Cigana De Luxo!
30 EU SOU BERNARDO GUILERTINA!
Notas iniciais
IMAGINA SE EU NÃO FIQUEI NAQUELE TRANSITO INFERNAL ATÉ CHEGAR DA PRAIA. CRUZES... SHAUHSUAHUS
MAS ENFIM, ESTOU DE VOLTA COM UM CAP FRESQUINHO E ESPERO QUE GOSTEM!
BJS
Suas mãos tremiam de forma anormal assim que o telefone foi colocado de qualquer maneira no gancho. Não conseguia ter alguma reação, mas era preciso... Ana não podia falhar nesse momento. Correu até o armário mais próximo e tirou uma caixa a abrindo rapidamente. O peso do revólver foi parar em sua mão, mas ela já havia aprendido a atirar há certo tempo atrás. Aproximo-se da porta e tentou espiar por entre a fresta, nada... O corredor em direção a escada estava vazio. Respirou fundo, porém antes que conseguisse sair, a porta foi empurrada para cima de seu corpo batendo em sua cabeça. Ana caiu... Mas ela estava tão nervosa que a mão que carregava o revólver não o soltou, e a batida apenas a deixou tonta. A bota de couro grossa apenas prensou sua mão antes que ela pudesse ter alguma reação, enquanto seus cabelos foram puxados para cima. A testa de Ana sangrava, e doera ainda mais com uma arma sobre ela.
– Onde ela está?
Ana fechou os olhos. Não respondeu a voz grossa que soava como uma ordem. Até o cano do revólver lhe atingir o rosto com força a fazendo cair, inconsciente.
Até então nada podia ser ouvido lá de cima. Aqueles homens encapuzados pareciam como formigas caminhando despercebidos. É claro que os seguranças que protegiam Ana e as garotas não deram conta, não tiveram a mínima chance, pois nem sabiam com que inimigo estavam lidando.
As escadas apenas rangiam com os passos pesados daqueles homens, e tudo seria fácil demais se não houvesse um “inconveniente” no caminho. Uma das garotas estava voltando para o quarto, despreocupada, um pouco sonolenta quando os avistou. Seu grito agudo ecoou por toda a mansão o que fez despertar a atenção das garotas. Não houve tempo, o tiro certeiro atingiu a garota a matando na hora, o que fez o caos se espalhar por aquele lugar.
A cigana abriu os olhos avistando Camila que já espiava pela porta. Tentou falar, mas antes que pudesse foi impedida pelo olhar de desespero da amiga.
– Temos que sair daqui. – Camila trancou a porta, arrastando sua cama em direção a mesma.
– Por quê? O que aconteceu?
– Estão invadindo!
Mais tiros foram ouvidos, gritos desesperados, o que fez as garotas se abaixarem.
– Camila o que vamos fazer? Não podemos sair...
Camila olhou para os lados, para cima, para baixo... Elas estavam presas entre quatro paredes e a qualquer momento eles poderiam entrar. Até a garota avistar a janela.
– Saí pela janela.
– O que?
– Você já fez isso antes, ainda tem o pedaço de lençol amarrado. – Respondeu Camila aflita.
– Mas o lençol não vai aguentar nós duas!
As amigas se fitaram por um segundo. Jazmin sabia o que ela queria fazer, o que significaria aquilo, mas não queria que Camila dissesse.
– Eu vou ficar.
– Não, você não pode...
– Vai ter mais chance indo sozinha! – Interrompeu Camila. – Alguma coisa me diz que eles estão procurando alguém.
Camila fitou Jazmin seriamente fazendo os olhos da cigana se encher de lágrimas. Ela abraçou Camila.
– Eu não posso deixar você. Mesmo que isso seja verdade Camila, não posso.
Camila segurou a mão de Jazmin fazendo as duas se abraçarem.
– Mas você precisa. Isso não se trata apenas de mim... – Aquelas palavras fizeram Jazmin pensar em alguém... Uma pessoa que agora podia nunca mais ver. – Eu vou ficar bem.
