Cigana De Luxo!
2 Capa vermelha
Notas iniciais
O dia amanheceu sendo a primeira vez que Jazmim não vira o sol nascendo. Já estava acordada há muito tempo, desde as cinco horas da manhã tentando espiar por cada fresta do quarto sem janelas, procurando um pouco de luz. Se sentia isolada do mundo, presa sem ao menos um motivo. Após sonhar que estava em casa, sendo acordada pelas pedrinhas de Alexander que batiam na janelinha para verem o sol iluminando a noite juntos, pensou que todo aquele pesadelo não passara de apenas isso. Com medo de abrir os olhos, ficou assim por alguns segundos, mas não conseguira evitar sentir o cheiro de mofo daquele lugar. Não podia estar em casa, pois lá sim, o cheirinho gostoso de terra molhada pairava sobre cada cômodo. Onde estava havia apenas uma cama e uma pequena cadeira ao lado. Tirou as pulseiras de sua mãe das vestes e as balançou lentamente no ar, sorrindo para si mesma. As colocou sobre o coração e fechou os olhos, ouvindo as canções de ninar que sua mãe cantara antes de morrer;
“ Quando minha velha mãe me ensinava a cantar,
Estranhava que frequentemente derramasse lágrimas.
E agora também descem lágrimas por minhas bochechas
Quando ensino as crianças ciganas a cantar e tocar. “
Cantarolou baixinho. O que interrompeu foi o barulho da chave virando a porta e do trinque rangendo uma segunda vez. A cigana guardou as lembranças de sua mãe nas vestes e se levantou, ficando de frente para a porta.
- Hum... Já acordada, ótimo! – Falou um homem com a aparência mais agradável. Jazmim nada disse, apenas desviou o olhar.- Coloque isso, vamos viajar.
Jogou uma nova capa preta sobre a menina que deu um passo a frente.
- Para onde vamos?
- Para a capital.
Ele ficou a analisando, enquanto Jazmim apenas virou de costas e vestiu lentamente a capa. A cigana respirou fundo e no silêncio que estava o quarto já se podia ouvir os três carros antigos que estacionara em frente a casa. O homem que a fitara dos pés a cabeça, escorou-se na parede fria e cruzou os braços enquanto a menina puxou o elástico que prendia seu cabelo, o fazendo cair até a cintura.
O bafo quente de Rum que atingiu seu pescoço nu, assim como a voz grossa que foi sussurrada ao pé do ouvido a fez arrepiar-se, virando em direção ao homem que tinha o corpo próximo ao seu.
- Me assustou. – Falou ela séria. E após tentar se afastar um pouco, caiu sentada sobre a cama. Não entendia ou conseguia decifrar o que ele estava fazendo, mas seu olhar parecia a estar julgando ou condenando de alguma forma.
- Diegro.
Aquela voz o fez engolir seco e olhar para trás, fitando o homem de cicatriz quase o matar com um simples olhar raivoso. Diegro virou sério e abaixou a cabeça, fazendo a cigana adivinhar que o mesmo só podia ser seu superior.
- Ela está pronta?
- Sim senhor.
- Ótimo! – Sem entrar no quarto, o mesmo apenas respirou fundo e fitou a menina encolhida no pé da cama.
– Venha Jazmim.
A garota passou por Diegro e saiu do quarto, no entanto, nem percebera o que lhe quase havia acontecido. A mão do chefe pousou sobre seu ombro e a levou para fora.
Haviam pelo menos oito garotas de, mais ou menos, vinte a vinte e um anos acorrentadas pelas mãos e pés. Seus corpos eram exuberantes, mas o rosto comum se escondia por entre as formas. Jazmim se apavorou com o que vira, quem eram aquelas mulheres? Que crueldade!
- Quem são elas? – A garota perguntou inocentemente fazendo o chefe tirar o charuto da boca e fitar cada uma das mulheres com repugno.
- Eu as comprei, assim como comprei você. – A fumaça do charuto que invadira o rosto da garota a fez esquivar-se e tossir, baixo. – São prostitutas.
