Notas iniciais
Droga, era muito óbvio. Preciso colocar mais pessoas? SIM

Corri, exaltando-me nas chamas. Fora tão por pouco que Revolucionária poderia ter tirado minha máscara. Não acredito que ela ao menos se importe em saber quem eu sou. Enquanto menos souberem sobre mim, melhor.

Será que o Camaleão sabia? Ele virou Caitlin, virou até mesmo eu. Corremos pelos telhados, como eu havia feito dias antes. A cada salto eu sentia minhas mãos tornarem fogo livre ao ar. Quanto poder eu tinha? Não conseguia dizer.

Enquanto Revolucionária voava, eu tentava o mesmo. Sabia que podia planar. Mas o que o fogo faria ao tentar ascender até o ponto mais alto? Poderia queimar até as pessoas perto de mim. Eu havia visto o estrago que Camaleão havia feito contra os policiais. Eu podia fazer o mesmo, não?

Pessoas apontavam de vez em quando para o telhado. Eu pegava fogo, a Revolucionária fazia sombra ao voar. Ela protegia eles do Sol. Eu mostrava o Sol para eles. Não culpo ela por achar que eu era o vilão ali.

—Mais alguns passos!- ela berra para mim. Procuro por chamas, onde poderia estar acontecendo o assalto. após um tempo olhando a fumaça elevar aos céus, minha mente para. Meus olhos parecem queimar. De algum fogo, vejo a loja sendo destruída pelo Camaleão/ eu. Fecho os olhos novamente, e estou pulando os prédios.

O que fora aquilo? Uma outra habilidade? Eu havia visto o Camaleão através de alguma chama. Tento novamente, sem sucesso.

—AQUI!- Revolucionária grita. Minha mente ainda estava longe, nos pensamentos, portanto tentei parar, um movimento sem sucesso. Pulei do alto, e ambos caímos, Revolucionária e eu, em direção à loja.

Os policiais berraram ao fogo destruir seus carros. Poucos perceberam nossa presença. Estavam muito ocupados desviando das chamas. Também me envolvi em chamas, minhas mãos e cabeça, para não queimar minhas roupas.

Nos atiramos para dentro da loja, e agarrei o outro eu pelo pescoço. Atirei-me junto com ele contra a parede, onde atravessamos, frágil por causa do fogo.

Lutamos, chama contra chama, o calor emanando para todos os lados. Seus olhos também queimavam atrás da máscara, seus cabelos também recebiam faíscas em grande quantidade. A essa altura, os policiais perceberam o que estava acontecendo.

—Cessar fogo!- um deles berrou. Sorri, afinal, como essa frase era irônica.

Apenas eles iriam cessar fogo. Eu estava só começando. Dei três socos contra o outro eu, fazendo ele cambalear para trás. Ele atirou fogo em mim. Desviei, dando mais dois socos. Então ele me chutou, me forçando contra a parede. Revolucionária chegou por trás e, batendo nas costelas do outro eu.

Ela elevou ele aos céus. Ele continuava pegando fogo, até que... parou. O casaco vermelho se tornou preto. Achei que tinha se tornado Revolucionária, mas não. Os cabelos eram mais escuros? Não conseguia ver. Revolucionária parou de bater.

Era alguém importante para ela. O truque, de novo.

—Não, Revolucionária, NÃO!

Depois de um tempo, os cabelos mudam novamente. Um tom mais claro, e percebo que é Revolucionária. A Revolucionária Um dá o soco na original, e voa para baixo, me atacando. Fecho os olhos, e ele me arremessa. Levanto e recebo um chute, mais poderoso dessa vez. Vejo que ele se transformou em Fatal. Me dá uma série de golpes, girando como um mestre. Ele dá dois chutes seguidos, como se andasse em mim, dá um mortal para trás, sem nenhuma dificuldade. E quando olho, se transformou em mim. Mais socos, chamas. Ele dá socos como Fatal, esquiva de algum golpe meu, e se transforma em mim, lançando chamas. Depois Revolucionária novamente. Me sentia sendo atacado por três Humanos-Avançados, com poderes contra mim.

Com outro soco, caio no chão. Dores se elevam até minha cabeça. Quando cuspo sangue no chão, ele ferve pelo calor. Meus olhos queimam, e me levanto. Revolucionária me ajuda a levantar. Mas desde quando ela está aqui? Dou um soco nela, como se fosse Camaleão. Mas então ela grita:

—Sou eu! PARE!