Camila conseguiu sorrir em meio a tudo isso... Um sorriso de dor, angústia... Esperança... Tudo parecia desmoronar.
Jazmin caminhou até a janela, sentando sobre parapeito e fitando altura que estava. Apoiou-se de costas, e antes de descer fitou Camila. Uma lágrima caiu de seus olhos.
– Vá Jazmin!
A cigana desceu, enquanto Camila limpou uma lágrima que escorrera após a garota descer. Olhou para a porta, onde a maçaneta moveu-se com força. A porta foi chutada várias vezes, fazendo Camila se afastar dela e sentar-se na cama. Respirou fundo... Lembrando-se de Michael. Como queria estar com ele nesse momento, sozinhos, se amando e admirando a lua. Chorou por pensar que nunca mais o veria. A porta quebrou-se e a Cama foi arrastada no mesmo instante em que Camila encarou aqueles homens. Um deles a segurou com força pelos cabelos, enquanto outro vasculhava o quarto.
– Onde a cigana está?
Os olhos de Camila se encheram de lágrimas, e com ódio no coração ela conseguiu dizer poucas palavras.
– Vão pro inferno!
Camila foi arrastada para fora, enquanto um deles foi até a janela, curioso. Olhou para baixo, fitando os pedaços de lençol ainda amarrados.
– DROGA! — Exclamou para si, levando um pequeno rádio à boca. – Ela desceu!
Jazmin correu como se sua vida dependesse disso, e talvez dependesse mesmo. Se o único obstáculo fosse descer por aquela janela ela estaria salva, porém ainda havia os portões que protegiam a mansão. Não era tudo aberto... Ana também tinha cuidado. Observou o portão, não conseguia pensar direito, estava com medo... Talvez uns vinte ou trinta metros ou talvez bem mais. Segurou as joias de sua mãe com força e pediu a protegesse, correndo assim em direção ao portão.
O destino pode sim interferir nas coisas, e se não fosse Jazmin ter tomado aquela decisão as coisas teriam saído completamente diferente. Nem melhores e nem piores, simplesmente diferentes. Mas o que aconteceu naquela noite, foi sim diferente de tudo... Algo impossível de se prever... Afinal, quem seria louco de mexer com o tesouro de Bernardo Guilertina?
Ela chegou a contar os passos que deu em direção ao portão, ou só os que conseguiu. Dez passos para ser exata. Seu corpo estremeceu quando foi agarrada, e o pior foi não ter forças para defender-se. Os braços grossos daquele homem lhe seguravam o corpo junto com os braços, onde Jazmin apenas conseguia movimentar as pernas. Chutou o homem com força, fazendo ele a soltar por um instante e ela conseguir correr. Em vão, novamente... Não conseguiu dessa vez nem dar três passos até ser segurada. O outro homem que lhe segurara de inicio molhou um pano em uma pequena garrafa, aproximando-o de seu rosto.
– Ber...
Só conseguiu pronunciar três palavras antes de o cheiro forte lhe queimar as narinas. Tentou esquivar-se poucas vezes, porém seu corpo amoleceu e sua vista se tornou acinzentada. Não conseguia mais enxergar nada, e nem ter controle sobre seu corpo. O homem a levou, após ela desmaiar, rapidamente até o carro.
– Já estamos com ela! Vamos embora!
Ana caminhara com dificuldade até a porta, onde vira Jazmin desmaiada, sendo colocada dentro do automóvel. Um desespero invadiu seu coração... Foi tão rápido, tudo aconteceu em questão de minutos... Quem eram aquelas pessoas? Tentou falar, porém tonteou novamente e caiu. Sua cabeça sangrava e ela mal conseguia manter-se em pé.
– Jazmin... – Sussurrou.
...