Jazmim não teve nenhuma reação. Pode ser até irônico lido dessa forma, mas como uma garota de quinze anos que nunca teve um contato real com o mundo podia saber o que é uma prostituta? Pouco conhecia sobre o prazer sexual, ou nada... Como julgar alguém por não saber o que é vender o próprio corpo?
Ao contrário do que pensava Jazmim não foi levada com as outras, entrou no mesmo carro que o “chefe” e sentou ao seu lado. Estavam a sós, e ela pensou em perguntar o que fariam na capital tão cedo, afinal, que mal faria?
- Porque vamos a capital?
Ele não respondeu, grunhiu baixo e irritadiço fazendo a cigana se encolher no assento onde estava, observando o resto da viagem curiosa com todas as formas físicas da natureza que nunca pode presenciar.
Eram mais de três horas de viagem quando finalmente pararam. Era no inicio na maior cidade do país, e em meio as escondidas, um carro mais luxuoso parou metros de distância, onde uma mulher de vestidos longos e cabelos ruivos desceu. Seus cabelos cacheados atingiam o colo de seu peito, e seus lábios finos sérios escondiam um sorriso esclarecedor e calmo. Seus olhos eram caídos, mas o castanho claro se destacava em meio a pele sem nenhuma imperfeição. Mirou o carro onde Jazmim estava fazendo a garota se encolher para não ser vista. Um meio sorriso amarelo surgiu, à medida que o homem com o rosto marcado se aproximava dela.
Com a mão rígida e fria, Ana Gabriele Martinez, uma das mulheres mais exuberantes e dona de uma das maiores casas de mulheres do país, cumprimentou-o e com um sorriso aparentemente doce, mas logo desfez a intimidade, ficando a distância. Após o homem cochichar algo em seu ouvido, Ana concordou com a cabeça, fazendo ele dar um sinal e a porta do carro ser aberta.
Jazmim desceu e ficou parada, sendo empurrada mais para frente. Caminhou com receio em frente a ela, com a cabeça erguida de curiosidade infantil. A mulher sorriu deslumbrada e maliciosa ao vê-la de perto e curvando-se um pouco para olhar em seus olhos, perguntou:
- Como pode ter tamanha beleza sendo tão jovem? – Parou por um instante, deslumbrando o céu claro. – Quantos anos têm?
- Quinze.
Até o homem que a trouxera parecera surpreendido, olhando firmemente para Ana. A mulher mexeu nos cabelos, coçou delicadamente a sobrancelha e após isso deu uma gargalhada, aparentemente sem motivo.
- Qual a graça? — Perguntou ele sério.
- Nada querido, me perdi em pensamentos inoportunos. — Arrumou a expressão séria ao rosto e fitou o homem, impaciente. — Eu concordo. E pelo preço, espero que seja boa no que faz.
Ela o lançou um saquinho de dinheiro, fazendo ele agradecer com a cabeça e se retirar. Jazmim estava constrangida, tentou contestar, mas o sorriso que a mulher lhe lançou não a fez se sentir como um incomodo.
- Entre no carro.
Pensou em correr, se esconder, gritar... Mas adiantaria? Correr para onde? Estavam a quilometros da capital. Se escoder onde? Estavam no meio do nada. Gritar? Quem a ouviria? Foram pensamentos que ela apenas abandonou ao entrar com a elegante mulher no carro bem mais luxuoso do que ela estava. Não demorou nem cinco segundos para voltarem a estrada, e Ana começar a perguntar-lhe coisas sobre sua vida.
- Onde morava?
- Em uma aldeia.
- Creio que deve dançar bem então? — Sorriu.
- Não sei... Acho que sim...
- Não seja modesta! — Jazmim mirou nas pulseiras de ouro que ela balançava no ar. — As garotas são um pouco competitivas mas irá gostar delas.
Jazmim tentou sorrir, mas saiu uma expressão meia assustada, incomodada. Ana se arrumou no banco do carro, e após alguns minutos, já se podia enxergar os mendigos pedindo esmolas na entrada da cidade.
- Já estamos chegando.
