Cidade dos Anjos
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
Então eu corri na direção daquela pessoa, corri com o resto de esperança que existia em mim. Corri com a angustia e o desespero de vê-la ir embora. O medo e a aflição de não poder mais vê-la, me machucava. Incomodava-me. E foi com a pouca fé que restava em mim que a abracei, e a segurei em meus braços com um misto de dor e alivio. Estava tudo bem. Eu podia sentir isso. A voz doce daquela pessoa sussurrava essas mesmas palavras: "vai ficar tudo bem", enquanto seus braços me seguravam com mais força. Parecia com medo, medo de eu deixa-la partir. Eu não iria. Não queria. Se o destino me permitisse ficaria ali para sempre. Ele não deixaria. E pude ver a razão disso nos olhos negros que nos observava com um misto de raiva e magoa. O pouco de alivio que havia se instaurado em mim, esvaeceu. Não estava tudo bem. E os braços que antes me cercavam, foram me deixando lentamente. Acabou. Os olhos raivosos estavam acompanhados de um sorriso maligno. Desilusão. A claridade foi dissipando, me deixando na escuridão. Eu, a desilusão e a escuridão. E o vazio. Um grito desesperador escapou da minha garganta, Mas nada pode ser ouvido. A pessoa não estava mais ali. Nem os olhos negros. Apenas a realidade. Os braços que eram repletos de paz e amor, não me pertenciam mais. Era isso. Acabou. E como num passe de mágica, a claridade voltou... E eu acordei.
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