O carro freou bruscamente em frente aos portões da mansão já destruídos. De dentro, Bernardo Guilertina saiu depressa, portando uma arma. Parou ao lado da porta e esperou uns segundos, nenhum ruído sequer... Até entrar rapidamente e fitar Ana, caída perto da escada. Bernardo guardou o revólver e foi até ela, erguendo-a do chão.
– Bernardo... Desculpe... Eu não consegui, eles já estavam aqui. – Ana chorava, o que fez Bernardo franzir o cenho e respirar fundo.
– Jazmin... – Sussurrou, largando Ana no sofá e subindo as escadas correndo.
Passou pelo corredor, até entrar no quarto e não encontrar ninguém... Tarde demais. Um desespero profundo bateu em seu coração, ele não conseguiu impedir... Não conseguiu protegê-la mais uma vez. Sentia-se culpado, com uma raiva profunda que chegava a corroer seu coração.
Se qualquer um olhasse calmamente não veria nada, mas não Bernardo, ele era diferente. Instantaneamente pequenos brilhantes passaram por seus olhos presos a uma pulseira que ele conhecia muito bem. Lembrou-se daquele sorriso... O que Jazmin possuía quando acariciava a pulseira de sua mãe. Andou até ela e a segurou com força, prometendo para si mesmo que faria o impossível para ter a cigana em seus braços novamente.
Ouviu um pequeno ruído, tirando a atenção de seus pensamentos. Bernardo ergueu a arma, caminhando em direção ao outro quarto. Sem aviso, Camila apareceu, tirando as cordas se seus pulsos.
– Você está bem? – Perguntou Bernardo.
– Agora sim...
Os dois desceram fazendo Camila correr até Ana que ainda tentava se manter acordada. – Bernardo? — O louro se aproximou, segurando sua mão. – O que vai fazer?
– Não é óbvio? Eu vou matar um por um por ter colocado as mãos no que é meu.
Ana tirou o restante de suas forças para sorrir, enquanto Camila derramava algumas lágrimas.
– Eu vou trazê-la de volta Ana. Custe o que custar...
Bernardo parecia ter algo trancando sua respiração, o segurando de respirar... O que mudou quando o telefone de Ana tocou. Uma, duas, três vezes... Camila atendeu.
A garota ficou em silêncio, com uma expressão apavorada e os olhos vidrados. Até que com a mão tremendo, estendeu o telefone para Bernardo.
O louro o segurou, levando até o ouvido com uma expressão séria e fria.
– Agora acho que você pode me levar a sério. – Disse a voz grossa. – Está interessado em negociar, ou ainda vai continuar recusando minha oferta?
O homem de porte médio e aparentemente calmo queimou o cigarro no cinzeiro enquanto dava voltas na cadeira.
– Sabe, não entendi quando meus informantes contaram sobre essa cigana e nem porque você estava com ela, mas... Olhando pra ela agora, consigo entender. – Sorriu. – Ela é linda. Seria uma pena ter que queimar esse lindo rostinho...
Bernardo ficou em silêncio com o punho cerrado, respirou fundo.
– Não vai dizer nada? Ora, ora... O famoso Bernardo Guilertina finalmente ficou mudo... O que mais po...
Não houve tempo de completar a frase, Bernardo se antecipou com ódio nas palavras.
– Escute com muita atenção. – Bernardo levantou-se. – Eu sou Bernardo Guilertina! Vou te procurar até no inferno se for preciso, vou te encontrar e vou te matar! Vai se arrepender de um dia ter encostado na minha garota. E isso não é uma ameaça...
Bernardo desligou o telefone enquanto do outro lado da linha o homem de olhos negros deu uma ordem:
– Leve-a para a mansão, segurança 24 horas.
Os homens então saíram carregando uma garota morena que mal se movia, pois ela já começava escutar algumas coisas.
...