Após passar por comercios e casas, no final de uma rua cheia de homens que faziam filas enormes, o carro parou em frente a uma grande casa, talvez a maior do quarteirão. Tinha dois andarem e cada janela uma cor de cortina diferente. Era branca, com uma discreta placa na frente escrita em Francês, Jazmim a leu sem dificuldade. Francês era uma das linguas que se aprende na cultura cigana, afinal, muito povos e ascendentes dela moravam lá. Desceu do carro arrastando a capa e pode ver os rostos curiosos nas janelas das meninas que pareciam esperar Ana. A mesma desceu e Jazmim a seguiu, até entrarem na enorme casa de janelas de mármore. Subiu as escadas rapidamente onde Jazmim cuidava para não pisar na capa que o homem de cicatriz lhe dera. Lá em cima, mais ou menos dez garotas se aproximaram.
- Garotas essa é Jazmim, irá ficar com a gente. Espero que tratem ela bem...
Não havia garotas da sua idade. O minimo era uma de dezoito anos que a olhava de maneira mais simpática. De cabelos loiros ondulados e olhos verdes, tinha a aparência mais despojada que as outras, que andavam com enormes saltos. Dando apenas um sorriso forçado, todas se misturaram novamente, onde apenas a garota se aproximou.
- Oi, eu me chamo Camila.
- Sou Jazmim.
- Não liga pra elas, sempre ficam com inveja quando tem garota nova. — Gargalhou sorridente.
- Camila mostre o quarto pra ela, irá ficar com você. — Ana sorriu, e Camila empolgada segurou no braço da cigana e a puxou em direção ao quarto no final do logo corredor.
- Não é muito luxuoso quanto os outros mas acho que vai gostar.
O quarto era de um tamanho normal e suficiente para duas pessoas. Duas camas, uma de um lado do quarto e prateleiras, assim como ármarios fixados na parede. Era de maneira antiga mais incrivelmente bela, junto a uma certa bagunça que Camila deixava no quarto ao sair apressada para noite.
- Bom, depois vamos sair e comprar roupas novas pra você.
- O que tem de errado com as minhas? — Jazmim a olhou torto.
- Nada, é que aqui vai precisar de novas. Se é que me entende...
Camila deu um leve cutucão em Jazmim, fazendo a garota a olhar não entendendo.
- Não sabe onde está garota?
- Bom, na placa dizia: Garotas Martinez.
Jazmim sorriu, fazendo Camila abrir a boca categoricamente de forma completamente exagerada. Seus olhos se arregalaram e até a cigana pareceu assustada.
- O que houve? Eu li errado?
Camila respirou fundo e fez a cigana se sentar, se acomodando ao seu lado.
- Me responde uma coisa Jazmim. Você já dormiu com um homem? sabe...
- CREDO! Ciganas só fazem amor depois do casamento, é um laço primordial que temos com nossos...
- A Ana já sabe? — Interrompeu Camila eufórica.
- O que isso importa afinal?
Camila sem responder, apenas saiu do quarto e a deixou sozinha, fazendo Jazmim balançar os ombros e mirar todos os cantos do quarto.
Caminhando apressada, Camila desceu as escadas e bateu no quarto de Ana, onde a mesma conversava com um senhor mais velho, de cabelo e bigode grisalho.
- Não interrompe Camila!
- É importante. — A garota sorriu, fazendo Ana girar os olhos e sair, fechando a porta.
— O que houve menina? — Perguntou Ana irritada pela interrupção.
— Você sabia que a Jazmim nunca fez sexo? Ela nem sabe direito o que é isso! Você não trabalha com meninas virgens e acho que nem existe nesse "meio" ... Como vai explicar?
Ana ficou em silêncio por alguns instantes, levantando a mão fazendo Camila também ficar. A expressão que saira do rosto da dona do lugar não foi diferente da de malicia instável. Definitivamente, havia conseguido mais terras do que achava que podia carregar.
- Isso vai ficar só entre nós. — Pediu Ana calmamente. — Ajude ela a se enturmar, faça com que a vejam, mas não a deixe sozinha com ninguém.
Camila concordou com a cabeça e saiu apressada em direção ao quarto. Ana ficou uns segundos ali fora pensativa, mas se lembrou do homem que abandonara para falar sobre o ouro que tinha em suas mãos, talvez sua maior recompensa. Entrou novamente, e como se nada tivesse acontecido, voltou a falar sobre os assuntos sólidos de dinheiro.
