Cidade 12

1 Capítulo 1 - Estrategista Midas


Notas iniciais
Bem, aqui nós veremos letras, palavras e frases, vocês podem perceber isso se tiverem um pouco de atenção. Sério mesmo, prestem um pouco de atenção e vocês iram ver letras!

A guerra estava acontecendo. Depois de 20 anos de trégua, os humanos Superiores resolveram tentar invadir e conquistar novamente os domínios dos humanos Inferiores. Das 100 cidades humanas que aquele mundo abrigava, somente 12 pertenciam aos Inferiores.

Dessa vez, o defensor era a Cidade 4, e o atacante era a Cidade 67. Não havia para onde correr, a força bélica dos Superiores era incrivelmente maior. Entre ataque e contra-ataque se ouvia um urro, um grito, um olhar se extinguir ou um corpo se perder na névoa baixa e densa. Tiros eram ouvidos a cada segundo. A Cidade 4 já era. Todos os homens foram mortos, as crianças eram obrigadas a se unir aos Superiores, e as mulheres fugiam pros fortes ou viravam escravas. O número de Superiores aumentava enquanto os Inferiores diminuíam.

Três dias depois da perda da Cidade 4, a notícia de que a mesma foi destruída chegou a Cidade 12. Os pelotões 1,2,3,4 e 5 – os únicos pelotões que a cidade tinha, com 30 guerreiros em cada um – ouviam atentamente seu general discursar:

– Homens, pela geografia de nossa região, é muito provável que nós sejamos os próximos. – nesse momento todos os homens uivaram. O general continuou – Mas temos que ver os nossos defeitos para chegarmos as nossas qualidades! Vamos pensar bem. A força bélica deles é muito maior que a nossa. Mas ainda há algo em que possamos ser melhores. Nós, que vivemos duro e batalhamos pelas nossas vidas todos os dias, com certeza somos mais inteligentes que eles, concordam? – agora, todos aplaudiam. O general tomou força para continuar com o discurso. – Se aqui, todos somos mais inteligentes, alguém se dispõem a ser o estrategista?

Todos recuaram, deram um passo para trás. O estrategista, além de ser o mais pressionado pelo general, ainda era quem estava mais presente no campo de batalha, ele não podia faltar. Ninguém tinha coragem para isso, muito menos inteligência!

Do fundo da sala, um menino que ainda nem parecia ter idade para entrar no exército se levantou dizendo:

– Eu topo. O estrategista é a função mais legal. – O sorriso no rosto do menino parecia demonstrar inocência, parecia até que ele não sabia no que estava se metendo. Mais uma pessoa atenta observaria sua cara franzida e a sobrancelhas levantadas, o menino sorria com malícia, sabia muito bem no que estava entrando. Esse menino era Midas

– Você! – exclamou o general assustado. – Logo você, o menor, mais fraco e que menos luta! Seja sincero, quantos anos você tem?

– Na verdade eu tenho 17 – respondeu Midas ainda com um sorriso no rosto. – Eu falsifiquei minha identidade para entrar no exército.

O general, furioso, berrou:

– Nunca vou deixar alguém fraco como você tomar conta de nosso exér...

– Você precisa de uma pessoa inteligente ou de uma pessoa forte? – Interrompeu o menino. – A verdadeira força não é ter músculos e usa-los, a verdadeira força é chegar a vitória quando a derrota é certa.

Todos recuaram novamente, mais um passo para trás. Nem mesmo o general conseguiu retrucar depois dessa filosofia. Mas aquele garoto tinha razão, ninguém tinha nada para falar, todos aqueles homens haviam perdido, não para um exército, mas sim para um garoto.

– Certo. – Falou o general, cerrando os dentes e os punhos. – Irei te dar a chance de ser nosso estrategista na próxima batalha. Se você se sair bem, quem saiba possa ficar com o cargo?

O menino sorriu novamente, sorriso esse que virou uma gargalhada, mesmo que fosse uma gargalhada sem motivo aparente, era contagiante. Em menos de dois minutos, todos estavam rindo da cara do general.

...

No forte de Follet havia 137 homens. Homens fortes e com poderosas armas de fogo. O forte tinha uma função especial: proteger as Cidades 40, 41,42,43,44,45,46,47,48,49 e 50 das criaturas do Norte. Essas 11 cidades eram as cidades humanas mais ao norte do mundo. Perto delas moravam os Orcs, Goblins, Ogros, Smurfs e todas as outras criaturas verdes e azuis que assustavam o mundo (menos os Smurfs, claro, os Smurfs não assustam ninguém).

Mas, parando de falar de criaturas estranhas, vamos ao forte. Naquela tarde algo em peculiar chamou a atenção dos patrulheiros do local. Um humano Inferior foi avistado subindo a montanha em direção ao reino gelado dos Orcs. Duas horas depois foi avistado mais outro seguindo para as florestas de árvores gigantes dos Goblins. Duas horas mais tarde, foi novamente avistado outro humano Inferiror seguindo em direção aos pântanos dos Ogros. Todos pertenciam a Cidade 12. Mas como o trabalho daquele forte não era caçar humanos... deixaram eles passarem livremente. Não sabiam que estavam selando o próprio destino!

