Cigana De Luxo!
6 Fuga
Notas iniciais
MEU PC ESTRAGOU E EU ESTAVA COM ALGUNS PROBLEMAS, MAS ESTOU DE VOLTA. QUERO AGRADECER A QUEM ESTÁ ACOMPANHANDO A FIC E QUE SINTAM-SE A VONTADE PARA EXPRESSAR QUALQUER OPINIÃO.
- O que foi Bernardo? Está distraído ultimamente...
- Não foi nada. Continue...
Ele realmente estava distraído esses últimos dias. Talvez por falta de tempo ou um sentimento de desânimo fora do comum, pois era raro sua vida se tornar monótona. Ana notara apenas agora, e já que sua nova hóspede estava causando polêmica na casa, ficara um pouco ocupada de mais para ficar reparando nos sentimentos encobertos do amigo. Apenas ela conseguia sentir quando havia alguma coisa errada com Bernardo, mas desta vez desconfiou que fosse alguma carta indesejada que havia recebido.
O homem tomou o último gole de bebida e acendeu um cigarro, enquanto Ana apagou o seu e fitou em silêncio os policiais entrando de forma discreta e sentando-se à mesa ao lado.
- Está ficando perigoso Bernardo. – Quebrou o silêncio.
- Diga-me Ana, quando que minha vida não foi um perigo?
Ana gargalhou e assim continuaram conversando sobre coisas futuras. O assunto sobre mulheres dificilmente surgia entre eles, era uma coisa involuntária que eles simplesmente ignoravam, no entanto, quando surgia, não havia precaução nas palavras.
Já havia se passado mais de uma semana que ela estava ali. Raramente saia para fora ou conversava com alguém se não Camila. A única coisa que a fazia dar um sorriso era quando fitava a lua ou dançava como sempre fez... Fechava os olhos e se imaginava de volta a sua aldeia, quando conversava escondido com Alexander, criando uma amizade sem ao menos o tocar. Se fosse dito que pensamentos não atraem as coisas estariam mentindo, pois o dia que se distinguiu dos outros quatro que passou aprisionada, foi justamente o dia em que o barulho de pequenas pedrinhas na janela despertou a jovem cigana. Apoiando os braços sobre a janela, vira o sorriso de quem mais sentia falta, Alexander estava lá e tentava se esconder.
- Nossa Jazmim! Você está bem!
- O que faz aqui? Como me encontrou?
Os olhos da menina brilhavam como um diamante precioso e uma esperança formidável surgiu em seu coração inocente.
- Seu tio disse que você fugiu de casa, mas eu sabia que não podia ser verdade.
- Sabe que eu nunca fugiria Alexander, quero voltar pra casa...
Seus olhos já estavam lacrimejando, e por mais que tentasse falar sem soltar uma única lágrima, parecia impossível.
- Mas... Como foi parar ai?
- Dizem que meu tio me vendeu, mas não é verdade! Ele deve estar preocupado, preciso voltar pra casa...
Suas mãos seguraram com tenta força o apoio da janela que chegou a estremecer. Alexander ajeitou a camisa e abaixou a cabeça, tentando não revelar nenhum olhar questionável.
- Não há mais casa Jazmim...
- O que?
- Seu tio foi embora da aldeia já faz três dias, estou lhe procurando a cinco.
O coração da cigana quase saiu pela boca nesse momento... Não tinha mais família, mais casa... Desprotegida mil coisas passaram em sua cabeça, assim como suspirou fracos de esperança perdida. Não conseguia pensar direito e nem sentir nada, apenas dor.
- Você pode vir morar comigo... Lembra-se que prometemos nos casar um dia?
Ela sorriu triste. Lembrava-se todos os detalhes da promessa ingênua que fizeram quando se conheceram... E isso de certa forma a confortou, não o suficiente, mas foi um conforto.
- Eu agradeço por isso Alexander mas... Não há como me libertar...
