havia agredido quando tentava fugir. Mordeu os lábios de nervosismo, evitando olhar em seus olhos.

...


Mesmo não sendo, pareciam anos longe dela. Cada passo que dava parecia estar mais perto de seu destino, algo premeditado, não escrito... Esquivou-se das armadilhas até a casa de madeira, seria tão óbvio? – Pensou, analisou. Seus olhos aprofundaram-se na escuridão absoluta, nada podia ser visto lá dentro. Coisas passavam em sua cabeça mesmo ele não conseguindo pensar direito. Coisas simples, mas muito significativas. Fechou os olhos, os abriu novamente... Precisava se livrar disso antes que perdesse o controle, precisava ter em seus braços o seu amor impossível. Amor? Sim, amor. Quem dirá o contrário?

Era seu terceiro suspiro seguido. Ficar naquela posição já estava a angustiando, definitivamente. Caminhava de um lado para outro, criava palavras e sinais... Não sabia como podia ajudar de alguma forma. Sandra esperava sentada mais a frente, calma como sempre e com um terço na mão... Rezando para que algum milagre a salvasse. Camila, por outro lado, não havia nada em que podia arriscar sua fé, deixara a vida de Ana nas mãos do destino. Seu estranho deus.

Quando o médico aproximou-se, após quase uma noite inteira esperando, não trouxe noticias boas.

– Ocorreu tudo bem na cirurgia, mas não podemos afirmar se ela ainda é forte o bastante para sobreviver. O golpe foi forte... Eu sinto muito...

Camila chorou, e Sandra caminhou para abraçá-la com força.

– Eu tenho certeza que vai ficar tudo bem. – Disse Sandra com fé.

O médio as deixou sozinha após isso, mas não tardaram a irem visitar Ana, mesmo inconsciente. Tudo o que estava acontecendo... Tão rápido... Tão imprevisível... Não evitou em limpar as lágrimas e nem as deixar cair. Era como tentar tirar um peso fixado ao coração.

...


Um empurrão a fez entrar no mesmo lugar onde saíra. Fitara pela segunda vez a porta, havia agora dois seguranças em frente a ela, fora Marcus. Suas pernas tremeram e Jazmin tentou se manter tranquila, embora confessasse que estava gritando por dentro. Sentou-se na cama, respirou fundo... Nada parecia aliviar a hostilidade do ar.

Marcus a fitou com um meio sorriso, a analisou por alguns segundos e se aproximou da cigana. A corrente pesada prendeu no pé da cama, fazendo Marcus estender uma algema e prender os pulsos de Jazmin a ela.

– Não gosto de jogos, então na fuja mais entendeu? – A voz lhe soou como uma ordem, mas não que precisava ser obedecida. Jazmin desviou o olhar, fazendo pouco caso.

Sem aviso, seus pulsos foram puxados com força a fazendo cair para trás onde Marcus se apoiou sobre seu corpo.

– Entendeu?

Seus dentes se cerraram onde a mão grossa prendeu a respiração de Jazmin. A garota tentou escapar, inútil.

– Eu conheci um cigano um dia sabia? – Marcus sussurrou em seu ouvido, enquanto sua mão grossa atingiu a perna de Jazmin. – Um ladrão... Morreu antes do esperado.

– O que está fazendo seu nojento? – Perguntou Jazmin mal conseguindo respirar. Até a mão de Marcus subir lentamente por sua perna.

– O que Bernardo sentiria se nos visse agora? – Marcus largou o pescoço de Jazmin, pressionando suas mãos contra o calção.

– Você é que ia sentir... Uma bala atravessando sua cabeça...

Marcus gargalhou com aquelas palavras. Mesmo dominada, podia enxergar em seus olhos a fúria de uma leoa.

– Gosto de seu jeito, cigana...

Jazmin podia sentir a mão daquele homem quase lhe atingir o sexo. Tentou fechar as pernas bruscamente, mas antes que pudesse Marcus a soltou. Levantou-se com a respiração presa e fez um gesto para o segurança próximo a porta. A cigana ignorou o que eles falavam, apenas sentiu uma lágrima escorrendo no canto dos olhos, enquanto parecia não mais enxergar a saída desse pesadelo.