Sentira o cheiro de charuto forte dentro do carro, assim como conseguiu abrir um pouco dos olhos quando foi tirada dele. Já havia amanhecido. Não tinha ideia de onde estava, sua cabeça doía e parecia que a qualquer momento desmaiaria novamente... Sensação horrível. Jazmin tentou abrir os olhos, o sol forte a cegou porém os abriu um pouco antes de entrar na casa... Sim, era confuso, mas se tem uma coisa que os ciganos aprenderam desde pequenos era como analisarem tudo ao seu redor. Tinha certeza que conseguiu ver, ao lado daquele misterioso homem que a carregara, o número da casa grudado na parede de pedra. Ela estava zonza... Podia ter tanta certeza assim? Não importou muito... Seu corpo amoleceu, ela estava cansada e não tardou para seus olhos caírem na escuridão novamente.
O tic tac do relógio incomodava, e foi justamente esse barulho irritante que despertou Jazmin. Abriu os olhos sem dificuldade, não enxergava quase nada pela sala escura e a única luz disponível era a que entrava pela pequena janela. Suas mãos doíam e por um segundo tentou movê-las. Estava amarrada em uma cadeira, o que fez seu coração bater mais forte em desespero... Onde estava?
– ME AJUDA! TEM ALGUEM AI? – Ela gritou, mas parecia estar sozinha, completamente abandonada. – SOCORRO!
Jazmin ficou em silêncio ao ouvir um barulho na porta. O trinque rangeu várias vezes até a porta pesada se abrir. De lá, um homem surgiu, o mesmo que fumava um charuto há minutos atrás. Andou até a cigana, enquanto a porta atrás de si foi fechada.
– Está com medo? – Ele parou em frente à Jazmin, recebendo um olhar raivoso da mesma. – Acho que está.
– Quem é você?
– Um velho amigo de Bernardo. – Sorriu. – Você é a minha garantia...
Ele estendeu a mão até a face de Jazmin, fazendo a garota recuar com a cabeça.
– Entendo porque ele te manteve em segredo... – O homem sorriu. – Mas não se preocupe, não vou machucá-la... Ainda.
O homem se afastou, indo em direção à porta. Até Jazmin abrir a boca para falar, receosa.
– Quero falar com ele. – Jazmin falou nervosa, fazendo o homem girar os calcanhares. – Por favor.
– Claro querida. Vai ser divertido...
Ele gargalhou, indo em direção a porta e voltando segundos depois com o telefone. A cigana respirou fundo.
...
Bernardo entrou na ala militar 14, seguindo sem interrupção alguma até o seu setor. Mais ou menos vinte homens o aguardavam, já preparados para as ordens.
– Quero dois olheiros seguindo cada passo de Marcus Fernandez, quero saber tudo sobre ele: Com quem conversa, em que loja compra, o nome que quer dar ao filho, tudo! — Bernardo passou pelos homens, indo em direção ao armário repleto de armas.
– Senhor. – Um garoto de vinte anos se aproximou, amigo de Bernardo há quase quatro anos. – Se me permite, temos que elaborar um plano melhor, Marcus já deve estar preparado.
– Não. Saímos essa noite... Aquele desgraçado vai se a arrepender de um dia ter mexido com Bernardo Guilertina!
Bernardo colocou a jaqueta, arrumou as botas de couro e respirou fundo.
Estava prestes a sair com seus vinte homens, até um deles lhe estender o telefone antigo.
– É pra você.
– Diga que telefono depois... – Respondeu Bernardo indo em direção à porta.
– Acho que deve atender.
Bernardo se afastou dos colegas e levou o telefone a orelha, quieto.
–Diga!
– Bernardo?
Aquela voz lhe estremeceu as pernas, sua cabeça deu voltas e seu coração quase saiu pela boca.
– Jazmin, é você?
– Sim. O que está acontecendo? Esse homem está dizendo coisas estranhas... Eu to com medo.
–Eu sei que está... E eu juro que nada vai acontecer com você... Apenas fique calma. – Era difícil para Bernardo dizer aquilo, talvez, porque nunca mostrou tanta preocupação na vida.