Ciganos são muitos notados por onde passam, mas esse não era o caso de Jazmim, não naquele dia. Sua nova amiga Camila lhe parecia muito confiável, e apesar de tudo o que acontecera, talvez ela a ajudasse a se comunicar com seu Tio. Nunca passou tanto tempo longe de casa, longe de alguém que cuidasse cada passo que dera, e agora, teria que apreender tudo sozinha.
- Vamos logo! As lojas são cheias em dias de semana.
Camila apresentava a cidade como um lugar explêndido, sabia o nome de cada canto, de cada rua e até de muitas pessoas. Jazmim, pelo contrário, via tudo com outros olhos. Pelo menos umas duas pessoas foram presas, agredidas ou roubadas em duas ruas que andavam... Não era calmo, não podia ser chamado de lar.
Entraram na famosa loja que tanto Camila falara, grande e com roupas elegantes, provocantes... Haviam diversos estilos e modelos, menos o que Jazmim procurava. Com algumas notas ganhadas por Ana, observou Camila intertida com os vários vestidos e saiu da loja rapidamente. Olhou para os lados, procurando uma pequena loja de artefatos que vira no caminho, a encontrando do outro lado da rua.
Entrou, onde um pequeno sino na maçaneta anunciava a chegada de clientes, e não tardou para um homem alto, de uns vinte anos aparecer um pouco atrapalhado com os grossos livros que iam até o rosto. Colocou-os sobre o balcão e abriu um sorriso enquanto fitara a garota se aproximando. Jazmim sorriu tirando o capuz que cobria um pouco seu rosto, fazendo o sorriso que ele tinha sobre o rosto se desmanchar para uma expressão assutada de admiração.
— Posso ajudar?
- Tem Voltaire?
— É claro!
Ele se apoiou sobre as prateleiras, procurando o livro com a ponta do dedo incador. Jazmim aproveitou, se virando em direção a uma bola de cristal e a tocou fechando os olhos.
Respirou fundo e com o barulho em suas costas, se virou e aproximou-se do balcão, onde um livro grosso estava sobre o mesmo.
- Muito interessante sua escolha, e raro!
Ela concordou com a cabeça.
- Quanto é?
- Vinte.
Jazmim tirou uma nota e o entregou, segurando o livro com as duas mãos. De repente, a porta foi aberta onde Camila surgiu apressada, com sacolas nas mãos.
- Onde estava menina? Não pode me deixar preocupada assim não!
- Olá Camila. — O garoto sorriu fazendo ela dar um leve suspiro.
- Oi Michel... — Ela segurou Jazmim pelo braço e a puxou para fora.
- Vamos.
- Espera!
Jazmim parou em frente a loja e a olhou nos olhos, com precaução. As pessoas que passavam por volta lançavam leves olhares e sorrisos sem explicação... Camila cruzou os braços impaciente.
- Eu queria falar com meu Tio...
- Ai Jazmim! Sabe que não posso...
- Por favor! — A cigana abaixou a cabeça tristemente.
- Não tem como se comunicar com ele. O que quer fazer? caminhar de volta a sua aldeia?
— E se ele estiver me procurando? — Ela respirou fundo fazendo Camila entortar a boca e brincar com os cabelos.
- Não foi ele que te vendeu Jazmim?
- Não! Isso é mentira! — A cigana falou alto e irritada.
- Pois tenha certeza. Pessoas assim não prestam... Vale a pena se arricar assim?
Jazmim não havia resposta a essa pergunta, não sabia, não queria saber. Desejava apenas acordar e ver que sua vida não foi destruida por simples pedaços de papel. Camila se afastou um pouco, mirando uma saia por entre a vitrine da loja mais a frente, fazendo Jazmim olhar para trás, limpar uma lágrima e franzir o cenho.
Estava magoada, e nunca havia se sentido tão triste. Por que a única familia que tinha a abandonara nessa forma? Por a Deusa havia escolhido um destino tão diferente do que ela queria?Tentando responder a essas perguntas, suas pernas a levaram para longe novamente, sem ao menos Camila perceber que Jazmim já se encontrava longe. Alguns garotinhos correram por ela, passando arrastando seus carrinhos de madeira, enquanto a mesma mantinha o olhar no chão, fitando seus pés e sentindo a leve brisa lhe atingir o rosto.
