Notas iniciais
Obrigadaa a todos que estão acompanhando!!

Ela não era uma princesa, e provavelmente nunca vai ser. Tinha em sua mão a morte enquanto a esperança corria em sua direção tentando lhe segurar a outra. Já sabia qual escolher, o problema é que não bastava apenas isso... Bastaria se conseguisse se libertar ou se o desespero fosse embora e a deixasse ter alguma reação.

Tudo aconteceu em questão de segundos, mas para ela aquele momento durou uma eternidade. Mas também, como enganar um homem como Bernardo Guilertina?

Seus olhos claros fitaram o cavalo de canto, no mesmo instante em que sua mão foi em direção ao casaco, sacando o revólver. Os olhos de Jazmim se puseram sobre o peso de ferro como uma forma desesperada de que a arma travasse, ou qualquer outra coisa que impedisse que sua esperança morresse. Suas preces não foram ouvidas e nem a sorte estava a seu alcance.

Ao ver o revólver, Alexander se colocou para trás fazendo o cavalo galopar e o tiro atingir seu peito. O cavalo caiu morto enquanto Alexander se levantou com o braço machucado e encarou os olhos penetrantes de Bernardo. Chegou ate ser engraçado para ele... Aquele misero jovem indefeso o encarava como poucos de seus inimigos faziam. Mas isso também não importava, o esmagaria como um simples inseto se quisesse...

- NÃO!

Talvez ele não esperava, ou talvez esperasse. O fato é que ao ver aquela frágil garota se colocando em frente à arma sentiu como se seu corpo queimasse em uma fogueira, seus olhos ardiam não acreditando e a mão que segurava a arma chegou a tremer.

- O que está fazendo garota insolente? – Cerrou os dentes. – SAIA DAÍ!

- Não vai matá-lo.

Ele tinha a confirmação em seus olhos de que ela nunca moveria um músculo enquanto aquele garoto estivesse em perigo, isso, de fato, o irritou muito. Tinha vontade de dar cinco tiros na cabeça daquele jovem e o deixar estirado no meio da estrada, mas por que aqueles olhos o impediam de fazer o que mais queria? ORA! Ele era Bernardo Guilertina, o homem mais poderoso do país! Não havia porque de algo tão insignificante o contrariar não é mesmo?

Talvez sim... Talvez não...

De uma mente psicótica nunca se pode duvidar de nada.

Bernardo mirou Jazmim friamente de uma forma repugnante. É claro que ela pensou que fosse morrer, junto a Alexander, e temia ainda mais por ele. Agora já estava feito e não havia como voltar atrás...

Bernardo sorriu de canto e abaixou a arma da forma mais simples possível. Surpreendente até pra ele, é claro, já que era um gesto que nunca pensou que fosse fazer em toda a sua vida.

Observou os policiais correrem em direção a eles e puxou Jazmim pelo braço como uma boneca de pano.

- Prendam ele.

Ordenou alto e claro fazendo os policiais segurarem Alexander, enquanto Jazmim tentava soltar-se sem resultados. Gritava pelo amigo, e já que Bernardo havia abaixado a arma calmamente suspeitava que fosse o matar longe de seus olhos.

- Infelizmente menina... – Sua mão acariciou o rosto da cigana. – Devia ter me deixado matá-lo, o futuro que o aguarda é pior do que a morte.

Bernardo caminhou a puxando, enquanto Alexander com um movimento soltou-se dos policiais quase alcançando sua mão.

- Eu vou te salvar Jazmim, eu prometo! – Sussurrou antes de ser levado.

- NÃO! ALEXANDER... !

Bernardo a arrastou até o carro, indo embora em questão de segundos. Enquanto a cigana, com os pensamentos transbordando pensava se o que disse Bernardo era verdade. “Um destino pior do que a morte” era isso que o aguardava? Isso sequer existia? Ela não sabia responder.

Ele, pelo contrário, sabia o que aguardava ao menino cigano. Embora as prisões daqui não sejam tão severas quanto as que Bernardo ficou, apenas uma ordem sua transformava aquilo em um inferno. Jazmim mais uma vez, foi separada de sua esperança sem ao menos o tocar.