– Sabe o que me acalma? – Bernardo ficou em silêncio com aquelas palavras, enquanto a cigana falava entre lágrimas. – Pensar naqueles dias em que você leu aquela frase pra mim... Lembra-se? “O amor é uma força, uma energia, que se manifesta na alma como um sentimento de lembrança de algo que a alma já teve, mas perdeu.”
Um silêncio reinou entre os dois. Por que Jazmin dizia aquilo? Bernardo nunca lera algo assim pra ela. Tentava raciocinar... Até recordar-se do dono naquelas palavras.
– Platão. – Disse alto.
– Sim. – Lágrimas caiam dos olhos da cigana.De tão pesadas pareciam lágrimas de sangue. – Você promete? Promete que nada vai acontecer?
– Eu prometo. – Jazmin abaixou a cabeça ao ouvir aquelas palavras, enquanto Bernardo segurou a pulseira de Jazmin com força. – Espere por mim cigana. Eu juro que vou salvar você.
– Eu acredito.
– Cigana? – O coração de Bernardo disparou um frio na barriga... Suas mãos tremeram. – Eu te...
– CHEGA!
Marcus arrancou o telefone da mão de Jazmin, o desligando. Bernardo interrompeu suas próprias palavras, e com saudade, ódio, raiva e esperança, aproximou-se novamente de um de seus homens.
– Platão...
– Senhor? – Perguntou o homem confuso.
– O senhor era professor. Conhece a bibliografia de Platão?
– Conheço sim senhor.
– Ótimo. – Bernardo olhou em seus olhos fazendo o homem engolir seco. – Vai me ajudar.
...
A casa estava da mesma forma, ainda havia sangue em alguns lugares... O mais irônico era que o lugar mais famoso e popular da cidade havia se transformado em poucas horas em uma casa abandonada, sem valor algum. Os dois homens entraram rapidamente, subindo as escadas, ainda cuidadosos e entrando no quarto antigo de Camila e Jazmin. Bernardo revirou algumas coisas,até encontrar o que queria. Estendeu para o homem de cabelo levemente grisalho e barbudo, que folheou o livro com astúcia.
– Está aqui. Mas apesar desta frase, não há nada de empreendedor.
Bernardo leu toda a página que continha a frase que Jazmin o dissera. Nada... O professor tinha razão.
“O amor é uma força, uma energia, que se manifesta na alma como um sentimento de lembrança de algo que a alma já teve, mas perdeu.”
Bernardo lembrou-se uma segunda vez, analisou mais uma vez a página do grosso livro e fitou discretamente a dobra da página. “265”
– Deve ser isso!
Bernardo levantou-se rapidamente e foi embora depressa com o professor, onde os dois voltaram para a área militar.
...
Já havia escurecido, e se contasse, completaria umas quatro horas que estava tentando se desamarrar. As cordas grossas já estavam frouxas e uma cigana tinha que aprender a se defender como podia, afinal, Jazmin tinha uma experiência de vida e tanto lidando com perigo. Essa era ela. Apesar de não parecer, se fosse necessário lutaria como podia até o fim de suas forças... Essa era sua alma, ciganos são guerreiros e não nascem para ficar presos.
Enfim, conseguiu soltar uma das mãos, no mesmo instante em que alguém entrava pela porta. Voltou a mão até as costas, fingindo que ainda estava completamente amarrada.
Um homem velho foi até ela, largando um prato de comida no chão junto com um copo de plástico que portava água.
– Tem que me desamarrar para eu conseguir comer. – Disse ela.
O velho a observou e por um segundo gargalhou. Talvez pensara que ela fosse fugir e achou graça, afinal, uma garotinha não conseguiria sair dali ou passar por ele. Foi até ela, desamarrando um pouco da corda, até arregalar os olhos ao ver sua outra mão. Jazmin o chutou, fazendo o homem cair sem reação, o que a fez o chutar novamente. Ele ficou zonzo, não conseguia levantar. A cigana desamarrou-se, indo até o casaco do homem e tirando sua arma pesada. Tremeu ao segurá-la.
