Ciel Bleu
3 Hollywood
Fael provavelmente começaria a falar. E digamos que quando ele estava tendo uma profecia ele não se preocupava em falar baixo. – Coloquem algo na boca dele!
– O quê? – Perguntou Cheryl, totalmente inquieta. Calma nunca foi seu forte. – Sei lá, qualquer coisa! – Desesperou-se Jake também. Então eu beijei Fael. Acho que não era a melhor ideia de toda, mas na falta de algo melhor... Bem, adiantou. Mais ou menos, porque ele mordeu minha língua no mínimo umas 5 vezes, mas adiantou. Quando Fael "acordou" eu não sei o que pensou. Mas ele não era burro o suficiente à ponto de não entender o que havia acontecido. Ele me afastou, pegou uma caneta na mesa de Cheryl, e começou a rabiscar um papel em cima da mesa dela. Em um minuto nós tínhamos um desenho quase perfeito. Fael continuava mudo. Olhamos o desenho. Normalmente era somente um desenho meu segurando nossas futuras filhas, mas dessa vez não havia mais ninguém. Era somente eu. Eu estava em um tipo de sala, com paredes de vidro, com roupas ridiculamente rasgadas e sujas, e um pouquinho curtas demais pro meu gosto. Algemada. Presa. Com meu pai me olhando do lado de fora do vidro. – Fael, o quê...? – Começou Jake. Só então Fael realizou que aquela era eu. E que aquela profecia não era muito animadora. – Eu não... Eu não sei! – Fael disse, em choque. Ele parecia tão abalado quanto eu, ou até pior. – Bem, não sabemos ainda o que é. Talvez isso não seja tão ruim... Ou talvez esta não seja eu. – Disse, tentando acalmar Fael. Claro que era eu, mas acho que eu não precisava me desesperar. Ainda. Tentei continuar calmamente. E estava até conseguindo. Saímos da sala de Cheryl e seguimos até a sala. – O que aconteceu, professor? – Perguntou uma das que nós chamávamos de "vadias do Jake". Eram as pentelhas da sala de aula que achavam que tinham alguma chance com Jake. Então se ele deixasse uma caneta cair e pedisse çalguém para pegar. no mínimo sete das vadiazinhas iriam pegar. Acredite, nós havíamos feito o teste. No começo Cheryl se irritava muito, mas com o tempo passou a rir com a gente. Aliás, foi ela quem apelidou as pentelhas de "vadias do Jake". – Nada muito importante, obrigado pela preocupação. – Jake sorriu para a garota. Ela derreteu. Nós também ríamos disso, delas achando que tinham alguma chance com Jake. E ele sempre fingia estar dando mole... Jake é uma figura. A aula praticamente se arrastou, principalmente pelo fato de que eu, Fael e Jesse iríamos para a casa de Jake depois da aula, então nós ficaríamos até ele ser dispensado. O que geralmente nao acontecia antes das 20:00, já que ele tinha reunião naquele dia. Ficamos no tédio no pátio do colégio, enquanto ele se esvaziava e escurecia. Estava frio, porém não estava nevando ainda. Assim que Jake saiu da sala de reuniões junto com Cheryl, nós saímos para ir à casa dele. Mas assim que ele abriu a porta do carro eu ouvi um zunido. Nos viramos. – O que foi isso? – Perguntei. Jesse girou os anéis que sempre usava nos dedos médios e eles se tornaram um tipo de... Soco inglês de bronze? Não era exatamente um soco inglês, porque ele se prolongava para a palma da mão, fazendo como que um escudo nela. Era uma arma interessante. Eu havia me distraído muito olhando a arma de Jesse. Quando virei os olhos me deparei com um ser um bocado esquisito, meio cachorro. Eu já ouvido falar dele em algumç lugar... Telquines? Ele já estava praticamente em cima de mim. Se Cheryl não çestivesse do meu lado, eu estaria literalmente debaixo dele. E provavelmente em apuros. – De onde isso apareceu? – Perguntei. Então Fael puxou meu cabelo, e arrancou minha presilha, desfazendo meu coque e tirando meus grampos de cabelo. – Fael! – Ele jogou a presilha para cima, e ela se transformou em