...

– Você é burro ou idiota?! – gritava o general a Midas.

– Acho que sou os dois. – respondeu o estrategista com sacarmos.

– Que maluquice você fez? Mandou três de nossos melhores homens para o norte!

– Ah! Eu mandei eles lá por que tenho um plano. – Falou calmamente Midas enquanto tentava se livrar das mão do general. O garoto estava se perguntando se o famoso general era um homem mesmo ou um urso disfarçado, o cara era muito forte!

– Nossa! Então você tem planos para matar 3 de seus colegas? – gritou o general, o grito ficando cada vez mais alto.

– Na verdade, esse plano é para terças e quartas, como nossa batalha será domingo, daqui a 2 dias, eu acho que não vai morrer ninguém.

Nesse momento os soldados da Cidade 12 não argentaram e caíram na risada. Eles nunca haviam visto o general virar alvo de comédia tão rápido. Quanto mais Midas falava ironias, mais engraçado a situação ficava. O general, ao perceber que estavam rindo dele, largou Midas no chão e fuzilou seus homens com o olhar. Depois de um minuto daquele olhar forte e penetrante, não havia mais um homem rindo. Depois o general virou para Midas e sussurrou mais alto do que uma sussurrada deveria ser:

– Se você não for muito bom na nossa batalha no domingo, eu te enxoto do exército. – foi o que ele falou.

Depois o general virou para o exército e falou com uma voz mais fria que gelo:

– Agora, vamos ouvir o “plano” que nosso amigo aqui – nesse momento ele apontou para Midas – fez para nos sairmos bem na nossa batalha daqui a dois dias.

Midas, feliz por ter seu momento de atenção, sentou numa cadeira de madeira e encarou os homens em pé. No total, contando com ele e o general, ali estavam 148 homens. Os outros estavam no norte, por algum motivo que somente Midas sabia. O garoto mexeu na garganta, ajeitou o colarinho, limpou a camisa com as mãos e...

– Anda logo garoto! – gritou um dos homens do exército. – Você vai fazer um discurso de guerra, não uma propaganda pra uma campanha eleitoral.

Todos caíram no riso. Midas sorriu, mas sorriu de verdade, sem malícia, com a inocência de uma criança. Desde que ele chegara ali o exército ficava cada vez mais animado e disposto para sorrir. Por um momento Midas se perguntou se eles realmente confiavam nele. Se perguntou se homens sem esperança poderiam adquiri-la de volta por causa de um garoto como ele. Naquele momento, o pequeno estrategista se sentiu o rei do mundo. Pena que aquilo não era verdade. Quando todos os homens se calaram, Midas acordou de seus devaneios e começou a discursar:

– Será muito simples. Primeiramente, eu quero que metade do pelotão cinco fique do meu lado.

E dos 30 homens do pelotão 5, 15 ficaram do lado do menino. Midas entregou um escudo para cada um e recolheu suas armas de fogo, falando que a estratégia deveria ser executada com aqueles escudos. Depois, o garoto mandou a metade do pelotão cinco que estava usando escudos embora da sala. Vamos acompanhar esses homens, porque ficar sabendo da estratégia agora pode estragar a surpresa no final, não é?

...

Agora falta só um dia pra batalha. Tensão, medo da morte! Para curar essas fobias, Midas levou o exército inteiro para o MecLolendis, pra todo mundo comer um MecLol Feliz. E, depois disso tudo, todos os medos foram curados, todos aqueles homens estavam prontos para a batalha! Mas nenhum estava pronta pra pagar a conta do MecLolendis.

Depois desse almoço, quando todos já estavam nas salas do QG, os soldados ouviram alguém bater na porta. Quem havia voltado eram os três homens que partiram dias antes em direção ao norte. Midas, vendo que todos haviam voltado bem, riu da cara do general, que duvidara que os três iriam voltar. Depois de muitos tapinhas de boas vindas o general interrompeu:

– E ai? Foram fazer o que no norte?

– Na verdade, Midas nos pediu para ir pra lá numa missão muito especial. – falou o mais alto dos três homens. Esse era Roland. – Midas pediu para que nós trouxéssemos esses caras aqui!

Nesse momento, Orcs e Goblins entraram pela porta, causando admiração a todos ali presentes. Nunca tinham visto nada parecido! Os goblins mediam no máximo 1 metro e eram verdes, olhos grandes e carregavam consigo uma grande sacola de couro. Eles vestiam somente uma espécie de túnica de couro. Os Orcs mediam no mínimo 2 metros, tinham um olhos só e uma cara de poucos amigos. Vestiam algo tipo uma saia de tecido branco e uma espécie de cinto que atravessava diagonalmente o corpo verde e robusto.

Eles estavam prontos. Já tinham a inteligência e agora tinham a força. Só faltava a batalha. No dia seguinte... eles iriam destruir o forte de Follet!

Notas finais
Se você conseguiu ver as letras... parabéns!