- O único pássaro que nasce para ficar preso é aquele que não possui assas.
Um sorriso se formou sobre os lábios de Alexander. Não, ele nunca a abandonaria e nem a deixaria sozinha, porém, Jazmim estava triste de mais para pensar dessa forma... Era grata por Alexander tê-la procurado, mas porque seu tio não fez o mesmo? Uma onda de sentimentos a atingiram, e passou a pensar sobre o que todos a disseram durante a sua longa viagem. Passou por sua cabeça que podia ser verdade que seu Tio lhe vendera e isso doía de mais.
- Encontre-me às seis horas na frente da livraria. Estarei esperando com um cavalo branco para levá-la embora... Não falte, por favor... Pode ser nossa única chance.
Algumas luzes se acenderam e a garota fechou as janelas recebendo o último olhar de esperanças do cigano. Engraçado, pois a esperança que foi tirada dela de forma cruel, era a mesma que ele sustentava nos olhos... Seria direito de Jazmim arrancar isso de Alexander da mesma forma que fizeram com ela?
Camila atravessou pela porta rapidamente no mesmo momento que Jazmim se virava. A olhou de forma desconfiada e mostrou os dentes em um sorriso forçado.
- Está tudo bem?
- Sim.
Respondeu séria e saiu pela porta fazendo a garota cruzar os braços. A porta se fechou em suas costas onde ela caminhou pelo longo corredor entediada, passando pela porta de algumas meninas. Algumas experimentando vestidos, outras conversando e rindo... Como podiam ser tão felizes tendo essa vida? – Se perguntava.
Êxito descer as escadas, mas a fome lhe batera, não se lembrava de ter comido antes de deitar. Estava com o roupão simples de Camila e com os cabelos levemente bagunçados, algo que não interferia em sua beleza, chegava a ser intrigante.
A sorte não parecia estar ao seu lado. Após os primeiros degraus percebeu uma voz diferente que aumentava a cada passo, e em poucos segundos a voz que antes era diferente pareceu lhe percorrer trazendo um frio na espinha. Pensou em voltar, mas o silêncio reinou em seu caminho... Eles esperavam quem descia. Acabou de descer, e colocando o primeiro pé no chão, o viu com a mesma pose superior ao lado de Ana. Ele caminhou em sua direção, fazendo a garota não parar de caminhar e dobrar, passando ao lado de seu corpo. Bernardo gostava de provocar medo e sabia fazer isso melhor do que ninguém... Fazendo questão de soltar um “olá” bem baixo.
Jazmim não parou de caminhar, e apressou o passo abrindo a porta da cozinha e se apoiando sobre a mesa. Respirou fundo e pôde vê-lo acabar de subir as escadas, provavelmente iria ao quarto de alguma das mulheres. O sorriso que para Jazmim passou despercebido era evidente no rosto de Ana, que guardara sua pequena bolsa e entrara no escritório.
Sentou-se na cadeira e se colocou a pensar como poucas vezes fazia, mas a carta em cima de sua cômoda chamou mais sua atenção.
- Interessante.
Sussurrou Ana após ler o conteúdo.
Não que gostasse de bater em mulheres. Na verdade, dificilmente levantou a mão para uma se não para dar um tiro no meio da cabeça, ou quando era muito necessário bater, mandava fazerem isso. A prova dada era de Jazmim, mas se for pensar dessa maneira para Bernardo não havia sido uma punição suficiente, o que já passara estava além de qualquer tortura imaginável. Gostava de olhar nos olhos de qualquer garota com quem transava, o prazer feminino dificilmente o interessava já que elas foram feitas para o saciar e não o contrário. Gostava de ver em seus rostos aquela expressão dolorosa. Sentia poder ao ver que mesmo as comendo como um animal, elas imploravam para serem as próximas a se deitar com ele.