Por um minuto lembrou-se de Gaspar, de quando ele a ameaçou. Parecia estar na mesma situação... Mas agora estava sozinha. Saiu pela porta aberta e a fechou, trancando o homem lá dentro. Após isso, andou devagar pela casa, escondendo-se toda a vez que vira um dos homens de Marcus. Engoliu seco.
Subiu as escadas que parecia dar para o lado de fora, até ouvir a correria, o tumulto... Os gritos fortes ecoavam por toda a casa. “ENCONTREM-NA!”
Até levar um susto ao abrir a porta, dando de cara com um de seus homens. Apontou a arma para seu rosto, o fazendo sorrir.
– Não vai fazer isso.
– Tenta a sorte... – Jazmin o ameaçou com os dentes cerrados e os olhos fixos, o fazendo largar a arma lentamente no chão. – Vai pra lá.
Ele saiu de sua frente fazendo a garota fechar a porta e correr para o lado de fora. O homem gritou... “Ela foi pra fora”.
A cigana correu com todas as suas forças. Sua vida dependia disso. Mas parecia não saber para onde ir... Onde estava? Só conseguia enxergar mato e árvores em sua frente, estava no meio do nada. Levou as duas mãos a cabeça, até ouvir a voz atrás de si.
– Jazmin, volte! – Marcus estava atrás de si, parecia estar calmo, como se não houvesse mínima possibilidade de ela sair daquele lugar.
A cigana correu, não sabia o que fazer, para onde ir... Mas seus pensamentos só se encontravam em uma pessoa. O homem de seu coração que fez um juramento.
Jazmin parou de correr, olhou para trás percebendo que ninguém a seguira, até bater em alguém mais a frente. Ela recuou, apontando a arma para Marcus.
– O desespero não nos deixa pensar direito, não é mesmo? – Marcus caminhou até ela, fazendo Jazmin o ameaçar.
– Se der mais um passo eu atiro.
– Então atira.
Ele sorriu. Um típico sorriso sínico. A cigana respirou fundo, apertando o gatilho. Nada...? Nada. Além de um som baixinho de um clique. Sem tempo para ter alguma reação, Marcus atingiu seu rosto com um tapa, a fazendo cair. O homem lhe ergueu pelos cabelos, a prensando na árvore.
– Você pode ser mais esperta do que eles, mas não é mais esperta que eu.
Disse entre os dentes, levando a arma carregada ao rosto de Jazmin. A garota deixar cair uma lágrima confusa, enquanto os olhos de Marcus se enchiam de ódio.
– Acho que Bernardo vai perder sua preciosidade...
...
Na área militar, todos estavam prontos. A noite era amiga de Bernardo, aprendera a trabalhar com ela. No portão, Onde todos os homens estavam reunidos em círculos, Bernardo se colocou no centro. Fitou todos seriamente, com frieza, com sede de vingança.
– Matem todos!
Os vinte homens saíram correndo com Bernardo na frente, chegando até a Van de resgate e seguindo viagem. Seu sangue fervia, seus olhos estavam embaçados e tudo parecia rodar. A expressão de seus olhos era de pura agonia, morte... Mas, havia alguma coisa errada. Seu coração queria lhe dizer alguma coisa... Algo que ele não compreendia.
– Eu sou Bernardo Guilertina. – Sussurrou para si. – E vou salvá-la... Minha garota... Minha cigana... Meu amor...
Notas finais
- Não temos como saber se ela vai sobreviver... A pancada foi muito forte.
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- Graças ao nosso informante, conseguimos enganá-lo.
- Como assim?
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- Eu prometi que ia salvá-la! Eu não vou desistir!
- Você vai morrer...
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- Se encostar nela, eu...
- Você o que? ACHA QUE PODE ME AMEAÇAR! ENTÃO ESCUTA ISSO!
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- BERNARDO!
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- Eu faço a troca. Onde nos encontramos?
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