um arco dourado. Ele jogou os grampos, e eles se tornaram flechas douradas. Eu conhecia essas flechas... Eram as flechas que Victarion havia me dado depois de matar minha mãe. Bem, elas não me traziam boas lembranças, mas era bom saber que poderiam ser úteis para algo. Mas ei, espere. Se Victarion estava morto, Dlevin nunca havia feito as flechas para ele. Era óbvio que as flechas eram feitas por Dlevin. Ninguém consegue aquele tanto de ouro, especialmente o ouro de Dlevin. O pai de Fael havia me explicado. Havia o ouro imperial, que funcionava assim como o bronze celestial, e o ouro de Dlevin, que era mais destrutivo. Ele feria qualquer ser. Enquanto bronze celestial e ouro imperial não feriam humanos normais, o ouro dele feria. Isso o tornava muito perigoso. Havia algo errado ali, aquelas flechas não deveriam existir... Mas se bem que enquanto estávamos sob custódia de Dlevin, eu havia visto algumas daquelas flechas. Mas como elas teriam chegado até Fael? Cheguei à conclusão de que Apolo resolvera das as flechas para ele. Jake tirou os estiletes dele da mochila e os abriu, revelando as lâminas de braço de diamante que ele usava. Extremamente resistentes, elas não se deformavam, pois o fio da lâmina continha um filamento de bronze celestial, quase invisível. Ele servia para que as lâminas também ferissem monstros. E funcionava. O olho bom de Jake brilhou, e o Telquine caiu no chão, cambaleando. Isso era extremamente doloroso para Jake, uma vez que usar essa habilidade requeria o uso dos dois olhos, o que forçava o olho ruim dele a funcionar. E isso doía. Jake frequentemente ia ao médico para acompanhar a infecção de seu olho, porém o tratamento chegara muito tardiamente, e o problema havia se prolongado muito. Ele havia passado mais de 10 meses com o olho em um estado precário, e por muita sorte não pegou uma infecção. Porém ainda assim seu olho estava péssimo. Ele não enxergava com ele, e pequenos truques como o que ele havia acabado de fazer com o Telquine doíam-lhe muito.
Foi uma luta rápida, uma vez que estávamos em grande vantagem numérica. Somente dois segundos até que o Telquine caísse no chão e Jesse o finalizasse. – Cheryl! Você está bem? – Perguntou Jake. Provavelmente preocupado com o bebê. – Acho que a pergunta certa seria se você está bem. Você sabe muito bem que não pode sair deixando os monstros bêbados. – Cheryl levantou uma sobrancelha. – Ah, isso não importa. Vamos embora, eu estou com fome. – Cheryl abriu o carro e entrou, impaciente. Uma vez que Jake não era exatamente pobre, ele podia se dar ao luxo de comprar uma BMW. Fael entrou no carro, e Jesse me puxou de volta antes de entrar. – Celine... Você vai voltar para o acampamento nas férias? – Não. Definitivamente não. – Por... – Drew. E eu tenho péssimas lembranças daquele lugar. Jesse suspirou e entrou no carro também. Assim que chegamos ao apartamento de Jake, ele pediu as chaves da cobertura ao porteiro. O porteiro entregou as chaves e nós subimos até o apartamento. – Vou fazer o jantar, sim? Podem fazer o que quiserem. – Avisou Jake. – O que nós... Quisermos? – Perguntaram Fael e Jesse, babando, e então olharam para a TV. Eles não iriam... É, eles foram. Eles ligaram o videogame. E em 5 minutos já estavam brigando para ver quem iria jogar com o Ryu, enquanto eu e Cheryl esperávamos sentadas no sofá. – Pentelhos... – Cheryl revirou os olhos. – Ei, não fale assim deles! De qualquer jeito, você sabe que Jesse é mais novo! E esse videogame é de Jake, fale dele também! – Quando Jake está jogando eu reclamo dos homens. Babacas. – E então... O que nós fazemos quando nossos namorados estão "ocupados"? – Tiramos fotos para postar no Instagram? – Perguntou Cheryl. Estranhei. Postar fotos no Instagram definitivamente