Bernardo olhou no fundo dos olhos da garota antes de penetra-la. A jovem parecia ter um pouco mais de vinte anos, mas isso pouco o importava... Prostitutas eram todas iguais a seus olhos independente da idade. A mulher chegou a cair de bruços quando sentiu ele a rasgar por dentro, e não demorou muito para gritar também de prazer. Não era mentira quando foi dito que se deitar com ele era um privilégio. Ninguém sabe a verdadeira história de como Bernardo havia conseguido chegar a tamanho poder, existem boatos, é claro.
Apertando seu pulso contra o colchão, ele apenas enfiara seu membro rígido contra a mulher, e antes de gozar, a puxara pelos cabelos em direção a si a fazendo o chupar. Gozou e não permitiu que uma gota sequer molhasse o lençol... Fez ela limpar toda a sujeira. As únicas vezes que a porta foi aberta, foi para entrar e depois para sair, deixando a garota excitada com apenas algumas notas em mãos.
Tomou banho no quarto de Ana como sempre fazia, era costume sempre que vinha a “visitar”. No entanto, não era normal ele dar de cara com ela após o banho.
- O que foi?
- Desculpe, não queria incomodar seu banho. – Respirou fundo.
- O quarto é seu Ana, nunca incomoda.
Bernardo procurara seu casaco, apalpava os bolsos do mesmo provavelmente procurando a chave do carro.
- Maldição! – Esbravejou.
- Não se preocupe. Passe essa noite aqui, creio que vá lhe interessar de certa forma não é mesmo?
- De fato. Apenas essa noite não me fará mal...
Ana sorriu fraco e por um segundo seus pensamentos mudaram.
- Vejo que está preocupada... Algum problema suponho?
Ana pensou em ficar em silêncio, inventar alguma outra história ou despistar o assunto. Bernardo percebeu isso, mas antes que pudesse contestar, Ana esbravejou:
- Não iria se interessar por isso.
- Tudo que vem em relação a você me interessa. – Bernardo mostrou aquele sorriso maroto, que Ana não via há algum tempo. – Se for algum problema, posso dar um jeito em apenas uma ordem. Sabe como sou.
- ORA! NÃO! – A mulher gargalhou. – Se fizesse isso, me faria perder muito dinheiro.
- Então, o que foi? Diga!
Ana acendeu um cigarro, sentou-se na beira da janela e mirou o sol que já ameaçava se esconder.
- Não é um problema, na verdade é uma dúvida.
- Não enrole.
Bernardo respirou fundo impaciente, fazendo Ana tirar uma carta de seu casaco e a estender em direção a ele. Não precisava ser indelicado, mas era costume. Rasgou o envelope que já se encontrava aberto e em apenas cinco segundos deslizando os olhos azuis sobre o papel, descobriu do que se tratava, menos de quem.
- Dez mil é uma grande quantia. Irá vender algum objeto?
- Um objeto de longos cabelos pretos e olhos verdes...
Bernardo girou o copo, e sua expressão de surpresa até surpreendeu Ana. Tinha sobre a face os dentes cerrados cobertos por lábios sérios e olhos vazios atrás de um cenho franzido.
Antes que seu momento expressivo fosse o entregar, soltou a toalha de seu corpo e se vestiu ali mesmo, ficando em silêncio por um longo tempo.
- Não quer saber quem é? – Perguntou Ana estranhando o silêncio.
- Não acho que vale isso.
- É claro que não ia achar.
A conversa acabou por ali. Bernardo não iria discutir sobre o trabalho de Ana, embora aquela frase nem ele saberia responder; Vendo ele como um homem cruel, posso dizer que estaria dizendo “ela não vale tudo isso”. Mas não foi assim... Mesmo nem eu podendo decifrar a mente de Bernardo Guilertina, posso afirmar com total certeza que ele quis dizer “ela não vale apenas isso”. Dependendo de como quiser interpretar, pode começar a perceber se for detalhista, um interesse disfarçável.
Acabou de se vestir e desceu antes de Ana, estava mais irritado que o costume e a ironia da amiga de certa forma atingia seu humor.