Marcus não voltou a se aproximar dela, mas isso não significou que ela estaria segura. Não houve tempo de reação, a escuridão tomou conta de seus olhos novamente, antes que ela pudesse ver quem lhe impedia de respirar o ar puro.

...

A porta de madeira foi derrubada com um chute, onde Bernardo era o primeiro a entrar rapidamente. Vários militares fizeram o mesmo, fiscalizando todo o lugar... Vazio. Bernardo respirou fundo, chutando a parede com força. Ele estava com o lugar nas mãos! Por que deu errado? Por que ela não estava aqui? O barulho do telefone antigo lhe desviou a atenção, quebrou seus pensamentos, o fazendo atender com raiva.

– Acha que pode nos enganar? – A voz de Marcus se dissipou no cômodo extenso. – Se fizer mais uma de suas gracinhas, eu a mato!

– Se encostar nela, eu... – Bernardo falou entre os dentes fazendo Marcus o interromper, levantando-se bruscamente.

– Você o que? ACHA QUE PODE ME AMEAÇAR!? ENTÃO ESCUTA ISSO!

Marcus entrou na pequena sala ao seu lado, onde Jazmin estava amarrada. A garota o fitou assustada, enquanto o charuto de Marcus aproximou-se de seu rosto. A cigana sentiu o medo ferver o seu sangue... Suas pupilas se dilataram e ela só desejava que ele não fizesse o que achava. Marcus sorriu.

Jazmin sentira sua perna queimar, como se a machucassem com ferro quente. Gritou.

– JAZMIN! – Bernardo gritou em desespero do outro lado do telefone, cerrando o punho com força. — SEU FILHO DA PUTA! NÃO ENCOSTE NELA!

O charuto grosso foi espremido contra a sua outra perna fazendo Jazmin morder os lábios com força, espremendo o grito por entre os dentes. Todas as torturas a que já foi submetida... Até mesmo quando sentira a cinta cortando sua pele... Nunca doeu tanto quando aquilo. Tentava respirar, tentava soltar-se, não conseguia... O suor chegava a escorrer de sua testa, parecia que ia desmaiar.

– O SEU ERRO, BERNARDO, FOI TER ME SUBESTIMADO. – Marcus se aproximou da cigana, levando seus cabelos para trás a fazendo fitar o ferro recém saído da brasa quente. – E seu erro vai ficar gravado na pele de sua cigana para sempre...

O ferro aproximou-se da perna de Jazmin a fazendo se esquivar, tentar fechar os olhos, ou pelo menos... Fingir que a dor não existia. O ferro quente em formato da letra B ainda nem havia tocado sua pele, mas era como sentir uma queimadura forte. Outro homem em sua frente segurou a perna de Jazmin, enquanto Marcus levou o telefone ao rosto da cigana.

– Não...

Bernardo sussurrou, mas nada que abafasse o grito agonizante que saíra da boca de quem jurou proteger. Afastou o telefone do ouvido por alguns segundos e respirou fundo... Nunca sentira tanta raiva na vida.

– Pare. Eu vou negociar...

Marcus se afastou de Jazmin, indo em direção à porta.

– A garota pela maleta.

– Eu faço a troca. Onde nos encontramos?

Marcus sorriu com aquelas palavras.

– Lembra-se daquele lugar? A primeira pessoa que você matou...

Bernardo desligou o telefone, e fitou os homens em sua frente.

– Vamos lá.

O louro passou por eles, andando rapidamente até a van que os trouxera. Na viagem de volta... Ainda conseguia ouvir os gritos de Jazmin em sua cabeça. A raiva o contaminara há dias e se havia algo que não conseguia controlar, era exatamente isso.

Seus olhos estavam fechados. Talvez pela dor intensa, ou pelo simples fato de não ter coragem de os abrir. Pensou que estivesse dormindo por alguns segundos, ou talvez só inconsciente pela dor... Nenhuma era verdade. Mesmo não podendo estar distante daquilo, seus pensamentos estavam... Calmos e tristes. Parecia não conseguir chorar, mal se movimentar ou respirar direito. Quando finalmente foi obrigada a abrir os olhos, seu pesadelo ainda não havia acabado.

