Cidade 12
5 Capítulo 5: O Heart of Hell
Na enfermaria do forte, Midas e o Rei Ogro, que ele descobriu que se chamava Tharroc, conversavam tranquilamente sobre qualquer assunto. Midas estava lá pelo seu maxilar quebrado, e foi surpreendente como Midas voltou a falar em menos de dois dias. Os médicos tiveram um susto tão grande que deixaram o estrategista lá de cama por mais 6 dias, só para ter certeza que ele estava bem (há quem diga que o Rei Ogro, reconhecendo sua derrota, emprestou o poder de regeneração dos Ogros para Midas).
Tharroc também logo se recuperou. Em 4 dias o Ogro já estava de pé e podia executar facilmente toda atividade do cotidiano. Se pensarmos bem, 4 dias é muito pouco para cortes que quase arrancaram seu braço fora.
Todo dia, duas horas por dia, Roland, o general e o representante de cada pelotão vinham para conversar com Midas sobre a retomada da Cidade 4 e a captura da Cidade 67. A Cidade 67 era uma Cidade razoavelmente pequena para o padrão das outras cidades dos Superiores, mas bem grande para o padrão dos Inferiores. O que o exército da Cidade 12 realmente queria era a Cidade 94, no extremo leste do território humano, fronteira com o Reino dos Elfos, que frequentemente emprestava seus saberes e suas armas, por isso que a Cidade 94 era a capital. Controlado a Cidade 94, os humanos Inferiores poderiam controlar todo o território da humanidade com a ajuda do Heart of Hell.
O Heart of Hell, ou HH, era o palácio real de Riouma Lockheart, o jovem Rei da humanidade. Foi daí que surgiu a diferença entre humanos Superiores e Inferiores. Os Inferiores foram aqueles que não aceitaram se submeter ao domínio completo do Heart of Hell, e os Superiores foram aqueles que decidiram se tornar cachorrinhos de Riouma Lockheart e segui-lo como se fosse ele um deus na Terra. Você, caro leitor, precisa entender que – mais que um simples palácio real – o Heart of Hell era um organismo vivo, criado pelas sombras no coração do Lockheart. O Heart of Hell, e somente ele, tem mais poder que Riouma no domínio da humanidade. Cercado de trevas, protegido por mortos-vivos, vento como servo e o nada como terreno. O Heart of Hell é mesmo o coração do Inferno.
...
Os preparativos já estavam quase prontos. Midas e Tharroc já estavam no acampamento militar montado perto da Cidade 4. Pelos cálculos de Roland, o batedor oficial da Cidade 12, somente um terço da força da Cidade 67 estava ali.
– Um terço? – balbuciou Midas – Então são mais ou menos 75 soldados do lado deles e, do nosso lado, se contarmos Ogros, Orcs, humanos e Goblins, ficam mais ou menos uns 250 soldados.
– Exatamente. – falou o general.
Naquele exato momento, Roland, general, Midas, Tharroc, os comandantes de todos os pelotões, o líder dos Goblins e o líder dos Orcs estavam reunidos dentro da barraca do estrategista. Midas havia pensado muito nos últimos dias e finalmente tinha armado a estratégia completa. Ele estava ali agora para discuti-la com os outros líderes e sub-líderes do exército.
– Ok, ok. Mas, invés de fazermos essa gambiarra toda, por que nós não simplesmente usamos a Cidade 49 ou 41 – que tem posição geográfica estratégica — para atacar a Cidade 67? – perguntou Roland quando o plano inteiro já tinha sido discutido.
– Tá doido? – perguntou Midas com as sobrancelhas franzidas. – Isso poderia ser considerado um golpe de estado por Riouma Lockheart, ele iria investigar e iria nos descobrir. Depois disso seria só questão de tempo pro HH sumir com a gente.
– Ele tem razão. – falou o general se levantando bruscamente da cadeira. – Midas posicionou muito bem nosso exército nesse plano. Se seguirmos as ordens dele, não terá como nós perdermos.
– Isso seria um elogio, general? – falou Midas com um sorriso no rosto.
– Ah, o que? – apressou-se o general, querendo encobrir a frase de Midas. – É claro que não! Foi uma olhada do ponto de vista estratégico.
– Sei general, me engana mais, vai. – provocou Midas. – Você é o típico tsundere, a diferença é que você não é uma menina.
Roland riu. Ele e Midas eram ligados nessas coisas japonesas. Por fim, quando acabou a gargalhada, Roland falou:
– Verdade, general! Vou até começar a te chamar de general-oneesama.
O general bufou, fechou a cara e se dirigiu para fora da barraca falando:
– Certo, certo. Comandantes, arrumem seus pelotões. Ogros, Orcs e Goblins, preparem suas formações. Amanhã, ao anoitecer, nós já estaremos atacando. Reunião encerrada.
Midas ficou paralisado. Estava planejando o ataque para dali a dois dias. Precisava ajeitar a munição, recarregar as armas, afiar as espadas e outras lâminas, falar com os pelotões sobre a formação, arrumar a pólvora, lustrar as armaduras... é, para Midas os próximo dia seria bem agitado.
O ataque seria amanhã.
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