não é do feitio de Cheryl – Sério? – Perguntei, tirando o iPod do bolso e abrindo o aplicativo. Cheryl tomou o aparelho das minhas mãos. – Não. – Disse ela, dando um sorriso cínico. – Meninas! – Chamou Fael. – Por que não jogam com a gente? – Não. – Disse Cheryl. – Por favor! – Pediu Jesse. Cheryl rolou os olhos. Aceitamos o convite. Por incrível que pareça, Cheryl era muito boa com videogames. Acho que até ela se surpreendeu. Jogamos um bom número de partidas até que Jake aparecesse dizendo que o jantar estava pronto.. – Espero que gostem de sushi! – Alegrou-se ele. Sentamo-nos à mesa e começamos o jantar. Estava realmente muito bom. Então eu olhei o relógio. Já era mais de meia noite. – Jake, nós temos que ir! Minha mãe deve estar louca! – Ela começa as gravações amanhã. Já deve estar fora da cidade. – Concluiu Jake. – Por que não dormem aí essa noite? Tem um quarto para cada. – Mas nós não trouxemos roupas... – Resmungou Jesse. – Ah, vamos lá, com certeza eu tenho alguma que cabe em vocês dois... – Mas e ela? – Perguntou Cheryl. – Suas roupas não cabem nela? – Jake! – Protestei. Claro que as roupas de Cheryl caberiam em mim, mas eu odiava a ideia de usar as roupas de outra pessoa. – Ela odiou a ideia. Mas eu não ligo. Você liga? – Indagou Cheryl. – Não mesmo. – Respondeu Jake. – Obrigada pela consideração. – Respondi, colocando mais um sushi na boca. Então o interfone tocou. Era o porteiro. Jake nos olhou com cara de quem viu uma assombração. – A minha mãe está aí. – A sua mãe o quê? Ela não estava viajando? – Perguntou Fael. – Parece que resolveu voltar. Eu havia conversado com a mãe de Jake algumas vezes. Era o tipo de pessoa que Cheryl odiaria. Digo, era praticamente igual o Jake, só que desconfiava de tudo e todos. Por isso eu acho que ela não gostaria de saber que o neto era filho de uma ex-prostituta. E acredite, ela sempre conseguia saber o que queria. Jake se levantou e pegou uma garrafa de espumante. – É a única coisa acalma minha mãe. Torçam para que ela não esteja muito brava... Fael, Celine, Jesse. Chamem um táxi. Hora de criança ir para a cama. – Disse Jake, pegando o telefone e ligando para algum táxi. Era perigoso, sendo um semideus, mas Jake não tinha medo. Ele chamou o táxi. Assim que a mãe de Jake chegou, nós estávamos descendo para a portaria. Trocamos alguns abraços e fomos embora. Assim que chegamos em casa, Jesse foi dormir. Desejou-nos boa noite. – Essa casa está uma bagunça. – Concordo. – Temos que arrumar. – Duas e trinta da manhã? – Por que não? Amanha é sábado! – Disse eu. – Você manda. – Fael me beijou. Eu amava quando ele fazia aquilo. Me fazia sentir no comando. – Chega de melação, vamos lá. Mande Jesse arrumar o quarto dele, e arrume a cozinha. – Sim senhora! – Disse ele, levando a mão à testa, como um soldado que recebe uma ordem. Ri e fui até o nosso quarto, começando a juntar as roupas lá. Coloquei ela em um monte, no tapete, e então comecei a guardá-las no armário, então eu encontrei... Uma boxer do Batman. Não aguentei: – Fae-el, venha cá! – Pedi. Fael apareceu. Mostrei a cueca à ele. – Onde achou isso? – No armário. À propósito, não era só uma! – Er... – Own, que fofinho, meu homenzinho só usa cuecas do Batman. – Disse eu, fazendo biquinho e apertando a bochecha dele. – Me devolve isso! – Disse ele, rindo Ele pulou em cima de mim, e nós caímos no tapete peludo e macio. – Ou o quê? Vai chamar o Superman? – Zombei. – Ou eu chamo o Homem-Aranha para você! – Uh, e que tal se eu mesma chamasse o Super Jesse? – Perguntei, puxando-o pela gravata, e tirando a mesma em seguida. ele me beijou. – Acho que ele demoraria um pouquinho... E teria que tirar das mãos de Fael, o maior vilão de Chicago! – Disse ele, desatando os cordões do meu corset. – E