O homem sádico que se aproximou ainda estava com um olhar insatisfeito. Parecia fazer questão de olhar naqueles olhos azuis cintilantes e enxergar a dor, que de tanta, já parecia fazer parte do ser daquela menina. Observou atentamente o charuto ser tragado e a fumaça forte lhe atingir o rosto... Jazmin nem se moveu.

Ele aproximou o charuto de seu rosto, rodeou-o entre os dedos e sorriu. Jazmin estava séria, em nenhum segundo mostrou estar assustada perante aquele homem, embora seu coração estivesse gritando em agonia.

– Chega! – Marcus aparecera na porta, fazendo o homem levantar. – Levem-na de volta.

A cigana apenas conseguiu escutar o barulho da porta se fechando, enquanto voltava a sua prisão física e emocional. Remexeu-se na cama e fitou sua perna, não controlando mais as lágrimas que caiam de seus olhos. Chorou baixo, abafando o grito agonizante nas próprias vestes. Sua cabeça estava inundada de esperanças perdidas, de decepções, de medo... Cada passo que dava parecia transformar cada vez mais a sua vida, e não para melhor. O fantasma de seus pesadelos não mais era uma ilusão e agora já adquiriu vida, conseguia falar, se mover e até machucá-la... Afinal, o pesadelo cresce junto com a criança que o possui. Jazmin não conseguiu sonhar no tempo em que esteve sozinha dentro do quarto, mas pensou em ter sentido um abraço protetor, como se naquele momento nada pudesse a tocar, como se uma bolha de cristal a protegesse do mundo lá de fora.

“ – Papi! Papi!

Uma garotinha morena de olhos azuis cintilantes de seis anos sentava no colo de um cigano charmoso. Ele sorriu, acariciando os cabelos da filha.

– Diga Jazminzita...

– Por que eu não posso ir até a outra aldeia com você? Eu juro que me comporto!

O cigano gargalhou, beijando a testa da pequena.

– Você ainda é muito jovem. Quando estiver casada poderá conhecer o mundo...

– E quando será isso? – A garotinha puxava as vestes do pai, desde pequena já prestando atenção nos detalhes.

– Daqui a sete, oito anos...

– Ainda falta muito. – A menina cruzou os braços impaciente, recebendo um beijo na testa de seu pai.

– Não tenha pressa em crescer... Tudo se torna mais difícil. – Ele respirou fundo, tirando a pequena de seu colo. – Agora vá ajudar sua mãe...

Jazmin abraçou seu pai e correu em direção ao lado oposto onde estava sua mãe... Uma mulher de lindos cabelos negros que costurava algumas roupas de costa. A menina se aproximou, e antes de tocar sua mãe, foi como se seus pensamentos sumissem e virassem apenas fumaça, neblina..."

A cigana, de volta a realidade e aos pesadelos, abriu os olhos.

...

Era a segunda carteira de cigarro que Bernardo Guilertina fumava. Parecia tranquilo, relembrando pensamentos antigos... Mas a verdade era que seu coração estava apertado, parecia machucar o peito. Respirou fundo pela terceira vez e esmagou o último cigarro na mesa de ferro. Arrumou o cabelo e levantou-se, entrando na pequena sala onde seus homens estavam. Os olhos do louro se encontraram com o do professor, onde o mesmo sorriu fraco e continuou prestando atenção no que o comandante da equipe de resgate dizia. Bernardo passou por eles, com o olhar desconcentrado.

– Tem que se acalmar. – A voz do professor interrompeu seus pensamentos raivosos, mas Bernardo já esperava por isso.

– Não me peça para ficar calmo, é inútil.

– Sempre foi. – O professor aproximou-se, fazendo Bernardo o encarar sério. – Quando estava em problemas assim, sempre perdia a cabeça... Controle-se! Por que não espera mais um pouco?