Olhou no relógio, eram cinco e meia da tarde. Uma aflição e um nervosismo invadiu o coração da cigana que não desgrudava os olhos do mesmo em seu quarto. Colocara sua roupa de cigana na bolsa que Camila a havia emprestado junto as joias de sua mãe. Fez uma última oração a mãe cigana antes de colocar o primeiro pé para fora da porta.
Agradeceu por ter sobrevivido até aquele momento, e pedia para sobreviver a mais esse desafio. Desejava mais do que tudo poder reencontrar todos e até seu Tio se fosse possível, mas agora, mais do que tudo, desejava ficar perto de Alexander, se sentia protegida a seu lado. Parecia tão fácil chegar até a livraria, fácil até demais que chegava a desconfiar que iria dar certo. Desceu na ponta dos pés... Por sorte não havia ninguém por perto, as garotas pareciam estar bisbilhotando as mil roupas e Ana estava ocupada no escritório. Tinha certeza que por umas duas horas ninguém a procuraria, e até isso acontecer já estaria bem longe com Alexander.
A sorte parecia estar a seu favor, e embora o perigo fosse imenso, nada poderia a impedir...
Na cozinha Bernardo acabara de tomar o último gole de café. Estava cansado mas não queria dormir tão cedo. Talvez o tic tac do relógio que o impedira de dormir sentado mesmo, ou o barulho do pequeno e velho rádio que mais dava chiado do que música. Enfim, isso pouco interessa. O importante foi o que aconteceu após a porta da frente se bater.
Ergueu o corpo involuntariamente e espiou por entre a fresta da janela, vendo uma capa vermelha correr por entre as folhagens. Sim, era a mesma capa vermelha que vira no primeiro dia em que chegou a cidade. Sabia quem estaria nela, e com isso, saiu pela porta caminhando rapidamente.
Se tornou um jogo de caça e caçador, mesmo a presa não sabendo que estava sendo seguida.
A cigana se aproximou da loja onde marcara com Alexander, parando discretamente quase que na esquina. Suas mãos chegavam a suar e mordendo os lábios inferiores, ela não sabia porque ele demorava tanto. Poucos segundos pareciam minutos...
Sem poder se defender ou pensar, um vulto a lançou para trás, onde uma mão invadiu seu pescoço e suas pernas bambearam. Mantinha os olhos fechados e estava com medo do que veria de abrisse. “Me descobriram...” – Chorava por dentro.
Era como sentir tudo se desmanchando, era como ter a certeza de que nada mudaria... Que ela estaria condenada a uma vida de sofrimentos. Abriu os olhos, e encarou a face fria de Bernardo... Realmente, não esperava que fosse ele, e já que a mão em sua boca a impedira de gritar, seus olhos falaram por si.
- O que está fazendo aqui?
Perguntou com os dentes cerrados, já que com os olhos procurava alguém que ela poderia estar se encontrando.
Como ele me descobriu? – Era a pergunta que Jazmim se fazia enquanto tentava não tremer de medo.
- Acha que vou matá-la por tentar fugir... É por isso que está com medo? – Tirou a mão de sua boca e segurou seus pulsos contra a parede fria. – Não se preocupa, não vou te matar... Ainda.
Jazmim segurou com força a pulseira de sua mãe, e antes de conseguir pedir a Deusa que Alexander não aparecesse naquele momento, a figura masculina em um cavalo branco cavalgava em sua direção.
- Acha mesmo que fugiria assim tão fácil? – Sorriu malicioso enquanto apertava seu pulso.
A cigana tentava insinuar, tentava dar algum aviso, mas cada vez mais que Alexander se aproximava dela, a transmitia um pavor tão grande que teve a certeza que Bernardo não hesitaria em apertar o gatilho. “ NÃO! ELE VAI MATÁ-LO!” – Seus pensamentos gritavam em desespero.
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