isso seria difícil? – Perguntei, praticamente arrancando a camisa dele. – Oh, e como! – Respondeu ele, tirando minhas calças. – Por Zeus, o que estamos fazendo? – Nada demais. Oras. – Celine, não. – Por que não? – Me lembra... – Matt. – Sim. – Ele continuou a me olhar nos olhos. Era o que eu mais amava em Fael. Seus cabelos sempre em um perfeito desalinho, o modo como ele mordia a base do polegar quando ficava nervoso, o jeito que ele colocava a gravata quando usava uma, o modo como ele dizia meu nome, as sílabas que ele trocava de lugar quando não conseguia juntar as palavras, o gaguejar dele quando alguém perguntava sobre nós dois, nada se comparava aos seus olhos e o modo como ele me olhava. Bastava um leve relance sobre seus olhos, e eles conseguiam prender sua atenção por horas. Seus olhos acompanhavam seu estado de espírito. Porém havia muito tempo que eu não os via ter o brilho dourado de sempre. O máximo que acontecia era uma luz passar por eles, rapidamente. E isso acabava comigo. – Eu... Me desculpe. – Pediu ele, beijando minha testa. – Não, não. Está tudo bem. Eu entendo. – Acalmei-o, enquanto ele recolocava as roupas e me ajudava a amarrar o meu corset. – Não. Você não entende. Digo... Essa seria a sua... – Primeira vez? Sim. – Respondi, arrumando o coque em minha cabeça. – Mas você já teve Jake, e... – Por isso nós terminamos. Ele queria dar um passo para o qual eu não estava preparada. – Expliquei. Ele sentou-se na cama. Deitei minha cabeça em seu ombro. – E agora você está preparada? – Indagou Fael, duvidando. – Vamos ter que descobrir uma hora. – Disse. Então notei a merda que eu havia feito. Fael se afastou. – Fael... Eu... – Ele não parou. – Eu preciso ficar um pouco sozinho. Por favor. – Pediu ele. Então subiu para a cobertura. Jesse entrou no quarto. – Celine, está tudo bem? – Perguntou ele. – Está sim. Não se preocupe. – Tentei acalmá-lo. Jesse arqueou uma sobrancelha. – Não, não está. Fael subiu, e trancou a porta. Desembucha, patricinha. – Disse ele, imitando Cheryl. Ri sem vontade, e comecei a explicar a história para Jesse. Ele ouvia tudo calado. – Uh, você pisou na bola agora... – Mas foi sem querer. – Sobe lá. Fala com ele direito. A chave reserva está debaixo do micro-ondas. – Garantiu Jesse. Sorri para ele, peguei a chave debaixo do micro-ondas e fui até a cobertura. Porém antes, meu celular tocou. Me ofereceram um papel em um filme. Disse que ligaria assim que estivesse disponível, e subi as escadas. Fael estava lá, sentado, olhando para a lua. – Por favor, Celine. Só um pouquinho. – Me pediu Fael. Neguei. – Não, Fael. Eu não vou te deixar passar por isso sozinho. – Celine. Por favor. É só um momento, eu juro que não vou fazer nada. – Você não pode se prender tanto assim ao passado. O que passou, passou. – Eu fui beijá-lo. Então ele se desviou.
– Não, Celine. O que passou não passou. Ele era meu filho, e eu o matei. Você não tem ideia do que está acontecendo. Não tem ideia dos pesadelos que eu tenho toda noite com o meu filho. – Fael, eu... – Tomei o rosto dele entre as mãos. Ele se desvencilhou – Não, Celine. Dá um tempo. – Ele se trancou no quarto de hóspedes do segundo andar. Desci as escadas desolada. Jesse me parou. – Não deu tudo certo. – Concluiu ele. – Isso. Jesse, ele pediu um tempo. – O filho de Afrodite fez menção de me abraçar. Levantei. – Me chamaram para um filme. Eu estou indo. – Mas... Do nada? Sem avisar ninguém? Celine, espere um pouco... – Não, Jesse. É a oportunidade perfeita. Eu começarei a carreira, Fael terá o tempo que pediu. Estou indo. – Disse. Fui ao meu armário, arrumei as malas, chamei um táxi e segui ao aeroporto. Estava esperando um avião. Me surpreenda, Hollywood.
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