– Eu prometi que ia salvá-la! Eu não vou desistir! – Bernardo disse entre os dentes fazendo o professor o olhar incompreendido.
– Você vai morrer... Vai morrer se continuar agindo assim.

– Isso é problema meu. – incrivelmente a expressão de Bernardo mudou para um sorriso egocêntrico. – Acha que vou cometer o mesmo erro novamente? Acho que se esqueceu quem eu sou...

Bernardo passou por ele, deixando o professor com uma expressão diferente no rosto... Como se estivesse procurando uma expressão mentirosa no rosto de Bernardo, mas não encontrou. O louro, pelo contrário, apenas passou com uma expressão vingativa no rosto, sábia... Afinal, Bernardo sabia exatamente o que estava fazendo... Você duvidaria?

...

18h01min

A van estacionou no começo da ponte. De longe, Bernardo pode enxergar apenas quem dirigia, mas pouco importava. Abriu a porta direita do carro e desceu, enquanto do outro Marcus fez o mesmo. Era como o demônio encarar o diabo, se não o contrário...

Bernardo caminhou com a maleta na mão até o meio do caminho, enquanto Marcus fez o mesmo, os fazendo ficar cara a cara. O olhar cobiçado de Marcus Fernandez seguia a maleta, enquanto o do louro procurava alguém com os olhos. O sol já se escondia, e em poucos minutos a cena mais linda do dia não iria importar se não estivesse com ela... Se Jazmin não estivesse em seus braços, nada fazia sentido.

– Me entregue a maleta. – Disse Marcus, fazendo Bernardo cerrar o punho.

– Eu quero vê-la primeiro...

Marcus fez um gesto para o carro, onde o homem ao lado do mesmo puxou uma garota para fora, tirando o capuz preto de sua cabeça. Os cabelos da cigana voaram ao mesmo tempo em que Bernardo encarou aqueles olhos azuis. Sentira vontade de correr, de abraçá-la, de beijá-la... Sentia falta de amar a última pessoa do mundo que pensava que amaria.

– Agora, me entregue a maleta.

Bernardo entregou a maleta sem hesitar, fazendo Marcus passar para o homem armado atrás de si e o mesmo a levar até o carro.

– Solte-a...

Marcus sorriu fazendo um sinal para o homem a soltar. A cigana sentiu o ar da liberdade quando isso aconteceu, o vento bateu em sua face quando correu, e era como se finalmente quando ela o abraçasse tudo estaria bem.

As pupilas de Jazmin se dilataram a ela fitar o cano longo da arma que mirava na cabeça de Bernardo. Ela parou de correr, olhando para o carro onde estava há poucos segundos. O louro fitou Marcus que o encarava com um ar vingativo.

– Foi graças ao informante que conseguimos enganá-lo.

– Como assim? – O louro não fez questão de suas palavras.

– Se lembra desse lugar? Foi assim que matou o meu pai... E é assim que você também vai morrer.

Foi em questão de milésimos de segundos. Não houve tempo para o gatilho ser puxado... O carro que portava a maleta explodiu, enquanto um pequeno sorriso brotou nos lábios de Bernardo.

– O seu erro foi ter me subestimado.

Ele repetiu as palavras de Marcus no mesmo instante em que tirara duas armas da cintura. Um tiroteio começou de ambos os lados, enquanto Bernardo abraçara Jazmin a levando para trás do carro.

– Proteja ela. – Bernardo ordenou para um militar mais novo, parecia ter uns vinte anos.

– Espera... Aonde você vai?

Bernardo apenas fitou seus olhos com aquelas palavras, a transmitindo tudo o que não tinha coragem de dizer. “ Me vingar”. – Essas seriam suas palavras se falasse.

Em cinco minutos, quase todos os homens de Marcos estavam mortos. De certa forma, ele não compreendia de onde saíram tantos homens se ele nem os vira. Porém... Algo em sua cabeça o convencia de que não seria vencido tão facilmente.

Era como entrar na guerra novamente, porém de forma bem mais “tranquila”. Não havia granadas explodindo a poucos metros, embora isso fosse o que menos o importava quando estava no meio de bombas que caiam dos aviões a todo o momento.