Colocou o capuz novamente e pensou em atravessar a rua, mas o luxuoso carro que vinha no meio de outros dois, chamou a atenção de muitos curioso que já sabiam quem se encontrava lá dentro.
- SENHOR GUILHERTINA! SENHOR GUILERTINA!
Chamava um velho senhor com ouro nos dedos, que saira de sua loja para abanar ao carro. A janela foi abaixando lentamente a medida que a velocidade do carro ia diminuindo, onde um explendoso homem, de mais ou menos vinte e dois anos, cabelos louros e olhos azuis erguera a mão em um leve gesto. A única que não parou em frente ao carro foi a cigana de olhos azuis, que atravessou em frente ao mesmo de maneira apressada. Queria fugir daquele lugar, não era sua vida, não lhe servia!
Não que Bernardo Guilertina — o homem mais poderoso do país — Fosse de cuidar as garotas que atravessavam seu caminho, mas o problema é que ninguém costumava fazê-lo, e isso fez com que involuntáriamente seus olhos fossem em direção a pessoa de capa vermelha, que agora, ele só podia enxergar as costas.
O carro continuou a andar, e o vidro foi erguido novamente, mas a constante curiosidade sobre quem era a pessoa que passou por ele de forma tão ousada ainda pairava sobre sua memória. Decidiu ignorar, não devia se importar com pequenos detalhes tão insignifcantes.
É claro que Jazmim não sabia quem ele era, mas pouco a importava nesse momento. Caminhou por alguns minutos e desistiu. Sentou-se na beira da calçada e respirou fundo, segurando seu livro e analisando a longa estrada que a esperava se realmente fosse tentar voltar caminhando para seu lar.
O carro de Bernardo Guilertina parara em frente a casa de Ana, onde o mesmo descera com maior naturalidade, fazedo as garotas se apressarem colocando sua melhor roupa. Era costume isso acontecer, mas não Bernardo chegar sem avisar.
Ana arrumou o cabelo no espelho e se aproximou rapidamente da porta.
- ELE ESTÁ AQUI MENINAS SE APRESSEM!
Ergueu a cabeça e abriu a porta, recebendo Bernardo de forma amigável. De fato, eles eram amigos já a muitos anos.
- Bem vindo. Não sabia que chegaria tão cedo...
- Quis adiantar a visita.
Entrou e tirou o paletó, colocando-o sobre um cabide exclusivamente dele.
- Cristina está disponivel se quiser.
Ele deu um sorriso malicioso e concordou com a cabeça, indo para o quarto de sempre. Gostava de se envolver com prostitudas pois eram apenas isso, prostitutas. Elas apenas lhe serviam como quisesse e não havia comprometimento, o que não aconteceria se fosse uma moça de familia.
Bernardo foi até o quarto, onde Cristina, uma prostituta ruiva de olhos castanhos o estava esperando já sem roupa. Suas curvas se destacavam em um corpo exuberante, e uma langerie de luxo. Ele apenas tirou as roupas e a puxou para si a possuindo por inteira.
Arrancado a langerie de seu corpo, e a jogando rasgada em direção a parede. Suas mãos ocupavam com força as pernas de Cristina, ela o conhecia bem, e sabia que era um homem de sede insasiavel e as vezes até um pouco agressivo na cama. Gostava de sexo forte e ela já sabia como fazê-lo.
Cristina o masturbou antes de levar seu sexo a boca. Bernardo segurou seus cabelos a levou a boca da mulher em direção a seu pênis, ereto. Ela o chupava com prazer, o fazendo erguer a cabeça com um sorriso malicioso.
- Vagabunda. — Sussurrou no ouvido dela a puxando para seu colo.
Cristina sentou-se direto e ele a ergueu fazendo movimentos de vai e vem que faziam a mulher gemer alto. Ela se segurou nos lençóis enquanto Bernardo a colocou de quatro, a pentrando fortemente. Cristina soltou um grito agudo fazendo ele puxar seus cabelos.
