Cicatrizes do Passado

8 Proximidade e Proteção


O dia de inverno, cobria as ruas de neblina e criando um cenário frio e cinzento. No escritório, as luzes refletiam nas janelas húmidas, enquanto o aroma do café fresco circulava pelo ar, contrastando com o frio lá fora. Saya entrou, já preparada para enfrentar mais um dia de trabalho intenso, mas notou algo diferente no ambiente.

Aiko aproximou-se dela, sorridente e animada.

— Hoje tenho novidades, para te dar! Eu estou agora num relacionamento!

Saya ergueu ligeiramente uma sobrancelha, mantendo o tom neutro.

— Parabéns. — respondeu, sem grande emoção, mas com atenção suficiente para perceber a felicidade genuína da amiga.

— Queres conhecê-lo depois do trabalho? — perguntou Aiko, hesitante.

— Se for rápido, não me importo. — respondeu Saya, num tom que misturava neutralidade e leve curiosidade.

O dia passou sem grandes incidentes, e quando o trabalho terminou, Aiko levou Saya até à entrada do edifício, onde o rapaz a esperava Aiko. Ele olhava para o telemóvel, distraído, e vestia algo menos formal do que o habitual num contexto empresarial.

Aiko apresentou-o.

— Este é o Aki.

O momento era aparentemente simples, mas Saya sentiu uma alerta interno disparar. Algo no olhar de Aki, na forma como se aproximou dela, despertou-lhe uma sensação de desconforto. Ele começou a fazer perguntas direcionadas a Saya, ignorando a própria Aiko, que ficou visivelmente confusa.

Antes que a situação se complicasse, Riku apareceu discretamente, aproximando-se com passos firmes.

— Saya, preciso de ajuda com um assunto. — disse ele, oferecendo um álibi perfeito. Eles saíram juntos, deixando Aki e Aiko sozinhos.

Enquanto caminhavam pelo corredor silencioso, Riku olhou para Saya.

— Ele vai ser problemático. — comentou em tom neutro, mas carregado de observação.

— Naquele momento só, queria dar-lhe um soco. — murmurou Saya, num tom que misturava frustração e alívio.

Riku sorriu ligeiramente, a ironia subtil não passando despercebida.

— É melhor não o fazeres. Mas vou estar atento.

O caminho até casa foi silencioso, mas carregado de algo mais do que apenas preocupação profissional. Saya mantinha a postura séria e neutra, mas Riku percebia cada detalhe a tensão nos ombros dela, o olhar atento e calculista que refletia não apenas frieza, mas experiência e cautela.

Ao chegarem à residência dela, Saya agradeceu a proteção. Riku respondeu com um simples aceno, mantendo a distância habitual, mas os olhos dele permaneceram fixos nela por mais tempo do que o necessário. Ela entrou, fechou a porta e sentiu, pela primeira vez em muito tempo, a segurança de ter alguém a velar discretamente por ela.

Nos dias seguintes, a rotina continuou, mas a presença de Riku tornava-se mais constante. Pequenos gestos, como abrir a porta, observar discretamente o seu estado de espírito e oferecer ajuda sem ser invasivo, começaram a criar uma confiança silenciosa entre ambos.