– Só não perca sua preciosidade de vista...

Aquelas palavras foram o suficiente para Bernardo escutar um tiro. Um tiro que pareceu sair sem piedade, porém da forma mais difícil já dada. O louro virou para trás de forma desesperadora e também aliviada. O garoto que protegia Jazmin foi morto, enquanto a morena ainda estava viva... Presa nas mãos inconscientes da última pessoa que fosse capaz de o trair. Não depois daquelas palavras.

– Você? – Bernardo disse com ódio, porém quando tentou correr em direção aos dois, Marcus apareceu em sua frente com um sorriso insatisfeito.

– Larga a arma, se não ele a mata.

Bernardo não pensou, apenas jogou a arma longe. Fitou Jazmin, e após, a arma na mão de Marcus que apontava para seu peito.

– Pense pelo lado bom, vai morrer como um herói, embora não seja... – Disse Marcus.

– Herói? Tente dizer isso com uma bala cravada no peito.

– O que...?

Marcus puxou o gatilho, e para sua surpresa, não saíra nada. O homem fitou Bernardo receoso, com o olhar assustado.

– É isso que acontece quando passa muito tempo apenas dando ordens... Você se esquece do peso de uma arma carregada.

Bernardo sorriu, atirando em seu peito rapidamente. Marcus caiu morto, e não posso dizer aqui o que passou em sua cabeça nesse momento, posso apenas especular. Ainda sim, creio que suas últimas lembranças, foram tentativas fracassadas de tentar compreender como Bernardo conseguiu enganá-lo completamente. É claro que ele poderia ter pensado isso, afinal, como não desconfiou de tanto atrevimento? Curioso não ter verificado, não? Uma bomba! Típico do charme de Bernardo Guilertina.

– BERNARDO!

O louro finalmente correra atrás de seu anjo, enquanto Jazmin era levada até a beira da ponte. Não havia mais para onde correr, e o professor apenas vira seu “amigo” aproximar-se com um olhar frio.

– Escolhe o lado errado. – Falou Bernardo, erguendo a arma.

– Não pode atirar, vai machucá-la.

O professor sorriu, fazendo Bernardo encarar seus olhos com repleto ódio.

– Eu vou te dar duas opções. A primeira, você larga a arma e eu deixo você ir. A segunda, você morre aqui mesmo. Qual vai escolher?

Ele pareceu confuso com o olhar de Bernardo. Tinha em seus braços uma vantagem tremenda e era ele que se dizia no controle? O professor gargalhou, apertando o cano da arma contra a cabeça de Jazmin.

– Você não me dá mais ordens.

Bernardo estava sério, e a última coisa que o professor esperaria era um pequeno sorriso no canto dos lábios. Um sorriso calmo e triunfante...

– Escolheu errado.

O professor ficou sério, recebendo com precisão um tiro na cabeça. Era como ter apenas 1% de chance de acertar, e para Bernardo, já era uma vitória eminente. Jazmin caiu para frente com o tiro, encarando Bernardo com a respiração presa e o medo no olhar.

Bernardo aproximou-se da cigana, levantou-a do chão e a abraçou com toda a sua força. Era como ter tudo o que sempre sonhou, como ter a felicidade e a esperança viva em seu coração novamente. Jazmin sentia o coração de Bernardo batendo no mesmo ritmo que o seu, e pela primeira vez nesses dias de terror, ela sorriu. Ele a levantou quando a abraçou, fazendo os olhos de Jazmin o fitarem de cima... Olhar apaixonado.

– Bernardo... – Jazmin deixou uma lágrima cair de seus olhos, fazendo o louro a limpar rapidamente, antes de deixá-la manchar sua face.

– Não chore, eu estou aqui agora. – Ele falou olhando em seus olhos, enquanto seus lábios se aproximaram rapidamente.

– Pensei que nunca mais veria você!

– Nunca? – Bernardo sorriu da forma mais verdadeira que Jazmin já vira. – É tempo demais...