A velocidade já estava no limite, mas isso não impedia Bernardo de afundar o pé no acelerador. Passava por todos os carros sem qualquer dificuldade enquanto a cigana ao seu lado gravava as unhas no banco do carro. Não demorou para o mesmo frear, e ela percebeu que não estava onde devia estar. Olhou para Bernardo e engoliu seco enquanto o mesmo mantinha o olhar firme em um ponto inexistente.

- Onde estamos?

- Cala a boca e desce.

Bernardo desceu do carro enquanto Jazmim continuou imóvel. Estava com medo, não queria ficar ali ainda mais com ele.

- Eu não vou descer.

Falou baixo, mas o suficiente para Bernardo escutar. Sorriu irônico e abriu a porta onde ela estava, no entanto não estava nos planos da cigana descer mesmo que fosse obrigada... E se ele a matasse? Mil coisas passavam em sua cabeça.

A cigana tentou se afastar, porém Bernardo agarrou seu cabelo e a puxou para fora, prensando seu corpo contra o carro.

- Adoro esse seu jeito teimoso menina. Mas minha paciência tem limite...

Bernardo fitou Jazmim dos pés à cabeça, prensando seu corpo com o dela e aproximando o rosto de seu pescoço, respirou lentamente.

A garota tremeu, o toque daquele homem lhe trazia um profundo pavor e mesmo assim, seu corpo se arrepiava e seus estímulos não a obedeciam. Queria se mostrar forte, mesmo aos olhos de Bernardo, ela ser o ser mais indefeso e puro que ele já vira na vida.

Jazmim olhou em seus olhos. O pavor desaparecera, mas ela ainda continuava confusa com toda aquela situação... Ele a odiava e ela também a ele... Então porque a acariciava? Nem mesmo ele entendia. Sua cabeça lhe dizia para se afastar, mas a beleza daquela menina o encantou tanto a ponto de ele ignorar seus pensamentos.

- O que está fazendo? – Perguntou ao ver ele se aproximar, sentindo sua mão deslizar por sua cintura.

- Apenas sinta.

Sussurrou.

Ambos sentiam a respiração um do outro, e lentamente Jazmim tocou involuntariamente o braço de Bernardo. Não vou dizer que ela não se sentiu intimidada, é claro que ficou, embora quando tocou seus lábios a fez sentir uma sensação diferente que nem ouso falar aqui. Ele a segurou com tanta força que sentiu cada milímetro do corpo da cigana, enquanto ela sentira sua boca ser invadida e explorada a cada centímetro. O primeiro beijo de sua vida se pareceu como ondas de ressaca que puxavam tudo para si enquanto o frio que estava desaparecera para dar espaço ao calor que preenchera seu corpo.

As mãos finas sobre o peito de Bernardo tentava separar-se dele, porém a vontade não era a mesma dos dois. Só após alguns segundos quando finalmente conseguiu controlar-se, Bernardo se deu conta do que acabara de fazer. Enquanto encarava a face de Jazmim, a única pergunta que permanecia saltitante em sua mente era o porquê de ter feito aquilo. Já estava quase convencido que ela só podia ser uma bruxa, já que fez o homem mais poderoso do país perder o controle, pois em nenhuma vez sequer beijou uma prostituta. Que feitiço ela o lançara? Conto aqui, jovem, que o feitiço surgiu dele próprio sem ao menos saber, ou não queria aceitar. No final pouco importa, sendo que a única verdade dita naquela noite, permaneceu escondida diante da mentira de um olhar orgulhoso e traiçoeiro. Queria poder dizer que tudo ficou bem, e que finalmente se começou uma linda história de amor... Mas apenas tenho o direito de contar a história e não interferir na mesma, o que faz com o que se quer ler se transforme em um mar de decepções. Pois digo agora, que a história enlouquecedora, que começa a se construir, não há princesas e nem fadas... O beijo que trouxe o sentimento orgulhoso também trouxe a dor do ódio.

Notas finais
Lembrando que a sua opinião é importante para o andamento da Fic! BJS