- Cala a boca! Eu sei que você gosta!
Ele sorriu e começou a penetrá-la agressivamente, enquanto chupava seu pescoço. A mulher não aguentou, gozou como só conseguia com ele mas Barnardo se negava a chupar qualquer prostituta. A virou de frente e só quando gozou em sua boca uma terceira vez, se satisfazeu. Cristina engoliu todo o gozo caindo exausta ao lado dele que se manteve afastado.
Acendeu um cigarro e foi em direção a janela, pensar. Já havia ficado com mulheres melhores.
Após Bernardo entrar no quarto, Camila apareceu na frente de Ana, com a expressão preocupada e amedrontada.
- O que foi? — Perguntou Ana estranhando.
— Eu perdi a Jazmim. Acho que ela fugiu... — Camila abaixou a cabeça fazendo Ana se aproximar.
- O QUE? — Gritou a mulher a puxando pelos cabelos.
- Por favor Ana, eu não tive culpa!
- CALE A BOCA! EU LHE DEI UMA RESPONSABILIDADE E VOCÊ FALHOU! — Gritou Ana com raiva. Camila chorava mas de nada adiantava.
- EU DEVIA...
Ana levantou a mão para bater-lhe, porém sua expressão ficou séria e silênciosa. Camila olhou para trás após Ana a soltar, fitando Jazmim que entrava na sala discretamente.
— Onde esteve? — Perguntou Ana severa.
- Desculpe, eu me perdi.
Ana tirou sua capa, se certificando que a garota não havia roubado nada ou trazido algo pra lá. Respirou de alivio e ergueu a cabeça.
- A partir de hoje, está proibida de sair sem minha permissão e sem um de meus seguranças. Entendeu? — Ana cerrou os dentes, fazendo Jazmim se encolher, concordando com a cabeça. — Agora vá para o quarto.
Apoiou o cotovelo na estante de mármore que se encontrava a poucos metros e fechou os olhos, estava com dor de cabeça. Ana entortou o olhar e fitou Camila de lado.
- Você também.
A garota se levantou e subiu as escadas correndo.
Jazmim caminhara pelo corredor em direção a seu quarto, passando sem fazer o minimo de barulho pela porta entre-aberta. Olhou rapidamente quem estava ali, e fitou um homem loiro, apoiado na janela fumando apenas de cueca. Suas buchechas ruborizaram e ela seguiu seu caminho em direção ao quarto.
Rainha do baile e olé
Eu sou das flores e olá
De rosa vermelha olé
E de seus amores olá
Aquela voz doce e como nenhuma outra invadiu a sua cabeça. Bernardo gostava do silêncio quando precisava pensar e aquela música o incomodara de certa forma. Tentou ignorar, mas as palmas começaram a aumentar o ritmo, fazendo ele fitar Cristina que dormia enrolada no lençol, e apagar o cigarro. Vestiu um roupão e saiu pela porta, indo em direção a última no corredor.
Criança selvagem você tem que ser
E não mais se vai acreditar
Quanta ternura eu posso ter
Com essa criança que me quer bem
Ele abriu a porta, onde se deparou com umas das cenas mais intrigante e bonita que ja vira. A pessoa que passara por seu carro mais cedo, era justamente a garota que incomodava seus pensamentos com a dança e o canto. Pensou em arrombar a porta de propósito, mas percebera a forma pura e ingênua que a menina dançava e até se perdeu em seus movimentos.
Rainha do baile,
rainha cigana oeoeoeo
Rainha do baile,
rainha cigana
Menina bonita e olé
A menina virou dançando de lado, com um sorriso encantador nos lábios. Barnardo se perdeu naqueles olhos extremamente azuis, no entando, achara que não passava de uma besteira ridicula pensar daquela forma. Bateu bruscamente a porta fazendo a garota dar um pulo e parar de cantar, fitando o homem em sua frente. Nem sequer abaixou a cabeça ou desviou o olhar. Que atrevimento! Bernardo gostava de colocar medo nas pessoas, e esperava qualquer pedido de desculpas ou até um silêncio por tanta ousadia... Menos uma expressão indiferente e uma pergunta impensada.
- Quem é você?
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