A cigana sentira os braços de Bernardo entrelaçando sua cintura, enquanto ela cruzara as mãos pelo seu pescoço, o beijando. O sol se pôs naquele momento, e a luz do mesmo iluminara os cabelos da cigana enquanto o coração de Bernardo sustentava apenas um desejo simples. Tê-la para sempre com ele. Não seria mentira se dissesse, que se o tempo parasse e eles ficassem daquela maneira, já seria o suficiente para viver e morrer feliz.

Mas o tempo não parou, o sonho apenas dos dois desmanchou-se, e assim como não posso deixar de contar isso, acredito que o destino também não pôde evitar que acontecesse. Mas essa é a história que estou contando: imperfeita e sem contos de fadas. Não há palavras, há sentimentos. Um puro amor enlouquecedor, o desejo possessivo e a crueldade... Sem nenhum “eu te amo”. Sim, acredito que eles podem ter sentido isso muitas vezes, porém se tudo acabasse naquele momento, eles morreriam em silêncio. No mais puro silêncio.

Os olhos de Bernardo se abriram, e o sonho de abraçá-la lentamente o trouxe de volta a realidade. Seu coração disparou... Sua cabeça deu voltas, e sem pensar em nada, cobriu Jazmin com os braços e a girou para ficar em sua frente. Ele olhou diretamente nos olhos azuis da cigana, que agora refletiam o céu escuro, e ouvira o estalar no tiro. Jazmin sentiu o impacto da bala, porém não teve reação ao tocar no ombro de Bernardo e sentir seu sangue. A morena se desesperou, enquanto Bernardo deslizava por seu corpo lentamente até o chão, o fazendo cair em seu colo. Ela olhou para trás, vendo os militares matando o homem que havia dado o tiro de repente. Tudo estava tão bem... Tão perfeito daquela maneira... Por que agora? Por que com ele? – Jazmin pensava mas não tinha respostas, seu coração não a deixava as descobrir, bloqueava todo seus sentimentos, mas transbordava o medo de perder o homem que a salvou de todas as maneiras possíveis.

– Não... Não... Bernardo... Agora não...

Bernardo abriu um pouco os olhos, enquanto Jazmin tentava inutilmente cobrir o ferimento do louro.

– BERNARDO POR QUE FEZ ISSO? – Jazmin chorou, deixando as lágrimas atingirem o chão.

– Sua idiota. – Bernardo falou sério, segurando fortemente na mão de Jazmin. – Eu já disse que nunca vou deixar nada acontecer com você.

O louro gemeu de dor, enquanto Jazmin chorava ainda mais... Seu coração parecia estar partido em mil pedaços.

– Não me deixa, por favor, não agora. De novo não...

Bernardo levou uma das mãos até sua face, puxando o rosto de Jazmin para um beijo... Ela não queria acreditar... Ele parecia estar se despedindo...

– Eu nunca deixei você pequena. Mesmo longe... Sempre cuidei de você. E cuidarei de onde estiver.

– NÃO FALA ISSO! VOCÊ NÃO PODE MORRER! – Jazmin gritou. A tristeza daquela menina era tão profunda que ele podia sentir isso das lágrimas que caiam dos olhos dela.

– Vai ficar tudo bem.

Jazmin tentou controlar as lágrimas olhando em seus olhos.

– Você promete?

Foi difícil balançar a cabeça negativamente. Para Bernardo, era como arrancar fora o seu próprio coração. Lembrou-se, enquanto sua visão escurecia, de quando prometeu a dar qualquer coisa que pedisse. De quando disse que nada estaria longe de seu alcance... Bom, naquele momento, aquela simples palavra estava. Não era o homem mais poderoso do país que estava nos braços de Jazmin naquela noite lutando por sua vida... E sim, Bernardo... Apenas um homem que amava aquela cigana mais do que a sua própria vida.

– Bernardo... – O louro ergueu os olhos, enquanto dos de Jazmin não havia mais lágrimas. Por um segundo, Bernardo sentiu o coração de sua cigana mesmo não a tocando. – Eu te amo...


Notas finais
Espero que gostem... Bjs *--*