E do outro lado a Revolucionária grita.

—Não acredite nele!

Quem é quem? Qual delas está mentindo? O fogo alastra nos dois lugares. Qual estava lá? Mas antes que eu pudesse decidir, as duas se atacaram. Os policiais continuavam a observar e pedir ordens pelos comunicadores. Onde estaria Fatal àquela hora?

Tinha de fazer algo.

—Revolucionária!- grito. -Quando foi que você me conheceu?

A que responder primeiro. A que responder primeiro, penso.

—Você estava sendo atacado por um homem-rino!- as duas respondem. Droga! Ele leu a cabeça da outra. Como saber quem é a verdadeira?

Preciso ver. Preciso perceber qual delas vai olhar para a outra com atenção, tentando ler a mente. Qual delas? Fecho os olhos e concentro.

Sinto todas as chamas por perto, cada uma presente. Com uma consigo ver as viaturas lá fora. Com a outra as ruas destruídas. Então encontro-me. Com a chama, o tempo diminui, e vejo. Com socos e chutes, uma delas mantém os olhos fechados. A outra piscou forte, mas torna a abrir, chutando a outra para trás.

—Como te convenci de que este é o Camaleão, não eu?- pergunto.

Com o olho fechado, a Revolucionária Um manteve a expressão de dor. A outra substitui por irritação. Em poucos segundos, a Revolucionária-Camaleão faz o mesmo.

—Pare com isso!- as duas exclamam. -Faça alguma coisa!

Agora já sabia quem era falsa. Atiro-me contra ele, e instintivamente ele se transforma na forma Camaleão. Bato nele, atiro chamas no corpo frio, e então ele cai. Não se move novamente, e pego ele, e jogo perto dos policiais.

—Você foi queimado. -digo, depois percebo o quão ridículo essa frase é.

Explico para os policiais os poderes do Camaleão e as precauções que eles deveriam tomar. Mantive distância deles, não querendo ter que me entregar.

—Agradecemos a sua ajuda- diz um, talvez o capitão. -Porém a cidade não precisa de vigilantes. O governo já sabe o que fazer. Próxima vez que se meterem, usaremos as armas.- ele aponta para a arma corta-fogo, criada para me parar.

—Vocês não sabiam que esse animal- aponto para o Camaleão. -era sangue-frio. Vocês trouxeram a arma errada.

—Vamos, Tocha-Humana.- diz Revolucionária, saindo do telhado. Ela segura minha mão e me eleva aos céus.

Paramos no telhado de um prédio, talvez bem longe de casa, mas não tanto.

—Como sabia quem era eu?- ela pergunta, virando o cabelo bagunçado para olhar para mim. Sim, penso. Eles eram mais claros que a da transformação do Camaleão, quando eles haviam voado alto. Me pergunto quem era aquela pessoa.

—Eu observei o Camaleão olhar para você e mudar de expressão, depois de alguns milésimos.

—Incrível sua observação, Tocha Humana.- quero falar "Hiperion", mas então ela pula com braços abertos e voa longe. Não falo mais nada.

Após a luta de ontem, tentei me concentrar nas aulas. A marca na minha mão, negra pela pedra, ainda aparecia. No almoço, encontro com Caitlin, e entrego a ela o anel(roubado da loja, mas o que importa é a tentativa, né?). Ela me beija, bem na frente de sua irmã.

—Ah, vou vomitar se continuarem a fazer isso.- ela comenta. Sei que ainda não gosta de mim. E sei que desconfia do que posso fazer. Mas não faria nada contra Caitlin, nem Selena. Nunca notei como elas eram parecidas. As diferenças mais notáveis podem ser apenas a moldura de rosto (Caitlin tem um pouco mais de bochecha) e a cor do cabelo. Com certeza, o de Caitlin é mais...

Mais escuro.

Não pode ser. Como a cópia do Camaleão, a pessoa importante para Revolucionária. Mas não. Ainda é muita coincidência, e só isso.

O rosto dela. Revolucionária/Selena.

Com a minha mente, percebo. São os mesmos rostos.

A Selena é a Revolucionária.

Na mesa, olho para ela. Ela penetra os olhos em mim. Olhos furiosos. O sino toca para a aula seguinte.

Notas finais
HOHOHO feliz dia das Mães!